Oi pessoal. Essa tradução saiu rapidinho por que pedi ajuda pra uma amiga fera em tradução e digitação. Só tive que revisar. (Agradeçam a Mari pela rapidez!)
Como ela não conhece Naruto tive que ficar ouvindo 'o que é jutsu? porque esse cara quer que o outro engravide ela? porque esse tal de Sasuke não pega ela logo de jeito?'
Devo confessar que não sabia como responder essa última, rs.
Gabriela de Carvalho: Amei saber que essa fanfic tá incentivando pessoas. É maravilhoso descobrir o quão divertido é ler estórias, e mais ainda escrever.
Espero que essa fanfic continue agradando o pessoal aí.
Alice: não vai rolar hentai aqui, já que essa ff está classificada como T (adequado ao público adolescente acima de 13 anos, com alguma violência, linguagem levemente vulgar e leves sugestões de temas adultos). Ou seja, rola uns palavrões, uns beijos, algumas referências a relações íntimas... e só. Mas garanto que a ff não perde nada por isso. Espere e verá.
bjos galera!
dai86
"As mentiras mais cruéis geralmente são ditas em silêncio."
- Robert Louis Stevenson
Capítulo 6
Maquinações
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Sakura executava os primeiros movimentos de seu kata (*1) quando sentiu uma dor inconveniente e familiar irradiar de seu abdômen.
A médica paralisou. 'Droga'
Ela havia entrado no começo de seu período.
Sakura não perdeu tempo – ela buscou em sua memória em meio a um catálogo de jutsus, localizando um que era ensinado a todas as kunoichi, o que poderia interromper a menstruação. Foi desenvolvido para ser usado em missões quando esse tipo de problema se tornasse inconveniente, e Sakura avaliou que sua atual situação se aplicava. É claro, ela não teria problemas em lidar com o sangramento (e a imagem mental do rosto de Sasuke quando ela lhe pedisse os itens necessários a deixou tentada a fazê-lo) mas ela não queria nem mesmo um indício de cólica interferindo com sua fuga.
É claro, um plano de fuga ainda devia lhe ocorrer, mas ela queria estar preparada pra quando ocorresse.
Ela executou o jutsu, contente por exigir um mínimo de seu chakra – não mais do que sua transformação, de fato –, não deixando assim qualquer efeito colateral negativo.
É claro, seria suspeito se ela não estivesse tendo seu período (porque honestamente, ela não excluiria a idéia de que Orochimaru colocasse alguém pra monitorar tudo que entrava e saía do quarto de Sasuke), mas ela suspeitava que o sannin ficaria mais satisfeito do que desconfiado. Afinal de contas, ele a queria grávida, não?
Sakura não conseguiu evitar uma careta. A idéia de que Orochimaru e Kabuto estavam esperando ela engravidar de Sasuke era perturbadora de tantas maneiras que ela mal sabia por onde começar.
Nesse meio tempo continuaria cuspindo fora a mistura de Kabuto. Sabia que, já que não estava fazendo sexo, provavelmente não havia perigo em beber a poção de fertilidade, mas não confiava em nada que Kabuto tenha feito. Beber algo que ele havia fabricado era como enfiar a mão na boca de um tigre e estapeá-lo no rosto.
Havia idéias ruins e havia Idéias Ruins. Engolir uma poção feita por Kabuto de livre e espontânea vontade soava como o segundo.
"Sou eu!" veio um brado abrupto do outro lado da porta, e Sakura foi abri-la, revirando os olhos à rispidez de Sasuke.
"Alguém tentou entrar?" foi a primeira coisa que saiu de sua boca quando entrou.
"O quê? Nada de 'oi, como foi o seu dia'?" Sakura bufou. "Honestamente Sasuke! Você está tão focado em seus próprios objetivos – eu não sinto que estou tendo o que mereço nessa relação."
Ela conseguiu manter sua expressão séria e ofendida até o fim da sentença, e então Sakura se desfez em risos.
De alguma forma, Sasuke conseguiu parecer exasperado, resignado diante do abuso de sua paciência e profundamente indiferente ao mesmo tempo.
'Um feito impressionante para alguém cujo rosto parecia travado em modo neutro, ' Sakura pensou, antes de continuar. "Ah, deixa disso Sasuke, relaxa e tenha compaixão pela pobre prisioneira – eu preciso me divertir de alguma maneira!"
"Alguém tentou entrar?" ele repetiu.
"Kabuto... eu acho," Sakura admitiu. "Um pouco depois de você sair, a maçaneta se moveu um pouco – como se alguém tentasse abri-la. Eu perguntei quem era, mas ninguém respondeu, então olhei pela fechadura e vi Kabuto voltando pelo corredor. E ele disse algo – foi difícil de ouvir, mas soou como 'interessante'.
Sasuke processou as implicações do que ela havia lhe dito em instantes. Parece que sua decisão de fazer Sakura trancar a porta foi uma boa idéia – Sasuke não podia pensar em nenhuma razão pra Kabuto procurá-lo, assim sua visita devia ter algo a ver com Sakura. Sasuke podia pensar em inúmeras razões para o médico importunar Sakura, nenhuma delas agradável.
Mas por outro lado... havia acabado de demonstrar pra ambos Orochimaru e Kabuto que estava disposto a fazer algum esforço para manter Sakura afastada deles. Se eles tivesse qualquer suspeita... então Kabuto voltaria.
"Você precisa parar de tentar escapar," ele ordenou. Se agora Kabuto fosse vigiá-los de perto... Sasuke não queria pensar o que ele faria se pegasse Sakura tentando escapar.
"O quê?" Sakura gritou. "Porque diabos eu faria isso?"
"Apenas faça o que estou dizendo!" Sasuke retrucou, seu Sharingan se ativando automaticamente conforme tentava intimidá-la a obedecer.
"Eu acho que não," Sakura disse, sua voz perdendo em volume mas ainda feroz e determinada. "Eu não sou como os idiotas submissos e covardes com os quais você está acostumado hoje em dia – vai exigir mais do que isso pra me fazer escutá-lo. Eu quero motivos, muito obrigada!"
Sasuke rangeu os dentes. Não podia admitir o real motivo – ia parecer demais que se importava. Como se ela acreditasse que ele estava de qualquer forma preocupado com seu bem-estar (apenas porque ela não estava em condições de notar por si só)... bem, ele não podia imaginar o que aconteceria, apenas que envolveria lágrimas e olhos esperançosos.
E se não acontecesse assim... algo lhe dizia que ficaria ainda mais incomodado.
"Essa discussão é inútil," ele retrucou.
"Porque você insiste, então? É só concordar comigo e eu calo a boca."
Sasuke resistiu o ímpeto de gritar obscenidades preferindo bater a porta do banheiro atrás de si.
Sakura suspirou, tanto entretida quanto furiosa com a reversão de Sasuke de volta para frio, indiferente e autoritário. Ele alternava entre frio e quente como um chuveiro mal instalado.
É claro, ela não estava disposta a dar ouvidos para suas exigências irracionais - iria apenas tentar escapar pelas suas costas.
Parte dela se perguntou por que gostava tanto de irritá-lo assim. Ela havia retrucado com sarcasmo e provocado ele constantemente quando disfarçada de Haru, sem dúvida... e agora era como se não conseguisse parar mais.
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Sakura se moveu sob as cobertas, tentando se virar o mais silenciosamente possível, evitando perturbar o corpo que dormia ao seu lado. Ela observou Sasuke - a luz do luar entrando pela janela destacava seu perfil em linhas prateadas - e tentou avaliar o melhor ângulo pra acertar seu nervo e deixá-lo inconsciente. Depois de sua ordem mais cedo, ela decidiu ser melhor apagá-lo antes de tentar escapar.
Sakura raciocinou que não precisaria se transformar em nenhum escravo específico – só precisaria se transformar em uma pessoa aleatória, manter sua vestimenta marrom e sua coleira, e sair andando. Ela levaria uma kunai e diria pra qualquer um que perguntasse que a estava levando para o ferreiro ou algo do tipo.
Mas precisava se certificar de que Sasuke não tentaria impedi-la.
Sakura mirou com cuidado o ponto de seu pescoço que iria acertar. Ela não era estúpida – sabia que tinha apenas uma chance de acertar. Se algo desse errado, Sasuke com certeza iria acordar e ela sabia não ter a menor chance de derrubá-lo uma vez que ele estivesse consciente e coerente.
O golpe precisava ser rápido, forte e preciso.
Mas mesmo enquanto levantava sua mão Sakura se perguntou se isso era realmente necessário. Ela poderia simplesmente sair com cuidado... realmente precisava deixá-lo inconsciente? Não podia escapar sem machucá-lo?
Sakura apertou os dentes, dizendo pra si mesma que tal linha de pensamento era estúpida. Ela precisava escapar, e se Sasuke iria impedi-la... precisava derrubá-lo.
Sua mão desceu... freando de repente quando a mão de Sasuke agarrou seu pulso. Ela voltou os olhos para seu rosto, apenas para encontrar olhos negros e impenetráveis a encarando sob a luz da lua.
Aparentemente, Sasuke estava acordado.
Sasuke havia permanecido completamente parado quando acordou, sentindo olhos sobre ele. Quando escutou a respiração de Sakura – mais profunda e menos regular do que a de uma pessoa dormindo – ele sabia de quem eram os olhos. Mas por longos minutos ela não se moveu, e ele imaginou se ela simplesmente não conseguia dormir.
Mas então Sakura se moveu, seu chakra diminuto deu um pico tão sutil que era quase indetectável... e Sasuke se deu conta do que ela pretendia fazer - ia tentar escapar. Ele havia retirado seu consentimento silencioso às suas tentativas de fuga, então ela simplesmente decidiu tentar sem que ele soubesse.
Por um momento ele debateu consigo se deveria simplesmente deixá-la ir... mas então sentiu um chakra invadindo seus sentidos, um que lhe era bem familiar.
Kabuto.
Se Sakura tentasse sair pela porta agora... daria de cara com o médico. E Sasuke tinha certeza que uma transformação não iria enganar Kabuto dessa vez – ele estaria atento a tal jutsu, e se pegasse Sakura no flagra...
Assim, conforme sua mão descia em direção a seu pescoço, Sasuke agarrou seu pulso pra impedi-la.
Ele pôde ver o choque em seus olhos arregalados e sentir a fisgada de ar repentina. E então, aparentemente determinada não desistir sem uma luta, sua outra mão desceu contra seu pescoço, e Sasuke foi forçado a agarrar esta também.
Ele não queria dizer nada, caso Kabuto pudesse escutá-los (algo dizia a Sasuke que seria difícil explicar e continuar sustentando que Sakura era simplesmente uma conveniência pra satisfazer uma necessidade), então simplesmente fez um gesto com a cabeça em direção à porta esperando que Sakura entendesse sua mensagem silenciosa.
Ela não entendeu, principalmente por estar ocupada demais tentando se contorcer pra chutá-lo na cabeça. Mesmo apesar de ter tido ampla prova de sua determinação e força, ela ainda surpreendia Sasuke – era estranho pensar que, em sua ausência, Sakura parecia ter desenvolvido uma espinha de puro diamante.
Ele agarrou com força seus braços, a puxando por cima dele e girando ambos na cama, de forma que era ele quem estava por cima agora. Ela conseguiu levantar uma perna entre eles e chutá-lo com força no quadril, quase o jogando de cima dela.
Alguma parte da mente de Sasuke achou que havia algo de errado com essa luta, e não foi até esse momento que ele se deu conta – Sakura estava completamente em silêncio. Ela não estava gritando, rosnando ou soltando obscenidades... nem mesmo soltou um som.
Ela provavelmente não queria acordar qualquer pessoa e chamar atenção pra sua tentativa de fuga. Sasuke estava agradecido por sua precaução – se Kabuto chegasse ao ponto de escutar atrás da porta, tudo o que ouviria era o som dos lençóis e respiração laboriosa, dando a exata impressão que Sasuke queria que o médico tivesse.
É claro, a presença do médico também dificultava a tarefa de subjugar Sakura. Seria muito fácil se estivesse lutando com um inimigo, mas de alguma forma Sasuke não se sentia capaz de usar um de seus jutsus ou qualquer técnica dolorosa que aprendera.
Além disso, não devia demorar até que conseguisse dominá-la.
Sakura segurou um palavrão feroz enquanto se contorcia, tentando acertar o joelho na virilha de Sasuke. Golpe baixo, sem dúvida, mas situações desesperadoras exigiam medidas desesperadas. E Sakura estava desesperada. Sem sua força potencializada por chakra, estava à mercê das leis da física... as leis que diziam que mais alto, pesado e forte vencia.
'Maldita testosterona!' pensou com ressentimento. 'Uma desvantagem injusta nessa situação, se é que já houve alguma!'
Seus braços estavam restringidos em cada lado de sua cabeça, pressionados contra o colchão (sua luta havia lançado todos os travesseiros ao chão). Sasuke bloqueou seu golpe baixo ao levantar a própria perna para impedir que ela movesse a dela. Em poucos segundos ele estava forçando seu peso de seus quadris sobre os dela, suas pernas entrelaçadas com as suas pra impedi-la de chutá-lo.
Ela se debateu – em vão, ela sabia, mas precisava fazer algo. Adrenalina lhe dando forças, se contorceu sob ele, tentando mordê-lo em um dos pulsos pra forçá-lo a soltá-la. Mas Sasuke simplesmente derrubou todo seu peso, deitando-se completamente sobre ela, o lado de seu rosto pressionado contra o dela, e a visão de Sakura foi obscurecida por mechas negras de cabelo.
Sakura tentou se mover, mas percebeu que não conseguia. Estava presa como um inseto no quadro, mantida praticamente imóvel pelo peso de Sasuke. As pernas dele estavam ao redor das dela, impedindo que o chutasse. Seus quadris pressionavam os dela contra o colchão, a deixando sem possibilidade de se contorcer ou se debater. Seu peito estava praticamente esmagando o seu torso de forma que era difícil respirar, e a presença de sua cabeça ao lado da dela a bloqueava e impedia que tentasse morder o braço no qual estava mirando. Na verdade, o modo como o queixo de Sasuke estava enterrado em seu ombro indicava que ela não conseguiria nem mesmo alcançar seu outro braço. E a pressão em seus pulsos era tão forte que não podia nem mesmo girá-los.
Assim restou a Sakura encarar o teto, arfando com dificuldade, cada músculo de seu corpo contraído como se pura força de vontade pudesse forçar seus membros a resistir à força de Sasuke.
Mas quando nada mudou, Sakura relaxou sob ele, aceitando a derrota com rancor. Sasuke era mais pesado do que ela era forte (pelo menos com esta maldita coleira em seu pescoço), e na presente posição, continuar resistindo apenas a deixaria exausta.
Mas ela não podia evitar se contorcer sob ele, seu corpo inconscientemente tentando aliviar a pressão. Sasuke ficou tenso, mas Sakura não lhe deu atenção, continuando a se mover procurando uma posição onde pudesse respirar com mais facilidade.
Parece que Sasuke havia lido sua mente, porque se levantou ligeiramente, aliviando um pouco da pressão de seu peso que restringia sua respiração, e colocando alguma distância entre seus corpos.
Mas não era muito espaço. Sakura se deu conta que agora o rosto de Sasuke estava bem a frente do seu, tão perto que ela podia sentir sua respiração em seus lábios. Hesitante, ela deixou seus olhos se encontrarem.
Ela pôde quase sentir uma corrente percorrendo seu corpo. Havia algo estranho nos olhos de Sasuke, algo que nunca havia visto, e mesmo que ela tenha dado um sinal não verbal de rendição, ele não demonstrava nenhuma intenção de se afastar. Suas mãos ainda seguravam seus pulsos, seus joelhos ainda estavam ao lado de seus quadris, e mesmo que ele tivesse aliviado a maior parte de seu peso, seu corpo estava tão próximo que ela podia sentir o calor irradiando como uma pressão física.
Sakura tentou ignorar a voz traiçoeira em sua cabeça que lhe apontou que era só mover sua cabeça um centímetro à frente... e seus lábios se tocariam.
O som da porta se abrindo quebrou a tensão do momento como uma rocha caindo em um lago sereno. Sasuke piscou, e Sakura pôde sentir os músculos de suas mãos saltarem contra seus pulsos, como se ele houvesse sido arrancado abruptamente de seus pensamentos.
Sakura se contraiu quando a luz do corredor invadiu o quarto como uma faixa, automaticamente virando o rosto pro lado contrário da porta e apertando os olhos.
"Oh, perdão Sasuke, eu não quis interromper," ela pôde ouvir a voz suave de Kabuto chegar a seus ouvidos.
Sakura se esforçou pra não estremecer, imaginando o que a posição deles podia parecer. Sasuke havia abdicado de trancar a porta à noite, confiante de que ninguém viria incomodá-la quando ele estivesse com ela. Parece que havia se enganado.
"Fora!" Sasuke rosnou.
Sakura piscou. Havia uma leve trepidação em sua voz, como se ele se esforçasse pra conter algo.
Kabuto ignorou a explosão de raiva. "Lorde Orochimaru quer vê-lo a-"
"Fora!" se possível, Sasuke soava ainda mais ameaçador dessa vez.
E Kabuto pareceu escutar, pois saiu apressado, fechando a porta e permitindo que a escuridão tomasse o quarto mais uma vez.
Tão logo a porta se fechou, Sasuke praticamente saltou de cima dela como se sua pele estivesse em chamas. Sakura foi deixada sozinha na cama, piscando enquanto seus olhos se readaptavam à escuridão. A luz do banheiro se acendeu, e, por alguma razão, Sasuke parecia estar tomando um banho.
Sakura pensou em continuar com seu plano de fuga, mas logo desistiu. A janela não era uma opção (os guardas com certeza a apanhariam), e já que Kabuto ainda estava provavelmente andando pelos corredores... ela deixaria sua fuga pra outro dia.
Assim, Sakura colocou os travesseiros de volta na cama, ajeitou as cobertas, se enfiou novamente sob elas, determinada a tentar dormir um pouco. Improvável diante do que acabara de acontecer – uma onda de adrenalina seguida de uma boa dose de... o que quer que tenha sido quando Sasuke a pressionou contra o colchão – mas a médica não era nada se não uma otimista.
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Sasuke não estava tomando um banho frio na esperança de reprimir a excitação que o tomou quando estava sobre Sakura. Pelo contrário, ele deixou a água tão quente quanto possível sem derreter a pele de seus ossos, sentindo cada gota queimar e arder suas costas numa penitência deturpada.
Ele quase...
Não, não quase. Ele nunca faria isso. Nem mesmo pensou sobre isso, não de verdade...
Foi apenas um sopro traiçoeiro no fundo de sua mente, sussurrando numa réplica da voz de Orochimaru. Sussurrando que ele poderia fazer aquilo. Que Sakura não tinha chance de se defender com a coleira. Que as pessoas em Oto presumiam que ele estava fazendo uso sexual dela, assim ninguém iria se surpreender com gritos vindos de seu quarto.
A suave voz sebosa apontou que ele poderia simplesmente tirar aquelas vestimentas marrom do caminho, separar aquelas delicadas pernas... e ver se a realidade se comparava com a fantasia.
Quer Sakura consentisse ou não.
Então Sasuke deixou o calor da água levantar marcas vermelhas em suas costas numa espécie de autoflagelo por aqueles sussurros que rastejavam dos cantos obscuros de sua mente.
Parte de si não podia evitar se perguntar por que teve uma reação tão intensa à situação. Ele já tivera que subjugar kunoichis da mesma forma antes, mas com Sakura parecia... sexual. Talvez fosse a escuridão que os cercava trazendo uma sensação de intimidade, talvez o fato de eles estarem lutando em sua cama...
Sasuke se recusava a considerar a possibilidade de que talvez ele tivesse reagido tão intensamente simplesmente por ter sido Sakura quem estava se contorcendo sob ele, respirando ofegante, cada centímetro de seu corpo pressionado contra o dele.
Ele se afastou dela antes que ela percebesse a reação que seu corpo tivera a ela... antes que ela percebesse o caminho sombrio e doentio pelo qual sua mente seguia.
O Uchiha girou mais uma vez a torneira de água quente.
Sasuke sabia que estupros aconteciam em Oto. Aconteciam mesmo em Konoha... mas em Konoha havia leis contra isso, punições para os culpados... não havia tal coisa em Oto. Muitas escravas e alguns escravos também – mesmo alguns dos ninjas mais fracos – sofriam esse tipo de abuso em algum momento.
E Sasuke não podia evitar se perguntar por que essa realidade nunca o havia incomodado antes de Sakura chegar aqui. Ele realmente estava tão cego que tamanho abuso de um direito humano tão básico não lhe causou impacto até que ele tivesse um rosto pra ligar a esse abuso? O estupro de prisioneiros havia sido uma desagradável realidade em sua mente, nunca uma injustiça a ser corrigida até que ele fosse assombrado com um rosto familiar pra associar ao ato.
Muitas vezes desde que havia proclamado sua posse sobre Sakura, Sasuke se via perguntando pra si mesmo por que havia feito isso. Se perguntando o que o havia compelido a ajudá-la, e a continuar a protegê-la das intenções cruéis de Orochimaru.
Porque ele deveria se importar? Ele a teria matado da última vez que se encontraram.. não?
Sasuke não tinha mais certeza. Mas quando ela foi desmascarada e Orochimaru ordenou que seus homens a agarrassem, Sasuke sabia qual seria seu destino. E parte dele não podia suportar a idéia de Sakura sofrendo daquela maneira.
Agora ele lembrava os escravos que vira, os quais eram exclusivos de um único mestre, usados pra fins sexuais, e se perguntava por que nunca achara aquilo tão repugnante.
Eu não vou nem especular no que Oto te transformou...
As palavras de Sakura soaram em sua mente, palavras que ele havia desconsiderado antes, mas que começavam a soar com um desagradável tom de verdade.
Ele havia dito pra si mesmo que Oto não o mudaria, que ele poderia tomar o poder que Orochimaru lhe oferecera sem se corromper. Mas agora ele podia perceber que havia sido uma idéia tola na melhor das hipóteses, definitivamente estúpida na pior.
E nesse momento, alguma parte de Sasuke sabia que ele havia chegado ao fim com Oto. Orochimaru não tinha nada mais a lhe ensinar, e esse lugar o estava envenenando.
Era mais fácil culpar seu ambiente do que pensar que ele estava tão obcecado com seus objetivos que havia ignorado todo o resto.
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Na manhã seguinte nem Orochimaru nem Kabuto mencionou nada sobre o chamado tarde da noite, o que Sasuke assumiu ser prova de que provavelmente havia sido uma desculpa fabricada por Kabuto para vigiar ele e Sakura.
Esse interesse em sua vida sexual estava passando de irritante a realmente perturbador.
"Nós vamos nos mudar novamente Sasuke," o sannin o informou. "Amanhã."
Isso não surpreendeu Sasuke. Orochimaru passava muito pouco tempo na vila de Oto em si – o Uchiha suspeitava ser exposta demais pra seu gosto. Aberturas para ataque demais para um assassino bem treinado.
"Mas é claro, temos algumas preocupações sobre viajar com Haruno Sakura," o sannin continuou com calma. "Eu sugeriria deixá-la aqui, mas Kabuto me informou que você se tornou muito possessivo de seu brinquedinho recentemente."
Sasuke presumiu que eles haviam assumido que a porta trancada durante o dia significava que ele não queria ninguém perto de Sakura. E era verdade, apesar de não ser pelas razões que eles pareciam suspeitar.
"Assim nós apenas precisamos que ela viaje com uma das comitivas de escravos – presa com grilhões, é claro."
Sasuke deu com os ombros. As pequenas comitivas de escravos que transportavam os escravos exclusivos de base para base eram sempre bem vigiadas, mas ele não estava realmente preocupado com isso. A vasta maioria dos ninjas de Oto estaria preocupada demais em não irritá-lo para arriscar importunar Sakura, e quanto aos outros... bem, se Sakura pôde matar quase uma dúzia de ninjas de elite com a coleira, Sasuke suspeitava que ela poderia lidar com os mais ordinários mesmo com os grilhões.
"Hn."
Ele deixou a sala depois disso, tirando Orochimaru de sua mente. Ele nunca havia respeitado de verdade o sannin, mas agora que tinha se decidido a deixá-lo, e logo, havia um nível a mais de desinteresse adicionado ao seu usual desrespeito.
Ele encontrou Sakura olhando pela janela, uma expressão de sonho em seu rosto.
"Você sabia que o guarda lá embaixo gritou sete sugestões obscenas e fez um total de doze gestos provocativos na última hora em que eu estive nessa janela?" ela mencionou, obviamente observando o homem em questão. "Eu acho que Orochimaru deveria realmente se preocupar com o nível de QI desse sujeito."
"Então por que você está olhando pra ele dessa maneira?" Sasuke perguntou ríspido.
"Porque eu estou no meio de uma fantasia bem gráfica de desmembramento."
"Desmembramento?"
"É. Já passei por evisceração, asfixia, sangria por vários métodos, esmagamento, queda, decapitação... Ei! vamos ver se você consegue pensar numa forma de morte que eu ainda não pensei."
"Esse é um jogo infantil, você se dá conta disso?"
"Você só diz isso porque não consegue pensar em nenhum."
Sakura lhe lançou um sorriso irônico, tendo decidido fingir que o que quer que tenha sido aquilo entre eles na noite anterior não aconteceu. Era assim que ela lidava com a maioria dos comportamentos estranhos de Sasuke até agora, e não viu razão pra mudar o que funcionava.
"Nós vamos nos mudar novamente," ele disse, cortando efetivamente a conversa – ou monólogo – sobre métodos de assassinato. "E você terá de ir com os outros escravos. Em grilhões."
Sakura deu um sorriso mordaz. Ela tinha uma boa idéia de quem havia ordenado e o porquê. "Meu showzinho o deixou nervoso assim, então?"
Sasuke não disse nada, porque a única resposta honesta que viria de sua boca era uma concordância.
"E por acaso," ela continuou. "Tem uma coisa sobre a qual eu sempre me perguntei sobre grilhões – eles vêm em tamanhos diferentes ou são ajustáveis como as algemas?"
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Sakura descobriu ser um pouco de cada. Aparentemente, em Oto os grilhões tinham diferentes tamanhos, mas havia algum nível de ajuste neles, principalmente por eles serem presos por uma trava que poderia se encaixar em três furos diferentes.
O shinobi lidando com ela deu um puxão nos grilhões depois de fechar a trava se certificando de que estavam bem presos.
Sakura olhou pra baixo observando as correntes em seus braços e pernas, sem saber se deveria se sentir lisonjeada ou irritada. Eles realmente achavam que ela daria tanto trabalho assim?
Um dos guardas gritou para os escravos andarem, e Sakura deu um passo à frente, as correntes a limitando a um caminhar desengonçado e passos curtos. Ela sabia que estava ficando pra trás dos outros escravos e quase antecipou um golpe por isso... mas nenhum dos ninjas se moveu pra acertá-la. Ela imaginou o porquê por um momento, mas quando tentou analisar pelo ponto de vista de seus captores, compreendeu.
Sasuke havia reivindicado sua posse na frente do que devia ser metade das tropas, a mantendo confinada em seu quarto, o que realmente dizia a toda Oto que ela era dele. Os shinobi ao redor dela provavelmente enxergavam uma placa em seu pescoço dizendo 'Propriedade de Uchiha Sasuke, toque e morra dolorosamente por Chidori'.
Era extremamente irritante e degradante ser considerada uma propriedade, mas se mantivesse os guardas afastados dela, Sakura podia aceitar.
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"Sou só eu, ou parece que Orochimaru tem uma atração por bases subterrâneas?" Sakura perguntou, olhando a sala ao seu redor pra onde fora guiada, automaticamente curando as marcas deixadas pelos grilhões em sua pele.
Este era o menor quarto de Sasuke até agora (mas ainda bem grande para um quarto construído sob a terra), e como de costume, equipado apenas com o mínimo necessário.
"Hn."
"Isso não conta como uma resposta Sasuke," ela retrucou, encarando morosamente as paredes nuas de pedra. "Agora eu não tenho nem mesmo uma janela pra olhar – o que eu vou fazer o dia todo?"
Sasuke revirou os olhos. Pelo menos agora que eles estavam na base subterrânea, ele podia matar Orochimaru sem se preocupar com interferências. Na vila, a batalha teria chamado muita atenção, mas se ele confrontasse o sannin em seu quarto, subterrâneo e isolado... Sasuke tinha certeza de que eles não seriam interrompidos.
Mas nesse meio tempo... ele tinha seu treinamento.
Uma última sessão... e então ele atacaria.
"Amor é tudo o que foi feito pra ser. É por isso que as pessoas são tão cínicas sobre isso. Realmente vale a pena lutar por ele, ser valente por ele, arriscar tudo por ele. E o problema é, se você não arrisca nada, você arrisca muito mais."
- Erica Jong
(*1) Kata - conjunto de movimentos de ataque e defesa presente nas mais diversas artes marciais japonesas.
Acabou de me ocorrer: o Sasuke poderia ter respondido carbonizado pro joguinho da Sakura. Ela não havia pensado em matar o cara queimado, hahaha.
Pena que ele não tem o mesmo senso de humor e a imaginação criativa da Saku. Realmente, ela tá muito divertida nessa FF.
Ah, outro método: afogamento, rs.
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Espero que tenham curtido pessoal.
Próximo capítulo: Persuasão
Até!
dai86
