Cavaleiros Apaixonados 2
Por Mary Ogawara
Revisão e colaboração: Kk-chan
Anteriormente, em Cavaleiros Apaixonados 2...
- Eu adorei ter conhecido o orfanato, Ikki. – disse Pearl, sorrindo, de mãos dadas com o Cavaleiro.
- Quem bom. – disse ele, com um leve sorriso – Foi aí que Shun e eu vivemos até surgir a chance de sermos Cavaleiros.
- Ikki... – ela começou, tomando toda a coragem que tinha – Eu... Eu queria te confessar uma coisa muito importante.
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– E como está sendo morar com a Shunrei? A Hilda não está com raiva, não? - perguntou Seiya, de um jeito maroto.
- Elas duas parecem ser amigas. – Shiryu respondeu, calmo – A Hilda, pelo menos, não disse qualquer coisa sobre isso até agora. Será que isso é ruim?
- Não sei, mas acho que não. – respondeu Seiya, sem convicção – Mas e o que você está achando de tudo isso?
- Eu gosto dela, quero dizer, eu estou com a Hilda agora, mas a Shunrei sempre vai ser importante para mim.
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- Por que você sempre tem que pensar nela? Sempre... Sempre! – Hilda repetiu, desanimada
- Porque ela é importante pra mim. –Shiryu respondeu, calmo.
- Eu sei. – ela disse, com ironia na voz – Só que eu acho que nunca vou ser assim pra você, não é?
- Você já é... – disse ele, beijando-a no rosto logo em seguida
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- Eu nem sei se realmente o amo, na verdade... Eu só... Estou muito confusa, sabe?
- Eu entendo... Não deve estar sendo nada fácil para você... – disse Saori, preocupada – Mas você não deveria guardar isso só para si, é muito ruim...
- Eu sei, mas... Enquanto eu não me resolvo... Eu acho que não poderei continuar morando com ele, é estranho demais...
- Porque você não pergunta à Pearl se pode ficar com ela? O quarto da June está vazio. – sugeriu Saori.
Capítulo 14 – Alguma coisa sempre tem que acontecer...?
No sábado à tarde, de volta das provas de vestido e outras que tinha resolvido com suas amigas, Saori descansava na sala de estar da mansão. Seiya havia saído com seus amigos e ela aproveitava para assistir à maratona especial de sua série favorita quando a campainha da casa soou.
Achando que fosse seu noivo, a própria garota levantou-se do sofá e foi atender à porta. Qual não foi a sua surpresa quando percebeu que quem estava ali era...
- Julian! – ela reconheceu o rapaz alto e bonito, com longos cabelos azuis.
- Há quanto tempo, minha querida Saori. – disse o homem, com um sorriso, tomando a mão dela para beijá-la, como sempre fazia quando se encontravam.
- Tem razão. Entre. – convidou Saori, fazendo sinal para que ele entrasse na casa e a acompanhasse até a sala de estar.
Julian observava Saori enquanto a seguia. Ela estava usando uma calça jeans simples e uma blusa de mangas compridas cor de rosa. Estava bem menos "produzida" que qualquer outra das vezes em que já a havia visto – mas era espantoso o quanto sua beleza só parecia maior...
- E então? A que devo a sua visita? – perguntou Saori desligando a televisão e sentando-se em uma poltrona não muito distante do sofá onde estava Julian.
- Eu vim ao Japão a negócios, na verdade. Só vou ficar mais um dia, aqui, então aproveitei para lhe fazer uma visita. – respondeu ele, sorrindo educadamente, e logo continuou – Eu não poderia deixar de cumprimentá-la pelo seu casamento pessoalmente.
A voz de Saori pareceu sumir por um breve momento e ela esperou que ele não notasse o susto que levara. Não o havia convidado para seu casamento...!
Isso não significava um erro. Apesar de tudo, já haviam se passado anos desde a última vez que o vira – e não era como se algum dia tivessem sido amigos. Simplesmente não esperava que, depois de tudo o que acontecera entre eles – quase nada -, Julian seria capaz de se importar com seu casamento.
- Ah... Obrigada, Julian. Eu não...-
- Tudo bem, Saori. Eu entendo. – disse ele, como se adivinhasse seus pensamentos.
Saori parecia tão... Diferente. O brilho nos olhos da garota não era mais o mesmo: agora, além de encantadores, pareciam também imensamente felizes. Julian não pode evitar sentir um pouco de inveja de Seiya. Ou "um muito".
A verdade era que inda não havia esquecido Saori completamente, e duvidava que um dia isso pudesse acontecer...
Com aquela visita, esperava que isso se tornasse realidade. Esperava nunca mais sofrer por uma mulher que jamais o amara, vendo-a uma última vez.
- Eu lhe trouxe um presente, querida Saori. – disse ele, de repente, estendendo-lhe um pequeno e delicado embrulho – É simples para o que você merece, é verdade, mas espero que aceite como uma lembrança... – dizia ele, enquanto ela abria o presente.
Já deveria esperar que quando um homem como Julian diz que algo é simples...
- Muito obrigada, Julian. – disse ela, quando viu que era uma bela pulseira em ouro branco, cravejada de incontáveis brilhantes (de um ponto cada) – É linda.
- Não precisa agradecer, Saori. Já é um grande presente ver o quanto você está feliz. – disse ele, sorrindo gentilmente.
- Sim. – Saori também sorriu – Eu estou mesmo muito feliz.
Enquanto isso, June chegava apressada ao apartamento que um dia dividira com Pearl. A garota havia recebido uma ligação desesperada da amiga bem no momento em que terminava de preparar biscoitos cuja receita havia copiado do site de um programa matinal.
Preocupada e confusa, a garota tocou a campainha e não demorou até que fosse atendida.
- June! Que bom que você veio! – disse Pearl, abraçando a amiga, de repente.
A ex-amazona de Camaleão notou que parecia haver algo de muito errado com a garota, que chorava sem parar.
- Pearl... O que houve? – ela perguntou quando a outra já estava mais calma.
- O Ikki e eu... Nós terminamos tudo...!
"- Ikki, eu queria te dizer... Uma coisa muito importante.
- E o que é...?
- Eu te amo.
O Cavaleiro não soube o que dizer por um instante. Ela também o amava. Aquilo era tudo o que ele queria ouvir, mas, ao mesmo tempo...
Seu pulso acelerou rapidamente, mas uma sensação de frio foi pouco a pouco tomando conta do seu corpo. Era simplesmente muito difícil para ele dizer uma coisas dessas... Principalmente assim, "do nada".
- Obrigado. – disse ele, quando finalmente falou.
- Como...? – a garota pareceu não entender.
Pelo menos desejava não ter entendido...!
- Muito obrigado...? – ele arriscou, sentindo um enorme peso desabar sobre as suas costas.
Agora não tinha mais volta...
Os olhos de Pearl se encheram de lágrimas, enquanto ela voltava a falar:
- Eu... Eu não... Não pensei que fosse isso o que você iria dizer... – disse ela, sentindo-se envergonhada pelo que tinha dito.
- Me desculpe. – disse Ikki, tentando remediar a situação.
A garota levantou-se do banquinho onde os dois sentavam, sentindo que poderia cair a qualquer momento.
- Eu preciso... Eu não sei o que... – ela parecia ter uma dificuldade enorme para completar suas frases – Eu... É que peço desculpas. Eu não deveria esperar por... Bem, por qualquer coisa.
- Pearl, eu só não estou pronto para isso agora.
- Tudo bem, eu sou uma boba mesmo... Mas eu... Preciso de alguém que esteja. – disse ela, começando a se afastar dele, enquanto lágrimas grossas molhavam seu rosto.
- Então... É isso?
- Creio que sim..."
- Eu voltei pra casa... Foi quando eu te liguei... – disse Pearl, ainda chorosa, para a amiga – Desculpe se... Eu estiver atrapalhando, mas... Você é a minha melhor-amiga...
June sorriu apenas com os cantos dos lábios. Estava triste por ver a amiga naquele estado... E porque a massa dos biscoitos provavelmente já estava estragada àquela altura.
- Sabe... Eu não posso dizer com certeza... Mas eu acredito que o Ikki também ama você...
- Eu não sei... Não sei se ele me ama... Ou mesmo se eu deveria ter dito o que eu disse... – disse a garota, sentindo o rosto corar – Será que eu deveria ter esperado...?
- Hmm... Eu acho que é sempre bom ouvir de alguém que se é amado. Não acho que você tenha dito alguma coisa errada. – disse June, sorrindo meigamente pra tentar animar a amiga.
- Você... Acha mesmo? – Pearl pareceu um pouco melhor por ouvir aquilo.
- Acho sim. – confirmou June – Talvez ele só não estivesse pronto mesmo, você sabe como o Ikki é. E sabe o quanto ele sofreu pela Esmeralda. – continuou a garota, hesitando mentalmente quanto a falar sobre a garota por quem o namorado da amiga se apaixonara na Ilha da Rainha da Morte há alguns anos atrás.
- É... Talvez você tenha razão, mas... Mesmo assim... – Pearl parecia ameaçar começar a chorar novamente – Ele não pode agir desse jeito para sempre, porque se o fizer... Se o fizer, eu estarei perdendo o meu tempo.
- Perdendo o seu tempo?
- Eu não posso competir com uma lembrança, June... – disse Pearl, com um tom triste, porém sério na voz.
A caminho do apartamento de Shiryu, Hilda olhava no relógio, preocupada com a hora. Os dois haviam combinado de irem ao cinema juntos no início da noite.
A garota sorria ao passar pela recepção do prédio do garoto e deter-se em frente ao espelho. "Onde já se viu a namorada ter de ir buscar o namorado?", ela pensava, feliz, na brincadeira que diria quando ele lhe abrisse a porta.
Depois de um período um tanto "turbulento", o namoro dos dois parecia muito mais firme. Ela sabia, ao menos, que estava feliz como jamais pensou que seria novamente...
No apartamento do garoto, 12 andares acima, Shiryu saia de seu quarto já arrumado. Pontualidade era o seu lema (bem, exceto em casos especiais...). Foi então que encontrou Shunrei na sala de estar.
A garota, que parecia falar com alguém ao telefone, ganhou uma expressão de surpresa quando o viu. Os olhos do garoto percorreram o lugar e ele percebeu que ao lado do sofá estavam... As malas de Shunrei?
- O que está acontecendo, Shunrei? – ele perguntou, logo que ela desligou o telefone, sorrindo sem entender a situação.
- Eu... Estou indo para o apartamento da Pearl. – disse ela, tentando sorrir.
Seria melhor falar – quase – tudo de uma vez e logo estaria acabado.
- Ela me convidou pra dividir o apartamento agora que a June saiu, não é legal? – disse ela, caminhando na direção das malas.
- É, mas quando você planejava me contar isso? – perguntou o garoto, confuso.
- A-agora! – respondeu Shunrei, tentando fazer com que parecesse óbvio, mas gaguejando por causa do nervosismo.
A garota desviou tão rápido quanto pôde seus olhos dos dele e deu-lhe as costas para apanhar as malas.
- Shunrei, tem certeza de que o problema é esse...? – ele perguntou, desconfiado do jeito estranho da garota.
- O que mais poderia ser? – ela perguntou, deixando transparecer uma certa ironia na voz, arrependendo-se instantaneamente.
Por que ele não podia só ficar calado e tornar as coisas mais fáceis?
- Bom, eu já chamei o táxi e... –
- Shunrei, eu quero que você me diga o que está acontecendo, por favor! – disse ele, seguindo-a e segurando-a pelos ombros para que o encarasse, mas não antes que ela abrisse a porta do apartamento.
Shunrei levantou a cabeça para enfrentá-lo. Seu coração acelerava e ela não sabia mais o que pensar... Será que o amava mesmo? De qualquer forma, de uma coisa ela tinha certeza...
- Quem você pensa que estamos enganando, Shiryu? – perguntou a garota, esforçando-se ao máximo para não deixar que as lágrimas em seus olhos caíssem.
Como o garoto não respondesse, ela continuou, com raiva:
- Eu não sou sua irmã, eu sou sua ex-namorada! É assim que eu me sinto e talvez fosse para ser fácil, mas não é!
Shiryu não soube o que dizer. Então aquele tempo todo não era só ele que estava se sentindo incomodado com aquela situação?
- Shunrei, eu... – ele começou, olhando bem nos olhos dela.
Os rostos dos dois estavam mais próximos do que já haviam estado em um bom tempo...
- Shiryu...? – a atenção do garoto se desviou na direção de uma voz feminina que não era a de Shunrei.
Com a confusão, o garoto havia esquecido por um momento que sairia com a namorada naquela noite.
A garota tinha uma expressão triste no rosto, que o fez sentir mal pelo que estava fazendo – mesmo sem saber direito o quê.
- Hilda! – ele a chamou e a seguiu, entrando no elevador com ela.
- Eu não precisava me preocupar, não é? – a garota quase que gritou, sentindo lágrimas sobre o rosto, enquanto o elevador descia.
- E não precisa! – disse o Dragão, sem muita confiança na voz.
- Por favor, Shiryu! Você quer me fazer sentir mais idiota do que eu já estou me sentindo?
- Olha, aquilo não era o que você estava pensando! – ele tentava se explicar.
- Não era? – ela repetiu, sem acreditar – E por que será que eu teria motivos pra pensar o que você pensa que eu estou pensando?
- Como é...? – ele perguntou, confuso.
- Eu não... Não consigo acreditar nisso... – disse a garota, baixando o tom de voz, como se falasse consigo mesma.
- Hilda... isso foi um mal-entendido, só isso. – disse ele, aproximando-se da namorada, que parecia mais calma.
- Só isso...? – a garota perguntou, cabisbaixa, deixando-se envolver pelo abraço de Shiryu.
- Só. – o garoto respondeu, quase sorrindo.
- Então... – começou Hilda, quando a porta do elevador se abriu no térreo – Olhe bem pra mim, - começou ela, erguendo a cabeça – e diga que não sente mais nada por ela... Diga que ela é sua irmã...
O Cavaleiro olhou para a garota, mas permaneceu em silêncio.
Hilda sorriu, contrariada, enquanto balançava a cabeça.
- Eu sabia... – disse ela, dando as costas para o garoto, ao mesmo tempo em que a porta do elevador se fechava, separando-os.
De volta ao 12° andar, Shunrei também já não estava mais em casa.
Palavras da autora:
Olá, pessoal.
Desculpem a demora, mais uma vez. Estive pensando em parar de escrever - não a fic, mas parar mesmo. Não parei - e, na verdade, acho que nunca quis realmente.
Obrigada pelas reviews até agora e obrigada a quem esperou para ler.
Beijos.
Mary-san Ogawara
