olá flores... mais um capitulo ... espero que gostem...bjuxx^^
Bella sentiu o coração apertado, como sempre acontecia quando tomava a direção da casa da mãe. E não era somente por causa da desorganização do ambiente. Mas também porque ela sempre conseguia deixá-la desanimada. Até nos mais inocentes comentários da mãe, Bella podia notar alguma crítica nas entrelinhas.
Assim que se aproximou do pequeno sítio onde Renée residia, seguiu pelo caminho estreito rodeado de plantas, que supostamente deveria ser um jardim de entrada. Mal estacionou o carro na frente da rústica morada, Seth logo saltou, disparando na direção da avó que os aguardava na varanda. E, após lhe dar um abraço apertado, correu para o pneu pendurado no galho de uma árvore próxima e que servia de balanço.
— Obrigada por aceitar tomar conta dele, mãe. — Gritou Bella através da janela do carro, tentando nem mesmo olhar para ela, apesar de ser quase impossível, por conta dos cabelos vermelhos e as roupas multicoloridas que usava. — Não sei a que horas voltarei, mas não me espere para o almoço.
Bella havia decidido não dizer nada para a mãe sobre o festival até que retornasse das compras. Provavelmente lhe diria que teria encontrado uma amiga no Tuggerah que a teria convidado por que a colega que prometera sair com ela não poderia ir. E, por isso, lhe pedira para acompanhá-la, como um favor.
— Por que tanta pressa? — Renée perguntou, descendo rapidamente os poucos degraus da entrada da casa. — Não pode descer por um minuto e tomar um café comigo?
— Farei isso quando voltar. Não posso demorar muito. Sabe como o estacionamento do shopping fica lotado quando há promoções nas lojas.
— Como está bonita hoje! — exclamou a mãe ao aproximar-se da janela do carro. —Apesar de que sempre foi bonita. Não sabia que estava precisando de roupas novas!
Bella fez um esforço para sorrir.
— Vou comprar presentes para o Natal. Embora sempre seja interessante comprar algumas peças de roupa no início de cada estação. — Bella comentou, falando por entre os dentes cerrados. — Caso contrário o guarda-roupas acaba ficando ultrapassado.
— Como o meu, você quer dizer — afirmou a mãe com um riso debochado.
— Eu não disse isso!
— E nem precisa. Sei que pareço uma bruxa! Quem imaginaria uma coisa dessas? Bella ironizou mentalmente.
— Preciso ir, mãe. Não deixe Seth sair de suas vistas, está bem?
Renée morava num sítio pequeno em Yarramalong Valley onde havia um matagal descuidado. O perigo de existirem cobras venenosas era imenso.
— Ele ficará bem.
Bella suspirou profundamente enquanto acenava e dava a partida ao carro. Aquelas sempre eram as palavras da mãe. E o que provavelmente pensava. Tudo e todos sempre estavam bem. Com exceção da filha, é claro.
Para ela, Bella era confusa, frígida e não tinha a mínima idéia de como relaxar e aproveitar a vida.
Talvez ela estivesse certa. Bella concordou em pensamento pela primeira vez na vida. Tinha um encontro com o autor de seus livros preferidos para comparecer a um festival em Sydney, e, por acaso, estava feliz? Não!
Ficava imaginando o tempo todo como deveria agir e o que aconteceria no final da noite, quando ele a trouxesse de volta para casa.
A mãe ao menos estava sempre feliz. Mesmo após o marido tê-la abandonado, ainda assim, ela nunca deixara de sentir alegria pela vida.
E Bella até teria mais motivos do que a própria mãe para se sentir feliz. Ela ponderou no instante em que entrou na rodovia que a levaria a Tuggerah. Tinha uma casa bonita, um filho saudável, um trabalho produtivo e uma boa mãe, embora irritante.
E, também, não deveria estar se preocupando com o que aconteceria à noite. Uma mulher adulta deveria saber muito bem controlar o que desejaria que acontecesse ou deixasse de acontecer durante um encontro. Não havia nenhuma razão para não relaxar e aproveitar a diversão.
O problema era uma questão de contornar o próprio temperamento. Para ela as coisas nunca estavam o suficientemente certas, ou boas, ou limpas!
No fundo estava cansada de si mesma!
Quando deixou o carro numa vaga do estacionamento do shopping, sentiu o ânimo retornar. Fazer compras era uma das poucas coisas que realmente lhe dava prazer. Gostava de moda e sabia exatamente o que comprar. Quando ia às festas de Natal com Jacob, ele costumava ficar orgulhoso de desfilar ao lado dela. Esperava acertar na roupa que escolhesse para o jantar e ganhar a aprovação de Edward, quando ele viesse buscá-la.
— Não se importa mesmo, mãe? — perguntou Bella, do outro lado da mesa, onde as duas apreciavam um pouco de café e, ao mesmo tempo, observava que o relógio na parede da cozinha marcava 12h50. Encontrar um vestido que a agradasse levara mais tempo do que esperava.
— E por que eu me importaria? Adoro ficar com meu neto!
— Por falar nele, onde está Seth?
— Na beira do lago procurando por girinos.
— Não é perigoso?
— Ele sabe nadar, não sabe? Então estará bem. Você protege demais esse menino! Garotos precisam de espaço e um pouco de liberdade!
— Talvez. Mas existe um mundo perigoso lá fora, mãe.
— O mundo é o que você acredita que seja. E eu só penso em coisas boas. E, também creio na bondade das pessoas, até prova em contrário.
Bella suspirou. Considerava a mãe ingênua demais. Por outro lado, tinha que admitir que todas as vezes que Seth ficava com ela, retornava mais maduro e experiente. A avó lhe permitia fazer coisas que ela nunca sonharia deixar.
— Que bom que vai passear um pouco! — exclamou a mãe interrompendo os pensamentos de Bella. — É uma pena que não seja com um homem. Mesmo assim, espero que se divirta. Irá a um festival em Sydney, não é? Mas tome muito cuidado.
Bella piscou por duas vezes.
— O que quer dizer com isso?
— Sydney em um sábado à noite pode ser um lugar arriscado. É melhor que você e sua amiga não fiquem andando sozinhas pelas ruas.
— Nós iremos a um restaurante, mãe. É um jantar onde serão oferecidos prêmios para os autores das obras literárias mais destacadas durante o ano todo. Haverá discursos e tudo o mais.
— E o que vai vestir?
Bella preferiu não mostrar o vestido que comprara. Não estava preparada para ouvir críticas.
— Tenho vários vestidos no meu guarda-roupa. Escolherei um deles.
— Quem sabe você conheça nosso autor preferido? — falou a mãe, toda animada.
— Qual deles? — perguntou Bella tentando manter a expressão serena.
— Anthony Masen, é claro! Os livros dele sempre são premiados. Está escrito na orelha de cada volume. A biografia é curta e não há foto dele. Acho que ele não usa o verdadeiro nome — suspeitou Renéel. E, fixando o olhar em Bella, pediu: — Se o vir, preste muita atenção e depois me conte como ele é.
— Se acha que ele escreve sob um pseudônimo, pode até ser que se trate de uma mulher, não é? — falou Bella, com um risinho de mofa.
— Ah, não! — exclamou a mulher — O criador de Hal Hunter não pode ser uma mulher! Meu palpite é de que se trata de alguém que serviu ao exército por muito tempo. Ele sabe demais sobre armas para alguém que nunca teve experiência na prática.
— Ou talvez tenha pesquisado muito. — Bella sugeriu, embora concordasse com o que a mãe achava.
— Não acredito que tenha sido dessa forma. As cenas parecem muito reais. Espero que ele continue com a série. Já estou viciada nesses livros. Embora, de todos eles, o que mais gostei foi do primeiro volume, o The Scales of Justice. É quando a gente realmente conhece Hal e entende as razões do comportamento dele, após seus pais serem assassinados.
Bella franziu o cenho e tomou mais um gole de café, enquanto raciocinava. A coincidência dos fatos com a vida real de Edward era algo a ser pensado. Embora os pais dele tivessem morrido num acidente de carro e os pais do personagem em um atentado terrorista.
Será que era por esse motivo que Edward se tornara tão solitário, e tal como seu personagem, não desejava se casar e ter filhos?
A resposta a essas questões talvez estivesse subentendida no primeiro livro da série.
— Sabe, mãe. Acho que vou ler esse volume novamente. Você não o emprestou para nenhuma de suas amigas, não é?
— De jeito nenhum! Está no meu quarto. Gosto de mantê-lo bem ao lado da cama. Vou buscá-lo para você.
Logo que Renée saiu, Bella viu a porta dos fundos ser escancarada e Seth entrar todo feliz com uma garrafa de plástico com água barrenta até a metade. As roupas limpas e bem passadas que vestira pela manhã estavam enlameadas. Da mesma maneira que as mãos e o rosto miúdo. Ela quase berrou com ele, censurando-o por parecer um trabalhador rural. Mas preferiu se conter por enquanto.
— Oi, mamãe! Onde está a vovó?
— Bem aqui, queridinho — respondeu a avó que acabava de retornar para a cozinha. E, depois de entregar o livro para a filha, dirigiu-se para o neto: — Mostre-me quantos girinos conseguiu apanhar. Céus! Que menino esperto!
— Mais tarde nós os devolveremos ao lago. Eles precisam crescer e se transformar em sapos. Teremos tempo. Você vai passar a noite comigo. — Revelou Renée antes que Bella pudesse falar. — Sua mãe vai a um jantar em Sydney.
— Uau! Que legal!
Bella não tinha certeza se a alegria do garoto era porque a mãe iria para Sydney ou por passar a noite com a avó.
— Não deixe que ele fique acordado até muito tarde, mãe.
Avó e neto trocaram olhares de cumplicidade.
— Hoje é sábado — Renée argumentou. — Seth não terá que ir à escola e poderá dormir pela manhã. E, aposto que será você quem irá para a cama bem mais tarde.
Bella não planejava chegar muito tarde, mas evitou discutir para não ter que tocar no assunto outra vez.
— Está bem, mas não exagerem. — Concordou Bella e com o livro na mão ergueu-se. E, olhando para o filho, acrescentou: — Não abuse de sua avó, jovenzinho. E não tome sorvete demais, sabe o que acontece depois. — Ela se referia à intolerância à lactose de Seth.
Os olhinhos negros se arregalaram, exatamente como o pai fazia quando era surpreendido em alguma intenção matreira.
— De um abraço em sua mãe — falou a avó.
— Seja um bom menino — sussurrou a mãe enquanto trocavam um abraço mais apertado do que o de costume.
— Eu te amo.
— Também te amo, mamãe. — Devolveu o garoto, porém, sem muito entusiasmo na voz.
Bella sentiu vontade de chorar. Não estava acostumada a ficar sem o filho, ainda que apenas por uma noite.
— Nos veremos amanhã — declarou e saiu apressada, lutando para segurar as lágrimas.
Quando entrou no carro e acomodou o livro no banco de passageiro, percebeu que a mãe a seguira e estavado outro lado da janela.
— Está tudo bem, Bella?
— Claro, por que não estaria?
— Não sei. Parece mais tensa do que o normal.
— Não costumo estar tensa. Por que sempre me critica? Não tenho sido uma boa filha? Sou uma mãe responsável, consigo sustentar meu lar e sempre procuro fazer as coisas certas. Não é o bastante? — Bella desabafou o que guardava havia muito tempo. Mas, logo se arrependeu ao ver o olhar espantado da mãe.
— Eu... eu...apenas sempre quis o melhor para você. Não sabia que estava sendo tão irritante. Perdoe-me. Vou procurar me vigiar daqui para a frente.
Bella ficou comovida com as palavras da mãe e sentiu-se culpada pela agressividade que ostentara.
— Sinto muito. Não queria magoá-la. Acho que estou muito estressada.
— Por isso será muito bom que se divirta hoje — aconselhou a mãe, desmanchando-se em sorrisos outra vez. Nada diminuía o ânimo de Renée por muito tempo. — Quem sabe não conheça um homem interessante?
— Mamãe... — protestou Bella.
— O que há de errado em uma mãe desejar que sua linda filha encontre um bom partido?
— Você sabe que não quero me casar outra vez.
— E daí? Eu também não quis. Mas isso não me impediu de ter um namorado.
— Ou um pouco mais do que isso — murmurou Bella no mesmo momento em que ligava o motor do carro. — Nos veremos amanhã.
Enquanto dirigia, Bella meneou a cabeça várias vezes. De certa forma, gostaria de ter contado para a mãe a verdade sobre com quem sairia.
Seria muito bom ver a reação que ela teria. Mas as conseqüências não compensariam aquele minuto de satisfação. Com certeza ela dispararia uma saraivada de perguntas e se precipitaria em conclusões indesejadas. Por tudo isso, seria melhor deixar como estava.
Assim que entrou na rodovia, espiou com o canto dos olhos o livro que jazia no banco a seu lado. Estava ansiosa para chegar em casa e folheá-lo mais uma vez. Não teria tempo de lê-lo, mas pelo menos poderia dar uma boa espiada nos trechos que lhe interessavam.
Queria descobrir o quanto de Hal havia em Edward.
Ele lhe dissera ao telefone que gostava de estar prevenido. E isso era justamente o que ela pretendia: saber o terreno em que estava pisando com ele.
