Título: Um Toque Feminino
Autora: Crica (sem Beta, por minha conta e risco)
Fandon: BONANZA
Classificação: Livre
Gênero/categoria: Western/família
Sinopse: Ben casou-se com Marie em Nova Orleans e retorna à Ponderosa. Em seu coração, a felicidade de um novo amor e a apreensão a respeito da reação de seus filhos diante da novidade.
Nota da autora: Bonanza e seus personagens não me pertencem, são de David Dortorf e da NBC. Esta é uma obra de ficção, escrita por uma fã apaixonada, sem qualquer fim lucrativo. Pura farra.
Não sei se alguém, em outro idioma já escreveu algo parecido com o enredo desta historinha, mas decidi fazê-lo. Gosto de preencher espaços vazios. Momento pré série.
UM TOQUE FEMININO – PARTE 2
Dentro da casa, Hoss apoderou-se da algibeira de seu pai e descobriu dos dois pacotes cuidadosamente embrulhados, atados por uma fita azul, cada um. Seus olhos brilhavam como duas águas-marinhas e suas mãozinhas tremiam de felicidade ao desmanchar o embrulho do presente que lhe cabia e encontrar um lindo cavalinho de chumbo pintado a mão.
_ Puxa, pai... Eu adorei – o menino sorriu, acarinhando o animal metálico _ É tão lindo... Igualzinho aos garanhões que temos lá no pasto.
_Fico feliz que tenha acertado na escola, filho – Ben desarrumou o cabelo do caçula, num carinho _ E você, Adam, gostou do seu presente?
_ Sim, pai – Adam sorriu com os olhos, exibindo a capa de couro do livro _ Era o que eu mais queria.
_ Que bom, filho – Estava satisfeito _ Que bom.
_ Deixa eu ver, Adam! – Hoss atirou-se sobre o irmão, no sofá _ Deixa eu ver!
_ Calma, Hoss! Vai rasgar todo o meu livro! – empurrou o outro para o lado _ Você tem o seu presente. Deixe-me em paz.
_ Ora, Adam, o que custa você contar a história que tem aí nesse livro que o pai lhe deu?
_ Vou contar-lhe, mas primeiro preciso lê-la, não acha ?
_ Sim, é verdade – Hoss colocou no rosto uma enorme interrogação _ Vai demorar muito? Porque, pelo jeito, é uma história danada de boa. Tem muitas, muitas folhas aí.
_ Sim, querido – Marie aproximou-se e sentou-se ao lado do menininho _ É uma história fantástica que fala sobre quatro galantes e corajosos cavaleiros da corte francesa que ajudam sua rainha a desmascarar um terrível vilão.
_ Nossa... Mal posso esperar para ouvir tudinho – o pequenino levantou-se num salto e empurrou seu irmão escada acima, numa urgência sem sentido _ Vai, Adam, vá já para o seu quarto!
_ O que é isso, filho? – Benjamin segurou o garoto _ Ainda não almoçamos e quer que seu irmão vá para cama?
_ Que cama, que nada, pai! Quero que Adam suba logo para começar a ler a tal da história que a senhora Marie falou. Eu quero ouvir a história desses moços valentes!
_ Vamos deixar a leitura e as histórias para outra hora – Cartwright chamou os filhos com um gesto e sentou-se em sua grande cadeira acolchoada, ao lado da lareira _ Meninos, o pai precisa ter uma conversa bastante séria com os dois.
_ Eu não fiz nada! – Hoss defendeu-se.
_ Eu também me comportei, pai. E fiz todas as minhas tarefas como o senhor mandou.
_ Seu pai não vai zangar com vocês, meus amores – Marie interferiu, sentando-se ao lado do esposo, perto dos garotos _ Gostaríamos de conversar com vocês sobre a minha estada em Ponderosa e nesta casa.
_ Ah,sim! –Hoss sorriu aliviado _ Eu já fiz o convite e a madame aceitou, não é mesmo?
_ Sim, querido Hoss, eu aceitei.
_ Mas há algo que ambos precisam saber – Ben tomou uns ares muito compenetrados _ Quando seu pai esteve em Nova Orleans, pretendia apenas vender o gado gordo que temos lá no pasto, mas outras coisas aconteceram que me fizeram demorar mais do que o esperado. Eu conheci Marie e nos tornamos muito próximos.
_ Como irmãos de sangue, igual aos Paiutes, pai? – Hoss quis saber.
_ Cale a boca, seu boboca! – Adam ralhou, já imaginando o que viria da boca de seu pai.
_ Não, filho. Melhor do que isso. Marie e eu, bem... – Benjamin procurava as palavras _ Nós nos apaixonamos e decidimos nos casar.
_ A senhora vai ser a nossa mãe agora? – o loirinho soprou a franja que teimava em cobrir-lhe os olhos .
_ Se vocês assim o quiserem, terei muito orgulho em ser a mãe de dois jovenzinhos tão inteligentes.
_ Legal – Hoss encerrou o assunto, pegando seu brinquedo _ Posso brincar com o meu cavalinho agora?
_ Claro que pode, filho – Ben as vezes ficava perplexo com a simplicidade com a qual seu pequeno Eric via as coisas. Não estava em sua jovem alma complicar a vida.
_ E você, Adam, o que tem a dizer? – Marie voltou-se ao maior.
_ Acho que o pai e a senhora já decidiram tudo – fitou a aliança na mão esquerda da mulher _ Não sei se estou pronto para ter uma mãe. Sei me virar muito bem sozinho com o pai, mas acho que Hoss gostou da ideia. Então, por mim, tudo bem.
_ Filho, eu não pretendia...
_ Está tudo bem, pai, sério – Adam desceu os olhos para a capa do livro que ainda tinha nas mãos _ Eu gostaria de ler um pouco no meu quarto até a hora do almoço, posso?
_ Sim, meu filho – Cartwright sabia ler os sinais de seu filho mais velho e percebeu que ele se sentia ameaçado pela presença feminina _ Quando a mesa estiver posta, o chamaremos.
_ Adam – Marie tocou o ombro do rapazinho _ Não pretendo tomar o lugar de sua mãe ou da de Hoss, mas tenha a certeza de que os amarei como se fossem meus próprios filhos, sempre.
_Sim, senhora – a voz saiu quase inaudível e fugiu, subindo as escadas.
_ Oh, Ben... – Marie abraçou o marido em meio a um soluço _ Ele está sofrendo.
_ Fique tranquila, meu amor. Adam ficará bem. Só dê-lhe um pouco de tempo para acostumar-se com a ideia. Ele sempre esteve ao meu lado, sempre cuidou da família comigo, então é natural que se sinta um tanto ameaçado, mas logo isso passa e verá como o meu garoto é forte e prestativo.
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Os dias seguintes tornaram-se semanas e as semanas meses. A casa rústica dos Cartwright, em pouco tempo, ganhou novos ares: as janelas receberam cortinas rendadas, a velha toalha de mesa foi substituída e um lustre enorme foi instalado no meio do teto da sala. A casa toda estava mais iluminada e arejada. Hoss dizia que a cada semana a senhora Marie trazia uma novidade da cidade e, o melhor era o saquinho de balas de fruta que sempre vinha com ela.
Hoss, para Marie era Eric. Assim o chamara desde o dia em que o pequeno Cartwright lhe revelara que este era seu nome de batismo. O menino gostava do som de seu nome saído da boca rosada da moça bonita que seu pai trouxera para cuidar deles.
O verão chegou e, com ele, os dias quentes e ensolarados. Dias alegres de festa no lago Tahoe; dias de pescaria e abundância. Dias que tinham um colorido muito especial, os quais Adam cismava em registrar em seu caderno de desenho com a caixa de pastéis que a senhora Marie havia dado a ele em seu aniversário. Aliás, Adam e a senhora Marie se tornaram grandes amigos. Ambos se revezavam à noite na leitura do livro de Alexandre Dumas que Adam ganhara de seu pai, meses atrás. Hoss amava aquela história e sempre que liam a última página, o pequeno insistia para que voltassem à primeira e repetissem as aventuras dos Mosqueteiros do Rei.
Ben Cartwright vivia dias de alegria completa: tinha sua esposa e seus filhos amados, sua terra prosperava a olhos vistos e a cidade, aos poucos crescia. Parecia-lhe que não necessitava de mais nada na vida. Não poderia pedir a Deus qualquer coisa. Tudo o que mais prezava estava ali debaixo de suas asas, sob seus cuidados.
Numa noite clara e quente, marido e esposa sentaram-se na varanda para pegar a fresca. Bem pitava seu cachimbo e Marie bordava algo num tecido delicado.
_ Ben... – a mulher não ergueu os olhos, mantendo-se atenta ao seu trabalho artesanal .
_ Sim, querida.
_ Acha que poderíamos ampliar a casa até a Primavera?
_ Ampliar a casa? – o homem colocou o cachimbo de lado _ Temos dois quartos e, creio que a casa é grande o bastante e... – Benjamin paralisou-se diante do sorriso cândido que se desenhava no rosto de sua mulher _ Meu Deus, Marie... É o que estou pensando? – Ela gesticulou afirmativamente _ Marie, meu amor! Vamos ter um bebê? Vamos ter um bebê!
O fazendeiro não cabia em si de tanta felicidade. Ergueu a esposa no ar,num rodopio e gritava aos quatro ventos que mais um Cartwright viria ao mundo muito em breve. Fez tanta algazarra que seus filhos foram acordados e desceram para ver o que se passava com seu pai.
_ Pai, está tudo bem? – Adam foi o primeiro a chegar.
_ Sim, filho! – Ben abraçou seu primogênito _ Está tudo perfeito, meu filho!
_ Pai... – Hoss surgiu, metido em seu camisolão, esfregando os olhos.
_ Venham cá, os dois. Temos uma novidade para contar-lhes, crianças! – de joelhos, de frente para os meninos, à altura de seus olhos, o pai continuou _ O que vocês acham de ganharem um irmãozinho?
_ Um irmão? – Adam surpreendeu-se _ Mais um?
_ Sim,Adam, querido – Marie juntou-se à família, emocionada _ Um irmãozinho ou uma irmãzinha, o que acha?
_ Bem, se eu não tiver que cuidar dele sozinho, tudo bem.
_ É bom ter um irmãozinho, Adam – Hoss mostrou o sorriso largo, agora com dentes _ Eu vou poder mandar nele do jeito que você faz comigo. Isso vai ser muito, muito, muito legal!
_ Você terá que esperar até ele começar a crescer, seu bobão – Adam afirmou _ Os bebês comem, dormem, choram e fazem cocô o tempo inteiro e ninguém consegue controlá-los. Só quando eles crescem um pouco é que dá pra mandar neles.
_ Porcaria... Acho que ainda vai demorar para eu começar a dar ordens também...
_ Garotos, eu acho que vocês podem discutir essa questão de autoridade amanhã, não acham? Que tal voltarem para a cama agora?
_ Está bem, pai – Adam tomou seu irmão pela mão _ Boa noite, pai. Boa noite, senhora Marie.
_ Boa noite, meninos – a mulher despediu-se beijando o alto da cabeça de cada um.
_ Você não vai mandar no bebê, Adam – Hoss insistia, contrariado _ Já mandou em mim a vida inteira, agora é a minha vez.
_ Não enche, Hoss. Vamos dormir.
O casal Cartwright permaneceu abraçado, ainda na varanda, seguindo as crianças com o olhar, satisfeitos. Em breve, sua família cresceria e nada poderia atrapalhar sua felicidade.
