Para as ansiosas de plantão: eis o capítulo 15 postado na íntegra! Aproveitem!

dai86


"O amor é como uma rosa selvagem, bonita e calma, mas disposta a tirar sangue em defesa própria."

- Mark A. Overby


Capítulo 15

Fachadas

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(cena: mangá 368)

Anestesiado, Sasuke encarou o espaço onde Sakura e Itachi haviam desaparecido.

'Seu idiota!' ele gritou pra si mesmo. 'Você não devia tê-la beijado – foi por isso que ele a levou! Ele viu e agora ele sabe o que ela significa pra você!'

Sasuke enterrou a palma das mãos em seus olhos, como que se pressionasse forte o suficiente, pudesse apagar a imagem da expressão assustada de Sakura quando Itachi a levou.

Seus dedos automaticamente formaram os selos que o transportariam pro esconderijo do clã Uchiha, mas ele se deteve. Consumiria uma enorme quantidade de chakra transportá-lo através dessa vasta distância. E se ele confrontasse Itachi com pouco chakra...

Sasuke sabia o que aconteceria. Ele iria perder, e Sakura ficaria só com seu irmão.

Ele teria que chegar no esconderijo com seus próprios pés. Itachi talvez estivesse disposto a desperdiçar chakra com o teleporte, mas Sasuke não iria arriscar – havia muito em jogo aqui.

"Ei, Sasuke!" veio a voz de Suigetsu detrás dele. "Karin sentiu outro chakra aqui e... ei, cadê a princesa?"

"Ele a levou!" Sasuke mal reconheceu a própria voz – era baixa e grave, soando mais como um animal do que humana. "Itachi levou Sakura!"

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(cena: mangá 371)

Sasuke sabia racionalmente que deveria ir mais devagar. Itachi havia feito o desafio, então era de se presumir que estaria aguardando lá por algum tempo. Ele sabia que podia descansar e se recuperar, realmente se preparar para o confronto...

Mas nesse meio tempo Itachi tinha Sakura. E Sasuke não iria deixá-la nas mãos de seu irmão por mais tempo do que o estritamente necessário – a idéia de Sakura a mercê de Itachi lhe deixava enjoado.

'Ele não vai matá-la, ' ele disse pra si mesmo, tentando acalmar as pesadas batidas erráticas do seu coração que não tinham nada a ver com o ritmo frenético que impunha a si mesmo. 'Se a quisesse morta, ele teria cortado sua garganta sem hesitação. Ele a quer viva, ele vai mantê-la viva... '

Mas isso não ajudava a calar os sussurros que diziam o quão audaciosa Sakura era, do quanto ela poderia contrariar Itachi... e o que ele poderia fazer pra subjugá-la. Se ela desafiasse Itachi, ele poderia sentenciá-la a alguns dias de agonia em seu Tsukiyomi para enfatizar seu poder sobre ela.

'Ele a quer viva, ele a quer viva... '

É claro, esses pensamentos também se perguntavam pra que exatamente Itachi podia querer Sakura viva. Se o membro da Akatsuki estava realmente atrás das bestas de caldas... isso queria dizer que Itachi a estaria torturando para obter informações sobre Naruto?

Sasuke impôs um ritmo ainda maior a sua já impressionante velocidade. Ele sabia que estava forçando os outros a acompanhá-lo, mas não conseguia se importar nesse momento.

"Tem vários chakras idênticos uns aos outros ao nosso redor," Karin disse sem fôlego.

'Clones, ' Sasuke se deu conta. Aparentemente Naruto estava entre o grupo de ninjas que o seguiam. Mas ele não esperaria nada diferente.

"Vamos continuar!" ele gritou.

Se se deparassem com algum dos clones... então eles teriam que lidar com ele. Sasuke sabia o quão vantajoso seria ter os ninjas de Konoha no esconderijo – uma comitiva de shinobi garantiria que Sakura fosse libertada e escoltada de volta pra Konoha em segurança... mas quais seriam as chances de eles acreditarem em sua história ao invés de tentarem arrastá-lo de volta pra Konoha ou matá-lo à primeira vista? E mesmo que eles acreditassem nele, Sasuke não tinha tempo de ficar dando explicações.

Sakura precisava dele.

E cada segundo desperdiçado representava outro segundo em que ela ficava nas mãos de Itachi. Sasuke percebeu seus dedos automaticamente começando a formar os selos para executar o jutsu de teleporte e cerrou os punhos, separando suas mãos.

'Não! Se! Teleporte! Se você estiver sem chakra quando confrontá-lo ele vai te matar!"

Ele teve que apertar os dentes pra evitar que gritasse aquelas palavras, se agarrando à autodisciplina forjada a ferro ao longo de anos de treinamento pra vingar sua família.

Mas quando pensava em Sakura – sua Sakura – nas mãos de seu irmão, ele podia praticamente ver sua autodisciplina desmoronando.

E sob toda aquela fúria e preocupação, culpa se revirava em seu estômago como ácido. Se ele tivesse deixado ela partir quando estavam no hotel – quanto ele deveria tê-la deixado partir – então isso nunca teria acontecido...

Ele viu um lampejo amarelo mais a frente, e Sasuke ficou grato pela distração dos pensamentos cada vez mais sombrios sobre o que Sakura poderia estar passando. A mancha amarela tomou forma e ele pôde ver claramente uma cabeleira loira bagunçada... sobre um rosto bem familiar.

"Sasuke!" Naruto gritou.

Sasuke não diminuiu seu ritmo nem um segundo. Ele esticou seu braço, pretendendo arrastar Naruto junto com ele.

"Naruto! Escuta –"

Mas tão logo sua mão encontrou o ombro do loiro, o rapaz desapareceu numa nuvem de fumaça.

Devia ser um dos clones de Naruto. Sasuke soltou um palavrão, mas continuou. Mesmo que fosse conveniente trazer Naruto consigo para garantir a segurança de Sakura, ele não iria divergir de seu caminho pra procurar por outro clone. Ele e seu time teriam que ser o suficiente.

Se bem que Hebi estava se cansando rápido com o ritmo desumano da corrida. Ele havia antecipado algum tipo de reclamação, mas nenhum dos três fez qualquer protesto.

Juugo estava em silêncio, como de costume, mas seu rosto tinha a expressão mais selvagem que Sasuke já vira fora de seus acessos de raiva. Suigetsu, que normalmente estaria choramingando por um descanso agora, não soltou uma reclamação sequer, a única expressão em seu rosto era uma de determinação impiedosa.

E Karin... bem, ela provavelmente pressentiu que ele não estava com paciência pra escutar quaisquer objeções.

Eles estavam indo pro esconderijo Uchiha, e eles estavam indo pra lá o mais rápido possível.

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"Eu encontrei ele!" Naruto gritou conforme um de seus clones deixou de existir e assim transferiu suas memórias pra ele. "Me sigam – acho que tem algum problema!"

"Por que você diz isso?" Kakashi perguntou, correndo mais rápido pra se colocar ao seu lado.

"Porque Sakura não estava com eles," o Jinchuuriki praticamente rosnou. "Havia Sasuke e três outras pessoas, mas Sakura não estava lá!"

"Então eles se separaram?" Yamato perguntou. "Sakura escapou?"

"O bastardo parecia bem aflito," Naruto comentou.

Ele duvidava que outra pessoa notasse. Sasuke era tão apático que fazia dele uma pessoa extremamente difícil de interpretar... mas uma vez que você aprendesse, um mundo de informações podiam ser notadas em cada movimento dos seus músculos faciais.

E Naruto podia dizer que Sasuke estava praticamente gritando.

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'Isso tem que ser algum tipo de recorde, ' uma pequena, lúcida e peculiarmente calma parte do cérebro de Sakura comentou. 'Isso é o quê? Meu terceiro seqüestro seguido? Primeiro Oto, depois Sasuke, e agora Itachi! Quando foi que eu me tornei uma mercadoria tão requisitada?'

O resto de sua mente estava tentando bolar algum plano de ação.

Itachi a soltou tão logo o teleporte se concluiu, e Sakura se viu num grande salão de pedra. Vários degraus levavam a um platô elevado, onde havia uma grande cadeira de pedra, como um trono. O brasão dos Uchiha estava gravado nas paredes, mas estranhamente, a parede atrás do trono tinha uma imagem com noves espirais.

Sakura tinha uma leve suspeita que aquilo deveria representar a Kyuubi – a besta de nove caudas.

Mas o aspecto mais bizarro daquele lugar era o fato de que parecia prestes a desmoronar – as paredes e piso pareciam estar descascando e rachando, com vários buracos em alguns lugares.

Itachi estava a sua frente, analisando ela com interesse, mas agora havia uma boa distância entre eles. Ele não havia feito qualquer esforço pra prendê-la ou limitar sua liberdade de qualquer forma, como se sua presença fosse o suficiente pra mantê-la cativa.

E talvez ele tivesse razão quanto a isso, Sakura podia admitir. Ele havia acabado de transportá-los por uma distância impressionante e não aparentava o mínimo cansaço. Ela apenas havia encarado uma projeção de Itachi no passado (não achava que podia chamar aquela técnica de clone)... e aquilo já havia se mostrado difícil o suficiente. Ela tremia em pensar o quão poderoso o Itachi verdadeiro deveria ser.

Os olhos de Sakura se voltaram pra entrada do salão, e ela imaginou se haveria alguma possibilidade de ela ser rápida o suficiente pra alcançá-la antes que ele o fizesse.

"Já vou adverti-la agora quanto a tentar escapar," Itachi disse, seu tom calmo, mas de alguma maneira transmitindo milhares de ameaças.

Ele deu um passo a frente, e Sakura recuou, automaticamente tentando manter vários metros de distância entre ela e o assassino.

Mas ela não foi capaz de dar dois passos antes de sentir a fria parede de pedra contra suas costas. O avanço de Itachi não se deteve em nenhum momento e Sakura sentiu medo cutucar o fundo de sua mente, lembrando que ela estava diante de Itachi, sem uma arma à mão e incapaz de desferir sequer um golpe de chakra.

O Uchiha se deteve quando estava talvez a quinze centímetros diante dela e Sakura voltou os olhos pra baixo, automaticamente evitando seus olhos caso ele tentasse usar o Mangekyou contra ela. Ele não disse nada, e Sakura teve a impressão de estar sendo estudada como um espécime numa placa de Petri.

Sakura não podia negar que estivesse assustada, mas se recusava a se entregar ao medo, mordendo os dentes e firmando os ombros. Precisava mais do que uma invasão do seu espaço pessoal pra subjugá-la!

Mas ela não o olhou nos olhos, é claro – isso teria sido simplesmente estúpido.

Itachi analisou a mulher diante de si com cuidado. Ele nunca havia deixado passar uma oportunidade de aprofundar o ódio de Sasuke por ele (afinal de contas, quanto mais seu irmão o odiasse, mais disposto estaria a fazer o que deveria ser feito) e ele sabia que tinha uma rica e inexplorada mina de oportunidade na sua frente. O ódio e raiva quanto à morte de sua família havia tido vários anos pra esfriar, pra se tornar esse ressentimento latente e calculado, ao invés da ira em chamas que um dia já foi.

Sakura representava uma perfeita oportunidade de jogar lenha na fogueira mais uma vez – a despeito de seus protestos, era óbvio que Sasuke se importava com ela de forma profunda.

Itachi não a mataria, visto que Sakura seria necessária mais tarde... mas o que mais ele poderia fazer?

Ele continuava a observá-la, reparando na coleira em seu pescoço, e se pegou imaginando o que Sasuke faria se ele a violentasse.

A idéia era desagradável, e se ele o fizesse sem dúvidas a garota ficaria traumatizada – ela não iria querer que Sasuke sequer a tocasse...

Por outro lado, ele não precisava de fato violentá-la – ele apenas precisava fazer Sasuke acreditar nisso.

"Vou me desculpar antecipadamente pelo o que estou prestes a fazer," Itachi disse educadamente. "Mas é necessário."

Sakura piscou confusa, surpresa pelo tom apologético em sua voz, e lutou contra a vontade de olhá-lo nos olhos.

A médica não pôde conter um grito de surpresa e dor quando Itachi agarrou sua camisa de repente e, usando de força bruta, literalmente a arrancou de seu corpo. O material voou em farrapos pro chão, expondo seu sutiã, e Sakura desferiu um golpe contra Itachi, tentando se afastar dele.

"Eu não vou violentá-la," ele estalou, agarrando seu pulso e o forçando dolorosamente contra a parede. "Só preciso criar a ilusão disso."

"Pra quê? Sasuke?" Sakura retrucou, lutando sob suas mãos. "Não acho que ele sequer vá se importar com o que você fizer comigo; eu sou apenas uma inconveniência pra ele!"

Mesmo ela sabia que aquilo não era inteiramente verdade – aquele beijo tinha que significar algo, certo? – mas ela não estava disposta a revelar aquilo pra Itachi.

"Inconveniência?" Itachi refletiu num tom de voz tranqüilo. "Acho que não – você é muito mais do que uma inconveniência pra Sasuke."

Sakura permaneceu em silêncio, se contorcendo insubordinadamente sob suas mãos, mas ao mesmo tempo relutante em atacá-lo diretamente no caso disso provocar alguma reação mais drástica. A tensão no ar fazia seu peito doer, e ela desejou que ainda tivesse sua camisa.

"Há muitas coisas na vida de Sasuke capazes de provocar sua ira, seu ódio... mas eu nunca havia visto algo que o acalmasse... Até hoje. E ele se controlou... por você."

Itachi estava sendo perfeitamente honesto na sua avaliação de seu irmão. Ele havia visto pessoalmente o quão facilmente Sasuke podia ser induzido à raiva... mas ele nunca havia visto algo capaz de suprimir a fúria dele. Com uma palavra de Sakura ele se controlou. Por ela, ele havia recolhido sua mão quando normalmente teria erguido ela.

"Não importa que ele diga o contrário, meu irmão faria o impossível pra garantir sua segurança."

Com isso, ele esticou a mão e agarrou a alça direita do seu sutiã, arrebentando o elástico e levantando uma marca vermelha em sua pele. Sakura rosnou e levantou o joelho, tentando acertá-lo na virilha, mas Itachi largou seu pulso e deu um passo atrás, fora de seu alcance imediato.

"Você vai dificultar minha vida?" ele perguntou como se não se importasse com a resposta.

"O que você acha?" Sakura explodiu, uma mão agarrava sua alça arrebentada de forma que não ficasse ainda mais exposta.

Ela não tinha idéia que motivo Itachi poderia ter pra fazer parecer que ele a havia estuprado, mas sabia que não seria para o benefício de Sasuke. Seus olhos permaneceram fixos nos pés dele, tentando prever seu próximo movimento, mas ela era inexperiente nesse tipo de combate e foi pega de surpresa quando os pés desapareceram repentinamente de seu campo de visão.

Quando percebeu, havia sido girada e empurrada com o rosto contra a parede. A pedra rústica arranhava sua bochecha, e ela se retraiu quando sentiu sua pele rasgando. O corpo de Itachi estava pressionado contra o seu, uma pressão sólida a mantendo presa completamente contra a parede.

Uma mão deslizou pelo seu quadril, afrouxando seu cinto e abrindo este – Sakura ouviu o som do metal contra o piso quando o acessório caiu. Sua calça permaneceu precariamente abaixo de sua cintura, e quando Itachi arrancou seu botão, ela então escorregou até seus tornozelos.

Sakura tentou chutar atrás, mas o tecido prendia suas pernas. Ela gritou obscenidades contra a parede, então lançou seu cotovelo pra cima, atrás de si mesma. O golpe conectou com um corpo firme, e ela foi recompensada com um leve chiado de desagrado. A mão que lhe agarrava perdeu força e Sakura empurrou a parede, tentando ganhar espaço suficiente pra conseguir se virar...

Então, a mão se Itachi agarrou o cabelo de Sakura, empurrando ela com violência em retaliação. Sua cabeça se chocou contra a pedra, a deixando desorientada. O relaxamento momentâneo de seu corpo deu a Itachi a oportunidade de agarrar ambos os seus pulsos como uma das mãos e pressioná-los contra a parede pra prendê-la no lugar.

Sua cotovelada havia lhe cortado o lábio, mas ele estava de fato satisfeito com isso. Itachi sabia que pra essa farsa parecer verdadeira, ele deveria ter marcas nele também – Sakura não teria se submetido a ele de forma dócil.

Ela parecia ter se recobrado do impacto contra sua cabeça e agora estava se contorcendo e lutando contra ele mais uma vez, suas mãos se sacudindo sob as dele. Um bisturi de chakra surgiu entre os dedos de Sakura e Itachi colocou mais força em suas mãos – ele não podia lhe dar oportunidade de se libertar e usá-lo.

Sua mão livre desceu para o seu seio o apertou de modo perverso. Sakura ganiu mas Itachi não lhe deu atenção, parando apenas quando teve certeza que havia deixado marcas em sua pele. Então desceu mais sua mão até a parte interna de sua coxa pra aplicar a mesma pressão lá.

Sakura teve a sensação de que deveria estar muito mais assustada do que realmente estava por conta da mão que percorria seu corpo. Mas o próprio Itachi havia dito que não iria violentá-la, e Sakura não viu motivo pra duvidar dele – porque mentiria? Os dedos se afundando em sua pele pareciam frios e distantes; não havia ânsia em seu toque, nenhum desejo de impor seu poder sobre ela, nenhuma necessidade de subjugá-la ou dominá-la.

Esse ataque não era nada além de uma tentativa deliberada e calculada em causar-lhe uma série de hematomas que fizessem aparentar que ela havia sido violentada.

Mas isso não queria dizer que ela agüentaria calada. Já que não podia chutá-lo, Sakura se conformou em mover seu pé pra trás e enterrar seu calcanhar no pé dele. A mão de Itachi perdeu força num reflexo de dor, e Sakura puxou as mãos pra baixo, seu bisturi de chakra cortando a palma da mão de seu captor.

Itachi foi pra trás rapidamente conforme Sakura girava. Ele recuou longe o suficiente pra ficar fora do alcance de quaisquer golpes que pudessem debilitá-lo, mas deliberadamente perto o suficiente pra que o bisturi pudesse causar um corte leve em sua clavícula.

Então ele se moveu com a velocidade pela qual era conhecido, tirou suas mãos do caminho e agarrou seus pulsos mais uma vez, a empurrando bruscamente contra a parede atrás dela.

Itachi a examinou com um olho crítico, como um artista contemplando as pinceladas finais de uma pintura. Ela parecia com uma mulher completamente violada. Suas roupas estavam em farrapos a seus pés, e havia um ferimento em sua cabeça que sangrava lentamente e manchava suas mechas rosadas. Suas roupas íntimas estavam manchadas e amarrotadas, e ele havia se certificado que os hematomas decorando seu corpo se concentrassem em seus braços, quadris, coxas e peitos.

Sakura respirava com um pouco de dificuldade por conta dos esforços da luta, e quando ele inclinou a cabeça e, deliberadamente mordeu sua clavícula, ela rangeu os dentes engolindo um grito e se debateu contra ele, tentando chutar as calças com as botas pra que pudesse chutá-lo com uma das pernas.

Ele apertou seus pulsos com mais força e a mordeu novamente, dessa vez a pele macia do pescoço, bem acima da clavícula, até que lhe tirasse sangue.

Sakura soltou um rosnado gutural e se contorceu contra ele. Uma de suas mãos a soltou e Sakura habilmente acertou um soco em seu rosto. A cabeça de Itachi foi pra trás, mas a mão que ainda agarrava seu pulso o torceu com violência, e Sakura foi jogada contra o chão.

Itachi plantou um pé em seu pescoço pra mantê-la no chão, satisfeito com a marca de seus dentes sangrando no pescoço dela, e contente pela dor latejando em seu queixo. Ele tinha certeza que a essa altura, estava machucado o suficiente pra passar a impressão que teve que lutar violentamente com Sakura.

A médica tossiu contra a pressão em seu pescoço, suas mãos agarrando o tornozelo de Itachi, tentando torcê-lo de algum modo pra forçá-lo a soltá-la. Ela nunca havia ressentido mais essa coleira – se não fosse um fator, ela já teria quebrado sua perna como um palito de dentes.

Ele a soltou abruptamente, como se tivesse chegado a algum tipo de decisão, e Sakura se moveu em trôpegos pra trás, e então se levantou, chutando as calças enroscadas em seus tornozelos.

É claro, isso a deixava com nada além de suas roupas íntimas, mas Sakura tinha problemas maiores do que constrangimento. Ela se pressionou contra a pedra, seus olhos se voltando para a entrada, debatendo a idéia de escapar... mas ao mesmo tempo, sabia que não tinha a menor chance e não queria dar qualquer motivo pra Itachi se aproximar novamente.

Itachi imaginou como poderia incapacitar a mulher a sua frente. Ele não podia permitir que ela interferisse, mas ao mesmo tempo, precisava dela consciente – como uma testemunha pra confirmar a história de Sasuke.

Ele tinha conhecimento sobre a coleira que ela usava; fora projetada pra interferir com os canais de chakra, limitando seu uso dessa forma. O chakra em si ainda estava presente, mas apenas uma pequena quantidade poderia ser utilizada. E se o usuário forçasse seus limites, eles freqüentemente ficariam zonzos e poderiam até mesmo desmaiar.

Mas a dificuldade da coleira se dava pelo selo gravado no lado de dentro da trava, evitando que a coleira fosse aberta sem que o selo fosse liberado antes. E se a coleira fosse cortada, a quebra do selo provocava a liberação de uma toxina que causava paralisia, destinada a incapacitar o escravo que tentasse fugir, pra que este pudesse ser encontrado e recapturado.

Itachi sabia o que podia fazer.

"Não se mova," ele instruiu Sakura simplesmente, puxando uma kunai.

Sakura ficou tensa, mal tendo tempo de registrar suas palavras antes de sentir uma repentina sensação de metal afiado e frio contra seu pescoço. Ela recuou, mas Itachi agarrou a base da coleira e a puxou de sua nuca. Sakura engasgou quando a agulha saiu de sua pele, mas esqueceu da dor no mesmo momento em que viu a coleira na mão de Itachi, a tira de couro partida em um corte preciso e limpo.

E ele nem mesmo resvalou sua pele.

Por um momento ela se sentiu bem. Mas então, dormência correu pelo seu corpo com uma velocidade impressionante, e cada músculo seu de repente pareceu ser feito de água. Seus joelhos se dobraram e ela caiu nos braços de Itachi, incapaz até mesmo de gritar.

O Uchiha foi surpreendentemente gentil quando a levantou, se direcionando para o centro do salão e depositando ela na pedra fria. Ele ajeitou seu corpo maleável de forma quase artística, meio curvada em si como se tivesse tentado se encolher numa posição fetal. Itachi reparou no sangue em sua palma manchando a pele de Sakura, e deliberadamente agarrou o canto de sua calcinha, deixando o tecido absorver o sangue.

Ele ajeitou as calças ao redor de seus tornozelos mais uma vez, e colocou os restos de sua camisa sobre ela, fazendo parecer que ele simplesmente rasgou suas roupas, tomou o que quis, e então a deixou jogada onde estava.

Tamanha desconsideração e humilhação de Sakura serviria apenas pra deixar Sasuke mais furioso.

Itachi sabia que seu irmão teve muitos anos pra refletir sobre os eventos do massacre e sua explicação tão loquaz pra tal ato. E ele sabia que muitas peças não deveriam estar se encaixando em sua mente. Itachi tinha quase certeza que qualquer confronto entre ele e Sasuke envolveria muitas perguntas pertinentes... perguntas que ele esperava evitar.

Se seu irmão acreditasse que ele havia violentado Sakura, era possível que ele apenas o decapitasse num acesso de fúria ao invés de se conter por conta de informações.

Sakura sentiu Itachi posicioná-la no chão, seus membros pesados como chumbo mesmo enquanto ela gritava pra que eles se movessem. Mas mesmo em meio ao seu desespero, alguma parte de si registrou que era realmente uma fraude complexa essa que Itachi estava arquitetando – qual era o sentido disso tudo? Ele queria que Sasuke acreditasse que ele a havia violentado... porque? O que ele possivelmente podia ganhar com isso?

A não ser que, após todos esses anos, provocar Sasuke tivesse se tornado algum tipo de jogo pra ele.

Ela viu Itachi pegar a coleira e quebrar a agulha, antes de colocá-la novamente ao redor de seu pescoço, fazendo parecer que ainda estava intacta. Seu corpo estava voltado pra entrada, e por um momento ela esperou poder ver Sasuke entrar, mas Itachi deliberadamente puxou algumas mechas do cabelo rosa sobre seu rosto, bloqueando sua visão, com a intenção óbvia de fazer Sasuke acreditar que ela estava inconsciente quando ele chegasse.

Considerando que seu corpo parecia nada mais do que uma pedra de mármore na qual estava presa, não havia absolutamente nenhuma maneira através da qual pudesse mostrar pra Sasuke que estava acordada se ele não pudesse ver seus olhos.

O fato de que ela não podia nem mesmo tirar os cabelos do rosto a deixavam tanto irritada quanto assustada. Falta de controle nunca lhe caiu bem, e Sakura teve que lutar contra uma sensação sufocante de claustrofobia. O fato que seu cabelo estava essencialmente cegando ela, não ajudava com o seu temor.

Uma batalha desesperadora estava prestes a começar e ela estava completamente vulnerável – ela não ia ser capaz nem mesmo de rolar pra fora do caminho. Diabos, ela não ia nem ver um ataque chegando!

'Se acalma,´ Sakura disse pra si mesma. ' Pânico não leva a nada. Se concentra, pensa com clareza, e bola um jeito pra sair dessa!'

Mas o que ela podia fazer se não podia se mover?

Mas conforme Sakura forçava sua mente a examinar o que sabia sobre a coleira, ela se deu conta que havia uma coisa que poderia fazer. A coleira funcionava através de químicas, o que queria dizer que essa paralisia havia sido provocada pela liberação de uma toxina, então se ela pudesse canalizar chakra pro seu próprio corpo, especialmente seu próprio fígado, ela podia desintoxicar seu sistema e provavelmente se recuperar mais rapidamente.

Assim, Sakura lentamente e cuidadosamente tentou canalizar seu chakra. Era difícil, principalmente por que não podia se mover. Médicos tradicionalmente canalizavam chakra pra área afetada através das mãos, simplesmente porque era muito mais fácil levar chakra até as mãos do que deixá-lo atravessar os complexos sistemas espalhados pelo corpo até chegar onde precisava.

E como Sakura teria que fazer isso sem ajuda de seus braços... sabia que levaria um tempo.

Bem, não é como se fosse a qualquer lugar.

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(cena: mangá 380)

Sasuke atravessou a cidade em ruínas até o esconderijo, não diminuindo em nada sua velocidade, mesmo quando Karin alertou sobre um enorme chakra se aproximando em grande velocidade.

Um balanço de um manto da Akatsuki, e então Kisame estava em frente a eles com sua gigantesca espada apoiada em seu ombro.

"Onde ela está?" As palavras de Sasuke soaram perigosamente silenciosas.

"Ela está com Itachi," Kisame disse suavemente. "Sasuke, por favor, continue sozinho. Itachi preferiria que o resto de nós aguardasse aqui."

"Vocês três esperem aqui!" Sasuke estalou. Ainda que preferisse que eles o acompanhassem pra garantir que Sakura fosse retirada do campo de batalha, ele não queria assumir o risco de Itachi machucá-la caso qualquer pessoa além dele se aproximasse.

"Ei, se o sujeito está com a princesa, nós não deveríamos ir junto?" Suigetsu interveio, meio sem fôlego – um resultado do ritmo frenético que Sasuke os forçou a manter. "Quer dizer, a gente devia se certificar que ela saia de lá, certo?"

Mas ele estava falando com espaço vazio. Sasuke já havia continuado.

Suigetsu soltou um palavrão.

"Tenho certeza que Sasuke vai cuidar da Sakura," Juugo disse em voz baixa, soando como se tentasse convencer a si mesmo. Ele agarrava a mochila de Sakura como se fosse um talismã, e havia uma expressão em seu olhar que sugeria que ele estava se debatendo com seu ímpeto assassino.

Suigetsu encolheu os ombros, deixando o assunto de lado. Ele observou Kisame e considerou desafiá-lo – essa era a principal razão pela qual havia concordado em acompanhar Sasuke, afinal de contas – mas rapidamente desconsiderou. A corrida rigorosa até aqui o havia deixado exausto demais pra tentar lutar com um homem tão poderoso.

E se Juugo tivesse um ataque, ele queria estar em condições de sair do caminho às pressas.

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"Você se demorou, Sasuke," Itachi comentou conforme seu irmão entrou. "Temo que eu e Sakura tivemos que nos entreter sem você."

Sasuke sabia que estava vendo cópias dos verdadeiros Itachi e Sakura que estavam ocultos por um genjutsu – seu Sharingan lhe revelou isso – mas também sabia que a condição de Sakura era exatamente a mesma da cópia que enxergava.

A mesma condição seminua, os mesmos ferimentos espalhados pelo seu corpo como sombras.

Sasuke disse pra si mesmo que essa fúria vermelha que o invadia era porque estava encarando o assassino de sua família. Mas ele sabia ser uma mentira – ele havia tido muitos anos pra lidar com esse ressentimento, e encará-lo com calma, astúcia e frieza calculada. Isso era a chama vermelha e fervente de uma ferida fresca, uma fúria nova.

E sua fonte era Sakura – inconsciente, encolhida em dor e obviamente violada no chão frio de pedra.

Enquanto corria pro esconderijo Uchiha, ele temia que Sakura estivesse sofrendo sob os efeitos do Mangekyou de Itachi. A idéia que seu irmão pudesse violentá-la nunca havia passado pela sua cabeça.

'Eu devia ter me teleportado... '

"Você devia tê-la deixado fora disso." Sasuke podia praticamente sentir o gosto da adrenalina e fúria na sua língua.

Itachi emitiu um leve som de escárnio que Sasuke não achou que podia ser chamado de risada. "Mas foi você quem a colocou no meio disso."

Itachi pôde sentir a pulsação ameaçadora do chakra de Sasuke preencher o salão – seu irmão estava reagindo exatamente como ele esperava. Desde o colapso de Oto, muitas pessoas vinham contando histórias, e ele deu especial atenção àquelas envolvendo Sasuke.

Especialmente àquelas sobre como Sakura acabou junto dele. O destino de uma mulher de Konoha numa base de Oto nunca era agradável – Itachi suspeitava que a possibilidade que Sakura fosse violentada era um antigo medo de Sasuke, e ele não apenas cutucou essa ferida, ele a abriu mais ainda e esfregou sal.

(cena: mangá 384)

Sasuke arrastou os olhos pra longe de Sakura, sabendo que se continuasse olhando o corpo mal tratado, iria jogar sua compostura pela janela, juntamente com seu controle sobre o selo amaldiçoado. Sutilmente e com cuidado, ele lançou um genjutsu, permitindo que sua ilusão atacasse a cópia de Itachi – confidente que pareceria real – conforme ele se esgueirava atrás do trono.

Ele estava a poucos centímetros de corpo imóvel de Sakura, e suprimiu o ímpeto de alcançá-la – ele precisava cuidar de Itachi primeiro.

Ainda que o corpo caído de Sakura fosse bem real, ele podia dizer que o Itachi sentado no trono não era – o Itachi verdadeiro (e o trono verdadeiro) estavam vários metros atrás da ilusão, oculto por um genjutsu. Mas Sasuke decidiu agir como se a ilusão fosse verdadeira – poderia ajudar a enganar Itachi, e Sasuke usaria o elemento surpresa a seu favor.

Assim, quando a ilusão de Sasuke derrotou a cópia de Itachi, Sasuke usou sua espada pra atravessar o trono de pedra, atingindo o genjutsu de Itachi no peito... mas não fatalmente.

(cena: mangá 385)

"Eu tenho uma última pergunta pra você," ele chiou, interpretando seu papel até o fim.

"Uma pergunta?" Itachi perguntou. "Achei que você iria querer me matar na mesma hora... principalmente depois do que fiz com a pequena Sakura."

Sangue pulsava pelas veias de Sasuke, ecoando pelos seus ouvidos e abafando as palavras de Itachi num ímpeto de fúria. Ele mordeu os dentes, e usou cada partícula de autocontrole pra se conter e não atacar o Itachi verdadeiro e arrancar o coração de seu peito.

O selo amaldiçoado tremeu, e algumas marcas se espalharam pelo seu ombro, escapando do seu controle oscilante.

"Quem é o terceiro sobrevivente Uchiha?" ele perguntou, ignorando as palavras de Itachi.

Sakura encarou seu cabelo, incapaz mesmo de piscar. O que ela estava escutando? Havia um terceiro Uchiha?

"Por que você quer saber sobre ele?" Itachi comentou, mas o som pareceu um tanto úmido aos ouvidos de Sakura, como se ele estivesse engasgando com algo.

"Porque eu vou matá-lo depois que matar você!" Sasuke disse com raiva. "Naquela noite... você disse que havia uma terceira pessoa. Me dei conta que só podia ser uma pessoa que você não havia assassinado, o que quer dizer que ele te ajudou a eliminar o resto do clã – nem mesmo você conseguiria assassinar toda a força policial de Konoha sozinho. Então, quem foi?"

"Uchiha Madara."

' O quê?' foi tudo o que passou pelo cérebro de Sakura. 'Ele não foi um dos fundadores de Konoha... então ele não estaria morto a essa altura? A não ser que houvesse outra pessoa no clã com o mesmo nome...'

Ela pode ouvir vagamente Sasuke fazer as mesmas objeções que ela, e voltou sua atenção novamente àquela conversa surreal, curiosa apesar de tudo.

"Madara está bem vivo," Itachi afirmou. "Se você acredita em mim ou não é escolha sua."

"Já cansei das suas mentiras!" Sasuke rosnou – não sem razão, Sakura sentiu.

"As pessoas vivem suas vidas baseado naquilo que acreditam ser verdade, e é assim que definem realidade," Itachi disse, e Sakura achou ser um momento estranho pra um discurso filosófico. "Mas verdade é um conceito vago, e dessa forma, sua realidade pode ser uma miragem."

"O que você está querendo dizer?" Sasuke parecia mais e mais irritado.

"O modo como você simplesmente decidiu que Madara devia estar morto. O modo que você acreditou que eu era um irmão gentil e atencioso."

Sakura não podia se encolher de fato, mas ela se contraiu mentalmente, num gesto de empatia a Sasuke.

Sasuke sentiu fúria se espalhar pelo seu corpo. Todo essa conversa de Itachi sobre verdade e realidade não era nada além de papo furado sem sentido – a realidade era o corpo de seus pais numa poça de sangue, a realidade era Sakura inconsciente e violentada a alguns passos dele.

A realidade era que Itachi era um monstro – um monstro que ele finalmente iria aniquilar.


"Aqueles que odeiam com mais fervor devem ter um dia amado profundamente, aqueles que querem negar que o mundo já deve ter abraçado o que eles agora destroem."

- Kurt Tucholsky


Intensooooo! O.o

Sentiram o drama? Foi por isso que eu falei que a história fica mais interessante depois do capítulo 14. Vou estragar parte da surpresa e entregar que ainda vão aparecer dois vilões pra atrapalhar a vida do nosso casal.

Bom, senti que tem muita gente que não gosta de ler capítulo em pedaços, e tem muita gente que não gosta de esperar muito pelo update. Minha conclusão: vocês querem capítulos completos rápidos, certo? Rs.

Vou fazer o seguinte: vou postar apenas capítulos completos, exceto quando sentir que vou demorar muito mesmo pra postá-los. Daí vou postar um pedaço (pelo menos metade) pra aliviar a agonia da espera e avisar quando ele será postado na íntegra.

E no próximo capítulo a emoção continua...

Capítulo 16 - Confronto

A batalha dos irmãos continua de forma violenta, enquanto Sakura continua a lutar contra os efeitos da toxina.

Em meio aos golpes e palavras selvagens, Sasuke finalmente se dá conta do segredo para o verdadeiro poder.

E esta é a última lição que Itachi gostaria de deixar pra seu irmãozinho.

Mas com o desfecho desta batalha épica em meio a ruínas, cinzas e sangue, o que restará pra cada uma destas três personagens?

É isso aí pessoal.

Esperem o próximo capítulo,... ele deve ser postado ainda no mês de maio (espero...)

E não se esqueçam de deixar reviews dizendo o que acharam desse capítulo.

Pessoalmente, quando li essa fic achei genial esse pedaço da história. A autora conseguiu deixar o clima tenso e pesado sem de fato deixar a história pesada demais, sem perder muita da inocência das personagens. Já imaginou o que ia acontecer com a cabeça da Sakura se o Itachi tivesse mesmo violentado ela. E o coitado do Sasuke? Como ia ser a interação dele com a Sakura? É claro que eventualmente ele vai descobrir a verdade, e vai ser muito legal ver a reação de cada um, mas até lá ele vai sofrer com aquele sentimento de culpa dentro dele.

Já disse e repito: sou sádica mesmo! Persongens estão aí pra sofrer pelo bem da história, rs... mas no final dá tudo certo,... acho. Veremos.

Bom, já falei demais.

Até mais pessoal..

dai86