Mais um capítulo pago com chocolate! (Sério, com a Páscoa chegando a Mari vai entrar em coma de cacau, rs)

Dai-chan: calma mulher! Tô sentindo uma aura de violência emanando de você. Também não curto a Karin, mas ela tá aí pra deixar a Saku bem na fita... (mas te entendo totalmente, rs.)

J. Romy: valeu pelo toque. Já corrigi!

Kari Maehara: Eu amo KakaSaku - é meu casal favorito! Depois ItaSaku e NejiSaku; já li até GaaSaku, ShikaSaku e DeiSaku boas. Posso dizer que li a maioria das fics da Saku com mais de 1000 reviews, e os melhores são sempre com o Kakashi ou o Itachi. O problema é que elas também são ENORMES! Por exemplo, House of Crows é uma fic magnífica, uma obra de arte; se fosse um livro publicado eu comprava na hora. Mas tem 46 capítulos e 425 mil palavras (quase meio milhão!), sem contar que o enredo e a narrativa são mais complexos e densos - é mais difícil e demorado pra traduzir, e por isso mesmo é tão bom. Escolhi Ripples porque gosto dessa fic, ela é divertida e gostosa de ler, mas também porque é fácil de traduzir; o enredo e a narrativa são mais simples. Se um dia eu tomar coragem eu traduzo essa KakaSaku.

E aí pessoal? Vocês curtem KakaSaku ou ItaSaku?

Muito obrigada por todos os reviews. Eles alegram meu dia. Quem quiser deixar dois reviews, só vai duplicar minha alegria, rs.

Valeu galera. Aproveitem esse capítulo.

dai86


"Nunca confunda conhecimento com sabedoria. Um te ajuda a sobreviver; o outro te ajuda a viver."

- Sandra Carey


Capítulo 11

Limitação

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(cena: mangá 354)

"E o que nós temos aqui?" Sakura murmurou. "Mais bases subterrâneas?"

"Você não gosta do subsolo?" Juugo perguntou com gentileza.

Não pela primeira vez Sakura imaginou como um homem tão gentil podia ser amaldiçoado com surtos tão violentos e selvagens.

"Eu apenas não gosto de qualquer coisa sem janelas," Sakura admitiu. "Qualquer lugar onde eu não possa ver a luz do sol ou sentir o vento... apenas me deixa desconfortável."

Juugo franziu a testa. "Você já esteve aprisionada no subsolo? É por isso que você fica inquieta? Você se sente presa?"

Sakura deu com os ombros. "Não é tão fácil de explicar – eu sempre fui assim. É só uma das minhas manias, eu acho."

Se bem que ela se sentiria melhor com tudo isso se tivesse todo o seu chakra de volta e pudesse abrir uma janela com um soco quando quisesse. Mas a coleira assegurava que esta não era uma opção viável.

"Sinto muito," ele disse compassivo.

Sakura lhe deu um sorriso, "não é sua culpa."

Ele sorriu de volta, meio tímido, como se não lembrasse ao certo como amizade funcionava.

Nesse momento eles atravessavam os corredores do que Sasuke informou ser um estoque de armas mantido e controlado por sua família. Estava escondido no meio de uma cidade em ruínas.

"Todos esses túneis parecem iguais," Suigetsu reclamou.

"Claro, porque os túneis nas bases do Orochimaru eram tão únicos e distintos," Sakura resmungou.

"Ei, nos dê licença," veio uma voz nova de trás deles.

Todos se viraram.

A primeira vista Sakura achou que seus ouvidos estavam lhe pregando uma peça – o corredor atrás deles estava vazio. Mas então olhou pra baixo... e se deu conta de que haviam dois gatos sentados no corredor, suas testas marcadas com kanji(*¹), vestidos com roupas que os distinguiam como animais de invocações ninja. Um deles tinha aparência de um siamês, enquanto o outro era malhado.

"Tenka, Hina," Sasuke disse casualmente. "Como tem passado?"

"Olha, se não é o Sasuke," o siamês ronronou.

"Meew, o que veio fazer aqui?" o outro perguntou.

"Armas, remédios," Sasuke explicou. "Alguns suprimentos... e precisamos de um lugar pra ficar essa noite."

Suigetsu havia se inclinado, aparentemente fascinado com os animais que falavam.

"Aqui, gatinho, gatinho," ele chamou, gesticulando como se estivesse tentando brincar com um bicho de estimação.

Sakura revirou os olhos. Se havia uma coisa que as interações com suas lesmas e com os cachorros de Kakashi haviam lhe ensinado era que esses animais invocados eram tão inteligentes quanto qualquer humano... e não apreciavam ser tratados como animais comuns.

Sua avaliação se provou certa quando os gatos se eriçaram e rosnaram.

"São gatos ninja," Sasuke disse, "não animais de estimação. Não mexa com eles a não ser que queira acabar como poste de arranhar."

"Nós podemos farejar os tipos ruins," o malhado se vangloriou, empinando o nariz pra Suigetsu.

"Eles falam e discriminam," ele murmurou com mal humor.

"Eles são tão inteligentes quanto eu ou você," Sakura disse, então bufou com um sorriso sarcástico, "bem, tanto quanto eu pelo menos..."

"Ai, essa doeu princesa!"

Sakura sentiu algo roçar sua perna e quase pulou. Olhando pra baixo, se deu conta que o siamês encostava o nariz em sua batata, seu bigode fazendo cócegas nela.

"Ei," ela murmurou. Ainda que uma parte dela quisesse acariciar as orelhas do bichinho da mesma forma que faria se qualquer gato se aproximasse dela, se conteve. Etiqueta ninja estabelecia que você jamais tocava animais invocados a não ser que tivesse permissão.

O gato a observou com um penetrante olhar felino por um momento. Já quando Sakura se perguntava se havia cometido alguma espécie de gafe felina, os lábios do gato se curvaram no que provavelmente deveria ser um sorriso.

"Gosto de você," o gato declarou, se esfregando contra suas pernas. "Você pode me acariciar se quiser," o animal anunciou (ela não tinha certeza se tratar de um macho ou fêmea), como se estivesse cedendo um privilégio muito exclusivo.

Sakura conteve o riso conforme se inclinou para fazer o que lhe foi sugerido. Inteligentes ou não, gatos ainda eram gatos – arrogantes e bem condescendentes.

Percebeu vagamente Sasuke negociando com o malhado com uma garrafa de erva de gato (*²) (o que quase lhe fez rir), mas se concentrou em coçar as orelhas do siamês até que ronronasse como um motorzinho. Ela sempre gostou muito de animais – havia algo sobre eles...

Se deu conta de que estava sendo observada e olhou pra cima, notando que quase todos no corredor a observavam. Karin deliberadamente a ignorava (como de costume), Suigetsu parecia irritado por ter sido esnobado por um gato, Juugo assistia sua interação com o gato com um olhar de estima, e Sasuke...

Ela não pôde identificar aquela expressão em seu rosto, tudo o que sabia era que fazia correr um calor por seu corpo.

O siamês se afastou dela, fazendo Sakura olhar pra baixo, quebrando o momento.

"Vamos," o gato miou, guiando o grupo com sua calda levantada. "Vamos ver a gata anciã."

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Sakura nunca tinha visto tantos gatos numa mesma sala antes – apesar destes parecerem ser do tipo comum doméstico, não havendo gatos ninja além dos dois que os guiaram até aqui.

A maioria deles se amontoava ao redor da velha senhora de cabelos brancos sentada num tapete circular no meio da sala. Aparentemente ela era a gata anciã, e examinava todos do grupo com um olho crítico enquanto uma mulher mais jovem – sua neta, pelo que parecia – se esforçava para ajudá-los a encontrar o que precisavam.

Neste momento ela estava remexendo num baú de roupas procurando por uma camisa que coubesse em Juugo. Sakura não acreditava que ela teria sucesso nisso – eles tiveram sorte de encontrar calças e botas que ele pudesse usar, mas duvidava que encontrassem uma camisa grande o suficiente também.

O gato que Sakura acariciava esfregou a cabeça contra seus dedos, lembrando que ela estava negligenciando a tarefa enquanto absorta em seus pensamentos. A médica deu um leve sorriso e continuou a acariciar a base das orelhas do felino até que ele começasse a ronronar novamente.

Suigetsu estava agachado ao seu lado, aparentemente contente com o fato de gatos normais não discriminarem da mesma forma que os gatos ninja.

"Eles não são nada maus, hein?" disse afagando as costas de um gato calico. "Falo dos gatos."

"Eles são legais," Sakura disse enquanto encostava atrás de si para dar espaço para os gatos que pediam por sua atenção. Era como se eles tivessem um sexto sentido lhes dizendo que ela era uma boba por qualquer coisa peluda e vagamente fofa.

"Você está fazendo amigos," Suigetsu comentou.

Pelo canto do olho Sakura viu Sasuke se ajoelhar em frente a velha mulher enquanto lhe agradecia. Ela se virou para dar total atenção à cena, surpresa pela demonstração de humildade de Sasuke.

"Presumo que você vai atrás de Itachi?" a velha mulher disse em voz baixa.

Sasuke não disse nada, pegando uma pequena trouxa de suprimentos.

"E pensar que chegou nisso..." ela continuou, balançando a cabeça.

"Eu me decidi há muito tempo atrás. Mas eu te agradeço por tudo o que fez por mim," Sasuke disse com um tom de finalidade que encerrou a conversa conforme depositava várias notas de dinheiro em frente à anciã.

"Ei vó! Nós não temos nada que caiba nesse cara!" a moça gritou ao mesmo tempo em que tirava a última camisa do baú.

"Isso não é uma loja de departamento. Apenas enrole aquela cortina nele," sua avó gritou de volta.

Enquanto a garota protestava que eles haviam pago por roupas, Juugo aceitou a sugestão, arrancando uma das cortinas e enrolando ao redor de seu corpo.

"Fica bem em você," Sakura disse com um sorriso maroto.

A velha examinou a médica com uma estranha luz no olhar enquanto a garota de cabelo rosado pegou o gato que puxava sua vestimenta, aconchegando ele no colo como se fosse um bebê. O bichano esfregou sua cabeça sob o queixo dela e ronronou com ânimo.

"Ela é um tipo bom," a mulher eventualmente declarou, reclinando-se contente.

Sasuke imaginou por que parecia que havia acabado de receber permissão expressa para cortejar Sakura.

"Agora precisamos achar algumas roupas pra você," a jovem moça disse pra Sakura enquanto esta gentilmente colocava o gato de volta no chão em meio à massa de gatos miando ao redor de seus pés.

"Isto deve caber em você," ela disse lhe atirando uma camisa e calças escuras.

A médica as levantou, notando que a gola alta cobriria a base de seu pescoço, efetivamente escondendo a coleira. Ela se perguntou se fora uma escolha pensada.

"Elas parecem ótimas e tudo," ela disse devagar. "Mas tem só uma coisa..."

Ela virou a camisa pra expor a parte de trás, apontando pro pequeno símbolo do clã Uchiha ali. "Eu não sou uma Uchiha."

A mulher encolheu os ombros. "É tudo o que temos."

Sakura examinou as roupas e deu uma pequena bufada pelo nariz.

'É claro que é tudo o que eles têm, ' ela lamentou enquanto entrava atrás de uma cortina pra se trocar, quase tropeçando nos gatos que se amontoavam aos seus pés.

Ela ressurgiu com sua vestimenta marrom jogada por cima de seu ombro, sentindo-se significantemente melhor em relação ao mundo agora que vestia roupas que não coçavam. As calças eram cerca de uma medida maior na cintura, mas como a garota havia lhe providenciado um cinto, não era realmente um problema.

Sasuke pôde praticamente sentir seu batimento acelerar um segundo quando Sakura surgiu com o símbolo Uchiha exposto em suas costas. Disse pra si mesmo que não sabia a razão daquela reação, e que certamente não tinha nada a ver com o fato de que pra um observador de fora, ela agora seria considerada parte de sua família.

Sakura fez o melhor pra ignorar o fato de que tinha o símbolo do clã de Sasuke gravado em suas roupas. Também se esforçava pra ignorar as conotações implícitas que esse fato trazia consigo – a sensação de que de alguma forma isso significava que eles pertenciam um ao outro.

Ao invés disso, ela assistiu Juugo interagindo com os gatos. Ele estava ansioso... mas ao mesmo tempo hesitante, como se quisesse desesperadamente se ligar a alguma coisa, mas temeroso de machucá-los ao mesmo tempo.

Com dó, Sakura arrancou um logo fio do tecido da sua antiga vestimenta e lhe entregou. "Aqui, pega uma das pontas disso."

Ele assim o fez, um pouco surpreso, e ela gentilmente pegou seu pulso, guiando sua mão de forma que o fio fizesse um movimento brusco no chão em frente a alguns gatos.

"Os gatos gostam de perseguir coisas," ela lhe disse enquanto vários deles se achataram contra o chão, seus olhos seguindo o fio conforme suas espinhas pareciam se contorcer como molas. "Assim você pode brincar fazendo eles perseguirem algo. Se continuar fazendo isso - "

Um dos felinos saltou sobre o fio, interrompendo ela. Sakura deu um puxão no pulso de Juugo, fazendo ele puxar o fio fora do alcance enquanto outros gatos o seguiam.

Juugo entendeu o conceito da brincadeira rápido, e em momentos estava arrastando o fio de um lado pro outro pelo chão, rindo contente enquanto os gatos corriam avidamente atrás dele.

Sakura não estava surpresa pelos gatos corresponderem a Juugo tão rápido – apesar de seus estranhos acessos de raiva, o loiro era bem gentil, e animais sempre pareciam pressentir esse tipo de coisa nas pessoas.

"- pode ficar aqui desde que não atrapalhem!" A voz da senhora alcançou seus ouvidos mais uma vez.

Sasuke se curvou mais uma vez e Sakura observou a moça mais nova remexendo entre as coisas novamente, aparentemente procurando por alguns futons e cobertores.

"Isso quer dizer que tem um banheiro em algum lugar por aqui?" Karin perguntou.

A velha mulher apontou para o corredor. "Primeira porta à direita. Tudo o que precisa está lá – não enlameie o chão."

Karin pareceu ofendida, mas pareceu ter decidido que a possibilidade de ofender seus anfitriões não valia desistir do prospecto de um banho, e saiu de lá sem uma palavra.

"Próxima!" Sakura declarou pra todos na sala.

Ela pôde ouvir o som distante de água correndo pelo encanamento, e presumiu que Karin havia começado seu banho. Manteve parte de sua atenção no som enquanto ela e Juugo continuavam a brincar com os gatos, e quando lhe pareceu que Karin havia terminado seu banho, se levantou e saiu da sala.

Encontrou com Karin no corredor, bem quando a ruiva saía do banheiro.

"Eu não sei o que pensa que está fazendo... mas você não tem a mínima chance," Karin lhe disse em voz baixa.

Sakura piscou, "Hã?"

"Com Sasuke," ela esclareceu, parecendo irritada. "Você não tem chance."

"Não é novidade pra mim," Sakura respondeu. "Mas não é como se eu me importasse – pode ficar com ele."

É claro, ela havia mentido descaradamente em relação à última parte, mas tinha esperanças da outra garota não notar. Além do mais, havia sido honesta em relação à primeira sentença – não tinha nenhuma ilusão quanto ao que Sasuke sentia por ela. Ele havia deixado seus sentimentos claros, por vezes o suficiente.

"Mentirosa," Karin zombou.

Apenas um fio de esperança de que Karin estivesse blefando – de que ela não soubesse nada na verdade – possibilitou que Sakura mantivesse sua expressão neutra. "Eu só quero um banho."

"Contanto que você entenda que não tem a mínima chance," Karin reiterou. "Não sei por que ele está te trazendo conosco, mas apenas lembre uma coisa... ele precisa de mim, não de você. A menos, é claro, que você realmente esteja transando com ele e ele esteja te oferecendo pro Juugo e o Suigetsu pra mantê-los felizes."

Pela segunda vez naquele dia, Sakura sentiu algo dentro de si estourar – seu temperamento sempre fora um de seus pontos fracos. Se fosse honesta, poderia dizer que as palavras de Karin haviam atingido em cheio feridas emocionais ainda abertas, frágeis, e que ainda sangravam. Se bem que, se fosse apenas aquilo que a garota houvesse lhe dito, ela provavelmente teria sido capaz de se conter – Sakura havia aprendido a lidar com dor há muito tempo.

Mas Sakura estava simplesmente cansada da ruiva insinuando que ela dormia com todos e qualquer um. E ela nunca foi boa em suprimir seu temperamento.

Seu pé se moveu, passando uma rasteira em Karin e jogando a mulher contra o chão. A garota caiu pra frente, erguendo as mãos pra se equilibrar conforme Sakura saía do caminho, deixando amplo espaço pra ela ir de cara no chão.

O impacto deixou a ruiva sem ar, e antes mesmo que pudesse tentar se levantar, Sakura plantou o joelho em suas costas pra mantê-la no chão, uma de suas mãos agarrando o cabelo molhado da mulher pra manter sua cabeça imóvel enquanto pressionava dois dedos contra a vértebra em seu pescoço.

"Eu não aprecio esse tipo de insinuações," ela disse num tom informal. "Então, a próxima vez que quiser zombar de mim, ou sugerir que eu sou uma prostituta... pense nisso."

Karin começou a se debater, soltando sons engasgados de fúria, e Sakura pressionou seus dedos com mais força contra o pescoço. "Eu tenho excelente controle de chakra... o suficiente pra conseguir formar bisturis de chakra mesmo com essa estúpida coleira. Então para de se mexer, e cala a boca!"

Karin ficou paralisada. Se Sakura estava dizendo a verdade... então os dedos em seu pescoço eram mais do que irritantes... eram uma ameaça real, e mortal.

"E, considerando que treinei como médica ninja, eu sei exatamente onde cortar," a garota de cabelo rosado continuou. "Por exemplo, se eu cortar aqui..." ela deixou seus dedos deslizarem pra base das costas de Karin. "Bem, deixa eu colocar nessas palavras – você vai precisar de um suprimento de fraldas pra adulto. Se eu te cortar aqui..." sua mão subiu um pouco. "Você vai ficar paralisada da cintura pra baixo. Você acha que Sasuke vai te levar com ele quando estiver numa cadeira de rodas?"

Karin tremeu, mas Sakura não lhe deu atenção quando correu a mão pra vértebra no pescoço de Karin. O corpo humano nunca deixava de fasciná-la – como um todo, era geralmente forte de uma impressionante, capaz de suportar provações incríveis... mas bastava mirar nas partes isoladas, e de repente se tornava extremamente vulnerável, o mínimo dos ferimentos causando desastre.

"Se eu fatiar aqui... bem, pode esquecer da cadeira de rodas, você vai ter sorte se conseguir virar a cabeça. E aqui..." Sakura pressionou os dedos na base do crânio de Karin, enfatizando suas palavras. "Bem, esse é o tronco cerebral – controla sua respiração, mantém seu coração batendo, esse tipo de coisa. Provavelmente não tenho que lhe dizer o que acontece se eu decidir talhar aqui."

"Sasuke iria te matar," Karin chiou.

"Talvez, mas você ainda estaria morta."

Sakura se manteve na mesma posição por um momento, então recuou. "E isso é apenas uma fração do que eu sei. Sou capaz de indicar centenas de pontos no seu corpo que posso usar pra te aleijar, matar, ou causar dor insuportável. Assim, a próxima vez que pensar em soltar essa língua... pense nisso."

Sakura entrou no banheiro e fechou a porta antes que Karin pudesse dar qualquer resposta. Mesmo que não se arrependesse de pressionar a garota – ela havia realmente se cansado das insinuações –, estava começando a se sentir como uma opressora.

De certa forma, era realmente desconcertante. Seu temperamento sempre fora seu ponto fraco, mas ultimamente parecia estar à beira de explodir, como se estivesse pronta a retaliar diante da menor provocação.

Ela havia optado por se concentrar em fúria ao invés de desespero, mas nenhuma escolha vinha sem conseqüências.

Ainda assim, um bom banho quente a faria se sentir melhor. Especialmente se pudesse cantar no chuveiro.

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"A princesa é muitas coisas, mas boa cantora não é uma delas," Suigetsu murmurou com as mãos nos ouvidos.

Os futons e cobertores que usariam haviam sido movidos pra outro quarto... um quarto que era separado do banheiro por uma parede que parecia ser feita por apenas algumas camadas de papel.

Sasuke não deu atenção às reclamações de Suigetsu ou aos gatos que seguiram Juugo até esta sala e agora circulavam por ela. Ele estava ocupado verificando e checando o equipamento que obtivera. Antecipação girava dentro de si, misturada com receio – era isso! Pela manhã, eles deixariam esse lugar... e ele finalmente estaria dando o primeiro passo pra iniciar a caçada a Itachi de fato. E então...

Mas ele foi tirado de seus pensamentos sombrios quando Sakura abruptamente martelou com uma voz rouca um verso de uma música que nunca ouvira. Mas o que conseguia compreender da letra e o ritmo da música em geral indicava se tratar de algo animado.

Sasuke piscou olhando em direção à parede da qual o som parecia emanar, se perguntando por que não parecia achar aquilo tão irritante quanto Suigetsu obviamente achava. Juugo estava distraído demais com os gatos pra se importar (e Sasuke suspeitava que ele não reclamaria da cantoria de Sakura mesmo se o incomodasse), enquanto Karin estava peculiarmente em silêncio, sentada em seu futon e lançando olhares em direção àquela parede de vez em quando enquanto passava a mão em sua nuca.

Ele não sabia por que não achava irritante. Ela era terrivelmente desafinada – mesmo os ecos causados pelas paredes do banheiro não faziam aquilo soar tolerável. Mas ao mesmo tempo, era tão... Sakura. Ela estava cantando no chuveiro. Provavelmente sabia que não sabia cantar, mas cantava assim mesmo porque gostava – o óbvio tom de alegria em sua voz deixava isso óbvio.

A cantoria parou, assim como o som da água correndo, acompanhado de um teatral suspiro de alívio por parte de Suigetsu. Alguns momentos depois Sakura entrou no quarto, passando uma escova (Sasuke presumiu que ela havia pego no banheiro) pelos cabelos molhados.

"Princesa, alguém já lhe disse que sua cantoria é realmente terrível?" Suigetsu perguntou logo de cara.

Sakura paralisou enquanto escovava o cabelo. "Como você sabia que eu estava cantando?"

"A parede entre esse quarto e o banheiro é fino como uma folha de papel."

"Oh," Sakura disse agitada, e Sasuke imaginou por que achava sua expressão meio constrangida, meio agitada tão adorável. "Eu... ahn... desculpa – não tive a intenção de sujeitá-los a isso..."

Sakura estava mortificada. Ela sabia que seu canto era horrível – Sai havia lhe informado em diversas ocasiões -, e era esse o motivo por apenas cantar no chuveiro, onde ninguém podia ouvi-la.

Assim, ela se sentou no futon e baixou os olhos conforme escovava os cabelos, torcendo pro rubor que sentia no rosto diminuísse.

"A propósito, estava querendo te perguntar sobre seu cabelo," Suigetsu continuou. "Quer dizer, como é que você acabou com cabelos rosa?"

"Isso vindo do sujeito com cabelos branco," Sakura riu. "Mas não há explicação além do óbvio – herdei meu cabelo da minha mãe. Uma cor bem estranha, garanto – "

"Eu acho bonito," Juugo comentou gentilmente conforme se levantava e ia para a porta, obviamente com a intenção de aproveitar sua vez no banheiro.

O rubor no rosto de Sakura voltou de súbito. "Obrigada."

Juugo lhe sorriu e fechou a porta. Alguns momentos depois ela pôde ouvir o chuveiro se abrir com clareza – Suigetsu tinha razão, as paredes aqui eram finíssimas.

Karin olhava pra ela sem dizer uma palavra. Sakura percebeu o olhar, mas Karin rapidamente desviou este. O pequeno confronto delas aparentemente havia tirado um pouco da rispidez da garota, mas Sakura sabia que não devia esperar que isso durasse muito.

Também não parecia que Karin houvesse feito qualquer reclamação pra Sasuke... mas provavelmente estava relutante em admitir que Sakura havia levado a melhor mesmo com a coleira.

Suigetsu parecia estar à beira do riso enquanto encarava a porta fechada. "Eu acho que Juugo tem uma queda pela princesa!"

A mão de Sasuke escorregou na kunai que estava afiando, quase cortando seu dedo.

"Deixa ele em paz," Sakura ralhou, passando os dedos pelo cabelo para se certificar que não estava mais embaraçado. Ela tinha um instinto protetor sobre Juugo – mesmo que o rapaz fosse três vezes maior do que ela, sua estranha inocência e ingenuidade em relação a interações humanas lhe despertavam tal sentimento. "Se você o provocar com isso e deixá-lo constrangido, eu vou... vou... eu não sei o que vou fazer, mas você não vai gostar!"

O sorriso sagaz de Suigetsu se amansou. "Já disse uma vez e volto a repetir... você realmente é coração mole, princesa."

"Talvez," ela disse com calma, fazendo carinho em um dos gatos que se aproximou.

Ela não achava de fato que Juugo tivesse uma queda por ela – muito de seu comportamento podia ser explicado por ele não ter prática em interações humanas, somando-se o fato de ela ser a única do grupo a fazer um esforço de conhecê-lo – mas ela sabia que protestos não subjugariam Suigetsu. Entretanto acreditava que um apelo daria conta do recado – no mínimo, ela havia deixado claro que se ele provocasse Juugo com esse suposto sentimento, ela retaliaria de alguma forma.

Apesar de não querer – e de fato ter tentado se conter – Sakura olhou em direção a Sasuke, tentando ver se havia alguma reação à novidade de que Juugo pudesse ter algum sentimento por ela.

Mas ele estava concentrado em afiar um conjunto de kunai, sua expressão impassível e sem que seu olhar sequer se erguesse.

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"Tem certeza que você não enfiou um pedaço de chiclete aqui ou algo do tipo?" Suigetsu resmungou, virando a cabeça pra conseguir enxergar melhor a trava da coleira.

"Tenho certeza," Sakura disse. "Por quê?"

Quando ela realizou sua rotina noturna de atacar a coleira, Suigetsu mencionou que tinha arrombado várias trancas na juventude, e se ofereceu pra ajudá-la. Sakura aceitou avidamente (a despeito da óbvia insatisfação por parte de Sasuke), mas eles ainda não haviam tido qualquer sucesso.

"Essa coisa não está entrando fundo o suficiente," Suigetsu reclamou, levantando a senbon que usava. "É como se houvesse algum tipo de barreira física impedindo."

Sakura piscou. Isso certamente explicaria porque ela fora incapaz de abrir a trava. "Mas isso não faz sentido – se a senbon não consegue entrar aí, como a chave conseguiria?"

"Só digo o que vejo, princesa."

Sakura acenou com a cabeça e observou Suigetsu remodelar seus dedos – ele os havia deixado mais finos deliberadamente numa tentativa de conseguir uma maior precisão na manipulação da senbon. "Ei, já que seu corpo tecnicamente é feito de água, e basicamente toma a forma que você quiser..."

"Sim?"

"Você consegue mudar de sexo? Tipo modelar seios ou algo do tipo?"

Suigetsu a olhou fixamente. "Não é nada que eu já tenha tentado fazer, princesa. Além disso, seria um pouco estranho, não acha?"

"Acho que sim." Sakura coçou distraidamente a coleira. "Bem, pelo menos você tentou tirar essa coisa de mim, certo?"

"Posso dar uma olhada?" Juugo perguntou discretamente.

"À vontade," ela ofereceu, inclinando a cabeça pra trás.

Grandes dedos correram pela trava de metal com curiosidade, apertando o metal flexível delicadamente como se testasse sua resistência.

"Provavelmente tenho força o suficiente pra arrancar isso de você," ele disse em voz baixa.

"Sinto um 'mas' se aproximando," Sakura disse.

"Mas a força necessária pra fazer isso provavelmente acabaria quebrando seu pescoço."

A médica suspirou. "Ok... então nada de arrancar do meu pescoço, nada de arrombar a trava... alguém mais tem alguma idéia brilhante?"

"Deixa eu ver isso."

Sakura se admirou, se virando pra Sasuke. "Você quer dar uma olhada nisso?"

Ele acenou com a cabeça. Juugo se afastou dela e Sasuke tomou seu lugar, se abaixando a sua frente.

Sakura ficou surpresa quando ele pousou as mãos em ambos os lados de seu pescoço, uma leve pressão de seus polegares contra seu queixo fazendo ela inclinar a cabeça pra trás. Seus olhos foram tomados por vermelho conforme o Sharingan girava lentamente enquanto ele examinava a tira de couro e metal.

"Tem chakra correndo através disso," ele informou.

E não era o dela; a coleira havia sido travada com alguma espécie de jutsu. Sasuke estava tendo dificuldade em identificar ao certo como o jutsu funcionava – seu Sharingan permitia ver o chakra de Sakura também, e a presença da coleira fazia ele se comportar de forma bem peculiar. Seu chakra girava e corria como águas turbulentas buscando uma saída, e o brilho da energia dela era tão forte que facilmente ofuscava a pequena vibração vindo da coleira.

Ele sabia que estava lá – podia ver como uma sombra em frente ao sol – mas não conseguia dizer ao certo o que estava fazendo.

"Karin, você tem alguma experiência com esse tipo de coleira?" ele perguntou.

Karin balançou a cabeça, encarando Sakura com ressentimento, mas se mantendo muda.

Quase sem pensar, Sasuke percebeu sua mão deslizando pra nuca de Sakura, induzindo ela a inclinar a cabeça pra frente.

Ela não reclamou, e a fé silenciosa daquele gesto – exigia muita confiança de um ninja expor voluntariamente a nuca dessa forma – quase o deixou sem ar.

Sakura tremeu de leve quando sentiu os dedos de Sasuke passando por seus cabelos pra afastá-los de seu pescoço, e imaginou por que não estava mais tensa. Ela estava deliberadamente expondo um dos pontos vitais mais vulneráveis de seu corpo, numa posição na qual seria difícil se defender... e ainda assim, de alguma forma, não estava preocupada.

Não fora há apenas algumas semanas que ela estava receosa de estar deitada perto dele sentado?

Sasuke afastou uma última mecha de seu cabelo – os fios molhados eram mais macios e grossos do que ele esperava, e a leve umidade os faziam grudar na pele de seus dedos e no pescoço de Sakura. Por um momento, sentiu um impulso louco de se inclinar e pressionar os lábios contra a pele nua sob suas mãos.

Não se apegou a esse pensamento, preferindo ao invés disso estudar a peça de metal levemente saliente que continha a toxina que estava limitando Sakura nesse momento.

"Você tem alguma idéia de que toxina possa ser?" ele perguntou. Ela era uma médica afinal de contas – ela já havia encontrada uma droga que afetasse seu chakra?

"Eu tenho idéias demais," Sakura lhe disse, imaginando se Sasuke tinha notado que seus dedos estavam acariciando sua nuca. "Você tem noção da enorme quantidade de drogas que afetam chakra? Eles costumam variar em potência e sintomas, é claro, mas mesmo levando isso em consideração ainda não posso deduzir o que entrou no meu sistema. Não tenho idéia do quanto está entrando e em com que freqüência, não sei se é uma solução pura ou diluída, e mesmo que seja diluída não há como saber o quanto..."

Ela terminou balançando a cabeça tão sutilmente que mal moveu seu pescoço sob os dedos dele. "Em resumo, não há como dizer o que essa coleira está colocando em mim."

"Hn."

Sasuke se deu conta de repente que seus dedos estavam acariciando sua nuca. Ele recolheu suas mãos e se levantou, colocando distância entre eles conforme imaginava exatamente há quanto tempo ele estava fazendo aquilo e se Sakura iria tirar qualquer conclusão daquele gesto.

Mas quando ela se endireitou mais uma vez, não parecia nem um pouco perturbada – apenas arrumou os cabelos curtos sobre os ombros mais uma vez e voltou a conversar com Juugo e Suigetsu.

E Sasuke ficou imaginando por que a falta de reação fez com que se sentisse estranhamente desapontado.

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Aquela noite, quando o quarto era iluminado por uma única vela e todos os outros dormiam, Sasuke rolou em seu futon pra estudar Sakura.

Ela estava de lado, com o rosto voltado pra ele, sua expressão era serena e relaxada, com um indício de um sorriso na curva de seus lábios. Muitos dos gatos haviam se enrolado ao seu redor como bolinhos de pêlos em seu futon. Muitos cochilavam em seus pés, e muitos se aproveitaram do espaço deixado atrás de seus joelhos dobrados e da curva de sua coluna. Um montinho de pêlos preto e branco havia se enfiado sob seu queixo, e outro dormia no topo de sua cabeça. Pequenos tufos de cabelo rosa úmidos e emaranhados mostravam onde o felino a havia lambido.

Sasuke estudou a cena, tentando determinar o que era tão fascinante sobre ela – o que atraía tanto as pessoas.

E animais também por sinal, ele refletiu correndo os olhos pelas bolas de pêlo dormindo pelo futon de Sakura. Havia alguns gatos dormindo com Juugo, mas nenhum se aproximou de Suigetsu, Karin ou dele.

Então... o que havia nela?

Ela era bonita, verdade... mas ela não era a mulher mais bonita que já vira. Seus olhos tinham um tom de verde intenso incomum... mas muitas pessoas também o tinham. Seus cabelos rosados definitivamente chamavam atenção... mas não podia ser simplesmente isso, não? Devia haver algo que explicasse porque as pessoas eram inevitavelmente atraídas pra ela.

Suigetsu – um nukenin sanguinário – havia passado a maior parte do tempo desde que a conheceu provocando ela com brincadeiras com uma gentileza que nunca havia demonstrado a mais ninguém. Juugo parecia totalmente devotado a ela.

Quanto mais Sasuke pensava sobre isso, mais se dava conta de que havia algo intangível sobre Sakura que simplesmente atraía as pessoas. Naruto também era assim, pensando bem, só mais barulhento e óbvio.

O gato sob o queixo dela se moveu e Sakura resmungou algo, ameaçando acordar, mas logo voltando ao sono. Uma pequena mão deslizou de sob a coberta e descansou, semi-cerrada, sobre o travesseiro.

Parecia delicada à primeira vista, até ele notar os calos na palma, formados por anos de manejo de armas, e a cicatriz no polegar, talvez por ela ter mordido forte demais ou vezes demais pra executar invocações.

Exceto pelas cicatrizes, sua pele era macia, sutis irregularidades indicavam os músculos sob ela, como veludo sobre aço. Sem permissão, sua mente voltou pro momento em que ele invadiu o banheiro, acreditando que ela havia fugido, e a encontrou em frente ao espelho, cabelos molhados, pele brilhando, e uma fina toalha úmida colada em cada centímetro de seu corpo...

Mesmo enquanto racionalizava que já havia visto mulheres com muito mais vestindo muito menos, naquele momento, excitação o invadiu como uma força incontrolável. Ele praticamente havia corrido daquele banheiro numa tentativa de escapar da vista de Sakura antes que tivesse qualquer manifestação física.

Sentia a mesma excitação correr por ele agora. Mas dessa vez, estava misturada com um estranho sentimento de responsabilidade – como se a mulher adormecida que ele observava fosse algo valioso a ser cuidado.

Sakura deu um pequeno sorriso enquanto dormia e seu braço se moveu como se ela tentasse alcançar algo.

E por um segundo Sasuke foi tomado por um ímpeto desesperado de esticar a mão e deslizar os dedos pelo contorno daquele braço, de traçar as veias correndo sob a pele...

"Sasuke?"

Os olhos de Sasuke saltaram para o rosto de Sakura, surpreso ao encontrar dois olhos verdes observando ele de forma sonolenta.

"Qual o problema?" ela murmurou.

"Nada," ele disse de repente, se virando em seu futon e dando as costas pra ela. "Volte a dormir. Não é nada."

'Não é nada, ' disse pra si mesmo. 'Não é nada... '

Mas sabia que era mentira.


"Pra cada beleza há um olho por aí para vê-la. Para cada amor, há um coração por aí para recebê-lo."

- Ivan Panin


(*1) kanji - ideograma japonês

(*2) erva de gato - planta da família das hortelãs que dá o maior barato para os gatos (é... o Sasuke basicamente tá oferecendo drogas pros gatinhos, hahaha. Quem tiver curiosidade, digita catnip no youtube pra ver o efeito da erva nos gatos.)


Vem por aí...

Capítulo 12 - Conectando-se

Hebi começa sua busca por Itachi, e Sasuke revela pra Sakura a razão pra arrastá-la com ele.

Ao mesmo tempo, a equipe responsável pelo resgate de Sakura deixa Konoha. Será que logo teremos uma reunião do time sete?

Aguardem ansiosamente! E enquanto aguardam, é claro, deixem reviews!

Adoro quando vocês comentam os eventos da estória. Não se esqueçam que eu sou leitora dessa fic que nem vocês,... só tô traduzindo. Também queria fazer comentários, mas não quero estragar a surpresa. Só digo que se vocês estão gostando agora, vão amar do capítulo 14 em diante.

bjos!

dai86