Disclaimer: Essa história pertence a Kikiblue, que me autorizou a traduzir, e os personagens pertencem a Stephenie Meyer.

This history belongs to Kikiblue, who allowed me to translate, and the characters belongs to Stephenie Meyer.


Capítulo 16: Viagem relâmpago

APOV

Dá tanto trabalho ser eu. Não, é sério, dá mesmo.

E não quero dizer como esse tipo de merda, 'ah, que vestidinho preto devo usar pra essa festa?'. Eu realmente não estou dando uma de 'pobre menina rica', não importa quanto apelativo isso possa parecer. É mais como um tipo 'Puta merda, posso parar e pensar por um momento?'

Não é como se eu fosse depressiva clinicamente, chorando no travesseiro todas as noites, ou em estrema necessidade de outras férias. É só que por muito tempo eu me senti meio que presa em uma espécie de bolha gigante me impedindo de estar no mundo real. As pessoas me vêem, e eu vejo as pessoas, mas é distorcido. Depois de mudar a mim mesma durante anos para fazer todos a minha volta felizes, eu simplesmente continuo fazendo disso um hábito – sendo o que as pessoas querem que eu seja. A filha coruja, a que ama festas, a melhor amiga, eu podia fazer tudo isso. Em algum momento, eu acho que simplesmente acabei esquecendo quem eu sou.

Mas eu lidei com isso, porque todo mundo têm problemas na infância que nos deixam confusos, certo? Eu descobri isso, sério, desencanei. Além do mais, se eu começasse a fazer tempestade em copo d'água só iria chatear as pessoas, e isso era a última coisa que eu queria fazer.

Quando eu conheci a Bella, eu fiquei tão animada por ter encontrado uma amiga que entendia como era ter pais como os nossos. Eu a teria seguido a todos os lugares; e assim eu fiz. Eu a seguia nas festas, no álcool e nas drogas porque ela minha melhor amiga e melhores amigas faziam tudo juntas.

Bem, quase tudo.

Eu amava Bella, eu amava nossa vida em Forks, eu amava que nós supostamente fazíamos parte do time 'popular' da escola de Forks. Mas todos precisam de uma férias de suas supostas vidas 'perfeitas' de vez em quanto. Fui à Nova York: A cidade perfeita pra se perder. Não importava quem eu era, eu podia simplesmente dar meu melhor pra ser eu, essa era a hora.

Isso tinha se tornado um ritual desde que eu tinha quinze anos, passar as duas últimas semanas do Verão em Manhattan. Não demorou muito pra convencer meus pais de me deixarem ir sozinha. Ambos estavam separados em suas expedições pelo mundo. Separados um do outro e também completamente separados de mim.

Eu ia sob a farsa de curtir Fashion Week. Mas principalmente, eu gostava de passear pelas ruas de Nova York, pegar minha personalidade e então, eventualmente, me perder no Pollock de Guggenheim*.

Pollock de Guggenheim – museu de artes

Foi então, enquanto eu me perdia em outra tela, que tudo em minha vida mudou três graus pra esquerda. Eu podia sentir que alguém estava olhando pra mim; meu pescoço começou a ficar quente, lutando totalmente com o ar frio da galeria. Quanto mais eu olhava para a pincelada astuta da tela na minha frente, mais eu podia sentir isso. Eu estava usando meus óculos, que me dava o mesmo efeito cego de lado que você vê em cavalos que puxam carroças, então eu não podia confirmar. Mas também não precisei.

"Senhorita Alice Brandon."

Eu rapidamente virei minha cabeça na direção da voz que reconheci imediatamente. Claro, a assinatura era seu chapéu de couro, era Jasper Whitlock. Ele usava sua calça jeans escura e um blazer preto casual que estava dobrado até os cotovelos. Ele estava sorrindo pra mim com aquele sorriso de lado delicioso de que tanto era famoso.

Jasper Whitlock. Um mistério pra mim. Ou, eu acho, eu o tornei um mistério.

Eu lembro quando o vi pela primeira vez entrando na aula de química, realmente teve aquela ironia de eu me perder completamente quando olhei em seus olhos ridiculamente impressionantes. Claro que sim, havia química entre nós. Ele sentou na minha frente então eu tive o privilégio de olhar pra sua nuca à manhã toda.

Ele era lindo, mas não de uma forma óbvia. Talvez fosse as covinhas nas suas bochechas quando ele ria que me deixavam louca. Talvez o jeito que ele colocava seu cabelo atrás da orelha com um suspiro quando ele ficava entediado com a conversa. Ou talvez o jeito de quando ele estava concentrado em alguma coisa, seus olhos verdes ficavam mais escuros, insinuando que havia mais sobre ele do que ele expressava. Jasper era como uma pintura de Pollack; na primeira vista não há nada de especial, mas depois de você olhar as sutis diferenças de outros rostos, você sabia que estava olhando pra algo espetacular.

Ainda me lembro as três frases que ele me disse aquela manhã: "Sou Jasper", "Estamos no capítulo quarto?", e "Você derrubou sua caneta."

Na verdade eu não tive coragem de dar mais que um sorriso ocasional e um aceno de cabeça nas primeiras semanas. Mas eu sabia, imediatamente, que Jasper Whitlock seria algo especial na minha vida. Mesmo se ele só tivesse a função de interpretar o cara que eu sonhava em todos meus sonhos românticos.

Nos tornamos amigos, mas ao mesmo tempo, não éramos. Andávamos com as mesmas pessoas, estávamos nas mesmas conversas, e íamos as mesmas festas. Eu acho que mantive distância por causa do tipo de relacionamento que ele tinha com Bella. Todos eram tão convictos de que Bella e eu éramos as mesmas pessoas, eu não queria acabar desapontando-o, porque eu sabia que ele iria esperar os mesmos privilégios que ela dava pra ele. Se tinha alguma coisa que eu sabia sobre mim, é que eu não era esse tipo de garota. Observá-lo de longe era a opção mais fácil.

Eu estava bem no meio do movimento Surrealista de Guggenheim, quando minha vida se tornou inesperadamente surreal. Jasper Whitlock, estava na minha frente, com as mãos nos bolsos, cigarro atrás da orelha, olhos naturalmente bondosos enquanto ele sorria pra mim. Aquele sorriso que me impressionava e me fazia girar toda vez que eu o via. Sorrindo pra mim como se fôssemos velhos amigos. Foi somente quando ele chegou e me abraçou que consegui dizer alguma coisa.

"Jasper! Não esperava vê-lo." Minha voz ecoou pela sala silenciosa. Senti minhas bochechas ficando rosas enquanto vinte cabeças se viravam pra olhar pra nós. Eu pareci nervosa; rapidamente tentei mudar meu tom. "É bom ver você!" eu disse quase como um sussurro.

Muito animada, Alice, se acalme.

"Bem, eu não tive certeza se era você de primeira, o que os óculos não fazem." Ele se aproximou pra tocar meu cabelo. "Combina com você," ele disse, acenando aprovadoramente.

"Obrigada," eu murmurei, sabendo muito bem que minhas bochechas rosa tinham se tornado completamente vermelhas.

E assim começou a tarde bizarra que eu carinhosamente me refiro como 'o começo'.

Eu estava empolgada por ele não ter partido, mas ao mesmo tempo, eu estava tão desconfiada de que ele iria sumir. Se eu sentia que seu corpo tinha ido pra longe do meu, e eu sempre sabia quando isso acontecia, eu rapidamente me virava para achá-lo na multidão sem rosto. Mas ele sempre estava lá, talvez apenas estudando as peças um pouco mais. Se ele pegava meus olhos nele, ele apenas sorria e voltava pra mim, colocando seu braço em meus ombros toda vez e fazendo as borboletas voarem febrilmente em meu estômago.

Eu não conseguia descobrir se ele estava apenas sendo educado ou se ele realmente queria minha companhia. Com tempo, eu parei de ficar debatendo isso e apenas disse a mim mesma para curtir seja lá o que fizéssemos. Afinal de contas, estávamos em Nova York, e Nova York não tinha nada a ver com Forks.

Falamos sobre o Surreal, debatemos sobre o Conceitual, e rimos do Minimalista. Na hora que começamos a falar das nossas vidas, percebi que já passava das sete. Estávamos em uma mesa em uma pequena cafeteria que tinha objetos de cada período espalhados. Normalmente, meus olhos teriam sido atraídos para o grande piano no canto, mas no momentos meus olhos estavam ocupados com Jasper.

"Eu acho que você disse que vem pra Nova York o tempo todo?" ele perguntou enquanto seu garfo espetava a massa folhada de sua torta de maçã.

"Eu venho, todo verão," eu respondi, balançando meus cotovelos na mesa de mármore fria. O observei mastigar cada mordida por detrás da minha enorme xícara de café, provavelmente prolongando um pouco demais a maneira que seus lábios se moviam. Parei de me preocupar se estava olhando muito.

"Então como você nunca experimentou a pizza do DiFara's? Alice, você não pode dizer que veio a Nova York até ter experimentado."

"Eu sou uma garota mais do tipo de comida de hotel. Brooklyn é um pouco fora do caminho..." eu disse perto do meu copo de café com creme.

Suas sobrancelhas levantaram imediatamente enquanto ria docemente. "É uma pequena viagem no ônibus 6. Precisamos resolver isso. Você tem planos pra amanhã?"

Meu coração pulou na garganta.

"Nope, não. Eu nunca faço planos na minha última semana de verão." Eu sorri, provavelmente mais do que um pouco ansiosa.

"Então amanhã, vou levar a Princesa de Manhattan para o mundo mau do Brooklyn." Ele sorriu enquanto dava outra mordida.

Eu sabia que estava corando novamente.

Dissemos adeus do lado de for a da cafeteria, ou melhor, eu disse. Eu insisti que ele não precisava me levar de volta ao Plaza. Eu não queria me colocar naquela posição onde ele arruinaria cada pequeno sonho que eu tinha dele sendo um porco. Então eu o deixei me dar um beijo na bochecha, me dizendo que isso era aceitável, e rapidamente caminhei até a estrada principal.

Eu estava determinada a não olhar pra trás, porque eu não queria mostrar que me importava. Mas claro que minhas sensibilidades românticas e traidoras tomaram controle do meu corpo, e assim que virei à esquina olhei pra trás. Eu o vi, mas ele não estava na cafeteria, ele tinha vindo atrás de mim do lado oposto da rua. Ele me viu olhando e deu um sorriso enquanto tirava seu chapéu em minha direção, virando em seus calcanhares e fazendo seu caminho pra cruzar a rua. Eu estava rindo todo o caminho de volta pro meu quarto.

Eu quase não dormi aquela noite; as coisas estavam muito longe da realidade. Qual era a graça de sonhar quando você já se sentia em um sonho? Estávamos na mesma cidade juntos, sozinhos. Isso significava tantas coisas, mas eu não conseguia decidir se eram positivas ou negativas.

Enquanto eu esperava por ele do lado de fora do Tiffany na tarde seguinte, eu disse a mim mesma pra não ficar muito animada. Esse era Jasper Whitlock, e ele sempre seria o mesmo, mesmo nas ruas de Nova York. Ele deve ter uma agenda, e eu sabia que tinha que manter meu juízo. Ele não era conhecido por sua confiabilidade. Ficar do lado de fora da joalheria só significava que eu teria uma desculpa pra comprar algo pra mim como um símbolo de não ser tão boba no futuro.

Mas ele apareceu, e pegamos o ônibus 6 para experimentar a pizza. E foi bom; mesmo que eu tenha que admitir. Caminhamos o dia todo, e fiquei tão satisfeita por ser esperta o suficiente por usar sapatos baixos que não machucavam meus pés.

Para evitar qualquer silêncio que poderia ser desconfortável, eu fiz muitas perguntas. Eu o perguntei sobre tudo que eu não tive coragem de perguntá-lo antes. Afinal de contas, essa era a minha cidade. Ele não hesitou em nenhuma que eu fiz. Ele parecia feliz em falar disso, falar sobre tudo, juntos.

Ele foi persistente em me levar para o centro do Brooklyn enquanto o crepúsculo caía a nossa volta. Enquanto as luzes de Nova York se ascendiam sobre o East River, minhas sensibilidades internas, românticas e enterradas, tinha se ascendido com elas. Eu não queria que o dia terminasse. Ao cair da noite, tínhamos falado de músicas, filmes, família e do futuro. Mas eu ainda queria saber mais sobre ele. E enquanto caminhávamos para o hotel, ele se inclinou e me deu um beijo na bochecha, levantando seu chapéu, me fazendo prometer encontrá-lo no dia seguinte, mesmo horário, mesmo local.

Para pagar Jasper pelo tour no Brooklyn, eu o convidei para um tour em Manhattan. A Biblioteca de Nova York na 42, a Catedral de St Patrick na 50, juntamente com a Saks onde eu tive que correr pra comprar um vestido que prometi pra Bella. Mas ele não pareceu se importar, de algum jeito minha maníaca experiência de fazer comprar parecia entretê-lo.

Ele acabou me comprando o jantar como um jeito de agradecer, e embora eu inicialmente tivesse nervosa e animada que provavelmente ele iria para meu quarto de hotel, ele simplesmente me levou até a porta do elevador com um sorriso e um beijo na testa. Levou toda minha força pra não mostrar como meus joelhos ficaram vacilantes enquanto eu entrei no elevador. Ficamos nos observando, sorrindo, enquanto as portas do elevador se fechavam entre nós. Assim que se fecharam soltei um grito não planejado, despertando o interesse dos meus companheiros de viagem. Pela primeira vez, eu não pedi desculpas; porque deveria? Eu li bastante romances e vi muitos filmes para saber muito bem o que estava acontecendo.

Passamos o dia seguinte explorando o que Nova York tinha a oferecer. Depois de umas horas, sentamos no lago do Central Park enquanto Jasper comia um cachorro quente que ele comprou de um vendedor suspeito. O vento fresco surgiu indicando que o verão estava chegando ao fim mas eu rapidamente ignorei isso; eu estava ficando acostumada com a sensação calorosa no estômago, que era grosso como melado, quando eu estava perto de Jasper. Embora se eu fosse honesta comigo mesma sobre o que isso significava, eu estava totalmente suspeita sobre esse novo Jasper. Ele não tinha dado em cima de mim, não tinha feito nenhuma insinuação durante as conversas e eu podia dizer que eu era a única garota que ele estava passando um tempo junto. Jasper de Forks não estava ali. O Jasper de Nova York era um cavalheiro do Sul, que ele sempre dizia ser, e sempre falhava ao agir como tal. Eu precisava de respostas.

"Posso fazer uma pergunta?" eu perguntei, enquanto brincava com as franjas da minha saia.

"Claro," ele disse, limpando o ketchup do lado da boca.

"Não entenda isso errado…"

Ele riu. "Bem, tenho certeza que irei agora, Alice!"

Minhas mãos foram apertar seus ombros em protesto. "Não, por favor! É só que, estou confusa sobre você. Digo, você está diferente de quem normalmente é."

As sobrancelhas de Jasper franziram enquanto ele mastigava seu cachorro quente pensativo. "Estou?"

"Sim," eu respondi rapidamente, de repente me questionando.

"Como eu sou normalmente?" ele perguntou, cruzado as pernas enquanto se inclinava no banco.

Fiz uma pausa para deliberação, batendo no meu queixo, o que era um hábito que eu nunca conseguia parar. "Drogado, ou com a Bella, ou até os cotovelos em partes das meninas."

Jasper engasgou um pouco, imediatamente bati em suas costas como desculpa.

"Desculpe, Jasper, mas eu ouvi rumores e eu tenho visto isso. Mas aqui você é como uma pessoa diferente."

Ele levantou uma sobrancelha pra mim. "Engraçado, eu ia dizer o mesmo sobre você."

Senti minhas sobrancelhas enrugarem. "Como assim?"

Ele deu outra mordida em seu cachorro quente e mastigou lentamente, quase irritantemente.

"Então?" eu disse impaciente, resistindo à vontade de bater meu pé.

Ele sorriu levando sua mão ao meu joelho enquanto ele engolia. Eu o observei quando ele se inclinou pra mim.

"Sabia que você nunca disse mais do que cinco palavras pra mim na escola? Você com certeza sabe como magoar os sentimentos de um cara, Alice."

Soltei um ruído e cruzei meus braços. "Você estava ocupado..."

"Não sempre," ele protestou gentilmente. Olhei de volta pra minha saia porque eu sabia que aqueles olhos verdes estavam me examinando. "Sabe, eu já te peguei virando nos calcanhares e caminhando pro lado oposto do meu antes. O que é isso?"

Dei de ombros, quase de mau humor. Estava mortificada por ele ter percebido. Mas enquanto olhava de volta pra ele fui atingida pelo fato de que ele na verdade tinha me percebido. Respirei fundo.

"Verdade?" eu disse em voz baixa.

"Sempre." Ele baixou sua cabeça. "Eu acho que isso é importante em um relacionamento."

Deixei a palavra pra lá. Ele era terrível flertando e ele sabia tão bem quanto eu que estava se referindo ao intelectual.

"Eu não queria acabar te dando a idéia errada," eu disse enquanto tentava descobrir o que fazer com minhas mãos. "Você e Bella são amigos. E embora eu ame a Bella, eu não vou fazer as mesmas coisas que ela faz com seus amigos. Então eu só achei que seria mais seguro manter distância."

"Ah, eu entendo." Ele enrolou o papel do cachorro quente em suas mãos e jogou no lixo ao nosso lado. "Para ficar claro, eu nunca achei que você fosse como a Bella. Eu só queria te conhecer melhor. Você é um enigma."

E novamente eu estava corando.

"E quanto a mim, e o que eu faço, com quem eu faço e tudo isso? Bem, acho que você pode dizer que sou uma vítima do que me cerca."

Não pude evitar de bufar. "Mas você curte isso! Digo, você sabe que é conhecido como Sr. Buceta, certo?"

Ele riu do que eu citei enquanto se inclinava no banco e colocava seus braços em volta de mim. "É, eu já ouvi isso. Eu sou um cara, Alice, claro que eu curto isso."

Fiz uma careta, apesar de repente meu corpo estar 100 graus mais quente agora que ele estava perto de mim. "Mas, algumas das garotas, quero dizer você sempre gosta?"

"Nem sempre," ele disse balançando sua cabeça "Agir negligentemente, fico mais satisfeito comigo mesmo depois que peguei as cadelas. Eu acho que é tudo sobre conquistas."

Minhas sobrancelhas se levantaram enquanto meu romance interno de repente caía num impasse.

"Uau," eu disse simplesmente, porque eu não sabia mais o que dizer. "Você nunca teve uma namorada?" minha voz soou fraca como a de uma criança e eu odiei isso instantaneamente.

Ele suspirou e exalou profundamente; eu estava perto o suficiente pra sentir o gosto de sua respiração e isso fez meu estômago girar.

"Não por muito tempo, ter uma exclusiva. Pra ser honesto com você, eu não acredito em toda essa merda."

"O que? Monogamia?"

Ele concordou enquanto puxava um cigarro de dentro do bolso de sua jaqueta.

Eu juro, eu podia ouvir meu coração caindo enquanto eu dispensava o cigarro extra que ele me ofereceu.

"Na verdade isso é realmente triste," eu disse com um suspiro incontido.

"Não e, é muito fantástico na verdade. Somos apenas animais, Alice. Não devemos ficar apenas com uma pessoa nossa vida toda."

"Okay, eu entendo isso, você está espalhando seu lado selvagem ou qualquer coisa assim. Mas e no futuro? Quero dizer, e a alma gêmea?"

Eu vi a covinha aparecer em seu rosto enquanto ele sorria pra mim. "Você está me dizendo que pensa, que com bilhões de pessoas diferentes pelo mundo, existe uma exclusivamente esperando por você? Apenas uma pessoa que você supostamente vai encontrar e irá ser diferente de todas as outras? Claro que a probabilidade é ridiculamente pequena."

"Probabilidade?" eu gritei, fazendo uma careta pra ele enquanto balançava minha cabeça. "Amor não é uma equação, Jasper. E acho a idéia de alma gêmea muito linda e muito provável, para sua informação..." cruzei meus braços desafiante, mas pelo canto do meu olho vi seu corpo tremer com uma risada enquanto ele levava o cigarro a sua boca.

Virei meu corpo em direção ao dele, cruzando meus braços e pernas defensivamente. "Você não pode esperar ser sempre assim."

Jasper sorriu para minha posição, pausando e acenando lentamente. "Okay..."

De repente me senti confiante. Ele não podia falar assim; eu não iria deixá-lo arruinar a figura romântica que eu tinha feito dele. Não na minha cidade.

"Não é assim que isso funciona, Jasper. Não é questão de lógica. Uma vez que você for mordido não pode parar a mudança, não importe o quanto você lute contra isso."

Ele piscou algumas vezes, seu rosto inexpressivo. Meus olhos voltaram para minha saia enquanto fiquei em pânico por ter dito demais, ou ter revelado demais sob minha cabeça estúpida e romântica.

O ouvi rir enquanto me puxava pelos ombros novamente. "Você realmente não é a gêmea da Bella Swan, não é? Vocês não podiam ser mais diferentes. E descobrir sobre você, realmente Alice, é revigorante."

Sorri de volta para seu sorriso perfeito, me sentindo positiva por ter ganho essa rodada. Surrealismo Romântico: um. Indolência Realista: zero.

E assim a semana continuou, todo dia uma nova desculpa para ver o outro. Fizemos caminhadas por Nova York, a viagem obrigatória ao zoológico do Central park, nós até fizemos a coisa turística e tiramos fotos juntos no 102º andar do Empire State. E toda noite depois do jantar, a mesma coisa, um beijo na testa na porta do elevador.

Depois que nossa última noite juntos chegou, fiquei petrificada que tudo iria acabar. Na minha mente era só um tempo, eu tinha que fazer alguma coisa pra falar pra ele o que eu sentia. De volta em Forks, tudo voltaria a ser do jeito que era. Eu o convidei pra jantar no meu hotel, insistindo que eu pagaria, e também para provar que a comida no Plaza era realmente fantástica. Mas eu tinha um motivo escondido, estávamos no meu território, e essa noite, eu chamaria Jasper pra ir ao meu quarto.

Levei meu tempo pra ficar pronta, me certificando que meu CD favorito estivesse pronto pra tocar quando chegássemos, tendo certeza que cada pêlo da minha perna tinha sido tirado, que minha maquiagem estava suave e minha lingerie era perfeita. Escolhi meu novo favorito vestido coral do Betsy Johnson, que seria perfeito pra sair rapidamente mas ainda assim sedutor quando a hora chegasse. Quando Jasper me encontrou no elevador, ele sorriu enquanto se inclinava pra beijar minha bochecha.

"Você está linda, Alice," ele disse enquanto me oferecia seu braço. Tudo que pude fazer foi sorrir porque eu estava encantada com sua aparência. Paletó cinza, calça preta e pela primeira vez ele estava sem chapéu. Seu cabelo ainda estava um pouco bagunçado, parcialmente colocado atrás da orelha, mas ele estava perfeito.

Eu já tinha pago ao garçom para nos levar a uma mesa privada, longe das outras pessoas que estavam jantando. Eu queria que o jantar fosse tão perfeito quanto à semana tinha sido.

Eu estava nervosa, quase doente de nervoso. Então eu fiz o que eu sempre fazia em situações como essa: Eu bebi muito. Depois de alguns drinks, como muitas vezes que eu tinha bebido muito e não comido nada, era muito fácil chegar à embriaguez. E com a embriaguez, vinha a honestidade. Brutal, estúpida, sem pensar que eu estava arruinando minha noite com Jasper.

"Eu sou uma grande mentirosa," eu anunciei, enquanto nosso prato de sobremesa foi levado. Jasper tinha insistido que eu tinha que comer alguma coisa. Fiquei feliz quando ele me alimentou com a torta de chocolate em seu próprio garfo.

"Todos somos mentirosos." Ele sorriu, se inclinando em seu assento.

Eu ri; foi mais alto do que eu queria. "Não, mas eu sou das grandes. Eu ando pela escola como se fosse a gêmea da Bella, a devoradora de homens. Mas a verdade de tudo isso é que eu sou uma grande provocadora."

Ele abafou um sorriso. "Tudo bem que você não afasta todos, Alice. Isso não te torna uma provocadora."

"Não, mas aí que está. Eu realmente sou. Eu começo as conversas, eu começo os rumores. Mas a verdade é que eu só estive com um cara. E eu estava bêbada. E durou cinco minutos."

Ele cerrou os olhos. "O que você quer dizer?"

"Eu realmente não me lembro. Foi há um ano, era um dos amigos de James. Eu só queria saber como era."

Seus olhos não se moveram dos meus. "Quem era ele?"

Meus olhos se arregalaram ao rosnado baixo em sua voz. "Ah Deus, não se preocupe com isso! Ele era um cara legal, eu só queria experimentar. Ele continuou me ligando depois, mas sabe de uma coisa? Eu realmente não gostava tanto assim dele!" Eu estava consciente de que minha voz estava ficando mais alta. Levei minha mão à boca, rindo com um pedido de desculpa.

"E eu simplesmente não quero fazer isso com mais ninguém, sabe? Eu quero fazer com alguém especial. Isso é tão errado?"

Jasper negou com sua cabeça lentamente com um pequeno sorriso. "Não, Alice. Não há nada de errado nisso. Eu acho que é reanimador ouvir alguém pensar desse jeito."

Acenei furiosamente, mais para convencer a mim mesma de que estava tudo bem em ter essa conversa. Porque éramos adultos e eu estava bem, sendo honesta com ele. Eu podia confiar nele. Eu queria tanto confiar nele. Não, merda. Eu queria tanto beijá-lo.

Balancei minha cabeça pra me focar. Não funcionou.

"De qualquer forma, depois disso eu nunca corrigi ninguém. As pessoas simplesmente assumem que eu estava fazendo isso. Bella simplesmente assume..."

Jasper levantou a sobrancelha. "Bella não sabe?"

"Nãoooo!" eu disse, mais dramaticamente. "Eu não quero que ela pense que é só ela que sai e..." acenei minha mão; de um jeito que achei que significava o que eu estava tentando dizer. "Bella é mais feliz pensando que somos esse tipo de unidade poderosa. Se ela soubesse a verdade, acho que ela nunca falaria comigo novamente."

Jasper respirou fundo, "Alice, você não precisa mentir. Porque você finge ser alguém que não é?"

Eu abafei o riso. "Você não vêem de Forks? Todo mundo faz isso. Se eu não ... então, bem, tudo iria mudar. É melhor viver a mentira algumas vezes. Eu faço isso o tempo todo."

"O que você quer dizer?"

"Digo, eu faço a função que tiver que fazer. Você precisa que eu seja engraçada? Eu sou engraçada! Você precisa que eu seja estúpida? Ah, eu posso ser uma burra idiota…" eu ri novamente, minhas bochechas estavam quentes e estavam me distraindo do que eu estava dizendo.

Jasper franziu a testa pra mim, seus olhos ficando mais escuros.

"Essa é a Alice Brandon de verdade? Você está interpretando agora?"

Apertei meus lábios, batendo no meu queixo com meu dedo. "Não," eu disse, com surpresa em meu tom de voz, "Não acho que estou."

"Eu também não," ele disse, levantando seu garfo e faca. Ele parou enquanto apontava seu garfo pra mim. "Você é perfeita, assim como é, Alice Brandon. Eu acho que é besteira você pensar que precisa ser outra pessoa."

Pisquei algumas vezes, mais porque minhas lágrimas de bêbada estavam pinicando meus olhos. Jasper me deu um daqueles sorrisos com covinha antes de terminar sua bebida.

"Obrigada." Dei uma bebericada em meu drink sem olhar pra ele. Me sentia muito estúpida. Estúpida como se eu não tivesse que ter bebido aquela terceira taça de vinho e devia ter calado a maldita boca sobre minha vida estúpida.

"Alice."

Meus olhos rapidamente voltaram pra ele. "Sim?"

"Não fique envergonhada. De qualquer forma, eu realmente admiro você por ser diferente de todas as outras."

Eu sei que estava radiante pra ele.

Consegui adiar nossa ida até o elevador quando sugeri que caminhássemos pelo quarteirão, curtindo mais um pouquinho de Nova York antes de partirmos. Então caminhamos, eu enfiada embaixo de seu braço enquanto aproveitávamos o que restava da minha semana surreal. Caminhamos mais, rimos mais, mas nada de beijo. Assim que voltamos para o hotel, era 4 da manhã.

Eu não sabia o que estava fazendo de errado, eu tinha certeza que estava flertando. Eu tinha falado sobre meu quarto pelo menos umas cinco vezes, mas ele não caiu, ele não tentou me beijar e não falou aquelas frases famosas pra mim.

Engoli em seco enquanto caminhava de volta pelo salão de espera. Eu tinha que fazer isso do modo suicida, se eu fosse fazer de verdade. Enquanto eu subia os três degraus até o elevador, eu rapidamente me virei para encará-lo, nossos rostos apenas centímetros de distância um do outro. Ele foi rápido em dar um passo pra trás e isso fez meu coração estremecer.

"Jasper, eu acho que você deveria subir…"

"Você acha?" ele perguntou, levantando a sobrancelha.

"Não. Eu sei. Você gostaria de subir … por favor?" Eu definitivamente soei como uma boba. Uma desesperada e enferrujada.

Mas funcionou, porque assim que minha porta fechou atrás de nós meu coração começou a bater rapidamente em meu peito. Eu não era nervosa, mas estava. Estava um pouco tonta pelo vinho, o que eu esperava ter melhorado depois de toda a caminhada. Não tive essa sorte.

A presença de Jasper era tão clara pra mim quando estávamos em meu quarto. Eu tirei meus sapatos, mas o tempo todo sabendo que ele estava circulando pelo quarto, correndo sua mão pelas superfícies. Eu rapidamente me esquivei até o banheiro, checando meu rosto e arrumando meu cabelo.

Respirei fundo e entrei no quarto. Jasper estava sentado na cama, controle remoto na mão, assistindo televisão.

"Umm..." eu murmurei.

Ele deu um tapinha no local ao lado dele. "Esse é possivelmente um dos melhores filmes já feitos. Ele remete perfeitamente nossa semana. Você verá, confie em mim."

Lentamente, rastejei para perto dele. Claro, meu sangue vibrou quando ele me puxou pra baixo de seu braço. Mas eu não estava esperando que minha última noite em Nova York incluísse Dianne Keaton e Woody Allen, não importa como eles fossem engraçados.

Eu podia sentir sua respiração em meu pescoço, e toda vez que ele ria meu corpo sacudia com o dele. Era tão fácil ficar ali com ele, assim tão perto. Nos encaixávamos perfeitamente. Eu simplesmente não conseguia ter coragem de perguntar se ele sentia o mesmo.

Eu não sei quando dormi, mas a luz fluindo através das cortinas abertas pinicaram meus olhos. Depois de piscar algumas vezes eu vi o rosto de Jasper a centímetros do meu. Seus lábios estavam levemente separados enquanto ele respirava. Foi somente então, quando seus lábios estavam separados que percebi como eles eram cheios e como eu queria tocá-los. Mas minhas mãos estavam em outro lugar; quando olhei pra baixo percebi que meus dedos estavam entrelaçados com os dele. Embora eles fossem muito maiores que os meus, eles eram suaves e quentes: eles se encaixavam perfeitamente.

Deixei escapar um pequeno suspiro quando vi seus dedos se afastarem dos meus e ele começar a acariciar o interior da minha palma.

Meus olhos subiram para encontrar seus olhos verdes perfurantes que estavam sorrindo pra mim.

"Você está bem?" ele sussurrou.

Concordei, porque era tudo que eu podia fazer, considerando que as carícias gentis que ele estava fazendo na minha mão estavam causando tremores por todo meu corpo com algum tipo de eletricidade.

"Nós adormecemos..." eu disse.

"Você adormeceu, eu apenas segui seu exemplo."

Eu ri. A ponto de seus dedos se moveram para o interior de meus braços enquanto seus olhos fecharam. Meu coração bateu um pouco alto quando percebi que essa podia ser a hora, porque durante toda a semana, essa teria sido a hora perfeita para ele me beijar.

O toque estridente de seu telefone nos fez pular.

"Porra!" Jasper exclamou enquanto rapidamente sentava e corria pelo quarto. Eu o vi verificar a tela enquanto dava um sorriso defensor antes de caminhar para o banheiro.

Me sentei lentamente, tentando fingir pra mim mesma que não estava ouvindo a conversa.

"Não, não não, estarei lá em vinte minutos. Eu tinha esquecido. Desculpe. Certo estarei lá…"

Quando ele voltou, eu sei que ele viu a decepção cruzar meu rosto.

"Eu sinto muito, Alice, eu tenho que ir. Coisas de família. Você sabe como é..."

"Sim, claro," eu acenei minha mão novamente, sentando corretamente na beira da cama. Eu não queria que ele se sentisse mal; eu sabia que ele estava sendo honesto.

Ele correu os dedos por seus cabelos enquanto checava seu reflexo no espelho. Ele viu meus olhos e suspirou enquanto se virava para me encarar. "E então chegou o fim do verão. Sempre passa tão rápido."

Concordei com ele, contando os segundos que eu tinha antes dele partir e tentando pensar em algo para dizer que pudesse agarrar os últimos segundos um pouco mais. "Acho que te vejo na escola," eu disse baixinho, olhando para meus pés.

Jasper rapidamente se abaixou na minha frente.

"Você é tão perfeita, Alice Brandon. Espero que decida falar comigo nos corredores de agora em diante."

"Claro que irei."

"Te vejo em alguns dias," ele se inclinou e segurou meu queixo, virando para a esquerda. Meus olhos fecharam naturalmente enquanto sua respiração fazia cócegas em minha bochecha. Foi meu último beijo em Nova York, e assim como os outros, foi na testa.

Eu devo ter ficado lá no meu enrugado Betsey Johnson* por pelo menos uma hora, olhando para meu reflexo, desejando que ele voltasse. Eu não queria fazer as malas porque fazer as malas significaria que eu estava partindo e que minha pequena experiência surreal teria acabado. Eu não deixei meu quarto aquele dia; eu não fiz minha usual despedida pelos meus prédios favoritos ou fui em minhas lojas prediletas. Ao invés disso, liguei meu iPod e me concentrei nas músicas depressivas, desesperada para encontrar uma que representasse minha vidinha triste e patética. Me mantive presa pelos ouvidos o dia todo, pela corrida de táxi até o aeroporto e até mesmo no vôo. Eu não seria traída por alguma comédia romântica no vôo e seu termino descaradamente irrealista e feliz. Eu tinha que voltar a realidade; tinha que voltar ao meu estado de mente Forks.

Betsey Johnson – estilista de roupas femininas, no caso, a marca do vestido.

Eu devo ter trocado de roupa uma doze vezes antes de ir buscar Bella para a escola. Meu corpo estava cheio de café e adrenalina. Isso combinado com ficar sem dormir me fez correr como uma bala pelas ruas de Forks, para o desgosto de Bella que estava tentando aplicar seu delineador.

Não podia evitar, eu estava absolutamente ansiosa para vê-lo. Não tinha idéia de como iríamos agir, ou como eu iria agir. Eu disse a mim mesma que talvez as coisas pudessem ser diferentes, talvez eu pudesse ser diferente.

Mas tudo isso foi transformado em merda na quarta aula quando Rosalie disse que já tinha tido seu oral de boas vindas na escola por Jasper.

Eu não podia olhar pra ele no almoço porque eu sabia que ele não era o mesmo cara de alguns dias atrás. Eu fiz tudo que devia fazer; eu ri das piadas de Emmett, fofoquei com Rosalie, reclamei com Bella. Quando ele sentou entre Bella e eu, fiz meu melhor para olhar pra minha maçã e fingir que ele apenas outro cara. Quando ele cutucou meu joelho por baixo da mesa, eu sabia que era hora de me mexer.

Para minha surpresa ele me seguiu até a fila do almoço.

"Senti sua falta," ele disse, parado na minha frente. Ele me deu aquele mesmo olhar de desculpas de três dias atrás. Ele parecia o Jasper de Nova York.

Meu estômago girou. Mordi meu lábio inferior antes que a minha boca estúpida falasse que eu senti falta dele também e que estava agoniada sem ele.

"Eu sei sobre a Rosalie," eu disse, passando por ele pra pegar uma garrafa de água.

"O que tem ela?"

"Eu sei que você fez o que sempre faz."

Houve uma pausa e eu não tive coragem de olhar pra ele.

"Alice, estamos em Forks. Você sabe como as coisas funcionam aqui."

Meu estômago embrulho enquanto meus olhos iam para os dele. Ele estava olhando pra mim, sua testa ligeiramente franzida, os cantos de sua boca voltados pra baixo e suas bochechas coradas. Talvez ele estivesse envergonhado. Ou talvez ele só estivesse se acalmando por apalpar Rosalie.

Levantei meu queixo enquanto abria a tampa da minha garrafa. Eu não o deixaria ver como eu estava triste, e fiquei satisfeita por ter algo para agarrar com força e me impedir de tremer. "Sim, eu sei. Eu acho que fui estúpida por pensar que você seria diferente."

Passei por ele e voltei para Bella, completamente ciente de que teria que aceitar minha vida dupla continuar por mais um ano em Forks.

Não havia chances dele não estar na festa de Rosalie, então comecei a beber desde o momento que cheguei. Decidi que o melhor lugar pra ficar era onde não havia jeito dele começar uma conversa comigo. Então dancei muito, com as músicas que eu gostava e as que não gostava também. Dancei com dor nos pés causadas pelos sapatos até que estava anestesiada pelo álcool. Eu disse a mim mesma que não dava a mínima tantas vezes até que comecei a acreditar nisso.

Então Rose tinha que arruinar tudo, me contando sobre seu doentio sexo a três que incluía Jasper.

Mas eu ri, sorri, e até lhe dei parabéns batendo as mãos com as dela. Sentia meu estômago embrulhado. Mas essa era Forks e era assim que funcionava. Ele estava de volta ao velho Jasper então eu tinha que voltar pra velha Alice. Eu estava tão brava comigo mesma por ter delirado tanto com ele. Conosco. Como se pudéssemos ser algo um pro outro.

Ainda assim, eu não entendia porque ele continuava olhando pra mim toda vez que ele me via. Era como se ele estivesse fazendo de propósito, agindo de modo para eu não esquecê-lo. E eu odiava meus olhos pois eles pareciam simplesmente saber onde ele estava, e então pulavam nele toda vez que ele estava perto de mim. Quando eu o vi com uma garota qualquer, meu estômago ameaçou vomitar. Então eu agarrei o cara mais próximo e comecei a me esfregar nele e sorrir como se eu estivesse no momento mais maravilhoso da minha vida.

Foi só quando ele agarrou minha mão para me levar lá pra fora que percebi que Jasper estava lá, na mesma sala olhando pra mim novamente com um olhar de pedra no rosto. A garota havia ido. E tudo voltou a ser surreal.

"Hey Felix, é melhor ir lá fora, cara," Jasper disse enquanto parava ao meu lado.

Felix olhou pra Jasper e então pra mim e para Jasper novamente como se estivesse dizendo pra ele se afastar.

"E porque eu iria querer fazer isso?" Felix estava bem perto de Jasper, não havia dúvida disso. Mas eu estava muito abismada pra me mover, porque Jasper tinha colocado sua palma da mão na base das minhas costas.

Seu rosto não demonstrava nada. "Seu carro está fodido. Eu vi uns babacas agora pouco brincando com os pneus. Tenho certeza que eles furaram, mas logo os expulsei."

Felix soltou minha mão enquanto seu queixo caía. Sem olhar novamente pra mim, ele saiu correndo da sala.

Me virei para olhar pra Jasper que estava olhando pra mim novamente daquele jeito estranho e intenso que me fazia querer dar um tapa nele. Ou beijá-lo. Eu realmente não sabia. Eu estava perdida.

"O que você está fazendo?" eu perguntei, colocando minhas mãos nos quadris.

"O que você está fazendo?" ele repetiu, dando um passo pra perto de mim.

Endureci quando ele se aproximou. "Eu estava me divertindo, e então você veio," eu protestei, cheia de intenções de parecer uma mulher forte e independente mas em vez disso soando como uma necessitada.

"Na verdade, eu acho que você estava se metendo em algo que não quer."

Senti meu nariz enrugar enquanto olhava pra ele. "Ah por favor, Jasper. Não venha todo cheio de moral pra mim agora. Não preciso de um segurança. Apenas deixe-me fazer o que eu quero," eu gritei me afastando dele.

Jasper exalou drasticamente enquanto parava na minha frente, bloqueando minha passagem. "Essa não é você, Alice."

Observei sua mão mover para meu braço. O contato foi como uma picada. Eu o empurrei antes que eu me deixasse decifrar se gostava disso.

"Não vamos fingir que nós temos idéia de como o outro é, vamos? Apenas me deixe em paz." Eu murmurei enquanto passava por ele. E porque eu estava bêbada, podia justificar eu estar irritada. E eu não corri atrás de Felix, embora tenha sido a direção que meus pés me levaram. Na verdade eu passei o resto da noite escondida no banheiro de Rosalie, reorganizando seus produtos de banho por ordem de tamanho.

E foi assim os próximos dias. Argumentos, conversas irritadas e eu resistindo à urgência de chorar toda vez que pegava seus olhos em mim.

Okay, sim. Eu admito. Eu estava jogando as 101 maneiras de como fazer um cara pensar que você é louca. Mas eu não iria me fazer de boba, ou pelo menos eu não achei que iria. Eu não ia me tornar uma daquelas garotas que ficam cada vez mais apaixonadas por um cara na escola mas nunca conseguem nada. Eu tinha que superar qualquer sentimento fofo e idiota que eu tinha por Jasper em prol da minha própria sanidade. E pra fazer isso eu tinha que voltar para a velha rotina com os mesmos jogos antigos, me preocupar com o drama de outras pessoas porque era muito mais fácil do que focar em mim.

Não era fácil. Sim, eu estava bêbada e gritei para o stripper no Nipslip. Sim, eu tive que ver Jasper ser aquele tipo de amigo de Bella, ajudando-a quando ela estava necessitada e então atuando como pole dance dela na festa de Emmett. E quando ele me puxou eu baixei a guarda. Ele me perguntou se eu estava doente (ah sim, meu rosto ficou branco), eu brinquei e disse que tudo estava bem, que estávamos bem, que eu estava perdida e que a melhor coisa que ele possivelmente poderia fazer era dançar comigo. E ele dançou.

Para ser honesta, eu não sei por que ele me levou lá pra cima ou o que ele queria. Eu me lembro de flertar, dos sussurros e risinhos. Foi uma pena que voltamos para o modo Forks quando vimos Rose com O Prêmio de Maior Ato de Vingança de Uma Vadia Louca. Achei que íamos dar um passo à frente, mas depois que o vi com seu braço em volta de uma caloura aleatória, dei pelo menos vinte e cinco passos pra trás.

Voltei a evitá-lo como evito poliéster e cães de grande porte. Mas ele me encurralou, literalmente, na montanha russa.

"Eu não vou fingir não notar que está dando seu melhor pra me evitar, Alice," ele disse enquanto se virava pra mim assim que o brinquedo começou.

Fechei meus olhos e respirei fundo. Mas ele deve ter entendido isso como minha resposta porque ele continuou falando.

"Achei que éramos amigos. Achei que era isso que você queria."

"Não sei do que você está falando," eu menti. Tão convincente. Para cobrir minha mentira extremamente ridícula, me virei e sorri pra ele. Ele estava olhando pra mim, os olhos nos meus enquanto ele colocava seu cabelo atrás da orelha e lambia os lábios. Ele estava olhando pra mim com muita intensidade, como se tivesse com dificuldade. Eu estava nervosa e não só porque o brinquedo estava começando.

A montanha-russa fez seu primeiro mergulho, fazendo meu estômago voar para minha garganta e meu coração voltar a bater em meu peito. Eu rapidamente o agarrei sem sequer pensar nisso. O ouvi rir dos meus gritos enquanto éramos jogados no meio do assento. Sentia seu joelho perto do meu e meu coração parava cada vez que eu era empurrada contra ele durante a calamidade.

Assim que o brinquedo diminuiu, eu rapidamente liberei sua camisa das minhas unhas, evitando seu rosto enquanto me levantei e tentei sair o mais graciosamente que eu podia. Meus olhos vagaram procurando por Bella mas ela não estava por lá. Assim como o Cullen. Eu estava muito irritada por ela ter me deixado novamente.

"Alice, você pode simplesmente esperar um minuto?" Jasper estava na minha frente, as mãos nos bolsos, os olhos bem em direção aos meus.

"Tenho que encontrar Bella," eu disse, apontando para a direção que eu achava que ela estava.

"Bella está bem. Ela pode tomar conta de si mesma. Posso ter um minuto do seu tempo?"

Suspirei um daqueles suspiros exasperados que minha mãe fazia quando estava sendo dramática. Não pude evitar me encolher um pouco. "Claro, o que é?"

"Pode me dizer por que há um minuto estávamos bem e no próximo você pretende fingir que eu não existo?"

"Okay certo. Serei honesta," eu disse, cruzando meus braços enquanto fazia uma careta pra ele. "Eu acho que você é cheio de merda."

Ele franziu a testa. "O quê?"

Tive uma súbita onda de adrenalina que fluiu direto pra minha boca. "É, eu disse isso. Eu acho que você é cheio de merda. Esse não é você. 'Sr. Buceta' ou 'Sr. Fornecedor de Drogas' Isso é tudo mentira, e você não está feliz com isso. Só está seguindo os outros a sua volta. E eu acho que isso é realmente patético."

Ele parecia espantado. Tentei não me sentir culpada.

"Isso não é um pouco hipócrita? Você está fazendo a mesma coisa, Alice."

"Eu sou uma boa amiga," eu disse defensivamente. "Não estou machucando ninguém."

"Quem eu estou machucando?" ele rebateu.

Senti a palavra na minha língua, mas a engoli antes que ela tivesse a chance de sair.

"Podemos parar com isso, por favor? Não quero falar sobre isso. Estou indo embora..."

Jasper andou ao meu lado. "Então deixe-me levá-la pra casa..."

Acenei minha mão o afastando, quase batendo nele no processo. "Pode apenas ir se fuder e me deixar em paz?" eu gritei, um pouco mais alto do que eu queria.

Eu fui rude. Muito ao contrário do rude Alice. Mas eu tinha que sair de lá e ir pra longe dele. Doeu ver que ele foi tão cego com o que realmente estava passando na minha cabeça. Odiei a mim mesma por não ser capaz de sentir o que eu queria. Odiava ele por não ser a pessoa que eu achava que ele era. Ele era apenas outro idiota, apenas mais um tolo, um grande fingidor. E eu o odiava mais porque eu ainda o amava mesmo com toda essa merda assim como eu sabia que o amei da primeira vez que o vi entrando na classe.

Então quando ele me viu no Clube Country, eu achei que ele me xingaria. Eu teria merecido e eu sei que seria a melhor coisa pra nós dois.

"Eu quero falar com você," ele disse. Ele estava fazendo aquela coisa de ficar muito perto de mim e não parecer se importar. Eu continuei olhando para a comida na nossa frente.

"Não posso falar, Jasper, tenho que atender as pessoas," eu disse suavemente, completamente consciente de que sua presença estava fazendo os pêlos do meu braço levantarem com atenção.

O ouvi rir por baixo de sua respiração. Resisti a tentação de olhar pra ele, embora eu soubesse que suas covinhas estariam enfeitando suas bochechas.

Ele se inclinou mais perto. "Ah vamos, Alice. Você e eu sabemos que você não quer ficar aqui nessa besteira."

"Isso não é verdade. Estou me divertindo muito." A verdade era, a noite somente ficou interessante agora que ele estava apenas alguns passos longe de mim.

"Eu só preciso de um momento de seu tempo, não se preocupe." Ele agarrou minha mão e rapidamente me puxou pelo salão de entrada. Demorou um momento para eu perceber que ele na verdade tinha pego minha mão e que ele estava dando aquele sorrisinho lindo que fazia eu sentir borboletas no estômago.

"Eu não quero mais trocar insultos com você, Jasper," eu disse enquanto ele me empurrava em um corredor vazio. "Estou cheia disso."

"Certo, e quanto a isso," ele disse, se inclinando pra mais perto de mim.

Segurei minha respiração.

"Você estava certa. Esse não sou eu."

Pisquei. Ele balançou sua cabeça.

"Voltei para Forks e não estava pensando no que me fazia feliz. Não estava pensando no que eu precisava. Estou cansado de toda essa besteira de fingir, Alice."

"Certo," o surreal estava aparecendo novamente.

"Mas essa também não é você. Não é a Alice que eu conheci em Nova York. Fomos felizes lá. Eu fui feliz lá."

"Uh-huh," eu respirei enquanto ele se movia pra mais perto de mim e colocava suas mãos em meu rosto.

"Eu queria fazer isso há uma semana," ele sussurrou, sua respiração tocando meus lábios.

"O que você está fazendo?" eu sussurrei, enquanto sentia seus dedos moverem por meus cabelos.

Ele riu levemente enquanto seus lábios estavam milímetros dos meus. "Não pode simplesmente me deixar fazer isso?"

Tudo parou. A música vindo do salão principal, o som dos garçons rindo na sala ao lado, o cheiro da cozinha. Porque ele estava lá, bem na minha frente, com suas mãos movendo pelas minhas costas até a base da minha espinha, mergulhando pra mais perto de mim. Respirei fundo. Ele parecia determinado, talvez até um pouco louco.

"Jasper?" engoli em seco, meus olhos nos dele.

Ele respondeu do jeito que eu queria que ele tivesse respondido cada pergunta que eu já fiz pra ele. Sua mão foi para meu rosto, colocando meu cabelo atrás da orelha enquanto um pequeno sorriso cruzava seu rosto e ele riu suavemente antes de colocar seus lábios nos meus.

Eu sempre quis um desses beijos perfeitos. O tipo que você vê em filmes branco e preto quando a música fica bem alta e a mulher é divina e o cara é intenso. Eu aceitei que esse tipo de coisa não existia porque o mundo real não era assim. Eu estava errada. Esse era meu beijo perfeito; nosso beijo perfeito. O momento Alice Brandon.

Quando ele se afastou não consegui abrir meus lábios.

"Está atrasado," eu sussurrei, me inclinando para beijá-lo novamente.

Ele me beijou, dessa vez um pouco mais rápido então batemos na parede atrás de mim.

"Sinto muito," ele respirou, colocando as mãos em meu rosto.

Eu estava sem respiração, sem palavras. Só tinha uma coisa que teria que acontecer a seguir.

"Vamos embora," eu disse, pegando sua mão e o guiando para a saída.

Acho que meu motorista estava suspeito do que estava acontecendo na parte de trás da limusine. Eu dei a ele um sorriso sem fôlego enquanto pulava no assento de trás e imediatamente fechava a divisória entre nós e ele. Eu tinha que dar a 'nós' algum tempo sozinhos.

Jasper estava sorrindo também, tanto que suas covinhas já estavam ficando marcadas em seu rosto. Eu não iria esperar; pulei em cima dele, de pernas abertas. Arqueei minhas costas para que pudesse me esfregar em cima dele enquanto continuávamos nos beijando.

Ele gemeu em resposta enquanto lentamente arrastou seus dedos por meu queixo e levemente por minha espinha enquanto roçava nele em nosso próprio ritmo.

Ele puxou a alça do meu vestido pra baixo, arrastando seus lábios por meu pescoço até a pele exposta de meu ombro. Foi uma técnica de distração suja, porque de alguma forma, os dedos de Jasper acharam o caminho por fora da minha calcinha.

Olhei pra ele, amando o sorriso perverso que se espalhou por seu rosto enquanto ele começou a fazer pequenos círculos em meu centro. Ele delicadamente me provocou, escovando o ponto certo com seus dedos, provocando-me habilmente com pequenos movimentos que me fizeram silenciosamente implorar por mais.

Nos beijamos enquanto eu comecei a roçar em seus dedos, gemendo o mais baixo que eu podia através da respiração abafada. Deixei meus olhos fecharem, sentindo seu cheiro enquanto nossa respiração se misturava, criando uma poção perfeita e quente que estava me levando para o pico.

Enfiei os dedos nos cabelos dele, puxando sua cabeça pra trás para que pudesse beijá-lo novamente. Ele gostou disso, gemendo na minha boca enquanto colocava suas mãos na minha bunda e me puxava firmemente em sua ereção e me movia lentamente sobre ele. Nossas línguas lutavam enquanto eu me esfregava em seu colo, roçando sobre seu eixo rígido, nossa respiração aumentando um pouco enquanto eu roçava um pouco mais rápido.

Eu podia ficar assim, roçando nele pra sempre, mas eu queria mais e ele sabia disso.

Com um rugido, ele me puxou pra seus braços e me empurrou do outro lado da limusine. Minhas pernas em volta dele, como uma armadilha enquanto ele beijava meus lábios, lentamente, e sem esforço algum fazendo minha cabeça girar enquanto seus dedos forçaram em minha calcinha.

Eu ri, me apoiando nos cotovelos para beijá-lo enquanto ele se movia por meu corpo. Com um sorriso ele deixou seus lábios moverem por minha coxa nua. Arrepios apareceram quando ele começou a se mover por dentro da minha coxa, perto de onde eu o queria. Ele me provocou, beijando a coxa oposta, cada vez se movendo mais dolorosamente perto. Senti sua respiração exatamente onde eu precisava dele.

Mordi meu lábio e inalei, esperando pra ele me beijar exatamente onde eu o queria.

"Jesus, Alice, chega dessa porra visual!"

A voz estridente de Bella me tirou de meus pensamentos. Olhei de volta pra ela, sua boca escancarada em fúria e provavelmente alguma descrença. Podia sentir meu rubor enquanto voltava pro presente. Eu não estava acostumada a ser tão honesta com Bella. Assim que comecei a falar sobre Jasper, parecia que eu não podia parar.

"Desculpe," eu disse, realmente querendo dizer isso.

Bella parecia mal. Ela não tinha olhado pra cima desde que Jasper saiu, antes de eu confessar a verdade a ela. Em vez disso, ela estava fazendo aquela coisa onde fazia careta e focava em suas unhas, as mordendo e exalando ruidosamente a cada minuto. Eu sabia que ela estava prestando atenção, ou pensando em alguma coisa. Ficou claro que ela estava engarrafando tudo, como sempre fazia.

"Tenho que ir," ela disse, enrolando o cabelo em um rabo de cavalo.

Levantei a seguindo. "Não quer ficar e falar sobre ontem à noite com sua mãe?"

"Não posso," ela respondeu sem rodeios enquanto puxava sua jaqueta sem olhar pra mim. "Tenho que me preparar pra um encontro."


N/T: Aiiiiiiiiiiiiii que lindo meu Jasper, acho ele tão tudo, as covinhas, o jeito, tudo *suspira* ... capítulo enorme dessa viagem da Alice não? Cansei.

Espero que tenham gostado e comentem ;)