Cavaleiros Apaixonados 2
Por Mary Ogawara
Anteriormente, em Cavaleiros Apaixonados...
- Shunrei... me perdoe, mas não podemos continuar assim...
- Eu te amo, Shiryu...
- Eu também te amo... Minha irmã...
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- Eu estou apaixonado por você, Hilda.
- Eu também estou apaixonada por você, Shiryu...
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- Shunrei, eu quero que você me diga o que está acontecendo, por favor!
- Quem você pensa que estamos enganando, Shiryu? Eu não sou sua irmã, eu sou sua ex-namorada!
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- Olhe bem pra mim, e diga que não sente mais nada por ela... Diga que ela é sua irmã...
O Cavaleiro olhou para a garota, mas permaneceu em silêncio.
Hilda sorriu, contrariada, enquanto balançava a cabeça.
- Eu sabia...
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- Ikki, eu queria te dizer... Uma coisa muito importante.
- E o que é...?
- Eu te amo.
Sem pensar direito, o garoto acabou respondendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
- Obrigado.
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- Hyoga! -a garota riu da piada do namorado, mas logo notou uma expressão diferente nele -O que foi...?
- Eu queria te fazer um pedido, Fleur...
Capítulo 18 – O que eu sinto por você
- Que bom, Saori! Fico muito feliz de saber disso, viu como eu falei que ia dar tudo certo? – dizia June, ao telefone – Tá certo, mas não esqueça de descansar! Até amanhã!
Após desligar o celular, a garota virou-se para Shun, que já começava a tomar o seu café da manhã, sentado à mesa, enquanto testava uma nova receita de geléia em algumas torradas.
- Era a Saori. – disse a garota, sorridente – Ligou para dizer que eu não precisava me preocupar porque deu tudo certo com o Seiya. – ela acrescentou, enquanto enchia sua xícara de café.
O namorado sorriu.
- Ainda bem, então. – disse ele, entregando-lhe uma torrada com a "nova" geléia de morango – O Seiya pode ser meio cabeça-dura às vezes.
- É verdade! Parece que só a Saori consegue deixá-lo quieto! – ela concordou, com um sorriso meigo, ao mesmo tempo em que enchia também a xícara do garoto – Você já arrumou o terno para amanhã? – ela perguntou, lembrando-se da "lista mental" de afazeres que tinha feito.
- Sim, está tudo certo. – disse ele, recebendo a xícara e entregando de volta outra torrada, desta vez com pasta de amendoim. June parecia uma formiga quando o assunto era doce... – E o seu vestido, amor?
- Só falta pegar na lavanderia. Vai estar pronto ainda hoje. – respondeu a garota, juntando as torradas – Pode deixar que eu pego quando estiver voltando do supermercado; hoje chegam as laranjas brasileiras! – ela acrescentou, animada.
- Nesse caso, você não gostaria que eu fosse junto para te ajudar, amor? – perguntou ele, gentil.
- Obrigada, Shun! Eu quero sim. – ela agradeceu, enquanto se levantava da mesa – Vou pegar o leite para o seu café. – ela anunciou, caminhando na direção da cozinha.
O Andrômeda sorriu sozinho. O que tinha acabado de acontecer... Será que ela também percebera?
- Hã? –Ikki acordou de repente, com o coração acelerado.
O despertador tocava sem para, e o garoto, ainda atordoado pelo pesadelo que rapidamente parecia se tornar uma lembrança cada vez mais nebulosa, esticou o braço para desligar o rádio-relógio.
- Hum... – o garoto esfregou seus olhos a caminho do banheiro, para escovar os dentes e tomar um banho.
De frente para si mesmo, no espelho, ele ainda não conseguia parar de pensar na situação assustadora com a qual sonhara.
Por um momento, o garoto pensou ter perdido mais uma pessoa inestimável na sua vida. Por um momento, Ikki acreditou ter perdido para sempre a mulher que amava...
- Que idiotice... – ele resmungou, com a escova de dente na boca, desconhecendo a si mesmo por temer um simples sonho.
A mulher que amava... Por que admitia aquela verdade para si mesmo com a naturalidade que não tinha na hora de confessar seus sentimentos a ela...?
Shiryu respirou fundo antes de tocar a campainha do apartamento. Será que ainda era muito cedo? Não, não era costume dela dormir muito pela manhã, afinal de contas. Eram até parecidos quando se tratava de opinião a respeito de alguns valores, não?
Ela demorava a atender a porta. O que será que lhe diria? O garoto sentia seu coração ser invadido por... Medo? Era algo que sentia tão raramente que parecia ter o poder de deixá-lo ainda mais nervoso do que já estava. Mas estava decidido. Ou melhor, já havia se dado conta do que seu coração sentia de verdade.
Ao mesmo tempo em que fazia um grande esforço apenas para continuar respirando, o Cavaleiro sorria. Pensar nela sempre o fazia sorrir. No sorriso doce e na voz dela, no seu jeito tão delicado.
O garoto ouviu a chave girar na fechadura e respirou fundo uma última vez. Reuniu toda a coragem que tinha naquela hora. Era chegada a hora de dizer o que realmente sentia por ela...
- Shiryu! – disse a garota, cujos olhos estavam um pouco vermelhos e o rosto inchado, denunciando que chorara recentemente.
- Oi. – disse ele, sentindo-se péssimo por ver o quanto a tinha feito sofrer.
- Olá. – disse ela, abaixando a cabeça, desanimada.
- Podemos conversar? – perguntou o Dragão, depois de alguns segundos de um silêncio insuportável.
- O que você quer, Shiryu? – perguntou a garota, erguendo a cabeça, para encará-lo. Por mais que o amasse, tinha de ser forte. – Você já se decidiu? – ela continuou, com um tom de ironia na voz.
- Eu pensei bem – começou ele, sério – e percebi que, apesar de ser uma decisão, não seria fácil, nem questão de lógica, raciocínio ou o que fosse...
- Não me diga! Eu não sou um produto que você pode simplesmente –
- Eu percebi que para "decidir", eu teria de usar o meu coração para descobrir o que eu sinto por você. – disse ele, interrompendo-a com uma expressão confiante que a assustou.
Agora. As próximas palavras de Shiryu iriam, inevitavelmente, mudar a sua vida para sempre.
- Eu amo você. – disse o garoto, finalmente – Eu amo você e quero ficar com você. Agora eu sei disso.
A garota estava sem palavras. Estava preparada para o pior... E ali estava o homem que ela amava tanto dizendo que sentia a mesma coisa por ela. Uma luz pareceu aquecer o seu coração, ao mesmo tempo em que as lágrimas embaçaram a sua visão.
- Eu sei que fui um idiota. – Shiryu continuava a falar, perguntando-se se aquelas lágrimas eram de alegria ou tristeza – Eu sei que te machuquei bastante, mas... Eu queria muito que você me aceitasse de volta.
- Shiryu... Eu também... Também te amo. – disse a garota, entre soluços – Eu também quero ficar com você... – ela continuou, abraçando-o.
Os dois sorriram. Como aquele abraço os fazia sentir tão bem... Shiryu a beijou nos lábios, na face, na testa, enquanto a amada o puxava para dentro do apartamento vazio. Quem diria que o amor poderia ser um sentimento tão arrebatador?
Mas a porta fechada atrás do casal não demorou a ser aberta novamente.
- Shiryu? Minha irmã? – admirou-se Fleur, que chegava no apartamento que dividia com a irmã acompanhada de Hyoga.
- Fleur! – disse Hilda, com o rosto vermelho, enquanto ela e Shiryu, também desconcertado, arrumavam em vão seus cabelos – O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, tentando pensar em uma boa desculpa, por causa da timidez, para o "ex-ex-namorado" estar ali.
- Bom, até aonde eu sei, esta ainda é a minha casa, não é? – disse Fleur, com um tom de voz divertido que os deixava ainda mais encabulados, mas logo parecendo um pouco envergonhada também – Quero dizer, talvez não seja mais...
- Como assim? – Hilda perguntou, sem entender.
- Eu pedi à Fleur que morasse comigo e nós queríamos a sua aprovação. – intrometeu-se Hyoga, segurando a mão da noiva.
- A sua opinião significa muito para nós, minha irmã. – disse Fleur, com o rosto corado.
Hilda pareceu esquecer por um momento a sua situação, para abraçar a irmã e o cunhado, emocionada.
- Eu acho maravilhoso! – disse ela, sorrindo – Fico muito feliz por vocês e claro que eu concordo, é natural, já que vocês vão se casar, não é?
- Obrigada Hilda... – Fleur sorriu.
- Obrigado. – agradeceu o Cisne, logo se voltando para Shiryu – E você, Shiryu? Tem alguma coisa para nos contar?
- Eu... Eu –
- Ele veio... Consertar o telefone! – Hilda o interrompeu, nervosa – e involuntariamente fazendo com que todos rissem.
- Que bom que sempre que o telefone resolve quebrar nós temos você por perto, Shiryu! – disse Fleur, entre risos.
Horas mais tarde, um belo pôr do sol era cenário para Seiya e Saori, que caminhavam abraçados por uma alameda qualquer da cidade de Tóquio, bem ao lado de um parque arborizado onde algumas pessoas descansavam e crianças corriam felizes.
Estavam aproveitando aquele fim de tarde, após acertarem mais alguns detalhes do casamento, para relaxarem, passeando como qualquer casal apaixonado. A felicidade e o carinho que tinham um com o outro chegava a atrair a atenção de algumas pessoas.
Parando para descansar em um banquinho, Seiya pôs o braço em volta da garota, que sorriu, lembrando-se da época em que os dois nem ao menos sentariam tão próximos, acanhados.
- O que é isso...? – Seiya perguntou, quando Saori tirou da bolsa um pequeno embrulho, com uma fita vermelha.
- É o seu presente de aniversário... – disse ela, sorrindo carinhosamente – Achou que eu esqueceria? – ela perguntou, divertida.
Seiya sorriu e agradeceu, ao mesmo tempo em que abria o presente com a empolgação de uma criança. Era uma corrente, com um pingente em formato de plaquinha dourada. De um lado estavam escritas as palavras "Para sempre", e do outro, estavam gravados os nomes "Seiya", "Saori" e "Aiolos".
- Saori...
- Tem espaço o bastante para o nome da nossa filhinha também... – ela falou, com lágrimas nos olhos.
- Eu te amo, Saori.
- Eu também te amo, Seiya...
Palavras da autora:
Olá, pessoal...
Hoje já escrevo este comentário com lágrimas nos olhos – sou exagerada mesmo, onde já se viu ser fã da própria fic? Este é o antepenúltimo capítulo de Cavaleiros Apaixonados 2, e eu já sinto saudade. Como eu disse à minha amiga Pri Gilmore, parece que quando eu terminar esta fic, um pedacinho de mim vai embora com ela...
Mas vamos falar de coisas boas. Os dois próximos capítulos estarão recheados de surpresas, e cada um será especial do seu jeitinho. No próximo capítulo vocês vão ler, finalmente, o casamento do Seiya e da Saori.
Espero que vocês tenham gostado do capítulo e que não percam os próximos!
Beijos!
Mary-san Ogawara
