Pra quem não curte os desfiles de carnaval e nem saiu pra viajar no feriadão (tipo eu)... eis o capítulo 8.
Mais uma vez agradecimentos pra super Mari pela ajuda na tradução (mesmo que esse capítulo tenha custado uma barra de Hershey's... é a inflação!) rs
Ah, não esqueçam dos reviews, eles alegram meu dia quando abro a caixa de email :)
bjs!
dai86
"Ciúmes é aquela dor que se sente pela apreensão de não ser igualmente amado pela pessoa que se ama inteiramente."
- Joseph Addison
Capítulo 8
Aflições
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"Então... qual é a sua história?" Suigetsu perguntou.
Sakura dirigiu-lhe o olhar. "Que história?"
"A..." Suigetsu fez um leve gesto em direção ao pescoço. "Como você acabou com essa infelicidade?"
"Um impulso altruísta se sobrepôs aos meus instintos de auto-preservação."
"Verdade?"
Sakura revirou os olhos. "Eu estava quase sem chakra e me deparei com um grupo de viajantes sendo capturados como escravos pra Oto. Eu lutei com os shinobi ao invés de desviar deles silenciosamente... e aqui estou. Sendo arrastada morro acima e vale abaixo por um cretino."
"Você não tem muito apreço pelo Sasuke, não?"
"Não no momento, não."
Suigetsu deu um sorriso torto. "Então... você é médica, huh?"
"Sou, mas as minhas habilidade estão um pouco limitadas com a coleira." Sakura correu um dedo sobre a trava de metal para enfatizar.
"Mas elas ainda são de alta qualidade, não? Quero dizer, Sasuke deve ter alguma razão pra trazer você conosco."
"Bem, se por acaso ele deixar escapar, você poderia me informar quais são?"
Sasuke ouvia a conversa a sua frente com um meio interesse. Sakura havia permanecido em silêncio ao longo da jornada para deixar Oto, aparentemente desprezando a idéia de andar ao lado dele ou de Suigetsu, preferindo se colocar meio caminho entre eles, ocasionalmente resmungando obscenidades.
Eventualmente, Suigetsu atrasou o passo e tentou puxar conversa com ela. Suas primeiras tentativas foram rejeitadas de forma bem rude, mas conforme persistia, a atitude fria de Sakura diminuiu gradualmente. Era óbvio que ela ainda estava receosa do rapaz de cabelos branco, mas conversava facilmente com ele agora.
Sasuke disse pra si mesmo que não estava com inveja.
"Ah, se alegre princesa," Suigetsu sorriu, querendo dar um tapinha em suas costas, mas com medo de dar motivo pra Sasuke cumprir sua promessa. "Podia ser pior."
Sakura deu uma bufada pouco elegante. "Verdade. Esse é o fato depressivo da vida – sempre pode ficar pior."
Suigetsu riu novamente e apesar de tudo, Sakura sentiu uma certa empatia por ele. Ele era perverso e rude, sim, mas seu sorriso audacioso e sua atitude juvenil a fazia lembrar de Naruto de certa maneira.
Além disso, era agradável conversar com alguém que possuí alguma habilidade de conversação.
"Então... aonde vamos, só por curiosidade?" ela perguntou.
"Túmulo de Zabuza," Suigetsu explicou. "Eu quero a espada."
Sakura piscou, puxando suas memórias e tentando lembrar se havia algo particularmente incomum quanto à espada de Zabuza... além de seu tamanho, é claro.
Ela observou Suigetsu tomar um longo gole da garrafa de água que carregava em sua cintura, e seu lado médica ficou curioso.
"Você bebe com freqüência porque precisa manter seus níveis de fluidos altos?"
"Bingo, princesa," ele sorriu. "Você é espertinha, não?"
Sakura deu com os ombros, piscando conforme eles emergiam dentre as árvores, e se viu diante da Grande Ponte Naruto. Sentiu um sorriso nostálgico tocar seus lábios e, ao arriscar uma olhadela em direção a Sasuke, ficou surpresa ao vê-lo observar a placa assim como ela, sua expressão quase... afeiçoada.
"O que há com vocês?" Suigetsu perguntou, bebendo outro gole d'água.
"Não é nada," Sasuke disse. "Vamos."
Sakura andou atrás dos dois homens conforme atravessavam a ponte, observando a espuma provocada pelas correntes de água abaixo. Para um civil, seria suicídio tentar nadar aqui, mas para um ninja...
Um ninja provavelmente tinha boas chances de alcançar terra firme. Se ela saltasse pela lateral e ficasse submersa o maior tempo possível...
"Nem pense nisso," Sasuke estalou, agarrando seu braço acima do cotovelo e a guiando de volta para o meio da ponte.
"Eu só tava olhando a água!" ela protestou.
Sasuke não disse nada, mas Suigetsu riu. "Por favor princesa, nem eu cairia nessa."
"Foda-se garoto-água," Sakura resmungou.
Suigetsu apenas riu com mais vontade. "A hora que você quiser princesa. Apenas num lugar onde seu namorado não nos encontre – ele parece o tipo ciumento."
Sakura revirou os olhos e Sasuke lançou um olhar selvagem sobre o outro homem.
Ainda assim, Sakura notou com interesse que ele não solto seu braço até que eles terminassem de cruzar a ponte.
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(cena: mangá 347)
"Aqui está," disse Sasuke, gesticulando para os túmulos que o Time sete havia erigido todos aqueles anos atrás.
Suigetsu sorriu-se satisfeito, envolvendo seus dedos ao redor do cabo da gigantesca espada com ansiedade. Ele a puxou do solo avaliando o peso da espada em sua mão. "É bem pesada..."
"Você acha?" Sakura observou com sarcasmo. "Não imagina o por quê?"
"Ui, princesa, melhor guardar essa língua afiada antes que você se corte com ela," Suigetsu sorriu com malícia, descansando a espada sobre o chão mais uma vez.
Sakura percebeu o leve tremor de seus músculos quando ele a abaixou. "Sem querer ofender o homem com a espada grande, mas você acha que realmente consegue empunhá-la?"
"As lâminas dos Sete Espadachins da Névoa foram passadas de geração em geração. Eu treinei pra poder me juntar a eles um dia," Suigetsu narrou, prendendo uma larga tira de couro ao redor da espada.
"Você na verdade não respondeu minha pergunta," Sakura apontou.
"Não se preocupe comigo, princesa. Eu vou lidar com isso aqui muito bem."
Sakura deu com os ombros, observando Suigetsu usar a tira de couro pra carregar a espada em suas costas.
"Está certo, vamos continuar a viagem," ele disse finalmente. "O mais próximo primeiro, certo?"
"Ahn... pessoal?" Sakura apontou o sol deitando sobre o horizonte. "A não ser que essa pessoa esteja a no máximo cerca de uma milha daqui, nós vamos viajar no escuro."
"Então vamos ficar em uma hospedaria em algum lugar antes," Suigetsu deu com os ombros. "Você tem algum dinheiro, Sasuke?"
Sakura sabia que ele tinha. Antes de ir buscar Suigetsu, Sasuke havia coletado bastante dinheiro do tesouro de Oto.
"Ele tem dinheiro," ela disse simplesmente. "Vamos procurar algum lugar agradável."
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"Então... nós vamos pegar três quartos, ou vamos ser mesquinhos e pegar um só?" Suigetsu perguntou.
"Vamos pegar dois quartos," Sasuke informou.
"O quê? Um pra nós e outro pra princesa?"
Por um momento, Sakura ousou sonhar que ela poderia escapar no meio da noite. Mas essa esperança foi estraçalhada pela resposta de Sasuke.
"Não – um pra você, e outro pra mim e pra Sakura."
Sakura mordeu o lábio pra conter o grito de 'porquê?"Ela sabia o porquê – Sasuke havia previsto suas intenções, e tomou uma atitude pra interromper sua tentativa de fuga antes mesmo de ela tentar.
"Eu sabia que você estava pegando ela," Suigetsu murmurou em voz baixa.
Sasuke lhe lançou um olhar intimidador, enquanto Sakura fingiu não escutar.
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Sakura ligou o chuveiro, deixando a água morna correr sobre seu corpo com um suspiro de alívio. Havia sido difícil sorrir educadamente ao recepcionista enquanto Sasuke a apressava a entrar no hotel, quando tudo o que queria fazer era gritar pra que ele alertasse Konoha.
Mas o homem era um civil – todos aqui eram civis, e ela não iria colocar suas vidas e bem estar em perigo ao implicá-los em assuntos de ninjas.
O que era pior: o quarto que Sasuke reservou tinha uma cama de casal – ela suspeitou que os empregados do hotel agiam sob a impressão de que eles eram um casal. Mas Sakura estava determinada a não dividir a cama – ela já havia tido o suficiente disso em Oto, muito obrigada, e preferia ficar com o sofá.
Sakura enrolou a toalha ao redor de si conforme saía do chuveiro, aproveitando o espelho alto para examinar a coleira novamente. Ela sabia que não havia como ela removê-la, mas não pôde resistir checar a cada oportunidade que tinha, caso lhe viesse a inspiração.
Se sentia como uma dessas crianças que perguntava se já era Natal a cada dia de dezembro.
Mas quanto mais examinava, cutucava, remexia ou mesmo tentava forçar a coleira, mais se convencia de que não podia ser removida por métodos ordinários. Ela tinha certeza de que havia algum tipo de truque – tinha que ser, Sakura se recusava a pensar na possibilidade de que a coleira podia nunca mais sair de seu pescoço, que fora projetada pra ser usada até a morte.
Se ela voltasse pra Konoha, Tsunade com certeza pensaria numa maneira de tirar isso dela... mas ela precisava escapar de Sasuke primeiro.
A médica não podia evitar se perguntar o que exatamente a coleira permitia que ela fizesse. Ela não podia mais sentir chakra de outros, mas ela ainda seria capaz de afetar o seu próprio? Aumentá-lo e diminuí-lo conforme sua vontade?
Ela tentou criar picos de chakra, uma técnica comumente usada por shinobis para atrair atenção de outros ninjas deliberadamente. Mas nada aconteceu. Ela não podia sentir a mais leve alteração de seus níveis de chakra. É claro, a coleira lhe permitia apenas uma pequena quantidade de chakra, e era possível que qualquer coisa acima desse nível fosse simplesmente suprimido.
Então ao invés disso Sakura tentou suprimir seu chakra, da mesma maneira que faria para evitar detecção durante uma missão secreta. E sentiu que funcionou – seu próprio chakra se apagou de acordo com sua vontade, ocultando sua presença.
Sakura mal teve tempo de sorrir pra si mesma no espelho antes que a porta do banheiro fosse aberta abruptamente e Sasuke entrasse como um furacão.
Sakura deu um grito de surpresa e se virou, embaraçosamente consciente de estava coberta apenas por uma fina toalha. "Que diabos você está fazendo?
Sasuke piscou, a olhou fixamente por um momento em completo silêncio (era sua imaginação o modo como os olhos dele pareciam se esbugalhar?)... e então deixou o banheiro, batendo a porta atrás de si com força.
Sakura tinha os olhos fixos na porta, completamente perplexa. O que acabou de acontecer?
"Ei!" ela gritou diante da porta fechada. "Que raios foi isso?"
"Não esconda seu chakra de novo," veio a voz de Sasuke de trás da porta, soando levemente tensa.
Sakura finalmente compreendeu. Quando seu chakra sumiu do banheiro, Sasuke provavelmente presumiu que ela havia usado algum tipo de jutsu de tele transporte (o que seria uma ótima idéia se ela não estivesse usando essa maldita coleira!) e invadiu o ambiente, acreditando que ela estava fugindo.
Ao invés disso, ele conseguiu uma bela olhada nela seminua. Sakura se viu agradecida por estar pelo menos com uma toalha. O quão embaraçoso seria se Sasuke a tivesse pego nua no banheiro?
Ela se vestiu apressadamente, fazendo uma careta ao vestir aquele horrível uniforme marrom, dizendo pra si mesma que ela precisava de roupas novas. Ela ia adorar ouvir que desculpa Sasuke havia arranjado pra explicar suas roupas pras pessoas da recepção.
Esqueça as roupas – ela adoraria saber o que eles achavam que essa coleira era. Talvez tivessem presumido que ela estava fazendo alguma declaração bizarra de moda?
Ela saiu do banheiro, tentando não rir quando notou que Sasuke olhava deliberadamente pra qualquer direção a não ser a dela. Sakura pegou metade dos travesseiros na cama e os jogou sobre o sofá, arrumando eles em uma das extremidades dele.
"O que você está fazendo?" Sasuke perguntou enquanto ela tirava um dos cobertores extra do armário.
"Eu não vou dormir nessa cama com você," Sakura disse de forma brusca. "Quero dizer, agora que não temos que enganar uma dupla de sádicos pra acharem que estamos transando, não há motivo."
As sobrancelhas de Sasuke desceram, e ele tentou não examinar por que se sentia quase magoado pela declaração.
A porta se abriu e Suigetsu entrou no quarto.
"Por que você está aqui?" Sasuke perguntou irritado.
"Eu estava entediado," ele encolheu os ombros, e então reparou Sakura ajeitando sua cama no sofá. "Você fez a princesa dormir no sofá?"
"Não, eu decidi ficar no sofá," Sakura corrigiu.
"Então você realmente não está dormindo com ela?" a pergunta foi direcionada a Sasuke.
"NÃO!" Sakura explodiu. "Eu não sou sua esposa, ou sua namorada, ou sua amante ou sua 'escrava sexual' – nós não estamos transando, não estamos nos pegando, não estamos nos beijando, não estamos fazendo nada remotamente sexual!"
"Táaa, desculpe ter perguntado."
Sakura forçou seus punhos a se abrirem, relaxando as mãos, esperando que sua raiva justificada se dissipasse.
Nesse meio tempo, Suigetsu havia se voltado novamente pra Sasuke. "Então, você não está dando em cima da princesa... isso quer dizer que você é gay? Porque eu meio que imaginei..."
Sakura não pôde evitar. Ela explodiu em risadas – uma risada real, profunda, de sacudir a barriga. Ela agarrou o estômago conforme a força das risadas a fizeram quase se dobrar. Ela arriscou uma olhada na direção de Sasuke... apenas pra que a expressão em seu rosto proporcionasse a Sakura outro intenso acesso de risada histérica.
"Você está bem animada, não?" Suigetsu comentou.
"Pra uma vítima de seqüestro, suponho que sim."
"... você realmente não queria estar aqui, verdade?"
"Qual foi sua primeira pista?" ela rosnou.
Sasuke ficou surpreso com a pontada de mágoa que sentiu. Houve um tempo em que ela teria ficado feliz em segui-lo...
Ele não sabia por que, mas algo o impeliu a lembrá-la disso. "Me lembro distintamente de você se oferecendo pra vir comigo uma vez."
Sakura ficou tensa. "Talvez, mas eu mal era uma adolescente que se iludiu em acreditar que havia algo de bom em você. Duvido que qualquer coisa que eu tenha dito naquela noite possa ser levada a sério."
Ela estava mentindo, é claro – havia uma parte daquela confissão (mais do que um pouco embaraçosa, analisando em retrospecto) em que ela realmente falou sério. E que ainda era verdade, pra seu pesar.
Eu te amo...
"Então era mentira?" Sasuke perguntou em voz baixa, e algo em seus olhos dizia a Sakura que ele não falava da promessa de ajudá-lo.
Ela forçou seus lábios num sorriso malicioso e lhe deu as costas, efetivamente terminando aquela conversa. Ela não confiava em suas habilidades de interpretação tanto assim, não se tivesse que olhá-lo nos olhos.
"Bem... talvez não fosse naquele momento, mas certamente seria agora!"
E talvez se ela continuasse a repetir isso pra si mesma, ela acreditaria um dia.
"Agora..." Sakura balançou a cabeça. "Agora... eu nunca estaria aqui com você por vontade própria."
"Mas você está aqui de qualquer forma," Sasuke disse, sua voz ríspida. "E vai ficar comigo até eu dizer o contrário."
Suigetsu simplesmente observou a interação dos dois; a primeira imagem que lhe vinha à mente era de uma onda quebrando contra uma pedra. Sakura era a onda, acumulando força e intensidade, se chocando contra a pedra sólida que era Sasuke e estourando em pedaços, deixada pra se afastar e tentar novamente.
Numa primeira análise, parecia que a pedra havia ganhado. Mas Suigetsu entendia. Pouco a pouco, cada onda desgastava a pedra, enquanto a onda permanecia inalterada, constante. No final, eram sempre as pedras que cediam, não as ondas.
Algo lhe disse que era o mesmo com esses dois. Sasuke podia estar firme e impassível diante de Sakura, mas era só uma questão de tempo até isso mudar.
Sasuke observou Sakura continuar a arrumar sua cama, não lhe dando qualquer atenção ou fazendo qualquer esforço pra continuar a conversa... e se sentiu estranhamente perdido. Era um choque se dar conta que os sentimentos de Sakura por ele tinham sido quase um conforto – afinal de contas, se Sakura podia amá-lo, devia ter algo de bom nele, certo?
Mas agora ela dizia que não o amava mais. Que qualquer coisa que ela pudesse ter sentido por ele estava morto há muito tempo.
E isso o irritava de uma forma bizarra e irracional. Não era isso que o ele queria? Que ela se esquecesse dele?
Então por que essa realidade o fazia sentir vontade de quebrar algo?
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Sakura se revirou e se remexeu no sofá, incapaz de dormir. Não que sua cama improvisada estivesse desconfortável; pelo contrário, o sofá de fato era bem confortável – macio mas firme o suficiente pra ela não afundar nele – mas sua meia discussão com Sasuke continuava a girar em sua cabeça.
Ela se recusava a admitir que se sentia um pouco culpada. Por Deus, o homem havia praticamente se vangloriado de mantê-la prisioneira – ela não ia se sentir culpada por mentir pra ele!
Assim a médica fechou os olhos e pensou em outras coisas, forçando seus pensamentos de volta pra Konoha, revivendo tempos mais felizes (mas nada de memórias do time 7 – ela ia ficar longe dessas), e torcendo pra que sua mente eventualmente se acalmasse o suficiente pra que ela pudesse dormir.
De sua parte, Sasuke também não conseguia dormir. Mas ele não se revirava da mesma maneira que ele podia ouvir Sakura fazendo; ao invés disso ele se manteve perfeitamente imóvel, esperando que a exaustão do dia eventualmente superasse a agitação em sua mente.
As horas se arrastaram, medidas por sua lenta respiração regular conforme ele tentava convencer seu corpo a descansar. Ouviu o som dos movimentos de Sakura diminuindo, ouviu sua respiração se tranqüilizar e se tornar regular e profunda conforme ela caía no sono.
Estranhamente, saber que ela dormia tranquilamente a poucos passos de distância acalmou Sasuke o suficiente pra que ele dormisse mais rápido do que qualquer técnica de relaxamento que conhecesse.
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Os olhos de Sasuke se abriram e sua mão buscou a espada no escuro, pronto a se defender do que quer que o tenha despertado.
Então ele se deu conta de que não havia outra presença no quarto a não ser ele e Sakura. Ele não havia sido acordado por um invasor, mas pelo suave choro e gemidos vindos de sua colega de quarto.
Sasuke se apoiou sobre o cotovelo, procurando pelo quarto a fonte do que a angustiava... mas não havia nada – os olhos de Sakura ainda estavam bem fechados, e os pequenos gestos repentinos e incompreensíveis que acompanhavam aqueles fracos sons vindos dela lhe indicaram que ela estava presa em algum tipo de pesadelo.
Sem saber precisamente por que, ele se levantou da cama e silenciosamente atravessou o quarto.
Agora que estava próximo, Sasuke pôde notar as leves trilhas de lágrimas brilhando sob a luz da lua, e se deu conta de que o que quer que Sakura estivesse sonhando, a angustiava tanto que ela de fato estava chorando.
Ele também se deu conta – um pouco chocado – que era a primeira vez que ele a via chorar em anos. De fato, apesar dos eventos das últimas semanas terem sido provavelmente devastadores pra ela, a última vez que ele conseguia lembrar ter visto Sakura chorar, foi quando ele deixou Konoha todos aqueles anos atrás.
A garota adormecida tremeu, seu leve choro o tirando de seus pensamentos. Ele observou sua testa se franzir, seu rosto se contorcendo numa expressão de dor... então sua mão se dirigiu a ela antes que ele pudesse evitar.
Seus dedos correram pelo cabelo rosa, tocando gentilmente seu rosto. Ela se contraiu e Sasuke recolheu sua mão abruptamente como se queimado.
Mas quando ela não acordou, a mão dele gravitou de volta em sua direção como se atraída por um imã. Seus dedos massagearam as linhas da testa como se pudessem ser suavizadas como argila úmida sendo moldada.
E para sua surpresa, elas sumiram. Seja porque a sensação de um toque em seu rosto a tenha confortado, ou porque uma nova sensação tenha quebrado o ritmo de seu pesadelo, o rosto de Sakura relaxou gradualmente, os músculos rijos perdendo a tensão.
Foi só quando ela suspirou e tentou se aconchegar na carícia que Sasuke se afastou, sentindo-se desconfortável de repente, como se ele tivesse exposto uma parte vulnerável de si mesmo.
Ele voltou pra cama, certificando-se em fazê-lo em silêncio pra que Sakura não acordasse.
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Sakura abriu os olhos pra encontra a suave luz da manhã - fora despertada pelo som do chuveiro. Um rápido olhar para a cama comprovou que ela estava vazia, e Sakura presumiu que Sasuke estava se lavando.
Ela tirou o cobertor de cima dela, fazendo uma careta conforme tentava desamassar sua roupa – estava terrivelmente amarrotada pela noite de sono, e mesmo que Sakura não fosse tão preocupada com a aparência quanto já havia sido um dia, isso era simplesmente desconfortável demais.
Ela imaginou se conseguiria persuadir Sasuke a comprar algumas roupas novas pra ela.
Ela abordou o assunto tão logo ele saiu do banheiro. "Preciso de roupas novas."
Sasuke lhe lançou um olhar, mas Sakura não foi dissuadida, e atacou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
"Esse uniforme é duro, coça e atrapalha minha liberdade de movimento. Se você vai me arrastar por aí como um cão desobediente, pelo menos tenha a decência de me arranjar algumas roupas apropriadas!"
"Mais tarde," Sasuke lhe disse. "Primeiro, vamos encontrar os outros."
Sakura rangeu os dentes e suprimiu a vontade de gritar uma obscenidade ou duas.
Ouviu-se uma firme batida na porta e a voz de Suigetsu atravessou a porta. "Ei, vocês já estão acordados? Nós já vamos?"
"Estamos indo," disse Sasuke, prendendo sua espada à cintura.
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(cena: mangá 348)
Não importava quantas vezes Sakura usasse seu chakra pra andar sobre água, havia sempre um toque de surrealidade. Ela observava peixes nadarem sob seus pés com um pequeno sorriso em seu rosto conforme eles atravessavam o mar.
Pelo menos a coleira não a havia privado completamente de seu chakra; ela tinha a impressão de que essa travessia sobre o mar (aparentemente necessária pra encontrar o próximo membro) teria sido bem difícil de outro modo.
"Então... porque você está montando uma equipe?" Suigetsu perguntou.
Sasuke olhou para ele. "Eu tenho um objetivo. E há melhores chances de alcançar tal objetivo com uma pequena equipe."
Ele então voltou seus olhos pra Sakura, caminhando atrás deles, parecendo pronta a agarrar qualquer oportunidade que tivesse de escapar. Ele ressentiu o fato de que ela seria colocada em perigo, mas como ele não podia remover sua coleira, não podia arriscar se aproximar de Konoha, e não podia deixá-la vaguear sozinha pelas florestas com tão pouco de seu chakra... ela estava mais segura com ele.
Ouvir Sasuke e Suigetsu conversando sobre formar uma equipe fez algo se revirar no estômago de Sakura. Ela não pôde evitar se perguntar por que ele não ficou em Konoha – ela, Kakashi e Naruto teriam ficado felizes em ajudá-lo. Ou eles não eram bons o suficiente?
Seu peito se apertou dolorosamente, e Sakura afastou esse pensamento com raiva. Ela não ia passar por outra rodada de desilusão com Sasuke.
Ainda assim... isso não significava que não desejasse acertá-lo com muita força na cabeça.
"Por que tão quieta, princesa?" a voz de Suigetsu a tirou de seus pensamentos.
A resposta de Sakura foi honesta. "Se eu ficar em silêncio, talvez vocês dois se esqueçam de mim e eu consiga escapar na surdina."
"Esquecer de você?" Suigetsu ronronou. "Não acho possível..."
Um músculo no maxilar de Sasuke saltou, e Suigetsu decidiu abandonar o tom de flerte.
"Mas por que Karin?" Suigetsu perguntou, mudando sutilmente de assunto. "Ela é totalmente devota a Orochimaru, ela já bagunçou com o meu corpo com aquelas experiências antes, e sua atitude não é exatamente das melhores... se é pra termos uma garota conosco, a princesa aqui vai ter meu voto em qualquer dia."
"Você foi submetido a experiências?" Sakura perguntou suavemente, sentindo uma pontada de compaixão por ele em seu coração.
Suigetsu olhou de volta pra ela, e havia um estranho sorriso pairando em seus lábios. Ela teve a impressão que ele tentou parecer ousado, mas parecia mais triste do qualquer outra coisa.
"Você tem realmente um coração mole, não?"
Sasuke podia praticamente sentir o coração de Sakura se abrir para o homem ao seu lado e cortou o momento de interação entre os dois bruscamente ao falar, "É verdade que há muitos shinobis poderosos com os quais seria mais fácil lidar, mas eu preciso das habilidades únicas dela."
Sakura apertou a mandíbula e cerrou os punhos diante do repentino surto de ciúmes irracional. Quem se importa se Sasuke precisa dessa mulher? Sakura era sua prisioneira – por que deveria se importar com quem ele viajava e por quê?
Mas ainda assim doía. Ele precisava dessa mulher pra... seja lá qual for a razão... e ele nunca precisou dela. Ela não tinha idéia de por que Sasuke a havia arrastado com ele, mas tinha certeza de que não era porque precisava dela por perto.
"É melhor quebrar o coração de alguém do que não fazer nada com ele."
- Margaret Kennedy
Próximo capítulo: 9 -Cooperação
Entra em cena Karin, a "rival" da Sakura,... o que irá acontecer? Aguardem e verão! rs
Honestamente pessoal? Eu adoro essa fic inteira (principalmente o Haru no começo), mas minha parte favorita é a segunda (a partir do capítulo 14). Depois vocês vão entender por que...
Vou tentar postar as traduções o mais rápido possível, mas não se esqueçam de fazer a sua parte:Reviews!Reviews!Reviews!
bjs!
dai86
