Título: Um Toque Feminino

Autora: Crica (sem Beta, por minha conta e risco)

Fandon: BONANZA

Classificação: Livre

Gênero/categoria: Western/família

Sinopse: Ben casou-se com Marie em Nova Orleans e retorna à Ponderosa. Em seu coração, a felicidade de um novo amor e a apreensão a respeito da reação de seus filhos diante da novidade.

Nota da autora: Bonanza e seus personagens não me pertencem, são de David Dortorf e da NBC. Esta é uma obra de ficção, escrita por uma fã apaixonada, sem qualquer fim lucrativo. Pura farra.

Não sei se alguém, em outro idioma já escreveu algo parecido com o enredo desta historinha, mas decidi fazê-lo. Gosto de preencher espaços vazios. Momento pré série.


UM TOQUE FEMININO – Parte 3

No outono daquele ano, Hoss foi, pela primeira vez à escola. Marie estava ao seu lado quando entrou na construção que servia de igreja, assembleia e escola. Não haviam muitos prédios em Virgínia e as atividades se revezavam naquele, que era um dos maiores. Hoss não era bobo e conhecia todo o alfabeto, além de ser capaz de ler escrever várias palavras que Marie o tinha ensinado. O pequeno Cartwright segurava a mão da dama com força. Seus olhos buscavam apoio no rosto familiar daquela mulher que agora exibia a barriga um pouco crescida. Imaginou que, quando chegasse a vez do bebê ir à escola, já seria crescido o suficiente para levar seu irmão pela mão em seu primeiro dia de estudo. Respirou fundo e arrancou do fundo de sua alma um sorriso desbotado para dar à madrasta, que prometera-lhe esperar na cidade até que as aulas terminassem para levá-lo de volta à Ponderosa.

Ben Cartwright carregava seu filho mais velho a todo lugar, ensinando-lhe o serviço da fazenda, a fazer os apontamentos no livro-caixa e a como organizar os empregados. Adam era uma miniatura do pai e mantinha o semblante sério na maior parte do tempo. Marie o observava mais relaxado quando tinha o caderno e os pasteis à mão, pondo-se a desenhar casas, galpões e toda sorte de construções. Esse era seu passatempo favorito nas tardes geladas de inverno.

_ Você tem muito talento, Adam.

_ A senhora acha mesmo?

_ Certamente que sim, querido – Examinou o desenho da casa que o menino terminara _ Um dia, poderá construir todas as casas e pontes que quiser se for um engenheiro.

_ A senhora acredita que eu possa, quer dizer, ser um engenheiro de verdade, um dia?

_ Por que não? Você é um rapaz muitíssimo inteligente e com um dom natural para isso. Está sempre construindo e reformando ferramentas e brinquedos. Quando for mais velho, com certeza poderá tornar-se o que tiver vontade.

_ Obrigado, senhora.- voltou-se para o pai _ Pai, posso desenhar a nossa casa nova? Quero dizer... Ouvi o senhor comentar que precisaremos de uma reforma e, bem... pensei que poderia desenhar a casa nova e...

_ Adam, se você fizer o esboço, faremos o possível para segui-lo à risca, não é mesmo, Marie?

_ Sim, querido. Ficaríamos orgulhosos em morar numa casa projetada por você, Adam.

_ Então começarei já – os olhos do rapazinho brilharam _ Não vamos querer que o bebê nasça sem uma casa decente!

Com o passar das semanas, Marie ganhava peso e perdia agilidade. Havia deixado suas costumeiras cavalgadas matutinas de lado depois de ter sofrido uma queda do cavalo que lhe custara um tornozelo torcido e uma semana de cama por ordem médica. Ben a proibira de cavalgar, depois do acidente, até o nascimento do bebê.

A chegada da Primavera alegrou a vida dos Cartwright, não só pelo fim da neve, mas pela proximidade da chegada do novo membro da família e, foi numa tarde azulada de brisa suave, que os meninos Cartwright chegaram da escola e se depararam com um movimento anormal na casa. A charrete dos Sheridan estava na frente da varanda e o cavalo do pai solto no pátio. Ambos os garotos estranharam porque seu pai nunca deixava o animal solto, por mais cansado que chegasse da lida com o gado. Ambos correram para dentro, largando seus blocos de notas sobre a cadeira, no meio do caminho; atravessaram a sala abandonada e se depararam com um pai bastante angustiado parado no corredor do andar de cima, encostado ao batente da porta do quarto do casal.

_ Pai? – Adam aproximou-se, cauteloso _ Está tudo bem?

_ Sim, filho – O pai sorriu, sem jeito, pelo tom de preocupação do menino _ Está tudo bem. É chegada a hora, meninos – Abaixou-se e juntou ambos os filhos num abraço _ Muito em breve teremos mais um pequeno Mosqueteiro na família.

_ Isso é bom – Adam sorriu aliviado.

_ Pai... – Foi a vez de Hoss falar _ E se for uma menina? Não há meninas na história dos Mosqueteiros.

_ Bem, filho, se for uma menininha, de certo encontraremos uma bela história onde ela possa se encaixar, não é?

_ Tomara que não seja uma garota...

_ Por que diz isso, filho? Você já tem o Adam e não seria bom ter uma garotinha na casa?

_ Garotas são chatas – Adam comentou, concordando com o irmão menor.

_ E não poderemos levá-la a pescar ou cavalgar. Vai passar o dia inteiro brincando de boneca ou fazendo bordados com a senhora Marie.

_ Bem, meninos, tenho certeza de que, quando forem mais velhos, mudarão de opinião a respeito das moças, mas por enquanto, porque não nos sentamos lá embaixo e tomamos um bom copo de leite quente enquanto a mamãe faz o serviço pesado e traz o nosso bebê, o que me dizem?

Ambos os meninos concordaram com um aceno e acompanharam o pai escada abaixo, em direção à pequena cozinha. Os três, em seguida, sentaram-se à mesa para saborear seu lanche e ali esperaram durante um tempo que parecia interminável.

No meio da tarde a senhora Sheridan desceu a escadaria às pressas e atravessou a sala, buscando uma bacia cheia de água quente. Estava com as bochechas coradas pela correria e não deu chance ao interrogatório que pai e filhos pensaram em fazer, passando feito um relâmpago por eles, soltando um 'estamos quase lá' que fez o estômago de Benjamin dar voltas.

Não tardou para que o choro forte do novo Cartwright fosse ouvido ecoando pela casa. Um sentimento de alegria invadiu os três. O pai saltou da cadeira e correu para a escada, só se detendo quando a senhora Dolores, esposa de um dos colonos que também viera ajudar no parto, surgiu a sua frente e anunciou a chegada de mais um menino.

Ben voltou-se para seus filhos, exibindo um largo e brilhante sorriso, repleto de orgulho e satisfação, acenando para que os dois meninos o seguissem. A família parou à porta, aguardando a autorização das mulheres para entrar.

A senhora Sheridan abriu a porta e pôs o dedo sobre os lábios pedindo silêncio e indicando o caminho para entrarem.

Marie estava sobre a cama e tinha o rosto um tanto pálido, mas sorria abertamente, embalando o pequeno embrulho de cobertas que tinha nos braços.

Benjamin sentou-se na beirada da cama de casal e aproximou o rosto para ver seu novo filho; tocou de leve a testa do bebê e beijou o rosto de sua esposa, sussurrando-lhe um 'eu te amo'. Em seguida, chamou pelos dois meninos que se mantiveram a distância, com um pé dentro do quarto. Os dois irmãos achegaram-se e puseram-se do lado oposto da cama, bem próximos de onde Marie segurava o pequeno bebê. Ela puxou a manta um pouco para o lado para que as crianças pudessem vê-lo.

_ Ele é tão pequeno... – Hoss parecia assustado – e seu rosto parece um joelho, pai...

_ Ele vai crescer, querido – Marie sorriu diante do comentário.

_ Mas é tão pequenininho... – Hoss franziu mais a testa _ Vai levar um tempão até poder brincar conosco.

_ Todos os bebês nascem pequenos, Hoss – Adam interferiu.

_ O pai disse que eu não. Eu nasci já bem grandão.

_ Você foi uma exceção, Hoss – Mais uma vez, o irmão comentou _ Você não é medida para gente normal. Todos os bebês são assim pequenos como o nosso irmãozinho.

_ Então, meninos – Ben entrou na conversa _ Precisamos dar-lhe um nome. O que vocês sugerem?

_ Nós podemos mesmo? – Os olhos do menino mais velho acenderam de entusiasmo.

_ Certamente que sim – Marie confirmou _ Eu e seu pai ficaríamos muito felizes em dar ao bebê um nome escolhido por vocês.

_ Bem, o pai disse que o nosso avô chamava-se Joseph – Adam falou _ Seria bom dar o nome do vovô ao bebê.

_ Eu não concordo – Hoss foi categórico _ O bebê poderia chamar-se Francis. A dona Dolores disse que São Francisco era um jovem muito bonito e bom demais que amava tanto todas as criaturas que virou santo lá no céu. Francis é um bom nome.

_ Hoss, você sai com cada uma... – Adam reclamou _ Onde é que já se viu dar o nome de um santo que a gente nem conhece para o nosso irmãozinho?

_ Sabem, crianças – Marie decidiu interromper a conversa antes que se tornasse um duelo entre os dois _ Creio que podemos resolver isso e agradar a todos. Podemos, como na tradição dos meus antepassados, dar ao bebê um nome composto- Voltou-se agora, ao marido _ O que você acha, querido?

_ Joseph Francis Cartwright... – Benjamin concordou _ Eu gosto. Gosto muito.

_ Joseph Francis... – Adam balançou a cabeça, pensativo _ Este bebê, quando crescer, ainda vai querer nos matar por isso...

_ Eu não acho não, Adam – Hoss cruzou os braços sobre o peito, satisfeito _ Eu gosto dele. Seja bem-vindo, pequeno Joseph Francis Cartwright!- De repente, Hoss voltou-se ao pai _ Ei, pai, eu posso chamá-lo de Pequeno Joe, posso?

_ Mas,filho, você acabou de concordar em dar-lhe um nome composto e elegante. Agora quer por um apelido no bebê?

_ Sabe o que acontece? – o menino loiro deu a volta na cama e acomodou-se sobre as pernas do pai _ Esse nome todo comprido desse jeito vai me deixar todo enrolado. Já imaginou quando tiver que gritar com ele? Joooseeeph Fraaaannnciiiiiiis Carrrrrrtwriiiiiiiiigth! Eu acho que não vai dar muito certo, não...

_ Está certo, filho – a fala de Eric arrancou uma gargalhada dos adultos _ Está certo. Aqui entre nós, da família, ele sempre será o Pequeno Joe.

_ Obrigado, pai _ Hoss abraçou o pai e voltou-se para o bebê _ Ouviu isso, Pequeno Joe? É assim que vou chamá-lo de hoje em diante e é bom que me obedeça direitinho ou vou contar para o pai e ele vai gritá-lo com aquela voz de trovoada, você vai ver!

Aquela imagem tão familiar e acolhedora, Ben levaria em seu coração por todos os anos de sua longa vida, que estava apenas recomeçando.

FIM


NOTA: NÃO SEI SE O PAI DE BEN CHAMAVA-SE JOSEPH E NEM O MOTIVO PELO QUAL DERAM O NOME COMPOSTO AO LITTLE JOE, MAS NUM EPISÓDIO, ACHO QUE 'TALL STRANGER' O DELEGADO FEDERAL QUE CHEGA À CIDADE, PERGUNTA NO HOTEL POR JOSEPH FRANCIS CARTWRIGHT E LOGO DESCOBRIMOS TRATAR-SE DO NOSSO LITTLE JOE.

TAMBÉM NÃO SEI EM QUE MOMENTO ADAM PROJETOU A CASA EM QUE MORAVAM, MAS EM 'THE FIRST BORN', JOE DIZ A CLAY QUE NASCEU NO QUARTO DO ANDAR DE CIMA DA CASA, ENTÃO, PELA LÓGICA, ADAM TERIA PLANEJADO A CASA ANTES DE TORNAR-SE UM ARQUITETO, VISTO QUE NO ANO DO NASCIMENTO DE JOE, ADAM TERIA DE 11 A 12 ANOS. NUM OUTRO EPISÓDIO QUE AGORA NÃO LEMBRO O TÍTULO, HOSS DIZ QUE FOI ADAM QUEM PROJETOU A CASA DELES.

DE QUALQUER FORMA, ESSA HISTORINHA É APENAS UMA PEQUENA-GRANDE VIAGEM DA MINHA MENTE INSANA A RESPEITO DO QUE PODERIA TER ACONTECIDO NESSE TEMPO EM QUE A FAMÍLIA CARTWRIGHT ERA FORMADA.

OBRIGADA PELA PACIÊNCIA, PELA AUDIÊNCIA E POR QUALQUER COMENTÁRIO QUE POSSAM DEIXAR.

ATÉ BREVE!