N/T: Lembrando que já existe essa fic aqui no FF, mais a tradutora já não atualiza faz algum tempo e windchymes me autorizou a continuar!
Boa Leitura! ; *
Edward teve um filho com outra pessoa.
Uma onde de inveja pulsou por mim, lacrimejando, poderosa e de partir o coração. Eu nunca realmente pensei em crianças, especialmente quando essa não era uma opção com Edward. Mas agora, sabendo que outra pessoa tinha dado isso a ele, eu queria que tivesse sido eu. Eu queria que fosse eu e eu senti como se Lucy Catterall tivesse roubado algo precioso e sagrado de mim.
Lágrimas começaram a surgir em meus olhos. Lágrimas pela criança que eu não teria, e nunca tinha percebido que queria, até agora. Era doloroso e a força disso me surpreendeu. Passei meus braços ao meu redor, como se eu fosse quebrar em pedaços. Eu estava ferida.
E então outro tipo de inveja estava me atormentando, os dentes dela penetrando mais e mais fundo. Ele havia ficado tão perto assim, tão intimo, com ela, mas ele mal abria seus lábios para mim. Em algum lugar ao fundo da minha mente, eu podia ouvir o argumento racional – ele era humano naquela época, ele não me conhecia. Mas o argumento irracional falava mais alto. Ele a havia querido. Ele não me queria.
Inspirei um ar cortante. A inveja e a dor e o pesar eram como uma cauda de fogo passando pelo meu corpo, queimando minha alma enquanto passava. Eu não sabia como extinguir as chamas.
Espaço. Eu precisava de espaço. E eu precisava de tempo. E então minha respiração acelerou novamente porque percebi que a outra coisa da qual eu precisava era conforto e meu conforto sempre vinha do Edward. Mas não hoje. Eu sentia como se o tivesse perdido, como se ele tivesse me deixado de novo. Me senti doente.
"Estou indo agora, Edward. Eu preciso trabalhar... o como eu me sinto sobre... isso." Minha voz estava surpreendentemente sem emoção considerando as emoções que estavam queimando por mim. Fechei duramente os olhos, esfregando o rosto para parar as lágrimas. Eu não olhei para ele enquanto me virava para tomar meu caminho de volta à caminhonete. Ele falou meu nome uma vez e sua voz era agonia, mas ele não me seguiu e fiquei aliviada por isso.
Minhas pernas estavam tremendo a me concentrei em continuar me movendo, uma depois da outra, pela grama. Através das árvores eu podia ver minha caminhonete e comecei a me mover mais rapidamente. Eu tinha que chegar lá antes que minhas pernas finalmente cedessem. Se eu tivesse um colapso aqui eu sabia que ele viria até mim e eu não queria isso. Não agora. A caminhonete estava ficando mais perto – Eu conseguiria.
De repente, percebi que ele havia esperado por isso. Nós viemos na minha caminhonete, então eu poderia voltar para casa sozinha, sem ele. Nós ficamos próximos a caminhonete, então eu poderia facilmente encontrar o caminho até ela, sozinha. Ele nos trouxe a um lugar que nunca estive antes, e provavelmente nunca voltaria novamente, então essa associação não se intrometeria em minha vida. Como sempre, ele pensou em tudo. Ele esperava que eu fosse embora e ele me deixaria ir. Suas palavras de pouco tempo atrás ecoaram na minha memória, Eu estarei aqui pelo tempo que você me quiser.
Me virei para olhar para trás e meu coração subiu para a minha garganta.
Edward estava de joelhos. Seu corpo estava curvado para frente, seu rosto coberto pelas mãos. Ele era um homem esperando pela execução.
E então eu fiquei furiosa de novo. Não apenas pelo que ele havia me contado. Eu estava brava porque eu não conseguia ir embora. Eu não conseguia ir mesmo sabendo que eu queria. Esbravejei de volta a onde estávamos e fiquei surpresa por ver que eu o assustara.
"Edward, como você ousa!" Sua cabeça se ergueu e seus olhos estavam arregalados olhando nos meus. Eu continuei gritando.
"Eu deveria estar furiosa com você..."
"Bella..."
"Cale a boa, Edward! Eu deveria estar furiosa com você, mas bastou olhar uma vez para você e eu não posso ir. Eu tentei ir embora, e eu não pude. Como você ousa fazer isso comigo!"
Eu estava respirando com dificuldade, quase arfando de raiva. Ele ainda estava de joelhos a minha frente. Os olhos torturados, pegando tudo o que eu havia falado pra ele. E então minhas lágrimas começaram a cair de verdade. Primeiro um soluço estrangulado na minha garganta, depois a umidade alcançou meus olhos, uma pequena lágrima saiu pelo canto do meu olho e foi caindo pela minha bochecha. Outras a seguiram rapidamente. Edward esticou um braço na minha direção, mas eu ergui uma mão para pará-lo.
"Não. Apenas... não." Ele deixou suas mãos caírem ao seu lado e se sentou em seus calcanhares. Finalmente senti meus joelhos cederem e eu caí na terra. "Não me toque."
As lágrimas estavam correndo rapidamente pelas minhas bochechas agora e a inveja ainda queimava profundamente.
"Essa é a minha vez de ficar brava," falei suavemente enquanto meu rosto tremia com os soluços.
Edward se sentou, imóvel e em silencio, seu rosto gravado com uma dor muito, muito profunda enquanto eu chorava. Ficamos dessa forma por um tempo.
"Bella?" sua voz era hesitante, apreensiva. Balancei minha cabeça. Eu ainda não estava pronta para falar com ele. Ou estava?
"Por que você não faz sexo comigo, Edward?" Eu olhei para ele, que estava me olhando nos olhos – era um desafio. Ele encontrou meu olhar.
"É uma situação completamente diferente, Bella." Ele falou suavemente.
Pendi minha cabeça para trás.
"Você foi capaz de fazer sexo com ela, Edward. Alguém que você diz mal conhecer ou se importar. Mas eu..." Bati um dedo contra meu peito. "eu... a pessoa que você diz amar, você afasta. De novo e de novo!" Balancei minha cabeça, como se isso fosse fazer um pouco da minha dor passar. "Quero dizer, obviamente você pode... estar... com alguém, Edward. Contanto que não seja eu!" Joguei as últimas palavras nele.
Ele se recolheu.
"Não, Bella..."
"Exatamente! Não Bella. Isso é tudo o que ouço! Talvez eu devesse usar saias compridas, e dar risadinhas, e te trancar no meu quarto e esconder a chave em baixo do meu... corpete, ou seja lá o que era! Isso funcionaria para você?"
A dor e a inveja e a raiva estavam me dominando e elas trouxeram lágrimas selvagens que eu não podia controlar, e nem ao menos tentei.
"Bella, por favor..." Edward esticou uma mão na minha direção novamente, sua voz refletindo o seu tormento. Afastei sua mão.
"Não!"
Ele se sentou em seus calcanhares de novo e colocou suas mãos no rosto.
"Bella..." ele gemeu. Ele estava completamente imóvel.
Deixei os soluços saírem. Eu não conseguia parar. Em certo ponto eu escorreguei pela grama, sentando na terra, descansando minha cabeça na base do tronco caído enquanto minha dor tentava sair na forma de lágrimas. Depois de um bom tempo minhas lágrimas começaram a parar e ceder. Minha garganta estava dolorida e meus olhos inchados. Havia marcas crescentes na palma das minhas mãos onde eu havia enterrado minhas unhas. Eu nem ao menos as havia sentido. A inveja e a dor que havia nublado meu coração e mente começava a clarear, o fogo perdendo um pouco da sua força. Talvez eu estivesse exausta demais para sentir mais alguma coisa – eu não sabia. Fechei meus olhos.
"Você deu a ela uma parte de você que deveria ter sido minha," Sussurrei. "Minha."
E então dei um longo suspiro.
"Eu sou seu, Bella."
Senti seus dedos gelados tocarem a minha mão, tão gentilmente.
"Não," falei baixo.
Instantaneamente seus dedos pararam. Abri meus olhos. Edward não estava mais lá.
Levantei minha cabeça e o vi andar furiosamente pelo lugar, por entre um conjunto de rochas juntas as raízes das árvores. Ele rosnava, eu podia ouvi-lo, e suas mãos estavam cerradas ao seu lado. O assisti enquanto ele parava próximo às rochas. Ele parou com as pernas abertas, puxou o braço para trás e depois bateu com o punho nas pedras. Houve um barulho de algo se quebrando e o granito partiu-se ao meio. Edward colocou o braço para trás e bateu na pedra novamente. E de novo. E de novo. A força era óbvia, pois a rocha se partia e destroçava a cada soco. Por baixo de sua camisa pude ver os músculos de suas costas e ombros enquanto eles se contraíam e ficavam tensos a cada pancada realizada pelo punho. Outro rosnado, outro soco. De novo. De novo. De novo.
Um momento depois houve silêncio, a rocha se tornou grãos pelo chão. Ele estava parado, a cabeça baixa e os olhos fechados, respirando com dificuldade. Seu peito estava tenso enquanto suas mãos se abriam e fechavam, de novo e de novo, ao seu lado.
Me levantei. Nunca havia visto Edward perder o controle assim, tão irritado, e tão frio. Um tremor de choque me atravessou e seguido a isso o começo da realização – comecei a ver quanta dor ele estava sentindo, também.
Sua mandíbula estava rígida, seus olhos queimando, enquanto ele se virava para me olhar, lentamente.
"Eu sou seu, Bella." A emoção na voz dele, em seus olhos, me fez perder o ar. "Com tudo o que sou, eu sou seu." Ele caminhou de volta pelas árvores e parou a minha frente. Seus olhos estavam nos meus, queimando em mim. "Até o tempo parar, até eu deixar de existir. Eu. Sou. Seu."
Senti mais um pouco da inveja e da dor diminuir. Suspirei e esfreguei meus olhos. Eles estavam úmidos, as pálpebras, na verdade, pareciam encharcadas.
Eu não queria dizer nada, minha garganta doía demais, mas depois de um longo momento de tanta intensidade eu precisei quebrar o silêncio.
"Você tem certeza que essa criança era sua?" Minha voz estava rouca.
Ele deu um suspiro e assentiu. "Até onde sei. Todas as datas combinam."
Suponho que, sendo Edward, ele havia checado isso milhões de vezes antes de me dizer.
"E o Carlisle sabe, obviamente." Ele assentiu de novo.
"O resto da sua família?"
"Carlisle se oferecer para contar a eles quando ele chegasse em casa. Ele já devem estar sabendo nesse momento."
Me sentei no tronco novamente.
"Então todas aquelas coisas nas aulas de educação sexual não eram apenas táticas para assustar." Dei uma risada e fiquei surpresa pelo quão áspero soou.
Edward colocou as mãos no fundo dos seus bolsos e balançou a cabeça lentamente. "Eu conversei com Carlisle assim que fiquei sabendo. Eu sabia que essas coisas podiam acontecer, mas Carlisle confirmou que era inteiramente possível." Tentadoramente, ele se sentou no tronco, ao meu lado.
Não olhei para ele, focando, ao invés disso, em um inseto lutando para conseguir passar por um nó da árvore. Por que ele simplesmente não dava a volta? Inseto estúpido.
"Então, essa era a parte da sua vida humana que você precisava me contar?"
"Sim."
Esfreguei meu rosto com o braço.
"Essa é a pior parte das suas notícias, então?"
"Acredito que sim," sua voz era baixa, nervosa. E então um pensamento me ocorreu.
"Ele ainda está vivo... o seu filho?"
"Sim, ele está."
Inalei profundamente. Isso fora outro chute no estômago. Havia evidências da noite com Lucy. A prova viva que Edward havia estado com outra pessoa. Minha cabeça girou e comecei a fazer contas rápidas, mentalmente, para distrair a imagem deles juntos. "Ele tem oitenta e sete anos?"
Edward assentiu.
"Qual é o nome dele?"
"George Rigby."
Engoli, duro. George.
E então outro pensamento passou por mim e eu tive que lutar com a inveja que surgiu de novo.
"Então deve haver toda uma dinastia sua em algum lugar por aí?" Tentei dar uma risada. Não funcionou.
Ele hesitou. "Eu... eu não sei."
Isso me surpreendeu. Pensei que ele já teria investigado tudo nesse momento.
"Por que você não sabe?"
Ele se ajoelhou na minha frente de novo, seus olhos fixos aos meus. Sua expressão era dura, sua mandíbula tensa, como se ele estivesse se preparando para um grande impacto.
"É sobre isso que eu queria conversar com você. Eu tenho algumas informações, mas não todas. Eu não queria dar nem mais um passo a frente, antes de falar com você. Isso envolve a nós dois, Bella. Pelo menos eu espero que envolva."
Seu rosto estava implorando. Seus longos dedos apertavam suas pernas. O olhei profundamente e pude ver o amor verdadeiro em seus olhos. Ele ainda era o homem que eu amava. Ainda era meu Edward. E ele estava assustado. Ele não havia me traído. As circunstâncias estavam longe de ser românticas, e isso havia sido há um longo tempo atrás. Eu acreditei nele quando ele disse que ele não havia mantido essa memória humana em particular. Eu sabia que ele me amava. Eu sabia que ele me queria como eu o queria. Eu podia ver tudo isso ali.
E eu sabia como meu mundo seria sem ele. Respirei profundamente.
"Sim, nos envolve," falei simplesmente e estendi minha mão para ele. A mão que usava seu anel.
A cabeça de Edward pendeu para trás e um gemido de alívio escapou dele. Ele deixou sua cabeça cair para frente de novo enquanto estendia sua mão e muito gentilmente pegou a mão que eu havia lhe oferecido.
"Me desculpe, Bella. Não há palavras... eu não vou pedir seu perdão, só espero..." ele parou quando balancei a cabeça.
"Não há realmente alguma coisa para perdoar, há Edward? Não realmente." Minha voz soava tão exausta. "Não é como se você tivesse me traído."
"Não. Isso jamais aconteceria." Suas palavras eram intensas.
"Eu sei." Acariciei, com o meu dedão, a parte de cima da mão dele. "Eu sei disso. Eu só me senti traída." Seus olhos desmoronaram e o vi estremecer. "Não por você, pelas circunstâncias, eu acho."
Enxuguei meus olhos. Eles voltariam ao normal algum dia? Eu voltaria?
"E eu sei que você não se lembrava da... Lucy." O nome dela ficou preso por um momento na minha garganta. "Eu acredito nisso." Suspirei. "Eu acredito em você."
Ele me olhou e a dor ainda estava evidente em seus olhos. Sorri e estiquei o braço para acariciar sua bochecha. Ele apoiou seu rosto em minha mão.
"Eu te amo, Bella," ele sussurrou.
"Eu sei."
Ele deu um longo suspiro e se ergueu dos joelhos, se sentando ao meu lado no tronco. Mesmo segurando minha mão, ele deixou um espaço entre nós. Não me mexi para diminuí-lo. O pior já havia passado, mas eu ainda estava em carne-viva. Ao nosso redor a vida na floresta continuava. Eu conseguia ouvir pássaros e o vento ocasionalmente passando pelas folhas ao chão. Tudo como se nada tivesse acontecido. Como se esse fosse apenas um dia normal.
"O que acontece agora?" Perguntei após um momento.
Edward engoliu antes de responder. "Tudo depende," ele falou suavemente, mas não elaborou. Coloquei a minha mão livre sob seu queixo e ergui sua cabeça para que ele olhasse para mim. Seus olhos estavam pretos.
"Acho que você deveria ir caçar. Hoje."
Ele balançou a cabeça. "Não. Não agora..."
"Na verdade Edward, acho que seria melhor se você fosse agora." Ele ficou sobressaltado.
"Quero dizer, apenas por algumas horas. Você precisa caçar, Edward. As coisas sempre parecem piores com o estômago vazio, sabia." Um dos cantos de sua boca se moveu um pouco.
"Você iria para a minha casa me esperar lá?" ele perguntou, mas balancei minha cabeça.
"Não. Acho que prefiro ir para a casa do Charlie. Você sabe, ficar um pouco sozinha." Ele olhou para baixo de novo e passou os pés pela terra. Apertei sua mão.
"Foi um choque, Edward. Para nós dois eu sei, mas você tece três dias para pensar nisso. Eu vou precisar de um tempo."
Seus lábios se pressionaram com força. "É claro. Eu entendo."
Continuei a acariciar as costas de sua mão com o dedão.
"Talvez você pudesse ir até lá amanhã?"
Ele sorriu um pouco e seus olhos pareciam estar um pouco mais em paz quando ele me olhou.
"Eu adoraria. Obrigado."
Eu estava feliz por Charlie não voltar para casa até tarde. Não que ele fosse querer conversar, mas eu queria apenas ficar sozinha. Me sentei na minha cama e olhei para o meu quarto. Era o mesmo de sempre, mas tinha algo diferente. Edward tinha um filho. Me deitei sobre meu travesseiro. Isso sempre ficaria entre nós agora. Essa parte do passado dele havia entrado no nosso presente e sempre estaria ali. Ugh. Eu os imaginaria juntos todas as vezes que nos beijássemos? A memória estaria ali na noite do nosso casamento? Ele faria comparações? Coloquei o travesseiro sobre a minha cabeça e bati meu pé na ponta da cama.
Como as outras pessoas lidam com as ex dos seus noivos? Imaginei se deveria falar disso com alguém, mas minhas opções estavam limitadas a... zero. Jacob era a única pessoa com quem eu poderia me abrir, sem ter que esconder o fator vampiro, mas ele estava me evitando em algum lugar selvagem do Canadá. Como sempre fazia, meu coração começou a acelerar com a memória da última vez que nos encontramos. E então eu imaginei o que ele diria sobre esse último acontecimento e talvez fosse melhor que ele não estivesse aqui para conversar, apesar de tudo.
Talvez eu pudesse ligar para a Angela. Eu poderia apenas dizer que Edward teve uma namorada antes de mim – como eu poderia lidar com isso? Mas eu sabia que eu não iria ligar. Eu não era do tipo de pessoa que procurava ajuda de outros ou opiniões para os meus problemas. Eu os guardava dentro de mim e cuidava deles sozinha.
De repente a casa estava quieta demais, muito parada. Eu precisava sair. Peguei minha bolsa, subi na caminhonete e saí da cidade.
Pouco mais de uma hora depois eu estava em Port Angeles e a mudança de ambiente já estava ajudando. Longe de Forks, longe do Edward, eu era capaz de pensar com mais clareza. Andei para baixo de uma árvore e encontrei um lugar onde eu poderia simplesmente me sentar e olhar para os barcos.
No começo, não me permiti pensar em Edward. Ou Lucy. Ao invés disso foquei na água, nas gaivotas e nos raios fracos de sol que tentavam passar entre as nuvens. Os barcos, subindo e descendo suavemente na água. O cachorro latindo perto do cais. Famílias brincando no parque ali perto. Famílias. Filhos. O filho do Edward. E eu havia voltado ao começo novamente.
Deixei um suspiro escapar e pressionei meus dedos nas minhas têmporas. Por que Edward não podia me transformar agora, e então eu poderia esquecer essa memória humana.
Passei meus braços pelo meu peito e me abracei, tentando amenizar um pouco da dor que estava ali. Esse tinha sido um grande choque. Nós havíamos ficado trancados em nossa pequena bolha por tanto tempo, acreditando que não existia mais ninguém, apenas nós dois. Agora nossa bolha havia estourado.
Nós estávamos prestes a nos casar em apenas seis semanas. Eu não sabia se poderia fazer isso. Eu não achava que poderia ficar ali de pé e me comprometer com ele com a memória de Lucy rondando por entre nós. E se a memória humana dele tivesse uma falha? E se houve mais entre eles do que ele se lembra – ou se permitia me contar. Seis semanas eram cedo demais. Havia tanto a superar.
Eu só queria que tudo isso acabasse. Passar por cima disso. Lidar com tudo isso e ficar do outro lado de novo. Eu queria estar do outro lado! Dei uma risada, pensando de repente na piada da galinha que atravessou a rua. Por que Edward e Bella brigaram? Para chegar do outro lado! E se nós iríamos chegar ao outro lado, primeiro teríamos que começar a atravessar a rua.
E então me senti mais calma. Nós passaríamos por tudo isso, nós apenas tínhamos que começar.
Cheguei a Forks na hora do jantar. Charlie já tinha voltado da pescaria e nós comemos silenciosamente e depois, enquanto ele estava sentado na frente da TV de tela plana, subi as escadas para estudar a etiqueta do século 20.
Eu havia passado algumas horas me acalmando durante a tarde em uma das livrarias de Port Angeles e na seção de livros de segunda mão, um em particular me chamou a atenção. As páginas estavam com orelhas e a capa amarelada, mas o título estava gravado forte e claro; Os Hábitos da Boa Sociedade: Um Guia de Maneiras e Etiquetas para Jovens Damas e Cavalheiros. Ele fora impresso em 1912. Achei que isso me ajudaria olhar dentro dos olhos humanos de Edward.
Pelas próximas horas aprendi que era rude retirar as luvas durante uma visita. Uma dama solteira e um cavalheiro nunca poderiam ficar juntos dentro de um quarto, sozinhos. Um casal nunca deveria mostrar nenhum tipo de afeto em lugares públicos. Damas e cavalheiros não tinham permissão para dançarem juntos a menos que eles tenham sido introduzidos um ao outro por uma terceira pessoa. Submissão e modéstia eram consideradas grandes virtudes da mulher. Um cavalheiro poderia beijar delicadamente as mãos de uma dama, a testa, ou no máximo, a bochecha. Uma dama nunca deveria permitir ser beijada nos lábios ou conversar, de forma alguma, com um cavalheiro que não fosse seu marido. Um cavalheiro não deveria se sentar ao lado de uma dama que não conhecia. Luvas deveriam ser usadas o tempo todo em uma dança para evitar o contato entre as peles.
E a lista continuava crescendo. As regras eram estritas e imperdoáveis e devem ter sido integradas durante o crescimento de Edward. As ações de Lucy devem ter sido um choque para ele, mas suas próprias ações devem ter sido ainda mais, ao pensar que ele havia cruzado as linhas de uma propriedade social e potencialmente danificar a reputação de uma menina tão jovem. Senti uma dor passar por mim. Não por mim, dessa vez, mas por Edward. Fiquei imaginando se sua auto-repugnância havia começado antes dele se tornar vampiro.
De repente, eu precisava vê-lo. Eu queria começar a atravessar a rua. O relógio me mostrou que era 12:03 da madrugada. Tarde demais para dirigir até ele, Charlie ouviria a caminhonete e eu imaginei o que aconteceria. Mas não era tarde demais para ele vir até mim. Peguei meu telefone e disquei. Tocou apenas uma vez.
"Bella!" Pude ouvir um forte alívio em sua voz.
"Um, oi," de repente me senti estranha.
"Está tarde. Tem alguma coisa errada?"
"Não. Eu só... bem, mais cedo, quando dissemos tchau na floresta..."
"Sim?"
"Você concordou em voltar amanhã."
Silêncio.
Me mexi e olhei para o relógio novamente. 12:04 da manhã. "Bem, já é amanhã, Edward..."
Seu telefone desligou. Coloquei minhas costas contra o travesseiro, surpresa. O que havia acontecido, nós havíamos terminado? Ele desligou na minha cara? Lentamente me virei e coloquei meu telefone de volta na mesa de cabeceira. Talvez ele ainda não quisesse me ver.
As 12:06am Edward entrou pela janela do meu quarto. Seu cabelo bagunçado pelo vento por ter corrido e mesmo na luz fraca do meu abajur eu pude ver que seus olhos estavam de uma cor dourada suave.
"Bella?" ele falou suavemente, sua expressão cautelosa. Sorri para ele de onde eu estava sentada na cama.
"Você está bem?" ele perguntou pausadamente e eu sabia o que ele queria dizer com essa questão simples. Estendi minha mão.
"Eu vou ficar, Edward." Um lado de sua boca se curvou para cima em um sorriso e hesitante ele pegou minha mão. "Estou melhor do que estava pela manhã."
Ele ergueu as sobrancelhas e apontou com a cabeça, suavemente, para a cama, pedindo permissão para se sentar ao meu lado. Me movi, dando espaço, e ele se sentou ao meu lado.
"Boa caçada?" perguntei, casualmente.
"Não foi má." Ele passou os dedos pelos cabelos. "Bella, me descul..."
Eu o cortei rapidamente. "Não Edward, sem mais desculpas, por favor. Se vamos trabalhar para superar isso, então temos que passar essa parte. Eu sei que você sente muito." Ele balançou a cabeça e eu sabia que ele queria falar algo de novo.
"Mas eu também sei que você me ama. E sei que eu te amo." Sua cabeça se ergueu rapidamente e havia tanta ternura e esperança em seus olhos quando ele me olhou. Senti meu coração acelerar um pouco. "E essa é a coisa mais importante, não é?"
"Sim," ele sussurrou.
"Então vamos esquecer as desculpas e seguir em frente." Respirei profundamente depois do meu pequeno discurso. Edward me olhava atentamente.
"Eu só quero ter certeza ao que você quer dizer com 'seguir em frente'," ele falou lentamente.
Mordi meu lábio e fiquei em pé em um salto, com sapato e tudo.
"Eu acho que nós deveríamos descobrir o porquê do George estar te procurando."
Ele inspirou lentamente e deixou o ar sair pelos seus dentes. "Você tem certeza?" ele perguntou.
Minha vez de inspirar lentamente. "Sim, tenho certeza. Por onde começamos?"
Edward encolheu os ombros.
"Tenho alguns papéis que meus advogados me deram. Ainda não olhei todos eles, eu estava esperando que..." ele hesitou. "Suponho que devemos começar dali."
Assenti. "Okay, começaremos dali. Amanhã." Sua mão apertou a minha. "Serei honesta, Edward. Isso não será fácil. Eu ainda estou... ferida." Ele abriu a boca e eu ergui minha mão para pará-lo. "Mas eu quero trabalhar nisso com você." Eu apertei sua mão de volta e então bocejei assim que uma onda de extremo cansaço me atingiu. Depois do dia que mais me drenou em toda a minha vida, meu corpo estava finalmente me dizendo para parar e agora, de repente, eu mal conseguia deixar os olhos abertos.
Imediatamente, Edward se levantou.
"Você está cansada. É melhor eu ir agora," ele se virou para a janela. Hesitei brevemente e quase pedi que ele ficasse. Mas não, ainda não. Era cedo demais. Eu não conseguiria deitar com ele na minha cama sem imaginar se ele teria se deitado dessa forma com Lucy.
"Te vejo pela manhã, então?" perguntei ao invés.
"Sim, se você desejar," ele me deu um sorriso triste.
"Eu desejo."
Acordei com dor de cabeça e meus olhos pareciam pesados e inchados. A memória do dia anterior retornou e um nó pesado se formou no meu estômago. Algumas lágrimas escaparam pelos meus olhos e o sal ardeu.
Tomei um banho, me vesti e peguei uma torrada e cereal antes e Edward chegar, como prometido. Apesar do nó dentro de mim, me encontrei sorrindo quando abri a porta e o vi ali. Eu tinha certeza que ficaríamos bem, eventualmente.
"Bom dia," ele falou combinando com meu sorriso, mas ele não se moveu para me beijar como normalmente faria. De alguma forma ele parecia mais inseguro de si do que no dia anterior. Seus olhos ainda estavam ansiosos.
"Oi." Respondi e lhe dei um beijo na bochecha. Vi suas mãos se curvarem para mim, mas então ele parou e as colocou no bolso, ao invés.
"Então, você está pronto?" perguntei.
"Para o que?"
Dei um grande suspiro. "Bem, pensei que nós podíamos ver aqueles papéis que você falou a noite passada." Engoli com dificuldade. Eu havia trabalhado muito para manter minha voz normal e tentei me lembrar o porquê essa era uma boa idéia, em primeiro lugar.
Edward observou meu rosto cuidadosamente. "Bella, eu estou mais grato do que você possa imaginar, por você está disposta a seguir a diante nisso comigo," ele deu seu meio sorriso, "mas não precisa ser hoje."
Engoli e depois ergui os ombros.
"Não, vamos fazer isso agora." Me movi, passando por ele, na direção da porta e depois para o Volvo.
A casa dos Cullen estava quieta quando chegamos.
"Ninguém está em casa," Edward explicou assim que entrei pela enorme porta da frente. "Carlisle achou que isso deixaria as coisas mais fáceis para nós. Sem interrupções."
"Muito esperto," falei enquanto subíamos as escadas.
"No entanto, não sei por mais quanto tempo consigo manter Alice afastada. Ela está desesperada para te ver, mas ela também entende que você... nós... precisamos de espaço."
Eu estava curiosa agora. "Como o resto da sua família reagiu?"
Ele deu um suspiro cortante enquanto entrávamos no seu quarto.
"Bem, todos chocados, esperadamente. Alice tem me dado apoio, e Esme. Emmett tem sido, bem, o Emmett – você pode imaginar. Ele está tentando dar apoio, mas honestamente,se ele me der mais um tapinha nas costas eu vou arrancar os braços dele." Ele balançou a cabeça.
"Jasper tem me dado apoio silenciosamente. Rosalie... tem sido vocal."
"Vocal?" me sentei na cama enquanto ele permanecia na entrada.
"Você sabe que os instintos maternais dela são muito fortes? Bem, ela está tendo problemas em lidar com a idéia de que..." ele fez uma pausa sugestiva.
"Entendi," falei, salvando-o de ter que falar alguma coisa. Ficamos em silêncio por um tempo, ele ainda estava na entrada.
"Bem, podemos começar? Antes de eles voltarem?" Pareci mais prestativa do que sentia.
Edward assentiu e caminhou até a sua escrivaninha. Ele abriu a gaveta e tirou um grande envelope branco. Ele veio até mim e suavemente se sentou na cama, sobre as pernas. Seus longos dedos abriram o envelope.
"Edward pare!" Sua cabeça se virou instantaneamente para me olhar e suas mãos congelaram no envelope.
"Na sua cama não. Eu não acho que eu possa... quero dizer, eu não acho que eu queira estar na sua cama enquanto estivermos falando de Lucy. Podemos nos sentar no sofá?"
"É claro," ele se moveu rapidamente para o sofá de couro preto que ficava ao lado da prateleira de livros e eu me juntei a ele.
Edward abriu o envelope e puxou um conjunto de documentos, os espalhando pelo sofá, entre nós.
Ali havia o email que ele recebera na última quarta-feira, avisando-o que George Rigby estava procurando por descendentes de seu pai, Edward Anthony Masen, que havia ficado noivo de Lucy Catterall em 1918. Havia uma cópia da certidão de nascimento de George Rigby, nomeando Jonathan Rigby como pai. A data era 2 de fevereiro de 1919. Havia uma cópia da certidão de nascimento de Edward, o que era interessante. E uma cópia da de Lucy – que não era. Olhei feio para essa última. Havia também uma cópia da certidão de casamento de Lucy com Jonathan Rigby, datada de 31 de agosto de 1918.
Mesmo sabendo que eram apenas cópias, Edward as manejava delicadamente. Eu não toquei em nada.
Então eu a vi. Uma fotocópia de um aviso de casamento, retirado de um jornal arquivado na livraria de Chicago.
Noivado
Ellen e Albert Catterall anunciam o noivado de sua jovem filha,
Lucy Ellen
com Edward Anthony Masen,
filho único de Elizabeth e Edward Masen Sr.
Estava ali em preto e branco. Achei que eu ia começar a passar mal.
"Bella?" a voz de Edward parecia estar longe. "Bella, nós podemos parar." Ele começou a recolher os papéis e a colocá-los de volta no envelope rapidamente. Respirei e coloquei minha mão na dele.
"Está tudo bem, Edward."
"Não," ele balançou a cabeça e se mexeu para guardar o envelope de volta na escrivaninha.
"Edward," ele parou e me olhou. Eu sabia que a dor em seus olhos completava a minha própria. "Não ficará melhor se nós simplesmente ignorarmos."
Lentamente ele voltou. Muito lentamente ele colocou gentilmente, mal podia ser sentido, um beijo na minha testa.
"Você é a pessoa mais forte que eu conheço," ele falou suavemente.
Depois ele puxou um envelope menos. Dentro havia uma carta escrita a mão.
Caro Sr Masen,
Essa carta vem a ser uma surpresa para você. Por favor, deixe-me deixar claro desde o início que não desejamos reivindicar nada de você ou de qualquer membro da sua família.
Estou escrevendo em nome do meu avô, George Rigby. Ele está tentando encontrar qualquer vestígio familiar de Edward Anthony Masen que nasceu em Chicago em 1901.
Meu avô acredita que seu nascimento foi resultado de um noivado breve entre sua mão, Lucy Catterall Rigby, e Edward Masen em maio de 1918. Anexei documentos que acreditamos suportar essa idéia.
Meu avô tem agora 87 anos e não está com boa saúde. Seu único desejo é encontrar alguém da família de Edward Masen e esperamos aprender um pouco sobre o pai que ele nunca conheceu.
Qualquer ajuda ou informação que você puder dar a ele será de grande apreciação.
Sinceramente
Rebecca Rigby
Edward estava completamente imóvel, achei que ele não estava nem ao menos respirando. Então percebi que suas mãos tremiam, bem discretamente.
O nó em meu estômago apertou, mas isso não fora tão mal quanto ver a anúncio com o noivado. Eu já havia me preparado para netos.
"Você tem uma bisneta," Sussurrei, tentando manter a tremulação longe da minha voz.
"Sim," seu sussurro era ainda mais baixo do que o meu.
Silêncio.
"Então agora nós sabemos exatamente quem, e por que, eu acho."
"Sim."
"Você está bem?" perguntei. Eu queria lhe perguntar o que ele faria a respeito, mas era muito cedo. Eu sabia que qualquer resposta à Rebecca Masen precisaria de muita consideração. Apesar de tudo, ele não podia arriscar expor quem ele era.
Ele não respondeu a princípio e então, muito lentamente, ele assentiu. Peguei sua mão e a apertei. Ele apertou de volta. Ficamos em silêncio por um tempo,absorvendo essa nova informação.
"Tem mais alguma coisa aí?" apontei para o envelope.
Ele exalou pesadamente.
"Só isso." Ele guardou o envelope e retirou um pequeno livro com capa de couro. A palavra Diário estava escrita com letras de ouro na frente. Eu não conseguia retirar os olhos disso.
"Esse é..." Eu não consegui terminar.
"O diário da Lucy. Sim."
"Oh." O nós no estômago se apertou ainda mais. "É o original. Estou surpresa que eles não tenham te mandado apenas uma cópia."
"Eu não deveria ter o diário. Ele foi deixado com os advogados para que eu pudesse olhar apenas no escritório deles. Mas Carlisle os persuadiu para me deixar trazê-lo comigo." Ele abriu um sorriso bem pequeno. Eu podia imaginar Carlisle deslumbrando um advogado jovem.
Nenhum de nós se moveu para abrir o pequeno livro. Ele estava ali, como uma granada sem o pino.
"Você já..."
"Não, eu ainda não li. Até agora eu apenas olhei para os certificados de nascimento e casamento." Ele fez uma pausa. "Eu não sei se posso."
Entendi o que se passava na sua mente. "Você está com medo de descobrir coisas sobre si mesmo que você não quer."
Ele olhou para mim com alívio e assentiu. "Estou com medo, Bella. E se..." ele começou a falar tão rápido que precisei me concentrar para entender. "E se não for como eu me lembro? E se... e se fui eu quem começou com isso? E se eu simplesmente..." ele segurou sua cabeça com as mãos.
Me movi até ele e coloquei meus braços ao redor dos seus ombros. Ele ficou completamente imóvel.
"Eu sei que você não fez, Edward. Esse não é você," falei suavemente. "Você nunca iria..."
Ele se sentou repentinamente, me surpreendendo com a agilidade de seu movimento. Ele estendeu a mão e pegou o pequeno livro. Lentamente ele o abriu e começamos a ler.
N/T:Deixem reviews e realmente eu preciso de uma Beta. Beijos
