Viva la Vida

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I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning and I sleep alone
Sweep the streets I used to own

For some reason I can't explain
I know Saint Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

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3245.

O terceiro milênio havia começado com o mundo em paz, sem conflitos internos ou preocupações com a saúde da Terra. Estados Unidos concretizou uma aliança com o Japão para escavarem uma mina, onde acreditavam que nela existisse um minério raro, chamado Addaes mineruim. Minério místico que é capaz de dar poderes a humanos, mas se manuseado incorretamente a pessoa começa a ser consumida por dentro.

3246.

EUA e Japão trabalharam juntos e conseguiram extrair uma boa quantidade da Addaes. Estavam satisfeitos com os resultados, mas ainda não decidiram de quem pertenceria a mina. A partir desse ano, começaram a surgir vários conflitos, até que decidiram doar todo o minério recolhido para a unidade de tecnologia da Rússia.

3249.

Os russos evoluíram suas pesquisas a transformaram parte do minério recebido em um liquido fluorescente, chamado de A'dáquas. Estavam prontos para testar em humanos. Segundo eles, o liquido reagiria melhor do que a pedra bruta. O Japão e os EUA se interessaram e compraram a A'dáquas por uma fortuna, rendendo bons lucros a Rússia. O conflito entre esses dois países só piorou e agora pessoas inocentes eram envolvidas. Cada país resolveu selecionar algumas pessoas que serviriam de cobaia. Eles só não pensaram que seria tão difícil chegar a perfeição.

3255.

Seis anos se passaram, e a 3° Guerra Mundial está lentamente destruindo o planeta. Os conflitos aumentaram de tal jeito, que não foi possível adiar um confronto. O campo de batalha é a Terra e os telespectadores, os desesperados humanos que tentavam sobreviver a cada ataque. Quanto mais aliados, melhor. E para piorar a situação, as aberrações, como os civis os chamavam se rebelaram contra os cientistas e destruíram os laboratórios e não deixaram um vivo para contar história. Ou talvez eles pensassem assim. As aberrações na verdade eram os Anculus, humanos que tiveram o A'dáquas injetado no organismo. Todos foram experiências falhas. E para trazer o Inferno a Terra de vez, as bombas atômicas lançadas pelos países em guerra estão tornando o planeta inabitável. De 6 bilhões de pessoas, pouco mais de 2 bilhões e meio sobreviveram. Felizmente á 130 anos, a NASA finalmente descobriu que é possível criar vida humana na Lua, e aconselharam a construir uma pequena civilização no satélite natural para caso alguma coisa ocorra com a Terra. A idéia foi aceita e começaram a construir. Agora, a civilização chamada Survivors vai servir de refúgio aos civis. Alguns outros preferiram ficar na Terra e ajudar os Anculus a parar a 3° guerra. Se conseguirão ou não, cabe ao destino escolher.

Um suspiro se perdeu no escuro e vazio escritório. Perto de uma das paredes, havia uma mesa de mogno com vários papeis e anotações espalhadas por ela. Era iluminada por uma simples lamparina, onde era possível ver um homem ruivo de aparência jovem, lendo um documento. O ruivo já perdera as contas de quantas vezes tinha lido aquele papel e adicionado uma informação vez ou outra. Estava cansado de toda essa situação.

- Como as coisas foram chegar a esse ponto?

Repousou no encosto da cadeira, guardando novamente o documento na última gaveta, a trancando com chave. Desligou a lamparina e se dirigiu a porta, rumo a mais uma das reuniões de planejamento. Fechou a porta atrás de si e começou a caminhar, sendo acompanhado pelo som que seus sapatos faziam ao bater no chão. Os corredores estavam vazios. Mas quem dera, quem iria querer trabalhar a essa hora da madrugada?

Não tardou a chegar à sala de reunião. Quando entrou, sentiu falta de algumas pessoas, mas resolveu ignorar e terminar essa reunião o mais rápido o possível. A sala estava cheia de vozes sussurrantes, mas duas delas se destacavam em meio a borbulho que ali se formara. Era um loiro e um moreno que conversavam um pouco alto de mais. O ruivo resolveu sentar e escutar um pouco da conversa.

- Sabe Lawrence, eu ainda não entendi qual o verdadeiro rumo dessa guerra... - o loiro continuou o assunto se apoiando no encosto da confortável cadeira.

- Será que é por causa da Addaes? Ou por causa dos Anculus talvez...

O loiro, que atende sobre o nome Naruto, fez menção de responder. Mas por causa do pouco barulho na sala, foi possível escutar passos agudos se aproximando da porta, para logo após ser aberta, revelando uma mulher loira com os cabelos presos em quatro rabos de cavalo, trajada com o uniforme militar.

- Está atrasada, Temari. - O ruivo repreendeu a mulher que acabara de chegar.

- Isso não importa agora, Gaara. - Temari o respondeu com um sorriso no rosto, adentrando mais a sala. - Conseguimos capturar mais um Anculus, e ela é uma das que você estava atrás. Seu nome é Hayne Saintray Kasparovisk.

Um som de surpresa foi emitido por todos os presentes, menos Gaara. Este só levantou uma de suas inexistentes sobrancelhas e um meio sorriso contornou seus lábios.

- Essa garota será nosso trunfo. - Encerrou a loira sentando-se em sua cadeira.

- Então a guerra começa definitivamente agora... - Comentou o loiro mais para si do que para Lawrence, que acabou escutando e apenas concordou com a cabeça.

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O treino do exército estadunidense estava indo calmo, como sempre. Homens e algumas poucas mulheres praticavam tiro ao ar livre no momento. Em um dos cantos do grande campo gramado, é possível perceber dois homens sentados, observando os soldados treinarem. Um era ruivo, e o outro tinha exóticos cabelos azuis.

- Eu realmente sinto pena desses jovens. Tão novos e já carregam um grande fardo nas costas...

- Sua pena é inútil, Kisame. Eles se alistaram por vontade própria. - Ruivo deu de ombros, tentando assim dar um fim a essa conversa.

- Você é tão frio, Sasori...

A atenção dos dois foi desviada para uma dar portas que davam no campo de treinamento. Podiam ser ouvidos gritos se aproximando, até que a porta foi levada ao chão revelando um homem de cabelos negros com alguns reflexos meio arroxeados correndo, e logo atrás quatro paramédicos segurando uma lona de borracha. Não demorou muito até o moreno ser imobilizado, sendo derrubado no chão e em seguida envolvido pela lona. Foi possível observar um dos paramédicos preparando uma seringa enquanto os outros três estavam segurando com força o homem que estava soltando alguns raios em vão. Logo foi sedado e levado para dentro do edifício que acabara de sair.

Sasori e Kisame olhavam a cena com uma tranquilidade assustadora. Parecia que aquele evento era comum naquele lugar. Os dois suspiraram pesadamente e Sasori se levantou, dando uma breve despedida alegando que tinha trabalho a fazer.

- Essas aberrações pensam que podem fugir de nós. Pobres coitados.

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Não era a primeira vez que andava por aquele labirinto de corredores. Caminhava apressadamente com uma bandeja de curativos e medicamentos na mão, se dirigindo para uma solitária que era muito conhecida por ela.

Sakura era a assistente pessoal do atual chefe que comandava um dos lados da guerra. Na verdade ela não gostava muito de Uchiha Itachi. Ele a tratava como uma pessoa imunda e sem liberdade, tendo que sempre estar atenta para quando o Uchiha lhe pedir algo. Para falar francamente, ela já estava de saco cheio de ser tratada assim, tanto que estava ajudando um dos Anculus mais fortes que ela já teve o prazer de conhecer. Queria que o lado inimigo ganhasse a guerra, e não mediria esforços até conseguir tal proeza.

Pegou o molho de chaves e habilidosamente escolheu a que destrancava a porta a sua frente. Quando a abriu por completo não se assustou com o que viu. O moreno estava jogado de qualquer jeito na cama, com os olhos semi cerrados e a boca entre aberta. Uma cena lamentável aos olhos da rosada. Entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, para logo após se dirigir a uma pequena mesa depositando sua bandeja ali. Pegou um pano úmido e um copo de água, despejando um líquido incolor que anulasse os efeitos dos sedativos. Se aproximou da cama e sentou-se em uma cadeira que estava no lado dela, começando os cuidados que sempre fazia quando Frantz tentava fugir. Um dia ela prepararia tudo para a fuga dele, mas agora não era a hora.

Quando os cuidados estavam terminados, Sakura estava alisando os curtos cabelos negros enquanto esperava que o moreno se recuperasse por completo. Estava completamente distraída com sentiu um forte agarre no seu pulso. Assustada, olhou para o rosto do Frantz e percebeu um brilho diferente no olhar dele. Um brilho assassino. Tentou pedir ajuda, mas antes que sua boca emitisse algum som, sentiu a mão do moreno a tapando. Ela estava com medo do que poderia acontecer. Muito medo.

- Obrigado por cuidar de mim por todo esse tempo... Haruno Sakura... - Frantz estreitou seus olhos violetas observando como a rosada tremia e começava a derramar algumas lágrimas.

Estava decidido que iria fugir daquele lugar, e não importava os meios que usaria para fazer isso. Acabou achando uma ótima oportunidade para conquistar sua liberdade. Soltou vagarosamente o pulso da rosada, enquanto colocava mais força no aperto do rosto dela, para que não fuja. Foi aproximando sua mão do coração dela enquanto soltava alguns raios. Sabia da consequência que seus atos trariam, mas não voltaria atrás agora.

Quando sua mão estava exatamente em cima do coração da mulher, ele soltou o máximo de carga que conseguiria no momento, fazendo o corpo da rosada arquear e os olhos esmeraldas se arregalarem. Mais lágrimas começaram a correr enquanto o quarto era completamente iluminado pela grande descarga elétrica.

Sentiu o corpo da mulher perder força e cair no chão com um baque surdo. Ela estava morta. O moreno a colocou na cama e se dirigiu a porta. Um grande sorriso estava estampado no seu rosto. Finalmente alcançaria a liberdade que lutou tanto para obtê-la. Andava pelos corredores quando encontrou uma caixa que distribuía energia por o subterrâneo. Decidiu dispersar toda a energia do local e lugares próximos para facilitar a fuga. Sorriu novamente. Como não tinha pensado nisso mais cedo?

Encostou a mão na caixa de energia e todas as luzes foram apagando, uma a uma, até o local ficar mergulhado na escuridão. Sentiu sua cabeça começar a dar fortes pontadas, mas não desanimou. Sua liberdade estava próxima. Continuou correndo até encontrar a saída do subterrâneo. Levou a porta ao chão e continuou correndo enquanto a dor de cabeça começava a ficar mais aguda.

Faltava pouco, muito pouco para chegar ao seu objetivo, se é que possuía um. Oh sim, ele possuía, seu objetivo era sair daquele lugar imundo onde os malditos americanos o haviam trancado. Sua cabeça latejava de um jeito irritante, mas não iria desistir, não agora que estava tão perto de sua liberdade. Iria suportar nem que para isso tivesse que estourar os próprios neurônios. Enquanto corria, pôde ouvir vozes, os americanos haviam se dado conta que ele havia feito aquele alvoroço com a energia do local, que ele era o fugitivo, que ele havia matado Sakura, que ele era um prisioneiro a menos deles. O Anculus começou a correr o mais rápido que pôde, já que havia se dado conta de que os americanos estavam a sua procura.

Esforços valiam à pena, ele sabia disso. Depois de horas correndo e se escondendo, finalmente havia alcançado o que há um século poderia se chamar de fronteira entre os Estados Unidos e o México. Faltavam menos de vinte passos para chegar ao ex-país, quando o Anculus parou. Ao longe, qualquer um que visse a cena, não pensaria que ele havia acabado de fugir de uma das bases militares mais seguras do planeta, senão do universo, não pelas suas vestes que estavam aos trapos, mas sim pela expressão que ele mostrava no rosto.

O Anculus, mesmo com a cabeça a ponto de estourar, machucado e ainda com um tanto de sedativo correndo pelas veias, conseguiu formar um sorriso vitorioso nos lábios, enquanto se virava e olhava para o lugar de onde havia fugido. O homem ali no meio do deserto formou uma frase que faria qualquer um na época se arrepiar de medo:

- Vocês, humanos comuns, ainda não entenderam? Nessa guerra, os únicos vencedores somos nós, os Anculus.

Ditas as palavras, Frantz se virou e caminhando lentamente passou pela fronteira entre os dois países. Alguns passos depois, a única coisa que era possível ver naquele fim de mundo eram indícios de uma guerra, e um homem com o coração coberto pelo ódio e a sede de liberdade.

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Musica: Viva La Vida - Coldplay


Notas de Niyama: Nem demorou não é mesmo? Pedimos desculpa por não serem todos os que apareceram, mas lembrem-se que é um prólogo, e para a história ter mais sentido, às vezes precisamos usar um pouco mais de outros personagens... Mas não se preocupem, nós vamos com certeza usar todos os personagens, já que temos uma base da história já formada, e podemos dizer que a história será relativamente grande. Segundo eu e a VioletaNegra ela terá 3 partes, mas é melhor eu não comentar muito senão estraga...

Como vocês viram nesse prólogo está contando como começou a guerra e como é a organização, ou uma parte dela, de cada país. Não falamos sobre os Survivors por ainda não ser a hora, mas quem sabe no próximo?

Enfim, espero que tenham gostado do prólogo e que mandem reviews, já que elas nos motivam! Até o próximo o/

Notas de Violeta: Eu sei que falei que só íamos postar o prólogo no mês que vem, mas como a Ladie-san já mandou a ficha completa, ajudou muito. Aí eu e a Nii começamos a conversar sobre como seria o prólogo. Ideias foram vindo e vindo até que eu não aguentei e resolvi começar a escrever. A escrita fluiu de uma maneira boa e saiu isso que vocês acabaram de ler. Espero ter gostado, agradecemos muito as pessoas que mandaram reviews, realmente eu quase pulei quando vi a reação de cada um quando viram seus filhotes na lista. Então é isso, até o primeiro capítulo - que eu acho que vai demorar um pouco.