Edward já se encontrava à espera de Bella, do lado de fora da livraria, quando ela chegou. Ele trajava calças folgadas e uma camisa creme com listras azuis. Os sapatos na cor marrom completavam o conjunto casual e elegante. O rosto bem barbeado e os cabelos alinhados lhe emprestavam um ar de sobriedade.
Ao avistá-lo, Bella sentiu o coração dar pulos de alegria. Não era só pela aparência imponente dele, mas também pelo fato de dar-se conta do quanto estava apaixonada. Após recuperar-se do choque inicial provocado pela possibilidade de ficar grávida dele, agora se sentia, secretamente, até atraída pela idéia.
Os sentimentos aflorados a deixavam ao mesmo tempo ansiosa e feliz. Sentiu uma vontade imensa de correr para ele e abraçá-lo. Contudo, o bom senso a fez controlar-se e, mantendo-se a uma distância segura, comentou:
— Está muito elegante!
— E você muito bonita! Será que ele pensava isso mesmo ou era apenas um
cumprimento gentil, ela pensou. Afinal, estava usando jeans escuro, uma camiseta branca bem modesta e sandálias com saltos baixos e confortáveis. Deixara os cabelos soltos, modelando apenas as pontas para que ficassem com mais movimento. A maquiagem era mínima. Uma corrente de ouro bem fina no pescoço e brincos discretos.
— Mostre onde fica a melhor lanchonete de Tuggerah — pediu ele com um sorriso.
Quando Edward segurou-lhe a mão para caminharem juntos, Bella, por puro instinto, olhou ao redor para constatar se alguém que a conhecesse estava observando. Mas nem considerou a hipótese de recusar o gesto. O toque da palma da mão quente e imensa lhe dava a sensação de segurança e prazer.
Mesmo assim, se pretendia manter o relacionamento deles em segredo, deveria ter escolhido um lugar mais calmo e discreto em vez de um shopping de grande circulação. Agora era tarde para pensar nisso. O melhor que poderia fazer para remediar o erro seria conduzi-lo até a lanchonete, que ficava num canto da praça de alimentação, onde era mais sossegado.
Ao entrarem na lanchonete, ficou aliviada de não encontrar nenhum conhecido. E, por precaução, escolheu um lugar onde ficasse de costas para a entrada do estabelecimento. Assim, quem passasse pelo corredor, dificilmente a notaria. — Recebi um e-mail da editora em Londres — revelou Edward, assim que o garçom se retirou para providenciar o pedido deles. — Algum problema? — perguntou Bella, aliviada por tratar de um assunto que não fosse sobre o relacionamento entre eles.
— Estão pondo empecilhos no último capítulo. Disseram que Hal está se tornando um mau-caráter.
— E está?
Edward deu de ombros.
— Ele sempre foi. Só que no final seduz uma mulher casada. E daí? Qual a novidade? Ela adorou. E os leitores também vão gostar!
Bella tinha certeza de que os leitores gostariam. A habilidade de Hal com as mulheres era muito excitante. Ela mesma tinha adorado ler. E, quando a ficção virou realidade no seu relacionamento íntimo com ele, não podia negar que fora uma incrível experiência.
— Estou relendo a série novamente — confessou ela — Ontem à noite iniciei o capítulo em que Hal está n África e jura vingança ao ver tantas mulheres e criança massacradas.
— Eu mesmo releio essa parte de vez em quando Gosto do final.
— Você testemunhou algo semelhante na vida real, Edward?
Ele silenciou por alguns segundos e depois admiti em voz baixa:
— Sim.
Ela pode perceber a tristeza nos olhos dele e o tremo na voz. Ficou feliz em descobrir que Edward, ao contrário de Hal, ainda tinha sentimentos.
— Deve ter sido como um pesadelo para você. Os olhos de Edward adquiriram um brilho estranho.
— O mais difícil era aceitar que não poderia fazer nada para ajudar. Nosso grupo de soldados estava no país apenas para garantir a paz e tínhamos ordens expressas para não nos envolver no conflito. Mas a minha vontade era caçar o maníaco homicida que chefiava o guerrilheiros e matá-lo sem dó nem piedade.
— Por isso se valeu de Hal para torturar e matar o crápula, não é?
— Apenas na ficção. Na realidade, ele continua vivo em algum lugar e totalmente impune pelas atrocidades que fez.
— Acho que assistiu a muitas coisas ruins acontecerem, Edward.
— Até demais — ele admitiu. — Mas não só na África. Em muitos outros cantos do planeta onde a ambição e o poder de alguns provocam guerras em nome da liberdade. Infelizmente, a maioria das vítimas são sempre mulheres e crianças.
— Posso imaginar o que essas cenas podem provocar na mente de quem as testemunhou.
Edward lançou-lhe um olhar angustiado do outro lado da mesa.
— Quando resolvi deixar o Exército, estava a ponto de me internar num manicômio.
— Precisou de terapia? — perguntou ela arregalando os olhos.
Edward sorriu.
— Não. E só modo de falar. Além do quê, o divã de um psiquiatra não faz meu estilo. E nem acredito que fizesse diferença. Criar Hal tornou-se a minha terapia. Por meio do meu personagem, consegui liberar a raiva e o desejo de vingança que atormentavam minha mente.
— E depois disso sentiu-se melhor?
— Um pouco. Mas não tanto quanto depois que a conheci. Agora não me sinto mais o homem acabado que era quando abandonei Exército, seis anos atrás. Não sou mais o Hal, Bella. Se é que me entende.
— Suponho que sim, Edward — afirmou ela sem muita segurança. No fundo ainda achava que havia muito de Hal nele. E, talvez, tenha sido essa a razão de ter-se apaixonado por ele. Poderoso, determinado e misterioso poderiam ser armas infalíveis de sedução.
— Ouça, Bella. — Edward pediu, inclinando-se para frente e fixando os olhos nos dela. — Entendo que esteja sendo cautelosa e por isso não permite que eu participe da vida de seu filho. Mas asseguro-lhe de que não há razão para isso. Eu gostaria muito de tornar nosso relacionamento aberto. Não existe nenhuma razão para mantermos em segredo.
Bella sentiu um nó imaginário formar-se na garganta. Talvez Edward gostasse mesmo dela. Quem sabe até um pouco mais do que imaginava?
— Não sei, Edward. Ainda não tenho coragem de permitir que freqüente minha casa. E nem de contar para Seth sobre nós.
Ele demonstrou contrariedade com a decisão dela e argumentou:
— Está bem. Vou procurar ter mais paciência quanto a isso. Porém, faço questão de que conte para sua mãe, ou, então, permita que eu contrate alguém para ficar com ele, ocasionalmente. Pretendo passar um tempo maior com você do que umas poucas horas enquanto Seth está na escola.
— Minha mãe, não! Quanto a contratar alguém, posso me encarregar de fazer isso. Mas sou eu quem pagará o salário.
— Nossa! Que independência!
— É assim que sou, Edward.
— Pelo menos ninguém poderá acusá-la de gostar de mim por causa do dinheiro!
— Dinheiro?
— Sabe que sou rico, Bella. E, se estiver grávida, poderá requerer uma fortuna como pensão.
— Como pode pensar que eu faria uma coisa dessas? Edward sorriu.
— Eu não. Mas posso garantir que a maioria das pessoas diria isso.
— Que horror! — exclamou ela inconformada. Naquele instante o garçom se aproximou e retirou da bandeja dois pratos com os sanduíches e as duas xícaras de café expresso, serviu-os e, em seguida, retirou-se.
Durante os minutos que se seguiram eles silenciaram. Aproveitaram o momento para terminar de saborear o lanche apetitoso. Quando provavam o café, Edward, espiando-a pela borda da xícara, fez um comentário em voz baixa:
— Não fique nervosa, Bella. Mas, durante todo o tempo em que estamos aqui, reparei em uma senhora que não parava de encará-la um minuto sequer. E, mesmo agora, antes de ela se levantar para sair, ainda lhe deu uma última olhada.
Bella girou a cabeça na direção da porta de entrada, mas a mulher já havia ido embora. Não conseguiu nem mesmo vê-la de longe.
— Reparou se ela tinha cabelos loiros? — Bella quis saber.
— Não. Eram ruivos.
— Graças a Deus!
— Por quê? Sua mãe tem cabelos loiros? — perguntou ele, com a certeza de que Bella desconfiava que a mulher pudesse ser a mãe.
— Não. São mais loiros do que qualquer um possa imaginar. Ela adora chamar a atenção por meio das cores extravagantes dos cabelos e das roupas que usa.
— Então, com certeza, não era sua mãe. Quem sabe seja alguma de suas diaristas?
— Minhas contratadas são todas jovens. — E, estreitando o olhar na direção dele, fez uma suposição: — Pode ser alguém que tenha reconhecido você e estava curiosa em averiguar quem seria a mulher que o estava acompanhando.
— Talvez. Acho que nunca saberemos. E, também, o que importa?
— É difícil manter segredo em lugar pequeno — lamentou Bella. — Se a gente vai a qualquer lugar, principalmente acompanhada de alguém, pode ter certeza de que será vista.
— Mais uma razão para não mantermos nosso relacionamento em segredo. Por que não conta logo para sua mãe e acaba com isso?
— Não conseguiria conviver com ela, depois que lhe contasse.
— Mas você não mora com ela! — exclamou Bella.
— Ela me liga todos os dias. Às vezes penso em contar e depois me arrependo. Sei que ela me atormentaria com perguntas.
Edward ficou pensativo por uns minutos e depois arriscou:
— Ela é do tipo extremamente moralista? Bella riu divertida.
—Ao contrário. Teve mais amantes do que possa imaginar. Talvez até seja em decorrência disso que eu tenha me tornado uma mulher tímida. Não queria me parecer com ela.
— Só precisa acrescentar que não é mais uma mulher tímida. Se bem me lembro... E, por falar nisso, você acredita que eu conseguirei esperar até sábado para ficar com você?
Bella sabia que estava sendo tola em querer manter o romance com Edward em segredo. Por outro lado, não queria que ele a considerasse uma mulher fácil.
— Na verdade, eu precisaria fazer a faxina da cobertura antes de sábado.
— Esse não é o trabalho da Angela?
— Não mais. Ela se demitiu.
— Demitiu-se? Por qual razão?
— Disse que o marido conseguiu um novo emprego e irá ganhar muito bem. Sendo assim, não irá mais precisar fazer faxinas para ajudar no orçamento da casa.
— E quanto a uma substituta?
— Não será tão fácil arranjar alguém assim tão de repente. — Bella argumentou, sabendo que não estava sendo muito convincente.
— Ah!... suponho que seja muito difícil! — Ele observou com um sorriso jocoso.
— Se não quer acreditar, tudo bem. O fato é que não vou mandar outra diarista. Prefiro eu mesma fazer o trabalho.
— Não confia em mim?
— Não confio nas mulheres, isso sim!
— Está com ciúmes?
— Sim. E é bom que saiba logo que sou uma mulher possessiva.
Edward exibiu um largo sorriso.
— Posso imaginar... — ele insinuou com uma pitada de malícia na voz. — E quando é que pretende fazer a faxina? Amanhã?
Se Bella fizesse isso, prejudicaria o restante da semana, pensou. Sandra deveria vir ajudá-la na quinta-feira para limpar a própria casa que precisava de uma faxina urgente. Ela perdera muitas horas lendo os livros de Hal e negligenciara alguns serviços que costumava não atrasar.
— Só poderei ir no sábado.
— E quanto à quarta-feira?
— Tenho outras coisas para resolver, Edward. A agência não funciona sozinha.
— Está bem. Apenas não se esqueça de levar aquele avental — finalizou com um sorriso travesso.
Bella tinha acabado de chegar em casa, acompanhada de Seth, quando o telefone tocou.
— Vá fazer a lição de casa, Seth. Vou atender ao telefone. Deve ser sua avó.
— Posso falar com ela, também?
— Depois que eu terminar.
— Alô!
— Bella, aqui é sua mãe.
— Oi, mãe.
— Sabia que estava escondendo algo de mim. Eu a vi na lanchonete acompanhada de um homem.
Então era ela mesma a tal mulher que estava espionando, concluiu Bella. Talvez tivesse mudado a cor dos cabelos.
— Ah! É um novo cliente da Clean-in-a-Day. — Bella disfarçou. — Ele comprou uma cobertura em Terrigal e precisava de uma diarista. Eu o encontrei enquanto estava fazendo compras e ele me convidou para um café.
— Ah... Pensei que estivesse guardando segredos.
— E por que eu faria isso?
— Não sei. É que estranhei o fato de deixar Seth comigo por dois fins de semana seguidos. E, quando a vi com aquele bonitão, pensei...
— Você pensa demais, mamãe — afirmou Bella e depois quase riu do que acabara de dizer. Estava parecendo Edward!
— Ele é solteiro?
— Sim.
— E não a convidou para saírem juntos?
— Ah, mãe! Por favor, não vai começar outra vez, não é?
— Só quero que seja feliz, Bells.
— Será que podemos mudar de assunto? Que tal começar por me dizer o que estava fazendo no Tuggerah?
— Fui ao cabeleireiro para mudar a cor dos meus cabelos.
— Ah! — Estava explicado, concluiu Bella.
ola flores... só pra saber que não abandonei a fic... ainda faltam dois capitulo que ate semana que vem vou postar... não se esqueçam da reviews ein... bjuxx^^ até
