— Está uma delícia! — exclamou Edward no momento em que repousava o garfo ao lado do prato. — Você poderia ser uma excelente chefe de cozinha, Bella. — E, erguendo a taça de vinho com uma das mãos, fez um brinde a ela e sorveu um gole do precioso líquido.

— Fiz um curso de culinária por correspondência — admitiu, satisfeita com a reação dele ao provar a refeição ligeira que ela preparara. — Adoro cozinhar da mesma maneira que gosto de limpeza. Minha mãe nunca foi uma das melhores donas-de-casa. Vivíamos no meio de uma verdadeira bagunça e as refeições sempre consistiam em feijões cozidos, ovos fritos e coisas do tipo. Talvez seja por isso que, desde a adolescência, me tornei obcecada por limpeza e uma refeição bem preparada. — Naquele ponto Bella deu um sorriso irônico e afirmou:

— Acho que é por isso que Seth gosta tanto de ficar com a avó. Pelo menos tira uma folga da mãe exigente e perfeccionista.

— Acho a mãe de Seth fantástica! E aprecio a perfeição dela em tudo que faz. — Edward brincou. E com um acréscimo picante falou: — Principalmente no quarto.

Bella revirou os olhos e murmurou, simulando inocência:

— Não me lembro de ter arrumado o quarto com empenho maior do que nos outros aposentos...

— Sabe muito bem ao que me refiro.


Claro que Bella sabia. Quando chegara naquela manhã, antes de iniciar a faxina, concordara com as fantasias de Edward, começando por usar o avental e as sandálias douradas, que ele tanto gostava. E, quando fizeram amor, as carícias dele estavam tão apaixonadas que ela até pensou em repetir mais vezes a fantasia que tanto o animava.

No instante em que terminou de limpar o apartamento, Edward a convidou para dar uma volta. Bella sugeriu que fossem até o Erina, o supermercado mais próximo, assim poderia comprar alguns ingredientes para preparar o jantar.

No caminho de volta, ela lhe contou que realmente era sua mãe quem os observara na lanchonete do Tuggerah.

— Por falar nela, qual foi a desculpa que deu para deixar Seth no fim de semana?

— Falei que precisava fazer a faxina na cobertura de Terrigal porque Angela se demitira e não havia conseguido ninguém para substituí-la.

— Está ficando muito esperta! — Edward exclamou com surpresa. — Eu já lhe disse que fico frustrado quando vejo o discípulo superar o mestre?

Bella ainda estava com um sorriso inconsciente nos lábios, por conta dos acontecimentos da tarde, quando o som do celular a alertou, interrompendo-lhe o devaneio. O susto a fez derrubar o garfo que mantinha na mão direita. Ao cair no chão, o talher provocou um ruído agudo e estridente.

— É o meu celular! Deve ser minha mãe! — gritou ela em pânico. Eu pedi que só me ligasse em caso de emergência!

Erguendo-se, saiu em disparada na direção de um móvel da sala sobre o qual tinha deixado o pequeno aparelho. Com as mãos trêmulas, o apanhou e abriu o flip:

— Alô! Mãe?

— Bella...

A voz angustiada de Renée apavorou a filha, que levou a mão ao peito sem perceber.

—Aconteceu alguma coisa com Seth?

— Ele... ele estava brincando com o neto do vizinho e...

Bella ouviu com o coração acelerado a mãe relatar que os dois meninos se aventuraram nas matas atrás da casa para brincar. Um deles se escondia e o outro tinha que descobrir onde era o esconderijo. Na hora em que deveriam retornar para casa, Seth tinha se escondido e Jason não conseguia encontrá-lo. Disse ter ouvido Seth gritar uma única vez. Preocupado voltou para contar o que tinha acontecido. A polícia foi chamada e vasculharam o local na tentativa de encontrar Seth. Quando escureceu, disseram que não havia mais condições de prosseguirem com a busca. Mas reiniciariam assim que amanhecesse. Não queria lhe contar agora, porque sei que não poderá fazer nada. Mas sabia que ficaria muito zangada se eu não lhe contasse.

— Estarei aí o mais rápido possível. — Bella avisou e, após encerrar a ligação, guardou o celular na bolsa.

Edward que também deixara a mesa para ficar ao lado dela, perguntou ansioso:

— O que aconteceu?

— Seth desapareceu. — Bella afirmou e explodiu em lágrimas.

Edward a abraçou e pediu que lhe contasse o que tinha acontecido. Bella revelou o que ouvira da mãe, falando em meio aos soluços repetidos.

— Vou com você. Não está em condições de dirigir. Apenas me dê tempo de apanhar algumas coisas.

— Que coisas?

— Explico no caminho.

Edward foi até a sala de ginástica e logo retornou com uma mochila de brim, estufada com coisas que só ele sabia o que eram.


Enquanto Edward dirigia, Bella se manteve calada o tempo todo. Estava pálida.

Os pensamentos a atormentavam. E se ele tivesse sido picado por uma cobra? Será que teria caído e batido a cabeça? Por que não respondia? Será que estaria ferido ou algo pior?

— Pare de pensar em coisas negativas, Bella. — Edward afirmou, deduzindo o que ela deveria estar pensando. — Eu o encontrarei. Confie em mim.

— De que maneira? A mata é densa e está muito escuro!

— Sou um ex-combatente. Sei como agir em florestas à noite. Além disso, trouxe comigo um equipamento especial. Guardei essas coisas quando deixei o Exército.

Edward provavelmente excedeu todos os limites de velocidade, mas Bella sequer se incomodou com isso. Quanto mais rápido chegassem, melhor. No desespero em que se encontrava pouco se importava que a mãe descobrisse relacionamento entre eles. Nada era mais imperioso do que encontrar Seth.

Não havia nenhum carro de polícia na frente da casa de Renée. Tudo parecia calmo e tranqüilo.

— Imagino que não fará nenhuma tolice para impedir que sua mãe saiba quem sou eu, não é?

— Prometo que não.

O restante do trajeto foi feito em total silêncio. Bella apenas falava nos momentos necessários para indicar-lhe as direções que deveria tomar.

Através da janela do carro, observava a escuridão da mata e, com o coração angustiado, fazia preces secretas para que nada de mal tivesse acontecido com o seu pequeno tesouro.

Quando tomaram o estreito caminho que levava à cabana onde a mãe de Bella morava, ela apontou para única casa que mantinha uma luz ainda acesa.

— É aquela ali. Pode estacionar bem na frente dela.

Renée apareceu na varanda assim que ouviu o barulho do motor do carro. E, em seguida, desceu os poucos degraus da entrada principal e aproximou-se do carro, dirigindo-se para o lado do banco do passageiro, onde sabia que a filha estaria. Ao ver os olhos vermelhos e inchados, que demonstravam a angústia profunda que a mãe estava sentindo, Bella deixou de lado as censuras que pretendia fazer, em virtude do excesso de liberdade que a mãe proporcionava a Seth. Não seria justo condená-la por pensar da maneira como fazia. O importante era que amava o neto como ela jamais poderia supor. Do contrário, não estaria tão abatida.

— Oh, Bells! — a mãe exclamou assim que viu a filha descer do veículo e ir ao seu encontro. — Sinto muito! Eu... eu... deveria ter pedido a ele que viesse para casa mais cedo.

— Tudo bem, mamãe — falou Bella tentando falar com a voz mais calma do que realmente estava. — Edward vai encontrar Seth.

— Edward?

Renée franziu o cenho e espiou por cima de um ombro da filha para observar o homem que se aproximava.

— Sou Edward Cullen, sra. Swan. O homem que estava na lanchonete com sua filha — revelou ele, estendendo-lhe a mão. E, depois prosseguiu: — E, antes que me pergunte, devo dizer que também sou Anthony Masen, o escritor. Mas não temos tempo para uma conversa agora. Preciso trocar as roupas rapidamente e depois peço que me leve ao local exato onde Seth entrou na mata. Ligarei para o celular de Bella assim que encontrar o menino.

— Vai procurar por ele, no escuro?

— Pode apostar.


Renée pediu que eles entrassem e indicou um dos quartos onde Edward pudesse trocar de roupas.

— Será que poderia providenciar uma garrafa de água e algo para Seth comer? — pediu ele. — O menino deve estar com fome e sede.

Bella sentiu mais segurança diante da confiança dele e ajudou a mãe a preparar o que ele pedira.

Quando Edward saiu do quarto parecia um estranho no uniforme militar que usava. Mantinha uma lanterna nas mãos, um rolo de cordas atado às costas e um par de óculos com lentes especiais para enxergar no escuro.

— Agora poderá me mostrar o local exato onde Seth contou que eles entraram para brincar?

— Com certeza — prontificou-se Renée.

— Eu também vou — insistiu Bella.

Com a lanterna iluminando melhor o caminho, os três seguiram na direção da mata. Após Renée mostrar o ponto por onde os meninos entraram para brincar, Edward perguntou:

— Vocês conseguirão retornar sem a lanterna?

— Não haverá problemas — garantiu Renée —, estou acostumada com o lugar.

— Então, está bem. Darei notícias em breve. — Ele despediu-se e embrenhou-se na floresta.

As mulheres retornaram para casa, aproveitando a fraca iluminação provinda da lâmpada da varanda.


— Há algo entre vocês, Bells? — quis saber Renée, enquanto punha um pouco de água no fogo para preparar um café bem forte.

— Ah, mãe! Não me pergunte isso agora. A única coisa em que consigo pensar no momento é em receber notícias do meu filho.

— Estou certa de que Edward encontrará Seth. Ele parece um homem bem treinado. E, também tenho esperanças de que meu neto deve ter adormecido em algum canto seguro. Seth é um menino esperto e já está acostumado à mata. Não se aproximaria de lugares onde sabe que poderia haver cobras. E, também, por esses lados não é muito comum se encontrar répteis ou animais ferozes. Você sabe disso.

Bella tinha sido criada naquela região e nunca conhecera ninguém que tivesse sofrido qualquer ataque de bichos. O que a mãe lhe dizia, aos poucos, a acalmava.

— Mal consigo acreditar que ele é Anthony Masen. O fantástico Anthony Masen! — exclamava Renée, no mesmo momento em que servia duas xícaras com o café que acabava de coar.

Bella desejou ter uma câmera no momento para filmar a expressão da mãe. Era impagável!

— Está bem. Sei que não vai me dar sossego mesmo. É melhor que eu conte logo. — concluiu Bella, enquanto aceitava a xícara com o café fumegante que a mãe lhe entregava.

Bella provou um pouco do saboroso líquido e então começou a relatar tudo que acontecera entre ela e Edward, desde o princípio. Como o conhecera e inclusive sobre a entrega do prêmio literário. Até mesmo o fato de sentir que estava apaixonada por ele. Apenas não revelou que poderia estar grávida. Não queria falar sobre um possível novo bebê, quando seu precioso Seth estaria perdido em algum canto daquela floresta.

— E quanto a ele? Acha que também está apaixonado por você?

— Pelo menos é o que ele disse.

— E você acreditou?

— Não sei, mãe. Às vezes desconfio que só queira dormir comigo, porque ele e Hal Hunter são a mesma pessoa.

— Mas Hal Hunter não é uma pessoa ruim, Bells. Debaixo de uma couraça, se esconde um coração solitário. Ele é um herói. Por isso os leitores o admiram. E é óbvio que tudo que ele precisa é encontrar a mulher certa. E tenho certeza de que você é a mulher especial que ele buscava. Que homem não cairia de amores por alguém como você?

— Oh! mãe! Não acredito que esteja dizendo isso! — exclamou Bella e pôs a xícara sobre a mesa. — Nunca imaginei que tivesse essa imagem de mim. Achava que me criticava porque eu não era a filha que desejaria que eu fosse.

— Ao contrário, Bells. Eu sempre a admirei e, se a criticava, era porque achava que uma jovem preciosa como você não devia se condenar a uma vida solitária. — E, após repousar a xícara na mesa, afastou algumas lágrimas das faces e, abrindo os braços, pediu: — Agora venha até aqui e me dê um abraço apertado. Acho que temos muita coisa que devemos esclarecer sobre o que pensamos uma da outra.

Em instantes as duas mulheres profundamente emocionadas se abraçaram e assim permaneceram por longo tempo.


Bella ainda estava abraçada à mãe quando o celular tocou.

O coração deu um salto no momento em que ela apanhou o aparelho de cima da mesa da cozinha.

— Ainda não o encontrei, Bella — afirmou Edward do outro lado da linha. — Só liguei para saber como você está.

— Estou bem, Edward. Não se preocupe comigo. Fico tranqüila de saber que o está procurando.

— Eu o encontrarei, Bella. Mas não podia ficar sossegado sabendo que a mulher que amo está desesperada. Precisava saber como estava.

As palavras da mãe retornaram à mente de Bella: Hal não é um homem ruim. É um herói. E, naquele momento, Edward era mais do que isso para ela.

— Oh, Edward! Eu também o amo muito! — exclamou Bella e explodiu em lágrimas outra vez.

— Será que ouvi direito? Disse que me ama?

— Sim — confirmou ela, soluçando.

— Ótimo. Agora desligue logo esse telefone que tenho uma missão importante a fazer. Preciso encontrar nosso garoto!

Quarenta minutos mais tarde o celular tocou novamente.

— Eu o achei Bella! — exclamou Edward com alegria. — Está com um "galo" na cabeça e torceu um dos tornozelos. Porém, nada de grave. Caiu do tronco de uma árvore e bateu a cabeça, ficando inconsciente por algum tempo. Por isso é que ele não gritou por socorro. Como precisarei carregá-lo no colo e está muito escuro, acho melhor passarmos a noite aqui. Voltaremos assim que amanhecer. Pode ficar sossegada. Ele quer falar com você, mas está com medo do "sermão". Eu já disse que você não faria isso. Mas é melhor que lhe diga você mesma.

— Mamãe?

A emoção embargou a voz de Bella, que mal conseguiu responder:

— Seth, como está?

— Estou bem, mamãe. Mas fiz um rasgo na camisa.

— Não importa a camisa, querido. Só quero saber se está mesmo bem.

— Estou sim. Edward está cuidando de mim. Ela sorriu comovida.

O menino prosseguiu:

— Ele disse que é seu namorado. É verdade?

— Sim, Seth.

— Legal! Você sabia que ele já foi um soldado?

— Sim, meu bem.

— Eu te amo, mamãe.

— Eu também te amo — retrucou Bella com os olhos marejados. — Posso falar com Edward?

— Sim, mamãe. Até mais.

— Oi, Bella.

— Obrigada.

— Não precisa me agradecer, Bella.

— Preciso sim. E não apenas por encontrar Seth, mas também por me amar de verdade.

— Não é muito difícil amar alguém tão doce quanto você, Bella. E, a propósito, já que resolveu assumir nosso compromisso, posso comprar o anel de noivado?

— Está falando sério?

— Pode apostar.

Bella se recusava a acreditar. Eles se conheciam havia apenas nove dias! Embora parecesse uma eternidade. Talvez porque ela o conhecesse muito bem por intermédio de seus livros.

— Ele quer se casar comigo, mãe! O que acha que devo dizer? — Bella sussurrou para Renée.

A mãe ficou espantada:

— Está pedindo o meu conselho?

— Sim, mãe.

— Então lhe digo que deve seguir o que lhe manda o coração, filha.

— Edward? — Bella chamou pelo celular.

— Estou aguardando.

— A resposta é sim! E estou muito feliz.

— Fantástico! Amanhã mesmo iremos à joalheria do shopping. E também levaremos Seth para um jantar de comemoração. Tudo bem?

— Posso convidar minha mãe?

— Claro que sim.

Bella suspirou e depois sorriu. Agora ela começava a sentir o verdadeiro sabor da felicidade.

— Cuide-se, Edward.

— Nos veremos pela manhã. Esteja com o café pronto.


oi flores... agora só falta o epilogo... mas só vou postar sexta... não esqueçam das reviews viu... amei as reviews que mandaram no ultimo capitulo... na sexta feira mesmo vou começar a postar a nova fic... espero que gostem...bjuxx^^ té sexta...