Olá pessoal. Falei que a atualização ia ser rápida, não? É pra compensar o suspense que a sinopse no final do capítulo 12 deixou... rs.

Obrigada de coração por todos os reviews deixados aqui ;*

Sem mais enrolação, eis o capítulo 13 pra vocês...

bjkas!

dai86


"O coração tem razões que a razão desconhece."

- Blaise Pascal


Capítulo 13

Escolhas

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(cena: mangá 355)

"Eles foram vistos por aqui," Kakashi disse conforme os ninjas se agrupavam sobre um telhado.

Ele examinou o entorno, mas não havia sinais de presença ninja – embora ele não esperava que houvesse de qualquer forma.

Pelo menos havia parado de chover.

"Este vai ser nosso ponto de partida," ele continuou. "Vamos realizar buscas nessa área num raio de cinco quilômetros. Nossa comunicação de rádio não tem alcance o suficiente, então a maioria de vocês vai ser acompanhada por um de meus ninken a todo momento."

Assim, Kakashi se abaixou e invocou seus animais, fazendo surgir uma matilha de cães no meio deles, no telhado. Mentalmente, ele torceu pra quem quer que tivesse construído esse telhado tivesse feito um trabalho bem feito, estável.

"Kiba tem Akamaru, então não vai precisar de um acompanhante," o jounin continuou conforme os cães se agrupavam em pares com Sai e Shino. "Eu fico com Pakkun. Naruto, como você é o alvo da Akatsuki, vai com Yamato e Hinata além de mais um de meus ninken. Está claro?"

Naruto acenou com a cabeça, observando garota de longos cabelos negros ao seu lado. Hinata lhe ofereceu um sorriso tímido.

"Certo, vocês vão seguir o odor de Sasuke e Sakura, mas se eles se separarem, a prioridade é localizar Sakura. E se qualquer um de vocês se deparar com um Akatsuki, fujam à primeira vista e retornem aqui."

Ele fez um gesto e o grupo se espalhou – apropriadamente – como folhas no vento.

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Sakura observou Juugo e Suigetsu saltarem para as árvores ao redor deles com um suspiro. Lá iam seus colegas de papo. Ao que parece, Sasuke achou prudente que se separassem, e mesmo que Sakura houvesse guardado um resquício de esperança de poder andar sozinha e escapar, não havia apostado muito nisso.

"Sasuke..." a atenção de Sakura foi desviada pra Karin se aconchegando no braço de Sasuke, com um tom obviamente de flerte na voz. "Eu queria ficar a sós com você já faz tanto tempo – é só mandar a garota seguir sozinha agora..."

"É melhor você ir também," Sasuke disse de forma ríspida.

"E ela?" Karin bufou gesticulando em direção a Sakura. "Ela também vai?"

"Não. Ela vai seguir comigo."

Sakura suspirou – foi o que pensou. Sem oportunidade de fugir aqui.

Afinal de contas, ainda que Sasuke tivesse sido claro em relação aos motivos pra trazê-la consigo (era tudo papo furado, é claro – ela sabia se cuidar!), não queria dizer que ela não agarraria a primeira oportunidade que lhe aparecesse pra voltar pra casa.

"Por quê? O que faz dela tão especial?"

"Eu sou o único que pode evitar que ela escape," disse simplesmente.

Ele sabia ser verdade. Karin tinha tanto ressentimento de Sakura que provavelmente a deixaria simplesmente partir. Suigetsu gostava demais dela pra realmente fazer alguma coisa pra impedi-la – ele podia até protestar, mas Sasuke duvidava que ele chegaria ao ponto de lutar com ela pra impedi-la de fugir. E Juugo...

Bem, Sasuke havia percebido um toque de ressentimento vindo do enorme homem desde a conversa entre ele e Sakura na noite passada. Se Sakura lhe dissesse que estava tentando escapar, Juugo parecia tão devotado a ela, que provavelmente a ajudaria.

Karin foi embora com uma bufada, e Sakura tentou não se sentir satisfeito com o desdém óbvio de Sasuke pela mulher. Se nada mais, ela devia estar se sentindo mal por Karin – ela ainda precisava aprender que seu comportamento não a levaria a nenhum lugar com Sasuke, e Sakura sabia por experiência própria que esse aprendizado seria doloroso.

Rejeição sempre era.

Eles foram até a borda da floresta quando Sasuke parou de repente. Tão de repente que Sakura quase se chocou contra ele. Ela estava prestes a lhe perguntar o que havia acontecido... quando viu a expressão séria em seu rosto, o modo como sua cabeça estava levemente virada pra observar as árvores atrás deles... e imaginou que alguém os estava seguindo.

(cena: mangá 356)

Ela viu suas suspeitas se confirmarem quando Sasuke se virou lentamente para encarar a floresta, seu braço se movendo para empurrá-la pra trás de si. Sakura considerou ficar onde estava de forma teimosa, mas então decidiu esperar pra descobrir exatamente o que os estava atrasando antes de bancar a heroína corajosa.

"Quem está aí?"

Uma figura surgiu das árvores, com seu rosto oculto por uma máscara que parecia uma espiral... e vestindo um manto negro bem familiar estampado com nuvens vermelhas.

"Você é da Akatsuki," Sasuke disse sem cerimônia, ficando tenso. Ninguém entrava pra essa organização sem ser extremamente poderoso, e ele não podia arriscar a entrar numa batalha de vida ou morte enquanto Sakura estivesse com ele.

"Então, você é Sasuke?" o homem disse (a voz parecia masculina) soando peculiarmente alegre e vivaz pra alguém que fazia parte de um grupo de assassinos em série. "Você se parece muito com Itachi!"

Sakura pôde praticamente ver a espinha de Sasuke se esticar um centímetro a mais conforme cada músculo de seu corpo ficava tenso.

'Ele tinha que mencionar Itachi, não tinha?' ela pensou nervosa.

Ela previu que Sasuke iria pular no pescoço do homem, mas ele sequer se moveu, aparentemente se contentando com um olhar penetrante.

"Credo! Você é de assustar!" o homem gritou, andando uns passos pra trás.

Sakura piscou, franzindo a testa – ela nunca havia visto um membro da Akatsuki agindo assim. Ela se perguntou se ele talvez tivesse sofrido dano cerebral de alguma forma, mas revirou os olhos diante do pensamento...

Ela foi puxada dos pensamentos quando detectou o movimento de sombra pelo canto do olho. Ela voltou os olhos pro céu e viu dois pássaros gigantes que pareciam terem sido esculpidos em argila mergulhando do céu... com um homem loiro bem familiar montando um dos monstros.

"Deidara!" ela gritou, se lembrando de quando Naruto e Kakashi enfrentaram esse homem, e Sasuke voltou os olhos abruptamente pra cima.

Uma bomba de argila estava descendo sobre eles.

Sasuke reagiu com rapidez. Ele puxou Sakura pra si, jogando parte de seu manto sobre ela enquanto invocava uma de suas cobras. A criatura se enrolou neles, criando uma grossa barreira de escamas pra protegê-los da bomba. Ele agarrou Sakura com força e fixou os pés enquanto o chão sob eles sacudia, reverberando com o impacto da explosão.

Ele soltou Sakura tão logo o solo parou de tremer, dispensando a cobra pra ver os dois shinobis no solo, encarando eles.

O loiro – Deidara, Sakura havia chamado – fez uma cara feia. "Você de novo?"

Por um momento Sasuke ficou confuso, tentando lembrar se já havia encontrado esse homem na sua vida... até que se deu conta que Deidara estava olhando pra Sakura.

"Ei, não é aquela garota que matou seu outro parceiro, Sasori?" o Akatsuki com a máscara comentou. "Haruno Sakura?"

"É, sou eu," Sakura disse, sem se importar em esclarecer que ela havia tido ajuda e que fora de fato Chiyo quem o havia matado.

Dizer que Sasuke estava surpreso era um eufemismo. Ele sabia que Sakura tinha ficado mais forte... mas o suficiente pra matar um membro da Akatsuki?

Deidara sorriu com malícia. "Bem, isso não vai ser interessante?..."

"Sakura, se esconda," Sasuke ordenou, puxando a espada.

O primeiro impulso de Sakura foi lhe dizer onde ele podia enfiar essa ordem, mas seu bom senso venceu. Havia dois Akatsuki a sua frente, e com a coleira, ela teria sorte de acertar um soco que fosse. Sair do campo de batalha realmente soava melhor.

Então ela simplesmente assentiu e partiu na direção oposta, correndo conforme tentava colocar a maior distância possível entre ela e a batalha que estava por vir.

(cena: mangá 357)

Deidara sorriu. "Você se dá conta que a gente pode simplesmente alcançá-la depois de –"

Mas foi então que Sasuke avançou.

Ele girou a espada diretamente através do homem mascarado, um pouco surpreso pela facilidade, enquanto Deidara saltava para o galho de uma árvore diretamente acima dele.

"Você parece gostar do som da própria voz," o Uchiha comentou, ignorando o corpo que caía no chão atrás de si. "Então vou fazer algumas perguntas sobre Itachi."

Um movimento atrás dele chamou sua atenção, e ele se viu admirado ao ver o homem que acreditava ter matado se levantar.

"Que diabos você está fazendo Tobi?" Deidara gritou, e Sasuke guardou o nome na memória pra futuras referências. "Ele pode ser apenas um garoto, mas é melhor não baixar a guarda!"

O loiro enfiou as mãos em duas grandes bolsas em sua cintura com um sorriso maníaco, puxando uma coleção de bombas de argila. "Tobi, se afaste!"

Então ele as lançou numa onda de destruição.

Sasuke agarrou seu conjunto de senbon, usando Chidori pra carregá-las com eletricidade antes de lançá-las pra acertar as bombas com uma surpreendente precisão e tirá-las de seu curso. Várias foram presas contra as árvores, mas outras aterrissaram junto ao homem chamado Tobi.

"Não detone elas!" Tobi gritou.

Deidara automaticamente se voltou pra seu parceiro, e Sasuke tirou proveito da situação pra se colocar atrás e acima de seu oponente, com a espada pronta pra um golpe fatal. Tobi gritou um alerta e o loiro girou, atirando uma de suas bombas praticamente na cara de Sasuke, exigindo que o Uchiha usasse toda a sua velocidade pra evadir a conseqüente explosão

Sasuke notou que as bombas perfuradas por suas senbon não haviam explodido, e se perguntou se o ataque baseado no elemento de terra havia sido neutralizado por seu Chidori... ou se Deidara havia simplesmente decidido não detoná-las porque muitas delas estavam próximas a seu parceiro.

Não havia como saber, então Sasuke ficou atento a sua próxima oportunidade. Deidara apertou as mãos, quase como se fosse invocar algo... e um gigante dragão de argila surgiu numa explosão de fumaça.

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Próximo a outro conjunto de árvores, Sakura diminuiu o ritmo pra uma velocidade que conseguiria manter por algum tempo.

Lhe ocorreu que se simplesmente continuasse a correr, não havia nada que Sasuke pudesse fazer – ela provavelmente podia continuar correndo até Konoha. Ele estaria ocupado com os ninjas da Akatsuki por enquanto, e depois, exausto demais com a batalha pra perseguí-la.

Se ele sobrevivesse...

Sakura sacudiu a cabeça, dizendo pra si mesma que tais pensamentos eram ridículos. Sasuke havia derrotado Orochimaru sem praticamente nenhum arranhão – ele podia certamente dar conta de um Akatsuki...

Mas dois?

'Essa é minha única chance de escapar, ' disse pra si mesma com convicção. 'Não vou arruinar, não vou voltar por ele, não vou voltar por ele... '

E mesmo assim, as palavras de Sasuke nessa manhã a perturbavam. Ele a havia trazido consigo por preocupação com ela – equivocada e desnecessária, talvez, mas preocupação genuína. Ele havia tentado se preocupar com o bem estar dela, a sua própria maneira.

Ela não devia pelo menos tentar fazer o mesmo?

'Não, eu não devia,´ insistiu. 'Eu devia voltar pra casa – Deus sabe o que Naruto e os outros estão passando agora!'

Ela repetiu isso várias vezes na cabeça, como um mantra, esperando que sufocasse a crescente faísca de culpa e anseio que tentava forçá-la a dar meia volta e retornar pra Sasuke.

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(cena: mangá 358)

Sasuke observou o gigante dragão de argila no qual Deidara montava, imaginando o que ele pretendia fazer. Ele planejava usar o dragão pra atacar de cima? Ou era apenas um explosivo gigantesco?

A criatura de argila vomitou uma grande quantidade de bombas aos pés de Tobi. Sasuke tinha a impressão de que o homem logo faria algo com aqueles explosivos, então ele avançou com a intenção de incapacitá-lo antes que pudesse por seu plano em ação.

O dragão cuspiu outra criação de argila semelhante a um pássaro. Sasuke saltou para o lado, pra longe do trajeto imediato da bomba, mas pra sua surpresa o pássaro manobrou também, como se guiado. Ele apenas foi capaz de evitar o impacto imediato, e a força da explosão o acertou como uma parede de aço, fazendo com que derrapasse pra trás numa nuvem de poeira.

Pelo canto do olho pôde ver o dragão levantando vôo com Deidara em sua cabeça... mas Tobi não podia ser visto em lugar algum.

Sasuke não tinha idéia do que o segundo Akatsuki poderia estar fazendo com aquelas bombas vomitadas pelo dragão, mas sabia que não lhe seria benéfico de forma alguma. Ele precisava derrotar Deidara primeiro – então, as bombas não seriam anda além de pedaços inúteis de argila sem o chakra de seu criador.

Assim, ele concentrou o poder do Chidori em sua mão, manipulando este pra que se estendesse como uma fina lâmina de pura eletricidade.

Mas não foi capaz de alcançar o dragão. Sabendo ser este o limite de seu alcance, Sasuke desativou seu Chidori, tentando calcular o próximo movimento de Deidara. O criador de bombas era obviamente um oponente de longo alcance, e se ele se mantivesse sobre o dragão, a batalha seria difícil.

Nada que não pudesse dar conta, é claro, mas difícil de qualquer forma.

O dragão cuspiu outro daqueles pássaros explosivos, e Sasuke escapou por pouco. Mas quando ele deixou a nuvem de poeira, seu pé mal havia tocado o chão antes que este detonasse sob ele, como se tivesse pisado em uma bomba ao invés do solo.

Não havia tempo hábil pra sair do caminho. Tudo o que Sasuke pôde fazer foi ativar seu selo amaldiçoado, usando as enormes asas pra voar pra cima numa tentativa de minimizar o dano.

No final das contas, ele perdeu uma das botas e terminou com diversos cortes e ferimentos. Mas não havia nenhum dano crítico.

Sua cabeça girou pro lado conforme detectou movimento pelo canto do olho. Tobi surgiu do solo agitando uma das mãos de forma entusiasmada.

"Já terminei de colocar as minas terrestres!" ele gritou, e Sasuke se deu conta do que havia acontecido. O solo estava crivado com as bombas de Deidara, e ele havia tido o azar de pisar numa delas.

Sasuke mal se deu conta de Deidara alertando pra que seu parceiro saísse do campo de batalha, ele estava ocupado demais buscando o chakra de Sakura, tentando determinar se ela estava longe o suficiente...

Parecia que sim. E se distanciando cada vez mais, ele se deu conta, mas pelo menos ela estava fora do campo minado e do alcance imediato das explosões.

Uma parte de Sasuke podia admirar a estratégia de Deidara. Minas terrestres sob o solo e bombas guiadas do céu? Não imaginava que muitos oponentes seriam capazes de durar muito diante desses ataques.

"Você talvez queira ser cuidadoso," Deidara zombou. "Um passo em falso... e bum!"

Sasuke registrou com cuidado o fato de que Deidara não parecia capaz de detonar as bombas conforme sua vontade. Isso significava que as bombas acertadas por suas senbon não haviam explodido por que seu Chidori havia de alguma forma neutralizado sua capacidade de explodir?

Um plano começava a se formar na cabeça de Sasuke. Seu Sharingan lhe permitia enxergar chakra, e ele podia ver que estava completamente cercado de minas explosivas. Mas se eletricidade realmente funcionava pra neutralizá-las...

O dragão cuspiu outra bomba e ele deixou que esta viesse, lançando sua espada carregada com Chidori para o lado. A bomba acertou diretamente seu ombro direito, e a explosão resultante o derrubou, arrancando a asa do resto de seu corpo.

Ele grunhiu, tentando empurrar a dor pro fundo da consciência. Ter suas asas feridas era sempre estranho – como não eram uma parte normal de seu corpo, a dor era sempre menos intensa, como se elas não estivessem de fato conectadas a ele.

Sakura provavelmente podia dar uma explicação médica do motivo, mas ele realmente não podia pensar nisso agora.

Ele pôde notar que sua espada havia ido parar a vários metros de distância. Havia se enterrado fundo no solo, diretamente sobre uma mina... sem provocar uma explosão.

Parecia que sua suspeita de que seu Chidori podia neutralizar as bombas fora comprovada. Agora tudo o que precisava fazer era atrair Deidara pra uma posição diretamente acima da lâmina...

Escondido pela nuvem de poeira, ele lançou duas fuuma shuriken (*1) para o alto, segurando com força os fios presos a elas. Só mais um pouco...

A nuvem de poeira se dispersou com uma ventania repentina pra revelar o dragão se preparando pra cuspir outra bomba. Sasuke deu um puxão nos fios em sua mão, fazendo as shuriken reverterem sua trajetória, e irem em direção a Deidara.

O dragão se desviou delas, deixando que passassem por ele de forma inofensiva... e se posicionando diretamente acima da espada.

Sasuke mal escutou a provocação de Deidara ou deu atenção ao dragão cuspindo outra bomba, estava concentrado demais em seu objetivo. Conforme a bomba caía, ele saltou para o lado, aterrissando com a fluidez de um felino no cabo da espada e usando esta pra se lançar no ar.

Quando acreditou estar perto o suficiente, liberou sua lâmina de eletricidade... e dessa vez, acertou seu alvo, cortando fora uma das asas do dragão com precisão.

O dragão caiu incapaz de permanecer no ar com apenas uma das asas. Sasuke deu um puxão nos fios em sua mão mais uma vez, mudando a trajetória das shuriken no ar e fazendo com que se chocassem contra os braços de Deidara, prendendo este contra o dragão... e se certificando que ele sentisse todo o impacto quando sua criação caísse sobre as minas que ele mesmo havia criado.

O dragão atingiu o solo, e a explosão resultante derrubou diversas árvores e levantou uma nuvem de poeira tão espessa que Sasuke mal podia enxergar.

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De repente, o chão balançou perigosamente sob os pés de Sakura enquanto uma explosão clareou a floresta atrás de si.

A médica parou, mordendo o lábio enquanto olhava por cima do ombro. Sentiu mais um forte motivo pra voltar.

Disse pra si mesma pra não se preocupar – ela havia visto pessoalmente o quão poderoso Sasuke era.

Mas mesmo assim... e se ele estivesse machucado?

Naquele segundo Sakura não pôde negar que Sasuke ainda tinha um lugar em seu coração.

"Maldição!" ela gritou, batendo o pé como uma criança contrariada. Mas naquele momento Sakura se deu ao direito de uma atitude petulante. Não era justo! Como ela ainda podia ter sentimentos por um homem que a largou inconsciente num banco, tentou matar seu melhor amigo, e essencialmente a seqüestrou? Não era justo!

Sakura sabia que devia apenas continuar correndo. Olhando sob a ótica da lógica, Sasuke era seu seqüestrador – ela não lhe devia nada.

Mas ao mesmo tempo, ela não podia esquecer que a razão pela qual ele a havia seqüestrado tinha pouco a ver com maldade e muito com genuína preocupação com sua segurança. E Sasuke havia sido quase gentil nos últimos dias, como se estivesse livre pra relaxar um pouco agora que havia deixado Oto pra trás. Se nada mais, ele estava definitivamente mais comunicativo.

Mas tudo se resumia ao fato de que ela estava tentando justificar o que levava em consideração agora. Tentava justificar o fato de saber que nunca se perdoaria se não desse a volta agora. Ninguém a recriminaria se o abandonasse agora... ninguém a não ser ela mesma. Ela podia escapar na calada da noite sem uma gota sequer de culpa... mas não podia se convencer a deixar Sasuke no meio de uma batalha.

Assim, com um último suspiro diante de seu estúpido coração, Sakura se virou e correu de volta pra direção de onde havia vindo.

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(cena: mangá 359)

Sasuke invocou suas cobras e as fez se enrolarem num tronco de árvore pra puxá-lo para a floresta, aterrissando num galho onde estaca seguro das minas terrestres. Seu selo amaldiçoado regrediu conforme observava a fumaça subindo, tentando avaliar se havia sucedido.

Aparentemente não, pois Deidara emergiu da poeira da explosão montado num enorme pássaro de argila. Mas a explosão havia lhe causado algum dano – as roupas do loiro estavam manchadas com seu próprio sangue.

O rosto de Deidara estava contorcido em fúria, e dessa vez, quanto pegou argila de suas bolsas não usou as mãos para moldá-la...

Ele a comeu.

(cena: mangá 360)

Sasuke observou, tentando imaginar que tipo de jutsu deveria ser aquele... até que Deidara cuspiu um rio de argila disforme que se contorceu até formar uma enorme escultura de si mesmo.

Era gigantesco. E se aquilo era outra bomba...

Sasuke se virou e correu entre as árvores, desesperando colocar distância entre ele e aquela figura enorme pra que não fosse feito em pedacinhos quando ela detonasse. O gigante se moveu, se inchando como se estivesse prestes a explodir...

Mas não explodiu. Ao invés disso, se desfez em poeira.

Por um momento, Sasuke imaginou que houvesse sido um erro. Talvez Deidara não tivesse chakra o suficiente pra tornar o explosivo efetivo?

Mas então seu Sharingan detectou a nuvem de chakra voando em sua direção.

Não foi um erro de Deidara... aquilo apenas havia se desintegrado em bombas minúsculas demais pra que ele as enxergasse. Pequenas o suficiente pra serem inaladas. E uma vez que ele as inalasse...

Sasuke não precisava ser um gênio pra saber o que aconteceria se aquelas bombas detonassem dentro de seu corpo. Ele lançou um sutil genjutsu pra fazer parecer que ainda estava fugindo de Deidara e rapidamente ativou seu selo amaldiçoado mais uma vez, invocando uma grossa massa de cobras pra substituir a asa que lhe fora arrancada.

Deidara sobrevoava a área próximo à nuvem de bombas. Se ele pudesse alcançá-lo...

Ele se lançou no ar a partir do topo das árvores, ouvindo Deidara gargalhar enquanto assistia a ilusão de Sasuke sendo destruído pelas bombas...

Então ele pareceu notar que o Sasuke real estava atrás dele, e sua gargalhada morreu. Ele se virou na direção do ataque... mas reagiu tarde demais, e Sasuke atravessou seu peito com o punho energizado pelo Chidori.

"Não acertei seu coração de propósito," Sasuke chiou. "Agora, me diz onde Itachi está."

Ele pensou ter ouvido uma explosão abaixo deles, mas ignorou – era provavelmente algum animal desavisado que havia pisado numa das minas terrestres.

Deidara sorriu com malícia... e uma mão surgiu das costas do pássaro sob eles, agarrando o tornozelo de Sasuke.

Deidara emergiu do corpo do pássaro conforme o corpo que Sasuke havia golpeado se dissolveu em argila.

'Um clone de argila ', Sasuke pensou.

(cena: mangá 361)

Deidara vomitou outra cópia de si mesmo, e a argila maleável envolveu Sasuke e o engoliu. Ele conseguiu libertar uma das mãos, sabendo que não tinha chakra suficiente pra livrar da argila que o envolvia. A princípio, Sasuke achou que ela iria explodir ao seu redor... até seu Sharingan detectar a nuvem de chakra saturando o ar ao seu redor.

Mais bombas microscópicas. O ar ao redor da criação de Deidara estava carregado com elas.

Desesperado, Sasuke executou outro Chidori e se libertou da prisão de argila. Mas sabia que havia inalado as bombas.

Então, caindo em direção ao solo, Sasuke voltou seu Chidori contra si mesmo, torcendo pra que a eletricidade neutralizasse os explosivos antes que detonassem.

Conforme caía, Sasuke podia jurar que ouviu mais bombas explodirem no solo, mas disse pra si mesmo que não era preocupação sua.

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"Uau..." Sakura sussurrou, observando o inofensivo campo de terra a sua frente.

Mas aparências podiam enganar – ela acabara de ver um lagarto caminhando pela terra... e ser feito em pedacinhos como se tivesse pisado numa mina terrestre.

O que não estava fora das probabilidades, ela admitiu. Deidara trabalhava com explosivos de argila – talvez ele as tenha colocado durante sua luta com Sasuke.

'Okay ', ela disse pra si mesma. 'Pense bem sobre isso... você só precisa detonar as bombas antes de pisar no chão.'

Ela se baixou, pegando alguns pedaços de terra, e jogando um deles no solo a sua frente.

Nada aconteceu (ela provavelmente estava um pouco fora dos limites do campo minado), então Sakura pegou outro pedaço de terra e jogou um pouco mais distante, mas ainda perto o suficiente pra que ela pudesse saltar até lá se preciso.

A explosão resultante a cobriu com poeira, a fazendo tossir. Mas pelos sabia que havia detonado aquela mina.

Assim, Sakura saltou precisamente no centro da cratera em apenas um pé, não se atrevendo a colocar o outro no chão pra não arriscar detonar outra mina. Ela atirou outro pedaço de terra, detonando outra mina a sua frente, e saltou para o centro da nova cratera novamente.

Era como se jogasse amarelinha... uma variação mortal de amarelinha.

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Sasuke aterrissou pesadamente sobre no chão, cada célula do seu corpo gritava... mas visto que não havia explodido em partículas microscópicas de poeira, ele presumiu que seu truque com o Chidori havia funcionado.

Mesmo que tivesse deixado cada partícula do seu corpo tremendo de dor com a eletricidade que havia corrido pelo próprio corpo.

Pela gargalhada de Deidara, soube que seu oponente presumiu que ele estivesse morto. Sasuke teve simplesmente que correr por dentre as árvores atrás de Deidara e enterrar seu punho no rosto dele, o fazendo derrapar pelo chão.

(cena: mangá 362)

"Onde está Itachi?" Sasuke perguntou gravemente enquanto se aproximava lentamente do Akatsuki.

Deidara rosnou, e duas cobras de argila se lançaram das bocas em suas mãos e agarraram os tornozelos de Sasuke. O Uchiha deixou a eletricidade de seu Chidori correr pela sua pele, envolvendo as cobras e correndo pela argila...

Deidara se apressou em quebrar o contato com as cobras antes que fosse eletrocutado.

Sasuke tentou continuar a avançar, mas suas pernas se dobraram, fazendo com que caísse de joelhos no chão.

Os dois homens se encararam a alguns metros de distância, ambos machucados, sangrando, e quase que totalmente sem chakra.

"Nossa, vocês não parecem muito bem" veio uma voz das árvores.

Sasuke se virou, surpreso ao ver Sakura de pé na beira da clareira, suas roupas sujas de poeira e suor. Ele estava tão exausto que não havia sentido sua aproximação.

"O que você está fazendo aqui?" ele rosnou.

"E o homem quase morto grita pra médica que veio salvar seu traseiro infeliz," ela resmungou balançando a cabeça.

Deidara deu um sorriso sórdido. "Você escolheu uma péssima hora pra voltar."

Ele se livrou dos restos esfarrapados de sua camisa, revelando um corte costurado atravessando seu peito. Levou uma das mãos ao peito pra que a boca em sua palma mordesse os pontos, enquanto a outra mão tirava uma grande massa de argila da bolsa.

A pele pareceu se abrir, e Sakura se deu conta de que aqueles pontos mantinham uma outra boca costurada. Uma boca que saía diretamente de seu peito.

"Qual é o problema com vocês da Akatsuki?" ela soltou. "Primeiro o garoto-marionete e agora você – é como se alguém tivesse escolhido vocês num show de aberrações!"

"Cala a boca!" ele gritou, enfiando a argila na boca em seu peito. "Eu vou explodir!"

'Um ataque suicida, ' Sakura pensou perturbada.

Ela pôde praticamente ver seu chakra se acumulando conforme linhas escuras corriam por seu corpo como se ele fosse argila craquelada.

Sasuke se jogou pra trás, tentando fugir pra longe, mas ele estava tão acabado que sabia que não chegaria muito longe. Mas de repente Sakura estava ao seu lado, com uma de suas pequenas mãos em seu ombro.

"Me dá suas senbon," ela ordenou enquanto enfiava a mão em uma das bolsas em sua cintura e puxava as últimas senbon de Sasuke.

Ela nunca havia feito nada assim. Ela não queria tocar Deidara no caso do contato poder provocar a explosão... mas senbon eram pequenas, e não deveria haver tempo hábil entre o contato inicial e sua morte.

Se ela fizesse isso direito.

Ela já havia visto pessoas serem mortas por apenas algumas senbon nos pontos certos – sabia ser possível. Ela conhecia todos os pontos, os múltiplos minúsculos alvos que precisava acertar e quantos... ela apenas precisava ser extremamente precisa. Uma luz brilhante já começava a surgir das rachaduras na pele de Deidara, como uma estrela prestes a explodir. Suas retinas estavam queimando, mas Sakura não ousou proteger os olhos, apenas acertou a mira...

' Vamos lá Sakura, canalize a Tenten dentro de você!'

E então ela lançou.

Mas ela não teve chance de ver se obteve sucesso, porque o braço de Sasuke agarrou sua cintura de forma quase dolorosa e a puxou contra seu peito antes de ela sentir a sensação vertiginosa de um jutsu de teleporte.

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(cena: mangá 363)

"Que diabos foi isso?" Naruto perguntou, observando o horizonte, onde um brilho intenso havia surgido... e desaparecido repentinamente, tudo no espaço de poucos segundos.

"Vamos lá descobrir," Yamato comentou. Assim, ele, Naruto e Hinata correram pra aquela direção.

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"Onde estamos?" Sakura sussurrou.

Ela não sabia pra onde Sasuke os havia transportado, apenas notou que estava completamente escuro, o chão era esponjoso e o cheiro era bem desagradável. Pontos de luz surgiam e desapareciam de sua visão, enquanto seus olhos se esforçavam pra se adaptar à escuridão após aquela luz tão intensa.

Ela não podia enxergar Sasuke, mas podia sentir que seus braços ainda a apertavam com força, e que ela tinha as mãos sobre seu peito nu, que parecia estar a poucos centímetros do seu rosto.

"Precisávamos de abrigo contra a explosão," Sasuke disse, soando tenso e cansado. "Transportei nós dois pra dentro de Manda."

"Quer dizer... estamos dentro de uma cobra?"

"Sim."

Sakura digeriu a informação por um segundo. "Não estamos... machucando ela?"

Sasuke refletiu que isso era típico de Sakura. Eles estavam dentro de uma cobra que teria ficado satisfeita em tê-la devorado da última vez que se encontraram,... e estava preocupada em estar causando dor à criatura.

"Não," ele disse. "Duvido que tenhamos tamanho suficiente pra machucá-lo."

"Ah... você se dá conta que caso meu ataque funcionasse não haveria uma explosão? Aquela senbon teria parado o coração dele antes que ele acumulasse energia o suficiente pra explodir."

Sasuke ficou tenso. Transportá-los pra dentro de Manda havia exigido uma quantidade enorme de chakra – e ela estava dizendo que podia ter evitado o trabalho? Que ela pode tê-lo matado com uma senbon?

"Tem certeza?"

"Bem... eu nunca havia feito aquilo de fato," ela admitiu. "Mas eu sei onde acertar – só depende do quão precisa eu for... então talvez seu plano de escape tenha sido uma boa idéia."

"Hn."

Sakura podia escutar a respiração irregular de Sasuke no escuro, e podia sentir cada movimento doloroso sob suas mãos. Ele estava claramente gravemente ferido e extremamente exausto – ela estava surpresa que ele ainda estivesse de pé.

E mesmo que tivesse lhe custado muito, ele havia feito o melhor que pôde pra salvar sua vida.

Sem realmente pensar sobre o que fazia, começou a canalizar seu chakra pro corpo de Sasuke, tentando curar seus ferimentos mais graves. Ela sentiu ele se contrair surpreso, antes de relaxar sob seus cuidados.

Era a primeira vez que ela o curava.

Ela não sabia por que havia escolhido agora pra ajudar Sasuke – talvez porque ele precisasse, talvez por ela ter finalmente admitido pra si mesma que não havia sido capaz de tirá-lo de seu coração, talvez fosse porque ele finalmente tivesse demonstrado que havia mais de seu antigo colega do que ele admitia...

Qualquer que fosse a razão, Sakura havia feito sua escolha.

Sasuke observava de cima o rosto de Sakura iluminado pelo suave brilho de seu chakra, com uma expressão de concentração. Ele podia sentir sua energia fluindo pro seu corpo, renovando ele, acalmando as dores dos ferimentos adquiridos na batalha contra o membro da Akatsuki.

Nunca havia lhe agradado ser curado por Kabuto. O processo sempre lhe pareceu invasivo e desconfortável, como se um parasita invadisse seu corpo, fazendo sua pele se arrepiar mesmo enquanto era curado. Mas isso era diferente. O chakra de Sakura o lembrava mais de um banho quente num dia frio – relaxante e agradável, uma sensação que queria prolongar ao invés de terminar logo.

Sakura lentamente diminuiu a quantidade de chakra que fluía pro corpo de Sasuke. Seu estado se devia mais à exaustão de chakra do que qualquer ferimento, e não havia nada que pudesse fazer quanto a isso. Levou apenas alguns momentos e uma quantidade surpreendentemente pequena de chakra pra tratar seus piores ferimentos – ela estava um pouco cansada, mas não sentia qualquer tontura, muito menos vontade de desmaiar.

Uma mecha de cabelo caiu sobre seus olhos, e Sakura estava prestes a soprar ela pro lado quando os dedos de Sasuke pegaram os fios rosa e os empurraram atrás de sua orelha com um toque surpreendentemente gentil.

Chocada, voltou seus olhos pro rosto de Sasuke. Sua expressão, demarcada com sombras pelo suave brilho de seu chakra, era praticamente ilegível. Ela quase se convenceu que Sasuke não quis dizer nada por aquele gesto – que aquele toque havia sido completamente inocente – quando sua mão deslizou por sua bochecha, seus dedos acariciando seu queixo enquanto aponta de seu polegar tocava de leve a beirada de seu lábio inferior.

Ela não se importava o quão anti-social Sasuke fosse, até mesmo ele tinha que saber que aquilo definitivamente não era um toque inocente!

A mão descansando na parte de baixo de suas costas fazia uma leve pressão, o suficiente pra instigá-la mais perto, mas não de modo que não pudesse resistir. Mas Sakura não resistiu – todo o lado racional de seu cérebro parecia paralisado, e ela se viu diminuindo a já ínfima distância entre eles. A posição de suas mãos no peito de Sasuke se tornou desconfortável, então elas automaticamente deslizaram pros seus ombros, parando quase em sua nuca, enquanto seu chakra ainda brilhava em seus dedos.

A mão em seu rosto não se moveu, e não deteve a lenta exploração da curva de seu lábio.

Sasuke não tinha uma idéia concreta do que estava fazendo. Sabia que estava brincando com fogo, mas não parecia conseguir se deter. Talvez fosse a exaustão, talvez fossem as estranhas sensações que o chakra de Sakura provocavam nele...

Qualquer que fosse a razão, Sasuke havia feito sua escolha.

Ele estava prestes a inclinar seu rosto e descobrir se aqueles lábios eram macios como a pele sob seus dedos quando tudo sacudiu de uma forma desagradável ao redor deles, e a boca de Manda se abriu pra cuspi-los no chão.

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Suigetsu soltou um palavrão quando viu um clarão no ponto de encontro. Ele tirou o pergaminho de invocação que Sasuke havia lhe dado de dentro de sua mala, desenrolando ele no chão enquanto pegava também um pequeno vidro de sangue que Sasuke lhe dera no caso de uma emergência.

Suigetsu avaliou que isso se qualificava como uma emergência.

Ele pingou algumas gotas do sangue de Sasuke sobre o pergaminho, pressionando sua mão contra ele e invocando Manda.

A gigantesca cobra surgiu numa nuvem de fumaça, seus olhos estavam estranhamente vidrados e seu corpo imóvel.

'Genjutsu, ' Suigetsu concluiu.

A princípio ele se perguntou por que Sasuke havia lhe dado instrumentos pra invocar uma cobra gigante – como isso deveria ajudar? – mas então Manda se inclinou, abrindo a boca... e vomitando duas pessoas no chão.

Sasuke e Sakura aterrissaram com força de lado, e a visão perspicaz de Suigetsu registrou a mão de Sasuke atrás da cintura de Sakura, agarrando o tecido de sua roupa, bem como as mãos de Sakura nos ombros de Sasuke.

Eles se esforçaram pra se levantar – Sasuke mais lentamente que Sakura – deliberadamente evitando cruzar os olhares.

E Suigetsu soube que algo havia acontecido. Se nada mais, a tensão sexual era tão densa que era quase palpável.

"Você parece bem acabado," Suigetsu comentou, reparando nas manchas de sujeira e sangue decorando o corpo de Sasuke, e a camada de poeira nas roupas de Sakura. "Lutou com alguém?"

Sasuke não respondeu – apenas fez um leve gesto que fez Manda desaparecer em outra nuvem de fumaça antes de cair de joelhos.

Sakura automaticamente agarrou seus ombros novamente pra estabilizá-lo, e Suigetsu reparou que ele não rejeitou o contato. Na verdade, o Uchiha pareceu quase desapontado quando ela recolheu as mãos.

"Houve uma explosão?" Sasuke perguntou.

Suigetsu balançou a cabeça. "Não, sem explosão – só vi uma luz muito intensa que desapareceu de repente."

"Mas nada de explosão?"

"Nada de explosão."

Sakura riu com uma expressão triunfante. "Viu? Eu te disse!"

Sasuke bufou pelo nariz, se recusando a admitir que estava realmente impressionado pelo truque de Sakura com a senbon ter funcionado.

E Tobi e Deidara haviam mencionado que ela havia matado outro membro da Akatsuki. Era desconcertante imaginar que Sakura tinha poder suficiente pra derrotar um daqueles ninjas – ele quase havia morrido tentando matar Deidara.

"O que foi que você disse pra ele, princesa?" Suigetsu perguntou, interrompendo os pensamentos de Sasuke.

Sakura abriu a boca, mas foi interrompida por berros vindos de trás deles. Os três se viraram pra ver Karin e Juugo se aproximando em alta velocidade.

"Ei," Sakura disse acenando.

Juugo lhe deu um sorriso, e Karin a ignorou.

"Eu enfrentei um Akatsuki," Sasuke disse, cortando qualquer pergunta que tivessem. "Ele era mais poderoso do que eu havia imaginado."

"É este o homem que derrotou Orochimaru?" Karin chiou.

"Orochimaru já estava enfraquecido," Sasuke explicou simplesmente.

"Bem, na condição de médica, posso dizer que você não vai a qualquer lugar por algum tempo," Sakura lhe informou. "Se formos procurar um lugar pra descansar, garanto que você vai se sentir melhor."

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(cena: mangá 364)

Sakura se encostou cansada contra a parede do pequeno hotel. Ainda que não estivesse totalmente exausta, curar Sasuke, sua corrida desesperada (em ambas as direções) e a longa caminhada até o hotel lhe garantiam que uma soneca certamente não poderia ser evitada.

Nem pra Sasuke, mas ele aparentemente havia optado pela teimosia. Ainda que estivesse num futon, estava sentado e bem acordado, e interrogando os outros membros do grupo no momento.

Ao menos ela havia conseguido trocar suas roupas suadas e empoeiradas.

"Alguém conseguiu alguma pista de Itachi?"

"Você só pode estar brincando!" Karin bufou. "Você tá acabado e ainda tenta dar uma de durão?"

"Sakura me curou," Sasuke rebateu.

Sakura revirou os olhos. "É – curei a maioria dos seus ferimentos físicos. Não posso fazer nada quanto à exaustão de chakra, e é isso que acabou com você. Então aceite minhas recomendações médicas e descanse."

"Eu aceitaria suas recomendações, princesa," Suigetsu ronronou. "Você pode brincar de médico comigo a hora que quiser..."

Sakura soltou uma meia-risada pelo nariz, mas Sasuke lançou um olhar penetrante e irritado, obviamente descontente com o tom sugestivo de Suigetsu.

"Eu ouvi falar bastante de Akatsuki," Suigetsu disse, rapidamente voltando pro tópico da conversa. Parecia haver um nível a mais de intensidade no olhar de Sasuke dessa vez, reforçando ainda mais a impressão de Suigetsu de que havia acontecido algo entre o Uchiha e Sakura. "Mas nada específico sobre Itachi."

Os olhos de Sasuke se voltaram pra Karin, e a ruiva encolheu os ombros expressivamente.

"Eles estão procurando pessoas com tipos especiais de chakra pelo o que eu ouvi," Suigetsu continuou.

"Eles estão atrás de demônios," Sakura disse abruptamente. "Você sabe, as bestas de caudas? Então, eles caçam as pessoas que servem de hospedeiros pra esses demônios."

Ela engoliu o resto de sua frase, ' e é por isso que você te que me deixar voltar pro Naruto, ' sabendo que provavelmente não ajudaria em nada pra alterar a postura de Sasuke. Ele parecia resoluto em mantê-la com Hebi, e agora que sabia por que, estava achando difícil ficar irritada com ele.

"Como você sabe disso?" Karin perguntou, obviamente desconfiada.

Sakura deu com os ombros.

"Pelo o que os animais me disseram, Akatsuki tem vários esconderijos de onde operam," Juugo comentou, observando os pássaros pousados sobre seus ombros. "Eles disseram que sentem uma sensação estranha, um chakra desagradável."

"Hahaha, nunca pude imaginar que um monte de animais estúpidos pudesse sentir chakra," Suigetsu riu. "Se bem que 'animal estúpido' descreve Karin muito bem, então acho que faz sentido..."

"Seu desgraçado!" Karin gritou, acertando a cabeça do Suigetsu com um chute certeiro, a qual se desfez em líquido imediatamente e espirrou na parede.

Sakura suspirou, se inclinando contra a parede e fechando os olhos numa tentativa de ignorar a discussão. O som de asas batendo a fez abrir os olhos novamente... pra ver os pássaros voando pra longe de Juugo, que havia ficado estranhamente tenso.

'Oh, oh,' ela pensou.

Ela não foi a única a perceber. Sasuke observava marcas escuras se espalharem pela pele de Juugo, sabendo que o homem estava à beira de um ataque. Ele não tinha certeza se seria capaz de subjugá-lo no seu atual estado enfraquecido... mas Sakura estava perto demais do loiro, então sua prioridade era tirá-la do caminho...

"Matar!" veio o rugido repentino de Juugo conforme ele se levantou e se jogou contra a pessoa mais próxima dele – Sakura.

A médica se jogou pra trás, por pouco evitando um golpe que teria esmagado seu crânio como casca de ovo. Os olhos de Sasuke se pintaram de vermelho e negro conforme ele ativava seu Sharingan, travando olhar o com Juugo e colocando em ação a estranha hipnose que a linhagem Uchiha era capaz.

As marcas escuras retrocederam, e Juugo caiu no chão murmurando uma série de desculpas. Sakura voltou o olhar pra Sasuke... pra encontrar seus olhos fechados, e seu queixo tocando seu peito. De fato, ele parecia estar até mesmo roncando de leve.

Ele estava dormindo profundamente.

"Ele dormiu?" Karin perguntou incrédula.

"Sabia que a exaustão por chakra acabaria derrubando ele," Sakura murmurou, balançando a cabeça exasperada.

Talvez isso lhe ensinasse a escutá-la da próxima vez.


"Amor verdadeiro chega em silêncio, sem cartazes ou luzes piscando. Se você ouvir sinos, vá examinar seus ouvidos."

- Erich Segal


(*1) Fuuma shuriken – pra quem não sabe o que é, fica mais fácil digitar no ' Google images ' e ver a imagem do que eu explicar aqui.


Uaaaaaa!

O fim do capítulo 13 marca a metade dessa fanfiction maravilhosa!

Digo e repito: agora as coisas começam a esquentar! Temos mais 13 capítulos incríveis pela frente.

Espero que vocês continuem acompanhando essa fic!

Pra dar um gostino,... cenas do próximo capítulo...

Capítulo 14 - Abdução

A equipe de Konoha encontra o corpo de Deidara e parte em busca de Sakura e Sasuke, agora mais próximos do que nunca.

Enquanto Sasuke se recupera, Karin sente a aproximação do grupo. Esta é a oportunidade perfeita pra que ele deixe Sakura partir em segurança.

Qual será a decisão de Sasuke diante da presente situação?

Entretanto, Sasuke jamais poderia imaginar as conseqüências de suas atitudes quando a pessoa que ele mais procurava surge no momento mais inapropriado.

Aguardem pelo próximos capítulo e descubram o que vai acontecer!

E não esqueçam: REVIEWS! Até a próxima!

bj galera,

dai86