Nota: Inuyasha não me pertence, pertencem a sua criadora Rumiko Takahashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.


Obrigada: Ticha, Oo Jaq oO, Kagome Unmei Taisho Kuchiki, Anny Taishou, Linlinlua, Sandramonte, Kaoru Urameshi, Brasil e Pink Ringo por comentarem o capítulo anterior.

Vocês não fazem ideia do quão feliz eu fiquei em receber seus reviews! ^^

Uma boa leitura a todos!


Ela o queria e a ninguém mais.

Anata no Tame

Capítulo II: Os sentimentos de Kohaku

Jaken sempre apreciou as longas viagens junto de seu lord. Elas eram sempre cheias de emoção e perigo, como deveriam ser a vida de um tai-youkai. Ser o servo de um youkai como Sesshoumaru era a maior dádiva que poderia ter recebido na vida. Tudo era simplesmente... perfeito. Excitante! As muitas batalhas sangrentas por terras e poder faziam de sua vida um verdadeiro conto épico, daqueles que são recontados atravéz dos séculos, ainda que não fosse o herói dessa história e sim, um mero coadjuvante.

Mas, um dia, isso tudo mudou.

Ela aparecera, Rin.

Uma garotinha tão insignificante havia mudado drásticamente a sua vida. Uma mera e frágil humana? Tudo o que seu lord mais odiava e repugnava nesse mundo? Isso era algo que Jaken jamais compreenderia. Rin simplesmente passara a ser o centro das atenções de Sesshoumaru. Ela havia servido para seu lord poder testar a tenseiga, mas e depois? Depois ela não lhe serviria para mais nada e ainda sim Sesshoumaru a manteve junto de si.

Pena? Se Sesshoumaru acaso soubesse o que era esse sentimento, Jaken poderia afirmar que fosse por isso.

Sesshoumaru certamente tinha coisas muito mais importantes com que se preocupar em sua posição de príncipe youkai, mas Rin passou a estranhamente ser sua prioridade, coisa que mais tarde inimigos seus usaram contra si, sua única e real fraqueza.

Sua eterna rincha com o meio irmão hanyou? Naraku? Aprender a dominar a tenseiga? Tornar-se mais forte e temido que o falecido pai? Reerguer todo o império das Terras do Oeste? Todas as suas ambições perdiam espaço para Rin. E o pior de tudo, se ela chorava, a culpa era do Jaken.

Se estava triste, a culpa era do Jaken.

Se estava com fome, a culpa era do Jaken.

Se ela simplesmente sumia em busca de suas flores idiotas ou então machucava o dedão do pé, a culpa era do Jaken.

A culpa era sempre do Jaken.

Às vezes tudo o que Jaken queria era que as coisas voltassem a ser como antes, entretanto, Jaken sabia que isso jamais iria acontecer. Os últimos dez anos só haviam confirmado tal coisa. Sesshoumaru havia fortalecido seu império, formado importantes alianças entre os clãs dos inu-youkais, mas nada daquilo parecia fazê-lo feliz. O que realmente o fazia feliz era voltar para aquele vilarejo simples literalmente do outro lado do país, tão longe quanto podiam ser das Terras do Oeste, e por um simples motivo: Rever Rin.

Jaken tinha até mesmo medo de pensar em como aquilo tudo iria acabar e às vezes se perguntava se Sesshoumaru estava mesmo seguindo os passos do pai. Se não conhecesse Sesshoumaru como conhecia diria que seu lord estava sim seguindo os errôneos passos de Inu-Taishou, mas... Sesshoumaru? Não! Ele jamais faria algo insano como...

-Jaken!

A voz grave pareceu reverberar através de seus ossos. Jaken puxou os arreios de A-uhn e o youkai-dragão parou de trotar. Sesshoumaru estava a sua frente, de costas para si.

-Sesshouuumaru-sama... Como o senhor é benevolente! Pensando no bem estar desse pobre servo? Uma pausa na viagem? Meu trazeiro agradesse, Sesshouuumaru-sama. Viajar todos esses dias na sela de A-uhn definitivamente é uma...

-Cale-se!

Sesshoumaru se limitou a fazer um gesto imperativo com o braço, sequer fitou o youkai-sapo que se encolheu sobre a montaria. Os olhos dourados do youkai buscavam além da clareira em que estavam, a floresta, escura feito breu. Jaken percebeu que seu senhor estava a espreitar algo ou alguém ali. Aquilo o preocupou.

-Algum problema, Sesshouuumaru-sam...?

Sesshoumaru enfim se voltou para trás e Jaken sentiu-se congelar até os ossos sob a mira de seus olhos dourados. Sesshoumaru porem logo mudou seu foco de observação.

Pelo canto dos olhos, enquanto jazia encolhido sobre A-uhn e já esperando pelo devido castigo, Jaken percebeu que Sesshoumaru mirava insistentemente algo atrás de si. Antes mesmo que se voltasse para ver o que era, Sesshoumaru lhe revelou o que tanto lhe atraía a atenção. Sua voz grave e imperativa retumbou em seus ouvidos.

-Eu sei que está ai, youkai-aranha. Saia!

-Youkai... Aranha? –surpreendeu-se o youkai-sapo.

Jaken enfim se voltou para trás e piscou confuso. Só havia a área montanhosa por onde haviam vindo, algumas poucas àrvores, mas da orla da mata algo que lhe lembrava uma silhueta feminina surgiu. Era isso o que tanto atraía a atenção de Sesshoumaru.

Um silhueta feminina, mas... Haviam braços demais, não é? Um trio de braços de cada lado do corpo? Definitivamente, aquilo, não podia ser uma simples mulher.

Era a primeira vez que Jaken via uma youkai como aquela, mas conhecia e muito bem as lendas contadas sobre youkais-aranha. Aquela era a cópia perfeita dos contos. Alta e esguia parecia uma jovem e bela mulher vestida de seda carmim, mas suas seis mãos ainda que fossem delicadas, demonstravam sua real origem, um monstro temível e perigoso.

Um estranho arrepio percorreu o pequeno corpo de Jaken. Ainda que fosse algo completamente diferente, aquilo, aquela youkai, lhe lembrava Naraku.

A youkai trazia nas mãos uma espécie de tecido branco, fino, quase que transparente, a teia que lentamente tecia. Segundo os contos youkais-aranha como aquela podiam tecer o futuro, mas o preço a se pagar por isso não valia a pena. Pedir para que uma youkai-aranha lêsse a sua sorte era o mesmo que assinar a sua sentença de morte. Diziam que suas previsões eram claras e precisas, que quase nunca falhavam, mas esses tipos de youkai eram ardilosas e quase sempre a curiosidade alheia lhe rendia uma presa.

Jaken analizava cada traço da youkai enquanto a mesma se aproximava. Seu rosto era perfeito, alvo e delicado como se fosse feito de mármore. Os pequenos lábios tingidos num vermelho cor de sangue. Seria considerada uma verdadeira princesa humana com seus longos cabelos negros naquele coque elaborado e coberta de jóias, mas Jaken, assim como Sesshoumaru, sabia muito bem que aquela não era a sua verdadeira forma. Seus seis braços? Só o estavam vendo porque eram youkais, um humano veria apenas uma jovem e linda mulher. A seda fina declinava por seu pescoço numa tira estreita, desmaiava parcialmente sobre os seios fartos em seu quimono sem mangas. Livres, suas mãos estavam sempre a fiar.

-Sesshoumaru; disse a youkai quando enfim estavam frente à frente, seu timbre suave, quase que uma cantiga. –Será um prazer tecer para você.

-Oras sua! –Jaken se empuleirou sobre A-uhn. –Como se o Sesshouuumaru-sama precisasse de coisas do tipo e... Mas como raios sabe o nome dele, e...

Sesshoumaru nada disse e depois de um meio sorriso a youkai continuou.

-O filho mais velho de Inu-Taishou, o herdeiro legítimo dos inu-youkais brancos. Aquele que reergueu sozinho e ampliou todo o império das Terras do Oeste. Como eu, que teço o futuro, não o conheceria? Conheço o seu nome antes mesmo de ter nascido.

-Isso não te dá o direito de...; recomeçou Jaken, mas logo parou. Foi a vez de Sesshoumaru enfim falar.

-Jaken; Sesshoumaru o chamou, os olhos ainda na youkai-aranha. O servo se voltou para si. –Vamos continuar viagem.

-Sim, senhor! Meu senhor e...; Jaken pôs-se a fazer-lhe inúmeras reverências, mas Sesshoumaru já havia lhe dado as costas e voltado a caminhar. –Sesshouuumaru-sama, por favor, espere por mim!

Sesshoumaru já estava prestes a adentrar a floresta quando voltou a ouvir a voz da youkai.

-Não quer mesmo saber sobre o seu futuro, Sesshoumaru? Garanto que iria se surpreender com o que sei; insistiu a youkai. -O seu destino...

-Sou eu quem traço o meu próprio destino, bruxa! –Sesshoumaru a cortou ríspido. –Acreditar num destino já escrito e imutável é coisa para fracos. Não sou presa para você, youkai-aranha. Siga-me mais uma vez e não voltarei a ser piedoso.

Sesshoumaru enfim adentrou a mata, sequer dirigiu o olhar para a youkai que lhe falava. Aranhas? Aranhas eram insetos que facilmente esmagaria sob seus pés. Não seria a primeira vez a esmagar um ser tão patético e fraco quanto aquele, mas algo tão desnecessário realmente sequer merecia a sua atenção.

Jaken se voltou para a youkai lhe fazendo um gesto obceno em comemoração, mas se desiquilibrou e caiu da sela de A-uhn que voltou a trotar.

-A-uhn! Sesshouuumaru-sama? Esperem por mim...

A youkai-aranha riu silenciosamente.

-Sesshoumaru... Realmente é mais orgulhoso do que imaginei, mas será esse mesmo orgulho a te fazer tombar...


Kohaku juntava suas coisas sobre o tatame. Algumas poucas peças de roupas, suas armas taiijya. Partiria ainda aquela tarde. Permanecer ali só o faria sofrer mais do que já estava sofrendo, além do que, aquela não era mesmo a sua vida não é? Sossego? Jantar na hora certa, crianças correndo pela casa... Uma esposa? Ter uma vida como a de Sango? Pensar nisso tudo o fazia se lembrar de Rin.

-Kohaku?

O rapaz se voltou para a soleira da porta, era a irmã quem o chamava dali.

-Sango? Entre, por favor; pediu.

A mulher se aproximou e então se sentou ao seu lado. Kohaku sabia que Sango mais uma vez tentaria lhe impedir de partir. Já haviam conversado sobre isso mais cedo.

-Estou preparando um bentô para você levar na viagem.

Kohaku piscou confuso. Não esperava aquela calma e aceitação, não de Sango que tanto insistira para que voltasse a viver ali.

-Arigato, nee-chan.

-Promete que voltará para me ver? As crianças vão sentir a sua falta.

-Hai, eu prometo, só não prometo quando; murmurou o rapaz voltando a se entreter com suas coisas e sacola de viagem.

Um longo instante de silêncio se passou.

-Kohaku, me prometa uma outra coisa; pediu-lhe Sango enquanto observava atentamente o irmão.

Kohaku voltou a fitar a irmã. A expressão no rosto de Sango era séria como há muito tempo Kohaku não via. Aquele olhar tinha nome, preocupação. Sango o fitava como se ainda fosse o seu irmãozinho pequeno que necessitava de cuidados e proteção.

-Esqueça a Rin. Apenas seja feliz meu irmão; sentenciou a mulher.

-H-Hai.


Inuyasha resmungava sozinho quando Kagome enfim o avistou. A sacerdotiza riu silenciosamente enquanto se aproximava do companheiro. Não era comum aquela cena se repetir, não quando isso envolvia Rin e uma espada. Kohaku não se propusera a treinar com a garota aquela tarde, Kagome sabia muito bem o porque, e sobrara para Inuyasha fazer o papel de sensei dedicado. Kagome não aceitaria menos do companheiro. Rin não havia desistido de treinar.

Entretanto o que a preocupava naquele instante não eram as expressões sisudas e resmungos sem sentido de Inuyasha. O que preocupava Kagome, era o mesmo que preocupava Sango, Kohaku.

O rapaz levara anos para enfim retornar e quando enfim o fizera... Rin? Por que ele tivera que se apaixonar justamente por ela? Kagome podia apostar que Rin sequer percebia os sentimentos do amigo de infância, o que só piorava as coisas.

-Kagome?

Era Inuyasha e a sacerdotiza só percebeu sua presença quando o mesmo estava a sua frente. Perdida em seus pensamentos Kagome sequer percebeu que havia parado de caminhar e Inuyasha vindo até si.

-Ainda está preocupada com a visita do Sesshoumaru? –indagou-lhe Inuyasha, de sisuda, sua expressão havia passado a preocupada.

-Lie; gesticulou Kagome a fim de espantar o ar de preocupação do companheiro. –Já te disse que Rin-chan fez a sua escolha e que acredito que Sesshoumaru também.

-E então? –insistiu o hanyou.

-Kohaku. É ele quem me preocupa Inuyasha; respondeu Kagome após um longo suspiro.

-Kohaku? –Inuyasha indagou sem entender, as sobrancelhas escuras se unindo num vinco fundo de preocupação. –Algum problema com ele? Acaso ele está doente ou coisa do tipo? Sei que ele vai partir essa tarde, mas Sango e Miroku não me disseram nada, nem mesmo aquele fofoqueiro do Shippou e eu acho que se esse é o caso nós deveríamos...

-Inuyasha; Kagome interveio séria e o hanyou se calou. –O mal do Kohaku não é necessariamente uma doença, mas pode vir a se tornar fatal se ele permitir que evolua.

-Não entendo; Inuyasha deu de ombros ante a explicação pouco direta da mulher. Odiava quando a companheira falava por enigmas, nunca havia sido bom em compreendê-los. –Féh! Vocês mulheres gostam de complicar as coisas e...

-Deixa pra lá, Inuyasha; Kagome sorriu deixando o companheiro ainda mais confuso.–Tenho de ir ajudar Rin-chan a se arrumar. Logo, logo o Sesshoumaru estará aqui e...

-Esse maldito já está perto... Sinto o cheiro dele; murmurou Inuyasha depois de farejar o ar a sua volta com certa repulsa.

-Céus! –Kagome levou ambas as mãos até a boca, o faro de Inuyasha quase nunca estava errado. –Preciso correr então. Ja ne, Inuyasha! –despediu-se a sacerdotiza repousando um rápido beijo nos lábios do youkai que corou.

-K-Kagome? Féh! –Inuyasha bufou irritado, a mulher já estava longe, correndo monte acima. –Mulheres...


-Rin-chan! Rin-chan! Sou eu, Kagome, eu vim aqui para... Rin-chan?

Kagome olhou para ambos os lados, mas não havia sequer o rastro da garota ali. Procurou dentro e fora da cabana. Quando retornou para o interior da casa Kagome percebeu algo que não havia percebido assim que chegou. Sobre o futton onde Rin costumava dormir estava o belo quimono presente de Sesshoumaru, cuidadosamente dobrado. Em cima do quimono dobrado havia um pequeno pedaço de papel.

Kagome o pegou e então leu as poucas palavras ali escritas pela garota.

"Kagome-chan, fui ver Kohaku-kun. Kaede-obaa-chan me disse que ele estaria ocupado hoje, mas... talvez ele esteja doente. Não o vi o dia todo. Vou lhe fazer uma visita antes que Sesshoumaru-sama chegue. Logo estarei de volta, prometo. Rin."

-Rin-chan; Kagome dobrou o pequeno pedaço de papel. –Realmente não faz ideia dos sentimentos do Kohaku, não é?


Kaede preparava um emplasto de ervas com a ajuda de um pequeno soquete de madeira. Na tijela de barro os ingredientes aos poucos se fundiam numa pasta verde musgo. Shippou, que agora era o que poderia ser considerado um youkai-raposa adolescente observava a velha mulher de perto.

-Isso tem um cheiro horrível, obaa-chan; Shippou franziu o nariz em desaprovação.

-Mas pode ajudar a melhorar essa ferida na sua perna; Kaede apontou para as pequenas pernas de raposa do youkai que, na verdade, pouco havia crescido em dez anos.

-Isso? –Shippou apontou para a perna ferida e sorriu. –Isso foi só um arranhão, obaa-chan!

-Os youkais maiores ainda continuam implicando com você, não é? Pequeno Shippou... quantas vezes eu já lhe disse que o valor de uma pessoa não se mede pela altura e sim, pelo que está aqui dentro? –Kaede enfim abandonou o emplasto e apontou para o coração. O pequeno youkai mantinha os olhos fixos em si. –Seu coração é enorme, Shippou.

-Arigato, obaa-chan; o youkai-raposa agradeceu sincero.

A velha mulher realmente era considerada a avó de todos ali, aquela para quem podiam correr e buscar auxílio confiando na sabedoria de seus cabelos brancos.

Kaede terminou o emplasto, buscou um pequeno frasco transparente numa das prateleiras e o armazenou ali.

-Tome; a sacerdotiza entregou o pequeno frasco ao youkai-raposa. –Passe sobre a ferida já limpa de duas à três vezes ao dia. Dentro de uma semana sua perna estará boa.

-Arigato, obaa-chan; Shippou se levantou e abraçou a velha mulher pela cintura, que era até onde alcançava.

Kaede sorriu e acariciou a cabeça do youkai-raposa. Não havia tido filhos, mas Shippou e Rin que haviam crescido junto de si haviam se tornado tão importantes quanto. Suas travessuras, choros e risos haviam lhe proporcionado a real sensação de como ser uma mãe, ainda que sem qualquer laço de sangue.

Tão logo, um agradecido e cambaleante Shippou desapareceu feliz porta a fora. Mais uma vez a sacerdotiza estava sozinha. Kaede começou a juntar suas coisas e a limpar sua pequena cabana onde armazenava e confeccionava todo e qualquer tipo de antídoto e medicamentos. Ali era e sempre seria o seu local preferido, onde sentia-se realmente útil e agradecia a benção de ter se tornado uma miko.

-OBAA-CHAN! OBAA-CHAN!

Era Shippou e o desespero na voz do pequeno youkai preocupou Kaede. A sacerdotiza se voltou apreensiva para a porta da cabana.

-O que houve, Shippou?

-É o... é o...

Shippou titubeava de olhos arregalados, a respiração ofegante como se tivesse corrido de volta até ali. Aparentemente havia até mesmo se esquecido da perna ferida. Shippou reuniu suas forças e suspirou profundamente a fim de recobrar o dom da fala, porem, a voz grave e fria atrás de si o fez congelar até os ossos.

-Velha.

Kaede sorriu. Uma sombra havia se projetado sobre o pequeno youkai-raposa e o mesmo se encolheu feito um porco-espinho.

-Sesshoumaru?

Kaede se deparou com a presença imponete do youkai à porta de sua pequena cabana. Os olhos dourados de Sesshoumaru ainda eram os mesmos de anos atrás, um poço frio e profundo que ninguém ousava adentrar. Ninguém além de Rin.

-Cada vez que o vejo penso no quão injusta é a forma como os anos passam para mim e para você. Nem sequer me arrisco a pensar em quantos anos, ou melhor, séculos de vida você deve ter.

Sesshoumaru nada disse, apenas observou a velha mulher que lhe deu as costas e continuou a arrumar suas coisas nas prateleiras.

-Shippou? Não se preocupe, está tudo bem. Pode ir, preciso conversar a sós com Sesshoumaru; Kaede se voltou para o pequeno youkai ainda encolhido aos pés de Sesshoumaru.

-Está bem, obaa-chan, mas se... se; Shippou ponderou espreitando Sesshoumaru pelo canto dos olhos. –Estarei por perto, obaa-chan; completou o pequeno youkai antes de enfim sumir porta a fora.

Kaede viu o pequeno se desviar da presença de Sesshoumaru como faria de uma kekai e riu silenciosamente. Pacientemente terminou sua tarefa e só então se voltou para o youkai ainda parado à sua porta.

-E então, Sesshoumaru? O que quer de mim? O youkai-sapo me disse que queria falar comigo; Kaede ponderou e diante do silêncio do youkai continuou. –Acredite ainda não aprendi a ler mentes, quanto mais uma tão nebulosa quanto a sua, sendo então, a menos que me diga o que quer de mim eu jamais saberei lhe dar uma resposta.

-Onde está Rin? –Sesshoumaru enfim se pronunciou ignorando completamente o tom mordaz da mulher.

-Oh, me esqueci... Rin? Rin-chan é realmente o único motivo capaz de o atrair até aqui. Bem, ela está se arrumando como ordenou que fizesse. O youkai-sapo disse que você não esperava menos que uma princesa nessa visita.

Kaede não conteve a pitada de ironia na voz e sabia que ainda que Sesshoumaru não demonstrasse qualquer reação facial, aquilo o afetaria. E era exatamente aquilo que queria.

-Não gosto do seu tom, velha; disse-lhe Sesshoumaru sem conseguir impedir certa ríspidez no tom de voz. Aquela mulher realmente não sabia com quem estava falando.

-E nem eu do seu, aliás, nunca gostei, mas temos um trato, não é? –respondeu-lhe Kaede no mesmo tom. –Espero que cumpra a sua parte como eu cumpri a minha; completou a sacerdotiza, realmente havia acertado onde queria.

-Jamais deixarei que algo de mau aconteça a Rin. Jamais deixarei que qualquer um sequer encoste nela; frizou Sesshoumaru.

-E quanto a você, Sesshoumaru? –Kaede vasculhou a face inexpressiva do youkai. –Será mesmo capaz de não feri-la? Passou meses sem retornar para uma visita e agora pretende...

-Pretendo levá-la comigo; Sesshoumaru respondeu direto.

-É fácil para você, não é Sesshoumaru? –Kaede estava indignada diante de tamanha falta de emoção e, principalmente, tamanha pretensão. –Levar uma mulher crescida para viver consigo, mas acaso sabe o quão difícil foi cuidar da garotinha que você deixou comigo há dez anos? Que chorava e chamava por você todas as noites? Será mesmo que você não irá machucá-la de novo? Não irá abandoná-la de novo? Rin precisa de você, sempre precisou, e te perder de novo será uma dor grande demais para que ela possa suportar; completou.

Sesshoumaru mirou-a em silêncio por um certo tempo e então inesperadamente esboçou um meio sorriso.

-Sou imortal, velha. Como ela iria me perder?

-Não seja irônico, Sesshoumaru! –Kaede explodiu, o tom de Sesshoumaru havia lhe saído quase que jocoso. –Há muitas formas de se perder alguém, não só através da morte e se esse é o caso, é você quem deve se preocupar em não perdê-la. Rin é humana, acha mesmo certo que ela viva entre youkais? Acha seguro que ela viva dessa forma?

-Enquanto ela estiver junto de mim, sim; Sesshoumaru respondeu com simplicidade, achando realmente ridícula toda aquela preocupação da mulher. Ela realmente não sabia com quem estava falando. –Ninguém ousará sequer tocar num fio de cabelo dela, dentro ou fora das Terras do Oeste.

Kaede ponderou por longos instantes de silêncio e então se voltou para o youkai.

-Essa promessa já foi quebrada mais de uma vez Sesshoumaru e ao contrário do que pensa, acho que Rin sempre será um alvo para inimigos seus. Quem sabe, até mesmo para o seu próprio clã? Ela é sua única e real fraqueza, Sesshoumaru. Sabe disso, não é?

O youkai se calou. Kaede mais uma vez buscou por algum vestígio de emoção em sua face. Sesshoumaru era cheio de si, pretensioso, orgulhoso, mas era exatamente isso o que temia. Kaede temia que essa pretensão e orgulho exagerados fossem o que de fato um dia o fizessem tombar.

Sesshoumaru era forte, ninguém discordava disso, mas ninguém é totalmente intocável. Inalcançável. Ainda que se escondesse por detrás de uma máscara fria e inexpressiva, Kaede sabia que alguém capaz de salvar e cuidar de uma garotinha pisando em seu próprio orgulho para isso, tinha sim um coração batendo dentro do peito. O coração das pessoas era a maior de todas as fraquezas na mente de um youkai. Ter um coração que batia no ritimo dos humanos, ainda que apenas por uma única pessoa, era a maior fraqueza de Sesshoumaru.

-Ainda sim, pretende levá-la consigo? –insistiu Kaede depois de uma busca frustrada pelo perfil sério e inexpressivo do youkai.

-Se ela quiser, sim. A decisão, já lhe disse uma vez velha, é dela e de mais ninguém; respondeu-lhe Sesshoumaru. –O nosso trato era para que cuidasse dela, a ensinasse a viver entre os seus, para que um dia ela então pudesse escolher. Rin, não é uma cria sua, velha.

Toda aquela preocupação exagerada estava começando a irritar Sesshoumaru.

Kaede ponderou fitando o chão para então se voltar num meio sorriso para o youkai que franziu o cenho.

-Cria? Está certo Sesshoumaru, Rin não é uma cria minha, afinal, não nasceu de mim, mas ainda que não a tenha carregado no ventre eu a considero como minha filha. Eu a vi crescer Sesshoumaru, vi a garotinha se tornar mulher, por isso; Kaede ponderou numa expressão totalmente séria, algo que de fato colocaria medo em qualquer pessoa. Era uma aviso. –Ouça bem, se ousar a machucar de novo, juro, eu mesma irei te caçar.

Sesshoumaru sorriu.

-Isso seria... engraçado, velha.


-Parece que realmente chegou a nossa hora de partir, não é Kirara?

Kohaku se voltou para a gata-youkai ao seu lado que ronronou positivamente. Fazia exatos dez anos que a fiel companheira da irmã havia se tornado sua companheira de viagens. Quando decidira seguir a carreira de taiijya, Sango havia lhe pedido para que levasse Kirara consigo, pois não queria privá-la das caçadas e de seu instinto youkai, a mantendo junto de si no pacato vilarejo em que vivia agora. Kirara seria mais útil caçando, afinal, não era um animal de estimação.

Kirara havia crescido entre os taiijyas e havia aprendido a caçar junto deles, o que fez de si uma companheira indispensável em suas caçadas. Para Kohaku ela era igualmente necessária agora, não necessariamente por isso, mas sim porque acima de tudo Kirara era uma amiga com quem podia contar em suas longas viagens.

De onde estava, do alto do monte que circundava o vilarejo, Kohaku conseguia ver as plantações de arroz e a movimentação dos agricultores por ali, as mulheres recolhendo as roupas secas do varal e as crianças brincando de roda. Era tudo tão pacato, tão sereno, tão simples que realmente o fazia pensar em desejar uma vida como aquela também. Entretanto, Kohaku sabia que aquela paz só era possível àquelas pessoas porque haviam pessoas como a si, taiijyas.

Não era um deles, jamais o seria, mas seria aquele que proporcionaria que vilarejos como aquele existissem.

-Kohaku-kun?

O rapaz se voltou para trás.

-Rin? O que faz aqui? –indagou surpreso diante do aparente cansaço da garota que certamente havia corrido até ali.

Realmente não estava esperando por ela, não depois da silenciosa despedida que tivera da irmã e do cunhado. Estava sendo covarde, sabia disso, mas simplesmente não conseguiria se despedir dela.

Rin curvou-se cansada, a respiração entrecortada, para só então se voltar para o rapaz.

-Você não apareceu para treinar comigo hoje. Kaede-obaa-chan me disse que você estaria ocupado hoje, mas; a garota repentinamente parou ao notar a mochila de viagem do rapaz perto de Kirara. –Você... Você vai embora Kohaku-kun? –indagou surpresa.

-Rin; Kohaku ponderou diante do olhar decepcionado da garota que baixou a cabeça cerrando os punhos. Estava certo quando pensou no quão difícil seria aquilo.

-Realmente pretendia ir embora sem sequer se despedir de mim? –Rin finalmente se voltou para o rapaz, os olhos castanhos incapazes de conter aquela mágoa. –Pensei que fossemos amigos; completou.

-Rin; Kohaku se aproximou. Aquele fim de tarde proporcionava reflexos dourados sobre a pele pálida da garota e seu rosto levemente rosado a fazia ainda mais graciosa. –Eu não achei que tivesse importância; completou amargo.

A expressão no rosto de Rin imediatamente se transformou. Beirava ao chocada e ao mesmo tempo imensamente infeliz.

-Como não teria importância? Você é meu amigo e os últimos meses que passamos juntos foram como se ainda fossemos aquelas duas crianças que haviam se conhecido há anos atrás. Foi tão bom ter a sua companhia mais uma vez, ter um amigo. Sango, Kagome, Inuyasha, Miroku, eles são meus amigos, mas não são você. Você é...; Rin ponderou sem de fato conseguir encontrar a palavra certa. –Diferente, entende?

Kohaku suspirou.

-Isso se chama afinidade, Rin, mas há sentimentos mais fortes que uma simples afinidade.

-Não entendo; murmurou Rin mirando as pequenas sardas no rosto do amigo.

-Vai embora com Sesshoumaru essa noite, não vai?

Rin piscou confusa. Não entendia o porque daquela pergunta agora, até mesmo porque, não sabia se isso iria mesmo acontecer. E Kohaku? Como ele estava sabendo? Não se lembrava de ter contado isso a ele, aliás, nem ao menos tivera tempo.

-Se ele assim desejar, sim; respondeu-lhe com simplicidade.

-Vê? –indagou Kohaku. –É por isso que tenho que partir Rin. Eu já não posso mais ficar do seu lado desejando que você sinta algo que não pode sentir e; Kohaku ponderou levando uma das mãos a cabeça, aqueles olhos inocentes em si o estavam fazendo se sentir idiota com aquelas palavras. –Esqueça Rin! Apenas esqueça tudo isso, sim?

-Eu realmente não entendo, Kohaku-kun; murmurou a garota enquanto buscava as respostas nos olhos do amigo. –Gosto de você, mas você está me dizendo coisas que me fazem pensar se estou fazendo algo errado ou se o machuquei sem sequer perceber e...

-Rin; Kohaku a calou levando o indicador até os lábios da garota. Rin imediatamente parou de gesticular confusa. –Você não fez nada de errado e se há alguém fazendo algo errado aqui sou eu, por querer exigir de você algo que você não pode me dar.

-Kohaku-kun, eu...

-Eu quero o seu amor Rin.

O vento soprou levando consigo os longos cabelos da garota, mas o arrepio estranho que Rin sentia naquele momento não havia sido causado pelo vento. Sentia-se estranha. Borboletas no estômago, frio na espinha. Garganta seca. Pela primeira vez sentia-se daquele jeito perto de Kohaku e aquilo a deixava confusa. Não sabia dizer ao certo porque, mas sentia-se envergonhada, frágil. Tola. Kohaku jamais a havia feito se sentir assim, ao contrário, mas aquilo a havia pego de surpresa e não sabia o que dizer ou fazer.

-Eu quero esse sentimento que você devota ao Sesshoumaru, Rin; completou o rapaz e a garota sentiu seu coração dar um salto dentro do peito.

A menção do nome do youkai novamente fez com que algo dentro de si finalmente despertasse.

Sesshoumaru? De fato aquele sentimento não lhe era estranho, era um velho conhecido quando se tratava de Sesshoumaru, mas com Kohaku era a primeira vez que sentia-se assim. Aquilo a deixou ainda mais confusa. Sempre esperava algo de Sesshoumaru, em suas visitas, enquanto seu coração batia acelerado dentro do peito, mas por quê esperaria algo de Kohaku também? Ele era seu amigo, ele era...

-Eu te amo Rin e é por isso que vou embora; completou o rapaz e então se afastou. Não suportava mais ter de fita-la, mas havia sido bom, pelo menos iria partir tendo aberto o seu coração e não como um covarde fugindo de si mesmo.

Estática, Rin não sabia o que fazer até que enfim conseguiu se mover. Um passo de cada vez, como se estivesse reaprendendo a andar. Aquilo tudo era novo, confuso, mas precisava fazer alguma coisa. Correu até o rapaz e o agarrou por trás.

Surpreso Kohaku apenas deixou-se ser abraçado, as mãos pequenas de Rin presas a sua cintura.

-Eu também te amo Kohaku-kun, mas...

-Mas não da mesma forma que ama o Sesshoumaru; Kohaku completou a frase enquanto gentilmente se afastava do abraço da garota e se voltava para trás. –Eu sei Rin; completou diante da face chorosa da garota.

-Kohaku?

Kohaku levou a ponta dos dedos até o rosto molhado da garota e apagou o traço deixado pelas lágrimas que por ali haviam rolado. Seu rosto bonito, seu sorriso, era dessa Rin que queria se lembrar. Rin apenas o fitou, fitou por um bom tempo, aquela provavelmente seria a última vez que se veriam.

Kohaku se aproximou e então beijou-lhe a testa. Um beijo suave e rápido, casto. Era mesmo uma despedida.

-Seja feliz, Rin; disse-lhe o taiijya.

Rin o viu se afastar e montar Kirara para então sumir no horizonte. Enquanto Kohaku se afastava sem se voltar uma única vez para traz, Rin pensava no acontecido, era como se só agora tivesse percebido o que ocorrera.

-Você também, Kohaku-kun...

Rin murmurou para o céu antes de correr monte a baixo.


-Rin-chan? Aonde foi que você se meteu, Rin-chan?

-Estávamos preocupadas com você, Rin.

Kagome e Sango estavam ajudando-a a se vestir, mas Rin continuava calada. Seu corpo estava ali, mas sua mente não. Ela estava longe, muito longe. Alheia as indagações das duas mulheres que ora lhe puxavam os cabelos a fim de prendê-los num coque, ora lhes puxavam as inúmeras camadas de seda do quimono, Rin só conseguia pensar numa coisa, Kohaku.

Aquela despedida... Havia sido tão doce, tão triste, e ao mesmo tempo tão errado. Eram amigos, aquilo jamais poderia ter acontecido. Como havia acontecido? Por quê? Rin buscava respostas que sabia não existirem. Sentia-se imensamente culpada e infeliz por ter magoado o amigo. Havia magoado Kohaku, sabia disso, mas jamais quisera tal coisa.

-Rin? Rin-chan? –era Kagome mais uma vez, mas dessa vez a sacerdotisa estava a sua frente, segurando-a pelos ombros como se quisesse ampará-la de uma possível queda. –Está tudo bem com você Rin-chan? –Kagome insistiu preocupada.

-Gomen; Rin enfim se pronunciou ante o olhar astuto de Kagome que parecia tentar entender o que tanto lhe preocupava.

-Sesshoumaru já está aqui Rin; interveio Sango logo atrás de Kagome e a garota imediatamente se voltou para a mulher.

-Sesshoumaru? –Rin não soube dizer por que, mas a menção do nome do youkai a fez sentir-se estranha.

Havia aguardado ansiosa pela sua chegada, mas naquele momento queria poder evitar seus olhos dourados. E Sango? Era estranho estar junto dela também depois do acontecido, como se estivesse de certa forma em dívida com a mulher. A cabeça da garota dava tantas voltas naquele instante que chegava a senti-la doer.

-Hai; Kagome anuiu. –Sesshoumaru já chegou há algum tempo e perguntou por você Rin-chan. Não soubemos o que dizer e; Kagome ponderou sem jeito pensando no que dizer. Ainda se recordava do olhar frio do youkai que aparentemente achava que a culpa do desaparecimento da garota fosse sua. –Sabe como o Sesshoumaru é e...

-Eu fui me despedir de Kohaku-kun; disse-lhes Rin e ambas as mulheres trocaram olhares cúmplices, o que obviamente pode ser notado pela garota. –Por que não me avisaram que ele ia partir essa tarde? –completou Rin, não conseguia mais segurar aquilo.

-Rin; começou Sango. –Gomen, mas ele me pediu isso, disse que seria melhor assim.

-Eu sei; murmurou Rin mais uma vez sentindo-se culpada.

O olhar da garota tornou-se distante e melancólico. Kagome e Sango voltaram a trocar olhares cúmplices.

-Rin; Kagome tocou o ombro da garota, mas calou-se assim que a mesma voltou a fitá-la nos olhos.

-Espero que ele realmente seja feliz; disse-lhes Rin e o terno sorriso que brotou em sua face apaziguou a aprensão sentida pelas mulheres que sorriram de volta.

-Pronta, Rin? –indagou Kagome e a garota anuiu num aceno de cabeça antes de sair pela porta.


Sesshoumaru e Jaken aguardavam do lado de fora. Sesshoumaru como sempre impassível, indecifrável em seu silencio, enquanto o servo por sua vez gesticulava e falava sem parar aos seus calcanhares. Sesshoumaru dava um passo, Jaken dava dois. Da varanda da pequena casa de Kaede, Inuyasha e Miroku observavam a cena.

-Acho que aquele youkai-sapo não tem amor a própria vida; comentou Miroku.

-Féh! –bufou Inuyasha. –Sesshoumaru é a vida daquele infeliz, Miroku.

-Acha que ele realmente pretende levar a Rin dessa vez? –indagou o hoshi diante do perfil contemplativo de Sesshoumaru que parecia fitar o céu que aos poucos escurecia.

Sabia do alto poder auditivo dos youkais que alcançavam longas distâncias, mas se Inuyasha não estava se importando com isso, também não precisava se preocupar. Diferente de Jaken tinha muito amor a sua vida, afinal tinha uma esposa e sete filhos.

Ao que parecia podiam bancar as duas velhotas fofoqueiras sem serem ouvidos por Sesshoumaru, o youkai estava longe o suficiente ou então realmente não prestava atenção à conversa.

-Sesshoumaru está para morder a própria língua, Miroku; Inuyasha se voltou num sorriso maroto para o amigo.

-E por que você diz isso?

-Acaso você já se perguntou porque ele pretende fazer isso, hã? Levar a Rin para viver com ele mais uma vez? –indagou Inuyasha.

-Bem; Miroku ponderou diante da sobrancelha arqueada do amigo. –Rin já não é uma garotinha há um bom tempo e eu acho que...

-Exato; Inuyasha o interrompeu. –Rin é uma mulher e Sesshoumaru pretende fazer dela a sua mulher. Diga-me, não é morder a própria língua um youkai como ele tornar-se o danna de uma humana?

-Você tem razão Inuyasha; Miroku concordou, mais uma vez observando o perfil altivo de Sesshoumaru longe dali. –Mas Sango teme por Rin, teme que ela tenha feito a escolha errada. Trocar uma vida simples e feliz por uma felicidade abstrata e cheia de perigos.

-Escolha...? Errada? –Inuyasha que até então jazia cheio de si por Miroku concordar consigo voltou-se confuso para o mesmo, mas o monge não teve tempo lhe dizer qualquer coisa.

-Miroku-sama? Inuyasha-sama? –uma tímida Rin coberta de seda os cumprimentou assim que chegou a porta.

-Está linda, Rin-chan; sorriu-lhe um galante Miroku.

-Arigato, Miroku-sama; agradeceu-lhe Rin e como se um imã a atraísse, imediatamente voltou seus olhos na direção de Sesshoumaru. –Com licença, Sesshoumaru-sama me espera.

Rin se despediu dos amigos para seguir em silêncio até o youkai que a aguardava sob a sombra de uma pequena árvore. Jaken saltou e apontou acusadoramente para garota enquanto a mesma se aproximava. Ela estava atrasada, de novo.

-Ela está realmente linda, não é? –disse Kagome assim que chegou a porta junto de Sango.

-Está sim, parece uma verdadeira princesa; sorriu Sango enquanto observava os passos lentos de Rin em direção a Sesshoumaru. O pôr do sol, um quimono bonito. Uma princesa. Um príncipe! Aquilo tudo mais parecia as páginas de um conto romântico tomando vida. Lindo, mas ao mesmo tempo triste, pois a fazia se recordar do irmão. Kohaku queria poder fazer parte daquela história, mas não podia.

-Realmente é uma pena que eu seja casado...

-Miroku! –Sango se voltou sisuda para o marido que sorriu. Miroku simplesmente adorava provocá-la daquele jeito.

-Ah, Sango-chan? É só um jeito de falar, querida. Você sabe que continua sendo a minha favorita, não sabe? –provocou o hoshi mais uma vez e uma pequena discussão teve inicio.

Kagome sorriu vendo o casal se afastar e então se sentou ao lado do companheiro. Miroku estava sendo arrastado. Sango o puxava pela orelha enquanto iam para dentro. Kagome riu mais uma vez, era sempre assim. Voltou-se para o companheiro. Inuyasha jazia no mais completo silêncio, o que raramente acontecia quando presenciava as cenas de ciúmes de Sango e Miroku. Os olhos de Inuyasha jaziam fixos em Rin que naquele momento cumprimentava Sesshoumaru.

-Algum problema, Inuyasha? –Kagome indagou preocupada e os olhos dourados do demônio pairaram sobre si.

-Kagome, que história é essa da Rin ter feito a escolha errada?


-Sesshoumaru-sama.

-Vamos caminhar um pouco, Rin.

E isso havia sido tudo. Rin que tanto temia ter de fitar aqueles olhos dourados agora tinha de enfrentar algo ainda pior, o silêncio de Sesshoumaru. Estava acostumada com suas poucas palavras, mas havia algo diferente naquele silêncio, algo que não sabia explicar, mas que a fazia sentir-se culpada. De novo.

Jaken havia feito menção de acompanhá-los, mas estancou onde estava quando os olhos frios de Sesshoumaru caíram sobre si. O youkai-sapo nunca havia sido muito gentil ou amistoso, mas Rin sentiu um certo desprezo em suas íris fendadas assim que a viu.

Enquanto caminhava logo atrás do youkai, Rin não conseguia parar de pensar em Kohaku. Diante de Sesshoumaru aquilo parecia imensamente pior, fazia com que se sentisse pior. Estava de certa forma omitindo algo de Sesshoumaru e não estava acostumada a isso, a não ser por aquela pequena mentira com relação aos treinos de kenjutsu.

-Rin.

Sesshoumaru enfim parou de caminhar, mas manteve-se de costas para a garota. A sua frente desdobravam-se as planícies verdejantes do pequeno vilarejo e a noite lentamente as cobria. Estavam longe o suficiente. De Inuyasha, daquelas pessoas e seus olhares estranhos. Um demônio vinha visitar uma humana? É claro que o fitariam daquela forma, com desconfiança, com apreensão. Repulsa. Era realmente melhor manter-se longe deles, e, principalmente, de Jaken.

Não havia sido fácil forçadamente convencer o servo de que aquele era um assunto deveras particular. As vezes Sesshoumaru se perguntava porque ainda o mantinha junto de si, mas tão logo se recordava do pequeno prazer que sentia em descontar sua ira sobre o youkai-sapo.

-Hai, Sesshoumaru-sama; respondeu-lhe a garota, de cabeça baixa e ansiosa.

-Eu vim para te buscar, Rin; Sesshoumaru se voltou para trás, os olhos dourados fixos nos da garota que ao ouvir sua voz imediatamente o fitou.

-Sesshoumaru-sama...

Rin suspirou num misto de felicidade e culpa. Felicidade pelo momento mais esperado de sua vida ter enfim chegado, e culpa por não se sentir merecedora de tal felicidade naquele momento.

-Ainda deseja viver do meu lado, Rin? –continuou Sesshoumaru aproximando-se da garota.

Ela vestia o último quimono que havia lhe dado e tinha os longos cabelos presos, adornados com jóias que também haviam sido presentes seus. Mesmo assim, mesmo diante de tamanho luxo, Sesshoumaru admitia a si mesmo que a preferia com os cabelos soltos e a bailar ao sabor do vento. Era justamente a beleza simples e campestre da garota que o cativava, e mesmo estando mascarada em baixo de tanta pompa, ela ainda era capaz de resplandecer oprimindo até mesmo o brilho do ouro.

-Lembre-se, como já havia lhe dito antes, essa decisão é somente sua; completou o youkai buscando os olhos da garota, a janela de sua alma.

-Isso...; a garota deu alguns pequenos passos na direção do youkai. –Isso é tudo o que mais quero, Sesshoumaru-sama; murmurou Rin, mas Sesshoumaru manteve-se impassível.

-Sabe que terá de abandonar tudo isso? Essas pessoas? Esse vilarejo? –indagou e vendo a garota assentir com a cabeça continuou. –Sabe o quão longe as Terras do Oeste são desse lugar, não sabe?

-Sim, sei; confirmou a garota.

Sesshoumaru a mirou por um bom tempo antes de continuar.

-Ainda sim deseja vir comigo?

Rin sorriu.

-Quero.

Sesshoumaru pela primeira vez demonstrou alguma reação, parecia surpreso ante a resposta direta da garota. Aquele terno sorriso como sempre o deixava curioso, incapaz de entender o poder que tinha sobre si, algo que o deixava verdadeiramente de guarda baixa. O sorriso de Rin era a única coisa capaz de o fazer sentir-se fraco e ao mesmo tempo invencível. Se pudesse receber aquele sorriso todos os dias, Sesshoumaru sabia que nada e nem ninguém seria capaz de lhe tirar aquela sensação de felicidade e plenitude. Rin era a sua verdadeira força, ainda que muitos a apontassem como sua única fraqueza.

-E por que, Rin?

A próxima indagação do youkai também havia sido direta e sabia que a resposta da garota também o seria. A relação entre eles havia sido sempre assim, direta, sem rodeios, e Sesshoumaru gostava disso. Rin corou desviando o olhar para então voltar a fitá-lo nos olhos. Suspirou e então voltou a sorrir com doçura.

-Por que você é a minha vida, Sesshoumaru-sama.

Continua...


N/a: E aí gente linda, curtiram mais esse capítulo, hã? Eu particularmente gostei muito, mas vou gostar mais ainda de postar os próximos, afinal a presença do Sesshoumaru será frequente daqui para frente. E bem, eu precisava de uma certa... tensão, sabem? Por isso o Kohaku, mas acho que deu pra perceber que o coraçãozinho da Rin só bate por um certo youkai, né? XD

Nossa, eu realmente fiquei muito feliz com a aceitação e carinho de vocês por essa fanfic e mais ainda ao ser comparada a Shampoo, uma das melhores, se não a melhor, autora de Inuyasha desse site. Eu realmente amo as fanfics dessa autora, por isso, de coração, agradeço aqueles que consideraram a minha escrita tão boa quanto a dela! ^^

E, claro, espero ter vocês novamente aqui, né?

REVIEWS! REVIEWS! REVIEWS!

Vocês sabem que quanto mais, mais atualizações também... rsrsrs

Bjus e tudo de bom!

Ja ne! ^^