Cavaleiros Apaixonados 2

Por Mary Ogawara


Anteriormente, em Cavaleiros Apaixonados 2...

Achando que fosse seu noivo,Saori levantou-se do sofá e foi atender à porta. Qual não foi a sua surpresa quando percebeu que quem estava ali era...

- Julian! – ela reconheceu o rapaz alto e bonito, com longos cabelos azuis.

- Há quanto tempo, minha querida Saori. – disse o homem, com um sorriso, tomando a mão dela para beijá-la, como sempre fazia quando se encontravam.

- Eu lhe trouxe um presente, querida Saori. – disse ele, de repente, estendendo-lhe um pequeno e delicado embrulho – É simples para o que você merece, é verdade, mas espero que aceite como uma lembrança... – dizia ele, enquanto ela abria o presente.


Capítulo 15 – As Despedidas de solteiro – parte I

Os dias pareciam estar se passando numa velocidade maior que a normal: faltavam apenas dois dias para o casamento de Seiya e Saori. Por essa razão, o casal – principalmente Saori – andava bastante ocupado.

Hilda e Shiryu não haviam voltado a se falar desde o dia em que Shunrei deixara o apartamento do garoto. A garota agia da mesma forma que a sua irmã quando esta também brigara com o namorado; praticamente recusara-se a sair de casa desde a briga dos dois – especialmente para encontrar os amigos -, enquanto Shiryu continuava em contato com seus amigos, embora não tão freqüentemente quanto o usual.

Shunrei agora ocupava o quarto que um dia fora de June no apartamento de Pearl, e a nova companhia pareceu fazer bem a ambas. As duas agora, além de encontrar as amigas de vez em quando, dedicavam suas noites a rir com seriados sobre mulheres solteiras e felizes na cidade e comer os doces que a namorada de Shun trazia para animá-las.

Ikki também não havia se manifestado a respeito do fim do namoro com Pearl. Bem ao seu estilo, o garoto continuava reunindo-se com os amigos quando organizavam alguma coisa, agindo como se nada demais tivesse acontecido. Contudo, as piadas dos outros não pareciam empolgá-lo como antes e já tinham se passado dias desde a última vez que propusera uma aposta engraçada.

Com a proximidade do casamento, e, portanto, da sua viagem de lua-de-mel, Saori e Seiya ficariam afastados da Fundação Graad. Por causa disso, os dois aproveitaram a manhã para deixar tudo em ordem e instruir os funcionários sobre o que fazer durante sua ausência, antes de almoçarem juntos em casa. Ficariam separados à tarde, pois os amigos haviam organizado Despedidas de solteiro para cada um.

O relógio marcava quase três da tarde quando Saori saiu do banho, coberta por um roupão em que já estavam gravadas as iniciais "SO" em cor-de-rosa. A garota usava um secador para enxugar mais rapidamente seu longo cabelo lilás quando Seiya, já pronto para sair, apareceu no banheiro, para se despedir.

Saori sorriu ao vê-lo surgir através do espelho, mas não entendeu o elogio que o noivo lhe fez por causa do barulho do secador.

"Mulheres", pensou ele, com um sorriso, observando a quantidade de maquiagem e jóias em geral que a garota tinha colocado sobre os armários do lugar, indecisa sobre o que usar. Será que não sabia que não precisava de tudo aquilo para encantar os outros com a sua beleza? Foi então que seus olhos se detiveram em uma pulseira muito bonita, ainda em uma caixinha de presente.

- Presente antecipado? – ela o ouviu perguntar quando desligou o aparelho.

E mais uma vez Julian fora, mesmo indiretamente, motivo para um susto. Só naquele instante a garota lembrou-se de que não dissera nada a Seiya sobre a visita (e o presente) do herdeiro.

- Sim... – ela respondeu, com hesitação – Seiya, não fique zangado, mas é que eu tinha esquecido de contar...

- Por que eu ficaria zangado? – ele perguntou, sorrindo.

- Bem... Foi o Julian que me deu esse presente.

Seiya demorou um pouco antes de falar alguma coisa e quando falou, já não havia mais tanta alegria na sua voz.

- Julian Solo? – ele perguntou, lembrando-se do homem que sabia ser apaixonado por Saori desde que a conhecera – Ele esteve aqui?

- No sábado. – começou Saori, sem perceber o quanto aquilo parecia mexer com o noivo – Ele disse que estava aqui a negócios e não ficou por muito tempo. Disse que só queria me cumprimentar pelo casamento, nada de mais... Você sabe como ele é. – ela acrescentou, fazendo um gesto que indicava loucura, mas o garoto não percebeu a brincadeira.

"Sei como ele é!", pensou o garoto, com ironia. Para ele, a idolatria do homem por Saori não era nada engraçada.

Seiya balançou a cabeça positivamente, fitando a jóia. Não que não confiasse em Saori, mas ela não deveria dar tanta liberdade a um a alguém assim...

Que tipo de homem daria um presente desses a uma mulher praticamente casada? Ainda mais depois de tantos anos sem dar notícias – e ainda mais porque nada acontecera entre Julian e ela, apesar da tentativa frustrada dele de se casar com a garota? Que ele fosse obcecado por ela em outro lugar!

- De ter sido muito cara. – disse ele, como que tirando uma conclusão – Não é muito dinheiro para se gastar em um presente para a noiva de outro homem?

- Eu já disse que não significou nada. – começou Saori, assustada com o jeito do garoto – E com certeza não foi mesmo nada de mais para ele. Aonde você quer chegar com isso...?

- Em lugar algum. – ele respondeu, já deixando transparecer um pouco da sua raiva – Só acho que talvez você não devesse ter aceitado esse presente, se não significou nada.

- Seiya! – a garota o repreendeu – Eu não poderia fazer isso, mesmo com alguém como o Julian.

- É, mas eu só acho estranho esse cara aparecer do nada para visitar a minha noiva, só isso! – disse ele, mais zangado ainda – Você deveria parar de ser tão gentil com quem não merece!

- Seiya! – disse Saori, quase não acreditando que estavam tendo aquela briga dias antes de seu casamento.

Será mesmo que Seiya ainda...

- Seiya, você está com ciúmes? – ela perguntou, quando ele já começava a se afastar em direção à porta do quarto – Seiya, por favor... Não vamos brigar por isso...! – disse Saori, seguindo-o, nervosa.

- Não... Não vamos falar sobre isso agora, está bem? – ele hesitou, mas voltou a falar com um tom forte – Aproveite a sua festa...! – disse o cavaleiro, pouco antes de deixar o quarto do casal.

Quando Fleur, june e Pearl chegaram – Shunrei e Hilda preferiram não "correr o risco" de se encontrarem enquanto pudessem -, Saori ainda estava pensativa e preocupada.

Imaginava se deveria mesmo não ter aceitado o presente de Julian. Se aquela seria a atitude certa. Por que Seiya tinha de ser tão ciumento...? Será que ela realmente lhe dera razão para isso?

A garota não teve coragem de contar às amigas sobre a confusão com o noivo. Fleur havia reatado com Hyoga ainda muito recentemente, e Pearl terminara seu namoro com Ikki apenas dias atrás. Elas simplesmente não mereciam se preocupar com mais um problema – ainda mais alheio.

- E então? – disse Fleur, colocando um cd para tocar – Nós vamos nos divertir ou o quê?

- Claro que vamos...! – disse Saori, forçando um sorriso.

Enquanto isso, Seiya encontrava com seus colegas no shopping dando graças a Zeus por não terem combinado nada muito extravagante, pois não estava com humor para isso.

Shiryu, Hyoga, Ikki, Shun e o garoto estavam cada um com sua caneca de chope, reunidos em um bar que, apesar de grande, parecia pequeno para comportar todos os torcedores que ali estavam – a maioria com a camisa da seleção Japonesa -, que tinham ido assistir as eliminatórias da Copa do Mundo.

O assunto da conversa entre os cinco – ou talvez três -, no entanto, estava bem distante do jogo naquele momento. Enquanto Hyoga e Shun pensavam em como aquela era uma despedida de solteiro totalmente diferente do usual, Seiya, e, principalmente, Shiryu e Ikki, se dedicavam a reclamar das mulheres. Era a filosofia do "rindo para não chorar" posta em prática...

- Mulheres!

- Ruim sem elas, pior sem elas!

- Pode apostar!

E os três brindavam e bebiam um pouco mais.

- Eu não gosto muito daquela idealização de despedida de solteiro com mulheres dançando e gente bebendo, mas isso aqui... – Shun cochichou para Hyoga.

- Eu sei, ta o "ó" do borogodó! – concordou Hyoga, fazendo o amigo sorrir.

- Como será que estão as garotas?

- Melhor de que a gente, eu espero! – respondeu o Cisne, indignado.

Na mansão, as garotas conversavam enquanto ouviam música, comiam alguns aperitivos e bebiam – Fleur e Pearl, somente. As duas garotas não paravam de rir e já começavam a dançar – mesmo estando em busca de diversão por motivos tão diferentes e opostos.

- Meu Deus... – disse June, sentando-se ao lado de Saori, que descansava um pouco no sofá, com um copo de refrigerante – Elas estão loucas!

Saori sorriu.

- É, mas parece que estão se divertindo bastante, não é? – disse a garota, com o olhar perdido.

Já haviam se passado horas desde e a briga e Seiya não ligara...

- Saori, está tudo bem com você? – perguntou a loira, percebendo que a amiga parecia um pouco distante.

- Não é nada. – ela respondeu, tentando parecer convincente, mas sentindo o rosto corar – Não precisa se preocupar...

DING! DONG!

- Hmm... Quem será? – Saori se perguntou, ao ouvir o som da campainha, esperando já saber a resposta...

- GOL!

Os gritos ecoaram por todo o lugar quando a seleção japonesa abriu o placar contra a Coréia quase no final do segundo tempo do jogo.

- Esse Tsubasa é mesmo demais!

- Com ele nós temos mesmo chance de chegar à Copa do Mundo!

- E com a ajuda do Wakabayashi também!

- Pois é, pois é! – Shun interrompeu a conversa de Seiya, Ikki e Shiryu – Mas vocês não acham que já está na hora de encerrar por hoje?

- Encerrar? Ainda nem começamos a comemorar! – disse Seiya, fazendo a melhor cara de inocente que pôde.

- Pois eu acho que vocês já "comemoraram" demais! – disse Shun, sorrindo mesmo sem querer.

- E, mesmo assim, - começou Hyoga – ninguém está interessado em saber que tipo de festa as meninas armaram pra elas?

Shiryu e Ikki se entreolharam, com ares de "nem pensar", enquanto Seiya se sentiu balançado pela idéia. Não tinha falado com Saori até então... Precisava resolver aquela história de uma vez.


Palavras da autora:

Olá, pessoal.

Esatava muito animada e feliz nesse início de ano, mas parece que o título do capítulo anterior bem que viri a calhar agora... Alguma coisa sempre tem que acontecer, né?

Meu celular foi roubado, pela manhã, num dosshoppings da minha cidade- local que até então eu considerara seguro. Por causa disso, fiquei muito desanimada, espero que vocês me perdoem pela demora (preciso de reviews agora, estou carente, gente... rs).

O capítulo do casamento já começou a ser escrito, e, se Zeus quiser, será publicado em breve... A fic terá um total de 20 capítulos - até que enfim cheguei a um número seguro -, sendo 19 parte da história "normal" e um, o vigésimo, maior que os outros e mais especial; como uma one-shot de continuação, eu acho. Espero que gostem tanto quanto eu.

Beijos!

Mary-san Ogawara