Gente, tô tentando carregar o capítulo 12 desde Domingo a noite, mas o site do fanfiction tá dando pau faz dias...

Graças a uma outra escritora do site descobri como fazer uma gambiarra pra conseguir carregar o capítulo. Ufa!

Quem estiver com o mesmo problema, deixei a dica no meu profile...

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Sem mais demora, eis o capítulo 12 dos 26 dessa fanfic!

Muito obrigada por todos os reviews! Adoro abrir a caixa de email pra achar seus comentários :)

Divirtam-se!

dai86


"Nos deliciamos com a beleza da borboleta, mas raramente reconhecemos as transformações pelas quais ela passou para conseguir tal beleza."

- Maya Angelou


Capítulo 12

Conectando-se

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(cena: final do mangá 354)

Sakura respirou fundo, grata por sentir o ar fresco. Era ótimo sair daqueles túneis.

Após um rápido café da manhã e uma verificação final dos suprimentos, Hebi deixou o esconderijo dos Uchiha. A maior parte deles havia conseguido novas roupas, e todos eles usavam capas pretas no momento, as quais Sakura presumiu que deviam ser um tipo informal de uniforme. Aparentemente esta era a parte do plano de Sasuke em que eles começariam a caçada a Itachi.

"Então... aonde vamos?" Sakura perguntou.

"Akatsuki," Sasuke disse.

Ela revirou os olhos. "Nossa, será que você poderia ser um pouco mais obscuro?"

Ele a ignorou, e ela franziu a testa. Ele foi de acariciar seu pescoço e encará-la enquanto ela dormia (quando acordou de noite e o flagrou observando ela, teve quase certeza de que era isso que ele fazia) pra simplesmente ignorá-la?

Decidiu não pensar sobre isso no momento e apenas apreciar a sensação de estar acima do solo novamente.

Ela notou com deleite que alguns pássaros sobrevoavam Juugo. O homem loiro estendeu um dos braços na direção deles, sorrindo gentilmente quando um deles pousou em seu pulso.

Sakura piscou, nunca havia visto alguém fazer isso antes. Era essa uma das estranhas habilidades de Juugo?

O homem pareceu perceber que estava sendo observado. "Você quer pegar um deles?"

"Posso?" ela perguntou tímida. "Quer dizer, se eu for assustá-lo ou algo assim..."

"Está tudo bem," disse, estendendo a mão na qual o pássaro pousara na direção do braço dela, inclinando um pouco e instigando o pássaro a passar para o pulso de Sakura.

Uma leve agitação de asas, e ela sentiu pequenas garras em sua pele. O pássaro a observou de onde estava com seus pequenos olhos negros.

"Uau..." ela exalou. "Como você faz isso?"

Juugo encolheu os ombros.

"Melhor torcer pra ele não cagar na sua mão princesa," Suigetsu disse com escárnio.

Sakura soltou uma risada hesitante.

"Estamos indo," Sasuke bradou, sentindo-se incomodado de alguma forma pela interação descontraída dela com os dois homens.

Sakura revirou os olhos, mas seguiu obediente assim mesmo, deliberadamente balançado o pulso pra que o pássaro voasse de volta para o Juugo.

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Somente quando eles já estavam no alto da pequena vila Sakura soube que Sasuke iria verificar uma pequena aldeia que recentemente havia tendo problemas com um grupo que soava muito como Akatsuki, e eles iriam se encontrar com o lorde de lá. Sakura ainda não sabia como Sasuke havia conseguido acesso, mas imaginou que Uchiha devia ser um nome poderoso mesmo fora dos círculos ninja.

A primeira impressão de Sakura quanto ao lorde foi 'repulsivo'. Ela sabia que muito lordes eram pessoas justas e decentes que tentavam cuidar das necessidades e vontades de seus súditos, mas muito deles eram idiotas desagradáveis acostumados a comprarem tudo e qualquer coisa que quisessem com seu dinheiro.

Infelizmente, parecia que esse lorde era do segundo tipo. Sakura podia jurar que sentiu sua pele se arrepiar quando os olhos especulativos dele correram pelo seu corpo. Felizmente ele pareceu achar Karin mais atrativa do que ela, e se deu por satisfeito em secar a outra mulher pelo resto da conversa, enquanto Sasuke os fazia passar por um grupo de mercenários que havia ouvido falar sobre os problemas dele, e que dizia poder ajudá-lo (em troca de uma taxa, é claro).

Então, quando eles finalmente se retiraram pra pequena cabana que lhes foi provida, Sakura ficou aliviada. Verdade, eles não haviam entrado em nenhum tipo de acordo (haveria mais negociações de manhã pra discutir a exata natureza do problema e como ele seria resolvido, além de outras dúzias de coisas sobre as quais ela realmente não se importava no momento), mas ela podia descansar agora.

E tentar não pensar no fato de que isso poderia muito bem levar Sasuke a Itachi.

"Acho que ele gostou de você princesa," Suigetsu comentou. "Ele estava te devorando com os olhos."

"Ele gostou mais da Karin," ela disse casualmente.

A ruiva sorriu como se a preferência do lorde fosse uma espécie de vitória pessoal. "Ele simplesmente reconhece beleza quando a vê!" ela declarou, observando Sasuke pelo canto do olho.

Quanto mais interagia com Karin, mais a outra mulher a lembrava das fãs de Sasuke em Konoha. Ainda que ela fosse claramente esperta, e sua habilidade pra detectar chakra fosse uma das coisas mais impressionantes que Sakura já vira... ela tendia a se comportar de forma extremamente infantil na presença de Sasuke.

"Bem, gosto não se discute," Suigetsu murmurou.

"Cala a boca!" Karin berrou, acertando seu pulso contra a lateral de sua cabeça. "Ninguém te perguntou!"

Sakura se encolheu quando a cabeça de Suigetsu se dissolveu em água por um breve momento antes de se recompor. Ela ainda não havia se acostumado com o aspecto arrepiante de um corpo se dissolvendo. Além disso, o processo parecia doloroso...

"Eles nunca fazem nada além de brigar..." Juugo lamentou.

"Apenas deixa eles pra lá," Sakura exalou. Sua longa experiência com companheiros implicando entre si lhe ensinou que a melhor atitude era deixar a situação correr. Desde que eles não destruíssem a cabana, ela realmente não tinha energia ou a intenção de se envolver.

Sasuke parecia dividir sua opinião – ele já havia se apossado de um canto do ambiente pra si mesmo, ignorando Suigetsu e Karin.

Ela voltou sua atenção para a discussão a tempo de ouvir o comentário irônico de Suigetsu sobre Karin estar 'dando bola' para o lorde, quando Sasuke interrompeu.

"Se ele tem uma atração por Karin, é simplesmente outro meio pra conseguir o que queremos dele."

Sakura estava surpresa pela linha de raciocínio. Às vezes, Sasuke parecia tão desprovido de libido que era surpreendente que fosse capaz de reconhecer isso em outras pessoas.

Suigetsu riu. "Por que tenho a impressão que o discurso seria bem diferente se o cara estivesse secando a princesa?"

Sasuke fingiu não escutá-lo.

Mas as palavras de Suigetsu tinham um toque desconfortável de verdade. Se a atenção do lorde tivesse gravitado mais para Sakura, Sasuke sabia que não teria considerado isso como uma possível vantagem, mesmo que pequena. Em parte porque sabia o que Sakura diria se ele lhe dissesse pra flertar com o homem, e não seria nada educado... mas principalmente porque a idéia de outro homem babando em cima de Sakura lhe causava um estranho sentimento de possessão.

"Você tem uma cicatriz," Juugo disse baixo, interrompendo os pensamentos de Sasuke.

O Uchiha se virou. Sakura havia parado no meio do movimento de esticar suas mãos acima da cabeça, o que fez sua camisa subir acima do umbigo, revelando a pele macia da sua barriga... e uma coleção de cicatrizes decorando seu torso. A maioria delas era pequena e discreta, uma herança normal das funções de um ninja... mas havia uma – uma linha larga vertical – que ainda tinha o tom rosado de um ferimento infligido nos últimos meses, e o tecido grosso que formava indicava que havia sido bem profundo.

Era estranho pensar em Sakura como alguém que tinha marcas de batalha... e mesmo assim, era exatamente o que essa cicatriz claramente era – uma cicatriz de batalha.

Demorou um tempo até que Sasuke se desse conta que Juugo estava do outro lado de Sakura, então devia estar se referindo a outra cicatriz. Ele se moveu o suficiente pra ver outra cicatriz do outro lado... praticamente do mesmo tamanho e na mesma posição da que havia em suas costas.

Como se alguém a tivesse atravessado com uma lâmina.

"Você foi esfaqueada?" Suigetsu perguntou, parecendo ter notado as mesmas cicatrizes.

"Lenta demais pra sair do caminho?" Karin ridicularizou.

"Na verdade ele estava atacando outra pessoa e eu entrei na frente," Sakura disse, de forma deliberadamente vaga enquanto ajeitava a camisa pra baixo mais uma vez.

"E você foi atravessada com uma lâmina," Juugo concluiu.

"Ei, mas eu achei que você fosse uma médica," Suigetsu comentou. "Quer dizer, tenho certeza que você pôde se consertar, e achei que a maioria dos jutsus de cura não deixasse cicatrizes."

Sakura acenou com a cabeça. "A não ser que a lâmina tenha veneno. O que era o caso."

Karin estava em silêncio – pelo menos uma vez, aparentemente incapaz de formular um comentário sarcástico. Sasuke não dizia nada também, mas quando Sakura arriscou uma olhada em sua direção – apenas pra ver a reação dele ao fato de ela não ficar mais de lado nas batalhas – havia algo intenso em seu olhar. Ela não pôde identificar, mas a deixava desconfortável o que quer que fosse, e ela desviou o olhar.

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Sasuke abriu os olhos imaginando o que o teria acordado. Então ele ouviu uma risada abafada, e lentamente se virou em seu futon pra encontrar Sakura e Juugo na janela, o contorno de seus perfis delineados pela luz da lua, com uma coruja pousada no peitoril entre eles.

"- e você realmente pode entendê-los?" Sakura estava sussurrando. "De verdade? Como se eles estivessem falando com você?"

"Não exatamente," Juugo corrigiu. "Não é como conversar – pelo menos, não da forma que você entende. Suas mentes compreendem apenas conceitos básicos – eles não entendem frases, mas entendem o assunto da frase... isso faz sentido?"

"De alguma forma. Então, você meio que conversa com eles, mas é mais um tipo de telepatia do que outra coisa... como se você estivesse enviando imagens ou sinais ou coisas desse tipo."

"Algo assim."

"Isso é muito legal."

Sua risada suave acompanhou seu comentário juvenil de forma tão discreta que pareciam mais bufadas rápidas de ar do que uma risada em si.

"Então... porque você está acordado?" Sakura perguntou, girando seu corpo em direção a Juugo, o suficiente pra que Sasuke visse a preocupação sincera em seus olhos.

"Eu não durmo bem," Juugo admitiu. "Eu tenho... pesadelos. E os... impulsos... me deixam inquieto."

Sakura balançou a cabeça, aparentemente despreocupada com o fato do enorme homem ao seu lado acabar de admitir insônia causada por impulsos assassinos.

"Tem uma coisa que eu queria te perguntar..." ela começou devagar conforme Juugo afagava o peito do pássaro com o dedo. "Não perguntei antes porque pareceu um tanto pessoal demais pra perguntar, fora de um hospital e tudo o mais..."

Juugo lhe lançou um olhar confuso.

"Bem... será que eu poderia te examinar? Quer dizer, com essa coleira posso não ser capaz de fazer muito pra te ajudar, mas talvez possa descobrir algo que te ajude com esses... impulsos..."

"... você realmente acha que consegue?" A voz de Juugo era baixa, o tom de alguém que estava acostumado demais com esperanças vazias.

"Vou tentar," Sakura disse, não querendo fazer promessas que talvez não fosse capaz de manter. "Vou fazer meu melhor."

Juugo balançou a cabeça, ainda um pouco hesitante e incrédulo. Sakura estendeu as mãos e gentilmente tocou suas têmporas, e a suave luz de puro chakra começou a se acumular.

"É seguro fazer isso com a coleira?" o homem perguntou parecendo preocupado.

"Só vou examinar você – não vou precisar de muito chakra."

"Mas-"

"Shhhh – deixa eu me concentrar."

Juugo se resignou, e o olhar de Sakura tomou uma expressão distante, como se observasse além de sua pele, até o sangue e músculos sob ela.

O momento se arrastou, e já quando Sasuke começava a sentir suas pálpebras se fecharem novamente, Sakura recolheu suas mãos.

"Sua ação parece muito com adrenalina," ela murmurou, aparentemente tanto pra Juugo quanto pra si mesma. "Mas há outros componentes presentes... quase como um hormônio potente de crescimento, mas é mais do que isso..."

Ela balançou a cabeça. "Vou tentar outra vez uma outra hora – eu estou tendo dificuldade de compreender agora, parece fugir do meu alcance..."

Juugo acenou. "Os acessos estão começando a diminuir. Eles vêm e vão... mas nunca ficam quietos por muito tempo. E eventualmente..."

"Eles apenas se acumulam mais e mais até você explodir," Sakura completou com um tom triste.

Houve uma pausa, e Juugo pareceu hesitar antes de falar novamente. "Você disse que eu te lembrava um amigo..."

"Hã? Ah, sim..."

"Posso perguntar quem? É outra pessoa...como eu?"

O coração de Sakura se apertou. "Não, não exatamente como você. É mais complicado do que isso..." Ela hesitou. Seu desejo de se conectar com Juugo entrou em conflito com seu instinto ninja de proteger informações sobre seus companheiros enquanto fora de sua vila.

"Ele tem algo dentro de si... como seus acessos de raiva... mas na verdade é uma entidade separada. E mesmo que essa... entidade... possa dar a ele poder suficiente pra acabar praticamente com qualquer oponente como se fosse um inseto... quanto mais poder ele toma, mais ele perde de si mesmo."

Sasuke sabia que ela falava de Naruto.

"É por isso que você partiu?" Juugo perguntou, sem um tom de julgamento, soando apenas curioso.

"Eu não o deixei!" Sakura chiou. "Eu estaria do lado dele agora se Sasuke me deixasse partir!"

Outra pausa, esta muito mais densa. Sakura tinha uma expressão de desgosto, e Sasuke tentou ignorar a pontada de culpa diante da cena.

"Você realmente está aqui contra a vontade?" Juugo perguntou, e havia um tom de raiva em sua voz. "Quer dizer, você estava discutindo com Sasuke ontem, mas achei que talvez ele estivesse dizendo que não te levaria em um lugar..."

"Não, eu fui seqüestrada. Então se eu tentar escapar, me faça um favor e não tente impedir."

"Sasuke realmente está te segurando contra a sua vontade..." Dessa vez havia mais do que um simples toque de raiva na voz de Juugo.

Sakura sorriu. A óbvia raiva de Juugo em seu favor era comovente, mas ela não queria vê-lo hostilizando Sasuke por causa disso. Ela tinha a impressão de que Hebi era a primeira vez que Juugo vivenciava contato humano em muito tempo, e não quis prejudicar isso.

"Verdade, mas não discute com ele por conta disso. Ele parece acreditar ter seus motivos, apesar de que eu tenho que admitir que adoraria ouvir quais são."

Juugo pareceu um pouco apaziguado, ainda que continuasse franzindo a testa

E Sakura se sentiu comovida – se deu conta de que Juugo fora a primeira pessoa a contestar seu cativeiro em seu favor – as objeções de Karin não tinham nada a ver com o bem estar de Sakura, e mesmo que Suigetsu soubesse que ela estava detida contra a vontade, não havia feito nada pra mudar sua situação.

Juugo era a primeira pessoa que demonstrou tanta indignação quanto ela em relação ao seu cativeiro, e, num impulso, ela se inclinou e o abraçou, descansando a cabeça em seu peito.

"Mas obrigada por se importar," ela sussurrou.

Sasuke teve a clara impressão de que estava invadindo um momento pessoal, mas algo nele se recusava a olhar pro outro lado.

O abraço pareceu estranho, principalmente pelo contraste entre os dois. Sakura precisava de mais uns seis ou sete centímetros pra alcançar a altura da clavícula de Juugo, e quando o desajeitado homem colocou os braços ao redor dela – devagar, como se temesse machucá-la de alguma forma – quase que todo seu torso sumiu sob seus braços.

Sakura manteve o abraço por um momento, sentindo a gentil hesitação de Juugo, como se incerto sobre como retribuir um abraço. Então ela retrocedeu, escondendo um crescente bocejo com a mão.

"Bem, por mais que eu aprecie a conversa com você e seu amigo," ela apontou pra coruja no parapeito, "acho que preciso voltar a dormir."

"Por que você acordou?" não havia nada além de curiosidade amável na voz de Juugo, e Sakura sorriu.

"Não tenho certeza," disse encolhendo os ombros. "Simplesmente acordei. Tenho noites assim às vezes."

Sasuke fechou os olhos quando Sakura se virou, ouvindo o farfalhar dos lençóis conforme ela deslizou sob eles novamente.

"Boa noite, Juugo..." disse num murmúrio sonolento.

"Boa noite, Sakura."

Quando Sasuke arriscou abrir os olhos novamente, Sakura já havia caído no sono, e Juugo observava o céu noturno com uma expressão séria.

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Sasuke acordou novamente quando a alvorada mal começava a colorir o céu. Foi com alguma surpresa que notou que Sakura já estava acordada, sentada casualmente no parapeito com uma das pernas balançando para o lado de dentro do quarto como se estivesse à beira de uma piscina imaginária.

Era sua expressão que mais chamava atenção. Havia uma estranha expressão de serenidade e meditação nela, como a pintura do rosto de uma deusa contemplando a raça humana.

"Eu não estou tentando fugir Sasuke, então não se dê ao trabalho de se levantar," ela disse suavemente, sem se virar pra ele.

Sasuke não respondeu. Ele se levantou silenciosamente e foi até a janela, tentando determinar o que Sakura achava tão fascinante. Mas ela estava apenas observando o nascer do sol, um sorriso triste marcando seus lábios.

E pela primeira vez, Sasuke se deu conta do quanto ela havia mudado. Ele sabia – intelectualmente – que ela havia mudado, mas mesmo que soubesse, sempre suprimia e sufocava qualquer real reconhecimento disso... qualquer verdadeira percepção de que a mulher que observava a alvorada não era a mesma garota que ele deixara pra trás num banco todos aqueles anos atrás.

Esta era uma mulher que vivia no calor da batalha ao invés de ficar de lado, alheia. Era uma mulher que via obstáculos como algo a ser conquistado ao invés de lamentado. Esta era uma mulher que estendia sua mão e seu coração pra pessoas excluídas ao invés de ridicularizá-los junto com o resto do mundo. Esta era uma mulher que respondia insulto com insulto, que o questionava abertamente ao invés de aceitar sua palavra como lei.

Esta era uma mulher que retribuía indiferença com sua própria indiferença, ao invés de amor.

"Qual o objetivo disso tudo, Sasuke?" ela perguntou em voz baixa, num sussurro triste. "Por que me trazer junto? Mal consigo realizar uma cura decente com essa maldita coleira, não posso usar minha força... e você definitivamente não está transando comigo. Então por que? Você nunca quis ter nada a ver comigo antes... por que a repentina mudança de atitude?"

Sua voz soava acusatória, mal escondendo a amargura nas palavras.

Sasuke apertou os dentes, tomado pela vontade de negar as farpas implícitas no questionamento dela. Ele não queria não ter nada a ver com ela quando eles eram genin. Verdade, ela havia sido irritante no começo – eles todos haviam sido irritantes... mas eventualmente, ele veio a se importar com eles.

Eles eram seus amigos.

Tinham sido seus amigos! Não eram mais – tempo passado, tempo passado...

"Eu tive que te trazer comigo," ele se limitou a dizer.

Os olhos de Sakura estavam tristes, e por um segundo, apenas uma fração de segundo, Sasuke quis afagar seus cabelos, tocar seu rosto – fazer algo pra alegrá-la. Mas ele não sabia por onde começar – ele havia se especializado em colocar as pessoas pra baixo, não o contrário – então não fez nada.

E pela primeira vez essa inabilidade em oferecer conforto a outro ser humano o fez sentir estranhamente inadequado, como se houvesse falhado em um teste essencial.

"Mas por quê?" ela perguntou mais uma vez. Sua voz era pequena e penosa – Sasuke teria preferido raiva.

E a verdade saiu de sua boca antes que pudesse evitar. "Você está vulnerável com essa coleira. Não consigo removê-la, e não posso te deixar andar por aí desprotegida."

Sakura o encarou boquiaberta – não conseguiu evitar. Este seria o último dos motivos que poderia imaginar.

Era um motivo que arriscava parecer que ele se importava.

'Talvez ele se importe...' veio um pensamento involuntário. 'Você tem que admitir que ele tem agido de forma bem... protetora... ultimamente.'

Uma pequena semente de esperança nasceu dentro dela. Talvez os laços de Sasuke com Konoha não estivessem tão rompidos quanto ele gostaria de acreditar. Se nada mais, ele havia demonstrado que se sentia responsável por ela (mesmo que a sugestão de que ela incapaz de cuidar de si mesma lhe desse vontade de espancá-lo).

Mesmo que não estivesse pronta para perdoá-lo por arrastá-la com ele, Sakura sentiu parte de sua ira gélida se derreter pela ponta de esperança de que talvez os esforços dela e de Naruto não tivessem sido em vão.

Sasuke se virou abruptamente, mas Sakura não estava surpresa – ela pressentiu que estas poucas palavras tinham preenchido a cota semanal de revelações sentimentais de Sasuke – talvez a cota mensal.

O resmungo teatral de Suigetsu quando acordou teria interrompido a conversa de qualquer forma. Juugo piscou ao acordar (tendo aparentemente cochilado contra a parede em algum momento da noite), e Karin resmungou algo sobre acordar antes do amanhecer.

"Quando é o café da manhã?" foram as primeiras palavras saídas da boca de Suigetsu.

"Mais tarde," Sasuke retrucou. "Eu e Karin vamos falar com o lorde mais uma vez."

Sakura balançou a cabeça exasperada. É claro que ele estava ansioso em ir, tinha uma possível pista sobre Itachi, e isto era como sacudir salsichas na frente de um cão de caça.

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'E agora está chovendo', Sakura pensou com raiva, puxando o capuz da capa que usava sobre a cabeça.

O tempo fechou algumas horas após eles terem deixado a vila pra trás. Ao que parecia, o lorde havia indicado uma área onde Akatsuki havia sido vista em várias ocasiões. Sakura não pôde imaginar o porquê - parecia ser um lugar bem isolado.

Mas era apenas sua opinião pessoal. Talvez eles tivessem uma base secreta em algum lugar por aqui – subterrânea, como parecia ser a moda pra esconderijos ultimamente.

Sakura lançou um olhar para as nuvens negras acima, e um sentimento nostálgico a fez imaginar se estaria chovendo em Konoha agora.

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(cena: final do mangá 354)

"Esse é um tempo bem ruim," Kakashi comentou, olhando pra cima e vendo as nuvens negras despejando a chuva torrencial sobre o grupo nesse momento.

Um grupo que consistia de Naruto, Sai, Yamato, Shino, Kiba e Hinata, todos vestidos com capas pesadas à prova d'água e prontos pra partir. Um dos diversos informantes de Jiraya havia mencionado que Sasuke e Sakura haviam sido vistos numa vila na fronteira do País do Fogo, e era pra lá que Tsunade estava enviando essa equipe, pra libertar sua pupila.

Naruto tinha um olhar sério e determinado, encarando a chuva como se tivesse uma vendeta pessoal com ela. "Quem se importa com um pouco de chuva? Vamos!"

Kakashi não pôde evitar notar que apesar de Naruto não ter sido nomeado líder do grupo, todos automaticamente obedeceram, respondendo à determinação e autoridade inerente a sua voz. Ele não se deu ao trabalho de lembrar que havia sido colocado no comando, preferindo seguir sem reclamar.

Ele tinha o suficiente correndo em sua mente.

Era desconcertante pensar que essa missão, se tivesse sucesso, envolveria libertar Sakura... das mãos de Sasuke. Kakashi tinha feito o máximo pra não se prender ao sentimento de culpa que se revirava dentro de si ao pensar que o garoto que havia ensinado – o garoto a quem havia confiado seu Chidori – havia traído Konoha, se juntando espontaneamente a Orochimaru e aprendendo técnicas obscuras.

Mas agora não conseguia parar de pensar nisso. Porque Sasuke havia, sob todas as aparências, seqüestrado Sakura. Pelo o que Naruto e Sakura haviam lhe dito, ele se mostrou perfeitamente disposto a matar Naruto da última vez que se encontraram... então se Sakura ainda estava viva, Sasuke devia ter alguma razão pra tanto.

E Kakashi não queria pensar muito sobre quais seriam essas razões. Ele não queria pensar que Sasuke estivesse abusando de Sakura... mas senso comum lhe dizia o contrário. Quem podia saber o quanto o Uchiha havia mudado após dois anos sob a custódia de Orochimaru? Quem podia saber como ele era agora?

Mas mesmo enquanto se preocupava sobre a condição de sua antiga aluna, uma parte de Kakashi não pôde evitar de se lamentar sobre o garoto de doze anos que havia conhecido. Porque se ele realmente havia violentado Sakura... então Kakashi sabia que o garoto que Sasuke fora um dia – frio e desdenhoso, mas mesmo assim, protetor das pessoas que amava – havia morrido há muito tempo.


"Morte não é a maior perda na vida. A maior perda é o que morre dentro de nós enquanto ainda vivemos."

- Norman Cousins


Em breve...

Capítulo 13- Escolhas

Os ninjas de Konoha continuam suas buscas por Sakura e Sasuke, enquanto o casal esbarra em dois perigosos ninjas da Akatsuki. O confronto inevitável dá a Sakura a oportunidade ideal pra escapar, mas ela se vê obrigada a fazer uma difícil escolha.

Quem são estes membros da Akatsuki?

Será que Sakura conseguirá escapar de Sasuke?

Quais serão as conseqüências que esse perigoso confronto trará para o nosso casal?

Descubram no próximo capítulo!

E aí galera? Atiçou a curiosidade! Espero que sim! Uahahaha (risada maligna), mas não sou tão sádica assim, vai... devo postar o capítulo 13 logo. Só não esqueçam de fazer a parte de vocês: reviews, reviews, reviews!

bjs!

dai86