Edward ficou observando Bella até perceber que ela estava profundamente adormecida. Só então abandonou a cama e dirigiu-se ao banheiro.

Diante do espelho do gabinete da pia, ele se mirou com seriedade e conversou com a própria imagem refletida.

Ela é uma mulher especial, Edward. Não a magoe.

Claro que não farei isso! Serei gentil com ela. E tudo o que estou fazendo acabará sendo para o próprio bem dela. Bella precisa libertar-se da prisão que construiu para si mesma ao considerar-se frígida. Precisa de um homem que a faça acreditar em si mesma e aproveitar a vida.

Aproxima etapa do aprendizado dela seria: para "fazer amor" nem sempre se precisa estar exatamente na cama.

Mas, primeiro queria que ela descansasse. Ele próprio deveria fazer o mesmo. Só assim teria certeza de ter fôlego suficiente para cumprir com sucesso o próxima passo.


Bella acordou ao sentir um toque suave no ombro esquerdo. A princípio imaginou ser Seth despertando-a de um pesadelo, como costumava fazer. Porém, quando abriu os olhos, viu Edward.

Ele estava sentado na beirada da cama com um sorriso fantástico nos lábios.

— Sentindo-se recuperada?

— Que... que horas são?

— Pouco mais do que duas da madrugada. Você dormiu um bocado!

— Oh! — exclamou ela em tom baixo, enquanto uma avalanche de lembranças eróticas retornava-lhe à mente.

Ainda estava atônita com o que tinha acontecido entre eles. E ainda continuava culpando o excesso de champanhe que bebera durante o jantar, como responsável por ter sido tão receptiva aos avanços dele. Uma dor de cabeça incipiente confirmava a suspeita de uma ressaca. Pior era a vergonha de ter sido seduzida de maneira tão fácil, depois de tudo que contara a ele.

O único consolo é que tudo havia acontecido no apartamento dele e não em sua própria casa. Pelo menos Seth não estaria por ali para testemunhar a degradação da mãe.

— Ah, não! — disse Edward apontando um dedo na direção dela. — Não quero mais saber disso!

— Disso o quê?

— Arrependimentos e recriminações. Posso ver claramente através de sua expressão que começou a se condenar outra vez!

— Eu estava bêbada, Edward! — ela insistiu, puxando o lençol até cobrir os seios. — Estou com uma tremenda enxaqueca por conta do que bebi! — exclamou ela com bastante veemência, sabendo que exagerava. Mas precisava de alguma desculpa para justificar seu comportamento.

— Não estava bêbada quando chegamos ao apartamento. Tenho certeza disso.

— Então qual a razão da enxaqueca?

— Algumas pessoas ficam com dor de cabeça após fazerem sexo. Talvez seja por causa do aumento da pressão sangüínea seguido do súbito relaxamento. Tenho aspirinas no armário do banheiro. Vou buscar uma para você.

Quando ele se ergueu para se encaminhar ao banheiro, ela notou que ainda estava nu. Ficou com os olhos vidrados na marca do bronzeado contra a pele branca das nádegas masculinas.

Não acredito que estou fazendo isso!, censurou-se mentalmente.

Mas não podia negar a realidade dos fatos. Nem a atração irresistível que sentia por ele nem a lembrança do prazer experimentado com os êxtases consecutivos.

Edward não levou mais do que alguns segundos para retornar. Segurava um copo, com água até a metade, e um comprimido na outra mão.

Ela não pretendia observá-lo, mas ele praticamente expôs a nudez frente ao rosto dela. Bella arregalou os olhos diante da exuberância masculina vista de tão perto. Será que ele não sentia vergonha de caminhar nu para todo o lado?

— Pronto. Aqui está. — Ele ofereceu o copo e a aspirina.

O movimento dela ao apanhar o copo e o analgésico fez com que o lençol deslizasse, expondo o seio perfeito ao olhar cobiçoso de Edward. Por um momento Bella sentiu-se confusa. Após engolir o medicamento e repousar o copo na mesinha ao lado da cama, disse:

— Preciso ir ao banheiro. Poderia me emprestar um roupão?

— Não é necessário. O banheiro é logo ali — declarou ele com tom de desafio e olhar determinado.

Bella afastou os lençóis para um lado da cama e ergueu-se. Talvez ele tivesse razão. Era ridículo ela sentir-se tão embaraçada com a nudez depois de tudo que ele conhecera sobre o corpo dela.

Mas de alguma forma a situação lhe parecia diferente. Embora ainda se sentisse excitada, era estranho perceber o olhar dele acompanhando cada movimento que ela fazia. Principalmente ao notar as intenções eróticas contidas no modo como a olhava. Seria por conta disso que sentia a pele queimar? Ou o calor era proveniente de sua própria excitação?

Ela sacudiu a cabeça no momento em que lavava as mãos. O que deveria fazer em seguida? Pedir-lhe que a levasse para casa ou deixar as coisas acontecerem de maneira natural?

Quando ergueu a cabeça e se observou no espelho, notou que um brilho fulgurante no castanho dos olhos a aconselhava a ficar. Sabia que Edward ainda tinha mais para lhe oferecer.

Quando retornou do banheiro sentia-se mais corajosa do que antes. Mas, ao deparar-se com o quarto vazio, ficou assustada. Onde Edward teria ido?


Após aguardá-lo por alguns minutos, decidiu procurá-lo para saber o que tinha acontecido. Porém, com certeza não iria percorrer o apartamento estando nua. A coragem que conseguira não era suficiente para chegar a esse ponto. Contudo, suas roupas não estavam no chão, onde foram jogadas por ele. E não encontrou nenhum robe nos lugares que procurou. Talvez Edward não tivesse o hábito de usá-los, ponderou.

Por fim, resolveu enrolar-se em uma toalha de banho e saiu do quarto.

O primeiro lugar para onde se dirigiu foi ao escritório dele. Abriu a porta e espiou. Nada. Só confirmou que ele tinha toda a razão quando dissera que estava uma verdadeira bagunça! Também não o encontrou na sala. Foi quando ouviu um ruído na cozinha. E, lá estava ele! preparando café com torradas. E, ao ver que usava um short preto de cetim, sentiu um grande alívio.

— Está se sentindo melhor? — ele quis saber com um sorriso acolhedor.

— Um pouco melhor. O que aconteceu com meu vestido e minha calcinha?

— O vestido está pendurado num dos armários do meu closet. E, quanto à calcinha, está na máquina de lavar roupas. Daqui a pouco vou colocá-la na secadora.

— Ah, obrigada! Não precisava incomodar-se com isso.

— Imaginei que gostaria de ver alguém cuidando de suas roupas, para variar — Edward afirmou e presenteou-a com um largo e maravilhoso sorriso.

Bella não sabia o que dizer. Nunca alguém cuidara dela. Desde a adolescência aprendera a cuidar de si mesma. E, durante todo o período em que estivera casada, era apenas ela quem cuidava das obrigações da casa. E da forma como gostava que fosse. Trabalhava duro para ter o privilégio de ser considerada a perfeita "dona da casa". Inclusive se encarregava do controle do orçamento familiar e do pagamento de contas.

Quando Jacob morreu, pelo menos ela já estava acostumada a ser independente. A única coisa que ficava aos cuidados do marido era o jardim. E foi a tarefa que achou mais difícil de enfrentar quando ficou viúva. Agora, porém, com a situação financeira melhorada, contratara um jardineiro.

Edward mantinha-se sorridente.

— Por que não solta os cabelos?

— O quê?

— Por que prendeu os cabelos? Ficam tão lindos soltos sobre os ombros! Deixe-me ajudá-la.

Ele aproximou-se e, posicionando-se atrás dela, começou a tirar os grampos que mantinham os cabelos castanhos e sedosos presos ao alto da cabeça. Ela arrepiou-se ao sentir o calor que emanava do corpo másculo e o toque das mãos em seus cabelos. E, quando ele inclinou-se para beijar-lhe o ombro, ela ficou paralisada.

— Calma, relaxe. Eu não mordo — brincou ele.

— Então pare de agir como um lobo sondando a presa. — disse ela, irritada.

Ele nada respondeu e retornou ao balcão da cozinha, deixando-a sentir-se como uma tola. Tinha decidido ficar, não tinha? Então qual o motivo para tamanha reação?

— Desculpe, Edward — lamentou ela e sentou-se num dos bancos com pernas altas e assento de couro, dispostos ao lado do balcão. — Foi indelicado da minha parte.

— Nada disso! — ele exclamou com um novo sorriso.

— Você está certa. Estou sendo precipitado. Na verdade a minha intenção era apenas agradá-la com um café-da-manhã bem reforçado. Espero que goste de queijo derretido na torrada.

— Prometo não aborrecê-lo outra vez — insistiu Bella.

— Bem, se deseja mesmo me fazer feliz, então por que não tira essa toalha horrível, enquanto apreciamos o desjejum?

Lisa quase engasgou com a própria saliva:

— Quer que eu fique nua enquanto desfruto da refeição?

— E por que não? Da minha parte, é o que vou fazer agora mesmo. — E, antes mesmo de terminar a frase, pôs os dedos no cós do short e puxou-o até o chão. Depois deu um passo e descartou-o com a ponta do pé descalço.

A surpresa deixou Bella boquiaberta.

— Por que será que tenho a impressão de que está acostumado a fazer essas coisas?

— Está errada. Nunca trouxe nenhuma mulher aqui desde que comprei esta cobertura. Quase virei um celibatário para terminar aquele livro infernal!

Bella preocupou-se com aquela confissão. Talvez fosse por isso que ele estava tão obcecado por ela.

Edward serviu dois pratos com as torradas e queijo derretido e acomodando-se do outro lado do balcão perguntou:

— Não vai tirar a toalha? Estou esperando.

— Não posso, Edward.

— Por quê? De onde estou não posso vê-la por inteiro. Só até a cintura. Não vai me dizer que tem vergonha de exibir seus lindos seios, não é?

Na verdade, ela sempre teve vergonha de exibir qualquer parte do corpo e não somente os seios. E o que havia de mais incrível em Edward era que ele conseguia convencê-la a fazer coisas que jamais se imaginara capaz.

— Mas você sabe que estou completamente nua.

— Essa é a graça, Bella. A dedução é o ponto principal para despertar a atração.

— Você não precisa disso para ficar excitado, não é?

— Não. Mas não estava falando de mim.

— Ah!

— Apenas faça como eu digo e comprove por si mesma.

Bella sentiu o coração dar pulos, antes mesmo de desatar o nó que prendia a toalha. No momento em que a retirou e colocou-a no banco ao lado, sentia as faces se incendiarem.

Quando Edward colocou o prato com o lanche e a caneca de café quente na frente dela, Bella ficou apenas olhando para a pequena refeição. Depois ergueu os imensos olhos castanhos e revelou:

— N... não estou com fome.

— Precisa alimentar-se. Não quero ver ninguém desmaiando por aí.

— Eu nunca desmaiei.

— Mas há uma primeira vez para tudo.

Com aqueles dizeres ela concordava plenamente. O que experimentara naquela noite era um exemplo do que ele acabava de dizer.

Se a mãe pudesse vê-la agora...

E o pensamento na mãe lhe trouxe uma súbita recordação. Renée Swan tivera alguns amantes depois de ser abandonada pelo marido. Bella odiava perceber evidências dos romances da mãe, quando chegava da escola. Tais como: uma toalha extra e úmida no banheiro; um cheiro diferente no ar; o excesso de batom nos lábios da mãe, bem como a falta da calcinha, que era visível por conta das saias de cores claras.

Bella jurara para si mesma que jamais agiria como a mãe nesse assunto.

E, ali estava ela, sentada nua na cozinha do apartamento de Edward Cullen, completamente sem fôlego e excitada.

O cenário lhe parecia inacreditável!

— Já está pensando outra vez, não é? — perguntou Edward depois de sorver um gole de café.

— E o que há de errado em pensar?

— Significa que está analisando.

— Acho que é melhor me levar para casa.

Edward entristeceu o olhar no mesmo momento em que repousava a xícara sobre o balcão.

— E isso que realmente quer?

— Sim... Não... Não sei! E também nem quero saber, Edward — respondeu, quase gritando. — Não gosto de me sentir fora de controle.

Ele sorriu e balançou a cabeça.

— Talvez eu tenha ido rápido demais. Quem sabe possamos deixar as coisas como estão até outro dia?

— Outro dia? — perguntou Bella com espanto. Edward mantinha um olhar tranqüilo e seguro.

— Não está pensando que esta noite representará o final para nós dois, não é?

— Bem, Eu... Eu sei que prometi limpar seu escritório na terça-feira.

— Não é sobre isso que estou falando.

— Pelo que me disse, você não é homem de se envolver em compromissos.

— O que eu disse é que não pretendo me casar. Mas isso não me impede de desejar ter uma namorada. E gostaria que aceitasse ser minha namorada, Bella. Poderia levá-la a lugares interessantes, comprar-lhe presentes e mimá-la de todas as maneiras.

Ela limitou-se a encará-lo. Edward era um homem ardiloso, pensou.

— Não posso ser sua namorada. Aliás, não quero. Ele sacudiu a cabeça como se tivesse sido esbofeteado.

— Posso saber a razão?

— Não tenho tempo para namoros.

— Isso é desculpa. Sei que tem tempo. É a proprietária de sua empresa. Diga-me a verdade.

— Está bem. É porque complicará minha vida.

— De que maneira?

— Seth significa a prioridade em minha vida. E me recuso a fazer qualquer coisa que pudesse estragar a felicidade dele.

— E por qual motivo o fato de ser minha namorada poderia afetar a felicidade dele? Eu jamais interferiria na educação dele e também lhe compraria presentes que todos os meninos apreciam.

Agora Edward estava sendo ainda mais ardiloso. Tentando seduzi-la através do filho. Porém estava cometendo um grande erro ao pensar que ela se venderia por coisas materiais.

— Esse exatamente é o ponto aonde quero chegar, Edward. Seth começaria a admirá-lo, porque você é exatamente o tipo de homem que ele tomaria como exemplo. E, então, um belo dia, você diria: "Sinto muito, Bella. Mas já cansei de brincar de pai." E, quando você se afastasse, Seth ficaria com o coração partido. Já foi difícil para ele superar a perda do pai. E, na época, era muito pequeno. Agora que está com 9 anos, a decepção seria bem maior.

— Nesse caso, poderíamos manter Seth afastado de nosso relacionamento.

Edward negou com um gesto de cabeça.

— Seria impossível. Não posso deixar Seth sozinho e não confio em pessoas estranhas. Teria que contar a minha mãe sobre nós e...

— Essa poderia ser a solução! — exclamou Edward sentindo-se mais frustrado a cada minuto que se passava.

— Você não entende? — bradou Bella, agitando as mãos.

— Não, não entendo — afirmou ele, percorrendo os dedos agitados pela extensão do couro cabeludo. — Já estamos tendo nossa primeira briga e ainda nem estamos juntos. Olhe, por que simplesmente não voltamos para a cama? Acho que lá nos entendemos muito bem! — Bella ficou em silêncio, apenas observando-o. Sabia que ele não aceitaria um "não" tão facilmente.

— E se isso não for atraente — ele prosseguiu —, poderíamos ir para a piscina e fazer amor dentro da água.

Bella suspirou imaginando como seria empolgante! Nunca fizera amor em outro lugar que não fosse na cama.

A idéia era tentadora. Exatamente como ele sabia que seria. Ele era sem dúvida o maior sedutor de mulheres inexperientes como ela.

— Você escolhe, Bella.

Ela se lembrava muito bem de como era a decoração romana na piscina aquecida, na ocasião em que limpara o recinto. Piso de mármore e a água de um azul intenso.

Ao ver que ela não respondia, Edward contornou o balcão e a ergueu nos braços.

— Não sabe reconhecer o que fará bem a você?—perguntou ele enquanto caminhava na direção da piscina.

Sim, ela respondeu em pensamento. Da mesma forma que sei que você não é Edward. Li todos os seus livros e por isso posso reconhecer que você é na verdade o próprio Hal Hunter!

Bella sabia que Edward era o tipo de homem que a descartaria assim que enjoasse dela. Mas, ao mesmo tempo, era também o único a fazê-la sentir-se tão completa e realizada, em sua sexualidade. Precisaria manter a cabeça fria e jamais incorrer no erro de se apaixonar.

Jamais!