Galera, valeu pelos reviews. Eles dão um baita incentivo pra traduzir. Escrever é foda, mas traduzir tbem não é moleza, não... rs
Eu curto pra caramba fanfics da Sakura. Têm umas fics fo-das em inglês, principalmente ItaSaku, KakaSaku, DeiSaku. À princípio torci o nariz, mas depois q comecei a ler, viciei pela qualidade das histórias. Se der um dia traduzo (elas são enormes, 100, 200, 300, 400mil palavras...)
Mas sem dúvida Ripples é a melhor FF de SasuSaku que já encontrei.
Pra esclarecer: A fic original tem 26 capítulos... Levando em conta a velocidade que traduzo / digito, e que cada capítulo tem de 5 a 6mil palavras,...
Bom, digamos que vocês não vão ver o capítulo final antes do fim de 2011...
bjs!
dai86
"Cada vez que uma pessoa se ergue por um ideal, ou age pra beneficiar vários outros, ou luta contra a injustiça, ele lança uma pequena vibração de esperança, e essas vibrações, cruzando umas com as outras, vindas de milhões de centros de energia diferentes, e ousando, formam uma corrente que pode derrubar a mais sólida parede de opressão e resistência."
- Robert F. Kennedy
Capítulo 2
O indomável
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"Levanta!" veio de cima uma voz irritada e brusca.
Sakura abriu os olhos e se esforçou pra sentar-se na superfície irregular em que havia se transformado seu ninho de cobertores.
"O que foi?" ela perguntou esfregando os olhos e bocejando ao perceber que não havia nenhuma ameaça imediata. "É um terremoto e esse lugar vai desabar? Incêndio?"
"Não," Sasuke respondeu como se falasse com um idiota.
"Não custa sonhar," Sakura murmurou se levantando.
Sasuke encarou Haru, sabendo que deveria reprimir o comportamento do garoto, mas sem realmente desejar fazê-lo. Num lugar onde todos o obedeciam cegamente e praticamente beijavam seus pés, era revigorante encontrar alguém que o enfrentava. Fazia ele se lembrar de...
Fazia ele se lembrar de uma época que jurou nunca revisitar.
"Vem comigo!" ele ordenou, caminhando quarto afora. "Mantenha-se sempre dois passos atrás de mim."
Sakura tremeu de raiva mesmo enquanto o seguia apressada. Se um homem lhe dissesse pra fazer isso em Konoha, ela teria gritado 'sexista' na sua cara e lhe arrebentado. Mas aqui ela estava fingindo ser um homem. Recorreu então ao que acreditava ser uma reação natural de Naruto.
"Sim, senhor, bastardo, senhor," ela grunhiu.
Sasuke parou de forma tão abrupta que apenas os reflexos ninjas evitaram que Sakura desse com a cara nele.
"Do que você me chamou?" Ele nem sequer se virou, mas os cabelos na nuca de Sakura se arrepiaram de qualquer forma.
"Uh... bastardo?"
"Nunca mais me chame assim." Sua voz era um sussurro, mas a ameaça contida era perfeitamente clara.
"Sim, senhor, cretino," Sakura disse antes que pudesse se controlar. Era em momentos assim que acredita ter algum desejo de morte inconsciente.
"Não me chame assim também!" Sasuke praticamente rosnou.
Ele se virou apenas quando teve a certeza que sua expressão estava controlada e indiferente. Ouvir Haru usar os apelidos favoritos que Naruto usava contra ele deu um nó em seu estômago.
"Ok... então como devo chamá-lo?" Haru perguntou, parecendo completamente alheio ao fato de ter irritado alguém que tinha total controle sobre sua vida.
Quanto mais tempo era submetido à presença do garoto, mais certeza Sasuke tinha de que seu comportamento não era fruto de ignorância, mas de confiança. O tipo de confiança que poucas pessoas possuíam, e apenas com bons motivos.
Considerando que Haru era um escravo numa fortaleza subterrânea, Sasuke estava curioso sobre o que ele poderia estar tão confiante.
Sakura resmungou algo e Sasuke ignorou sua pergunta. Bem, o que ela esperava? Tecnicamente ela era sua escrava, com muitas liberdades por visto – ela duvidava que se safasse com esse comportamento se qualquer outro fosse seu dono, mas Sasuke parecia não se importar.
Ela ficou calada após o incidente, seguindo Sasuke pelo labirinto de corredores até que eles chegaram numa espécie de refeitório. Considerando se tratar de Oto, era quase bizarro de tão normal... até ela perceber que as pessoas comendo estavam vestindo uniformes marrons e usando coleiras de couro, e que eles estavam sendo vigiados por homens enormes de aparência cruel, que seguravam chicotes ameaçadores.
Sakura reparou que não havia mulheres entre os guardas. Mas de qualquer forma, ela tinha a impressão de que não havia muitas mulheres em Oto; ela não havia visto uma vestimenta de kunoichi sequer desde que chegou aqui.
Incerta do que exatamente eles estavam fazendo aqui, ela olhou com curiosidade pra Sasuke.
Ele respondeu com um aceno em direção ao refeitório e um simples comando - "Coma."
Sakura se misturou à fila, sem ter certeza, mas presumindo que esta era a área de refeição dos escravos. Ela pegou uma maçã, uma banana e uma laranja, grata que Orochimaru parecia entender que escravos bem alimentados eram melhor que escravos famintos ou mal nutridos – no mínimo eles poderiam trabalhar mais.
Ela sentou em um dos bancos de madeira, silenciosamente mastigando sua fruta e tentando manter a cabeça baixa. Funcionou... até o momento em que um dos guardas começou a maltratar um dos escravos por derrubar a comida que lhe fora entregue. Surpresa, Sakura percebeu se tratar do garoto com quem ela viajara, e que primeiro se dirigiu a ela após ser encoleirada.
Talvez fosse o fato de conhecer esse garoto, mesmo que brevemente. Talvez fosse o fato de detestar ver alguém maltratado. Por qualquer que fosse a razão, Sakura se viu levantando e correndo naquela direção com uma velocidade típica de shinobi, antes mesmo que sua mente pudesse fazer qualquer objeção.
Conforme o chicote descia em direção ao garoto, Sakura estendeu seu braço, absorvendo o golpe. O instrumento deixou um vergão vívido em seu pulso, mas ela não se importou – não era nada comparado a ter uma lâmina envenenada atravessando seu corpo, e ela estava mais preocupada com o garoto. Ele olhava pro que sobrou do seu café da manhã no chão, parecendo conter o choro.
"Vem garoto, provavelmente era melhor não comer essa lavagem de qualquer forma," Sakura lhe disse, tentando animá-lo. "Que tal uma fruta? Eu tenho uma maçã suculenta..."
De sua parte, Sasuke estava um pouco surpreso. Ele havia visto o garoto tropeçar e deliberadamente olhou pro outro lado, ignorando os sussurros da sua consciência lhe dizendo pra ajudá-lo. Ele havia escutado o estalo do chicote... mas não o grito de dor que deveria se seguir. Ele se voltou pra encontrar Haru com o braço sobre o ombro do garoto de forma amigável, levando-o até um banco próximo sob o olhar de raiva do guarda. Os olhos aguçados de Sasuke notaram o vergão vermelho no pulso e antebraço de Haru, uma marca óbvia de chicotada.
Mas Haru nem sequer gemeu. E Sasuke sabia que era preciso grande tolerância à dor pra ficar calado quando um chicote te acerta.
Mais uma evidência que esse escravo não era o que aparentava.
"Erro..." veio um sussurro de sua direção esquerda.
Seus olhos se voltaram àquela direção. Um homem se apoiava contra a parede a alguns passos de distância, seu olhar fixo em Haru. Sasuke reconheceu o homem; Arashi era um coletor de escravos profissional, o melhor de Oto na verdade. Geralmente ele era encarregado de todas as capturas de escravos, mas um dos experimentos mais doentios de Kabuto saira de controle, e Orochimaru enviou vários grupos de ninjas pra capturar escravos, muitos dos quais não tinham experiência na atividade.
Um bom exemplo foi a família de viajantes trazida – um coletor de escravos experiente nunca teria atacado um grupo com crianças. Elas não podem fazer muito, e custam muito em termos de comida e abrigo.
Mas Sasuke estava curioso sobre porque seria um erro capturar Haru. O garoto era fisicamente apto, e apesar de obviamente ter recebido treinamento ninja, a coleira o mantinha subjugado.
"Por quê?" ele perguntou.
O homem piscou. Foi quando Sasuke percebeu que o homem não havia notado que dissera aquilo em voz alta. "Perdão, Lorde Sasuke?"
"Porque capturar o garoto foi um erro?"
Arashi empalideceu. "E-eu... não era minha intenção questionar as escolhas de Lorde Sasuke..."
Sasuke suprimiu a vontade de revirar os olhos. Francamente, com toda essa frescura e submissão por aqui, não era surpresa que ele achasse a petulância de Haru estimulante.
"Você disse 'erro'," ele continuou, uma ameaça evidente em sua voz.
Parecendo compreender que sua recusa em elaborar uma resposta apenas irritaria Sasuke, o coletor explicou. "O senhor tem razão. Não acho que seja prudente acolher o garoto. Quando meu pai me ensinou este trabalho pela primeira vez, um dos pontos que mais enfatizou foi como identificar um indomável."
'Indomável,' a palavra soou na mente de Sasuke. "Se explique," ele ordenou.
"Um indomável pode ser reconhecido por várias coisas," o homem continuou. "O modo como se move, como fala, a forma como interage com quem tem poder sobre ele... eles podem ter qualquer idade, sexo ou origem, mas tem um aspecto comum a todos – uma obstinação inflexível, que lhes dá o título de 'indomáveis'. Eles não se submetem da mesma forma que os outros escravos; seus espíritos não são domados – não podem ser. Você pode espancá-los, chicoteá-los, violentá-los, fazê-los passar fome, acorrentá-los... não importa o que você faça, eles irão morrer antes que você consiga domá-los."
Sasuke estudou Haru enquanto o garoto mordia um pedaço de laranja com vontade, ainda conversando amigavelmente com o menino ao seu lado.
"Você pode ganhar sua obediência, mas é apenas uma ilusão superficial," Arashi continuou. "Eles podem obedecer, mas suas mentes sempre estarão ocupadas com pensamentos de fuga ou vingança, ou ambos. Eu sei que o senhor é poderoso, Lorde Sasuke, mas vigie seu escravo de perto ou ele irá cortar sua garganta enquanto dorme."
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Sakura correu a pedra de amolar contra a lâmina da kunai, antes de testar o fio contra seu polegar. Extraiu sangue com nada mais que uma leve pressão e sorriu satisfeita, curando o corte com um toque de chakra. Ela não tinha que se preocupar que alguém visse; Sasuke havia saído pra treinar com Orochimaru, a orientando a afiar suas armas em sua ausência.
Era uma tarefa fácil o suficiente – Sakura suspeitava que, considerando sua condição de escrava, sua situação era bastante confortável.
Ela pôs a kunai de lado – a última das armas que afiou – e inspecionou seu trabalho com satisfação.
De fato, agora que terminara seu trabalho, talvez pudesse explorar a base melhor. Ela não podia fugir ainda; havia pessoas demais pelos corredores durante as horas do dia – pelo menos o que ela acreditava serem horas do dia – com certeza alguém notaria e a interceptaria se ela tentasse sair da base. Sua fuga teria que acontecer de noite... ou ela teria que criar algum tipo de distração durante o dia.
Honestamente, Sakura preferia a opção de sair sorrateiramente à noite, porque uma distração adicionaria vários tipos de complicações.
Assim, enquanto não tentava fugir, não havia razão pra que ela não desse uma volta pela base, mapeando ela em sua mente...
Sakura abriu a porta e trombou de frente com Sasuke.
"O que você tem que ficar de pé atrás de portas?" ela resmungou, se afastando pra dar passagem pra que ele entrasse no quarto.
"Você é um idiota," foi tudo o que disse.
"Ah, é? E desde quando você é um teste de QI ambulante?"
"Eu disse pra ficar no quarto. Você estava em vias de sair do quarto. Você foi incapaz de entender uma simples ordem."
"Eu não entendi mal, eu optei por desobedecê-la," Sakura esclareceu. "Grande diferença."
Sasuke estreitou os olhos de repente, com um ar ameaçador, e ela resistiu ao instinto de recuar. "Incluindo a diferença entre ser considerado estúpido e ser espancado por desobediência?"
Sasuke podia admitir pra si mesmo que achava a idéia de infligir dor a Haru desagradável – nunca lhe agradou a idéia de tortura deliberada – mas ele queria ver se a ameaça o assustaria.
Sakura gritou todos os palavrões que podia imaginar em sua mente, mas isso não ajudou muito. Pensar num palavrão não lhe da mesma satisfação de dizê-lo em voz alta.
Mas já que ela havia comprado essa briga era melhor pagar pra ver até onde Sasuke a deixaria chegar...
"Se você acha que me ameaçar com dor vai me impedir, você me subestima seriamente," Sakura disse baixo.
Sasuke olhou Haru de cima, notando que sua estatura era baixa para um garoto. Mas a diferença de altura não parecia intimidá-lo, nem a aura ameaçadora que Sasuke projetava deliberadamente e nem a ameaça de castigo físico. O garoto simplesmente o encarou de volta, queixo erguido, olhos verdes cheios de determinação...
Aquela imagem trazia um toque de familiaridade pra Sasuke. Encarando Haru – algo naqueles olhos verdes o perturbava – não conseguia evitar sentir que já havia visto aqueles olhos antes, aquela expressão...
O garoto piscou e o efeito se dispersou, como o fantasma de uma memória fugidia.
"Quem é você?" ele perguntou, sua voz suave, mas mortal como presas de uma cobra.
Um toque de medo passou pelos olhos de Haru, e Sasuke viu sua curiosidade já atiçada pelo garoto crescer. Ameaças não o assustavam, mas ele praticamente entrou em pânico quando Sasuke questionou sua identidade.
"Você teve treinamento ninja," ele continuou implacável, avaliando os olhos de Haru por qualquer sinal que o entregasse. "Você é um shinobi de outra vila, provavelmente Konoha, se bem que é possível que seja de Kusa ou Suna.
Sakura torceu pra que ele não a escutasse engolindo a seco. "Você está blefando; você não ter a menor idéia se eu sou ninja ou não, muito menos de onde eu sou."
Sasuke sorriu com malícia e deu a volta nela pra entrar no quarto. Sakura encarou suas costas enquanto ele inspecionava as armas que havia ordenado que ela arrumasse. Era difícil saber se ele estava satisfeito ou não, mas ele não estava criticando seu trabalho, e ela achou que era o melhor que podia esperar.
"Venha," ele ordenou de repente, se dirigindo ao corredor.
Esses comandos curtos já estavam começando a irritá-la – ela não era um cachorro!
Mas ela o seguiu obediente de qualquer forma, praticamente correndo pra acompanhá-lo. "Onde estamos indo?"
Sasuke não respondeu. Sakura soltou uma bufada de mau-humor e não perguntou mais.
Assim, quando eles entraram numa grande sala onde Orochimaru aproveitava um banquete numa longa mesa, Sakura não podia estar mais surpresa. Logicamente ela sabia que uma vez que Sasuke estava treinando com o sannin, eles devia passar muito tempo juntos, mas ela não estava preparada pra isso.
Ela amaldiçoou a coleira em seu pescoço. Por causa dela, com seu chakra restrito, ela não conseguia sentir os chakras de outras pessoas, resultando em surpresas desagradáveis o tempo todo.
"Ah, Sasuke," Orochimaru sorriu, e Sakura suprimiu um calafrio. Ele sempre lhe deu arrepios.
Ela não pôde evitar pensar que Sasuke devia estar muito infeliz em Konoha se Orochimaru lhe pareceu uma opção melhor, mas isso lhe causou um aperto no coração, preferindo não pensar sobre o assunto.
Sasuke se sentou à mesa e começou a comer sem mesmo olhar pra Orochimaru. Sem saber ao certo o que deveria fazer, Sakura ficou de pé atrás dele, mantendo seus olhos fixos no chão. Ela não era estúpida; sabia que provocar Orochimaru da mesma forma que vinha fazendo com Sasuke causaria sua morte num segundo.
"Tendo algum problema com seu escravo?" o sannin perguntou.
Sasuke lhe lançou um olhar apático, voltando-se pra seu prato em seguida.
"E você, garoto?" Algo em Sasuke se contraiu quando Orochimaru se dirigiu a Haru. Se esse garoto fosse estúpido...
Sakura não disse nada – apenas olhou em direção a Orochimaru e baixou a cabeça novamente.
"Nada a dizer?" Orochimaru questionou, sua voz venenosamente doce.
Sakura baixou a cabeça mais ainda, esperando que o gesto de submissão o apaziguasse.
Ele riu. "Sasuke, acredito que você tenha escolhido um mudo!"
Sasuke conteve um sorriso mordaz. Parece que Haru tinha mais instinto de sobrevivência do que ele imaginava. Pelo menos o garoto parecia entender que Orochimaru não iria tolerar o que Sasuke tolerava.
Ele se concentrou em terminar a refeição, mal escutando os planos pro treinamento da tarde, desejando se livrar logo da presença do sannin. Quando ele terminou, se levantou e deixou a sala sem se preocupar em pedir licença.
Ele havia aprendido rápido que não precisava demonstrar muito respeito por Orochimaru; afinal de contas, ele precisava de Sasuke.
Haru o seguiu como uma sombra, no papel do perfeito escravo submisso... até a porta do quarto se fechar atrás deles.
"Esse cara é de dar arrepios." O garoto comentou lançando um olhar maldoso por cima do ombro.
Sasuke sorriu.
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Aquela noite, Sasuke inspecionou com cuidado as armas que Haru havia limpado antes de colocá-las na estante. Ele havia dado uma rápida olhada antes do almoço com Orochimaru, só pra confirmar que Haru não as havia destruído. Agora que teve tempo pra sentar e examiná-las de perto, percebeu que haviam sido limpas e afiadas pelas mãos de um perito. Não se tratava de um civil desajeitado que havia ouvido falar sobre como lidar com armas; este era o trabalho de alguém familiarizado com o manejo e cuidado desse tipo de instrumento.
Junto com a coleira supressora de chakra de Haru, seu desdém com a ameaça de dor física, e o modo que reagiu quando Sasuke mencionou que ele seria um ninja, sua suspeita de que Haru era shinobi podia ser considerada um fato.
"De onde você vem?" ele perguntou de repente.
"Boa tentativa," Haru rebateu de onde estava abaixado limpando o armário de Sasuke.
"Família?"
Haru lançou um olhar suspeito por cima do ombro. Sasuke apenas viu um flash verde de raiva antes de o garoto voltar a sua tarefa. Ele não gostava daqueles olhos, aqueles malditos olhos que cutucavam sua memória como uma coceira mental.
De sua parte, Sakura se perguntou sobre essa vontade repentina de bater papo. Talvez Sasuke estivesse solitário...
Uma parte dela torcia pra que sim; não era menos do que ele merecia. Ela se importava com ele, é verdade... mas era difícil calar a voz infantil do seu coração, gritando que ele a havia machucado e devia pagar!
Mas toda a raiva do mundo não diminuía aquela dor.
Sakura balançou a cabeça, afastando aqueles pensamentos depressivos e continuou a limpar o armário dele.
"Alguém vai vir te procurar?"
Sakura bufou. "Com certeza. Mas não vou te dizer quem."
Mas mesmo assumindo que ele estivesse solitário, porque escolher socializar com um escravo? Se bem que pelo que Sakura havia notado, ela era provavelmente a única pessoa por perto que não beijava o chão que ele pisava. Não importa o quão anti-social uma pessoa acredite ser, era apenas humano buscar companhia. E em Oto, Sakura – ou Haru, como Sasuke a conhecia – era o melhor que ele poderia conseguir.
Sasuke sorria com sarcasmo como se a resposta o entretesse de alguma forma. Ela suprimiu a vontade de atirar um de seus próprios pergaminhos nele, preferindo se sentar e avaliar seu trabalho finalizado. Não estava brilhando, mas estava limpo.
"Ok, arrumei seu armário – posso ir pra cama agora?"
Sasuke deu com os ombros. Sakura interpretou aquilo como uma permissão pra se encolher em sua pilha de cobertores e fechar os olhos.
Mas ela não dormiu. Ao invés disso... ela esperou. Esperou Sasuke ler alguns pergaminhos. Ela esperou enquanto ele terminava sua rotina pessoal no banheiro. Ela esperou a luz do quarto se extingüir, e ouvir a respiração de Sasuke assumir o ritmo lento e profundo de quem dorme.
Então Sakura se levantou de seu ninho, se dirigindo em direção à porta no maior silêncio possível.
'Com calma, com calma, com calma,' ela repetia em sua mente como um mantra. 'Com calma, com calma, com calma,... '
Ela não iria subestimar os sentidos de Sasuke, mesmo dormindo – algo lhe diziaque viver em Oto encorajaria reflexos felinos mesmo em estado de sono – mas já que ela não seria idiota o suficiente pra se aproximar de sua cama, achou que teria chance de conseguir sair de lá.
Ela lentamente abriu a porta, atenta a qualquer som que sinalizasse que Sasuke pudesse acordar. Mas sua respiração nem mesmo se alterou.
Deu uma última olhada no quarto do qual saía, parte dela insistindo em ficar... mas ela sabia que seria um erro. Cada dia que ela passasse aqui aumentaria a chance de Sasuke descobrir seu disfarce – ele já havia deduzido que ela era ninja, e ela só estava ali há dois dias! – e então, o que ele faria depois?
Sakura sabia o que queria que ele fizesse, mas também sabia que ele faria algo bem diferente daquilo. Sasuke havia deixado perfeitamente claro que não considerava mais Naruto ou ela como amigos; ele provavelmente a mataria, ou a entregaria a Orochimaru pra ser interrogada...
Ele tremeu só de pensar. Ela precisava ir embora, ou estaria encarando a morte. E não apenas morte física; ela sabia que algo dentro dela morreria se Sasuke finalmente cometesse esse ato final de traição. E se Naruto algum dia descobrisse... isso o mataria também.
Sasuke não havia feito nada que merecesse sua devoção ou lealdade – havia feito todo o possível pra se livrar deles – mas Naruto era outra história. Ele era o irmão que ela nunca teve, assim como Ino era a irmã que nunca teve (com direito a rivalidade típica de irmãs).
Assim, ela deixaria Sasuke e voltaria pras pessoas que a amavam tanto quanto ela as amava.
Sakura cuidadosamente fechou a porta atrás de si, a escuridão do quarto não permitindo que percebesse quando Sasuke abriu os olhos e a viu sair do quarto.
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Ao som de vozes, Sakura se enfiou numa passagem lateral, se achatando contra a parede na esperança de não ser notada.
Ela descobriu que Oto de fato tinha um dia e uma noite, ou algo próximo disso. Durante o dia todas as tochas nas paredes eram acesas, iluminando os corredores. Não era tão claro quanto o dia lá fora, é óbvio, mas claro o suficiente pra você esquecer que está sob a terra.
A noite era bem diferente. A cada três tochas uma era mantida acesa, enchendo os corredores com sombras e lançando a base numa espécie de penumbra.
Sakura se perguntou por que não utilizavam eletricidade, mas imaginou que a fonte de energia ou gerador necessário pra tanto poderiam ser usados pra rastrear a localização dessa base. Ela não sabia como – afinal de contas eles poderiam instalar o gerador sob o solo - mas foi a única explicação que pôde imaginar.
Os ninjas – provavelmente guardas – passaram por ela, e Sakura continuou pelo corredor, consultando sua memória pra lembrar o caminho para a entrada pela qual fora empurrada.
Seus sentidos pareciam no limite enquanto ela percorria o labirinto de corredores, alerta a qualquer som, ao menor sinal de movimento.
Assim, quando ela ouviu o som de passos se aproximando simultaneamente de ambas as direções do corredor onde estava, ela teve tempo de se preparar para o inevitável. Ela não havia trazido qualquer arma do arsenal de Sasuke porque sabia que isso não a ajudaria – num confronto com um guarda, ela teria que usar a lábia pra escapar, não os punhos. Com a coleira em seu pescoço, não tinha confiança na sua capacidade de combate (ela até poderia ganhar contra algum dos ninjas mais ordinários de Oto, mas provavelmente não teria energia o suficiente pra chegar longe antes de ser recapturada por caçadores). Além disso, ela tinha certeza que um escravo carregando uma arma pelos corredores parecia muito mais suspeito do que um escravo andando pelos corredores à noite.
Os passos se aproximaram, e Sakura se esforçou pra parecer calma, andando pelo corredor como se devesse estar lá, como se tivesse sido instruída pra ir a algum lugar. Se não lhe falha a memória, havia um depósito por perto – onde ela havia pegado cobertores, e onde havia armas e roupa de cama – então ela poderia dizer que estava indo buscar lençóis ou algo do tipo...
Quando os dois guardas vindo pelo corredor se depararam com ela, Sakura fingiu parecer surpresa, mas não lhes disse nada, ao invés disso, baixou os olhos e lhes deu passagem como um bom escravo deveria fazer.
Mas aparentemente os guardas preferiram não deixá-la passar sem questioná-la.
"Escravo, o que você está fazendo aqui?" o guarda mais alto bradou com a mão sobre o cabo de sua espada.
"Eu fui ordenado a buscar um cobertor no depósito... senhores," Sakura respondeu com a voz mais dócil que pôde, só depois se lembrando de seguir com a palavra 'senhores' ao fim da frase. Afinal de contas, era assim que um escravo se portava, certo?
"É mesmo?" o homem mais baixo a mediu de uma maneira que ela não gostou. "Talvez nós devêssemos te acompanhar."
Seu primeiro pensamento foi de que eles iriam violentá-la. Então ela se lembrou de que estava disfarçada como um garoto. Então disse pra si mesma não desconsiderar a possibilidade só porque eles acreditavam que ela era um garoto; era menos provável, mas ainda podia acontecer...
O homem mais alto esbravejou, "vamos embora Arashi, nosso turno já vai acabar."
O homem chamado Arashi não disse nada, apenas a encarou sem piscar. "Vai andando, escravo."
Sakura rangeu os dentes se dirigindo à porta do depósito alguns metros à frente. Ela entrou, pegou o primeiro cobertor que encontrou e saiu, torcendo pra que esses dois fossem imbecis; que eles acreditassem que suas ações bastavam para comprovar sua história...
Mas Arashi simplesmente acenou com a cabeça, apontado para o corredor. "Agora vamos ver você levar isso de volta. Você é o escravo do Lorde Sasuke, não?"
Ela esperava por um Neandertal, ao invés disso encontrou um homem esperto demais pra sua paz de espírito. Sakura não tinha uma posição certa em relação a Deus, mas com certeza algo aqui conspirava contra ela.
Enquanto retornava pelo caminho que veio, tentou imaginar o que diria quando abrisse a porta do quarto e seus escoltes descobrissem que Sasuke estava dormindo, e provavelmente não a havia mandado fazer nada.
Ela ainda buscava uma desculpa quando eles entraram no corredor que dava para o quarto de Sasuke. Quando ela viu a luz sob a porta, considerou seriamente enfiar as cabeças desses guardas contra a parede e correr por sua vida. Se a luz estava acesa, queria dizer que Sasuke estava acordado, e se ele estava acordado, queria dizer que sabia que ela havia fugido, e estava provavelmente se preparando pra sair e procurá-la; assim, quando ela batesse à porta segurando um cobertor, escoltada por dois shinobi...
Era seguro dizer que Sakura não queria ver essa cena, principalmente porque tinha certeza que as conseqüências seriam imediatas e dolorosas.
Ela se preparou pra tomar uma atitude, mas Arashi se interpôs à sua frente e bateu na porta. Enquanto ela sabia que tinha uma chance contra esses dois, ela sabia que não havia a menor possibilidade de enfrentar Sasuke, não com essa coleira. Assim, ela teria que fingir e encarar as conseqüências.
A porta se abriu um pouco, e um olho negro espiou pela fresta.
"O que é?" ele perguntou a Arashi, mas Sakura pôde ouvir a mensagem por trás das palavras: 'É melhor você ter uma ótima razão pra me incomodar. '
Sakura viu seu olho ir do shinobi à sua frente pra ela. Ela ficou tensa quando ele notou o cobertor que segurava, e sua expressão de culpa, apesar de seus melhores esforços. Ela se preparou pra... qualquer que fosse sua reação. Ela só sabia que as coisas iam ficar feias.
"Finalmente," Sasuke reclamou, "entra."
Demorou um momento pra Sakura perceber que ele falava com ela. Sem saber porque ele a estava acobertando, mas não querendo recusar a oferta, ela rapidamente passou por Arashi e entrou no quarto, enquanto Sasuke lhe dava passagem.
"E então... o que você queria?" Sasuke se dirigiu a Arashi com uma voz ameaçadora.
"Encontramos seu escravo pelos corredores e só quisemos nos certificar que ele estava seguindo suas ordens," Arashi explicou. Sua voz era calma, mas Sakura tinha certeza que ele estava rezando pra que Sasuke não o matasse por incomodá-lo.
"Hn." Sasuke fechou a porta na cara deles de forma rude, deixando do outro lado dois guardas aliviados por ainda estarem vivos.
Sasuke se virou pra Haru, que estava agarrado ao cobertor e o observava como se ele fosse uma bomba prestes a explodir.
Quando Sasuke acordou e viu o garoto saindo pela porta, seu primeiro instinto foi de persegui-lo. Ele se levantou, acendeu a luz e de fato pegou sua espada, até que de repente decidiu deixar Haru ir. Sasuke nunca gostou do conceito de escravidão, e se Haru tinha coragem de tentar escapar de uma fortaleza de Oto ... então ele tinha direito à sua liberdade.
Ele havia decidido voltar pra cama e ignorar a fuga até a manhã (eles iriam se relocar em uma semana de qualquer forma, não importado se o garoto denunciasse essa localização), quando sua audição aguçada percebeu passos no corredor.
Quem quer que fosse, bateu à sua porta, e Sasuke abriu uma fresta pra que não notassem que o ninho de cobertores de Haru estava vazio, apenas pra dar de cara com Haru, agarrando um cobertor e escoltado por dois guardas.
Levou apena um momento pra Sasuke perceber que Haru havia sido pego, e obviamente alegou estar sob ordens. Aparentemente o garoto podia pensar rápido quando necessário.
Se Haru tivesse ajoelhado e implorado por sua ajuda, Sasuke talvez tivesse agido diferente. Mas pelo o que viu, o garoto apenas ficou de pé lá, apreensivo e conformado, como se incerto do que viria, mas com a certeza de que seria mau.
E mesmo antes de perceber, Sasuke se viu acobertando o escravo. Havia sido... agradável... ter alguém que revirasse os olhos pra ele sem medo do que ele faria. Alguém que discutia com ele ao invés de obedecer com um sorriso falso.
Ele encarou Haru por um momento, e então tirou as botas e deixou a espada ao lado da cama antes de extinguir a luz e se deitar.
Ele ouviu um suave farfalhar no escuro lhe indicando que Haru estava se ajeitando em sua cama improvisada.
Nenhum dos dois disse nada.
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Sakura refletiu que ela e Sasuke pareciam ter chegado num acordo silencioso. Nenhum dos dois comentou sobre a tentativa de fuga de Haru, nenhum dos dois mencionou como Sasuke a acobertou.
Mas Sakura pensou sobre o assunto. Pensou muitas vezes.
O que deu em Sasuke pra acobertá-la? Ele não devia nada a ela... então, porque fez aquilo? Se fosse qualquer outra pessoa ela diria que foi por compaixão ou bondade ou algo do tipo... mas ela não testemunhou qualquer evidência de bondade em Sasuke ultimamente. Ele estava tão concentrado em matar o irmão, parecia ter bloqueado qualquer coisa que não fosse essa obsessão.
É claro que ele conseguiria matar Itachi um dia, mas depois disso... ele estaria só. E não haveria ninguém pra culpar além dele mesmo.
E Sakura detestava como esse pensamento a incomodava. Foi ele quem os abandonou, foi ele quem tentou matar Naruto, foi ele quem os excluiu de sua vida... então porque era tão difícil pra ela fazer o mesmo?
Com um suspiro ela balançou a cabeça, reforçando o juramento de escapar logo de Oto; todo esse tempo com Sasuke estava começando a fazê-la contemplar coisas que ela não queria contemplar. Rejeição era uma ferida que nunca sarava completamente, mas podia melhorar se ela parasse de cutucar o tempo todo.
Sakura estava sentada no refeitório dos escravos, dessa vez, próxima à parede e a Sasuke; ela não estava disposta a se meter em problemas de novo, com certeza não com o mesmo guarda que a havia escoltado de volta ao quarto de Sasuke. Aquele homem, Arashi, estava reclinado contra a parede, a observando atentamente com olhos de cobra; e ela teve a sensação que ele estava esperando por um motivo qualquer.
"Eu te conheço," uma mulher ao seu lado disse baixo.
Sakura se virou... e fez o melhor pra não pular em alarde. Ela reconheceu a mulher – era uma das enfermeiras da vila que ela socorreu. Rumi, se ela não se enganava. Ela se lembrou de uma breve conversa onde a mulher falou sobre sua intenção de visitar a família em outra vila logo que a doença fosse controlada. Ela deve ter sido seqüestrada na estrada.
Mas... Rumi apenas trabalhou com ela por algumas semanas, não seria capaz de reconhecê-la assim, seria? Sasuke conviveu com ela por anos e não parecia ter a menor suspeita de que ela não era exatamente o que aparentava ser – um garoto levemente moreno com cabelos escuros.
Se bem que... Sasuke a conhecia quando ela tinha 12 ou 13 anos. Seu único contato recente com ela havia sido aquele... confronto, quando ele não lhe deu a menor atenção. Assim, talvez Rumi tivesse uma idéia melhor de sua aparência do que ele, e fosse capaz de enxergar através do disfarce...
"Você não é aquele rapaz que ajudou o garoto?" a mulher disse com admiração.
Sakura tentou não dar sinais de seu alívio. Então Rumi a reconheceu de ontem, não da vila. Ela não a reconheceu como a kunoichi que curou os doentes, mas como o rapaz que teve a coragem de intervir entre um guarda e outro escravo.
O que, pensando agora, tinha sido um tanto estúpido. É claro, o guarda não havia feito nada além de lançar um olhar feio (provavelmente não quis se dar ao trabalho), mas se ele quisesse, Sakura teria tido problemas.
"Você está aqui faz tempo?" Rumi perguntou de forma complacente.
"Não muito," Sakura respondeu honestamente. "Eu estava voltando pra casa quando me pegaram."
Ela percebeu que apesar de manter sua expressão de desinteresse, Sasuke estava atento à sua conversa.
"Eu também," Rumi sorriu. "E- eu era uma enfermeira, entende? Não pude deixar a vila onde trabalhava por meses por causa de um surto de doença. Eventualmente recorremos a Konoha por ajuda e eles enviaram uma moça chamada Haruno Sakura pra nos ajudar."
Sakura pôde sentir a tensão repentina em Sasuke, e condenou a natureza comunicativa de Rumi em sua mente.
"Foi impressionante, mesmo. Sempre achei que ninjas só soubessem lutar, eu nunca soube que eles podiam curar também! Se bem que," Rumi refletiu, "duvido que haja qualquer médico aqui."
Sakura concordou. Kabuto podia saber jutsu médico, mas não poderia ser considerado um médico sob qualquer ótica.
"Ela partiu há algum tempo,... mas... espero que não tenha sido capturada também. Ela me parecia bem exausta."
'Se você soubesse Rumi, ' Sakura pensou. 'Se você soubesse. '
"Haru!" Sasuke bradou. "Vamos!"
Sakura saltou depressa do banco com um olhar apologético pra Rumi e correu atrás de Sasuke conforme ele deixava o refeitório. De volta com os comandos curtos – ela não era um cachorro! E qual era o problema dele agora?
Sasuke disse pra si mesmo que ele não estava correndo pelos corredores exatamente, ele estava apenas... andando rápido.
E não tinha nada a ver com o que acabara de ouvir. Absolutamente nada.
Ele abriu de forma brusca uma porta de metal e desceu uma longa escadaria, ouvindo Haru segui-lo.
"O que foi?" o garoto reclamou. "Onde diabos estamos indo?"
"O calabouço," ele retrucou, "agora cala a boca!"
"Nossa, alguém precisa de um calmante..."
Sasuke ignorou o comentário conforme chegava num corredor escuro ao fim da escada. Ele era ladeado por celas. Ele passou por elas, os olhos negros percorrendo cada uma como uma criança revirando a sujeira à procura de sua bolinha de gude perdida.
Ele nem sabia porque estava fazendo isso na realidade. Mas desde o momento que a mulher mencionou que Sakura podia ter sido capturada... ele sabia que precisava verificar se era verdade. Ele não pôde encontrar sinal de cabelos rosa no refeitório, se apressando a verificar o calabouço então.
Quanto mais ele avançava, mais seu estômago se revirava. Ela não via Sakura há semanas, não tinha nenhum contato de fato com ela há anos... e ainda assim, a idéia dela prisioneira em Oto... sujeita aos homens daqui, vítima dos experimentos de Kabuto... era repugnante.
Ele chegou ao fim do corredor e abriu a pesada porta da sala de interrogatório. Os prisioneiros mantidos nessas celas eram aqueles 'encorajados' a ceder informação. Sakura era uma kunoichi de Konoha, não era difícil imaginar que Orochimaru ordenasse seu interrogatório...
Mas a sala – e as celas adjacentes – estavam vazias.
Sasuke bufou em silêncio.
"O que estamos procurando?" Haru perguntou curioso. "Quer dizer, presumo que estamos procurando algo, do jeito que você está batendo o pé por aí e resmungando..."
Sasuke se voltou pra ele. "Quando você estava com os outros escravos, você viu uma garota de cabelos rosa?"
Haru piscou, o ato quase imperceptível na escuridão do calabouço. "Não- por quê?"
Sasuke passou por ele e voltou pelo caminho que vieram.
Sakura soltou um suspiro de alívio pelo fato da escuridão ter escondido a surpresa que deve ter lhe tomado o rosto quando Sasuke a confrontou, então seguindo ele pra fora do calabouço.
Sasuke... estava procurando por ela?
De sua parte, Sasuke estava pensando em todos os destinos que poderia levar um escravo em Oto. Ele verificou o refeitório, as celas, a sala de interrogatório...
Ele sentiu desgosto quando se lembrou de outra possibilidade. Sakura era bonita o suficiente pra ser reivindicada como escrava exclusiva por um dos ninjas de elite, da mesma forma que Haru foi por ele. Mas Sasuke sabia que a maioria das pessoas em Oto fazia uso sexual de seus escravos particulares.
Como um cão de caça ele se dirigiu ao alojamento da elite, derrubando a primeira porta que encontrou.
Uma mulher gritou e se escondeu, mas seu cabelo era preto, não rosa. No quarto seguinte tinha uma loira com os pulsos marcados. No seguinte ele encontrou um homem.
Sasuke passou pelo alojamento de elite como um furacão, chutando toda e qualquer porta... mas não encontrou Sakura em lugar algum.
"Posso perguntar por que você está chutando portas?" Haru perguntou quando eles deixavam o local. O garoto parecia um pouco atordoado – provavelmente fruto do que eles encontraram nos quartos. "Ou isso não é permitido?"
Sasuke o encarou e não respondeu.
Pelo menos ele comprovou que Sakura não estava em Oto. Ela provavelmente havia escapado dos caçadores, ou nunca fora capturada na realidade.
Ou estava morta, mas Sasuke achou essa idéia estranhamente inquietante, preferindo não pensar sobre a possibilidade. Ainda assim, algo dentro dele relaxou diante da idéia que Sakura não fora escravizada nessa base.
Sasuke caminhou de volta aos seus aposentos, sem perceber os olhos verdes que o observavam com estranheza.
"Abruptamente, o atiçador da memória remexe as cinzas da lembrança, revelando uma brasa esquecida, ainda queimando lá embaixo, ainda quente, ainda brilhando, ainda vermelha como o vermelho."
- William Manchester
Já estou trabalhando na tradução do próximo capítulo... paciência...
Deixem reviews se estiverem curtindo a história.
Abraços!
dai86
