Olá pessoal! Mais um capítulo incrível pra vocês.

Já vou adiantar que muito em breve os amigos da Sakura vão dar as caras por aqui. E é claro,... os vilões.

Só pra registrar... esse capítulo custou um Toblerone. (Já fechei um acordo com a Mari e ela vai traduzir os próximos dois por uma caixa de bombom... rs)

Então, talvez eu solte os capítulos 10 e 11 de uma vez, ou em dias consecutivos na semana que vem.

Aguardem. bjos!

dai86

Ah, ameeeeeeei as reviews :) amei, amei! Obrigada, pessoal!


"Nunca se desculpe por expressar um sentimento. Quando o faz, você se desculpa pela verdade."

- Benjamin Disraeli


Capítulo 9

Cooperação

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(mangá 348)

Eles alcançaram uma pequena ilha rochosa, e por um segundo, Sakura teve a certeza de que a base deveria estar escondida por algum tipo de genjutsu.

Então notou a abertura na pedra, e a escadaria que descia em direção à escuridão.

"Ótimo, mais fortalezas subterrâneas," ela murmurou.

"Não se preocupe, princesa – você pode segurar minha mão se ficar com medo," Suigetsu lhe lançou um sorriso sugestivo.

Sakura fez um gesto obsceno, mas ele apenas riu. Ele parecia rir diante de tudo o que ela fazia, como se estivesse ali especificamente para o propósito de entretê-lo.

Sasuke soltou um ruído que soou como uma bufada de desprezo e desceu casualmente pela escadaria. Suigetsu o seguiu.

Sakura piscou por um momento, surpresa, e mais do que um pouco esperançosa diante da idéia de que eles tivessem se esquecido dela (e qualquer pontada de mágoa pelo fato de ser tão facilmente ignorada por Sasuke foi logo deixada de lado). A médica olhou ao redor, então se virou e foi em direção à água, decidida a fugir.

Mas de repente Sasuke estava a sua frente, tendo se movido rápido demais pra que seus olhos acompanhassem.

"Pára com isso!" Sakura chiou assustada e irritada.

Sasuke simplesmente agarrou seu braço e a puxou de volta para a entrada, descendo as escadas.

"Tá bom, tá bom, já entendi – nada de fugir! Você pode me soltar agora."

"Aparentemente não, já que não posso confiar em você pra me seguir por conta própria," Sasuke disse tenso, como se as palavras lhe doessem de alguma maneira.

"Qual é o seu problema?" Sakura esbravejou, frustração ecoando dentro de si como um trovão. "Não, não precisa responder, eu não me importo – apenas me deixa ir!"

"Você tá tendo um trabalhão com ela," Suigetsu riu conforme o Uchiha passava por ele arrastando a mulher, enquanto esta continuava a protestar.

Havia celas nesta base – longas celas que ladeavam o corredor, reforçadas com grossas barras de aço – e Sakura se deteve sob a mão de Sasuke, se esquecendo de lutar contra o aperto em seu braço conforme encarava as pessoas presas nas celas.

"Eles estão bem?" ela exclamou, se contorcendo contra a mão que a arrastava para que pudesse continuar a observar aquelas pessoas por mais tempo. Ela podia ouvi-los falar entre si, dizendo que os rumores deviam ser verdadeiros – Sasuke havia derrotado Orochimaru e estava aqui para libertá-los.

Sakura estava a ponto de exigir que eles ajudassem essas pessoas quando Sasuke parou, soltando seu braço.

Havia uma mulher de pé diante do trio, aproximadamente da mesma idade que eles, com cabelos de um vermelho vívido, e usando óculos.

"Sasuke..." ela disse, enquanto seus olhos os estudavam. Podia ser a imaginação de Sakura, mas ela acreditou ter detectado uma pontada de ressentimento nos olhos da mulher quando eles se detiveram sobre ela. "Bem, se você está aqui sozinho, os rumores devem ser verdadeiros."

"Que insensível!" Suigetsu bufou. "E eu e a princesa aqui – o que nós somos? Invisíveis?"

"O que você está fazendo aqui?" a ruiva perguntou, ignorando Suigetsu.

Mas Suigetsu não foi dissuadido. "Sasuke quer falar com você. Mas, ei! Ao invés de conversar de pé aqui, por que você não nos leva pra uma sala ou algo do tipo? Já faz um tempo que não estico as pernas e tô moído."

A mulher – quem Sakura assumiu ser Karin, se Sasuke queria falar com ela – bufou pelo nariz e marchou pelo corredor, deliberadamente ignorando Suigetsu e Sakura.

Ela abriu uma pequena porta no final do corredor e eles entraram, ambos os homens se sentando num pequeno sofá no canto da sala. Sakura se dirigiu para o espaço ao lado de Suigetsu, mas Sasuke lhe agarrou o pulso e puxou, forçando ela a se sentar abruptamente ao seu lado.

"Ei!" ela gritou indignada. "Cuidado com o braço – eu juro que você vai acabar deslocando ele se continuar com esses agarrões e puxões."

"E quem é ela?" Karin perguntou ríspida, apontando para a médica de cabelos rosados.

Suigetsu deu um sorriso malicioso. "É a namoradinha do Sasuke."

Karin engasgou, e o homem-tubarão riu e se corrigiu. "Bem, ela é mais como se fosse escrava dele. Está vendo esse colar que a princesa está usando?"

Karin voltou seus olhos pra Sakura novamente, e acenou com a cabeça, aparentemente se dando conta de que Sakura era uma escrava. "Ela não parece particularmente forte, pouco útil pra trabalhos manuais... então, ela é uma prostituta?"

Sakura abriu a boca pra berrar uma negação, mas Sasuke se interpôs.

"Não," ele disse abruptamente, sua voz severa. "Sakura não é uma prostituta."

Sakura piscou, surpresa diante da fúria impassível nos olhos de Sasuke. Karin pareceu tão chocada quanto ela.

Mas Suigetsu não pareceu surpreso. "Um tanto rabugento, não?"

Sasuke o ignorou. "Karin, você vem conosco – Preciso de você."

Diante dessa declaração brusca, Sakura sentiu um nó na garganta, mas estava cansada de se deixar magoar por ele.

"O quê?" Karin gritou. "Por que eu preciso ir pra qualquer lugar? Eu fui deixada encarregada desse lugar!"

"Orochimaru se foi," Sasuke argumentou.

"O que vamos fazer com todos os prisioneiros?" a ruiva retrucou.

"Suigetsu, vá soltar os prisioneiros," Sasuke instruiu.

Sakura soltou um suspiro. Típico. 'Cretino autoritário e hipócrita!'

É claro, se isso libertasse aquelas pobres pessoas, ela não podia realmente reclamar.

"Não se atreva!" Karin chiou conforme o homem de cabelos branco se levantou do sofá.

"Não há mais razão para mantê-los aqui," Sasuke indicou. "O que você faria com eles?"

Lembrando-se das pessoas esfarrapadas e magras que havia visto nas celas, Sakura se levantou também. "Eu ajudo."

"O que foi que eu disse?" Suigetsu deu um sorriso torto. "Uma coração-mole mesmo."

"Não é uma coisa ruim," Sakura resmungou conforme o seguiu porta afora. Sasuke não havia feito nenhum movimento para impedi-la, então interpretou isso como uma permissão implícita.

"Eu não tenho obrigação de ir com você!" Karin retrucou conforme a porta se fechou atrás deles.

Sasuke a observou, analisando o quão sério ela falava. Uma parte de sua mente rastreava a assinatura de chakra de Sakura, monitorando ela pra se certificar de que estivesse ciente de qualquer tentativa de fuga.

Sasuke tinha real consciência da atração de Karin por ele – havia tido inúmeras experiências com isso em Konoha, e se tinha uma coisa que ele sabia sobre atração, era que se ele agisse com desinteresse, elas simplesmente tentavam ganhar sua atenção com mais afinco.

Então ele simplesmente exalou antes de falar, "Tudo bem. Se você está convicta, eu vou ter que encontrar outra pessoa."

Quase no tempo de uma piscada, Karin havia se apressado em direção à porta, trancando esta.

"Eu vou com você," ela ronronou, deixando seus óculos de lado conforme se aproximava devagar, se sentando ao lado dele e deliberadamente deslizando pra perto. "Se você realmente quer que eu vá... eu vou com você. Eu estou ficando entediada desse cargo glorificado de guarda de qualquer forma..."

Ela se aproximou mais, até que seus ombros se tocassem. "Vamos – não precisamos daqueles dois idiotas... pode ser só eu e você..."

"Não chega tão perto," Sasuke disse, se sentindo mais tenso. Ele não gostava quando as pessoas invadiam seu espaço pessoal. Ele nunca havia se importado quando Sakura o fazia... mas aquilo era diferente.

"Suigetsu!" veio o grito agudo de Sakura por detrás da porta, deixando Sasuke nervoso. Por um momento imaginou se precisaria reforçar sua ameaça de mutilação. "O que você -"

Mas então a porta foi feita em pedaços, fragmentos de madeira e pedra se espalhando pelo chão. Karin saltou pra longe de Sasuke como se ele tivesse se transformado numa poça de limo de repente.

Suigetsu estava de pé na porta, se apoiando em sua espada com um de seus braços exibindo músculos inchados. Sakura estava atrás dele com os braços cobrindo sua cabeça para se proteger da chuva de detritos.

"Seu idiota!" ela rosnou, sua mão cerrada atingindo ele nas costas. "E se você tivesse derrubado o teto inteiro em cima de nós?"

"Cuidado com esses punhos, princesa," o homem de cabelos branco se lamuriou, massageando sua lateral enquanto os músculos de seu braço lentamente voltavam ao tamanho normal. "Eu preciso de alguma dessas costelas que você está quebrando."

"Você vai viver," ela retrucou.

Mas Suigetsu notou os olhos de Sakura percorrendo ele, avaliando sua condição. Sakura podia tentar mostrar uma fachada diferente com insultos afiados e sarcasmo, mas no fundo ela era provavelmente a pessoa mais compassiva que já conheceu.

Então ele sorriu pra ela, deixando claro que ele estava apenas brincando, então se dirigiu a Sasuke. "Bem, vamos indo então – Karin claramente não quer vir."

"Na verdade, ela mudou de idéia," Sasuke lhes informou.

"E-eu nunca disse isso!" a ruiva protestou. "Eu... eu só estou indo na mesma direção."

'Claro que você está...' Sakura pensou, odiando o tom de ressentimento nesse pensamento. Mas ela tinha certeza de que havia um motivo pelo qual ela e Suigetsu haviam encontrado aquela porta trancada, obrigando ele a derrubá-la.

Suigetsu parecia ter a mesma opinião, pois havia um tom de ironia em sua voz quando ele comentou "Verdade? Bem, isso é conveniente, então. Acho que você vai ficar conosco por um tempinho, não?"

"Só por um tempo," Karin insistiu de forma defensiva.

"Escutou isso, princesa? Você vai ter uma colega." Suigetsu esticou o braço para dar um tapinha em seu ombro, mas recolheu a mão quando o chakra de Sasuke deu um pico repentino. "Relaxa – eu não estou tocando nela, viu?"

"Por que Sasuke se importaria em você tocar nela?" Karin perguntou irritada.

"Ele é do tipo ciumento," Suigetsu respondeu. "Não gosta de ninguém perturbando sua mulher."

"Eu não sou a mulher dele!" Sakura insistiu.

Sasuke não resistiu o pequeno sorriso que passou pelos seus lábios diante da petulância de Sakura. Karin parecia escandalizada, atônita que qualquer mulher negasse de forma tão veemente ser de Sasuke ao invés de expor pra todo o mundo.

É claro, Sakura não estava lhe dando atenção – estava pensando nas pessoas que ela e Suigetsu haviam libertado, carregando sua mensagem para o mundo exterior. Suigetsu havia lhes dito para espalhar que Sasuke realmente havia derrotado Orochimaru, e ela...

Ela havia dito que se vissem qualquer pessoa de Konoha, que lhes dissesse que Haruno Sakura estava ilesa, e que estaria fazendo o melhor pra voltar logo para os seus amigos.

Suigetsu havia rido disso. "Não conte com isso, princesa," ele disse. "Eu não sei o que você representa pra Sasuke, mas não acho que ele vá deixá-la ir tão cedo."

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(mangá 349)

"Então, vamos buscar Juugo agora, certo?" Suigetsu disse ao retornarem pra superfície novamente. "Isso quer dizer mais caminhadas?"

"Juugo?" Karin engasgou. "Você não vai incluir aquele cara na equipe, vai?"

Ela se voltou pra Sasuke, mas ele não estava lhe dando atenção. Karin se irritou ao se dar conta que os olhos dele estavam sobre a mulher de cabelos rosa, a qual observava o mar no momento.

De sua parte, Sakura estava estudando a possibilidade de uma fuga se ela simplesmente corresse. 'Sem chance,' ela decidiu. 'Sasuke estaria em cima de mim antes que eu pudesse sequer tirar os pés dessa pedra. '

"Você sabe que se for para o esconderijo no norte, vamos estar mortos no segundo em que entrarmos lá," Karin afirmou de forma brusca, tentando arrastar a atenção de Sasuke de volta para si.

"Eu só conheço pelos mapas," Suigetsu admitiu. "É realmente tão perigoso?"

"Aquele lugar era o principal local pra experiências humanas!" a ruiva retrucou. "Não é nada além de um ninho de monstruosidades."

"Monstruosidades que você e sua laia criaram," Sakura disse simplesmente.

Por um momento houve silêncio. Karin parecia não acreditar na audácia de Sakura.

"Lorde Orochimaru estava pavimentando um caminho para o poder com o qual você nunca poderia sonhar!"

Sakura respondeu com escárnio – ela não pôde evitar. "Tenho certeza. E se 'poder' significa retalhar pessoas como animais, então não quero ter nada a ver com isso!"

Os olhos de Suigetsu se voltaram pra Karin, esperando pela retaliação, sentindo como se assistisse a um duelo de esgrima.

"Qual o problema?" Karin ronronou com sarcasmo. "Não tem estômago pra isso?"

Um brilho passou pelos olhos de Sakura por um instante, mas sua voz era calma e controlada, dura como diamante. "Eu prescrevo tratamentos pelo bem dos meus pacientes, de acordo com minha habilidade e meu julgamento e nunca pra prejudicar ninguém. Eu jamais prescreveria uma droga mortal ou aconselharia de forma a causar mal pra agradar quem quer que fosse."

Karin piscou, aparentemente perdida, e Suigetsu riu, parecendo obter um divertimento maldoso de sua confusão.

"Acho que Orochimaru não exige que seus médicos se submetam ao Juramento de Hipócrates (*¹)," Sakura refletiu, um óbvio desprezo em seus olhos. "Por que não estou surpresa?"

O rosto de Karin se contorceu em fúria, mas um olhar de advertência de Sasuke oprimiu um ataque iminente, fazendo seu tom de voz ser baixo e controlado quando ela falou.

"Porque você está aqui afinal de contas?" ela perguntou. "Você não pode fazer nada com essa coleira. Bem, suponho que você possa abrir as pernas e –"

"Karin!" A voz de Sasuke cortou o ar como um chicote.

Sakura falou como se nenhum insulto lhe tivesse sido feito. "Se eu soubesse por que estou aqui eu lhe diria. Do jeito que as coisas estão –," ela apontou pra Sasuke, "– você vai ter que perguntar pra ele."

Karin se voltou para o Uchiha, mas um olhar em seu semblante fechado lhe disse que ele não diria nada sobre o assunto.

"Bem, acho que não tem jeito," Suigetsu resmungou, pisando na água entre resmungos e lamentações. "Vamos indo."

"Fique perto, Sakura," Sasuke ordenou.

Ela suspirou exasperada, mas o seguiu mesmo assim. Se não o fizesse, ele provavelmente a puxaria pelo braço de novo.

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Foi em um desfiladeiro que Suigetsu exigiu uma pausa pra descansar a seguir.

"Você é patético!" Karin rosnou. "Ainda temos um longo caminho até chegar à Base do Norte."

"Achei que você estivesse indo pra outro lugar." Suigetsu deu com os ombros, tomando um grande gole de sua garrafa d'água. "Então porque você simplesmente não segue seu caminho?"

"Eu... eu acabei lembrando que tenho assuntos pra resolver lá também," Karin retrucou.

O silêncio reinou por alguns momentos. Sakura havia se estirado sobre uma pedra morna, aproveitando a sensação do sol aquecendo sua pele lentamente.

"Suigetsu... por que você está viajando com Sasuke?" Karin perguntou eventualmente.

"Eu poderia te fazer a mesma pergunta," o homem de cabelos branco levantou os ombros. "Mas eu tenho meus próprios planos, e preciso da ajuda de Sasuke."

"Já que estamos falando de objetivos e razões," Sakura se levantou, se voltando pra Sasuke. "Porque diabos você me trouxe com você?"

Sasuke bufou pelo nariz . "Você é uma idiota se não sabe."

Fúria pulsou nos olhos de Sakura e sua mandíbula se contraiu com tanta força que parecia que seus dentes iriam quebrar. Ele a havia abduzido, arrastado por diferentes regiões enquanto agrupava um time que supostamente deveria ajudá-lo a matar Itachi (completamente ignorando o fato de que seus amigos em Konoha estavam perfeitamente dispostos a ajudá-lo!) e ele estava sugerindo que ela era a idiota por não saber o porquê?

Sua frustração ferveu como uma panela de pressão, exigindo uma válvula de escape, gritando por um canal de vazão...

Então Sakura atirou uma pedra nele.

Com certeza era infantil, e quase que definitivamente inútil, mas ela percebeu que se sentiu melhor – mais calma – tão logo a pedra voou de sua mão.

Ela não o acertou, é claro. Sasuke atravessou a distância entre eles antes mesmo que a pedra estivesse a meio caminho dele, permitindo que ela caísse de forma inofensiva no chão conforme ele agarrava os pulsos de Sakura e os torcia atrás dela, a forçando contra seu corpo, e efetivamente prendendo a médica, com ambos de pé.

'Isso parece estar virando um hábito entre nós,' ela refletiu. 'Contato físico sob extrema raiva. Apesar de ser provavelmente minha culpa – eu preciso aprender a suprimir meus impulsos melhor.'

Mas maldição, Sasuke a deixava furiosa o suficiente pra querer rasgar a pele de seu corpo pedaço por pedaço.

"Você não vai fazer isso novamente," o Uchiha disse severamente.

Karin estava boquiaberta, aparentemente incapaz de acreditar no que via. "Você viu aquilo? Ela acabou de atacar Sasuke! Como se não fosse nada!"

Suigetsu deu com os ombros, aparentemente despreocupado. "Tenho que admitir, princesa – você tem energia!"

Sasuke e Sakura os ignoraram, seus olhos travados num duelo silencioso.

"Eu vou te soltar," Sasuke disse, cuidadosamente pronunciando cada sílaba como se garantisse que não houvesse possibilidade de ela não compreendê-lo. "E você não vai tentar me atacar de novo."

Os lábios de Sakura se curvaram. "Tá... certo," ela zombou.

Os olhos de Sasuke se estreitaram, mas Sakura não deu atenção aos sinais de advertência e continuou avançando.

"Você sabe qual é o seu problema Sasuke? Você é tão egocêntrico quanto possível. É incapaz de conceber que qualquer caminho esteja certo a não ser o seu, e você nunca toma consciência das necessidades ou carências de outras pessoas porque não consegue enxergar além do próprio umbigo. Então aqui vai uma novidade pra você, cretino – o mundo não gira ao seu redor!"

Suigetsu se retraiu, desejando que Sakura fosse capaz de conter sua língua. Ele havia visto Sasuke enfiar lâminas no corpo de outras pessoas por falar daquela maneira com ele, e ele esperava que o que quer que Sasuke fizesse pra refrear a atitude da garota não a machucasse demais – ele estava começando a se apegar a ela.

Conforme as previsões de Suigetsu, a expressão de Sasuke se obscureceu e ele deu um puxão nos pulsos que mantinha cativos, a forçando ainda mais perto dele. Ele podia ver os punhos de Sasuke a apertarem até as juntas de suas mãos ficarem brancas... e então abruptamente o Uchiha relaxou os músculos, permitindo que Sakura se desvencilhasse dele.

E Suigetsu ficou olhando espantado. Ele havia visto homens e mulheres sangrarem por ofensas menos graves do que aquelas... mas Sakura havia escapado com pouco mais do que um olhar reprovador. E apesar de Sasuke nunca ter sido o tipo que gostasse de contato físico, ele parecia aproveitar cada oportunidade com relação à Sakura.

Suigetsu ainda não tinha idéia do que ela representava pra Sasuke... mas o que quer que fosse, era claramente importante.

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"O que você realmente sabe sobre Juugo quando você diz que o quer na equipe?" Karin eventualmente perguntou quando eles começaram a caminhar novamente.

Sakura havia se posicionado bem distante de Sasuke, ainda zangada com a alfinetada sobre o que era essencialmente sua abdução por ele. Mas ela ouvia a conversa, ansiosa em adquirir qualquer informação que pudesse ajudá-la a escapar.

"Sei pouco," Suigetsu admitiu. "Eu lutei com ele uma vez. Ele era bem forte, e tinha habilidades bem interessantes... mas não gostei dele – eu nunca conseguia dizer o que ele estava pensando."

Ele tomou um gole de sua água. "Ouvi dizer que ele está preso na base do norte voluntariamente, o que diz muito sobre quão louco ele é."

Karin revirou os olhos. "Sim, mas você sabe por que ele procurou Orochimaru?"

Suigetsu encolheu os ombros. "Talvez porque ele tenha problemas na cabeça?"

"Não – ele queria ser reabilitado."

Sakura piscou surpresa. Esse sujeito – Juugo – havia procurado Orochimaru pra ser curado de algo?

"Reabilitado?" Suigetsu repetiu.

Karin acenou com a cabeça. "Ele queria suprimir seus impulsos assassinos. Normalmente esses impulsos são praticamente não existentes nele, mas eventualmente, ele surta, esquece quem ele é, e se transforma num demônio insano assassino."

Sakura nunca havia conhecido esse Juugo, mas já sentia compaixão por ele.

"Isso era muito atraente pra Orochimaru," a ruiva continuou. "Ele usou o sangue de Juugo pra cultivar uma enzima que criaria a mesma condição no corpo de outros shinobi."

Ela permitiu um segundo pra que eles digerissem a informação. "Você sabe do que eu estou falando?"

Sakura acreditava que sabia, e suas suspeitas se confirmaram quando viu Sasuke dirigir os olhos para as marcas pretas em seu pescoço.

"O selo amaldiçoado," a médica murmurou.

A cabeça de Karin se voltou pra Sakura, parecendo irritada que a outra mulher deduzisse- aquilo. "Sim," ela disse simplesmente. "Juugo é a origem do selo amaldiçoado."

"Então, é uma enzima, hn?" Sakura refletiu, gravando aquilo na memória – se nada mais, poderia ajudar os médicos quando eles tratassem Anko. "Alguém já tentou terapia química?"

Karin virou a cara pra médica, deliberadamente ignorando ela. Mas Sakura refletiu ser aquela a reação normal da ruiva em relação a ela. Karin parecia entender que Sasuke não toleraria qualquer ataque deliberado a ela, então a outra mulher parecia satisfeita em fingir que Sakura não existia a maior parte do tempo, exceto pra atirar algum insulto mordaz quando a oportunidade surgia.

E francamente, Sakura não conseguia se importar com isso. Karin não era a primeira pessoa a não gostar dela sem uma razão aparente, e com certeza não seria a última. Havia aprendido há tempos que era melhor aceitar e seguir em frente ao invés de desperdiçar energia se preocupando em contrariar tais pessoas.

Além disso, quanto menos pensasse sobre Karin, menos precisaria lembrar que Sasuke havia dito que precisava dela.

"O que você quer dizer por terapia química?" Suigetsu perguntou.

"Químicas regulam praticamente todas as funções do corpo," Sakura explicou. "Há químicas que podem lhe dar força incrível e causar raiva – adrenalina, por exemplo – e também há químicas que podem acalmar você. Se o selo amaldiçoado é de fato de natureza enzimática, ele provavelmente pode ser combatido com outra química... qualquer experimento foi feito nessa direção?"

Karin soltou um som de desdém irritado, jogando o cabelo por cima do ombro.

"Ah, certo," Sakura acenou com a cabeça, um sorriso cínico em seu rosto. "Entendi. Juugo era uma fonte de poder – porque curá-lo?"

Ela balançou a cabeça, sentindo compaixão por esse homem que nunca conheceu. Se ele fosse a Konoha, eles teriam realmente tentado ajudá-lo, ao invés de explorá-lo.

Mas de fato, isso parecia ser típico de Oto. Eles compreendiam violência e poder... mas compaixão e auto-sacrifício estavam além deles. Orochimaru sabia como treinar pessoas para matar, mas ele nunca pôde realmente entender pelo o que as pessoas estavam dispostas a morrer.

E quanto mais ela conhecia desse mundo, mais temia que Sasuke tivesse ido longe demais nesse caminho pra ser salvo.

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(mangá 349 / 350)

"Ei, porque não descansamos um pouco?" Suigetsu disse, sentando-se no chão.

"Tudo o que você faz é descansar!" Karin rosnou. "Nós já estamos na base!"

Suigetsu balançou a mão com desdém.

"É a espada? A espada é pesada, não é? Apenas larga essa maldita coisa pra podermos continuar!"

"Pode ter mais a ver com o fato de que ele esteve preso numa jarra por sabe-se lá quanto tempo," Sakura resmungou.

"Ei," Sasuke disse, aparentemente tentando chamar a atenção deles.

Sakura dirigiu os olhos em sua direção... e viu um homem deitado com o rosto no chão em frente a eles, suas roupas esfarrapadas e manchadas de sangue.

Imediatamente seus instintos de médica assumiram. Ela correu em direção à figura caída, com os outros seguindo de perto. Tão logo alcançaram o homem, Sakura, Karin e Sasuke se ajoelharam junto ao corpo. A ruiva se moveu para virá-lo para cima, mas a mão de Sakura agarrou seu pulso antes que pudesse fazê-lo.

"Não o mova ainda – a coluna vertebral pode estar danificada!"

"E como você pode saber?" Karin retrucou, mas Sakura não a escutou.

Ela estava ocupada demais percorrendo a curvatura da coluna do homem com as mãos, deixando o chakra se infiltrar na pele, avaliando sua condição.

"Está tudo bem – sem danos à espinha," ela disse finalmente. "Nós podemos virá-lo"

Assim o fizeram, percebendo que o homem recobrava a consciência com o movimento.

"O que aconteceu?" Sasuke perguntou tão logo os olhos do estranho se abriram.

O homem tossiu, e Sakura pousou as mãos sobre seu peito, fechando os olhos conforme juntou qualquer chakra que pudesse e começou a curar os diversos ferimentos.

"Os prisioneiros..." o homem sussurrou. "Eles começaram uma rebelião..."

A garota de cabelos rosa colocou uma mão sobre seus lábios. "Pare de falar se você quer continuar vivo..."

Então ela fechou os olhos e se entregou ao processo de cura. Mas era difícil. A coleira ao redor de sua garganta significava que ela precisava preservar chakra como se fosse água em um deserto; ela não podia simplesmente curar cada ferimento no corpo, ela precisava procurar pelos piores – os mortais – e curar estes primeiro. Ela utilizou todo o chakra que pode nele... e quando se deu conta de que não era o suficiente, utilizou um pouco mais.

Ela sabia que o que estava fazendo era perigoso – a coleira significava que ela corria o risco de desmaiar antes do processo de cura estar completo. E ela não conhecia esse homem – ele fazia parte de Oto, e ela não devia nada a ele...

Ou assim o lado shinobi de Sakura lhe dizia. Mas a médica Sakura estava determinada a não permitir que qualquer pessoa morresse sob seus cuidados!

Então ela gastou cada partícula de energia que pôde para curar o corpo ferido sob suas mãos. Sua pele parecia estranhamente quente, mas ainda sim fria, seus membros eram como peso-morto enquanto ela exauria mais de suas energias.

Finalmente Sakura sentiu que havia chegado ao limite – ele ainda sofria, ela não havia sido capaz de curá-lo completamente – mas ele não iria morrer.

Ela abriu os olhos conforme começou a tombar pra frente, seus braços e pernas pareciam incapazes de sustentar seu peso como se fossem galhos finos. Mas a queda que terminaria com ela caída sobre o paciente foi abruptamente interrompida por um braço que envolveu seu tronco, um pouco abaixo de seu peito. Uma suave puxada e Sakura tombou pra trás contra o peito de Sasuke.

"Ele vai ficar inconsciente por um tempo," ela balbuciou, seus lábios e língua pareciam estranhamente dormentes. "Mas ele vai sobreviver."

Suigetsu assobiou conforme avaliou o homem. "Uau – você é boa. Eu tinha certeza de que o cara estava com o pé na cova e mesmo com a coleira você conseguiu consertar ele."

Sakura deu um sorriso cansado.

Sasuke olhou pra baixo em direção à médica, notando o leve brilho do suor sobre sua pele e o lento movimento cansado de seus olhos, e se deu conta de que Sakura estava em seu limite. Seu braço a apertou com mais força, a segurando com mais firmeza contra ele. Ele sentiu algo dentro do peito crescer quando ela repousou mais de seu peso contra ele, descansando a cabeça sem nenhum receio contra seu peito.

Quase sem se dar conta do que fazia, ele inclinou a cabeça até pousar sobre a dela, até sentir os macios fios de cabelo rosa contra sua bochecha.

Ele podia sentir a respiração dela contra sua pele.

Mas o momento foi interrompido quando ele detectou um alto nível de chakra vindo rápido na direção deles.

Ele se levantou rapidamente, grato que as pernas de Sakura houvessem se desdobrado com o movimento e que ela tentava suportar parte de seu próprio peso. Ela teria dificuldade em ficar de pé por conta própria, mas pelo menos não teria que ser carregada.

"Suigetsu, fique com ela," ele estalou.

"Ah, agora eu posso tocar nela, não é?" o outro homem resmungou, seus braços envolvendo os ombros de Sakura para ampará-la conforme Sasuke lhe entregava a garota.

"Sua pele é fria..." Sakura resmungou.

"É o que acontece quando se é feito de água, princesa."

Um míssil cinza escuro se chocou contra o solo em frente a eles, a rocha se quebrando sob a força. Sakura piscou, sua mente cansada se dando conta de que se tratava de uma pessoa – uma pessoa cuja a pele era cinza escuro, que tinha chifres saindo de sua cabeça, um rabo achatado serpenteando atrás dele e estranhos braços deformados.

"Que diabos é isso?" Suigetsu perguntou, ecoando os pensamentos de Sakura.

"Uma transformação de nível dois do selo amaldiçoado," Karin lhes informou.

"Hn." Sasuke sacou sua espada.

E a próxima coisa que Sakura percebeu foi o agressor caindo no chão com sangue manchando suas roupas. Às vezes ela se esquecia do quão insanamente rápido Sasuke podia ser.

Estranhamente, a coloração cinza escura da pele do homem pareceu regredir, sumindo como se sugada por um canudo, os aspectos de monstro desaparecendo na mesma medida. Agora ele parecia com um ser humano ordinário, sangrando sobre o chão de pedra.

Sakura tentou se desvencilhar de Suigetsu, automaticamente se dirigindo pra socorrer o homem, mas de repente Sasuke estava em sua frente com o braço ao redor de sua cintura pra ajudá-la a se apoiar sobre as pernas bambas.

"Eu evitei os pontos vitais," ele disse, soando irritado.

Ela acenou com a cabeça morosamente, cansada demais pra censurar a vontade de se apoiar contra ele. E exausta demais pra se perguntar por que instintivamente confiou nele pra tomar conta dela.

Ela odiava como seu corpo se recusava a obedecê-la, o modo como sua mente, normalmente ágil, parecia se arrastar... mas ela supunha que podia ser pior. Ela poderia ter simplesmente apagado completamente.

"A base do norte está logo em frente," Sasuke continuou. "Vamos logo."

"Sasuke, talvez devêssemos deixá-la aqui," Karin sugeriu. "Obviamente ela está fraca demais pra servir pra qualquer coisa e –"

"Não!" ele estalou. "Sakura fica comigo."

A ruiva retrocedeu, mas Sakura viu pelos seus lábios apertados e expressão tensa que ela estava menos do que satisfeita.

Eles se dirigiram lentamente pro esconderijo do norte, e Sakura sabia que o ritmo vagaroso era mais do que qualquer coisa uma concessão a ela. Ela se sentia tão instável sobre suas pernas quanto um veado recém nascido.

Ela podia sentir o braço de Sasuke ao redor dela apertando cada vez mais forte e cada vez mais tenso, e sabia que ele podia sentir algo que estava à frente, além de sua visão – um sentido do qual a coleira lhe privava. Ela comprovou sua suspeita quando eles deram a volta num dos diversos pilares de pedra a sua volta e se viram cara a cara com o que parecia ser um exército de monstros.

"Os guardas estão todos mortos," Karin exalou. "Uma completa fuga da prisão..."

Sakura teria se sentido intimidada se não estivesse tão exausta.

"Como vamos saber qual deles é o Juugo?" Suigetsu destacou.

"Karin, Juugo está entre eles?" Sasuke perguntou, seus olhos se voltando para a mulher ruiva ao seu lado.

"Um momento," ela disse, suas mãos formando selos enquanto seus olhos se fechavam. "Não... ele não está lá."

Apesar de tudo, Sakura estava impressionada. Ela nunca havia ouvido falar de qualquer um capaz de isolar um único chakra em meio a uma massa caótica como a que estava a frente deles. Era por isso que Sasuke a havia trazido com eles – ela podia detectar a localização de pessoas pelo seu chakra? Ele estava planejando localizar Itachi através dela?

"Então a gente pode liberar geral, certo?" Suigetsu sorriu ironicamente enquanto balançava sua enorme espada.

"Apenas evite os pontos vitais," Sasuke instruiu, passando o peso de Sakura pra Karin. "Karin, fique com ela."

A ruiva tomou o peso do corpo cambaleante da médica de mal grado, passando o braço de Sakura sobre seus ombros para mantê-la numa posição de pé.

"Obrigada," Sakura murmurou.

Karin a ignorou, ainda se esforçando pra fingir que Sakura não existia.

"Você realmente é de Konoha, não é?" Suigetsu riu de Sasuke. "Vocês têm um coração mole demais."

Tudo o que Sakura conseguiu pensar era que esse Sasuke que insistia em não matar prisioneiros parecia contraditório com o Sasuke que havia tentado matar Naruto.


'Bem, você sabe o que eles dizem sobre protestar demais...' ecoou uma suave voz de esperança do fundo de sua mente.

"Você pode fechar os olhos pras coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração pras coisas que não quer sentir."

- desconhecido


(*1) Juramento de Hipócrates –juramento solene feito pelos médicos na ocasião de sua formatura.


Romy: não consigo imaginar uma fic onde a Karin não seja um saco,... porque a personagem original em si é um saco! (opinião pessoal)

Até hoje só vi duas fics em que ela não era escrita como uma v*** (ambas em inglês), mas ela também não era muito importante na história...

Se você puder indicar uma fic diferente, já sabe... review!

Vem por aí...

Capítulo 10 - Compaixão

O grupo encontra Juugo, e Sakura imediatamente sente empatia pelo homem.

Enquanto Hebi se dirige para um esconderijo do clã Uchiha pra coletar suprimentos e descansar,Sasuke continua suas interações antagônicas com Sakura.

Enquanto isso, notícias de Sakura e Sasuke finalmente chegam em Konoha, mas elas fazem seus amigos refletir sobre o que realmente está acontecendo. As possibilidades parecem assustá-los.


Então galera? O que vocês acham de eu colocar uma sinopse do próximo capítulo no final de cada um deles? Vocês acham que estraga a surpresa?

Dêem sua opinião nas reviews, ok?

Muuuuuito obrigada pelos reviews. Adorei todos! ;P

Ah, como a gente tá traduzindo rápido, às vezes passam alguns erros (pronomes errados, nomes trocados, se vocês pescarem erros me avisem, ok?)

bjs 1000!

dai86