Cavaleiros Apaixonados 2

Por Mary Ogawara

Capítulo 5 – Encontros e desencontros

O Sol estava prestes a se pôr no horizonte e Hyoga já estava em seu apartamento, depois de mais um dia de trabalho. O garoto estava deitado no sof� pensativo, observando o céu, que a cada minuto ia perdendo o colorido laranja dos últimos raios do Sol, enquanto algumas estrelas já começavam a surgir, feito pontinhos de luz isolados na imensidão azul.

O pensamento do Cisne, entretanto, não estava na paisagem que se formava diante de seus olhos, e, sim, em outros olhos, verdes, "maravilhosos e puros". Os olhos da garota que ele amava, Fleur. Queria pedi-la em casamento na noite do aniversário de namoro dos dois.

Hyoga e Fleur estavam namorando há apenas um ano, apesar de terem se conhecido desde quando Saori e os outros Cavaleiros de Bronze haviam lutado contra os Guerreiros Deuses de Hilda, em Asegard, quando Hyoga tinha apenas 14 anos, e terem se apaixonado desde então. "No final das contas", pensou o garoto, "o tempo acabou ajudando...". O tempo havia feito com que os dois superassem as cicatrizes deixadas por uma difícil batalha...

"Eu nuca mais a deixarei, Fleur". Fora essa a promessa do garoto ao abraçá-la depois de tanto tempo. E era essa a promessa que ele pretendia honrar enquanto vida tivesse.

Hyoga levantou-se do sof� e o céu já estava quase que completamente escuro quando ele tirou a aliança de noivado de uma gaveta, voltando ao sofá para sentar-se enquanto fitava o delicado objeto. Já fazia mais de um mês que estava com ela, e por vezes teve de se controlar para não estragar a surpresa que havia planejado. O jovem sorria de si mesmo quando o barulho da porta se abrindo atrás dele o surpreendeu. Ele assustou-se ainda mais ao ver quem chegava...

- Fleur! – disse ele desconcertado guardando a aliança no bolso

- Oi, meu amor! – disse ela sorrindo enquanto chegava perto do namorado – Quis fazer uma surpresa pra você!

- Como você entrou aqui? – ele perguntou, confuso, depois de beijá-la

- Hyoga! Esqueceu que me deu uma cópia da chave? Eu quis ver se funcionava de verdade! – disse a garota em tom de brincadeira – Agora você não vai conseguir escapar de mim!

A garota sorriu e o beijou novamente, desta vez, com mais intensidade, e logo os dois já estavam aos beijos no sofá. Foi então que Fleur sentiu que algo a incomodava e achou a caixinha da aliança, que Hyoga havia esquecido sobre o sofá.

- O que é isso, Hyoga? – perguntou a garota com um sorriso bobo

- Ah... Er... – "Pense, Hyoga, pense!" – Ah! Então era aí que estava! Eu estava procurando essa caixinha!

- Estava?

- É... É que o Seiya esqueceu aqui, é a caixinha da aliança da Saori! – mentiu o garoto, completamente sem jeito

- Ele esqueceu aqui? – perguntou Fleur confusa, mas sorrindo do nervosismo do amado

- Esqueceu. Lembra do dia em que ele veio me ajudar com a mudança?

- Ah... Sim. Eu lembro que ele veio aqui. – disse ela tentando não deixar a pontinha de decepção que sentia afetar seu sorriso

Uma idéia ocorreu a Hyoga naquele momento. Precisava ser mais convincente, do contrário, a surpresa que planejava há tanto tempo seria arruinada.

- Você não achou que fosse pra você, não é? – perguntou ele sem perceber o que aquelas palavras significariam para Fleur (N.A.: e, convenhamos, para qualquer garota, né?)

- E-eu...? – Fleur sentia seu coração se dilacerar enquanto pensava no que dizer para disfarçar o "fora" – Claro que não. Por que eu pensaria? – a garota optou por se mostrar forte e usou um tom sarcástico

Por aquela Hyoga não esperava. Achava que seria mais difícil convencer a garota de que não havia uma aliança para ela. Pelo jeito, a surpresa ainda estava de pé.

- Pois é! Ainda somos muito jovens, e não somos loucos como o Seiya e a Saori! – disse o Cavaleiro sorrindo

- Pois é! Loucos... Imagina, de jeito nenhum! – disse a garota se sentindo cada vez pior

Os dois ficaram lado a lado, em silêncio, por alguns instantes. A mente da garota estava a mil, mas, ao mesmo tempo, ela não conseguia se concentrar em nenhum dos pensamentos.

- Como pude esquecer! – disse Fleur se levantando – A Hilda está me esperando para o jantar, eu tenho que ir! – disse ela se afastando em direção à porta

Hyoga estranhou o comportamento da garota, e levantou-se também para seguí-la. Fleur abriu a porta e já estava saindo dali sem ao menos olhar para o garoto.

- Fleur, espera! Você está bem? – ele perguntou

Claro que sim, só estou um pouco esquecida hoje! – disse ela forçando um sorriso, enquanto apertava nervosamente o botão do elevador, desejando que ele chegasse o mais rápido possível

- Então até amanhã na festa.

- Até.

- Eu te amo. – disse ele sorrindo quando ela já entrava no elevador

- Eu também te amo... - disse ela fechando a porta do elevador e finalmente permitindo que lágrimas tristes banhassem o seu rosto

Longe dali, na mansão Kido, Seiya chegava em casa decidido a conversar com Saori. Queria saber se alguma coisa preocupava a amada, pois as palavras de seu amigo ainda escoavam em sua cabeça. Ao abrir a porta, o garoto foi surpreendido por uma bela música que vinha da sala de jantar. Ele foi até lá e percebeu que a mesa estava cuidadosamente posta para dois.

- Seiya! – disse Saori aparecendo de repente, indo de encontro a ele para beijá-lo – Que bom que você chegou!

Saori usava um avental de cozinha por cima de um vestido preto muito bonito e sem mangas, que ia até um pouco acima dos joelhos. Usava uma maquiagem bem leve, que realçava seu delicado rosto, e os cabelos estavam presos, em parte, por uma fivela.

- Você está linda, Saori! – disse o garoto sorrindo

- Obrigada! Eu fiz o nosso jantar hoje! – disse ela, animada

- Você? Sozinha? – perguntou Seiya lembrando-se de todas as outras vezes em que Saori cozinhou alguma coisa

- Sim! – respondeu ela com um sorriso confiante – E já deve estar pronto, você chegou bem na hora! Eu vou até a cozinha pegar!

Saori deixou a sala, em direção à cozinha, enquanto Seiya sentava à mesa sorrindo e se perguntando que gosto teria a comida daquela vez. Não que não confiasse na noiva, mas todos sabiam que "Saori" e "cozinha" eram duas palavras que não simplesmente pareciam não combinar numa mesma frase.

Passados alguns instantes, Saori já estava trazendo um prato com um tipo de sushi, comida bem típica da culinária japonesa. Ainda trouxe mais uns dois pratos diferentes, todos, como o primeiro – e para a surpresa de Seiya -, parecendo estar muito gostosos. Saori tirou o avental, revelando o decote do seu vestido, e sentou-se à mesa ao lado do noivo, com uma expressão ansiosa.

- E então...? – perguntou ela logo após Seiya levar o primeiro pedaço à boca

O rapaz se surpreendeu. Esperava algo ruim, como de costume, mas...

- Está ótimo, meu amor! Parabéns! – disse ele sorrindo

- Quem bom! Eu sabia que você ia gostar! – disse a garota sorrindo sem parar

- Como você aprendeu a cozinhar assim?

- O Shun está ensinando às meninas e a mim! Isso é tudo que eu sei fazer por enquanto, mas achei que já dava pra fazer uma surpresa pra você! – disse a garota, logo depois levando o dedo à testa como se lembrasse de algo – Ah! Tem mais uma coisa que eu aprendi!

- É a sobremesa? – perguntou Seiya enquanto enchia o prato de comida

- É sim, é anmoti, aquele docinho de feijão que você adora! – disse ela, sorrindo – E o Shun me ensinou a fazer a ordem deles...

- Isso é ótimo, Saori! E eu nem lembro se fiz alguma coisa pra merecer essa surpresa! – disse o garoto, de brincadeira

- Ah, Seiya... Você sempre faz coisas românticas pra mim; merece muito mais... – começou Saori com um sorriso doce – E, mesmo assim, que tipo de esposa e mãe eu seria se não soubesse cozinhar pelo menos um pouquinho, não é?

Seiya não soube o que responder. Se sentiu mais idiota do que já havia sentido em toda a sua vida. Ali estava ela, a mulher que ele amava, que já havia enfrentado situações tão difíceis no passado, e que era tão jovem quanto ele; confiante e feliz. Como se soubesse de tudo que se passava em seus pensamentos, Saori apertou uma de suas mãos, enquanto fixava seus os olhos azuis nos castanhos dele e sorria... Um sorriso maravilhoso, que Seiya sabia que ela reservava para ele, e apenas para ele.

- Eu quero que nós dois sejamos muito felizes... – disse a garota, suavemente

- Saori, meu amor... – começou Seiya enquanto se levantava de onde sentava para chegar mais perto da garota – Me desculpe por esses dias em que eu não estive muito bem; eu estava pensando só em mim, e isso não é justo, porque também não deve estar sendo fácil para você...

Os olhos de Saori se encheram de lágrimas enquanto ela se levantava, direto para os braços do amado.

- Seiya... – ela quase sussurrou enquanto o abraçava mais forte – Eu não queria fazer você sofrer...

Seiya levantou o rosto da garota, carinhosamente, que estava afundado em seu peito, e sorriu antes de começar a falar:

- Você nunca me faz sofrer, Saori. Todas as coisas boas da minha vida eu devo a você.

O garoto enxugou as lágrimas do rosto dela, que sorriu, finalmente.

- Nada faria sentido sem você, meu amor... – disse ele antes de beijá-la

Seiya e Saori beijavam-se com todo o amor que sentiam, como se tivessem medo de perder-se um do outro, como se aquele amor importasse mais do que qualquer coisa no mundo...

- Eu amo você, Seiya... – disse ela quando finalmente se separaram, sem fôlego

- E eu amo vocês! – disse ele fazendo a garota sorrir muito antes de beijá-la novamente


Nota da Autora:

Não sei porque, mas os travessões que indicam as falas dos personagens não estão aparecendo aquifanfiction. Por isso, todas as falas estão em itálico, ok?

A descrição "maravilhosos e puros", no segundo parágrafo do capítulo, foi retirada do episódio 81, "A Batalha Mortal de Freya". É assim que Hyoga descreve a primeira impressão que teve da garota, quando a conheceu no palácio de Valhalla. (detalhe: ele está contando isso para o Haguen xx rs)

O doce de feijão que a Saori faz para o Seiya já tinha sido mencionado antes, mas eu só lembrei do nome (anmoti) recentemente, quando li "Nunca Diga Adeus", de Luiz Galdino – um romance bem adolescente, mas muito meigo.

Respondendo as reviews:

Cinthya Ogawara: brigada pela review! Demorei, mas aqui está mais um capítulo, espero que você goste! Bjinhus!

Thati Gilmore: não se preocupe, eu entendi a review, rs Humm... Tem razão, vou ver se revezo um pouco o sofrimento daqui pra frente! Rs Bjinhus!

Dani Kamiya: que bom que você gostou da cena do Shiryu e da Shunrei! E o Shiryu aconselhando o Seiya foi uma outra cena que achei muito importante – porque isso acontece de verdade, o Seiya tem sorte de ter um bom amigo. Bjinhus!

Prizinha Gilmore: Aiii! (Mary corre pra se esconder da amiga) Desculpa a demora, Pri! Não use o meteoro ou a Excalibur, por favor! Rs rs Bom, miguinha, to quebrando recordes, né? Desculpa mesmo, mas pelo menos desse capítulo eu acho que você vai gostar! Bjnhus e brigada pelas reviews – mesmo a que tem a bronca! Rs rs

CaHh Kinomoto: que bom que você leu os capítulos e obrigada pelas reviews! Vou te dizer, finalmente apareceu alguém pra dizer que a cena do Shiryu e da Hilda ta meiga (Mary olha para os lados com medo da amiga Bianca ter escutado... rs rs). O Seiya ta meio irritante mesmo, mas ele promete que vai melhorar! Bjinhus!

Kk-chan: apoiado, não podemos viver sem ele! Rs rs Brigada pela review e por sempre agüentar os meus tantos "ficou meigo?" quando você lê os meus capítulos! Bjinhus!

Brigada mesmo, gente! Até o próximo!

Mary-san