Capítulo dois: Magnetismo sexual
- Sakura-chan, eu já disse que é só um arranhão, estou bem. - repetiu Naruto pela milésima vez, porém sua voz ofegante, sua respiração descompassada e a forma que ele fechava os olhos como se tentasse conter a dor denunciavam sua mentira.
- Estranho, nunca vi um "arranhão" sangrando desse jeito - ironizou a rosada com a voz embargada enquanto tentava sem sucesso para o intenso fluxo de sangue que saía da ferida do abdome do loiro e manchava suas mãos e roupas.
Estava cansada daquela interminável missão e a luta que travara contra aqueles ninjas renegados esgotara o seu chakra e sua calma. Conseguira vencê-los com a ajuda do Uzumaki, porém este não saiu ileso do confronto, e a culpa era dela. Ele não estaria entre a vida e a morte agora se ela fosse menos cabeça dura e tivesse tirado alguns dias de folga como ele tanto pedira.
Há dois meses Sakura tornara-se jounin e desde então aceitara uma missão atrás da outra, sem sequer um dia de descanso. Naruto preocupado com a amiga insistira em acompanhá-la nessa missão já que ela não aceitava a ideia de tirar um dia de folga.
O loiro estava à beira da morte por causa dela, por causa de sua teimosia. Saíra da casa dos pais e começara sua vida de adulta tentando provar a todos que já era madura, que já era dona do seu próprio nariz, mas na realidade continuava sendo uma garotinha estúpida e irresponsável.
As lágrimas brotavam abundantes no canto dos olhos esmeraldas e molhavam o seu rosto, misturando-se com o sangue de Naruto que ela espalhara na sua face ao tentar enxugar as lágrimas com as costas da mão suja pelo líquido vermelho.
O sentimento de culpa que crescia em seu peito e devastava sua sanidade estava acabando com o equilíbrio que normalmente tinha em situações daquele tipo, Tsunade a ensinara a lidar com o pânico. Precisava manter a calma, precisava pensar racionalmente.
Respirou pelo nariz e saltou o ar pela boca sentindo o nervosismo diminuir ao menos um pouco.
- Naruto, você precisa ser forte está bem? - disse ela ainda insegura.
O loiro assentiu o rosto dele estava ficando mais pálido a cada minuto.
Sakura tampava a ferida com um pano e deixando que o Uzumaki se apoiasse nela continuou andando. Estavam perto de Konoha, mas nenhum dos dois tinha condições de correr o que dificultava a tarefa de chegar rápido à aldeia.
- Vamos baka, falta pouco. - encorajou a rosada apresando o passo. - Você não pode morrer, está me ouvindo? Se você morrer, o Sasuke me mata quando voltar da maldita missão Anbu, então nem pense em fechar os olhos.
- Tá. - concordou o loiro sorrindo fracamente à menção do amigo. Fazia bastante tempo que eles não o viam, já que o Uchiha fora escalado para uma missão Rank S em um país distante do qual ele não pudera dizer o nome. Odiava admitir isso, mas sentia saudades de Sasuke e por um breve instante pensou que se morresse aquele Teme deveria cuidar muito bem da Sakura-chan.
Seus olhos estavam pesados e por mais que tentasse mantê-los abertos como pedira a Haruno não conseguia, ouvia a voz dela distante quase inaudível e de repente não sentia mais os pés tocando o chão.
- Vamos, Naruto, falta pouco. - implorava ela entre soluços violentos.
Ela estava cansada, sem chakra, e mal conseguia andar sozinha e com o peso do corpo de Naruto sobre o seu devia fazer um esforço sobre-humano para continuar em pé.
Próximo aos portões da vila Naruto já estava há muito tempo desmaiado e Sakura cedeu a uma tontura fazendo os dois caírem no chão.
- Você é uma fraca. - disse uma voz, e ao olhar para cima reconheceu Sasuke.
Sakura chorava descontroladamente sem conseguir conter-se.
- Me ajuda, Sasuke. - implorou.
- Você é uma fraca. - repetiu ele com a voz mais fria que ela já ouvira.
- Você nunca soube fazer nada direito. - sua mãe olhava-a com desdém.
- É uma péssima médica, uma kunoichi fracassada. - seu pai não lhe oferecia mais aquele sorriso brando. - Tenho vergonha de ser seu pai.
- Eu sempre fui melhor que você. - Ino lançou-lhe um sorriso superior.
- Você é fraca. - todos diziam em uníssono.
- Sakura-chan! Sakura-chan! - os gritos de Naruto a tiraram de seu pesadelo.
- O que foi? - perguntou ela alarmada, sentando-se na cama depois de um sobressalto.
- Você estava gritando e chorando. - disse o loiro preocupado. - Está tudo bem?
- Sim...- respondeu sem muita convicção, o sonho ainda estava muito presente em sua mente. - Foi só... só um pesadelo.
- Faz dias que você tem tido pesadelos, ainda é o mesmo? - quis saber o loiro enquanto abraçava-a pelo ombro e a trazia para mais perto de si.
- É. - disse ela pensativa.
- Tem certeza de que está tudo bem?
- Tenho.
"Pode vir morar comigo" - ela dissera. "De qualquer forma eu mal paro em casa e seria bom não estar sozinha quando volto do hospital ou de uma missão."
Depois de alguns dias morando juntos os dois saíram em missão, a missão do pesadelo de Sakura, e Naruto voltara bastante ferido, porém conseguiu recuperar-se rapidamente graças a Kyuubi. Por isso o loiro não entendia porque a rosada ainda se remoía por causa daquela missão, já que tudo terminara bem.
- Vamos tomar café-da-manhã e depois podemos sair e fazer algo divertido. - sugeriu o loiro depois de afastar-se da amiga.
- Obrigada. - ela sorriu amarelo. - Não estou com fome e nem afim de sair. - disse ela.
- Vamos, Sakura-chan, não se deixe abater por um sonho ruim, se ficar só deitada nessa cama vai acabar morrendo de fome ou tédio e quando o Teme voltar ele arranca minhas bolas, e não querendo ser chato, mas deve doer pra cacete e ainda quero ter filhos.
O comentário do loiro fez a rosada rir alto e animar-se.
- Tudo bem, vamos comer alguma coisa, mas se for ramen eu me afogo na banheira, estou enjoada de só comer isso, não sei como você aguenta.
Naruto fez um bico infantil e magoado.
- Merda, só porque eu queria fazer ramen, mas tudo bem, por você Sakura-chan eu faço esse sacrifício e como outra coisa. - disse fazendo caras e bocas enquanto colocava a mão sobre peito como se estivesse tendo um ataque do coração o que fez a rosada soltar outra gargalhada.
Naruto era um baka, mas sempre sabia como deixá-la animada com essas palhaçadas.
- Mesmo?
- Mesmo.
Naruto continuou fitando-a com um ar preocupado e sério que não combinava com sua personalidade extrovertida.
- Estou bem. - repetiu a rosada. - Apenas fique aqui comigo mais um instante. - pediu ela aconchegando-se melhor no abraço do Uzumaki.
Naruto desenhava círculos nas costas da jovem méd-nin para confortá-la enquanto esperava pacientemente que ela se recuperasse do sonho ruim. Esse pequeno ritual tornara-se uma rotina desde que começara a morar com Sakura algumas semanas atrás, pois tinha atrasado o aluguel pelo milionésima vez e o proprietário jogou-o no olho da rua. Como Sasuke estava em missão só Deus sabe a onde, Naruto teve que pedir ajuda a Sakura que deixou que ele morasse com ela por um tempo.
Sakura perguntou ao loiro o que ele gostaria de comer, além de rámen, é claro; depois de resmungar, como de costume, o Uzumaki respondeu que qualquer coisa comestível para ele já estava de bom tamanho.
A rosada pensou em algo fácil e rápido de cozinhar e resolveu por fim que não gastaria seus neurônios - nem seu tempo - tentando fazer algum prato complicado e, já que não tinha muita afinidade com o fogão, decidiu preparar um mingau à la senhor Haruno.
Não era nenhuma receita extremamente saborosa, era um simples mingau de aveia, porém, o que o tornava especial eram os desenhos que o pai de Sakura fazia em cima da papa com um xarope de cereja, quando a rosada era criança.
Depois de pronto, Sakura serviu o mingau em dois pratos fundos e desenhou com o xarope de cereja um rabisco qualquer.
Naruto comeu alegre e prometeu mentalmente que não deveria esquecer de contar ao Sasuke que o mingau da rosada era uma delícia.
- Não, não, Sakura-chan! Deixa que eu lavo a louça, você já cozinhou - interveio Naruto quando a méd-nin estava pegando a esponja.
- Está bem - ela concordou, deixando que o loiro cuidasse daquela tarefa.
Saiu da cozinha e foi para o seu quarto com a intenção de pegar uma toalha e tomar um banho, quem sabe assim aquele mal-estar que estava sentindo passasse.
Porém, viu sua imagem refletida no espelho e não gostou daquela visão. Não gostou da Sakura que estava olhando para ela agora com aquelas olheiras, com aquele rosto pálido e cansado, com aqueles cabelos róseos, opacos, secos e ridículos. Não admirava a mulher que tinha se tornado depois de sair de casa e se tornar jonnin. Estava se descuidando: comendo demais e em horas inapropriadas; dormindo pouco; quase não dava mais atenção aos amigos; e, desde que deixara a casa dos pais, não fora visitá-los uma única vez.
Não sabia explicar o que era aquela sensação. Uma espécie de desconforto no peito, uma vontade de gritar bem alto e descontar toda sua frustração em alguém ou alguma coisa. Mas, por outro lado, sentia uma necessidade muda de apenas se deitar em sua cama, enrolar-se no edredom e nunca mais levantar.
Aquela insatisfação que sentia em relação a si mesma estava acabando com seus nervos.
- O que você está fazendo? - perguntou Naruto ao se aproximar, tirando-a de seus pensamentos.
- Eu engordei - ela respondeu simples, dando de ombros.
- Só se for na sua imaginação. - O loiro revirou os olhos.
- É sério, eu tou horrível - disse com a voz tristonha. - Desde que virei jonnin não tive mais tempo pra cuidar do meu cabelo, olha isso. - Passou a mão pelos fios rosados. - Parece palha.
Naruto preferiu não dizer nada e escutar atentamente as próximas queixas, pois sabia que, normalmente, Sakura não era o tipo de menina fútil que se importa com cabelos, unhas, e quilos a mais, como Ino. Porém, acima de tudo ela era uma garota, e reclamar desse tipo de coisa devia ser algo genético. E sabia que a rosada jamais falaria disso com Sasuke, para não parecer infantil, nem com Ino, por causa da tal "competição feminina", então acabava sobrando para ele.
Não que ele achasse ruim, muito pelo contrário, saber que Sakura só dividia seus momentos de baixa-estima com ele fazia com que o loiro se sentisse necessário na vida dela. Agradava-o a idéia de poder ajudá-la ao menos nisso, já que Ino era a sua conselheira amorosa e Sasuke sempre bancava o papel de príncipe encatado.
- E meus ombros... eles são muito largos e eu sou pequena demais - resmungou, fazendo muxoxo.
Naruto posou suas mãos em cada um dos ombros da Haruno e apoiou seu queixo na cabeça dela.
- Não tem nada de errado com seu cabelo, Sakura-chan. Ele é lindo e sabe o que mais? Ele é raro, podemos ver cabelos loiros em toda esquina, mas cabelos róseos... acho que só você os tem. E para uma kunoichi ocupada como você eles estão bem cuidados sim e são super cheirosos - Naruto elogiou e beijou o topo da cabeça dela.
- Sério?
- Claro, eu não mentiria. E os seus ombros não são largos, e você também não é tão baixa assim, é só porque eu e o Sasuke somos altos demais - ele continuou, oferecendo seu melhor sorriso aberto. - Eu tenho mãos calejadas e sou a pessoa mais desastrada do mundo; em comparação, você é perfeita.
- É, você é desastrado mesmo. - Sakura riu, sentindo-se subitamente mais animada.
- Ei! - exclamou Naruto. - Essa é a parte que eu falo mal de mim e você faz com que eu me sinta melhor - informou, com um bico infantil, fazendo a rosada dar mais gargalhadas.
- Ah, suas mãos são calejadas sim, mas são quentinhas, as do Sasuke parecem cubos de gelo, que nem as minhas. Satisfeito?
- Eu tenho uma qualidade que o Sasuke não tem, que emoção. - riu o loiro e abraçou a rosada apertado. - Nee, Sakura-chan, você está usando uma camisola? - perguntou ele incrédulo, depois de largá-la.
- Sim, porquê? - ele arqueou uma sombrancelha, só agora ele percebera que ela ainda estava usando roupas de dormir?
- Sei lá, é estranho, normalmente você só usa blusas largas e pijamas.
- Ah, é porque foi a Ino que me deu ela de presente e eu não tinha outra roupa limpa com a qual poderia dormir.
- Hum - fez Naruto, como se estivesse prestando atenção.
Mas não estava. Sua capacidade de pensar com clareza foi para os ares no momento em que seus olhos se detiveram na alça da camisola de Sakura, que deslizara pela pele branca da garota, deixando completamente à mostra o seu ombro sensual.
Uma vontade louca de acariciar aquele ombro passou pela mente do Uzumaki, mas ele se deteve como se punisse não a ele, mas sim a um criminoso. Não queria ultrapassar o limite saudável de amizade que existia entre os dois. Ele não queria que o insano desejo de possuir Sakura ali mesmo destruisse a harmonia do time 7.
E também havia um outro "porém": ele prometera a si mesmo que jamais ficaria com a rosada para não se machucar depois.
Entretanto, Naruto era hiperativo demais e não conseguiria ficar parado ali, feito uma estátua. Então, entre o sim e o não, ele decidiu endireitar a roupa da amiga. Aquele gesto, afinal, era considerado inocente e concerteza não prejudicaria, nem abalaria a amizade dos dois.
Bom, isso era o que ele achava.
O Uzumaki aproximou sua mão de dedos trêmulos ao corpo da rosada, e, ao mesmo tempo em que levantava vagorosamente - tão lentamente que chegava a parecer que o tempo passava em câmera lenta - a alça da camisola, aproveitava para acariciar a pele feminina e leitosa que Sakura possuía.
Preocupado com a reação da rosada, Naruto deu uma olhada apreensiva para o reflexo de ambos no espelho. Para sua surpresa, Sakura não tinha uma expressão confusa ou desaprovadora, ela fechara os olhos como que para apreciar melhor o toque quente da mão de Naruto contra sua pele fria.
Ela sentia que o loiro agora distribuía leves beijos por cada centímetro de seu ombro até a curva de seu pescoço, enquanto algo dentro de sua barriga remexia-se e um arrepio subia pela espinha dorsal.
Nesse instante ela soube que se não parassem não haveria mais volta, ela tinha que acabar com aquela insanidade ou em alguns segundos não teria mais forças para fazê-lo. Sua mente mandava "PARE AGORA" e seu corpo parecia receber a mensagem pelo avesso, arrepiando-se mais a cada toque, a cada beijo, a cada murmúrio que o loiro emitia.
Sakura sentia sua força de vontade se esvaziando e o desejo crescendo. Ela não queria, de fato, que o loiro parasse, por mais difícil que fosse adimitir. E fazia tanto tempo que ela não se sentia desejada, tanto tempo sem ser tocada daquela maneira...
"Por que não? Vocês são solteiros, podem fazer o que bem entenderem", disse uma vozinha no interior da mente da jovem médica-nin. Então, ela mordeu o lábio inferior com força, tentando lutar avidamente contra si mesma. Porém, quando Naruto viu esse gesto, isso o estimulou a continuar. Apertou a cintura da Haruno com as duas mãos e a virou, prendendo-a em seus braços.
A rosada não conseguiu conter um gemido baixo, que no silêncio do apartamente soou mais alto do que era na realidade.
- Sakura... - murmurou Naruto, com a voz rouca de desejo.
Suas respirações se misturavam e Sakura sentia-se mole nos braços do Uzumaki. Ela segurou os ombros dele com medo de suas pernas cederem à fraqueza que queria dominá-la e entreabriu os lábios em um convite silencioso.
Um século depois, segundo o relógio mental de Sakura, Naruto colou seus lábios nos dela sem que houvesse um único protesto. Ela muito menos se importou com as conseqüências daquela loucura. Já estava perdida mesmo, podia pelo menos aproveitar o momento e se entregar completamente.
Enquanto as suas línguas pareciam travar uma batalha e as roupas iam se espalhando pelo quarto, Naruto teve um breve momento de lucidez onde soube que a linha tênue entre eles havia sido ultrapassada, não eram mais amigos agora. Eram homem e mulher. Todo o resto não importava. Ele se preocuparia com o resto depois.
Naruto olhou para Sakura, levantando uma sobrancelha interrogativo. Ela estava deitada na cama, relaxando um pouco, com os braços esticados ao longo de seu corpo, e, vendo que o Uzumaki hesitava, passou os braços em volta do pescoço dele. Naruto se aproximou, inclinou-se sobre a rosada, apoiando uma mão ao lado da cabeça da Haruno para não fazer muito peso sobre ela, enquanto sua outra mão cuidava de retirar a última peça de roupa que ela vestia. Sakura sentiu o tecido de sua calcinha escorregando entre suas pernas, porém não desviou o olhar, continuou a fitar intensamente as orbes azuis do loiro espiando cada reação dele.
Corpos nus. Mãos quentes sobre os seios. Uma respiração descompassada no ouvido dele. Gemidos. Suor. Calor, muito calor.
Um movimento constante; um vai-e-vem repetitivo e abrasador. Naruto possui-a com pressa, como se fossem amantes cheios de saudades, como se quissesse saciar uma necessidade que há tempos o atormentava.
Hálitos misturados lábios colados olhos fechados. O ápice chegou para os dois quase ao mesmo tempo. Os corpos sendo sacudidos por espasmos e tremores.
Ficaram na mesma posição, de olhos fechados por algo que pareceu uma eternidade. Quando Sakura abriu-os novamente, Naruto estava deitado ao lado dela. O travesseiro havia escorregado para o chão assim como o cobertor. O loiro estava com um pouco de frio. Sakura olhava para o teto branco com um braço atrás da cabeça. E num acordo silencioso, nenhum dos dois se atreveu a falar. Não sentiam vontade de conversar.
Ambos sentiram-se bizarros, sonolentos, relaxados. Uma estranha sensação de bem-estar pairava não muito longe.
- Desculpe - murmurou Sakura, de repente, quebrando o silêncio.
- Por que está me pedindo desculpas? - perguntou o loiro, confuso.
- Eu meio que o usei só porque estava me sentindo carente - confessou, envergonhada.
- E eu praticamente pulei em cima de você. Sou eu quem pede desculpas.
- Mas eu fui muito egoísta - insistiu a rosada.
- Eu também - disse o loiro.
Calaram-se por algum tempo, aproveitando para se fitar intensamente. Sakura perguntava-se como fora parar na cama com Naruto. Logo aquele que ela sempre desprezava, logo aquele com quem ela sempre fora uma megera. Ela não conseguia entender aquilo, nunca se sentira atraída por ele, mas agora, quando olhava no fundo das orbes azuis do loiro, algo dentro do seu estômago remexia-se avidamente. Ela sabia que não era amor, mas não podia mais negar que se sentia extremamente atraída pelo loiro.
- Não está se sentindo usado? - questionou, encarando-o séria.
- Não - respondeu o Uzumaki. - Você está?
- Não - sorriu aliviada.
Naruto esfregou os braços de Sakura, sem se surpreender ao descobrir que ela estava arrepiada. Ele afastou-se por um breve momento para apanhar o cobertor ao pé da cama e cobriu a amiga e a si mesmo. O calor foi envolvendo-os gradualmente e Sakura aconchegou-se confortavelmente nos braços de Naruto.
Acabaram adormecendo, um sono tranquilo e leve como uma soneca.
- Minha cabeça está uma bagunça... nunca pensei que você e eu... - murmurou Sakura algumas horas depois.
- Não se preocupe com isso - mandou o loiro enquanto acariciava docemente a bochecha da Haruno. - Eu também tou meio perdido.
Sorrisos. Foi Sakura quem iníciou o beijo dessa vez, um toque suave de lábios até as línguas se encontrarem e começarem novamente aquela loucura.
Eles acabaram passando o dia em casa, alternando entre longas conversas na sala e sexo no quarto. Sakura não protestou quando Naruto começou mais uma vez. Duas vezes. Três vezes. E depois da terceira ela havia parado de contar, perdida no calor que lhe era oferecido, no bem-estar gratuito e ilimitado. Ela não precisava fazer nada. Ou quase isso. Só precisava beijar e acariciar. Por vezes, dar alguns encorajamentos e, no final, só precisava corresponder.
Eles haviam suado. Sob os dedos de Sakura, os panos da cama estavam úmidos. O seu cheiro e o de Naruto impregnavam o linho branco, a cama, o quarto todo, e faziam a cabeça de Sakura girar, prendendo-a como uma prisioneira, fazendo-a cair novamente nos braços do Uzumaki. Era como se fosse um tipo de magnetismo e ela e Naruto eram os ímãs. Aquela força de atração a obrigava a manter o loiro entre suas pernas. Sakura não queria que Naruto parasse. Mas ela também não queria adimitir que era a incapaz, mais fácil transferir a culpa para o tal do magnetismo sexual que existia entres eles.
O sol se pôs, finalmente. Deitada de bruços, Sakura olhou para o rosto adormecido de Naruto. Ela o acordou com um suspiro. Um pouco alto demais. Um pouco de propósito. Eles sorriram. Se tocaram com a ponta dos dedos e se beijaram. E, depois de lutar contra a preguiça, levantaram-se, tomaram banho, vestiram-se e finalmente saíram do apartamento da Haruno.
A noite estava fria, o céu nublado e a cidade movimentada. O cheiro de comida fazia cócegas no nariz de ambos. Naruto sugeriu um jantar no Ichiraku, Sakura resmungou, mas acabou aceitando. Comeram ramen (Naruto comeu suas sagradas dez tijelas e Sakura mal aguentou uma.) enquanto conversavam sobre amenidades quaisquer.
Sakura percebeu o quanto apreciava a companhia do loiro e o quanto gostava da atenção que ele lhe dava. Diferente de Sasuke, Naruto não parava de falar e fazê-la rir com aquelas suas piadas toscas, tão toscas que a Haruno não conseguia entender por que ria tanto.
Depois de comer e pagar a conta, ambos foram andar um pouco pela cidade, pois Sakura não aguentava mais ficar trancada no seu apartamento. Caminharam pelo parque de mãos dadas sem sequer perceber e sentaram-se juntinhos como um casal de verdade faria em um dos bancos de pedra. E foi também sem perceber que Naruto colou os lábios nos de Sakura e ela correspondeu ao beijo sem se dar conta do que estava fazendo, como se fosse natural, como se estivesse acostumada a fazer isso com ele.
Algo gelado molhou a testa da rosada e ela afastou-se do loiro para olhar para o céu. Um riso cristalino escapou de seus lábios, a chuva que caía sobre ela fazia-a se sentir viva.
- Adoro chuva - comentou a Haruno mais para si mesma do que para o loiro.
- Eu também, mas...- Tirou o seu casaco laranja e preto. - Melhor você vestir isso, só para não ficar com frio. - disse colocando-o nos ombros da rosada.
- Obrigada. - Ela sorriu sincera e beijou a bochecha do Uzumaki. - Vamos pra casa?
- Vamos - ele concordou e os dois foram caminhando de volta para casa de mãos dadas.
No meio do trajeto, Naruto contou mais uma de suas piadas sobre corujas, a qual fez a rosada rir tanto que teve que parar de andar para colocar as mãos na barriga e recuperar o folego. Mas, a cada vez que estava se recuperando, Naruto repetia a piada fazendo caras e bocas e ambos caíam na gargalhada.
- Vocês estão bêbados? - uma voz familiar soou atrás de Sakura e ela virou-se num sobressalto para encontrar um Sasuke perplexo encarando.
Parados no meio da rua, de baixo de uma chuva torrencial e rindo alto como dois loucos, Sasuke perguntou-se que diabos havia acontecido com aqueles dois enquanto ele estava fora.
- Não, não estamos - respondeu Sakura sem ar depois de ter rido tanto. - É que a coruja do Naruto...
A risada de Naruto fez a Haruno voltar a rir e Sasuke teve que esperar que se acalmassem.
- Ai, ai. - Sakura tinha os olhos lacrimejando.
- Melhor não contar a piada, Sakura-chan, já que o Teme não vai entender - disse o loiro fazendo uma cara de sábio que quase fez a rosada rir de novo.
- Onde é que vocês estavam? - perguntou o moreno, seco.
- Ué, na casa da Sakura-chan - respondeu o loiro.
- Fazendo o que lá?
- Ah, a gente...- o loiro ia responder, mas a rosada deu uma cotovelada nas suas costelas e ele interrompeu-se.
- Nós não fizemos nada, oras - respondeu Sakura. - Passamos o dia morgando e depois fomos jantar no Ichiraku, estamos justamente voltando de lá.
- E onde você estava, Teme? - questionou o Uzumaki. - Que missão demorada foi essa?
- É, sem você aqui, eu tive que aguentar esse baka sozinha. - resmungou Sakura, feliz por poder mudar de assunto.
- Depois eu conto - disse o Uchiha. - Só procurei vocês para avisar que voltei. Naruto amanhã passo no seu apartamento para...
- Ah, tem que ser no apartamento da Sakura-chan. Estou morando lá agora. - interrompeu o loiro.
- Por quê? - A pergunta saiu da boca de Sasuke antes que ele pudesse pará-la, pois ele não tinha certeza se queria saber o porquê de eles estarem morando juntos agora. O casaco de Naruto que Sakura estava usando e a recente intimidade dos dois já lhe dava náuseas o suficiente. Não queria saber que eles estavam namorando e vivendo como um lindo casal apaixonado. Eca. Isso com certeza o faria vomitar.
- Porque o idiota e irresponsável do Naruto não pagou o aluguel e, como você não estava aqui, acabou sobrando pra mim - resmungou Sakura. - Ah, falando nisso, agora que o Sasuke-kun voltou, você vai sair da minha casa e vai morar com ele.
- Comigo mesmo não, na minha casa só entram mulheres. - Sasuke sorriu malicioso, porém, por dentro, sentiu uma espécie de alívio em saber que Sakura e Naruto continuavam os mesmos.
"Por um instante, eu achei que... ah, não importa", ele decidiu afastar tais pensamentos.
- Então o Naruto pode entrar, ele também é mulher - Sakura debochou rindo.
- Ei, Sakura-chan! - protestou o loiro, mas foi só para não perder o hábito, já que ele sorria bobamente.
Aliás, os três sorriam bobamente. Não foi um reencontro meloso e cheio de lágrimas, contudo os três sentiam-se completos. Sakura abraçou Sasuke e disse que era bom revê-lom, Naruto mandou ele tomar naquele lugar, e o Uchiha respondeu com um "igualmente" malicioso. Sakura riu, pois sabia que os dois queriam dar uma de durão e que atrás daqueles xingamentos havia um "senti sua falta" escondido. Passou o braço em volta do ombro de cada um e, depois de beijar ambos na bochecha, exclamou:
- Isso merece uma devida comemoração: Vamos beber e...
- Trepar até cansar? - sugeriu Sasuke, com um sorrisinho de canto pervertido.
- Eu ia dizer comer, mas enfim. - Sakura riu.
- Trepar, comer, dá tudo na mesma coisa... - disse Naruto.
- Sexo - completou Sasuke.
Foi assim que eles dormiram juntos pela primeira vez. Dormiram. Só dormiram mesmo.
N/A: Minna-san *-* Obrigada pelos comentários :D Não vou respondê-los, porque estou realmente sem tempo e é até por isso que demorei tanto pra postar o segundo capítulo! Espero que vocês tenham gostado desse capítulo .-. Deixem suas opiniões, críticas, elogios, whatever :3
No próximo capítulo começo a responder os comentários, prometo *o*'
Heartless.
(29/01/10)
