oi flores... mais um capitulo...espero que gostem... feliz 2011 pra todas...


Diante do imenso espelho da sala íntima do toalete feminino, Bella repreendeu-se mentalmente pelo fato de reagir com sensualidade aos beijos que Edward lhe dera no ombro. Embora fosse involuntário, e por conta dos hormônios, ainda assim precisava manter uma vigilância mais severa sobre si mesma.

Algo que para ela nunca fora difícil, pois jamais em sua vida desejara um homem da maneira como estava acontecendo agora. E, o mais frustrante, era saber que ele não a queria para valer. Tudo não passava de encenação.

Estava ali para fingir ser a namorada dele por questões sociais, e nada mais.

E, uma vez que tinha concordado em fazer-lhe esse favor, o melhor seria conformar-se e aproveitar a noite. O restaurante era adorável, a refeição deveria ser uma delícia e a companhia de Edward e Alice muito agradável.

Por isso, algum tempo depois era exatamente o que Bella fazia. E após algumas taças de champanhe, sentia-se completamente relaxada e feliz.

Parecia uma mulher muito diferente da habitual. Degustou a refeição sem preocupar-se com as calorias ou qualquer outra coisa.

As palavras fluíam fácil por conta da bebida. Até ousou um pequeno flerte com Edward, que retribuiu com entusiasmo.

Bella sabia que era tudo fingimento. Porém, não se importava mais com isso. Edward era um homem divertido e a noite estava ótima.

Sempre que algumas fãs o cercavam — principalmente depois de ele vencer o Golden Gun — ele fazia uma nova encenação apresentando Bella como namorada e beijava-lhe o ombro ou a face. Depois que elas se retiravam ele voltava a manter distância dela, comportando-se apenas com atenções cavalheirescas.

O fato de que já estava quase embriagada nem foi notado por ela mesma, que se mantinha alegre e descontraída.

No momento em que chegou o café, também apareceram novas fãs que traziam volumes do livro premiado e pediram autógrafo. Algumas até se debruçavam sobre ele no instante em que escrevia. Alice, naquela altura, já havia se mudado para outra mesa a fim de conversar com alguns publicitários que conhecia.

Edward prosseguia no ritual de apresentar Bella como namorada e, algumas vezes, até erguia-lhe a mão e a aproximava dos lábios.

— Ela não é fantástica? — dizia Edward no momento em que beijava o dorso da mão de Bella.

Se alguma das fãs respondeu alguma coisa, Bella não ouviu. Estava centrada na sensação dos lábios dele contra a pela clara provocando-lhe um arrepio de prazer. E o beijo ficou tão demorado que as fãs ficaram atônitas.

— Edward! — Bella protestou enquanto recolhia a mão forçando uma delicadeza e deu um sorriso sem graça na direção das moças que os olhavam com espanto.

As fãs resolveram se afastar apressadamente. Edward sorriu divertido com a situação. Depois fitou Bella e perguntou:

— O que foi que disse, querida?

Ele a chamara de "querida" durante toda a noite. Até aquele ponto, Bella considerava isso parte do jogo. Uma simples atuação. Mas quando notou os olhos verdes de Edward adquirir um brilho estranho, percebeu que o desejo por ela parecia ser bem real.

— Será que poderia me levar para, casa?

— Está falando sério?

— Sim. Estou cansada — ela revelou em tom amável, mas com vontade de gritar: Cansada de ser chamada de querida e de fingir ser sua namorada!

— Está bem — concordou ele e erguendo-se apanhou o valioso troféu.

Bella pegou a bolsa e também se levantou aguardando que ele oferecesse o braço para escoltá-la até a saída.

Até aquele momento não tinha percebido o efeito do champanhe consumido. Era provável que tivesse uma ressaca fenomenal pela manhã.

A primeira em muitos anos!

E pensando no assunto, lembrou que Edward também deveria ter bebido em excesso.

— Tem certeza de que está sóbrio o suficiente para dirigir?

— Eu sempre estou ótimo para dirigir.

— Sabe a que estou me referindo.

— Você e Alice deram conta do champanhe, não eu.

— Por falar em Alice, não devemos nos despedir dela? — Bella mencionou,quando estavam próximos da saída.

— Ela está tão entretida que nem perceberá que fomos embora.

Edward abria caminho com tanta pressa que até ignorava algumas pessoas que vinham na direção dele a fim de cumprimentá-lo.

Bella mantinha um sorriso sem graça estampado no rosto.

— Está consciente do quanto foi grosseiro com as pessoas que o admiram? — Lisa censurou-o assim que o manobrista trouxe o carro e ele abriu a porta do passageiro para que ela entrasse.

— Sim. Esse é mais um dos meus inúmeros defeitos. Agora entre no carro, por favor.

Ela ficou surpresa e arregalou os olhos quando o viu sentar-se ao volante e atirar o troféu no banco traseiro, sem o mínimo cuidado.

— Por que está me olhando dessa maneira? — perguntou ele no momento em que fechou a porta o carro e o ligou.

— De que maneira?

— Como se estivesse ofendida. Eu apenas achei que se divertiria muito tendo ao lado uma companhia masculina. E, pelo jeito, acho que estava errado.

— Não estava errado. Eu me diverti muito. Ele balançou a cabeça.

— Brincar com os homens é sua diversão predileta? Num momento dá uma impressão e em seguida outra completamente diferente?

— Não tenho idéia do que está falando. Era você quem estava beijando meu rosto e minha mão. Eu não fiz nada.

— Mas parecia estar gostando! — exclamou ele, inclinando a cabeça tão próxima de sua face que Bella podia sentir-lhe o calor da respiração na pele delicada.

— Não — protestou ela, no momento em que ele estendeu o braço direito e ergueu-lhe o queixo com dois dedos, forçando-a encará-lo.

— Não, o quê? Está negando ou apenas blefando?

— Não. Na verdade, eu...

Ele a calou com um beijo nos lábios, impedindo-a de maiores comentários e afastando qualquer pensamento que não fosse a sensação do carinho oferecido.

Havia muitos anos que Bella não sabia o que era ser beijada por um homem.

E lembrava-se vagamente de como eram os beijos de Jacob logo no início do namoro. Porém, depois de casados, tornaram-se tão previsíveis e ausentes de emoção que ela preferia evitá-los. E, quando não era possível, apenas permanecia rígida e passiva.

Com Edward era muito diferente.

Sem perceber, ela roçava os lábios nos dele de modo agressivo até acabar abrindo-os de maneira convidativa. E libertou um gemido de prazer quando sentiu a invasão da língua masculina explorando o interior de sua pequena boca.

De repente, ele interrompeu o beijo e afastou o rosto.

— É disso que está com medo? De perder o tão precioso autocontrole? — ele esbravejou.

— Você não entende.

— O que há para entender?

Bella baixou a cabeça, sentindo-se enrubescida.

— Tente explicar. Diga o que é que eu não entendo — insistiu Edward.

— Eu não gosto de fazer sexo — ela admitiu de uma vez, quase gritando. — E por isso que não namoro. Porque os homens esperam por intimidades que eu não posso oferecer. Odeio ter que fazer amor!

Edward ergueu as sobrancelhas quando falou:

— Eu não senti nenhum ódio quando nos beijamos. Muito ao contrário. Percebi que não queria que eu parasse. Conseguiria até levá-la para a cama se fosse o caso.

— Não! Não conseguiria! — Bella exclamou com raiva e afastou-o com ambos os braços até que ele se acomodasse no banco, diante do volante. — Você é um homem arrogante e presunçoso, Edward Cullen. Agora me leve para casa e, por favor, não ouse me tocar outra vez. Está ouvindo?

— Sim. Estou ouvindo, mas não acredito no que está dizendo. Pense um pouco a respeito de suas próprias atitudes no trajeto até sua casa. Conversaremos quando chegarmos lá. E, para uma mulher que não gosta de sexo, posso jurar que gostou da maneira como a beijei.

— Beijo é uma coisa e ter uma relação sexual é algo muito diferente — argumentou Bella.

Edward estreitou o olhar.

Será que Bella tinha idéia do século em que estava vivendo?

— Com quantos homens dormiu, Bella? — Edward quis saber antes de movimentar o carro.

— Não tenho que lhe informar isso.

— Era virgem quando se casou?

— Não. Não era — respondeu ela usando um tom defensivo.

— Então quem foi o idiota que lhe tirou a virgindade?

— Ninguém. Quero dizer, Jacob. E ele não era um idiota!

— Isso significa que só teve intimidade com seu marido? Mas não acabou de dizer que não era virgem quando se casou?

— É que tivemos relações sexuais antes do casamento.

— Ah! E você nunca gostou de dormir com ele?

— Não.

— Então, por que se casou com ele?

— Eu precisava ter minha própria casa. Minha própria família. E Jacob era um homem muito bom. Eu o amava muito.

— Você o admirava, mas não o amava. Se o amasse, gostaria de ter intimidade com ele.

Bella nada respondeu e Edward decidiu não pressioná-la demais.


As antigas e dolorosas lembranças retornaram à mente conturbada de Bella. Da mesma maneira que o senso de culpa. Ela nunca deveria ter-se casado com Jacob. Agora podia vislumbrar o erro com mais clareza. Mas quem era Edward para julgá-la?

Naquele instante ele deu um ruidoso suspiro:

— O que devo fazer com você?

— Levar-me para casa — respondeu ela, lutando conta as lágrimas que ameaçavam desabar.

— Seria melhor que fossemos para o meu apartamento.

— De jeito nenhum!

— Pense, Bella. — Ele falou usando um tom extremamente carinhoso. — Você tem 30 anos e nunca desfrutou de um prazer tão natural como é o sexo. Se continuar agindo assim, acabará morrendo sem conhecer uma das melhores coisas que a vida nos oferece. Sou um homem experiente e um bom amante. Sei como proporcionar o que uma mulher espera de um homem. Deixe-me mostrar-lhe o que está perdendo.

Bella apenas ficou olhando para ele, sem saber o que dizer ou fazer.

E é claro que estava tentada. Mas, também, apavorada.

— Não precisa ter medo. Não farei nada que não queira.

Edward estacionou e desligou o motor.

Depois se inclinou e beijou-lhe os lábios outra vez. Porém com mais ternura e menos intensidade. Depois tomou o rosto delicado entre as mãos imensas e olhando-a nos olhos, continuou:

— Precisa vir comigo Bella. Sei que é uma mulher inteligente e pode perceber que estou dizendo a verdade. Precisa confiar em mim. Jamais a magoaria.

— Mas não se sente atraído por mim!

— Não me sinto? — perguntou Edward com um riso irônico. — Ah, Bella! Você não entende nada da natureza masculina! É claro que me sinto atraído por você! E desde o primeiro minuto em que a vi!

— Mas, você... você...

— Sei que fingi não estar interessado em você. Confesso que sou muito habilidoso em conquistar o que quero. E eu quero você, Bella! Agora aperte o cinto de segurança que iremos voar com este carro.

— Ainda não concordei em ir com você para o seu apartamento.

— Concordou quando aceitou o meu beijo outra vez. Mas, é claro que tem o direito de mudar de idéia no momento que quiser. Basta dizer "não". É isso que quer fazer agora?

Bella negou com um gesto de cabeça, subitamente consumida por uma incontrolável excitação.

— Ótimo! — exclamou ele e ligou o motor do veículo. — Agora feche os olhos e descanse. Temos uma longa noite pela frente.