Capítulo quatro: Os segredinhos do Time Sete
- Cuide bem da Sakura-chan enquanto eu estiver fora. – Naruto recomendou pela milésima vez, conseguindo acabar com a paciência do amigo.
- Dobe, se você repetir isso mais uma vez, juro que o chuto para fora desse apartamento – ameaçou o Uchiha.
Sakura que estava sentada, quietinha, na ponta da cama. Observara o loiro preparando-se para a missão enquanto instruía Sasuke na difícil tarefa que era cuidar dela. Note-se o sarcasmo. Sakura achava que Naruto estava exagerando – e Sasuke compartilhava a mesma opinião – porém o loiro parecia realmente preocupado e a rosada tentou tranquilizá-lo:
- Tá tudo bem, Naruto-baka. Você volta em uma semana, nem é tanto tempo assim. Eu ficarei em casa o tempo todo, lendo, me entediando. E garanto que não correrei nenhum risco de morte.
Naruto já colocara a mochila sobre os ombros, mas parecia meio incerto a respeito de sua partida. E então Sakura o chamou para mais perto com mão.
- Abaixe-se. – mandou quando ele já havia se aproximado.
Perto da porta, tentando esconder a perplexidade, Sasuke observava tudo, inclusive Naruto se agachar num gesto de respeito à Sakura.
- Ficarei bem, prometo – garantiu a moça, antes de assanhar aqueles cabelos dourados. – Agora vá. – Ela sorriu abertamente e deu um peteleco na ponta do nariz alheio.
- Yoshi! - Naruto pôs-se de pé e, determinado, socou o ar. – Tá bom Sakura-chan, volto logo, não morra de saudades! – exclamou animado, beijou a testa da amiga e saiu.
-X-
Os primeiros dias que Sakura passara sozinha na presença de Sasuke foram tranquilos, sem nenhum acontecimento interessante ou fora do comum. Ela gastava a maior parte do dia dormindo ou então lendo, e via Sasuke quase apenas na hora das refeições, pois, a fim de poupá-la de mover-se desnecessariamente, ele as levava até a cama.
Ino a visitava todo dia, geralmente à noite, pois de manhã cuidava da floricultura dos pais e de tarde era sensei na academia ninja. Ela ainda realizava algumas missões vez ou outra, porém acabara gostando da tarefa de colocar algum juízo e conhecimento na cabeça oca dos genins (ou pirralhos, como costumava os chamar) e decidira dedicar-se mais a essa missão. A loira, após ajudar a amiga a tomar banho, ficava horas de conversa mole, sendo o maior entreterimento com as fofocas da vila e outras amenidades do tipo.
Porém, no quinto dia após a ida de Naruto algo estranho aconteceu. Era uma quarta-feira, Ino aparecera no apartamento da rosada no final da tarde apenas para banhá-la e fora embora, pois Shikamaru chegaria de Suna no dia seguinte e a Yamanaka sairia em missão com ele e Chouji, ou seja, tinha de ir para casa preparar-se e dormir cedo. Sakura passara o dia inteiro lendo e dormindo, por isso, naquela noite por mais que tentasse não conseguia encontrar o sono e depois de revirar-se na cama por aproximadamente duas horas, ela desistiu e levantou-se. Estava se recuperando bem, já conseguia andar sem sentir dor ou vontade de vomitar suas tripas, o que era um enorme progresso em sua própria opinião. No entanto, demoraria mais uma pequena eternidade até que Tsunade a liberasse para alguma missão.
- Maldição... – resmungou um pouco para dentro. Estava completamente sem sono e sem a mínima vontade de ler.
Saiu do quarto com a intenção de ir até a cozinha assaltar a geladeira, entretanto um vulto deitado no sofá da sala chamou sua atenção e ela aproximou-se dele. Mesmo que o ambiente estivesse consumido por certa escuridão, e Sakura mal conseguisse enxergar, ela sabia que o vulto em questão era Sasuke. Até porque o que outra pessoa além dele estaria fazendo ali?
Ela ajoelhou-se rente ao sofá, com a proximidade conseguia distinguir os traços do rosto do Uchiha, e percebeu que mesmo estando de olhos fechados e provavelmente profundamente adormecido o cenho dele permanecia franzido, como se estivesse preocupado. Ou, quem sabe, talvez estivesse tendo um pesadelo.
Sakura sentiu uma forte necessidade de tocar naquele rosto pálido, passar as pontas dos dedos na pele fria, sabia que o Uchiha – assim como ela – possuía mãos geladas, porém nunca tocara seu rosto e agora estava curiosa.
"Será que a pele do rosto dele é quente?" perguntou-se em pensamento.
Queria saber.
Queria sentir a textura.
"Só um pouquinho..."
Precisava saber, não conseguia mais pensar em nada além de sua vontade de tocar o rosto daquele homem adormecido bem à sua frente.
Esticou o braço, a respiração apressou-se, o coração bateu com força. Entretanto, no instante em que seus dedos tocaram a bochecha do Uchiha, a mão dele segurou seu pulso, apertando com força, e no instante seguinte ela estava de costas no chão, imobilizada pelo peso do corpo do moreno sobre o seu. Uma kunai afiada era pressionada dolorosamente contra sua garganta.
- Sasuke-kun... - ela conseguiu gaguejar com dificuldade, mirando, assustada, os olhos vermelhos que só um Uchiha poderia ter.
Sasuke cerrou os olhos com força e reabriu-os com o sharingan desativado. Em seguida, largou a kunai. Porém ele continuava prendendo a rosada contra o chão, e nem ao menos parecia perceber isso.
- Sasuke-kun – Sakura chamou seu nome baixinho, com a voz mais suave do que uma brisa primaveril. – Sou eu. – E sorriu docemente.
Ele arregalou os olhos, acordando finalmente do seu profundo estado de transe. Levantou-se num pulo, como se acabasse de levar um choque.
- Eu... me desculpa – disse confuso, sem entender que diabo acabara de acontecer.
Sakura também pôs-se de pé, devagar, sentindo uma dorzinha incômoda nas costas, porém sem deixá-la transparecer.
- Eu estava indo fazer o chá – comentou com um tom de voz casual, tentando acabar com o clima pesado e estranho que se prendera no ar. – Limão está bom?
- Está – ele respondeu e logo em seguida deu as costas. – Preciso de um banho. – acrescentou antes de sair da sala em direção ao banheiro.
O banho foi rápido. Logo após vestir seu pijama – que consistia em um short preto e folgado –, Sasuke foi em busca do chá citado por Sakura. Ao adentrar a cozinha, ele deparou-se com a moça sentada na bancada da pia, com as pernas balançando, enquanto segurava, entre as mãos, uma xícara de porcelana.
Um cheiro forte de limão pairava no ambiente.
Ele aproximou-se e, quando subiu na bancada, sentando-se ao lado da rosada, esta lhe entregou a xícara que segurara até então. Sasuke a pegou e, por um breve segundo, após os dedos de Sakura tocarem os seus, ele sentiu uma sensação estranha de formigamento na boca do estômago, uma sensação estranha que tratou de ignorar imediatamente. Ele resmungou algo que Sakura entenderia como um agradecimento. Ela não se impediria de sorrir um pouco. Tantos anos haviam se passado desde a academia ninja, e a relação de ambos passara de simples companheiros de time para amigos. Eles haviam amadurecido, mesmo que não percebessem. Porém, algumas coisas, apesar do tempo, nunca iriam mudar. Como, por exemplo, a dificuldade do moreno de dizer um simples obrigado.
Apesar de estarem muito mais próximos, Sakura não podia deixar de notar que não sabia como agir com Sasuke quando Naruto não estava presente. Ela estava tão acostumada a ter sempre o loiro por perto que agora não conseguia nem pensar em como começar uma conversa. Mas, para sua sorte, Sakura não precisou pensar muito, pois Sasuke, surpreendendo, iniciou a conversa.
- Você se jogou, não foi? – ele perguntou, observando as rodelas de limão que flutuavam na superfície de seu chá.
- Como? – Sakura ficou confusa e virou a cabeça para olhar o rosto do amigo.
Ele bebeu um gole do chá feito especialmente para si. O sabor cítrico que o líquido possuía ia grudando em sua língua. Demorou alguns minutos para responder, de forma que a Haruno pensara que sua pergunta seria ignorada.
- Você não caiu – ele afirmou. – Você se jogou de cima daquele penhasco. – Outra afirmação, e realizada com tanta convicção que a rosada não conseguia nem pensar em um plano de fuga, em alguma desculpa esfarrapada para mudar de assunto.
- Como é que você descobriu? – questionou, conformada, sabendo que negar seria inútil.
- Ah, Sakura. – ele deu um suspiro meio irritado, como se ela acabasse de chamá-lo de idiota. – Você pode ser desastrada e cair de uma escada, mas de um penhasco? Nem o Naruto é tão imbecil a esse ponto.
Sakura ficou calada. A missão na qual falhara miseravelmente repetiu-se bem na frente de seus olhos. Talvez devesse abandonar a carreira de ninja, já que parecia não levar o jeito para isso nos últimos tempos.
- Eu não estava tentando me matar, se é isso que você está pensando – ela assegurou. – Eu me joguei do penhasco para que os ninjas que me perseguiam acreditassem que eu estava morta. – explicou. – E o mais ridículo dessa historia é que quase morri, de verdade, porque fui extremamente descuidadosa com meu disfarce. – Balançou a cabeça para tentar esquecer aquele fiasco. – Nem sei como foi que acabei virando jounin. – Ela riu amarga.
- Foi só a sua primeira missão – interveio o Uchiha, dessa vez irritado de vê-la sendo tão dura consigo mesma.
- Se você vier com um "depois melhora" pra cima de mim, vai levar um soco dos bons. – ameaçou Sakura.
Um sorrisinho maroto se formou nos lábios do moreno e ele considerou a possibilidade de falar aquilo só para provocar a amiga. Contudo, desistiu, ele implicaria com ela outra hora.
- Na verdade, com o tempo piora. – falou francamente.
- Também não tá ajudando! – exclamou a Haruno, outra vez frustrada.
- O que melhora com o tempo é o medo que durante as missões te leva a cometer erros idiotas, você acaba se acostumando a estar constantemente em estado de alerta.
Sakura olhava Sasuke com admiração, aquela era a primeira vez que os dois discutiam sobre missões daquela forma, com ele aconselhando-a. Por um instante, ele ficou calado, como se estivesse tentando descrever o mar para uma pessoa cega, ponderando, procurando as palavras certas.
- Mas os pesadelos e as noites mal dormidas, esses, com o passar dos anos, só vão piorar. – concluiu finalmente. E a rosada entendeu que ele estava tendo um pesadelo naquela hora em que ela tocara seu rosto, e que, como ele acabara de dizer, ele se acostumara a estar sempre em estado de alerta. "Dormir com os olhos abertos" essa era a realidade dos ninjas como eles.
- Às vezes me pergunto como seria minha vida depois da academia caso eu tivesse escutado a minha mãe, ela sempre disse que eu não tinha o necessário para me tornar uma ninja bem sucedida.
Sasuke a escutava sem interromper, porém não deixava de pensar no quanto, sem sequer conhecê-la, odiava a mãe de Sakura, que ele achava parecida demais com o seu próprio pai.
- E se eu realmente não tiver jeito pra isso? E seu eu devesse apenas me conformar com uma vidinha calma; uma casa branca com venezianas verdes, um pequeno jardim com flores e uma árvore embaixo da qual pudesse deitar-se em sombra durante o verão, um marido dedicado e que fosse um bom pai, dois ou três filhos, essas coisas bonitinhas, sabe?
- Seria maravilhoso, Sakura – disse o Uchiha, sincero, e então a moça teve certeza de que ele já pensara no assunto também. – Mas não seria real, você seria feliz, mas não deixaria de sentir esse vazio no peito que só a adrenalina das missões consegue preencher. Você viveria sem isso?
- Acho que não. – Suspirou vencida e cansada, não fisicamente, mas sim no emocional. E foi assim, sentindo-se exausta, que deixou sua cabeça repousar sobre o ombro desnudo de Sasuke.
O moreno não a repreendeu e tampouco se afastou dela. Indo pelo lado contrário, ele encostou o queixo no topo da cabeça dela, sentindo a essência de morango do xampu da rosada invadindo suas narinas e sua mente.
- Foi só uma missão, você deveria largar de ser tão besta. – aconselhou, e apesar da rudeza das palavras, o seu tom de voz foi de um suave atípico, o que fez a amiga soltar uma risada abafada.
Eles ficaram ali, naquela posição, presos em um silêncio confortável, pelo que pareceu uma eternidade, até que, surpreendendo Sakura mais uma vez num único dia, Sasuke foi o primeiro a falar:
- E da próxima vez não coloque tanto açúcar no meu chá. – pediu.
A rosada apenas sorriu, satisfeita, de uma forma estranha, por Sasuke ter pedido, mesmo que indiretamente, para que ela fizesse, outras vezes, chá para ele.
-X-
Naruto fixava a fogueira à sua frente, sem realmente enxergá-la, pois sua mente estava a quilômetros de distância dali. Aquela seria a última noite de missão antes de voltar para Konoha. E ele não conseguia dizer qual era o motivo exato para tanta preocupação.
- Desembucha. – A voz impassível de Sai o tirou de seus devaneios e, por um momento, sentiu-se mal, pois deveria estar concentrado em vigiar aquele pequeno acampamento, e não pensando besteiras. Ademais, ele nem notara quando Sai se sentara ao seu lado, e sua distração teria custado muito caro se, no lugar de seu companheiro, algum inimigo tivesse se aproximado.
- Ainda não é seu turno, então volte a dormir, bastardo. – mandou o loiro, irritado.
- E, a propósito, você anda fazendo um excelente trabalho como vigia. – disse Sai, sarcástico.
Naruto o encarou com um olhar furioso que poderia ser traduzido como "Vá tomar no cu, seu intrometido!". Porém, o loiro não estava com o humor para xingar aquele imbecil, então apenas contentou-se em voltar a encarar a fogueira.
- Desembucha. – repetiu o amigo.
- Desembuchar o quê? – perguntou ríspido.
- Você está todo esquisito e distraído ultimamente. O que houve? – Sai realmente quis saber, lembrando-se dos vários livros que lera sobre amizade.
- Nada, oras! – resmungou o loiro, a última coisa que precisava agora era dizer em voz alta tudo que acontecera alguns meses atrás entre ele e a rosada. Já bastava o remorso que ele sentia por não ter contado a verdade ao Sasuke, e também a culpa que o tomava toda vez que ele via os olhares que o moreno jurava serem discretos indo em direção de Sakura.
- É sobre a Sakura, não é? – insistia Sai, desesperado para testar se sua hipótese sobre as preocupações do amigo estavam certas.
Naruto não queria falar sobre aquilo, principalmente com Sai, mas estava tão confuso. Precisava desabafar. E, se não o fizesse, surtaria. Então decidiu que não haveria problemas se contasse seus anseios naquele momento.
- Eu fiz sexo com a Sakura – ele disse com um tom de voz mórbido, como se acabasse de confessar que matara alguém. – Várias vezes.
- E qual o problema nisso? – perguntou Sai, confuso, pois lera nos livros que sexo era uma coisa agradável e o loiro parecia sentir o contrario.
- O problema é que prometi ao Sasuke que eu não transaria com ela. – respondeu Naruto, angustiado, à beira de uma crise de nervos.
Sai ficou calado, pensando seriamente no assunto, e, após alguns minutos, finalmente chegou a uma conclusão:
- E desde quando a feiosa é propriedade do Uchiha? Que eu saiba, desde que ela também queira você, pode fazer sexo com ela quantas vezes desejar.
E, ainda que odiasse admitir, ele sabia que Sai tinha razão. Até mesmo porque não era como se Sasuke estivesse namorando Sakura... Entretanto, o que estava deixando o loiro naquele estado era o fato que ele dissera que nunca dormiria com a rosada para não se magoar mais tarde. E acabara quebrando não somente a promessa que fizera com Sasuke, mas também a que fizera consigo mesmo.
- Mas em que merda fui me meter? Como é que vou contar isso ao Sasuke? - indagou mais para si mesmo do que para o amigo ao seu lado.
- Não conte, deixe que isso seja um segredo entre você e a feiosa, ele com certeza também tem os segredos dele. – aconselhou Sai. E Naruto estava surpreso em perceber que o moreno estava mesmo começando a se parecer com um ser humano normal.
- Em que livro você leu isso? – perguntou.
- Não me lembro de ter lido nada sobre isso. – Sai deu de ombros. – É só o que penso.
Uma gargalhada alta escapou dos lábios de Naruto.
- Olha só, agora você até pensa! – implicou, risonho.
- É, ao contrário de você. – retrucou Sai, sorrindo, um sorriso sincero, para variar.
No dia seguinte, eles chegaram em Konoha aliviados, pois, mesmo quando a missão não fosse muito longa, sempre era uma felicidade poder voltar para vila e dormir numa cama com um colchão macio. As costas agradeciam após terem sofrido de tanto dormir no chão.
Após passarem pelos portões da vila, Yamato foi embora com uma desculpa esfarrapada qualquer. Naruto tinha certeza de que era apenas para não precisar fazer o relatório, deixando aquela tarefa nas mãos dele e de Sai. Lutaram para decidir quem dos dois cuidaria "daquela bosta" – como costumava dizer o loiro – usando um básico ímpar-par. E Sai foi o "sortudo" escolhido para se encarregar de escrever o relatório e logo após entregá-lo à Hokage.
- Haha! – comemorou o loiro, rindo e gesticulando vitoriosamente. – Escapei! – E nisso saiu correndo em direção ao apartamento de Sakura, onde tomaria banho e logo em seguida dormiria, no mínimo, até a tarde do dia seguinte.
Porém, no meio do caminho, foi interrompido por uma voz feminina chamando o seu nome, ele então parou e virou-se para descobrir quem era.
- Ah, oi, Ino. – Ele sorriu, reparando que havia algo de diferente na loira, algo que não conseguia definir exatamente. Talvez fosse o fato de ela não estar usando maquiagem, algo completamente "não-Ino". Mas ele sabia que não era só isso. Havia outra coisa e o fato dele não conseguir descobrir o que era o irritava.
- Oi, Naruto. – E ela sorriu de volta, achando um pouco engraçado como os cabelos dourados estavam completamente assanhados e como seus olhos azuis se encontravam esbugalhados, oferecendo-lhe um eterno ar de criança.
- O que foi? – perguntou o Uzumaki, curioso; pois Ino normalmente não falava muito com ele.
- Você poderia avisar ao Sasuke que a Hokage quer falar com ele? Eu faria isso, mas tenho que ficar na floricultura. – explicou-se gentilmente.
- Er, claro – ele concordou. – O que será que a velha quer com o Teme? – ele pensou em voz alta.
Ino deu de ombros, desviando o olhar, parecendo meio culpada e triste.
- Você está bem? – ele quis saber ainda perplexo por não descobrir o que estava mudado na fisionomia da Yamanaka.
- Estou ótima. – ela respondeu, sem, porém, conseguir convencer nem mesmo a si própria.
Naruto pensou em insistir até fazê-la contar o que estava acontecendo consigo, no entanto logo desistiu. Eles não eram tão íntimos e não queria se intrometer no que não era da sua conta.
- Então tá, avisarei ao Teme sobre a Hokage. – Ele virou-se para ir embora, mas, após dar alguns passos, voltou-se novamente em direção de Ino, que continuava no mesmo canto, olhando para ele. - Você fez algo de diferente no cabelo? – perguntou.
- Apenas mudei o penteado – ela respondeu. E, de de fato, seus cabelos não estavam mais num rabo de cavalo alto, mas sim numa trança solta. E ela também prendera a franja para trás com uma presilha roxa, deixando seu rosto mais à vista, principalmente os seus olhos.
Ele a encarou por um bom tempo, fazendo com que ela ficasse meio embaraçada. E então Naruto teve vontade de bater na própria testa por ser tão lerdo para reparar nessas coisas.
- Ficou bonito. – ele disse, finalmente, quebrando o silêncio e parando de olhá-la tão intensamente.
- Obrigada. – Ela esboçou um sorriso triste e o loiro teve vontade de ir abraçá-la, porém não o fez por medo de ela lhe oferecer um soco. Mulheres tinham esse tipo de reação violenta que ele nunca conseguiria entender e que o assustava mais do que lutar com vinte ninjas renegados.
- Até mais, então. – despediu-se antes de ir embora correndo.
-X-
Ele chegou no apartamento e não ficou surpreso em encontrar os dois melhores amigos morgando. A preguiça era tão densa que ele quase podia tocá-la. Sakura estava deitada no sofá, um livro repousava sobre sua barriga, enquanto que Sasuke estava largado de qualquer jeito no tapete da sala sem coragem até mesmo para ir pegar um travesseiro e ficar mais confortável.
- Vocês dois são deprimentes – disse, após cada um dos outros dois o cumprimentar com um vago "Oi.". – Deve ser porque o Shikamaru tá em Konoha. Preguiça é contagiante. – ele comentou enquanto se dirigia até a cozinha para beber água. E o estado caótico do cômodo o assustou, sendo que ele era do tipo que adotava o estilo de vida: limpar uma vez por semana é o suficiente.
Retornou para sala indignado.
- Vocês têm noção da pilha de louça que tem na cozinha? – indagou.
- Cala a boca, dobe estúpido. Estou com preguiça até de te ouvir. – resmungou Sasuke, voltando a fechar os olhos.
- Nem pense em dormir, Teme! – gritou o Uzumaki ao perceber o gesto do moreno. – Encontrei a Ino quando estava vindo pra cá e ela mandou avisar que a Tsunade quer falar com você.
O Uchiha suspirou alto, não querendo abandonar sua vida de vagabundagem tão produtiva.
- Sakura, você vai me pagar por isso – disse ele após ter se posto de pé.
- Pagar pelo o quê? – quis saber Naruto.
- Por eu ter apresentado a ele o maravilhoso mundo de ficar deitado em casa sem fazer porcaria nenhuma – explicou a rosada, risonha. – Coisa que sou obrigada a fazer até a Hokage me liberar para ir em uma nova missão – acrescentou frustrada. Apesar de gostar de ficar sem fazer nada, tudo tinha seu limite, e ela mal podia esperar para ser liberada. Estava desejando espancar alguém. Era terapêutico. Claro que poderia espancar o amigo loiro, por exemplo, mas depois teria que curá-lo e assim não tinha graça nenhuma.
- Estou indo, divirta-se lavando a louça, Dobe. – Sasuke sorriu de canto e saiu do apartamento adorando ouvir os berros de indignação do loiro.
-X-
Sasuke entrou na floricultura Yamanaka e não se surpreendeu ao encontrar uma Ino fungando e com olhos vermelhos. Quando Naruto o avisara que encontrara a loira, ele tivera certeza que alguma coisa acontecera, pois se a Hokage precisasse mesmo falar com ele, algum membro da Anbu teria vindo buscá-lo.
- O que houve dessa vez? – ele perguntou um pouco sem paciência, já sabendo a razão daquela tristeza toda.
- A Temari está grávida. – respondeu a loira, e Sasuke achou que ela fosse vomitar ou desmaiar a qualquer segundo.
"Mulheres", ele pensou antes de suspirar.
- Sinceramente, o que você esperava? – quis saber o moreno, determinado a colocar um pouco de juízo na cabeça dura da Yamanaka, nem que fosse a força. – Eles estão casados, é normal que queiram ter filhos. Esqueça o Shikamaru de uma vez por todas. Acabou. – ele talvez tenha sido um pouco rude, porém aquela era a verdade, e Ino parecia recusar-se a aceitá-la.
- Eu sei – ela disse conformada. – Apenas demorei todo esse tempo pra me dar conta de que não tinha mais volta. – Ela suspirou e fez um gesto de descaso com a mão. – Só estou carente, nada demais.
- Não farei sexo com você de novo, se é isso que está esperando. Cansei de você me usar para se satisfazer. – disse, sentindo-se disposto a fazer outra pessoa rir, coisa que raramente acontecia.
E funcionou, Ino saltou uma gargalhada divertida.
- É claro, sou uma pessoa horrível, te usando como um brinquedo sexual. – Ela revirou os olhos. – Até parece que fui a única satisfeita nessa historia. – Ela lançou-lhe um olhar sugestivo enquanto se aproximava.
- Nem adianta vir piscar esses olhos para cima de mim, Yamanaka. – Ele sorriu de canto.
- Não vou te molestar, Uchiha. Só quero um abraço. – protestou a loira há apenas alguns centímetros do corpo do moreno.
Sasuke fez uma careta, como se ela estivesse fedendo feito lixo. E ela revirou os olhos azuis mais uma vez.
- Deixa de ser tão emocionalmente constipado. – disse Ino, com um tom de voz autoritário.
Ela deu mais um passo na direção do Uchiha e o abraçou, passando os braços em volta de seu pescoço, aproveitando a proximidade para sussurrar-lhe algo ao pé do ouvido.
- Não cometa o mesmo erro que eu, Uchiha – ela pediu, quase implorando, e ele retribuiu o carinho, abraçando sua cintura. – A Sakura não vai te esperar pra sempre. Conquiste-a definitivamente antes que outro o faça. – concluiu e afastou-se.
- Eu...
- Você consegue – ela o interrompeu, sorrindo confiante para ele.
Foi assim que ele saiu da floricultura para voltar ao apartamento, com as palavras de Ino martelando em sua cabeça durante todo o trajeto. Não era como se fosse uma tarefa fácil. Afinal, ele tinha dificuldade até mesmo para admitir a si mesmo que sentia algo além de amizade pela rosada. O que Ino queria que ele fizesse? Saísse gritando pelas ruas de Konoha fazendo todos ouvirem o quão patético e, como ela dizia, emocionalmente constipado ele era?
Era tão mais prático apenas ignorar os sobe-e-desce que aconteciam em seu estômago toda vez que a Haruno o tocava, ou como sentia a estúpida vontade de sorrir bobamente nas raras vezes que ela ainda o chamava de Sasuke-kun. Isso era deveras ridículo, na opinião do moreno, que preferia apenas guardar tudo aquilo em segredo no mais profundo de si, ninguém além dele precisava saber das baboseiras que seus hormônios causavam na sua saúde mental.
Isso mesmo. Ele não estava apaixonado. Eram apenas seus hormônios ou algo estúpido e científico do tipo.
- Sasuke-kun! – exclamou Sakura quando ele chegou ao apartamento.
E o moreno não conseguiu prestar atenção em nenhuma palavra que seguiu o seu nome, pois estava ocupado demais em tentar suprimir o sorriso estúpido que formava-se em seus lábios.
Porque negar era sempre tão mais fácil.
N/A: Então, sei que vocês devem estar querendo me matar por ter demorado tanto para atualizar essa fic e só posso pedir perdão. Eu realmente tenho uma dificuldade monstra pra escrever, pois sou meio, ou muito, patética e fico achando que tudo ficou ruim e acabo apagando tudo. Se não fosse pela minha sissy (que beta essa fic) e pela Raiane eu nunca teria conseguido terminar esse capítulo então ele é dedicado à elas.
Agora quero dar algumas explicações quanto aos acontecimentos desse capítulo. Primeiramente: sei que o Sasuke pode parecer meio OOC, porém não esqueçam que apesar dessa fic se passar no Universo de Naruto, nela o Itachi não matou o clã Uchiha e o Sasuke teve uma infância normal, então não faria sentindo ele ser igual ao Sasuke do manga, que aliás tá um cu. Em segundo lugar: O que vocês acharam dessa primeira interação SakuSasu? Gostaram? E em terceiro lugar: Sei que algumas pessoas não vão gostar da interção entre a Ino com o Sasuke ou com o Naruto, mas estou tentando fugir do lugar comum que a maioria das fic's tem, então por favor, sem comentários rudes quanto a isso, okay?
Por último peço que deixem reviews, pois não ganho nenhum lucro com isso, só escrevo porque gosto mesmo, porém, confesso que fico desanimada quando vejo que a fic teve mais de quatro mil visitas, mas apenas trinta e cinco comentários. Além disso, sintam-se livres para olhar o meu perfil e me add no facebook, fico muito feliz de poder conversar mais com os meus leitores, é bom saber a opinião de vocês e me motiva a continuar.
Petit Suisse.
(20/05/11)
