Cavaleiros Apaixonados 2
Por Mary Ogawara
Capítulo 9 – O rosto que não sai do meu coração
Seiya parou de caminhar de repente e olhou para Saori um pouco confuso, ainda sem assimilar direito o que a garota acabara de dizer.
- Você vai visitar a Minu? – ele perguntou, com um sorriso
- Sim, eu vou. – Saori respondeu, sentindo o rosto corar, e recomeçando a andar em direção à sala onde ela e o amado tomariam o café da manhã
- Mas que coisa! Por que você resolveu visitar a Minu agora? – ele perguntou com um tom de voz divertido
Saori sorriu um pouco de si mesma. Na verdade, nem ela sabia direito o motivo daquela visita, apenas achou que fosse algo que devesse fazer, como que para provar para si mesma que não tinha "medo" da garota.
Não sabia quantas mulheres Seiya deveria namorado enquanto ela estava na Grécia, afinal homens não ficam sozinhos por tanto tempo. Sabia, entretanto, que jamais havia acontecido qualquer coisa entre ele e Minu, mas o que a preocupava eram os sentimentos da professora em relação a seu noivo e a proximidade que um dia houve entre eles...
- Bom... Ela é sua amiga, não é? Vocês se conhecem desde crianças; ela deve ser importante para você, não é, Seiya? – a garota finalmente falou, tentando esconder um pouco o sentimento que ficava cada vez mais claro
- Sim, nós nos conhecemos desde crianças, mas ela já não é mais tão minha amiga assim. – respondeu o garoto, sorrindo
- Mesmo assim... Eu acho que deveria falar com ela, saber o que ela acha de nós... – disse Saori, mais para saber como Seiya reagiria
Enquanto sentava à mesa, ao lado do garoto, Saori não conseguia esquecer que antes de partirem para o Santuário, na época da "Revolta de Saga", Seiya havia prometido voltar para Minu... Já tinha se passado tanto tempo que a garota nem sabia porque estava lembrando de tudo aquilo, mas a incomodava saber que ela quase o tinha perdido.
- Saori...? – Seiya a chamou mais uma vez e ela finalmente ouviu e voltou-se para ele, sem o olhar nos olhos – Amor, você não está com ciúmes, está?
- Não... – respondeu Saori, sem convicção
Seiya sorriu do rosto da amada, que dizia exatamente o contrário, e segurou suas mãos.
- Saori, meu amor... Por que isso agora? – ele perguntou, aproximando-se e beijando-a repetidamente no rosto até que ela finalmente o encarou
- Não é bem ciúme... É que... Bom, quando a Hilda me disse que a Shunrei voltaria, eu pensei que poderia tentar conversar com a Minu também...
- Saori... – ele sorriu, carinhosamente – O Shiryu e a Shunrei sempre gostaram um do outro e eu e a Minu nunca passamos da amizade. E tem uma diferença: eles dois se amavam. Saori, a única mulher que eu já amei e sempre vou amar é você...
Saori olhou para o garoto, que lhe sorria, e sorriu também, enquanto ele a abraçava. Como podia estar sendo tão boba? Qualquer outro homem no lugar de Seiya jamais seria tão carinhoso, paciente e responsável – por mais estranho que parecesse (N.A.: afinal, o chefinho é o chefinho!). Ela não precisava de nenhuma outra prova de que significava tanto assim para ele...
Depois que os dois se separaram, passaram a se encarar por alguns segundos, sem dizer qualquer coisa. Saori sorria docemente, com uma das mãos sobre o rosto do garoto, que ainda sorria para ela. Seiya gostava de ficar assim, só olhando para ela, pois, às vezes, ainda se pegava achando difícil acreditar que a tinha só para ele, finalmente... Depois de beijá-la, ele sorriu e disse:
- Eu te amo, "sempre foi você", lembra?
- É claro que eu lembro... Também te amo muito, Seiya. Desculpe por eu estar tão nervosa, deve ser dessas coisas da gravidez, porque eu ando um pouco emotiva e insegura demais... – disse a garota, um pouco envergonhada
- Saori... – ele começou, mas logo foi interrompido por ela
- É verdade! Eu chorei assistindo um comercial ontem! Eu fico pensando: eu não tenho experiência alguma, e se eu for uma péssima mãe...? – Saori perguntou, com lágrimas nos olhos
- Saori, você não vai ser uma péssima mãe... – respondeu Seiya, abraçando-a novamente
- Como você sabe...?
- Sabendo! – respondeu com um sorriso – Você é uma pessoa meiga e maravilhosa, não tem como não ser uma ótima mãe.
Saori sorriu.
- Mesmo...?
- É claro que sim. – ele disse, continuando a falar depois de uma breve pausa – E agora? Você ainda vai visitar a Minu, ou vai seguir o meu conselho e dormir um pouco mais?
O final de semana não demorou a chegar, e Saori acabou decidindo não visitar a professora do orfanato, no final das contas.
Hilda e Shiryu já estavam se falando normalmente, embora a primeira conversa depois de um dia tenha parecido estranha, pois nenhum dos dois falara sobre a festa de aniversário do garoto.
Pearl e Ikki continuavam se encontrando e conversando no telefone com cada vez mais freqüência.
Já Hyoga e Fleur ainda não estavam se falando. A garota supôs que ele tivesse desistido de procurá-la, pois as ligações não continuaram.
Na tarde de sábado, Saori e Seiya organizaram programas diferentes: ela e as amigas haviam saído para que estas provassem seus vestidos de damas de honra do casamento. Enquanto ele sugeriu que os amigos saíssem para jogar boliche – também como um meio de animar Hyoga um pouco, já que o rapaz, mesmo que tentasse esconder, parecia arrasado.
Shun e June, no entanto, não haviam comparecido, já que ele a havia convidado para ajudá-lo com a arrumação do seu apartamento.
- Strike! – gritou Seiya, com um pulo de alegria depois de derrubar todos os pinos de uma vez – Admitam, eu sou demais! – ele acrescentou enquanto os outros riam
- Sorte, meu caro amigo, eu digo sorte. – disse Ikki, cruzando os braços
Enquanto o amigo já tinha conseguido a "façanha" – como ele chamou - de dois strikes seguidos, ele não fizera nenhum até aquele momento.
- Parem com essa briga besta! – disse Shiryu fingindo seriedade – E aprendam como se joga me observando. – ele falou com um sorriso, pegando uma bola e arremessando na pista (N.A.: masculinamente, mano! Ops, mana!)
- Hum... Nada mal, quase todos... – disse Seiya, notando que só ficara um pino de pé
- Eu aposto que você não consegue derrubar! – disse Ikki – claro!
- Hum! Você vai conhecer a precisão do Dragão! – disse Shiryu, provocando risos e, de fato, conseguindo derrubar o pino restante – Sua vez, Hyoga! – ele disse, voltando-se para o amigo
Hyoga estava sentado, com uma latinha nas mãos. O garoto até sorria das palhaçadas dos amigos, mas não tinha a mínima vontade de participar delas. Nem conseguia acreditar que já faziam dias desde que havia visto Fleur pela última vez, e esse tempo só havia servido para uma coisa: Hyoga havia percebido que a amava ainda mais do que imaginava, que precisava dela para viver...
- Certo. – disse o garoto, se levantando para jogar
- Vamos lá, Hyoga! Ainda dá pra virar, você não pode perder do Ikki! – disse Seiya, tentando fazê-lo sorrir
Hyoga estava com o pior placar do jogo.
- O que você quer dizer com isso, hein? – perguntou Ikki, fingindo se irritar
O Cisne arremessou a bola, sem empolgação alguma, e acabou não derrubando um mísero pino sequer. Seiya, Shiryu e Ikki se entreolharam, e começaram a falar, quase que ao mesmo tempo.
- Ainda tem mais uma chance!
- Foi o Ikki que azarou ele!
- Acho que a jogada depende da bola certa, não?
Hyoga não dava a mínima para aquele jogo. Tinha ido por insistência dos amigos, só para que todos parassem de perguntar se estava "tudo bem". Claro que não estava
- Então, meninas? Gostaram dos vestidos? – perguntou Saori sorrindo, depois que Fleur, Hilda, Pearl e Shunrei terminaram de se trocar
Os quatro eram vestidos longos, com um tom bonito e elegante tom de dourado. Tinham pequenas diferenças, porém, nos decotes, nas saias e nos detalhes, que os deixavam diferentes um do outro.
- Eu adorei! – disse Shunrei, se examinando no espelho
- Estão todos muito bonitos mesmo! – disse Hilda, tentando inventar um jeito bonito de prender o seu cabelo
- Como diria a June: estão muito meigos! – disse Pearl sorrindo
- E você, Fleur? Não vai dizer nada? – perguntou Saori com um tom de voz mais suave, aproximando-se da amiga que se olhava no espelho
O vestido era lindo, sim. Mas não era sobre isso que a garota estava pensando. Queria que aquela dor fosse embora do seu coração, queria que tudo pudesse ficar mais fácil, e que ela não pensasse mais em Hyoga.
Talvez... Talvez tivesse sido melhor se nem o tivesse conhecido... Assim não teria descoberto que seria capaz de se apaixonar por alguém daquela maneira, e continuaria sozinha e... Feliz?
Não. Fleur sabia o que era felicidade, e não era estar longe de Hyoga...
- Fleur, você está bem? – a voz Saori, chamando-a mais uma vez, a trouxe de volta para a realidade
- Estou ótima. E esse vestido... É maravilhoso! Posso sair daqui usando? – disse a garota, forçando um sorriso
Enquanto isso, no apartamento de Shun, ele e June arrumavam a sala do garoto. Organizavam livros na estante, a "ordem" dos controles remotos da TV e do DVD, a ordem dos CDs, – bom, na verdade, os livros também precisavam de uma ordem – enfim, coisas triviais...
- Shun, dá uma olhadinha aqui, amor! – chamou June, que estava organizando os CDs
- Tá! – respondeu o garoto, deixando os livros de lado, e indo ao encontro da namorada – Parece que está tudo certo... Você arrumou do jeito que eu pedi?
- Pelo número de pessoas da banda e data de lançamento do CD mais recente! – respondeu June com um sorriso
- É, ta tudo certo mesmo, obrigado June. – disse o garoto, inclinando-se na direção dele para beijá-la
Depois que se separaram, June fitou o rosto do Cavaleiro sorrindo, antes de fazer cara de quem tinha esquecido alguma coisa.
- Ah, não! Era pra organizar de baixo para cima ou de cima para baixo? – ela perguntou, levando a mão à testa
- Ah, não! June eu disse mil vezes que... – o garoto começou a brigar, mas parou ao ver que ela sorria, divertida – Você! – disse ele, se aproximando para abraçá-la
- Eu te amo, sabia, seu bobo? – ela disse sorrindo
- Eu também te amo, engraçadinha! – disse ele, beijando-a logo em seguida
- Ih! Olha a hora! – ela disse, olhando no relógio e procurando seus sapatos – Eu tenho que ir, Shun... Tenho que fazer o jantar hoje. – ela disse, um pouco desanimada
Shun a observou enquanto ela se afastava em direção à porta. June era a mulher que ele amava... Não sabia que poderia sentir aquilo tão fortemente por alguém antes de reencontrá-la. Ela, que ele um dia havia considerado apenas uma boa amiga...
- Fica, June. – ele pediu quando a garota já estava abrindo a porta
- Mas eu tenho que ir e... –
- Não. Eu quero dizer "fica" mesmo. – ele disse, segurando as mãos da garota
- O-o quê...? – perguntou June, quase sem fala, sentindo o rosto corar
- Estou pedindo pra você morar comigo.
Nota da Autora:
O nome "Revolta de Saga" eu tirei da publicação "Gigantomaquia". É assim que eles se referem à luta das 12 casas. Mas você se pergunta: e essa fic se passa quanto tempo depois da batalha? Se ainda não ficou claro para alguém, aproveito para esclarecer o tempo da fic: ela se passa anos depois dessa luta, e eu considerei aquele final do anime (da Saga de Poseidon), como o final e pronto. Saori ficou algum tempo no Santuário e os garotos voltaram para o Japão. A irmã de Seiya ainda não foi encontrada. No primeiro capítulo de "Cavaleiros Apaixonados", eu procurei deixar essa noção de tempo clara, na conversa que Seiya tem com Saori no telefone.
A frase "sempre foi você", caso vocês não lembrem, foi o que Seiya disse a Saori depois de se declarar, no capítulo 3 (de mesmo nome) de "Cavaleiros Apaixonados".
E, caso alguém esteja se perguntando, o nome do capítulo vem, sim, de um episódio de InuYasha – outro anime que sou muito fã - , apesar de estar em um contexto bem diferente (né, Bianca? Rs).
Palavras da Autora:
Primeiramente, gostaria de agradecer, mais uma vez, pelo número de reviews. Não que isso importe tanto assim (tá, talvez importe, rs), mas é que saber que tem pessoas que realmente gostam de ler o que eu escrevo é muito gratificante. Vocês me deram mais força e ânimo para continuar escrevendo esta e outras fics, por isso, muito obrigada!
Acho que este capítulo ficou bem mais parecido com o estilo da primeira fanfic, não ficou? Eu tentei – é sério! – não mudar muito o estilo, mas acabou que algumas diferenças fizeram mesmo a diferença (nossa, é cada uma... rs). Estou procurando dar um pouco mais de atenção para os outros casais, apesar da fic continuar centrada em Saori e Seiya. Eu andava um pouco cansada, mas confesso que me diverti como fazia algum tempo que não acontecia escrevendo este capítulo. Espero que estejam gostando! Beijos!
Respondendo as reviews:
Bianca Potter: a fic tá pequenina? Você acredita que os capítulos da outra eram bem menores? Rs O Hyoga e a Fleur...? É, você tem razão, resolvi "enrolar" mais um pouquinho! Beijos da Mary Takahashi... Ops! Ogawara! Rs
Amanda: muito obrigada pela review! Fico feliz que você está gostando da fic e espero que a gente se fale de novo em breve! Beijos!
Prizinha Gilmore: minha cartinha? Que meigo! Bom, a "Naza" deve aparecer, mas ainda demora um pouco, he he he... Beijos com sabor de brigadeiro pra você, miga! Hu hu hu...
Dani Kamiya: é mesmo, né? O que seria de uma cena meiga sem um sofrimentozinho antes? Rs O Shiryu e a Shunrei? Acho que só duas pessoas sabem com quem eu acho que ele vai ficar (plagiando o meu Hiei: se vocês têm amor à suas vidas, não contem! Rs). O Ikki... Sabe como é, né? Um dia ele chega lá! E quanto ao bebê, seja menino ou menina, ia mesmo ser lindo com os olhos do Seiya, né?
Jezreel: eles vão se acertar logo, prometo! Beijos do Brasil!
Pisces Luna: apoiada! Apoiada! Viva os romances! Rs Shiryu e Hilda é mesmo um casal louco, né? Mas eu era louca quando inventei, quem me conhece sabe, he he he... Só não posso contar com quem ele fica, logo (ta, não tão logo assim) você vai saber! Adoro o Hyoga e a Fleur, já tive até vontade de escrever uma fic só deles, mas não deu muito certo e deixei para depois. A Pearl e o Ikki também são um casal bem inusitado (eu a inventei!), mas espero que meigo também. Obrigada pelos elogios e pela review! Ah! E o Shun e a June apareceram! Beijos!
Kk-chan: obrigada por digitar este! Mas eu tenho umas coisinhas a dizer: a Shunrei não é nada disso, ta? O Shiryu joga a bola masculinamente, sim! Ele nem olha para a cor, só faz pegar a que tiver, ok? E o Hyoga é meigo, sim! Beijos!
Sophie Asakura: O Hyoga e a Fleur tem mesmo uma torcida aqui, né? É mesmo muito ruim sentir isso, não devia acontecer com ninguém, mas "fazer o quê"? E não se preocupe, não serei tão malvada com eles! Rs Obrigada pela review e beijos!
