— Não trouxe as rosas? — perguntou Edward assim que abriu a porta de entrada da cobertura.
Bella o encarou e engoliu a saliva por duas vezes antes de responder. Havia esquecido o quanto ele era musculoso e atraente. E até parecia maior trajando calças largas e camiseta justa e sem mangas.
Apesar de estar descalço e com roupas casuais, ela notou que ele havia se barbeado. E, também, usava uma loção de sândalo, cujo aroma a agradava.
— Esqueci.
É claro que se tratava de uma mentira. Como explicaria a Seth a existência de duas dúzias de rosas no banco traseiro do carro? Na noite anterior, ela as havia escondido numa prateleira alta, dentro do closet. Ela poderia ter voltado em casa para apanhá-las, depois de deixar Seth no colégio, mas preferiu ir direto para o apartamento de Edward.
Contudo, não se esquecera do avental e das sandálias de saltos altos. Também vestia peças íntimas sexy que comprara numa promoção de lingeries e que ainda não tinham sido usadas. A calça capri e o top eram os mesmos que usara da primeira vez que viera.
— Está com os cabelos presos outra vez? — Ele observou em tom de censura.
— Sempre prendo meus cabelos quando preciso fazer uma faxina.
Edward uniu as sobrancelhas formando uma prega de desagrado.
— Venha comigo — pediu ele, tomando-lhe a mão e conduzindo-a até o escritório, onde a porta estava aberta.
— Mas já está limpo e organizado! O que aconteceu?
— Eu o limpei ontem, depois do nosso telefonema.
— Por quê? — perguntou atônita. Passara metade da noite reunindo coragem para usar apenas o avental e as sandálias só para agradá-lo!
— Porque decidi que não quero vê-la empregar seu tempo em outra coisa que não seja fazer amor comigo. E vou querer que tome a iniciativa.
— Eu? Mas não sei nem por onde começar!
— O que tiver vontade. É só improvisar.
— Mas... poderia começar por me beijar como fez da outra vez?
Não. Edward não poderia. Ele imaginava que se fizesse isso não conseguiria mais parar. E a razão de desafiá-la a tomar a iniciativa ele não saberia explicar. Apenas a idéia lhe pareceu excitante.
— Não. Você é quem vai me beijar — falou ele com determinação.
Edward desejava que sua linda princesa do gelo derrubasse todas as barreiras que a impediam de ser autêntica e feliz.
Por alguns segundos Bella apenas ficou observando-o. Depois, erguendo os imensos olhos chocolates, aceitou o desafio e tomou-lhe uma das mãos, liderando no caminho do quarto.
— Você é muito alto para que eu possa beijá-lo de maneira apropriada. Precisa estar deitado — justificou ela.
A frieza e o controle das palavras frustraram Edward. Será que ela se manterá dessa maneira o tempo todo?
Quando ele se deitou na cama, o seu próprio auto-controle estava ficando ameaçado ao observá-la tirar o tênis e acomodar-se ao seu lado, mantendo um cotovelo fincado no colchão e o queixo apoiado na mão.
— Não se esqueça de que a idéia foi sua — sussurrou ela com a voz trêmula e em seguida aproximou os lábios dos dele e começou a roçá-los com suavidade.
Ele deu um gemido e ela ergueu a cabeça para fitar-lhe os olhos.
— Estou fazendo algo errado?
— Não. Pode prosseguir.
Bella sorriu e depois enrugou a testa num gesto típico de quem estava pensando no que iria fazer em seguida.
— A acho que seria mais fácil para mim se você estivesse sem as roupas. — Ela conseguiu, por fim, dizer.
— Quer que eu fique nu? — Edward perguntou simulando espanto.
— Sim. Por favor.
E ela ainda pede, por favor?, pensou ele com diversão. E, mais rápido do que ela pudesse imaginar, ele despiu-se completamente e tornou a deitar-se.
— Pronto. E agora?
Como resposta, ela ergueu-se e posicionou-se de pé ao lado da cama e iniciou um strip-tease bem vagaroso e provocante, enquanto se movia como se estivesse acompanhando uma música sensual.
Ele mantinha o olhar ansioso repousado em cada gesto que ela fazia. Durante o tempo em que estivera no Exército, assistira a alguns strip-teases em casas noturnas, promovidos por dançarinas com corpos esculturais. Mas a sensação que tivera naquelas ocasiões não tinha nada a ver com o efeito devastador que os movimentos simples dela provocavam em seu íntimo. Quando ela retirou a última peça, ele sentiu a garganta ficar tão ressecada que precisou engolir a saliva por diversas vezes. Não havia nada mais que lembrasse a princesa do gelo naquele momento. Ela deslizava as mãos sobre as próprias curvas generosas de um modo tão sensual que Edward se esforçou ao máximo para ficar calado e se manter onde estava.
Bella mal podia acreditar no que estava fazendo. Mas o olhar dele a fazia se sentir como se fosse a mulher mais cobiçada do mundo. E por isso era uma experiência gratificante. Tanto que a motivou a inclinar-se sobre ele e beijá-lo com fúria. Talvez Edward estivesse certo quando lhe disse que as cenas que ela lera em seus livros ficaram impregnadas em sua memória. Só precisava do momento certo para liberá-las.
Obedecendo ao que lhe ditava o instinto, enquanto o beijava ela mantinha a mão direita na nuca masculina enquanto a outra percorria o peito musculoso acariciando os pêlos sedosos. Depois, prosseguiu até o abdome plano e indo mais além até culminar no centro viril.
Edward gemeu tão alto que ela foi forçada a abandonar-lhe os lábios.
— Não pare! — pediu ele.
Ela adorou assistir ao olhar selvagem que tinha provocado nele.
E, em vez de parar, ela prosseguiu nas carícias que o agradavam, até ele sentir que não poderia mais suportar. Com um movimento rápido, ele girou o corpo colado ao dela até inverter as posições. E, sem perder tempo, ele a possuiu e investiu com tanta fúria que mais parecia um vulcão em plena erupção. Quando Bella gritou para que ele parasse, era tarde demais. Edward contorceu-se e liberou a lava vulcânica num grande gemido de prazer.
— Pare, pare. — Bella prosseguia gritando e socando-lhe o tórax.
— Calma, Bella. — Ele pediu assim que conseguiu se acalmar. — O que foi?
— Você não usou preservativo! Ah, então era esse o problema!, ele finalmente compreendeu.
— Não fique tão desesperada, Bella. Tenho certeza de que não corre risco nenhum de contrair qualquer doença. Sou saudável. E juro que foi a primeira vez que não me preveni.
— Mas eu posso ter engravidado! — gritou ela, em pânico.
Edward afastou-se e sentou-se na cama ao lado dela com os olhos arregalados. Um bebê?, pensou.
— Mas na outra noite você me disse que estava protegida para não engravidar!
— Não disse protegida. Disse que não estava em período fértil, o que é muito diferente.
Edward tentou manter a calma para pensar com clareza.
— Será que um banho não ajudaria? — sugeriu ele. Ela o olhou e depois sorriu com tamanha ingenuidade dele.
— Logo se vê que não entende tanto quanto pensa sobre o corpo de uma mulher. Um banho não ajudaria em nada.
Edward praguejou para si mesmo. Deveria ter sido mais prudente.
— De qualquer maneira, acho que mesmo assim ainda preciso de um banho.
Quando Bella se dirigiu para o banheiro, Edward suspirou desconsolado e disse baixinho:
— Que desastre! — e, erguendo-se, vestiu o short. — Um bebê! Meu Deus!
Ainda estava com os pensamentos atrapalhados quando Bella retornou ao quarto, enrolada em uma toalha e pálida como um lençol.
— Quando será seu próximo período? — Ele quis saber.
— Precisamente daqui a 16 dias. E a ovulação geralmente ocorre de 12 a 14 dias após o início do período.
— Então as chances de ficar grávida não é das maiores.
— É o que pensa — retrucou ela enquanto começava a apanhar suas roupas.
Quando ele tentou ajudá-la, Bella arrancou com violência o sutiã que ele havia recolhido e esbravejou:
— Acho que já fez o suficiente, não fez?
— Bella! Não aja assim!
— Assim como? Você me prometeu que nunca iria me magoar. Mas se algo acontecer, terá feito o pior que poderia. Não quero ter um filho seu, Edward. Mas se isso acontecer, não terá outro jeito.
— Não seria forçada a ter o bebê, Bella. Não nos dias de hoje.
— Já sabia que diria isso!
— O que quis dizer é que a escolha seria sua. O corpo é seu.
— O corpo é meu, mas o bebê também seria seu, Edward. Se eu optasse por um aborto, não estaria matando apenas o meu filho, mas o seu também!
Os argumentos dela abalaram Edward. Ele nunca tinha analisado um aborto por esse lado da questão. E Bella tinha razão. Uma solução médica não isentaria a culpa por interromper uma vida que ambos criaram.
— Eu nunca pediria isso a você. Se ficar grávida, assumirei você e o bebê. Ainda não desconfiou que a amo?
Bella ficou paralisada durante alguns segundos diante daquela afirmação. Depois tornou a enfurecer-se:
— Não diga isso, Edward Cullen! Nem mesmo sabe o que é o amor. Se me amasse de verdade, não permitiria que acontecesse o que acabou de acontecer.
— Não está sendo justa, Bella. Somos ambos responsáveis por isso. Você poderia ter me interrompido e não o fez. Queria ter o prazer tanto quanto eu.
— Isso é porque me transformou numa mulher tão deslumbrada pela excitação que nem mesmo sabia mais o que queria. — E, quando acabou de dizer aquelas palavras, irrompeu num pranto tão profundo que precisou afundar o rosto nas roupas que mantinha nas mãos.
Edward ficou tão constrangido que a abraçou com a intenção de confortá-la, e disse:
— Está precipitando as coisas, Bella. Talvez não tenha acontecido nada.
— Mas, e se aconteceu? Como poderia explicar para Seth ou para minha mãe?
— A verdade. Que se apaixonou e vai ter um bebê.
Bella desvencilhou-se dos braços dele e ergueu os olhos com fúria:
— Eu não me apaixonei! Apenas me deixei levar pelos instintos, assim como você!
— Não quero discutir isso com você agora.
— Nem agora e nem nunca! Sei o que sei, e não irá me convencer do contrário. Agora vou me vestir e ir embora daqui!
— Não seria uma idéia melhor se eu lhe preparasse um lanche? Assim haveria tempo de se acalmar para podermos ter uma conversa mais racional?
— Estou perfeitamente bem. E por isso mesmo é que pretendo ir para casa. Antes que comece a tentar me convencer de mais alguma coisa maluca.
— Está bem. Se for o que realmente deseja.
— E o que desejo — ela mentiu.
— Ligarei para você mais tarde, para saber como está.
— Prefiro que não me ligue.
— Isso é ridículo, Bella! Não pode apagar o que houve entre nós. Com ou sem bebê, quero estar com você outra vez. E sei que acontece o mesmo com você!
Bella sabia que ele estava certo, mas duvidava que fosse tão fácil assumir tudo se realmente ficasse grávida.
— Seth irá ficar com a minha mãe no próximo fim de semana. Quem sabe poderemos nos ver?
— Mas ainda faltam muitos dias para terminar a semana!
— Se me ama, como afirmou, terá paciência para aguardar.
—Não sou um homem paciente! E preciso vê-la antes disso. Mesmo que não tenhamos nenhuma intimidade. Poderíamos tomar um lanche ou qualquer outra coisa. Seria pedir muito?
— Vou fazer compras de mercado na quarta-feira. — Bella comentou sentindo-se fraquejar.
— Ótimo. Também preciso fazer algumas compras. Poderemos nos encontrar no shopping.
— Está combinado. — Bella aceitou com relutância. — Mas não vou ao Erina e sim ao Tuggerah.
— Tuggerah estará ótimo.
— Irei com o meu carro e o encontrarei na porta da livraria, às 11h.
— Estarei lá.
— Sabe onde fica a livraria?
— Não se preocupe. Eu a encontrarei.
— Agora vou me vestir e irei para casa.
— Quer tomar um café antes de sair?
— Não, obrigada.
Edward permaneceu na varanda por longo tempo, pensando no que havia acontecido. Bella estava fugindo novamente. E até que era compreensível, ele ponderou. As coisas entre eles aconteceram rápido demais. E uma possível gravidez a aterrorizara.
Ele finalmente preocupou-se com o fato de que poderia ter feito um filho naquele dia. E o mais estranho era que não se sentia aborrecido com isso. A idéia até o agradava.
E essa era uma reação surpreendente para um homem que jamais pensou em colocar um filho no mundo.
Porém, isso era o que pensava antes de conhecer Bella.
Quando se apaixonou por ela, percebeu que aquilo acontecera porque ela era o tipo de mulher que, desde que deixara o Exército, ele sempre procurara.
E, desde que a conhecera, as amarguras que carregava no coração, em decorrência das tristezas que presenciara em batalhas e o levavam a preferir uma vida solitária, tinham terminado. Agora o que mais desejava era compartilhar a vida com aquela mulher especial e desafiadora.
E o próximo desafio que ele precisava enfrentar com ela seria convencê-la de que não era apenas a atração física que os unia e, sim, um amor verdadeiro.
E que talvez ela devesse encará-lo como um futuro marido. E, por que não? Afinal, Edward tinha mudado completamente o que pensava a respeito do casamento.
E perdendo o olhar na paisagem que observava, Edward murmurou baixinho:
— Quantas surpresas para um só dia!
