Olá pessoal. Nesse ritmo que minha amiga Mari traduz eu consigo postar essa fic inteira rapidinho.
Aposto que vocês estão muito contentes com isso, não?
Mas isso tá me custando 1 chocolate por capítulo, viu? Amigas mercenárias... (o capítulo 7 saiu por um MM's) rs.
Aproveitem!
dai86
"Eu não deixei de te amar, foi só meu coração que aprendeu a viver sem seu amor."
-EOL
Capítulo 7
Persuasão
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(cena: mangá 343)
Sasuke inspecionou o campo coberto com os corpos dos shinobi derrotados, sentindo uma sensação de satisfação tomar seu peito.
"Você não matou nenhum deles," Orochimaru observou. "Você é compassivo demais."
"Não são eles quem eu quero matar," retrucou de forma brusca.
E era verdade. Por que matar alguém num exercício de treinamento? Todos seus oponentes estavam inconscientes – ele poderia matá-los por prazer se quisesse, mas a essa altura qualquer golpe mortal não significaria nada. Seria inútil.
"Se não se tornar impiedoso, nunca vai vencer Itachi," Orochimaru comentou.
Sasuke não disse nada, embainhando sua espada e se dirigindo à entrada da base subterrânea. Era impressionante que Orochimaru não visse a diferença entre matar soldados num exercício de treinamento idiota e mutilar o assassino de sua família.
A base na qual se encontravam era bem menor do que qualquer uma das outras, assim, os treinamentos precisavam ser realizados do lado de fora. Sasuke passou por Kabuto ao entrar, ignorando o desagradável sorriso no rosto do médico.
"Você passa menos tempo treinamento do que costumava," o rapaz riu. "Mas eu suponho que também o faria, se tivesse Haruno Sakura esperando por mim."
Sasuke ficou tenso, e resistiu o ímpeto de dar a volta e mostrar a Kabuto por que não deveria fazer tal insinuação novamente.
Mas sabia ser verdade. Seu treinamento vinha sendo sacrificado desde que Sakura chegou – com sua nova personalidade sarcástica que conseguia afetá-lo de forma que poucas coisas conseguiam.
E Sasuke não estava satisfeito com isso. Foi por essa razão que havia deixado Konoha. Sakura – e Naruto também – podiam fazê-lo esquecer de sua vingança, podiam fazê-lo pensar em nada mais além da segurança e felicidade deles... e isso, simplesmente não podia admitir.
"Sou eu!" disse de forma ríspida diante da sólida porta de madeira de seu quarto, ouvindo logo o som da chave se virando na fechadura antes de Sakura abrir a porta.
"Sabe, tenho que ser honesta... Eu não tenho certeza se essa estrutura é realmente estável," ela disse correndo os olhos pelas paredes escoradas por grandes pilares de madeira.
"Ela é segura," Sasuke lhe disse conforme limpava sua espada.
O solo aqui era bem instável – uma das razões por essa ser uma das menores bases de Orochimaru – assim as paredes precisavam ser escoradas para não desabar. Muitos ambientes eram feitos inteiramente de madeira, suas paredes eram escoradas até o teto.
Mas essa base fora bem projetada, e em todas as vezes que ele esteve aqui, não houve sequer sinal de movimentação no solo.
Sakura estava batendo de leve nas paredes, olhando para elas de forma duvidosa, quando Sasuke falou, sua voz num tom baixo como se não quisesse ser ouvido por mais ninguém.
"Eu vou matar Orochimaru."
Sakura se surpreendeu, girando o corpo para encará-lo.
"O quê?" ela chiou, sua voz mal um sussurro. Se alguém do lado de fora escutasse o que eles estavam falando...
"Eu vou matar Orochimaru," Sasuke repetiu, girando a espada e testando a lâmina. "Então não saia desse quarto – não abra a porta pra ninguém sob nenhuma circunstância – até eu voltar."
Com isso, ele deixou o quarto, pegando a chave do criado mudo ao lado da cama. Ele fechou a porta bloqueando o grito de afronta de Sakura, assegurando que a porta estivesse bem trancada, e colocando a chave no bolso.
Sasuke sentiu uma pontada de culpa pelo fato de que Sakura estava agora impossibilitada de destrancar a porta, mas ignorou. Ele estava confiante de que voltaria – não havia necessidade de garantias.
Ele era mais poderoso que Orochimaru. E provavelmente não poderia escolher momento melhor para atacar – o corpo de Orochimaru estava se enfraquecendo, e no momento tudo o que o mantinha relativamente saudável era sua dependência dos remédios de Kabuto. Mas numa batalha, o sannin estaria bem abaixo de suas capacidades usuais.
Ele parou bem diante da porta de Orochimaru, medindo a distância entre ele e a assinatura de chakra que podia sentir do lado de dentro, antes de lançar sua lâmina de eletricidade diretamente através da madeira.
Uma faísca de chakra e a sensação do impacto reverberando pela lâmina até suas mãos lhe indicaram que acertara.
"Quem está aí?" veio o rosnado de Orochimaru de dentro do quarto, e Sasuke sorriu de forma mordaz.
Levou um segundo pra cortar a porta em pedaços.
Não havia surpresa real nos olhos do sannin quando ele passou pelos destroços, e Sasuke suspeitou que Orochimaru sempre soubera que ele nunca se sujeitaria a entregar seu corpo tranquilamente.
Ele sorriu com maldade, sentindo o selo amaldiçoado se espalhando por seu corpo. Iria vencer – sabia que iria!
Ele era mais poderoso que Orochimaru.
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Sakura resmungou com ódio sobre 'idiotas dominantes e arrogantes' conforme girava a senbon na fechadura da porta.
Ela não ia ficar trancada nesse quarto enquanto Sasuke saia e tentava matar Orochimaru. Ele estava atacando um sannin, por Deus – será que isso não havia passado por sua cabeça? Não era uma batalha pra ser levada de forma tão leviana quanto ele fez parecer.
A trava deu um clique e Sakura abriu a porta com um sorriso triunfante.
Mas agora ela estava diante de um corredor, indo em duas direções... e não tinha idéia de que pra que lado Sasuke havia ido.
'Um dia eu vou aprender a pensar melhor antes de agir,' Sakura admitiu. 'Ele provavelmente já está atacando Orochimaru a essa altura...'
Optando por não examinar exatamente por que estava tão desesperada para impedir que Sasuke se jogasse no que era provavelmente uma morte certa, Sakura simplesmente escolheu uma direção e correu pelo corredor, estranhamente despreocupada com a possibilidade de se deparar com Kabuto ou qualquer outro shinobi.
Adrenalina tinha a tendência de fazer coisas incômodas como lógicae prudência voarem pela janela.
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(cena: mangá 344)
Sasuke encarou a serpente branca que se enrolava acima dele, desprezo torcendo seus lábios. Ele pretendia apunhalar Orochimaru e terminar com tudo em poucos momentos... mas a serpente emergiu de sua boca conforme Orochimaru assumia sua forma verdadeira, abandonando a carcaça de seu corpo na cama.
Parece que o primeiro corpo a ser submetido às experiências doentias de Orochimaru havia sido o seu próprio. A criatura não podia nem mesmo ser chamada de serpente. Não tinha escamas de verdade – parecia ser formada pelas cabeças de outras cobras. Sua face era mais humana do que a de uma serpente, com um tufo ralo de cabelos negros no topo da cabeça e múltiplas fileiras de presas afiadas, mais semelhante a um tubarão do que a uma serpente.
A serpente chiou e mergulhou em sua direção.
Sasuke saltou para o alto para evitar o ataque de Orochimaru, mas as cobras que compunham seu corpo se alongaram de repente, duas dela se contorcendo pelo ar em sua direção.
Ele sacou sua espada e as decapitou antes mesmo de pôr os pés no chão.
O sannin soltou um chiado como uma cobra nervosa, e de uma vez as outras cobras de seu corpo se alongaram como uma floresta de corpos sinuosos e dentes afiados vindo em sua direção. Sasuke guardou sua espada e puxou seus braços pelas longas mangas da camisa, descartando ela e dando espaço para seu corpo se transformar por completo.
As cobras o envolveram como laços... e foram estraçalhadas quando o selo amaldiçoado envolveu seu corpo e grossas asas com presas emergiram de suas costas.
Surpreso, Orochimaru não teve tempo de reagir antes de Sasuke cortar seu corpo de forma precisa em três pedaços, sangue escuro espirrando pelo chão. A serpente engasgou, convulsionou... e caiu sobre a poça de sangue.
Sasuke piscou observando o corpo no chão conforme o selo amaldiçoado regredia. Era isso? Orochimaru devia estar em suas últimas forças pra ser derrotado tão rapidamente.
Sasuke inspirou profundamente... e sentiu espasmos em seu músculos como se uma corrente elétrica corresse por seu corpo. Ele tossiu, caindo sobre o joelho enquanto os espasmos continuavam como se milhares de aranhas rastejassem sob sua pele.
Muito pior, ele estava gradativamente perdendo a sensação na ponta dos dedos dos pés e das mãos.
A cobra supostamente morta se contorceu, sua cabeça se erguendo sobre ele novamente. "Os fluídos corporais dessas cobras brancas contém um veneno entorpecente que vaporiza quando exposto ao ar."
A boca da cobra se abriu, revelando gengivas vermelho escuro e a língua, mas a garganta era um buraco negro, um abismo vazio.
"Eu não posso ser destruído," Orochimaru chiou. "Seus jutsus não são nada contra mim. Seu corpo é meu... Imagino se sua doce e pequena Sakura vai ser capaz de notar a diferença."
Sasuke rangeu os dentes, encarando a serpente. Estranhamente, não sentiu sequer uma gota de medo – sabia que ela estava segura. Se essa seria uma batalha mental – então Orochimaru não tinha esperanças. Qualquer truque que ele tentasse para consumi-lo, seu Sharingan iria destruir.
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Sakura soltou obscenidades quando se deparou com uma intersecção de corredores. Três túneis divergiam de onde se encontrava... e não tinha a menor idéia de qual deveria seguir. Com uma respiração profunda, fechou os olhos e girou em círculo algumas vezes (torcendo pra não dar de cara com uma das paredes) antes de dar um passo adiante e abrir os olhos.
Seu pé apontava na direção do corredor da esquerda, então foi por ele que Sakura seguiu.
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(cena: mangá 345)
Onde quer que Sasuke estivesse, estava completamente escuro. Ele não podia enxergar mais do que alguns passos à frente, e o chão parecia ser feito de um material esponjoso parecido com carne.
Era quase como se tivesse sido engolido vivo.
Que diabos era esse lugar?
"Essa é uma dimensão alternativa dentro de mim..." veio a voz de Orochimaru por detrás dele.
Sasuke voltou-se para trás. Uma porção do estranho chão esponjoso havia brotado, parte da massa distorcida se abriu para revelar o rosto de Orochimaru.
"É aqui que realizo o ritual de transferência de alma," ele chiou, sua língua grotesca rolando de sua boca.
Em um instante Sasuke viu espirais da massa de tecido da qual o sannin havia emergido se enrolando em seu corpo, e entendeu que estas coisas – de alguma maneira - representavam a alma de Orochimaru tentando subjugar a sua própria.
Mas a base da transferência era um genjutsu, uma ilusão que enganava a mente e o submetia a um estado de resignação, de medo... de fraqueza.
E nenhum genjutsu jamais esteve à altura do Sharingan.
Conforme a massa que era Orochimaru veio em sua direção, Sasuke impôs sua própria vontade ao mundo ao seu redor, contorcendo e retorcendo ele até que se tornasse não um refúgio pra Orochimaru, mas uma arma contra ele. Ele viu compreensão tomar os olhos esbugalhados do sannin conforme as espirais que deveriam engolir Sasuke, se voltaram para engoli-lo.
Então Sasuke soube que havia vencido.
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Felizmente, parecia que Sakura havia tomado o caminho certo, porque conforme continuava pelos corredores tortuosos, pôde sentir o ar se tornando mais pesado, com um leve toque de eletricidade, como se dois chakras poderosos tivessem se enfrentado recentemente.
Era tarde demais?
Sakura viu manchas de sangue desenhando arcos no chão e entrou no ambiente da qual elas pareciam ter vindo.
"Sasuke, você está – whoa!" As palavras engasgaram em sua garganta quando ela viu a cobra gigante no chão. "O que é isso?"
Sasuke se voltou pra ela, sua expressão rígida. "Achei que tivesse dito pra você não sair do quarto."
"É? E minha avó me disse pra não me tornar uma ninja," ela retrucou automaticamente. "Mais uma vez – o que é isso?"
Olhando de perto, ela percebeu que as escamas da cobra pareciam ser compostas por cabeças de cobras menores. E que o réptil tinha um rosto quase humano, com traços grotescamente familiares.
Ao invés de responder, Sasuke agarrou seu braço e a arrastou pra fora do quarto.
"Ei, o que você-"
"Veneno entorpecente," ele disse de forma ríspida. "No ar."
"Oh."
Parecia que Sasuke havia voltado ao seu papel de cretino insensível mais uma vez. Honestamente, suas alterações de humor eram mais rápidas que as de Ino naquele'período do mês'.
Sakura se surpreendeu ao percebeu que Kabuto estava logo em frente ao quarto. Ele acabara de chegar ou ela simplesmente não o havia notado antes?
O médico estava encarando Sasuke como se nunca o tivesse visto antes. Sakura diminuiu seu passo confusa conforme eles passaram por ele, mas a mão de Sasuke em seu braço a forçou a se apressar novamente.
"Qual deles é você?" ela ouviu Kabuto perguntar.
Sasuke parou, virando levemente o corpo em direção ao outro rapaz. Sakura também ficou imóvel – não havia considerado essa possibilidade. Estranhamente, a real possibilidade de que o homem segurando seu braço podia não ser Sasuke, mas Orochimaru no corpo de Sasuke, não havia passado por sua cabeça.
É claro, ele havia mencionado ter mandado ela ficar no quarto, mas até onde sabia, Orochimaru herdava as memórias dos corpos que tomava quando realizava a transferência. Francamente, a idéia de que podia ser a mão de Orochimaru em seu braço lhe trouxe o desejo de lavar esse membro diversas vezes.
"O que você acha?" Sasuke disse, um indício de um sorriso mordaz em seus lábios.
Kabuto ficou tenso por um momento, assim como Sakura. Se esse realmente era Orochimaru...
"Orochimaru está morto..." Kabuto murmurou, piscando várias vezes e ficando tão pálido que Sakura se perguntou se Sasuke havia utilizado um genjutsu momentâneo nele. "Mas não... isso é..."
"Eu o dominei," Sasuke sorriu torto.
Então continuou a andar, puxando Sakura consigo, aparentemente dispensando Kabuto.
"Você fez aquilo?" Sakura perguntou boquiaberta. "Então aquela... coisa... era Orochimaru? E eu que pensei que aquela aparência de homem cobra era só por causa daqueles olhos e língua anormais."
"Aparentemente não," Sasuke comentou de forma curta.
"Então... Orochimaru não é mais um problema?"
Sasuke confirmou com a cabeça.
E Sakura pressentiu que era esse o momento certo.
"Então... você vai voltar pra Konoha, então?"
Os olhos de Sasuke estavam frios e severos quando eles se voltaram para encará-la. "Não."
Sakura rangeu os dentes para resistir à vontade de esmurrar um pouco de bom senso nele. Ela precisava ser calma e racional quanto a isso. 'Seja legal, Sakura, seja legal...'
"Por que não?"
"Eu achava que seria óbvio. Nós temos diferentes caminhos Sakura – nós não temos nada a ver um com o outro agora."
'E ainda assim, aqui está você me arrastando pelo corredor, ' pensou com rebeldia.
"Sasuke... pensando nisso de forma lógica, você tem uma melhor chance de encontrar – e portanto, de eliminar – Itachi se você ficar em Konoha. Itachi está atrás de Naruto; nós estamos fadados a nos deparar com ele de novo mais cedo ou mais tarde."
"Não."
"... você é mesmo assim tão cabeça dura, ou simplesmente estúpido?"
'O caldo desandou bem rápido,' ela refletiu. 'O que aconteceu com ser legal?'
Sasuke lhe lançou um olhar frio, mas Sakura não se intimidou nem um pouco.
"Você pode achar que cortou seus laços ou seja lá que besteiras você continua a dizer pra si mesmo, mas nem eu e nem Naruto vamos desistir de você," ela chiou baixo, feroz e determinada.
"E é por isso que vocês são fracos!" Sasuke rosnou, girando e a forçando contra a parede, com as mãos pressionando seus braços contra a pedra. "Foi por isso que eu tive que partir!"
"Sério?" Sakura retrucou com raiva. "Suponho que faça sentido... se você ignorar o fato de Naruto ter se tornado tão forte quanto você mesmo ficando em Konoha."
"Ele é fraco!" Sasuke chiou, uma parte de si se perguntando como Sakura conseguia agitá-lo como ninguém mais. Se qualquer outro tivesse dito algo desse tipo pra ele, teria ignorado... mas com Sakura, ele podia praticamente sentir sua máscara de apatia lascar, cedendo à fúria.
"Por quê? Porque você podia ter acabado com ele da última vez que se encontraram? Aquilo foi só porque Naruto tem um coração bom demais pra realmente tentar lutar contra você. Se tivesse levado a sério, ele teria acabado com você!" Sakura gritou.
O plano de 'ser legal' parecia ter ido pra sarjeta. Mas honestamente, Sakura não sentia mais vontade de ser legal - a sensação de arejar essas feridas era muito melhor.
"E você sabe por quê?" ela continuou, diminuindo sua voz um tom pra ter certeza de que ele pudesse ouvir cada palavra. "Porque ele conhece o verdadeiro segredo pro poder, que é buscá-lo pelo bem dos outros, não o seu próprio! Ele luta pelas pessoas que ama e não se esconde atrás de um objetivo estúpido de ódio, ou usa seus traumas de infância como uma desculpa!"
Sasuke sentiu uma fúria tão intensa que sua visão realmente ficou branca, o mundo ao seu redor obscurecido pela força de sua ira. Quando pôde ver novamente, seus dedos estavam agarrando os braços de Sakura com tanta força que ele havia de fato levantado ela do chão.
Mas Sakura não parecia nem um pouco intimidada por ele. Seu rosto estava contorcido em raiva como o de uma tigresa feroz, e suas próprias mãos agarravam os bíceps de Sasuke, com suas unhas enterradas em sua pele.
Sasuke teve a impressão de que a única razão pela qual agarrava seus braços era porque ela não conseguiu alcançar seu pescoço.
Com um leve tremor de horror, Sasuke se deu conta que havia chegado muito perto de perder o controle totalmente, deixando suas emoções dominarem. Apesar de ter passado dois anos constantemente reprimindo e controlando elas, se certificando de que não invadissem sua mente e obscurecessem seus pensamentos... bastaram dois minutos com Sakura para que ele regredisse de volta para a raiva cega que havia se esforçado tanto pra reprimir.
Ele a colocou de volta no chão de forma abrupta, a força de suas mãos relaxando... mas não a soltou.
Sakura quase pôde ver uma cortina caindo sobre a face de Sasuke enquanto se distanciava dela mais uma vez.
Sakura observou, e uma parte dela se desesperou.
Quando seu rosto se contorceu de raiva e ele a levantou do chão daquela forma, ela encarou como um incentivo – prova de que suas palavras realmente estavam tendo algum efeito.
Mas agora... nada.
Sakura rangeu seus dentes até sua mandíbula doer. Seus olhos arderam, mas ela se recusou a chorar – já havia derramado lágrimas o suficiente por Sasuke.
Ele não ia escutá-la – nada que ela dissesse iria funcionar. Por enquanto, pelo menos, Sasuke estava cego demais por sua obsessão de matar Itachi pra sequer considerar voltar pra Konoha.
Era melhor deixá-lo agora, abandonar seu cativeiro e voltar pra casa. Naruto, Kakashi, Ino, Tsunade... todos deviam estar fora de si de preocupação a essa altura. Mesmo o emocionalmente inepto do Sai estaria preocupado.
"Se isso é tudo então, eu vou voltar pra Konoha agora," ela resmungou, tentando dar a volta nele, esperando que as mãos de Sasuke soltassem seus braços...
Mas ele apenas a segurou com mais força. "Não."
Sakura o encarou surpresa. De todas as respostas que antecipara, a simples recusa de Sasuke em deixá-la ir não estava entre elas.
Sasuke não gostava do que estava fazendo. A pequena cena um minuto atrás havia provado que ter Sakura por perto prejudicava seu estimado auto-controle... mas não havia outra linha de ação.
Enquanto a coleira permanecesse em seu pescoço, Sakura permanecia vulnerável. Talvez ela se mantivesse segura e evitasse molestadores na jornada de volta a Konoha... e talvez não.
Ele não sabia nada dos mecanismos dessas coleiras, assim não poderia removê-la ele mesmo (provavelmente devesse ter forçado Kabuto a removê-la antes de fugir pra... pra onde quer que ele tenha fugido). A agulha estava posicionada perigosamente próxima à espinha dorsal – se ele tentasse removê-la sem saber exatamente o que estava fazendo, estaria arriscando aleijá-la ou matá-la.
Ele não podia deixá-la, e ele não podia voltar pra Konoha, não enquanto Itachi ainda estivesse vivo...
Sobrava apenas uma opção.
"Você vem comigo," disse simplesmente, e continuou a puxá-la pelos corredores.
"O QUÊ?" Sasuke se retraiu quando a voz de Sakura atingiu desconfortáveis decibéis. "De jeito nenhum!"
Ele não deu atenção a seus protestos – ela não podia ver que era pra seu próprio bem? – e continuou a forçá-la pelo caminho.
Ele andou talvez três metros antes de começar a sentir o peso do esforço. Arrastar Sakura não era tão fácil quanto havia antecipado; músculo era mais pesado do que gordura, o que significava que Sakura tinha mais peso em seu corpo do que sua figura esguia indicava. E é claro, sendo kunoichi, os músculos em questão eram bem torneados, e podiam colocar muita força em resisti-lo.
"Sakura," ele disse eventualmente, dando um puxão e a trazendo a sua frente abruptamente. "Você vem comigo, queira ou não. Eu prefiro não ter que nocautear você e carregá-la como um peso morto, mas vou fazê-lo se você continuar a resistir."
Sakura lhe lançou um olhar tão hostil que ele quase pôde sentir as bordas de suas roupas queimando. Mas ela relaxou sob suas mãos, resmungando resignada.
Sasuke balançou a cabeça em aprovação e se dirigiu aos níveis inferiores, com Sakura o seguindo.
Sua audição era aguçada o suficiente pra ouvi-la chiar "o que aconteceu com ter caminhos diferentes e não ter nada a ver um com o outro?"
Sasuke pode ouvir o amargor na voz de Sakura, mas ignorou. Eventualmente ela ia perceber que isso era para o seu próprio bem. Ele podia não sentir muito companheirismo por ela, mas não tinha escolha – não podia deixá-la vagar desprotegida pelas florestas, à mercê de qualquer inimigo com um mínimo de habilidade com o qual pudesse se deparar.
Ainda assim, enquanto Sasuke justificava sua decisão pra si mesmo, em nenhum momento pensou sobre a dúzia de ninjas de elite que Sakura abateu quando encoleirada.
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(cena: mangá 346 / 347)
Sakura observou as altas colunas de vidro ao redor deles, confusa e sem muita certeza do que eram. Pareciam cheias de nada a não ser água, ainda assim, havia todo tipo de fios e cabos conectados a elas.
E mais importante – o que Sasuke queria com elas?
Sakura balançou a cabeça, uma parte de si ainda atordoada e girando ao redor da súbita declaração de Sasuke de que ela viria com ele. Ainda não tinha idéia de porque ele havia feito isso – justamente quando ela havia decidido deixá-lo em paz... ele abruptamente diz que ela estaria presa a ele no futuro imediato?
Sakura estava convencida de que havia herdado de sua mentora a sorte abismal, ou de que toda essa coisa de carma e reencarnação era verdadeira e ela estava pagando o preço por ter sido algum tipo de gênio cruel e sádico na vida passada.
Ela se atrasou, andando um pouco atrás de Sasuke conforme ele caminhava entre os containers, finalmente parando diante de um. Sakura não podia ver nenhuma marca que o distinguisse dos outros, mas Sasuke parecia saber o que fazia.
"Então, é você," soou uma voz masculina. Uma voz que parecia vir de dentro do container – da própria água contida. "Então, você derrotou Orochimaru..."
'Putz, isso fala!' foi tudo o que o cérebro de Sakura foi capaz de formular quando percebeu que não, seus sentidos não estavam lhe pregando uma peça, e sim, a água estava realmente falando.
"Sim," Sasuke deu um sorriso torto, um leve toque de arrogância em sua voz. "Mais importante, vou te tirar daqui."
Sua espada girou, cortando o vidro e deixando a água jorrar no chão. Sakura assistiu em silêncio, se perguntando se essa água inteligente era um produto das experiências de Orochimaru. Por que mais Sasuke a estaria libertando?
Ela percebeu que essa água não se portava como uma água normal. As beiras da enorme poça pulsaram, ondulações se espalharam pelo líquido conforme cabeça e ombros de um homem emergiram.
"Suigetsu, você é o primeiro," disse Sasuke. "Vem comigo."
"Eu, primeiro?" o homem – Suigetsu, Sakura presumiu – questionou. "Então vai haver outros...?"
Sakura observou com flagrante fascinação médica a figura nua de um homem se formando a partir da água.
"Aí está algo que você não vê todos os dias," ela murmurou pra si mesma.
O homem de cabelos branco lançou o olhar sobre ela, sua atenção obviamente arrebatada quando ela falou. "Quem é a gostosa – sua namorada?"
Sakura bufou uma risada seca como se aquilo fosse ridículo, ao mesmo tempo que coçava sua coleira.
"Ah, você está com uma daquelas coleiras, hein?" Suigetsu reparou, correndo os olhos acima e abaixo o corpo de Sakura. "Serviçal de prazer, então?"
Sasuke se viu irritado pela descarada avaliação de Sakura por parte de Suigetsu. "Ela não é da sua conta."
"Apenas conhecendo minhas companhias de viagem," Suigetsu encolheu os ombros.
"É? Bem, se dependesse de mim, eu não estaria viajando com vocês de forma alguma," Sakura disse irritada estudando os tanques de água ao redor. Cada um deles continha seres como Suigetsu?
"Ooh, ela é briguenta!" Suigetsu sorriu com malícia, exibindo uma fileira de dentes afiados que lhe pareceu com os de um tubarão. "Se você não está pegando ela, Sasuke, eu pego!"
Podia ser imaginação de Sakura, mas ela acreditou que a expressão de Sasuke ficou ainda mais severa com aquele comentário.
"Há mais dois. Vou buscar Juugo na base do norte e Karin na base do sul," o Uchiha continuou, ignorando o comentário de Suigetsu.
Sakura ficou um pouco confusa com a menção de outros, mas não queria perguntar. Quanto mais cedo ela voltasse pra Konoha, melhor. E quanto menos soubesse dos planos de Sasuke, mais provável seria que ele a deixasse ir.
É claro, considerando o quão insistente havia sido – ele havia ameaçado nocauteá-la para trazê-la consigo – Sakura não tinha muitas esperanças disso acontecer.
"Suas escolhas de equipe são loucas, Sasuke," Suigetsu disse brusco. Então seus olhos deslizaram para Sakura mais uma vez, e ele se corrigiu, "Bem... talvez nem tanto."
Sakura entrecerrou os olhos conforme ele estendia a mão em sua direção, seus dedos se curvando como se fosse afagar sua bochecha. Ela não estava sequer perto de sua força total, mas conhecia alguns golpes que podiam certamente quebrar um osso ou dois...
"Suigetsu!" Sasuke explodiu, sua conduta indiferente se tornando ríspida e autoritária. "Qualquer mão que tocá-la eu corto pelo pulso."
Ambos Sakura e Suigetsu se voltaram pra ele – Sakura surpresa pela intervenção e Suigetsu parecendo aborrecido. Mas Sasuke não entregou nada em sua expressão. Ele nunca havia ouvido falar de Suigetsu violentando qualquer pessoa, mas com a coleira no pescoço, Sakura estava em uma posição extremamente vulnerável. Ele tinha que fazer Suigetsu entender que ela não deveria ser tocada.
"Você está se portando todo superior e importante," o homem de cabelos branco disse.
"E quando ele não está?" Sakura resmungou.
A médica nem sequer viu Suigetsu se mover. Um momento ele estava a sua frente, e no seguinte, estava bem atrás de Sasuke, seu dedo indicador apontado para a cabeça do Uchiha num gesto óbvio de ameaça.
Sakura ficou tensa no mesmo segundo. Enquanto Sasuke não era sua pessoa favorita nesse momento em particular, ela não tinha o menor desejo de vê-lo morto!
"Vamos acertar algumas coisas, ok?" Suigetsu disse com calma. "Você não está no comando só porque derrotou Orochimaru. Todos estavam atrás dele – alguém iria matá-lo mais cedo ou mais tarde... você só teve mais chances do que o resto de nós."
"Qual é o seu argumento?" Sasuke perguntou soando entediado.
"Que eu tenho a vantagem agora," Suigetsu deu aquele sorriso malicioso. "Eu posso sentir que seu passarinho aqui é mais forte do que o tipo normal de escravo, mas com essa coleira, ela não vai ser capaz de fazer qualquer coisa pra ajudá-lo."
A cena se arrastou por longos momentos tensos, e Sakura se perguntou se deveria fazer algo - qualquer coisa que pudesse fazer. Ela amaldiçoou em sua mente o pedaço de metal e couro ao redor de seu pescoço com todas as forças.
Mas então a tensão se rompeu conforme Suigetsu afastou seu dedo da cabeça de Sasuke. "Brincadeira!"
Sakura relaxou, mas apenas um pouco.
"Ouvi rumores do seu poder há muito tempo," Suigetsu continuou. "Sua equipe foi a que derrotou o grande Momochi Zabuza, não? De fato – " ele voltou o rosto de repente para Sakura novamente, "se a memória não me falha, havia menção de uma garota de cabelos rosa... Haruno Sakura, certo?"
"Parabéns," Sakura disse sem expressar nada no rosto. "Você demonstrou as habilidades associativas de um chimpanzé."
Suigetsu riu, seus olhos correndo sobre ela mais uma vez. "Você realmente é um foguetinho, não? Espírito suficiente pra alguém três vezes seu tamanho."
Ele fez um beicinho infantil pra Sasuke e disse em tom de zombaria. "Certeza de que não vai dividi-la?"
A expressão de Sasuke se alterou para um olhar intenso mais selvagem do que qualquer outro que Sakura já houvesse visto antes.
"Ok, ok..." Suigetsu levantou as mãos num gesto pra acalmar Sasuke. "Eu entendi, eu entendi – não é pra chegar perto dela!"
"Ela está bem aqui!" Sakura rosnou. "E ela não aprecia ser discutida como um pedaço de carne!"
Suigetsu riu, mas parecia ter desistido dessa linha de conversa, pois se voltou pra Sasuke. "Eu vou com você. Mas antes de buscar os outros, podemos fazer um rápido desvio? Tem um lugar que preciso ir."
Sasuke encolheu os ombros, e Sakura assumiu que era um sinal de que ele não se importava.
"Bom, considerando que equipes de quatro pessoas são melhores" Sakura disse com calma, se aproximando da saída. "Eu vou seguir meu caminho agora..."
Sasuke estava a sua frente tão rápido que ela mal viu ele se mover.
"Odeio quando você faz isso," ela chiou.
"Não me obrigue a forçá-la, Sakura," Sasuke disse de forma equilibrada.
Suigetsu assistia a cena com interesse. Quando Sakura começou a se dirigir à entrada, ele esperou que Sasuke pelo menos a derrubasse no chão pra impor sua autoridade. Mas ele não o fez, preferindo bloquear sua saída, de uma maneira sem dúvida dominante, mas dificilmente ameaçadora. E quando disse pra que ela não o obrigasse a forçá-la, Suigetsu se viu surpreso ao constatar que ele de fato estava sendo honesto. Ele realmente não queria machucar a mulher diante dele.
Suigetsu não tinha idéia de quem ela era, mas uma coisa estava muito clara; no mundo de Sasuke, essa mulher estava sujeita a regras bem diferentes do que o resto das pessoas.
Olhos verdes brilharam, os punhos de Sakura se apertaram, e ela girou sobre o calcanhar, sua expressão cheia de raiva e frustração.
"Você realmente está aqui contra a sua vontade, não?" Suigetsu refletiu.
"É," ela retrucou com um olhar irritado. "Demorou tudo isso pra você perceber?"
Ele a observou, notando a completa falta de qualquer indício de constrangimento. "Eu posso entender a falta de reação de Sasuke, mas você parece não se importar de ter um homem nu diante de si. Não está nem corada."
"Treinei como médica-ninja," explicou simplesmente. "Corpos de homens nus dificilmente são uma coisa nova pra mim."
Sasuke estreitou os olhos e sentiu uma pontada de algo parecido com ciúmes.
"Se você diz, princesa," Suigetsu lançou um sorriso mordaz.
Uma sobrancelha rosa se elevou devagar. "Princesa?"
O sorriso de Suigetsu se acentuou, e ele foi procurar suas roupas sem nenhum outro comentário.
Ele preferiu não indicar que o título de 'princesa' parecia adequado. O cabelo rosa exótico, o espírito ferino, e o fato de que Sasuke a tratava com mais cuidado do que ele acredita que o Uchiha fosse capaz de demonstrar a faziam parecer algum tipo de donzela de contos de fada.
Não que ele fosse dizer isso a ela ou a Sasuke.
"Nós prometemos de acordo com nossas esperanças e cumprimos de acordo com nossos medos."
- François de La Rochefocauld
Próximo capítulo em breve:Aflições
Até galera!
dai86
