Capítulo três: A banheira
- SASUKE! - ela gritou ao avistar o moreno que acabara de chegar à vila após uma missão Anbu com Naruto.
Os dois estavam brigando sobre quem deveria fazer o relátorio quando a garota os interrompeu ao chamar o nome do Uchiha.
- Sasuke... - a loira repetiu, dessa vez, perto dele.
- Oi Ino. - Naruto comprimentou-a sorridente.
- Oi Naruto. - ela mal olhou para ele, ocupada demais em encarar Sasuke com um olhar deveras estranho na opinião do Uzumaki.
- Sasuke, preciso falar com você, é urgente. - falou Ino apreensiva.
- Está bem, depois de entregar o relátorio para a Hokage podemos conversar. - respondeu o Uchiha não parecendo muito interessado nesse tal assunto urgente da loira.
- Você não ouviu o que eu disse? - perguntou ela irritada. - Tem que ser agora. E a sós. - completou dando uma olhada em Naruto.
O loiro suspirou.
- Eu entrego o relatório pra velha, mas você fica me devendo essa, Teme. - Naruto disse e tratou de se afastar dos dois.
Quando o moreno percebeu que Naruto estava à uma distância razoável e que não poderia ouvi-los retomou a palavra, quebrando o silêncio.
- Então...- um sorriso irônico enfeitou os finos lábios do Uchiha. - Já se arrependeu?
- O quê? - Ino pareceu confusa por alguns segundos, mas logo entendeu o que o moreno queria dizer e franziu o cenho, assumindo uma expressão séria que não lhe caia bem. - Não é sobre isso que quero conversar, Uchiha. - respondeu ela secamente.
- É sobre o quê? - quis saber o moreno.
- É sobre a Sakura.
- Ino, pare de se preocupar com...
- Sasuke! - a Yamanaka interrompeu-o exasperada. - Eu já disse que não é sobre aquilo.
- Então fala logo. - impacientou-se o Uchiha.
- É sobre a missão que a Sakura realizou enquanto você e o Naruto estavam no país da chuva. - Ino começou enquanto encarava o Uchiha com um olhar preocupado e cauteloso, como se ele fosse pular em cima dela a qualquer instante.
- O que tem essa missão? - Sasuke perguntou franzindo as sobrancelhas.
- Bom...é que, você sabe que era uma missão de infiltração, certo?
- Sei sei, o que aconteceu?
- A Sakura estava sozinha, sabe? E era a primeira missão dela como jounnin sem nenhum outro ninja para ajudar e...bom...- Ino gaguejava, nervosa diante do olhar negro do Uchiha.
- Ino, pula a enrolação e fala de uma vez. - mandou Sasuke.
- Ok - ela respirou fundo. - Mas antes me prometa que você não vai arregalar os olhos.
- Prometo. – suspirou.
- Nem vai começar a xingar.
- Prometo. – revirou os olhos.
- Nem vai começar a gritar.
- Prometo. – ralhou.
- E nem vai surtar e sair correndo que nem um louco e...
- Prometo! - Sasuke gritou interrompendo-a.
- Sério, Sasuke, promete que você não vai surtar, por favor. - pediu Ino com a voz suplicante o que deixou o moreno ainda mais ansioso e preocupado.
- Prometo. - disse ele pelo que parecia ser a milésima vez.
- Sasuke - a loira chamou-o com o típico tom maternal na voz.
O Uchiha revirou os olhos e suspirou.
- Está bem, eu: Uchiha Sasuke, prometo que não vou surtar.
- Certo. - Ino reuniu coragem. - A Sakura foi descoberta e pressa. - desviou os olhos do olhar de Sasuke para não ver a reação dele. - E torturada. - completou e voltou seu olhar para a expressão do Uchiha, porém este parecia apenas preocupado.
- Ela conseguiu fugir? - questionou o Uchiha.
- Sim. - respondeu a loira e uma onda de alívio percorreu o corpo tenso de Sasuke. - Mas quando ela estava fugindo ela meio que . - Ino falou a última parte tão rápido que o Uchiha demorou alguns segundos para captar a mensagem.
- É o quê? - ele gritou e saiu correndo em direção ao hospital antes mesmo que a Yamanaka tivesse tempo de impedi-lo.
- Você prometeu. - suspirou a loira falando consigo mesma.
—X—
- Você caiu de um penhasco? – Sasuke perguntou chocado.
- Caí. – respondeu a rosada encolhendo-se na cama diante do olhar furioso do Uchiha.
- E você me fala isso nessa tranquilidade toda? – questionou o moreno, porém Ino interveio em defesa de Sakura.
- Calma, Sasuke, lembra sobre o não surtar? A testuda já está mal o suficiente, não piore as coisas.
- Eu não estou surtando. – defendeu-se ele, porém sua expressão não enganava ninguém.
- Trate de acalmar-se ou te coloco pra fora daqui à chutes. – ameaçou a loira. – Só chamei você ao invês do Naruto, porque eu achava que você seria mais racional.
- Eu estou sendo racional. – protestou Sasuke.
- Você está surtando. – retrucou Ino.
- Gente. – a rosada chamou com a voz fraca. – Chega de briga, ok?
- Está bem. – concordou a Yamanaka.
- Ino, preciso usar o banheiro. – mentiu a rosada para assim poder mudar de assunto. Ela odiava levar sermão e levar sermão de um companheiro de time fazia-a se sentir inferior à eles.
Naruto e Sasuke sempre destacaram-se mais que ela como Ninjas e a Haruno prometera a si mesma que lutaria, que treinaria, que se esforçaria para um dia igualar-se à eles.
E acabacara fazendo exatamente o contrário, não conseguira nem terminar com sucesso uma maldita missão de inflitração, talvez sua mãe estivesse certa afinal, e ela não tivesse força o bastante para se tornar uma grande Kunoichi.
Ino ajudou a rosada a levantar-se e assim que esta pôs os pés no chão sentiu aquela conhecida tontura atrapalhando-lhe a vista e o equilíbrio.
Já fazia mais de um mês que ela estava no hospital e nesse tempo conseguira uma boa recuperação, porém possuía algumas costelas fraturadas que demoravam a melhorar. Sem falar da dor que era horrenda, parecia afetar o seu corpo inteiro, e quando a Haruno levantava-se as pontadas de dor se asemelhavam à socos na boca do estômago.
- Se precisar de alguma coisa grita. – disse Ino e Sakura asentiu.
A Yamanaka voltou para o quarto e Sakura fechou a porta encostando as costas nesta em seguida, estava cansada. Cansada das cobertas asperas, da comida sem sal, dos remédios, cansada de ficar naquele hospital. Começava a entender melhor os seus pacientes agora, era realmente torturante ficar naquele lugar silencioso e branco.
Sakura sentia falta do barulho das pessoas de manhã cedo indo para o trabalho ou para feira. Sentia falta das cores do seu apartamento, do cheiro, da sensação de estar em casa. E sentia saudades dos seus companheiros.
Suspirou e entreabriu a porta sem que Ino ou Sasuke percebessem.
- …mas eu ficarei bem, é só uma questão de tempo. – disse Ino com uma expressão triste no rosto.
- Pode contar comigo. – disse Sasuke sorrindo de um jeito sugestivo, ato que fez a loira rir baixinho.
- Você sabe que pode contar comigo também. – sorriu do mesmo jeito maldoso. – Cuide da Sakura por mim, está bem? Preciso ir agora.
A loira virou-se para ir embora, entretanto Sasuke segurou-a pelo pulso e puxou-a, um puxão forte e seco que fê-la tropeçar nos próprios pés.
Ino só não foi de encontro ao chão, pois Sasuke segurou firmemente os braços finos da loira, impedindo-a de cair.
- Sasuke – chamou ela com a voz alarmada. – Por favor, eu não…
- Hey – o Uchiha interrompeu-a com a voz suave e encostou gentilmente sua testa na dela. Seus narizes roçaram e seus lábios quase tocavam-se. – Siga a porra do meu conselho, está bem? – mandou ele encarando-a fixamente.
- Eu estou tentando. – disse ela, sorrindo amarelo.
- Pois tente com mais vontade. – disse o moreno e ela assentiu silenciosamente.
- Tá. – murmurou com a voz tremula.
- Cuide-se. – disse Sasuke e aquilo parecia mais uma ordem do que qualquer outra coisa.
- Você também. – respondeu ela e o Uchiha saltou-a.
Ino afastou-se e antes de sair pela porta, virou-se para sorrir para ele, aquele tipo de sorriso cumplice de quem compartilha um segredo.
- Tchau. – disse sem emetir nenhum som, apenas movendo os lábios e o Uchiha respondeu com um leve aceno de cabeça.
Sakura fechou a porta do banheiro rapidamente e tornou a enconstar-se nela com a respiração levemente alterada. Será que era o efeito dos remédios ou ela acabara de ver uma cena intíma demais entre Sasuke e Ino?
Afastou aqueles pensamentos, convencendo-se que só poderia ser impressão sua, já que Sasuke sempre deixara claro que sequer suportava a voz da Yamanaka.
Abriu a porta, dessa vez saindo do banheiro e logo o moreno foi até ela para ajudá-la a deitar-se na cama.
- Obrigada. – agradeçeu a Haruno.
- De nada. – respondeu o Uchiha, puxando uma cadeira para o lado da cama da Haruno. – Então, que historia é essa, hein? – quis saber ele.
- Ah, Sasuke-kun, desculpa por ter te deixado tão preocupado, mas não quero mais falar sobre isso. Podemos, por favor, mudar de assunto? – pediu a rosada.
- Podemos. – concordou o moreno a contra gosto. – Como você está?
- Estou bem. – mentiu Sakura sem nem perceber.
- Disso eu já sei, quero saber como você realmente está se sentindo.
- Tá legal… - suspirou vencida. – Não estou bem. Minhas pernas parecem gelatina, meu ombro doi horrores, minha cabeça parece que vai explodir e quero ir pra casa. – lamentou-se, sentindo-se agradecida por poder fazer draminha sem ser repreendida.
- Não posso acabar com a sua dor, mas posso providenciar sua volta para casa. – disse Sasuke fazendo assim a rosada arregalar os olhos verdes.
- Sério? – exclamou. – Mas eu precisaria de alguém pra cuidar de mim o dia inteiro.
- Eu e o Teme podemos dar conta, Sakura-chan. – disse Naruto que surgira como que por mágica no batente da janela.
- Que susto! – gritou Sakura e o Uzumaki riu, pulando para o chão e indo abraçar a amiga.
- Senti muitas saudades. – murmurou ele ao ouvido dela.
- Eu também. – respondeu a Haruno sentindo os olhos arderem, mas conteve-se, não queria chorar na frente deles.
Naruto afastou-se e sentou-se na mesma cadeira que Sasuke, o empurrando para o lado, quase esmagando-o.
- Sai daqui, Dobe, ninguém te chamou! – ralhou o Uchiha.
- Eu me auto-convidei! – retrucou o loiro sorrindo vitorioso.
Sasuke revirou os olhos e Sakura gargalhou gostosamente. Como sentira falta dessas briguinhas infantis. Ficar longe de um dos dois amigos já era ruim, mas quando ambos partiam em missão ao mesmo tempo era realmente deprimente.
- Então, Teme, é bom você ir logo levando suas coisas para casa da Sakura-chan, já que você também vai morar lá de agora em diante.
- O quê? – exclamaram Sakura e Sasuke ao mesmo tempo.
- Ué, não posso cuidar da Sakura-chan sozinha, por isso você tem que estar lá comigo para ajudar. E assim quando um estiver em missão o outro cuida dela.
- Adoro quando você pensa. – debochou Sasuke.
- TEME! – berrou o loiro irritado.
- Dobe. – respondeu o moreno sem se importar com as crises do melhor amigo. – Você ao menos perguntou à Sakura se ela aceita isso?
- É claro que ela aceita. – Naruto fez um movimento de descaso com a mão.
- Ah, eu não sei não. – interveio Sakura parecendo ligeiramente sem graça. – Eu não quero ser um incomodo para vocês, pra mim já está de bom tamanho se vierem me visitar de vez em quando.
- Larga de ser irritante. – brigou Sasuke e a rosada assustou-se com a rispidez dele. – Você sempre incomoda, mas não é como se agente achasse isso ruim. – disse dando um meio-sorriso.
- É, Sakura-chan, gostamos quando você nos incomoda. Na verdade, sem você brigando e enxendo nosso saco as coisas não tem graça.
—X—
Sakura inclinou-se cuidadosamente a fim de fechar a torneira, tentando não realizar um único movimento brusco que pudesse rasgar alguns pontos. A última coisa de que ela precisava naquele instante era retornar ao maldito hospital. Pelo menos enquanto fosse considerada a paciente, e não a médica.
A banheira estava repleta de água, cuja temperatura Sakura verificara com a mão antes de começar a despir-se. Contudo, seu trabalho foi interrompido no momento de retirar a blusa folgada, usada ao mesmo tempo como pijama ao lado de um short velho, pois a rosada sentira uma pontada de dor percorrendo-lhe o tronco.
"É mesmo, eu não deveria levantar os braços por algum tempo, por causa da merda desses machucados", pensou, profundissimamente irritada, e ainda completou "às vezes, Sakura, você é muito burra, mesmo."
- Naruto. – Sakura fechara a tampa da privada, sentara-se em cima dela e, por fim, chamara o amigo loiro para ajudá-la, porém este não dera um único sinal de vida. – Naruto! – ela repetira, um pouco mais alto.
Silêncio.
- Naruto! – dessa vez ela gritou, presumindo que o rapaz tivesse cochilado no sofá.
Ela escutou alguns passos originados no corredor, e, por morar tempo suficiente com o loiro hiperativo, reconhecia muito bem que não era ele quem se aproximava, pois o andar não possuía a delicadeza equivalente à de um elefante.
- O Naruto foi comprar a janta – Sasuke disse do outro lado da porta. – Está tudo bem aí?
Ela pensou em responder que tudo estava ótimo e aguardar paciente o retorno do Uzumaki, no entanto, além da falta dessa paciência, até lá a água da banheira provavelmente já estaria gelada.
- Na verdade, não. Preciso de ajuda para tirar a roupa e entrar na banheira – disse ela, meio tímida.
- Eu a ajudo. Se puder entrar, claro... Posso? – perguntou o Uchiha.
- Pode. – respondeu Sakura, mas, quando o rapaz ali apareceu, preenchendo o banheiro com a sua presença material, ela percebeu que aquilo talvez não fosse uma boa ideia.
Naquele banheiro havia espaço. Pode-se dizer que ele era maior do que o comum de Konoha. Porém, quando Sasuke entrou, a rosada teve a nítida impressão de se ver presa dentro de um armário de vassouras. Sentiu-se acuada e sem ar, uma perfeita claustrofóbica. Corou, e isso a fez se sentir bem mais estúpida, idiota. Então, de súbito, um cansaço a invadiu violentamente. De fato, em relação ao físico ela estava um caco. Porém, seus machucados pareciam ir além do visível e palpável, pareciam se estender até sua mente, até sua alma.
- O que foi? – quis saber Sasuke, ao notar aquele desconforto.
- Estou cansada dessa situação – disse Sakura, encarando suas próprias mãos, para não cruzar com o olhar poderoso do moreno.
Ele fechou a porta, na qual, logo em seguida, encostou-se, cruzando os braços, esperando que a rosada continuasse a falar. Como Sakura queria somente desabafar - em vez de de uma conversa cheia de conselhos baratos - e sabia que Sasuke a escutaria com seu costumeiro silêncio e dificilmente responderia no final, ela acabou se decidindo por, sim, continuar:
- Estou cansada de me sentir tão inútil. Pelos céus, não consigo mais nem tomar banho sozinha – disse exasperada. – Odeio depender da ajuda dos outros. É tão humilhante e me deixa tão furiosa e... e...
- Vulnerável. – completou o moreno.
Sakura olhou para ele, um tanto surpresa e chocada, já que "vulnerável" era a palavra que estava se encaminhando para a sua língua.
- É, faz com que eu me sinta vulnerável. – concordou.
- Você, com essas suas manias maternais, está tão acostumada a cuidar de todo mundo que acabou se esquecendo de que, de vez em quando, também vai precisar de cuidados dos outros.
- Acho que você tem razão. – Ela suspirou, cansada.
- Sempre tenho. – Ele sorriu de canto e aproximou-se dela.
- Obrigada por me ajudar – agradeceu a rosada. – Sei que você não gosta de bancar o enfermeiro.
- Me agradeça quando não tiver sido acidentalmente afogada ou machucada - disse Sasuke, numa tentativa de careta.
- Está bem. - Logo depois de dizer isso, Sakura riu do rosto espremido de desconforto do amigo, porém, ele não era a única pessoa a se sentir um pouco envergonhada com a situação.
Sasuke ajudou-a a retirar a blusa, esforçando-se ao máximo para que ela não precisasse levantar muito os braços. Em seguida, foi a vez do short, com o qual não houve muita dificuldade. Como consequência, Sakura cobriu-se com apenas lingerie frente a frente com o moreno e, contudo, não se considerou aquela mulher sexy e madura na qual se imaginara caso algum dia viesse a vestir-se com tão pouco ao lado dele. Na verdade, a calcinha e o sutiã azuis, este com enfeites cor-de-rosa, faziam com que ela se sentisse uma garotinha virgem de quinze anos. Em suas fantasias, pelo contrário, Sakura sempre se imaginava coberta por um conjunto vermelho-ousadia, comportando-se como uma mulher - e não uma menina - segura de si, sensual e provocadora, sendo transformada na mulher das fantasias dos próprios homens. Mas, para ser sincera consigo mesma, ela precisava assumir que havia uma distância significativa entre essa imaginação e a realidade.
- Sakura-chan! Sasuke-Teme! – Naruto entrou no apartamento berrando os nomes dos amigos.
- No banheiro! – informou Sakura, em um grito, suspirando de alívio em seguida, já que, com a presença do loiro, ela ficaria bem menos embaraçada.
- Achei que você quisesse que eu te desse banho – disse Naruto, após ver o cenário do banheiro.
- Ela ainda quer – respondeu Sasuke, antes que a Haruno tivesse tempo de abrir a boca. – Só a ajudei enquanto você não chegava.
- Ah – fez o loiro.
- Vou colocá-la na banheira, porque, do jeito que você não é nada desastrado, é bem capaz que a derrube no chão.
- Está bem – concordaram Naruto e Sakura em uníssono.
Sasuke agachou-se um pouco, passou um de seus braços por debaixo dos joelhos da moça, enquanto o outro envolvia, cuidadosamente, as costas dela. Depois, ele a colocou, bem devagar e delicado, dentro da banheira.
- Pronto, Dobe, agora você se encarrega do resto.
- Okay! – respondeu o Uzumaki.
Sasuke se retirou. No entanto, mal chegou ao final corredor e já escutou o som de algo espatifando-se contra o chão, seguido pelo grito estridente do Uzumaki.
O que havia acontecido foi o seguinte: quando Sasuke colocara Sakura dentro da banheira, uma quantia considerável de água respingara no chão de cerâmica, deixando-o escorregadio, e Naruto, que não percebera esse pequeno detalhe, acabou escorregando. O loiro ainda tentara se segurar na borda da banheira, porém ele acabou batendo a testa nela e caindo de bunda no chão.
- Itai! – berrou o loiro, levando as mãos à cabeça, sentindo os olhos lacrimejar por causa da dor.
Sakura que acompanhara de camarote a tentativa frustrada do loiro de não cair não pôde se controlar e gargalhou. O que mais aborreceu o Uzumaki foi que ela continuou e continuou a rir.
- Sakura-chan, não tem graça! – protestou.
- Desculpe, Naruto... – Ela reviu a cena dele caindo em sua mente e gargalhou mais algumas vezes. – Mas foi muito engraçado.
- Sua má. Está doendo, sabia? – resmungou, fazendo bico.
- Oh. – Ela se controlou para pôr fim em sua diversão com o desastre do outro, pois a testa dele havia avermelhado. – Venha cá, deixe-me ver.
O loiro aproximou-se e Sakura segurou seu rosto entre suas mãos molhadas, examinando de mais perto o machucado.
- Isso vai ficar roxo – disse ela. – Depois coloque um pouco de gelo em cima.
- Que diabo aconteceu aqui? – quis saber Sasuke, o qual acabara de entrar, com uma sobrancelha arqueada e um ar de irritação.
Ele ficara curioso depois de escudar as risadas escandalosas de Sakura e retornara para ver o que havia acontecido. Sua grande surpresa foi encontrar os rostos dos amigos tão próximos, quase como se um tivesse beijado o outro.
Sakura tirou suas mãos de Naruto e olhou para o moreno, começando a rir histericamente em seguida.
- O Naruto... escorregou e caiu... bateu a testa... - explicou entre uma gargalhada e outra.
Sasuke viu a vermelhidão na testa do loiro e, como ele estava sentado patético e todo emburrado no chão molhado, também não pôde deixar de rir, até porque aquela diversão da Haruno era contagiosa.
- Dobe estúpido – observou.
- Cale essa boca, Teme! – reagiu Naruto, irritado.
O Uchiha riu mais um pouco.
- Acho melhor eu permanecer aqui, para a segurança de todos – declarou o moreno, sorrindo de um jeito debochado na direção do loiro.
- Ha-ha – fez Naruto. – Posso muito bem cuidar da Sakura sozinho.
- Aham. – Sasuke revirou os olhos. – Estou vendo.
- Meninos! – exclamou Sakura, chamando a atenção de ambos antes que eles começassem a brigar. – Vamos terminar logo com isso, está bem? Naruto, você pode lavar meu cabelo. E o Sasuke passa sabão em mim, okay?
Os dois concordaram em um balançar de cabeça. Então deram um banho em Sakura sem mais nenhum incidente grave. Apesar de Naruto quase ter derramado metade do shampoo na cabeça dela e permitir a passagem de espuma para dentro de seus olhos, todo o resto correu bem. E, no final das contas, ambos os rapazes foram muito cuidadosos com ela, fazendo o possível e o impossível para não machucá-la.
Quando terminaram, Sasuke retirou-a da banheira e Naruto enrolou-a numa toalha. Foram para o quarto, onde ela foi deixada só por um instante, a fim de que pudesse trocar de roupa íntima. Depois chamou o loiro para ajudá-la a pôr o vestido verde-claro que Ino lhe dera de presente, observando que ele realçaria a cor dos olhos da rosada.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Sasuke levou algumas de suas roupas e alguns de seus pertences para a casa de Sakura, onde moraria até que a moça alcançasse a recuperação. Ele conseguiu chegar ao apartamento quando já eram quase onze horas da noite, pois tivera que concluir um relatório sobre sua última missão e Tsunade quisera conversar come ele a respeito da próxima.
Deixou suas coisas em cima da mesa da cozinha e, de repente, deu-se conta da ausência de barulhos naquele lugar, uma situação bem peculiar, tendo em vista que Sakura e Naruto pareciam ter a necessidade de falar alto e fazer mais barulho do que as pessoas normais. Estranhou, mas preferiu não reclamar. Dirigiu-se para o único quarto do apartamento, cuja porta estava entreaberta, permitindo a visualização da silhueta dos dois amigos sobre a cama. Sakura dormia numa das pontas, e Naruto se encontrava na outra, rabiscando qualquer coisa numa folha de papel, provavelmente mais um relatório.
- Teme, por que você demorou tanto? - sussurrou o loiro.
- Tive que resolver umas coisas - respondeu Sasuke, no mesmo tom, para não acordar Sakura.
- Ah. - Naruto esfregou os olhos, sonolento. - Deite-se no meio, pois tenho medo de me mexer durante o sono e ferir a Sakura-chan. Mas não há problema em chutar você. É normal, até.
- Se você me chutar, eu o empurro da cama no mesmo instante, Dobe - respondeu o moreno, subindo na cama após ter trocado de roupa. Resultado: usava apenas uma bermuda preta, ao contrário de Naruto, que vestia seu pijama favorito, "infantil e ridículo", não poderia deixar de notar o Uchiha.
- Boa-noite, Teme - disse o loiro, após apagar a luz do abajur.
- Boa-noite, Dobe - respondeu Sasuke.
- Boa-noite - disse Sakura, meio acordada, meio adormecida, uma espécie perfeita de sonâmbula.
E foi assim que os três dormiram juntos pela segunda vez. Só dormiram, mesmo.
N/a: Olá, queridos leitores, será que alguém ainda lembra da existência dessa fic? Espero que sim. Depois de ficar dez meses sem atualizar só posso pedir desculpas. Gomen T.T Mas o terceiro ano me consumiu mais do que eu esperava e raramente sentia vontade de escrever, além da constante falta de tempo. Desculpa mais uma vez. Mas finalmente postei e isso é o que conta. Além disso mudei de nick, não sou mais Heartless e sim J. Romy (nunca estou satisfeita com meu nick, lamentável, eu sei.) Enfim, sejam uns amores e comentem, ok?
Kissus ;3
Romy.
(19/12/10)
