Cavaleiros Apaixonados 2

Por Mary Ogawara


Anteriormente, em Cavaleiros Apaixonados 2...

Achando que fosse seu noivo,Saori levantou-se do sofá e foi atender à porta. Qual não foi a sua surpresa quando percebeu que quem estava ali era...

- Julian! – ela reconheceu o rapaz alto e bonito, com longos cabelos azuis.

- Há quanto tempo, minha querida Saori. – disse o homem, com um sorriso, tomando a mão dela para beijá-la, como sempre fazia quando se encontravam.

- Eu lhe trouxe um presente, querida Saori. – disse ele, de repente, estendendo-lhe um pequeno e delicado embrulho – É simples para o que você merece, é verdade, mas espero que aceite como uma lembrança... – dizia ele, enquanto ela abria o presente.

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- Presente antecipado? - perguntou Seiya, fitando uma pulseira muito bonita, ainda dentro de um embrulho.

- Sim... – ela respondeu, com hesitação – Seiya, não fique zangado, mas é que eu tinha esquecido de contar...

- Por que eu ficaria zangado? – ele perguntou, sorrindo.

- Bem... Foi o Julian que me deu esse presente.

- Eu só acho estranho esse cara aparecer do nada para visitar a minha noiva, só isso! – disse ele, mais zangado ainda – Você deveria parar de ser tão gentil com quem não merece!

- Seiya, você está com ciúmes? – ela perguntou, quando ele já começava a se afastar em direção à porta do quarto – Seiya, por favor... Não vamos brigar por isso...! – disse Saori, seguindo-o, nervosa.

- Não... Não vamos falar sobre isso agora, está bem? – ele hesitou, mas voltou a falar com um tom forte – Aproveite a sua festa...! – disse o cavaleiro, pouco antes de deixar o quarto do casal.


Capítulo 16 – As despedidas de solteiro, parte II

DING! DONG!

- Humm... Quem será? – Saori se perguntou ao ouvir a campainha da mansão.

- Pode deixar que eu atendo! – disse Fleur, passando pela garota, que já tinha se levantando do sofá onde sentava.

Saori voltou a sentar-se, com o coração ligeiramente acelerado. Por que Seiya tinha de ser tão teimoso...? Será que ele não via que o fato de a garota ter esquecido o presente era mais uma prova de que a visita de Julian não fora algo importante?

- E então, Saori? – perguntou June, depois de ouvir a garota confessar finalmente que tivera um desentendimento com o noivo.

- Eu não sei... Estou com tanto medo, June... – respondeu ela, desanimada, embora ainda sorrindo.

- Vai dar tudo certo, você vai ver. – disse a outra, com uma certeza que pareceu acalmá-la – O amor de você já superou coisas muito mais complicadas que uma briga boba, não é?

Saori sorriu, desta vez sinceramente, para a amiga. Talvez ela tivesse mesmo razão, afinal, muita coisa havia acontecido para separá-los mesmo antes do início do namoro.

- Obrigada pelo apoio, June... – agradeceu a garota – Eu sei que...-

- AH! POR ODIN! – Fleur voltou gritando, de repente, ainda mais escandalosa que anteriormente.

O rosto da garota estava completamente vermelho e era difícil saber se ela ria ou chorava.

- O que foi? – perguntou June, preocupada.

- Aconteceu alguma coisa? – Saori levantou-se, de repente.

Não houve necessidade de resposta, porém.

Um homem muito bonito, alto e musculoso entrou na sala, vestindo um uniforme e um capacete de um amarelo muito intenso, com detalhes em laranja de um material fosforescente e um logotipo do Corpo de Bombeiros, invadiu a sala.

O que estava acontecendo, afinal...?

- É daqui que estão precisando que eu apague fogo, senhoritas? – perguntou o "bombeiro", com um sorriso mais que malicioso, ao mesmo tempo em que apertava o botão play de um aparelho de som que tinha trazido.

O aparelho começou a tocar uma animada música típica das discotecas dos anos 70 e, com um pulo, o homem subiu em cima da mesinha de centro da sala de estar – que Fleur havia esvaziado momentos antes, com uma desculpa qualquer.

A garota de olhos verdes e Pearl começaram a gritar como se tivessem enlouquecido, enquanto o suposto bombeiro começou a dançar uma coreografia previamente ensaiada, sorrindo, piscando o olho várias vezes e mandando beijos para a sua "platéia".

- Não acredito nisso...! – disse Saori, sorrindo sem parar ao mesmo tempo em que tentava esconder seu rosto ruborizado com uma almofada.

June, também muito envergonhada, tentou chamar a atenção de Fleur, sem sucesso:

- Você... Você contratou um stripper!

"Você pode deixar o seu chapéu aí!", cantavam em coro Fleur, Pearl e o stripper.

- Nem sei o que dizer...! – disse Saori, quase sem fôlego de tanto rir, quando seu olhar encontrou o de June, que mantinha as mãos sobre o rosto, como se quisesse apoiar o seu queixo.

- Acho que a Fleur anda muito animada desde que ficou noiva! – disse a garota, também entre risadas.

Com a almofada fofinha cobrindo seu rosto, Saori levou um susto quando o stripper arremessou o casaco que acabara de tirar aos seus pés, mas depois voltou a sorrir tanto que não foi difícil para Fleur arrancar a almofada de suas mãos.

- Vem, Saori, vamos, ic, dançar também! – convidou a amiga, quando outra música famosa começou a tocar e o stripper pôs a mão na cintura, requebrando enquanto apontava para cima.

"Você pode dizer pelo jeito que ando que eu sou um mulherengo...!".

Saori olhou para o lado e notou que Pearl também puxara June para que dançassem aquela coreografia tão famosa. As garotas sorriam tanto... Saori sentiu vontade de se divertir assim também, afinal, era sua despedida de solteira, não era?

- Viu só, ic... É muito fácil! – disse Fleur, piscando o olho para a amiga – mas quase caindo no sofá de tanta "animação".

As quatro garotas dançavam juntas, tentando acompanhar todos os passos do stripper, que agora atirava a camiseta que usava no chão. A briga com Seiya parecia ser a última coisa na mente se Saori...

Naquele instante, entretanto, depois de deixarem Ikki e Shiryu em seus apartamentos, Seiya, Hyoga e Shun chegavam à porta da mansão.

Quando o primeiro girou a chave e abriu a porta, todos puderam ouvir o som de muitas risadas, gritos e uma música que tocava muito alta.

"Eu sou só uma máquina de amor, yeah, baby!"

- O que está acontecendo? – Seiya perguntou mais para si mesmo que para os amigos, enquanto os três corriam na direção da algazarra.

Ao chegarem na sala de estar, onde as garotas dançavam, os três pareceram tão surpresos quanto elas ao perceberem quem havia chegado.

- Saori!

- Seiya!

- Fleur!

- Hyo-ic-Hyoga!

- June!

- Shun!

As garotas ficaram com os rostos mais vermelhos ainda. Os garotos não pareciam se decidir entre rir ou ficarem muito zangados. Sim, parecia inacreditável, mas aquilo estava mesmo acontecendo!

E não foi apenas o grupo de amigos que assustou-se tanto: o stripper – que já estava sem o casaco, a camisa, as luvas e as botas, havia parado de dançar, descido da mesa e começado a juntar suas coisas para sair dali o mais rápido possível! (era quase como se pudesse sentir a agressividade crescente do cosmo dos Cavaleiros!).

Seiya, Hyoga e Shun aproximaram-se das suas respectivas namoradas – foi quando Pearl tentou fugir do "sermão" que imaginara que viria a seguir sem ser notada, mas...

- Você aí! Pode parar! – disse Shun, fazendo com que a garota – e o stripper – parassem no meio do caminho para o hall de entrada da casa com o tom sério da sua voz.

- E-eu...? – perguntou o homem, com uma expressão de terror e tão desesperado que tentava calçar uma luva.

Shun teve de se controlar com todas as forças que tinha para não gargalhar diante daquela cena.

- Não, você pode ir!- disse ele, enquanto Pearl sorria, sem graça.

- Pode deixar que a June e eu te levaremos para casa, Pearl. – o garoto falou, já com o seu tom cortês habitual.

June sorriu.

- Isso quer dizer... Quer dizer que você não está zangado? – ela perguntou, com o rosto ainda mais vermelho.

- Não, não estou. – ele sorriu carinhosamente, e continuou, desta vez num cochicho – Depois eu conto como foi "maravilhosa" despedida de solteiro do Seiya... Até mais, pessoal! – disse ele, despedindo-se de todos.

- Fleur! O que você tem? – Hyoga perguntou, confuso.

A garota andava até ele, tropeçando nos próprios pés, com uma expressão de culpa e lágrimas nos olhos.

- Acho que ela exagerou... – disse Saori para o noivo, na esperança de que tudo estivesse bem, mas ele não sorriu.

Quase imediatamente depois de ter brigado com a noiva, Seiya se arrependeu do que tinha feito. O fato de tê-la encontrado naquela situação não o irritara, pois sabia, sim, a grande verdade era que sabia que Saori jamais seria capaz de machucá-lo – e se sentia idiota e envergonhado por ter insinuado isso.

- Hyoga, meu patinho... – Fleur começou, caindo (literalmente) nos braços do amado – Desculpe, foi idéia minha...

- Idéia sua...? – o Cisne pareceu se surpreender ainda mais.

Já sabia que a noiva "não tinha jeito", mas não pensou que fosse tanto assim...!

- Ah... Eu só queria aproveitar para... Comemorar o nosso noivado, mas... Se você... Se você... – dizia ela, chorando.

- Não tem problema, amor... – disse o garoto, sorrindo, mas sentindo, de repente, o peso do corpo da garota cair totalmente sobre si – Fleur...? Fleur!

- Acho que ela adormeceu... – disse Saori, que tinha ido ao socorro da amiga.

- É melhor eu levá-la para casa, então. Até logo, gente! – disse o garoto, pegando-a nos braços e caminhando na direção da porta da casa.

- Tchau! – disse Seiya, abrindo a porta para o amigo.

Depois de ajudar Hyoga a colocar Fleur sentada no banco do carona de seu carro, Seiya voltou até a sala de estar da mansão, aonde Saori tentava arrumar bagunça que fizera com as amigas.

A garota tinha o semblante triste enquanto juntava alguns copos de plástico coloridos deixados no chão, mas, ainda assim, estava linda. Seiya aproximou-se dela e tocou o seu ombro, como que para fazê-la parar.

- Deixa isso aí por enquanto. – disse ele, sério.

- Pode deixar. – disse ela, sem virar-se para encará-lo.

Seria mesmo possível que ele estivesse tão zangado...? Saori sentia seu coração acelerar ainda mais naquele instante. O que será que ele queria lhe dizer...?

- Saori, por favor... –

- Eu já disse que pode deixar que eu faço isso! – disse ela, subindo o tom de voz, subitamente, devido ao seu nervosismo.

A garota voltou-se na direção dele, sentindo seu corpo todo tremer. Só então se dera conta do quanto havia sido grosseira, mas já não poderia mais se controlar:

- Por favor, diga logo o que você veio dizer! Diga se não quer mais se casar comigo! – disse ela, enquanto algumas lágrimas caíam sobre o seu rosto delicado.

Seiya sentiu seu coração apertado. Como pôde ter sido tão estúpido brigando com a noiva daquele jeito? Fazendo-a acreditar que talvez não quisesse mais se casar com ela?

- Saori, não é nada disso! – disse ele, segurando-a pelos ombros.

- Eu sei que eu não deveria ter aceitado o presente! Não deveria ter esquecido de contar sobre a visita do Julian para você! – continuava ela – Desculpe eu ser tão idiota...!

Eram tantas as coisas na sua mente agora... Tantas as preocupações... Seiya a abraçou de repente, com um peso grande na consciência.

Deveria saber que depois de tudo o que acontecera desde que ficaram juntos, depois de suas vidas terem mudado tanto, e, principalmente, naquele momento em que tudo deveria estar tão bem, a última coisa que Saori merecia seria mais uma briga...

- Saori... -

- Me perdoe, Seiya... – ela o interrompeu com seu pedido.

- Eu é que tenho de pedir perdão, Saori. – disse ele, acariciando o rosto da garota com uma das mãos para que ela parasse de chorar.

- Não, Seiya... Eu é que deveria prestar mais atenção nas coisas e... Talvez, - ela falava, enquanto erguia a cabeça para olhar para ele – não confiar tanto nas pessoas... Eu não deveria ter recebido o Julian, não é?

Seiya sorriu um dos seus sorrisos cheios de ternura, que só ela conhecia, mas que a deixou confusa. Ele não estava com raiva...?

- Não, Saori, não faça isso. Não seria você. – disse ele, fazendo-a sorrir – Você é maravilhosa do jeito que é e foi por isso que eu me apaixonei por você... Eu é que tenho que deixar de ser tão bobo e teimoso...

- E ciumento... – Saori acrescentou, de brincadeira, fazendo o sorrir.

- Talvez um pouco... – disse ele, envergonhado.

- É sim, mas... Isso faz parte da pessoa que você é também... E foi por essa pessoa que eu me apaixonei, não é...? – disse ela, com doçura.

Os dois voltaram a se abraçar, sorrindo bastante e ficando assim por um longo tempo. Estavam muito felizes por terem resolvido toda aquela confusão.

Sim, o amor deles já tinha superado coisas piores. E os dois acreditavam que esse era o tipo de amor que superaria tudo.


Palavras da autora:

Olá, pessoal!

Desta vez estou muito mais animada e feliz e isso, claro, se deve também a vocês que estão acompanhando esta fic. Fiquei muito contente em ver que sim, ainda há pessoas lendo a minha fic! Rs Me sinto cada vez mais incentivada e motivada a terminar - já estou no 19° capítulo - esta fic com muito carinho!

Este foi provavelmente o capítulo mais engraçado da fic, ou pelo menos o capítulo em que me senti mais livre para expressara minha veia (tosca) cômica. Espero que tenha agradado. Foi mais como uma brincadeira de despedida, pois, apesar de ainda faltarem 4 capítulos, Cavaleiros Apaixonados 2 entra, finalmente, na sua reta final.

Muitos beijos e até o próximo capítulo!

Mary-san Ogawara