Oi pessoal, não sei se vocês repararam, mas a autora dessa fanfic seguiu os eventos do mangá até que fielmente (tirando as partes da Sakura, é claro). Usou até os mesmo diálogos do mangá original em inglês. Então, estou marcando o capítulo correspondente do mangá à cada cena escrita pela autora caso vocês queiram conferir. É sempre legal ter uma referência visual pra cena... vocês só vão ter que imaginar a Sakura lá tbem, rs.

Ah,... vou demorar uns dias ainda pra postar o capítulo 11 (depois da tradução ainda preciso revisar), então... paciência.

Alice C. Uchiha: sem querer estragar a surpresa, mas sinto que seus pedidos serão atendidos... :)

Boa leitura, pessoal! Não esqueçam dos reviews!

Sim! Reviews! Reviews! (sem preguicinha, hein? Se eu posso traduzir um capítulo de 5000 palavras, vocês podem deixa um review de algumas linhas, certo? :P )

bjs!

dai86


"Um bom coração é melhor que todas as cabeças no mundo."

- Edward Bulwer-Lytton


Capítulo 10

Compaixão

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(cena:mangá 350)

A batalha levou bem menos tempo do que Sakura esperava. Parecia mal haver se passado cinco minutos até que Sasuke e Suigetsu estivessem de pé em meio a uma massa de inimigos caídos, ambos sorrindo com escárnio enquanto guardavam suas espadas.

"Vou procurar pela chave!" Karin anunciou, empurrando Sakura em direção aos rapazes e se dirigindo à entrada aberta.

Sasuke apanhou Sakura conforme ela caiu contra ele, e não pôde evitar o riso diante do murmúrio mal humorado da garota. "Eu não sou uma maldita bola de vôlei pra ser jogada de um lado pro outro!"

"Achei!" veio o grito de Karin de dentro da base alguns momentos depois. Ela saiu balançando um molho de chaves de bronze, as quais Sakura assumiu terem sido pegas do corpo de um dos guardas.

Eles entraram no esconderijo, e a primeira impressão de Sakura foi a de um hospital. As pedras haviam sido precisamente cortadas, não eram como as pedras rústicas usadas para construir as paredes das outras bases onde esteve. E esta também tinha lâmpadas posicionadas no teto em intervalos regulares.

Eles chegaram a uma intersecção com outro corredor e nesse momento Sasuke se deteve. "Karin, você vai ter que nos guiar."

"Por que você está agindo de forma tão autoritária com a gente, Sasuke?" ela reclamou.

"Porque ele é um cretino com uma vara tão fundo no rabo que provavelmente pode sentir na garganta," Sakura resmungou.

Suigetsu se sacudiu com gargalhadas. "Ela realmente te entende, não Sasuke?"

Apoiada contra o peito de Sasuke, Sakura não podia ver seu rosto, mas estava disposta a apostar que ele tinha uma expressão de desgosto.

"Você não pode falar do Sasuke dessa maneira!" Karin berrou.

Sakura torceu o nariz, sem energias pra discutir.

"Deixa ela em paz," Sasuke ordenou com um toque de irritação autêntica na voz. "Pra que lado?"

"Aquela direção," Karin disse, apontando pro corredor da direita.

Suigetsu foi à frente, mas quando Sasuke começou a segui-lo, Karin bloqueou seu caminho com o braço.

"Essa direção," ela sussurrou indicando a direção do outro corredor. "Você pode deixar a garota aqui – ela vai ficar bem..."

Sakura se sentia como se seu cérebro fosse uma geléia, mas sabia o que Karin estava tentando fazer. Ela suspeitava (bem, ela sabia, a julgar por aquele olhar meloso) que Karin tinha uma queda por Sasuke, e estava tentando ficar a sós com ele.

Então Sakura levantou a voz o suficiente pra chamar a atenção do homem de cabelos branco que seguia na direção errada. "Suigetsu!"

Ele se virou, viu Karin tentado levar Sasuke (e Sakura, que estava em seus braços) na outra direção, e deu um desagradável sorriso irônico conforme retornava. "Acho que devia ter esperado algo assim de uma vadia como você."

Sakura não deu atenção à discussão – ela estava testando a força de suas pernas com cuidado conforme se distanciava lentamente de Sasuke. Ficou grata por sentir que podia se sustentar sozinha agora, mesmo duvidando que fosse capaz de se mover particularmente rápido tão cedo.

Se deu conta que Sasuke a observava com atenção, e voltou os olhos pra ele, pronta pra gritar que não estava em qualquer condição de fugir... mas as palavras morreram em sua garganta diante da expressão em seu rosto. Ele não a observava como um guarda vigiando um prisioneiro... ele a observava como se certificasse que ela estava estável sobre suas pernas, como se precisasse ter certeza de que ela estava se recuperando.

"Bem, vamos indo, ou o quê?" Suigetsu perguntou, seguindo em frente. E então, ao reparar que Sakura estava de pé por conta própria novamente, perguntou, "está se sentindo melhor, princesa?"

"Um pouco," Sakura admitiu, seguindo pelo corredor.

Quando Sasuke seguiu caminhando ao seu lado, como uma atenciosa e superprotetora mamãe ganso, Sakura disse pra si mesma que era apenas por que ele não queria vê-la atrasando o grupo.

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(cena:mangá 351,352)

"Então... essa é a cela do Juugo, huh?" Suigetsu disse, encarando a porta diante deles. "Um pouco de exagero, vocês não acham?"

A porta era de metal reforçado, com quatro trancas separadas e duas correntes atravessadas para mantê-la fechada.

"Alguém não queria ele saindo daí tão cedo," Sakura murmurou conforme Karin usava as chaves que havia pegado para abrir as travas uma por uma enquanto Sasuke removia as correntes.

"Eu entro primeiro," Sasuke lhes disse. "Sakura, fique atrás de Suigetsu."

Sakura revirou os olhos, mas obedeceu. Por mais que detestasse admitir, pura força de vontade era a única coisa que a mantinha de pé nesse momento, e em alguns momentos, discrição realmente era a melhor forma de coragem.

Sasuke abriu a porta.

"Você está morto!" veio uma voz de dentro.

Então um enorme homem loiro voou da cela rindo maniacamente e se chocou contra Sasuke, o atirando contra a parede atrás do grupo. Sakura apenas teve tempo de notar uma bola de ferro com uma corrente presa ao tornozelo do estranho homem e um de seus braços deformados antes que Suigetsu a puxasse contra seu peito, interpondo seu corpo entre ela e Juugo, a protegendo da chuva de escombros da parede destruída. Karin caiu de costas ao lado deles, a força do impulso de Juugo a fez voar como um copo de papel.

"Sasuke!" a ruiva gritou.

O coração de Sakura estava em sua garganta... até que a poeira baixou e ela viu algo protegendo Sasuke de Juugo – pareciam dedos gigantescos.

O estranho apêndice empurrou Juugo pra trás, e Sakura se deu conta que aquilo saía do ombro de Sasuke. Parecia uma mistura esquisita entre uma asa e uma mão gigante.

'Este deve ser o estágio seguinte do selo amaldiçoado do qual Naruto me falou,' pensou de forma vaga, sentindo uma certa repulsa. Seu conhecimento médico de anatomia e fisiologia gritava em sua cabeça que isso era simplesmente anormal!

"Eu não quero lutar," Sasuke disse. "Quero conversar com você."

"Eu não acho que ele esteja muito pra conversa," Sakura comentou.

"Ele não usou esse poder quando lutou comigo," Suigetsu refletiu, seus olhos fixos no bizarro homem desfigurado.

Um largo sorriso como de um tubarão surgiu no rosto dele conforme se afastava de Sakura. "Ei, Sasuke. Posso lutar com ele?"

"Não, Suigetsu," Sasuke disse. "Não viemos aqui pra lutar."

"Então, você é Suigetsu," Juugo rugiu. "Eu me lembro de você!"

Então ele avançou. Suigetsu levantou sua pesada espada e a girou contra Juugo, fazendo a lâmina se chocar com o braço estranhamente invulnerável deste. A espada resvalou o braço de Juugo e, puxando o corpo de Suigetsu com a força do giro, continuou sua trajetória circular.

Sakura ainda se sentia bem mole, mas pôde prever que a espada faria uma rotação completa a não ser que fosse bloqueada. E já que ela estava de pé atrás de Suigetsu, tal rotação a cortaria em duas partes na altura da cintura.

E qualquer pensamento lógico sumiu de seu cérebro conforme cada sinapse berrava que havia uma espada enorme e muito afiada vindo em sua direção, e que ela precisava sair do maldito caminho agora mesmo!

Sakura se jogou contra o chão de costas, segurando a respiração enquanto esperava a espada passar por cima dela... mas ela nunca veio.

Decidindo arriscar levantar a cabeça um pouco, a médica ficou espantada ao ver que duas enormes cobras haviam se enrolado ao redor de Juugo e Suigetsu, imobilizando ambos os homens. Ela piscou ao se dar conta que o corpo de uma das cobras dava várias voltas ao redor da espada de Suigetsu, a detendo a alguns palmos de onde ela estava de pé.

O Sharingan rodava nos olhos de Sasuke, e sua voz era fria e furiosa, uma aura deliberadamente maligna saturava o ar ao seu redor. "Vocês querem que eu mate vocês dois?"

Sem esperar por uma resposta, ele se inclinou em direção a Sakura e a ajudou a se levantar. "Você está machucada?"

Sua voz ainda era fria, mas Sakura se viu surpresa ao se dar conta que ele parecia genuinamente preocupado.

"Eu estou bem," ela o assegurou, impressionada em quão rápido a invocação havia sido executada. Ele deve ter tido apenas frações de segundos pra reagir...

As cobras regrediram, e Sakura chutou Suigetsu na canela pra disfarçar seu desconforto com a aura assassina que ainda irradiava de Sasuke. "Você podia ter me matado!"

Suigetsu pareceu um pouco envergonhado, mas percebeu que ele observava Sasuke com receio. "Desculpe por isso, princesa."

Karin também encarava o Uchiha, mas ela estava corando, com um olhar sonhador e distraído em seus olhos.

Não que Sakura pudesse condená-la. Sasuke autoritário, mesmo que extremamente irritante, também era extremamente atraente. E todo aquele lance do peito exposto...

'Não, não, não!' Ela se deu um tapa mental. 'Traidor, cretino, seqüestrador, se lembra? Você superou ele, você não sente mais nada por ele – ele não significa nada!'

E ainda assim, cada repetição desses sentimentos apenas os fazia soarem menos convincentes.

Juugo piscou, e o selo amaldiçoado regrediu, seu enorme braço votando ao tamanho normal conforme a tonalidade acinzentada deixava sua pele. Ele olhou assustado ao seu redor, parecendo confuso e desorientado, como se tivesse acabado de acordar. Uma espécie de compreensão horrorizada tomou seu rosto, e ele correu de volta pra dentro de sua cela com um grito, fechando a porta atrás de si.

"Tranque a porta!" ele gritou. "Tranque a porta, rápido!"

Sakura piscou, aturdida pela reviravolta repentina.

"Juugo, eu vim aqui pra te libertar," Sasuke disse através da porta. "Venha comigo."

"Eu não quero mais matar pessoas!" veio a resposta angustiada. "Não me faça ir lá fora... só me deixe sozinho, por favor!"

"É como se ele tivesse dupla personalidade," Sakura exalou, contendo a repentina sensação de lágrimas.

Juugo não podia se controlar... mas odiava tanto a idéia de matar que se escondia, com medo do mundo exterior...

"Orochimaru morreu," Sasuke disse de forma abrupta. "E esse lugar está desmoronando. Você vai cair junto com ele se continuar aqui."

"Ótimo. Isso significa que não irei matar mais ninguém!"

E foi nesse momento que Sakura se decidiu. Ela não queria ajudar Sasuke seguir por um caminho que o levaria pra mais longe de Konoha, mas não podia dar as costas pra alguém que estava obviamente sofrendo.

Ela passou pelos outros e abriu abruptamente a porta sem cerimônia.

"Que diabos você está fazendo?" Suigetsu gritou.

Karin arregalou os olhos. "Você é louca?"

Sasuke esticou o braço, agarrando seu ombro, mas ela se esquivou e saiu de seu alcance rapidamente.

Conforme ela entrou na cela, Juugo arrastou-se pra trás, se pressionando contra a parede oposta. "Fica longe de mim!"

Sakura ignorou o ataque e esticou a mão como se estivessem sendo apresentados em uma festa. "Oi, eu sei que você é o Juugo, e eu sou Haruno Sakura. Prazer em conhecê-lo."

O homem loiro a encarou completamente confuso. Sakura podia ouvir Karin engasgando incoerentemente atrás de si, e um comentário de Suigetsu alcançou seus ouvidos.

"Ela ficou completamente gagá!"

Após aguardar um longo momento, Sakura esticou a mão e pegou o pulso de Juugo, guiando sua mão à dela e a balançando com firmeza.

Juugo a observava como se nunca tivesse visto um outro ser humano antes. Mas Sakura podia compreender sua surpresa – tinha a impressão de que era provavelmente a primeira pessoa em um muito tempo a não tratá-lo como uma mercadoria valiosa ou um lunático perigoso.

Ela se sentou ao seu lado, sorrindo como se eles fossem velhos amigos. "Você é uma boa pessoa, não é?"

Juugo piscou enquanto a observava, e não havia nada além de puro silêncio vindo dos outros. Sakura supôs que seu comentário podia parecer um argumento sem sentido.

"Quer dizer, você está tão desesperado em não ferir ninguém que está disposto a passar o resto de sua vida trancado como uma espécie de criminoso," ela esclareceu.

"É assim que tem que ser," ele insistiu. "Você não devia... apenas vá embora antes que eu tente te machucar!"

"Homens piores e mais assustadores do que você já tentaram."

"Vai!" ele gritou, uma mão balançando em sua direção como que para empurrá-la pra longe.

Sakura ignorou o gesto. "E você vai continuar em isolamento porque morre de medo de alguém chegar perto o suficiente pra se machucar. Sabe... você me lembra um pouco um amigo meu."

Sakura sentiu um leve receio de que estivesse tão desesperada pela companhia de seu amigo e companheiro de equipe que visse aspectos de Naruto em todo lugar que olhasse; mas continuou assim mesmo. "Ele também tem... impulsos de raiva às vezes, mas ele não deixa que isso controle sua vida. Ele é um dos meus amigos mais queridos apesar disso, e eu imaginei que poderia me tornar sua amiga também."

"Minha... amiga?" Juugo disse devagar.

"É. Ele pode ser um cretino insensível, mas se Sasuke quer te libertar... porque não arriscar?"

"S-Sasuke?" Juugo repetiu, parecendo surpreso. "Ele é Uchiha Sasuke?"

Sakura acenou com a cabeça, se dando conta que isso realmente tinha um significado importante para ele.

"Ele... Kimimaro morreu por você," o homem loiro disse, seus olhos fixos no homem de cabelos negros, de pé na entrada de sua cela.

Sakura escutou vagamente Karin explicar que Kimimaro fora amigo de Juugo – capaz de interromper os acessos de raiva dele – mas sua atenção estava fixa na expressão de Juugo. Era uma estranha mistura de saudade, recordação e um tipo de esperança hesitante.

Algo lhe disse que ele estava tateando pelas beiradas de uma decisão – tudo o que precisava era um pequeno empurrão para fazê-lo aceitar.

Então Sakura se levantou novamente (ignorando a leve tontura que a balançou) e estendeu sua mão para ele como uma criança ajudando um amigo a se levantar depois de uma queda. Quando ele apenas observou sua mão estendida, ela balançou os dedos convidativamente, tentando convencê-lo a pegá-la.

Apesar de seu largo sorriso, ela não tinha realmente certeza do que ele faria. Assim, foi uma surpresa quando Juugo pegou sua mão, e após Sakura dar um leve puxão, se ergueu sobre seus pés.

Nesse momento ela soube que Juugo seguiria Sasuke, e uma parte de si estava grata – ainda que fosse agradável conversar com Suigetsu, ela não conseguia esquecer o quão sanguinário ele realmente era.

Mas parecia que Juugo era qualquer coisa senão violento... sob circunstâncias normais.

A mão dele nas dela era tímida e hesitante, como se ele não pudesse acreditar que isso realmente estava acontecendo, e Sakura se perguntou há quanto tempo ele não tinha um simples contato humano.

"Então," ela começou, incapaz de evitar sorrir de lado para os outros, os quais pareciam pasmos em diferentes graus. Karin era a mais afetada, enquanto Sasuke mal levantou uma sobrancelha. "Podemos voltar pra superfície agora? Eu quero um pouco de luz e ar fresco – estou farta desses túneis subterrâneos."

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(cena:mangá 352)

Sasuke fez o melhor pra ignorar o modo como Karin praticamente respirava em seu pescoço no caminho de volta pra superfície. Estava mais preocupado com Sakura – que ainda parecia um pouco instável – andando no meio de Suigetsu e Juugo, aparentemente em meio a um agradável bate papo.

Ele se deu conta que ela havia efetivamente parado de conversar com ele desde que haviam deixado Oto... e desde que a havia forçado a vir com ele. Mas ela não podia ver porque ele fazia isso?

Aparentemente não, ou do modo contrário não estaria tão furiosa com ele.

Ele considerou abrir o jogo e lhe dizer por que a havia trazido... mas de alguma maneira não conseguia fazê-lo.

Sakura, por sua parte, havia perguntado a Suigetsu porque ele se interpôs a sua frente quando Juugo saltou da cela e jogou Sasuke contra a parede. Ele não havia lhe parecido com o tipo compassivo.

"Eu detestaria ver esse rostinho bonito todo amassado," ele riu. "E não estou curioso em saber o que Sasuke faria se eu deixasse você se machucar."

"Não acho que ele ia se incomodar muito," ela protestou.

Suigetsu soltou um riso leve. "Continue dizendo isso pra si mesma, princesa."

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Sakura suspirou, chutando uma pedra distraidamente enquanto caminhava atrás de Sasuke, pensando sobre o que acabara de ouvir.

Ele explicou para os outros que ele havia formado essa equipe com o objetivo de matar Itachi (como se Sakura não tivesse visto isso vindo a uma milha de distância), enquanto os outros concordavam em acompanhá-lo por razões diversas. Aparentemente, Suigetsu estava atrás da espada de Kisame – algumas pessoas colecionavam selos, e Suigetsu colecionava espadas.

Karin murmurou algo sobre estar de carona, mas Sakura suspeitava que era sua queda por Sasuke que a manteve com eles, e Juugo disse que queria determinar se Sasuke era realmente digno do sacrifício de Kimimaro.

Sakura achou a razão dele um tanto amável, se não morbidamente bizarra.

Sasuke batizou a equipe de Hebi e anunciou que eles sairiam em busca de Itachi. Sakura não fazia idéia de como eles o fariam, mas Sasuke provavelmente tinha algum tipo de plano.

"Uma equipe de quatro pessoas é mais eficiente," ela ouviu Karin murmurar pra Sasuke. "Por que você está trazendo ela com a gente? A não ser que ela realmente seja um prost-"

"Já chega, Karin," Sasuke disse seriamente.

A ruiva retrocedeu, mas Sakura ainda estava extremamente irritada.

"Qual é a cisma dela comigo ser promíscua?" ela perguntou pra Suigetsu.

Ele encolheu os ombros. "Ela simplesmente não gosta de você."

"Eu já me toquei disso na verdade. O que eu estou imaginando é o porquê."

"Ela te vê como uma ameaça aos avanços dela sobre Sasuke," Juugo disse de forma calma.

Sakura piscou, e então riu. "Posso lhes assegurar: com relação aos afetos de Sasuke... eu não sou ameaça. Nunca tive nenhuma influência sobre ele pra começo de conversa."

"Se você diz..." Suigetsu murmurou com ironia.

"A propósito – aonde estamos indo?" Sakura disse mais alto pra ser ouvida pelos dois que caminhavam um pouco mais a frente deles.

Sasuke olhou de volta pra ela. "Pra um lugar onde você pode conseguir novas roupas."

"Sério?" Era quase cômico ver o modo como ela se animou, como uma criança a quem se prometia um sorvete.

"Sério," ele confirmou calmamente.

Ele sabia aonde iria levá-los. Sua família tinha um depósito de armas próximo... eles poderiam se abastecer de suprimentos e também serviria de abrigo pra esta noite.

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"Você é o mais presunçoso, arrogante, cego filho da mãe que eu já conheci!"

Suigetsu riu discretamente. Honestamente, as interações entre Sasuke e Sakura eram como uma montanha-russa – pra cima e feliz num momento, pra baixo e antagonista no próximo. Mesmo que Sakura tivesse ficado praticamente extática diante do prospecto de se livrar da vestimenta rudimentar marrom que vestia, eventualmente ressurgiu o assunto de seu retorno pra Konoha.

Mais uma vez Sasuke se recusou a deixá-la ir. Mais uma vez Sakura retaliou com a única arma a sua disposição – palavras.

Karin murmurou algo ininteligível de mau humor, e apesar de Suigetsu não ouvir claramente suas palavras, tinha certeza ser algo do tipo 'como ela se atreve a tratar Sasuke dessa forma. '

"Bem... Acho que agora você vai ter que desistir do Sasuke," ele comentou enquanto observava Sakura lançar todo o tipo profanidades sobre Sasuke, desde seu mais antigo ancestral até o último de seus descendentes.

"E por que você diz isso?" Karin praticamente rosnou.

"É óbvio que ele tem uma queda pela princesa."

Karin bufou pelo nariz. "Ah, por favor, ele apenas está tolerando ela."

"É, bem, obviamente ele 'tolera' ela muito mais do que tolera a gente. Se qualquer um de nós usasse qualquer desses insultos, ele nos faria sofrer as conseqüências de forma bem dolorosa. Mas ele não fez nada do tipo com ela. Ele deixa ela se safar com coisas que não suportaria de mais ninguém. Quer dizer, você usaria algumas das frases que a princesa está usando... contra Sasuke?"

"Dificilmente... eu tenho um pouco mais de classe do que aquilo!"

"E também porque você sabe que ele provavelmente vai deixar claro porque não é uma boa idéia insultar ele ou a sua família. Já vi pessoas sangrarem por coisas menos ofensivas do que essas que a princesa lhe diz, mas ainda estou pra ver ele sequer lhe dar um tapa."

Então ele se virou para observar o assunto da conversa. A discussão entre eles parecia ter perdido ânimo – Sakura parecia cansada e oprimida enquanto os olhos de Sasuke pareciam mais impassíveis do que o normal.

"Sabe de uma coisa?" a médica disse com calma. "Quando isso tudo acabar... você vai estar sozinho, e não vai poder culpar ninguém além de si mesmo."

"Isso não me incomoda." Mas mesma dizendo isso, Sasuke sabia ser mentira. Solidão fora uma necessidade durante esses anos... mas não era como se gostasse dela.

Algo sobre estar total e completamente sozinho o lembrava demais de casas vazias e ruas cobertas de sangue.

"Não minta," Sakura sussurrou. "Isso te assusta como nada mais, não é? É por isso que você reuniu essas pessoas – não por suas habilidades ou ajuda, mas pra que você não estivesse sozinho."

E apesar de não dizer nada por ser apenas uma leve suspeita em sua cabeça, Sakura se perguntou por que Hebi parecia lembrá-la do antigo time sete de diversas maneiras.

De sua parte, Sasuke estava imaginando como Sakura entrou em sua cabeça tão facilmente. Ela estava executando algum tipo de jutsu pra ler sua mente sem que ele soubesse?

Mas ainda... Sakura sempre pareceu entendê-lo um pouco demais pro seu gosto. Afinal de contas, foi ela quem esperou por ele na noite em que deixou Konoha. Ninguém mais suspeitou o que ele faria – nem mesmo Kakashi, que tinha conversado com ele algumas horas antes -, então como ela poderia?

Ele ignorou esse pensamento, dizendo pra si mesmo que ela provavelmente teve um mau pressentimento ou algo do tipo.

Porque a alternativa de que ela realmente o compreendia tão profundamente o assustava um pouco.

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"Sakura ainda está viva."

Um silêncio surpreso seguiu a proclamação de Tsunade, antes de Naruto gritar, "Eu sabia! Eu sabia! Eu tinha certeza que ela estava viva!"

Sai e Kakashi piscaram, um deles inepto demais em demonstrar sentimentos, e o outro habituado demais em escondê-los.

"Infelizmente nossos informantes disseram que ela está com Sasuke –"

"Sério?" Naruto interrompeu, irradiando alegria. "Então o bastardo está voltando?"

Kakashi não disse nada, mas havia uma certa frieza em seu olhar que fez Tsunade crer que ele sabia o que ela estava prestes a dizer.

"Ela disse 'infelizmente'" Sai indicou. "Então isso não deveria significar que não são boas notícias?"

"Apesar de nossa inteligência indicar que Orochimaru está morto, Sasuke não demonstrou qualquer intenção de voltar pra Konoha," Tsunade continuou. "Ele está caçando Akatsuki num esforço pra localizar Itachi... e Sakura está acompanhando ele contra a vontade."

O choque de Naruto era tão palpável que a Hokage podia praticamente sentir no ar da sala.

"Então... ele a seqüestrou." A voz de Kakashi soou perfeitamente nivelada e controlada.

"Essencialmente, sim," Tsunade suspirou. "Os relatos variam, mas é óbvio que Sakura foi capturada por Oto no caminho de volta de sua missão, e parece que ela foi entregue a Sasuke pra... propósitos bem específicos. Aparentemente Orochimaru queria uma criança de ambos Sasuke e Sakura pra servir como seu próximo corpo."

Suas palavras caíram com o peso de uma dúzia de bigornas.

"O traidor violentou a feiosa?" O rosto de Sai estava inexpressivo como sempre, mas havia algo não identificável em seus olhos.

"Nada foi confirmado," Tsunade respondeu simplesmente.

O pouco que podia ver da pele de Kakashi acima de sua máscara estava cinza, como se ele estivesse prestes a ficar extremamente enjoado.

"Não... de jeito nenhum!" Naruto rugiu. "Ele não iria..."

"Vocês três vão estar entre o grupo de shinobi que vou enviar pra libertá-la," a Hokage continuou. "Não vai ser a equipe usual de quatro integrantes, principalmente por que estou antecipando vários problemas nessa missão. Seu primeiro objetivo é localizar Sasuke, e eu recomendo que vocês comecem tentando localizar Itachi. E quando o encontrarem..."

Ela ficou reticente, mas pôde ver que eles haviam entendido. Sua prioridade era libertar Sakura; todo o mais – incluindo a missão auto-proclamada de Naruto de arrastar Sasuke de volta pra Konoha – ficava em segundo plano.


"A melhor terapia de cura é amizade e amor."

- Hubert Humprey


Em breve: capítulo 11 - Limitação

Hebi visita um esconderijo do clã Uchiha pra conseguir suprimentos e passar a noite.

Sakura perde a paciência com Karin e demonstra porque não é uma boa idéia provocá-la.

Sasuke contempla o mistério que é Sakura pra ele.

(...resuminho, só pra dar um gostinho)

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Para os ansiosos de plantão recomendo a leitura de outra fic que traduzi, se chama três beijos e é curtinha (SasuSaku, oneshot, AU).

Pra quem sabe inglês recomendo Little Piece of Heaven (id: 2781500).

É uma fanfic muito boa de SasuSaku - quase tão boa quanto Ripples, mas com menos aventura e mais interações entre o casal. Queria traduzir essa também, mas a autora demora meses e meses pra atualizar, e eu tenho medo de começar uma tradução sem saber se a ff vai ser abandonada...

Bom, por enquanto divirtam-se com Ripples (e deixem reviews!)

bjs pessoal!

dai86