Olha a rapidez da tradutora! (Obrigada pela ajuda pra Mari!)
Gente, ainda temos 8 capítulos até o fim de Ripples, mas já estou tentando escolher outra fic pra traduzir. Queria pedir a ajuda de vocês. Vou escolher pelo par romântico da Sakura (é claro que vou traduzir uma fic da Saku, alguém duvidava? rs) Tem uma pesquisa de opinião no meu profile. Se vocês tiverem um tempinho, cliquem lá, ok?
Tem 5 opções. Garanto que cada um desses personagens tem pelo menos uma fic muito boa pra ser traduzida (até o Deidara! Pode soar como um casal estranho, mas tem uma fanfic muito boa com os dois) Mas sintam-se a vontade pra votar no seu favorito...
Não esqueçam de deixar reviews tbem! Valeu galera!
Bjs!
dai86
"Ódio não é extinto por ódio, mas apenas por amor; essa é a regra eterna."
- Buddha
Capítulo 18
Verdade
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(cena: mangá 398)
Sakura estava certa de nunca ter estado tão chocada quanto agora. Mas ao mesmo tempo sabia que não importasse o quão confusa estivesse, certamente não era nada comparado ao que Sasuke estava sentindo.
Itachi matou todo o clã... sob ordens?
"Havia um problema em Konoha... um problema que remonta ao dia em que foi fundada," narrou Madara. "Itachi foi usado para 'corrigir' esse problema."
"Que provas temos de que você está dizendo a verdade?" Sakura perguntou, incapaz de se calar diante do óbvio.
Embora a máscara impedisse de ver a expressão de Madara, Sakura pôde praticamente sentir um arrepio correr sua espinha. Aparentemente, ele não gostava de ser interrompido.
Sasuke se moveu quase imperceptivelmente, seus músculos tensos, se preparando para reagir. Pronto para voar em Madara se ele fizesse qualquer movimento em direção a Sakura. Ele encarou a superfície espiral da máscara do Akatsuki, deixando claro que havia falado muito sério quando o ameaçou antes. Ele não se importava o quão esgotado estava ou que tipo de informações esse homem lhe prometia - se Madara ferisse Sakura, seria um homem morto.
O Akatsuki pareceu se dar conta disso, pois voltou a falar sem fazer qualquer tipo de movimento em direção à médica.
"Não tenho prova," admitiu. "É decisão sua acreditar em mim ou não. Mas apenas me ouça – é tudo que peço."
Sakura não disse uma palavra. É claro que estava curiosa, mas essa decisão cabia inteiramente a Sasuke – ela não tinha o direito de tomá-la por ele. Houve um momento de silêncio, então ela sentiu Sasuke assentir lentamente ao seu lado.
"Tudo bem, conte-nos."
Sua voz soou firme, mas Sakura não pôde deixar de notar que uma de suas mãos havia soltado o cobertor para envolver sua cintura, segurando-se nela como uma criança abraçando seu brinquedo em busca de conforto.
Não importa o quão indiferente ele tentasse parecer, ela tinha certeza que Sasuke estava realmente com medo de que estava prestes a ouvir.
Sasuke sabia que, sob circunstâncias normais, provavelmente estaria um pouco envergonhado pela forma como se agarrava a Sakura. Sob circunstâncias normais, ele não estaria se agarrando assim a ela em primeiro lugar.
Mas essas não eram circunstâncias normais. Ele sentiu como se estivesse caminhando na beira de um precipício emocional, e quando caísse... não sabia o que iria acontecer. Segurar Sakura dessa forma o acalmava de alguma maneira, o fazia se sentir mais no controle de si mesmo.
(cena: mangá 399)
Ele escutou Madara falar sobre a época em que organizações ninja eram apenas clãs individuais que agiam como mercenários. Mas havia dois clãs que eram aclamados como os mais poderosos – Uchiha e Senju da Floresta. Mesmo entre os Uchiha, Madara era considerado excepcionalmente poderoso – o fato de ter sobrevivido por tanto tempo era prova clara disso. Ele adquiriu o Mangekyou Sharingan e depois usou os olhos de seu irmão para torná-lo permanente (como Itachi havia revelado) e se tornou o líder do clã Uchiha.
E numa época em que a liderança de cada clã era entregue ao mais habilidoso dentre eles, era inevitável que ele entrasse em conflito com o líder do clã Senju – Hashirama.
"Conheço esse nome" Sakura pensou, consultando sua formidável memória, na tentativa de determinar onde havia escutado. "Não era esse o nome do primeiro Hokage?"
Madara alegou que Uchiha e Senju eram clãs rivais, cada qual era o único rival à altura das habilidades do outro. E conforme Madara se confrontava com Hashirama vez após vez, seu nome tornou-se cada vez mais conhecido.
"Fama? Esse foi o motivo pelo qual você roubou os olhos de seu irmão?" o timbre calmo da voz de Sasuke não traiu sua revolta interior.
"Não. Eu apenas queria força pra proteger o clã Uchiha," Madara esclareceu. "Quanto mais poderosos nos tornávamos, mais inimigos adquiríamos. Meu irmão me ofereceu seus próprios olhos pelo bem do clã."
Sasuke engoliu o desejo de apontar que a história soava muito conveniente para Madara – porque não foi ele quem ofereceu os olhos ao irmão? Continuou a ouvir o Uchiha contar sua história - começar uma discussão agora não o levaria a lugar algum.
Aparentemente, Senju pediu uma trégua aos Uchiha, e estes concordaram. Sua rivalidade havia empurrado ambos os clãs ao limite.
Mas Madara se opôs à trégua, e mesmo enquanto ele alegava que o fez para honrar aquilo pelo o quê seu irmão havia se sacrificado, e que ele acreditava que o clã Senju acabaria por exterminar os Uchiha, Sakura não pôde deixar de concluir que Madara era uma daquelas pessoas que se alimentavam de guerras e batalhas.
Logo após a aliança, os dois clãs fizeram um pacto com o líder do País do Fogo, e pela primeira vez, o sistema de uma vila ninja por país foi estabelecido. Sem guerras entre clãs rivais, as batalhas diminuíram, e eventualmente, a paz se instaurou.
Mas havia uma disputa pela posição de Hokage. A aldeia elegeu Hashirama, e Madara, vendo que os Uchiha estavam perdendo sua supremacia, optou por se opor a ele. Mas ninguém o apoiou, dizendo que ele era motivado apenas pelo seu próprio desejo de poder.
'E eu estou inclinada a acreditar que eles estavam certos,' Sakura pensou. 'Seu próprio clã queria paz – isso não devia ser sinal de que estavam contentes da forma como as coisas estavam? Um verdadeiro líder pensa primeiro nas pessoas, e não nas suas próprias ambições!'
Assim Madara desafiou Konoha e foi derrotado por Hashirama no Vale do Fim - todos achavam que ele havia morrido lá.
O Segundo Hokage instaurou a polícia militar de Konoha – controlada e ocupada por membros do clã Uchiha – supostamente para dar-lhes uma posição de confiança e assegurar que ninguém ficasse descontente como Madara.
"Mas o propósito real era distanciar o clã Uchiha do governo da vila, e manter seus membros sob vigilância," explicou Madara.
'É o que você diz...' Sakura mordeu o lábio pra não dizer aquilo em voz alta.
O clã Senju manteve sua posição de poder supremo em Konoha... e então a Kyuubi atacou.
"Apenas o Sharingan é capaz de controlar a Kyuubi, então os líderes da vila deduziram que um Uchiha estava por trás do ataque," disse Madara. "Mas foi um desastre natural, não os Uchiha."
'E, no entanto, Itachi disse que foi você,´ Sakura pensou. 'E eu não duvido dele – você simplesmente acabou de admitir ser um desgraçado sedento por poder e amante de guerras!´
Mas então o conselho suspeitou que o clã Uchiha almejava obter o controle da aldeia, ou assim afirmou Madara. Após o ataque, os Uchiha eram rigorosamente vigiados pela ANBU e foram segregados para um canto da vila.
"Sua desconfiança gerou ódio," Madara continuou. "E, eventualmente, suspeita se transformou em realidade, e os Uchiha começaram a conspirar para tomar o poder na vila. Então o conselho plantou um espião no clã Uchiha... e este espião foi Uchiha Itachi."
(cena: mangá 400)
Sakura se retraiu, e sentiu Sasuke fazer o mesmo.
"Apesar de você fazer parte do clã Uchiha, você era muito jovem para se envolver em algo dessa magnitude," Madara deu de ombros. "Então nunca lhe contaram."
Ele revelou que o pai de Sasuke havia sido o líder do golpe, e que Itachi entrara na ANBU sob suas ordens, como um espião para o clã Uchiha. Mas ele se tornou um agente duplo, e acabou espionando o clã Uchiha.
"Por quê?" Sasuke perguntou desorientado. Ele tinha a sensação de que deveria reagir com mais intensidade a isso, mas se sentiu estranhamente desconectado de tudo o que ouvia, como se não fosse exatamente real.
A mão de Sakura acariciou seu cabelo novamente, e ele fechou os olhos.
Sakura ouviu enquanto Madara contava como Itachi havia assistido à Terceira Guerra Ninja quando ele tinha apenas quatro anos de idade, e testemunhar ainda jovem tantos de sua família morrendo, o tornou o tipo de homem que odiava conflitos. Ele se importava com a estabilidade da aldeia – com a paz – mais do que se importava com as ambições de seu clã.
E quando ele recebeu a missão de aniquilar todo o seu clã, ele fez sua escolha. Se o clã Uchiha tivesse começado uma guerra civil, teria desestruturado Konoha por dentro... e os outros países certamente não desperdiçariam uma oportunidade como essa. Eles atacariam, e isso desencadearia uma Quarta Guerra.
Milhões de pessoas teriam morrido... tudo em nome dos interesses egoístas do clã Uchiha.
Então Itachi fez a sua escolha.
"Na época, eu estava amargurado tanto com o clã Senju, que havia me expulsado como com o clã Uchiha, que havia se recusado a me apoiar," Madara continuou. "Itachi foi o único que percebeu que eu ainda estava vivo, e me procurou para fazer uma oferta. Em troca de permitir minha vingança contra os Uchiha, pediu em troca que não prejudicasse o resto da aldeia. Concordei, e Itachi cumpriu seu dever."
Sasuke pareceu tremer, e Sakura não pôde deixar de se preocupar com seu estado mental. Não poderia lhe fazer bem ouvir isso tão cedo após ter matado seu irmão.
Mas Madara não havia terminado. "Matar o seu clã, deixar a aldeia... era tudo parte de seu dever. E ele cumpriu tudo, com exceção de um erro."
Sakura teve a impressão de saber aonde isso chegaria.
"Ele foi incapaz de matar seu irmão mais novo."
Sakura estremeceu.
Madara contou como Itachi pediu ao Terceiro Hokage para proteger Sasuke de Danzou e dos anciões do conselho. Então ele deixou a vila, mas não sem antes ameaçar Danzou de que, se ele sequer tocasse em Sasuke, Itachi iria vazar informações sobre tudo o que sabia de Konoha para países inimigos. Ele deu vingança a Sasuke como o objetivo de sua vida (e independente do quão nobre fosse sua intenção, Sakura teve vontade de arrebentar Itachi por isso) e ele implorou ao Hokage que não revelasse a verdade a Sasuke, querendo que ele acreditasse que o clã Uchiha havia sido um clã digno de orgulho.
Desde o dia em que deixou a vila, Itachi havia planejado enfrentar Sasuke... e então morrer pelas suas mãos.
Sakura imaginou se a morte chegou como um alívio para Itachi.
"Mentira..." Sasuke murmurou, soando quase incoerente novamente. "Você está mentindo... você tem que estar mentindo..."
Ele respirou fundo e se endireitou, se afastando um pouco de Sakura, apesar de manter um braço firmemente preso ao redor de sua cintura. Ela preferiu não mencionar que ele a estava apertando um pouco forte demais.
(cena: mangá 401)
"Eu quase morri, mais de uma vez," disse, sua voz soando sensivelmente mais estável.
"Foi tudo parte de seu plano," rebateu Madara. "Ele teve que acuá-lo pra livrá-lo de Orochimaru e do selo amaldiçoado."
Os olhos de Sakura voaram para a junção do ombro e pescoço de Sasuke, e, surpresa, percebeu que Madara estava certo – as marcas pretas na pele de Sasuke haviam desaparecido, sem dúvida eliminadas com a morte de Orochimaru.
"E com a morte de alguém próximo a você, seu Mangekyou Sharingan seria despertado," continuou.
"Você está mentindo!" Sasuke estourou. "Itachi disse que você lançou a Kyuubi sobre a aldeia."
"Ele mentiu," Madara disse suavemente. "Eu te disse – ele temia que você descobrisse a verdade. Ele mentiu pra que você não confiasse em mim. Tudo naquela batalha foi planejado... afinal de contas, ele não violentou Sakura, não é?"
Sasuke congelou, assim como Sakura.
"Itachi fez você acreditar que a havia violentado diante da possibilidade que você ficasse tão furioso com o que ele fez com ela, que você simplesmente o matasse sem se preocupar em fazer suas perguntas. Ele queria deixá-lo irritado, e provavelmente decidiu que ela era o melhor caminho."
Sasuke não podia negar que era verdade - se Itachi tivesse violentado Karin, ele teria sentido repúdio, desgosto...
Mas nunca chegaria perto da angústia que o rasgou quando acreditou que seu irmão havia forçado Sakura a-
Sasuke balançou a cabeça, tentando clarear seus pensamentos. "Não! Itachi era perverso! Ele era um criminoso-"
"Ele se juntou a Akatsuki a fim de vigiar a organização pelo lado de dentro. Ele sabia que jamais poderia voltar a Konoha, mas quando o Terceiro Hokage morreu, ele o fez de qualquer modo. O Terceiro Hokage havia jurado protegê-lo, assim, sua aparição era um aviso pra Danzou e os anciões, um aviso que ele ainda estava vivo, e haveria graves conseqüências se você fosse ferido."
"Mentiroso!" Sasuke rosnou, mas de uma forma mais fraca agora. Ele estava se lembrando das observações aparentemente casuais de Itachi sobre a natureza da realidade e da verdade antes deles iniciarem a batalha de fato.
Suas palavras pareciam desconexas e sem sentido naquele momento... mas quando colocadas em contexto com a história de Madara, tudo começou a fazer sentido de uma forma horrível.
Sakura estava lembrando a mesma coisa... mas não pôde deixar de imaginar as motivações de Madara ao contar-lhes tudo isso.
"Itachi se assegurou que sua morte lhe daria um novo poder, e que ao derrotá-lo e vingar o clã Uchiha você seria saudado como herói em Konoha. Tudo o que ele fez... foi apenas por você."
A expressão de Sakura se contorceu. Sua cabeça estava girando. Itachi matou o clã, sim, mas isso tinha impedido uma guerra civil. Ele se juntou à Akatsuki, sim, mas também fez tudo o que pôde para salvar a vida de Sasuke. Ele amava Sasuke, mas praticamente fez da sua vida um inferno...
E se isso estava fazendo sua cabeça girar dessa forma, podia apenas imaginar o que estava fazendo com Sasuke.
Pelo menos, assumindo que o que Madara dizia era verdade. Ela estava hesitante em acreditar em algo tão sem fundamento como isso, mas seu instinto lhe dizia que essa história era verdadeira – a parte sobre Itachi, pelo menos. Ela ainda não acreditava que as motivações de Madara eram realmente tão boas e nobres como ele fazia crer.
"Mas eu disse o que vim para dizer... então agora vou lhes mostrar o caminho da saída," comentou Madara.
Isso só serviu para aumentar as suspeitas de Sakura. Ele apenas lhes contou essa história e agora os deixaria partir? Ela não engolia – ele tinha que ter algum motivo ulterior, ele não lhe parecia o tipo que fazia algo apenas por fazer.
"Vamos lá Sasuke, é melhor sairmos daqui," ela murmurou, puxando gentilmente os ombros dele para que se levantasse com ela.
Ele parecia calmo e composto, mas Sakura sabia que essa não era a calma de alguém com paz de espírito - era a compostura de alguém a minutos, talvez segundos de um colapso nervoso.
O braço dele apertava sua cintura de forma tão firme que ela tinha certeza que deixaria uma marca. Lenta e delicadamente, ela se soltou do membro e o puxou ao redor de seu ombro, onde ele se agarrou da mesma forma firme. Ela deslizou seu próprio braço ao redor da cintura dele pra segurá-lo caso ele desmaiasse.
Fisicamente ele estava razoavelmente saudável, é claro, mas mentalmente era outra história. E Sakura havia testemunhado colapsos suficientes pra saber que tensão mental e emocional podia ser mil vezes mais debilitante do que exaustão física.
Se Sasuke desmoronasse, queria estar preparada pra apoiá-lo.
Madara os guiou em direção a saída, até que estivessem sob à luz do sol, e Sakura ficou surpresa ao perceber que estavam em uma praia. Deviam estar numa dessas cavernas à beira-mar cavadas pela maré.
Madara observou Sasuke e Sakura emergindo da caverna, se apoiando um no outro, e sentiu a primeira sensação de inquietação.
Ele imaginou que, depois de dizer a verdade sobre Itachi, seria fácil convencer Sasuke a se juntar à Akatsuki contra Konoha. Pra ser honesto, não imaginou que precisaria de muita persuasão – acreditou que Sasuke simplesmente tomaria a iniciativa e começaria sua cruzada contra Konoha por conta própria. Sim, Sakura era de Konoha, mas ele não achava que ela seria capaz de dissuadi-lo.
Ele a trouxe junto numa tentativa de determinar seu efeito sobre Sasuke, porém não havia previsto que sua influência fosse significativa. Assumira que Sasuke a tivesse trazido consigo para usar suas habilidades médicas, talvez com uma vaga sensação de nostalgia por seus companheiros de infância...
Mas a maneira como Sasuke a segurava agora, sua reação quando acreditou que ela estava sob ameaça, a interação entre eles na caverna; tudo dizia a Madara que ele subestimou seriamente a importância desta mulher para Sasuke.
Talvez ele devesse fazer uma sugestão para dissuadi-lo desse interesse? Ou seria tarde demais?
Sasuke piscou conforme seus olhos se ajustavam à luz do sol, imaginando o que tudo isso significava. O que ele faria agora? Ele tinha acabado de descobrir que não havia aniquilado um monstro, ele havia assassinado um irmão amoroso...
Sentiu sua garganta se apertar diante do pensamento. Não havia mais ninguém agora – ele estava sozinho, sozinho...
"Sasuke, isso é um pouco apertado demais," Sakura murmurou ao lado dele.
Sasuke relaxou a pressão de sua mão sobre o ombro dela, inspirando fundo quando percebeu que não era verdade – ele não estava sozinho.
Ele não estava sozinho, Sakura estava aqui com ele. Ainda aqui. Mesmo depois que ele a liberou, mesmo que ela pudesse ter fugido durante sua batalha com Itachi, mesmo que pudesse tê-lo deixado na caverna...
Ela ainda permanecia com ele.
"Sasuke." A voz de Madara interrompeu seus pensamentos, e Sasuke sentiu ressentimento no mesmo momento. Ele não precisa de mais revelações sobre sua cabeça – só queria ser deixado sozinho.
Ou melhor, queria ser deixado sozinho com Sakura.
"Deixe-nos!" O tom imperioso de Sasuke fez Madara ranger os dentes, mas ele reconhecia um beco sem saída quando via um. Se se impusesse, Sasuke não aceitaria nada disso. Se deixasse o rapaz pra remoer essas informações... então talvez tudo saísse como ele planejara.
E se não saísse... Madara sabia quem seria responsável - a presença de Sakura não era um mero aborrecimento, sua presença era um perigo pra seus planos.
Madara pensou em eliminá-la ali e naquele momento, mas desconsiderou a atitude como precipitada demais. Sasuke estava apegado demais a ela, protetor demais – se Sakura fosse morta, Madara teria que se certificar de que não poderia ser rastreado até a Akatsuki de forma alguma. Algo lhe dizia que caso Sasuke tivesse sequer a mera suspeita de que ele estivesse envolvido em sua morte, o jovem Uchiha dedicaria sua vida a destruí-lo.
Então ele se teleportou pra longe, deixando o casal sozinho na praia.
Sakura bufou um leve suspiro de alívio quando o Akatsuki atendeu ao pedido de Sasuke (bem, mais como a ordem) e os deixou a sós. Ela não gostava do homem.
(cena: mangá 402)
Por longos momentos, Sasuke não se moveu, observando as ondas. Sakura permaneceu em silêncio, sabendo que ele estava tentando processar tudo em sua cabeça, e não invejou sua tarefa. Era incompreensível o bastante para ela, ela odiava pensar o que poderia representar pra ele.
"Ele me amava..." Sasuke disse distante. "Ele me amava... esse tempo todo..."
Sakura podia praticamente ouvir uma sirene de emergência ecoando em sua cabeça - completo colapso mental iminente!
Ela se virou, e ficou chocado quando viu as lágrimas escorrendo dos olhos de Sasuke.
Ela nunca havia visto Sasuke chorar antes. Nunca!
Os ombros dele começaram a tremer com soluços... e foi aí que Sakura perdeu a razão. Ela se virou sob o braço de Sasuke e se agarrou a ele, envolvendo os braços ao redor de seu peito, o puxando pra si e segurando ele como se pudesse de alguma forma abraçar todo o seu sofrimento e acalmá-lo de alguma forma.
Quando ela sentiu as lágrimas arderem seus próprios olhos, não tentou resistir.
Sasuke não podia lembrar a última vez que chorou. Mesmo enquanto observava suas lágrimas pousarem sobre o cabelo de Sakura como gotículas de água salgada, o fato de que ele estava chorando não parecia real. Ele podia sentir o peso da dor em seu peito como se fosse uma pressão física, esmagando seu coração e pulmões e tudo ao redor, tornando sua respiração pesada demais, e a batida de seu coração difícil demais.
Ainda não parecia real.
Ele podia sentir os braços de Sakura ao redor dele, abraçando tão forte que suas bochechas se pressionavam contra seu peito nu como se coladas. Ele podia sentir seu cabelo amontoado contra sua pele, e a umidade de suas próprias lágrimas em sua pele. Ela estava chorando por ele... por que aquilo não o surpreendia?
Ainda não parecia real.
Ele podia sentir a respiração irregular e trêmula dela contra sua pele úmida por lágrimas, e sentiu quando ela respirou fundo pra tentar estabilizar a voz. Por um momento, imaginou o que ela diria, se tentaria evocar palavras sensatas ou banalidades na tentativa de acalmá-lo. O que ela poderia dizer nesse momento?
"Eu estou aqui," Sakura sussurrou. Ela não iria dizer 'está tudo certo' ou 'vai ficar tudo bem' – ela não sabia se algum dia as coisas estariam certas ou bem, e sabia que não faria bem nenhum mentir pra ele a essa altura.
"Eu estou aqui."
Mas ela podia dizer isso.
"Eu estou aqui."
E Sasuke se deu conta que era a verdade. Ela estava aqui com ele. Ela estava chorando por ele. Por alguma razão que ele nunca entenderia, ela se importava com ele.
Sasuke se moveu. Seus braços a envolveram, pressionando ela contra si como se desejasse puxá-la diretamente através de sua pele, pra dentro de seu peito... pra perto de seu coração.
Sakura soltou um som baixo de surpresa quando Sasuke se agarrou a ela, com uma força tão desesperada em seu aperto que chegou a erguê-la do chão. Ela não protestou – pelo contrário, apenas o abraçou com mais força. O rosto dele estava pressionado em seu cabelo rosado, e ela podia sentir suas lágrimas molhando o topo de sua cabeça e escorrendo pelo seu próprio rosto até não poder mais diferenciar as próprias lágrimas das dele.
Parte de Sasuke ainda estava totalmente surpreso com suas ações. Ele nunca foi uma dessas pessoas afeitas a contato físico – contatos prolongados como este normalmente o deixavam inquieto, ansioso para cessá-lo... não desesperado por mais.
Sasuke imaginou se os eventos pelos quais passou pudessem ter feito algo dentro dele estalar. Mas, estranhamente, não se importava. Ele não se importava com nada, exceto a dor ardente em seu peito e a garota em seus braços.
"Eu estou aqui," ela sussurrou novamente. "Eu estou aqui..."
"Obrigado."
Sakura não pode evitar a tensão diante da memória da última vez que ele lhe disse essa palavra. Uma das mãos em suas costas se curvou até que as pontas de seus dedos tocassem a espinha de Sasuke.
"Se você tentar me deixar desacordada, eu vou acertar este grupo de nervos, e juro que você não vai conseguir andar por uma semana," ela murmurou com emoção ainda lhe embargando a voz, só por cautela.
Sasuke foi tomado por uma vontade bizarra de rir. Ele bufou um suspiro divertido que soou mais como um soluço.
Sakura riu entre lágrimas e Sasuke percebeu que a tristeza que esmagava seu peito não era mais tão pesada. Ainda estava lá, mas... mais leve de alguma forma.
Lentamente ele desceu Sakura a areia, sem saber ao certo o que tinha acontecido, mas consciente de que a relação deles havia mudado. Ou talvez mudado seja a palavra errada – ela havia se transformado, da mesma forma que mover uma pedra preciosa sob a luz revela diferentes facetas da mesma.
Algo lhe dizia que esta transformação vinha se construindo há algum tempo - um longo tempo. Vinha ocorrendo há muito tempo e só agora ele se dava conta.
Seus olhos se encontraram, e ele percebeu que ela podia sentir isso também.
"Então, uh..." Sakura enxugou os olhos, apagando os rastros de lágrimas de suas bochechas. "E agora?"
Sasuke refletiu. Se tivesse matado Itachi e nunca soubesse da verdade, poderia ter sido capaz de voltar a Konoha. Mas agora que sabia o que o Conselho havia feito... não, não podia voltar. Ele precisava honrar a memória de Itachi - precisava eliminar a causa da infelicidade de seu irmão...
"Eu vou destruir Konoha," disse calmamente.
Sasuke viu Sakura arregalar os olhos surpresa. Mas ela não podia ver que isso era necessário? Os membros do Conselho eram corruptos e perversos – precisavam ser eliminados. Ele não podia permitir que eles escapassem impunes depois do que fizeram...
Sakura tinha ouvido a história por si só, certamente ela podia entender?
Aparentemente não, pois continuou encarando ele como se não pudesse acreditar nas palavras que saíam de sua boca.
Sasuke suspirou e se afastou. "Vamos lá – precisamos voltar para os outros."
"Seu cabeça-dura, estúpido, egoísta, arrogante, CRETINO!"
Sasuke se virou bem a tempo de ver o punho de Sakura voando na direção de seu rosto.
"É um dos testes mais difíceis para a amizade dizer ao seu amigo os seus defeitos."
-Henry Ward Beecher
E esse é o fim dos eventos paralelos ao mangá. A partir de agora a história de Ripples não tem absolutamente nada a ver com o original, mas ainda assim é muito legal!
E agora? Quem adivinha o que acontece no próximo capítulo? Vou entregar que o capítulo inteirinho se passa com o casal se enfrentando na praia. No que vocês acham que vai dar:
...
a) O troca tapa vai virar um rala rola na areia...
b) A Sakura foge (ressentida) pra avisar Konoha sobre os planos do Sasuke.
c) A Sakura tenta fugir, mas Sasuke a nocauteia e aprisiona (de novo) pra ela não avisar Konoha e nem se machucar no confronto com a vila...
d) A Sakura derrota o Sasuke e convence ele a voltar pra Konoha com ela...
e) Sem querer Sasuke acaba ferindo Sakura seriamente e é obrigado a levá-la pra Konoha pra ser socorrida...
...
Dêem sua opinião!
Quem já leu a fic em inglês não entrega o jogo!
Galera! Espero reviews! Muitos reviews!
Assim que possível posto a tradução do capítulo 19.
Bjs
dai86
