Parte Dois
Quando entrei em casa notei que estava tudo mais barulhento que o normal. Geralmente quando chego ouso a televisão em um canal de desenho e a senhora Dolores cantando algo mexicano a plenos pulmões na cozinha.
Inuyasha quando passa algum tempo aqui em casa diz que é a casa mais surubada que existe. Afinal Sesshomaru e eu somos Japonês, com um filho norte Américo – afinal Michael nasceu aqui na Califórnia - um babá inglesas – Grace nasceu na Inglaterra, mas se mudou muito nova para Califórnia - e uma faxineira mexicana – Senhora Dolores está conosco desde minha gravidez.
Sempre quando penso na movimentação do meu lar eu chego à conclusão que Inuyasha está certo.
Caminhei até a sala que era a onde o barulho estava concentrado, Sesshomaru ia buscar a minha mãe e os pais dele junto com Mike hoje. Pela lógica o barulho deve ser animação dos avôs corujas com o neto sendo mimado com brinquedos novos.
Ao entrar na sala meu queixo caiu consideravelmente. Não era apenas minha mãe e os meus sogros que haviam vindo do Japão, mas também Sango e Miroku (com a pequena Hiraki de sete anos), e para a maior e total surpresa Jakotsu e Bankotsu também haviam vindo.
Não evitei pular sobre Bankotsu quando ele se levantou para me cumprimentar. Jakotsu logo me puxou pela cintura dizendo que meu corpo era dele e sempre seria. Depois de perguntas constrangedoras de Mike e Hiraki os quais precisei evitar que Miroku respondesse, cumprimentei meus sogros e sentei abraçada a minha mãe e a Sango. Miroku se queixou que estava se sentindo solitário, então Jakotsu o abraçou.
- Eu estou bem, pode soltar!
- Eu curo todos. – Anunciou Jakotsu dando uma piscada para Sango que começou a gargalha, ela estava linda com aquela pequena barriga de cinco messes de gravidez.
Jakotsu se aproximou de Sesshomaru que estava quieto sentado no sofá, antes o local ao lado do meu marido era ocupado pelo nosso filho - que saiu correndo atrás de Hiraki quando Dolores anunciou que o bolo estava pronto - e agora ocupado por Jakotsu que exibia um sorriso ensaiado.
- E aí gatinho, quer conhecer outros corpos além da minha doce Kagome?
Sesshomaru me olhou e eu reconheci o pedido naquele olhar: "Socorro, ele quer passar a mão em mim".
Soltei um suspiro e joguei um travesseiro em Jakotsu.
- Meu homem, procure o seu... falando em procurar o que é seu. Bankotsu, casou?
- Casei.
- E cadê a mulher?
- Alguém tem que trabalhar naquela casa e o destino quis que fosse ela.
Dei um tapa na minha própria testa, às vezes até mesmo eu duvido da idiotice dos meus amigos.
- Não devemos deixar Hiraki sozinha com o Mike. – Questionou Miroku recebendo um tapa na nuca de minha mãe.
- Esta chamando meu neto de Miroku... digo... tarado?
- Estou... espera... senhora Higurashi, eu sou um pai de família.
- Sango, eu posso virar hetero por você.
- Aceito Jak.
- Parem de conspirar contra a felicidade do meu casamento. – Queixo-se Miroku cruzando os braços.
###-###
Lembro que nunca gostei de ser acordada durante a madrugada ou muito cedo. Quando me acordam geralmente fico com um humor terrível. Fico grosseira, ranzinzam... quase como estivesse na TPM. Mesmo assim meu marido sempre me acordou cedo na época da faculdade, ele gostava de tomar café da manha juntos e como nossas grades de aulas eram diferentes e as vezes eu não precisava acordar tão cedo, ele me acordava mesmo assim para fazer companhia.
Admito que ficava mal humorada até terminar de comer e tomar um banho, eu realmente odeio ser acordada. Sesshomaru não podia reclamar do meu humor, pois nenhum de nós dois gostamos de ter sono interrompido.
Todavia a quase cinco anos não nós importamos a ser acordados, mas apenas por um única pessoa, o nosso filho. Afinal, depois de muitas cólicas e mal estar provocado pelos dentes que estavam nascendo. Estávamos acostumados a sermos acordados pelo Mike durante a noite.
E apenas por ser o Mike pulando em nossa cama as cinco da manha na sexta feira foi que impediu que eu gritasse e Sesshomaru matasse aquele que ousava o acordar daquela forma brusca.
- VAMOS NO AEROPORTO! VAMOS NO AEROPORTO! VAMOS NO AEROPORTO!
E ele continuava a repetir, escondi meu rosto embaixo do braço do meu marido.
- O desliga. - implorei ao Sesshomaru com a voz mais manhosa que poderia fazer.
- Michael! – O som da voz de Sesshomaru não passou de um tom de aviso, foi suficiente para cessar os pulos e as gritarias – Temos visitas em casa. Não fique gritando.
Realmente temos visitas em casa, mesmo Jakotsu e Bankotsu terem insistido que ficariam em um hotel pois queriam aproveitar o serviço de quarto. Depois de muito brigar eles me contaram que a empresa estava pagando a hospedagem pois na verdade os dois vieram a trabalho, grande vantagem de trabalhar em multinacional. Fiquei feliz que eles vieram a tempo do aniversário do Mike. E vendo pelo lado da empresa estar pagando o hotel, bom, eu também me aproveitaria do serviço de quarto gratuito.
O fato é que minha casa é enorme. Nunca entendi o por que do Sesshomaru ter escolhido essa casa, ela tem cinco quarto, sendo três suítes. Piscina nos fundos. Três salas, um porão imenso o qual foi transformado em um quarto.
Voltei minha atenção para meu filho que fazia um daquele biquinhos fofos que me da vontade de morde. Ele sempre faz esses biquinhos quando é contrariado. Uma vez Sesshomaru me disse que o Mike havia herdado o biquinho de mim.
- Mas são cinco horas.
- Seu tio chega as sete. – Tentei explicar.
- Então, precisamos buscá-lo. O Toshio vem também!
- Eles pegam um taxi. – Questionou Sesshomaru se sentando. – Inuyasha esta acostumado a vir.
- E se acontecer como naquelas lendas urbanas, o taxista ser um psicopata e levar o tio em um motel e o tio acordar depois em uma banheira de gelo sem o rim?
Sentei observando meu filho, quase duvidei que ele realmente tinha apenas quatro anos.. bom... no domingo ele faria cinco, mas mesmo assim. Eu realmente me surpreendo como ele é inteligente. Eu sei que sou uma mãe coruja, mas quantas crianças assistem documentários médicos com o pai completamente interessados?
- Andou vendo filmes com o irmão da Sasha de novo? – Perguntei erguendo minha sobrancelha esquerda, Mike se concentrou em olhar o quarto. Soltei um suspiro. – Sesshomaru, sabe que fazer.
- Você buscar o Inuyasha.
- Por que?
- Porque eu não quero ir.
Respirei fundo tentando manter aquele acordo de nunca brigar na frente do Mike. Quase desisti do acordo quando Sesshomaru esboço um meio sorriso sacana Ele estava usando aquele acordo contra mim.
- Certo, vamos tomar um banho para buscar seu tio.
- Vamos! – ele agarrou meu pescoço, Mike tem uma paixão arrebatadora pela hidromassagem do banheiro no meu quarto, ela é grande, cabe mais barquinhos, mais bagunça. Como disse uma paixão arrebatadora, pela bagunça que ela lhe proporciona. – O papai vem?
Antes que Sesshomaru pudesse responder eu me levantei e falei:
- Não amor, o papai quer voltar a dormir. Ele nem ao menos quer buscar o próprio irmão no aeroporto, pois está tão cansado.
- Descanse bem papai.
Precisei usar todo o meu alto controle para não rir enquanto ia com Mike para o banheiro. A cara de desagrado do Sesshomaru foi hilária.
###-###
- MICHAEL!
Enfim ele parou de correr, mas eu precisei correr para pegá-lo. Esse menino me sai correndo como um doido desvairado quando abri a porta do carro para ele. Aposto que se o pai dele estivesse aqui ele não teria corrido.
- Quer me matar do coração correndo pelo estacionamento desse jeito?
- Desculpe, mas é que o Toshio pode se perde no aeroporto, é a primeira vez que ele vem.
Soltei um longo suspiro o pegando no colo. Não estou muito confiante na idéia de deixar essa criança hiperativa no chão. Ele é pequeno e ligeiro, pode sumir facilmente.
- TIO!
Quase cai tentando colocar Mike no chão. E me senti aliviada quando o vi correr em direção de Inuyasha que se ajoelhou o pegando no colo. Uma linda loira estava segurando um bebê de dois anos ao lado de Inuyasha, sorri me aproximando.
- Megan, está linda. – me aproximei fazendo carinho na cabeça de Rosette, a nova integrante da família, com o cabelo prateados como o do pai.
- Obrigada Kagome. E você um arraso como sempre. – Sorri.
Inuyasha havia conhecido Megan em uma de suas muitas vindas para cá. Quando ela se mudou a serviço para o Japão, exatamente Tóquio, apenas para ficar próxima dele foi o ponta pé na bunda desse lerdo pra se declarar.
Quando vim para Califórnia, logo após terminar a faculdade de medicina na Universidade de Tóquio, conheci Megan. Foi uma época particularmente difícil para mim, pois não falava inglês tão fluente quanto Sesshomaru (esse maldito parecia que viveu aqui durante toda a sua vida). Megan me ajudou muito em minha adaptação. Uma das maiores alegrias foi quando o asno do meu cunhado começou a namorar com ela.
- TIA! – Mike agarrou as pernas de Megan.
- Mike, cuidado. Sua tia esta segurando um bebê.
- Eu tenho cuidado.
- Estão dando fermento para esse menino? – Perguntou Inuyasha bagunçando o cabelo de Mike. – Está enorme!
- Cadê o Toshio? – Mike riu afastando a mão do tio do cabelo.
- Ele não veio.
- Por que?
A cara de choro do meu filho me fez bater no ombro de Inuyasha que soltou um palavrão alto em japonês, resultado foi outro tapa de Megan se queixando que ele deveria se lembrar que tanto Sesshomaru quanto eu só falamos em japonês com Mike dentro de casa.
Outra regra na minha casa, dentro de casa apenas japonês. E como toda regra tem uma exceção, quando se tem visitas norte americanas é permito o inglês.
Mike é fluente em inglês por morar nos Estados Unidos. Fluente em japonês por seus pais serem japoneses. Fluente em espanhol pois Dolores vive falando com ele em espanhol.
Isso é desanimador, meu filho fala mais línguas fluentemente do que eu. Mas a verdade é que as crianças tem muito mais facilidade de aprender outros idiomas que os adultos.
- Toshio está ali. – Inuyasha apontou um garoto loiro conversando com a aeromoça que constantemente apertava sua bochecha. – Demos sorte de pegar um voou com a irmã da Megan como comissária de bordo.
Isso me lembra que Megan trabalha em uma companhia aérea. Inuyasha se aproveita muito dos descontos oferecidos aos funcionários.
Sacana.
Como o irmão.
Mike correu e pulou encima do primo, ambos foram ao chão.
- MICHAEL!
- Deixa Kagome. – Falou Megan rindo. – São crianças.
Então os dois rolaram pelo saguão do aeroporto trocando cócegas.
- Aposto que ele estava mais ansioso para ver o primo do que os tios. – Comentou Inuyasha rindo.
- Ele não parava de perguntar quando você ia chegar, me acordou hoje a cinco da manha.
- Posso levar ele para o Japão comigo?
- Só se você me deixar a Rosette. – Peguei a bebê no colo. – Saudades de quando Mike era assim.
- Hora de ter mais filhos, Kagome.
- Vou pensar com carinho no assunto. Kisa e Takeru?
- Eles não puderam mesmo vir, mas mandaram presentes e um vale férias. – Respondeu Inuyasha enquanto segurar os dois meninos que haviam rolado até nós.
Toshio era a copia masculina da mãe, cabelo loiro cacheados e os olhos azuis como o céu, lábios rosados e aquelas bochechas rosadas de criança de cinco anos aumentava seu charme e fofura. Entreguei Rosette para Megan e agarrei Toshio lhe dando uma mordida.
- Tia. – ele reclamou.
- Desculpe tentação. – o mordi novamente arrancando mais um "tia" indignado.
###-###-###-###-###
Nota da autora empenhada – enfim, acho que vou mesmo terminar a fic no próximo capítulo, como já disse é um presente de aniversário =D
