Tava inspirada e acabei traduzindo outra oneshot enquanto a Mari traduzia o capítulo 20.

Pra quem tiver um tempinho, leiam Nossa melodia, uma tradução de uma fic da autora annabananaa (adorei o nick ;) )

Adivinhem! Romance e drama com o casal SasuSaku. Espero que gostem.

Mas primeiro, aproveitem o capítulo 20 de Ripples!

bjs!

dai86


"Um homem viaja o mundo em busca do que procura, e retorna pra casa pra encontrá-la."

- George Moore


Capítulo 20

Reunião

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Uma parte de Sasuke ainda não podia acreditar. Ele tinha acabado de concordar em voltar pra Konoha ... com Sakura.

Ele estava voltando para Konoha. Voltando pra Naruto e Kakashi e todos os outros.

Estaria mentindo se dissesse que não era uma perspectiva assustadora. Será que seria mesmo autorizado a voltar - sem ser executado? Sasuke sabia que as punições para ninjas fugitivos eram severas e geralmente fatais... mas assim mesmo, o ninja fugitivo habitual normalmente era arrastado de volta para a vila em algemas (se estivessem sequer vivos). Provavelmente seu regresso voluntário lhe daria algum crédito.

E ao mesmo tempo... uma parte de si queria voltar. Ele sempre assumiu que poderia ter sua vingança ou seus amigos - não podia arrastá-los por esse caminho junto consigo. E ele devia isso a sua família. Então, ele fez sua escolha - cortou seu time de sua mente e de seu coração porque não podia suportar a lembrança do que tinha jogado fora... mas nunca pensou que poderia ter ambos.

Sakura provou que estava errado.

Ela ainda sorria em silêncio, e a leve curva de seu lábio o fez pensar sobre como havia sido a sensação daqueles lábios contra os seus.

"Ei!"

Sakura se virou e Sasuke amaldiçoou Suigetsu em silêncio.

O homem de cabelos branco se aproximava rapidamente, com Karin e Juugo ao lado dele.

Ele mal ouviu Karin explicar que sentiu o chakra de ambos queimando algum tempo atrás, ele estava mais atento ao largo sorriso que Sakura lançou aos dois rapazes.

"Ei, garotos – sentiram saudades?"

Juugo deu um sorriso envergonhado, entregando a mochila que carregava de forma tímida. Suigetsu sorriu de lado e encolheu os ombros desajeitado.

"Ahhh, que adorável," Sakura disse num tom melodioso, parecendo entender o que eles não diziam perfeitamente.

"Você não está ferida?" Juugo perguntou enquanto ela vasculhava sua mochila em busca da roupa suja que tinha guardado lá.

"Eu vou sobreviver," Sakura disse vagamente.

Por alguma razão só foi capaz de encontrar suas calças – não encontrava a camisa em lugar algum.

Cansado demais pra se preocupar com o mistério da camisa desaparecida, Sakura simplesmente tirou uma par de shorts da mochila e vestiu-se, discretamente curando o pequeno corte na cintura ao mesmo tempo.

Ela foi capaz de ignorar o ferimento quando gritava com Sasuke, e não havia doído muito quando foi infligido, mas sabia que se corresse por aí com a ferida aberta no quadril, provavelmente faria com que se abrisse mais ainda. Sakura não tinha muito chakra restando, mas só queria parar o sangramento. Por sorte a camisa de Sasuke era preta - ninguém notou o sangue manchando ela lentamente.

Ela fluiu chakra de cura para a ferida até que ela formasse uma casca, não querendo arriscar colocar mais chakra nele, caso contrário poderia desmaiar no caminho de volta para Konoha. Mas, conforme afastou a mão, uma ondulação dolorosa percorreu seu corpo, fazendo cada terminação nervosa estremecer.

Parecia que o expurgo realizado mais cedo estava tendo conseqüências. Geralmente levava um ou dois dias antes que as dores e o cansaço geral causados por obrigar as células do organismo a processar toxinas atingissem... mas isso era válida desde que o expurgo fosse o único esforço exigido do corpo. Com as curas executadas, e a luta com Sasuke, Sakura teve a sensação que levou seu corpo ao limite.

Ainda assim, pelo menos teria apenas que agüentar por mais algumas horas... apenas até voltarem para Konoha.

Ela não conseguia parar de sorrir diante do pensamento, embora esmaecesse um pouco diante da pergunta de Juugo.

"O que aconteceu com suas roupas?"

Sasuke – recolhendo sua espada de onde Sakura a havia atirado na praia - fez uma expressão de desgosto. Mesmo sabendo que ela não tinha sido ferida, seu estômago ainda se revirava e sentia seu corpo frio quando se lembrou de vê-la jogada no chão com as roupas rasgadas...

Sakura suspirou. "É uma longa história."

"Então... assumo que terminou seu assunto com Itachi," Suigetsu disse sem rodeios quando o Uchiha se juntou ao grupo novamente.

Sasuke fechou os olhos por um momento, provavelmente o mais próximo que chegou de se encolher, e Sakura se retraiu em empatia.

"O que há de errado?" Karin perguntou, franzindo a testa. "Sasuke... o que aconteceu?"

"Mais tarde," disse seco. "Você ainda consegue sentir o grupo de Konoha?"

"Sim..." ela respondeu lentamente. "Por quê?"

"Vamos nos dirigir pra interceptá-los," disse simplesmente. "Guie o caminho."

Sakura não pôde conter o sorriso.

"O que está acontecendo?" Suigetsu perguntou. "Você tem uma rixa com eles agora?"

"Estou voltando pra Konoha," Sasuke explicou de forma direta.

Sakura soltou o ar que não havia se dado conta que segurava. Ela podia admitir que uma pequena parte de si ainda estava duvidosa, preocupada que Sasuke mudasse de idéia, que ele só tivesse dito aquilo pra aplacá-la.

Mas, ao ouvi-lo dizer em voz alta, declarando sua intenção aos outros... Sasuke havia decidido seu rumo de uma vez por todas.

E ainda que Sakura estivesse quase em êxtase de vê-lo retornando pra casa, não ignorava por completo o quão difícil esse caminho seria. Sasuke era um traidor, um ninja fugitivo, e ainda que nunca houvesse atacado diretamente Konoha, ela sabia que seu futuro na aldeia da Folha estava longe de ser certo.

Sentiu uma pontada de culpa por tê-lo convencido a voltar, mas esmagou esse pensamento sem hesitação. Eles superariam isso - se nada mais, eliminar Orochimaru e retornar voluntariamente deveria lhe render muitos pontos.

Mas parece que as dificuldades ocorreram a Karin também. "Você não pode esperar que entremos numa aldeia que te declarou um traidor!"

"Você não tem que vir conosco," Sasuke comentou com calma.

A ruiva gaguejou.

"Nenhum de vocês tem que vir conosco," continuou o Uchiha.

A princípio, Sakura pensou que Sasuke os estava mandando embora. Mas quando pensou nisso por um momento, se deu conta que ele lhes oferecia a chance de ir embora, lhes dizendo que não tinham de segui-lo até Konoha.

"Eu quero ir com você," Juugo disse calmamente.

Sakura sorriu. Ela havia se apegado bastante a Juugo (e relutantemente, a Suigetsu), e não gostava da idéia de se despedir deles. "Aposto que Lady Tsunade terá algumas idéias sobre como te ajudar, Juugo – é só esperar para ver!"

Juugo sorriu timidamente, quase constrangido.

Suigetsu estava pesando suas opções. Ele não gostava da idéia de adentrar uma aldeia ninja na companhia de um traidor, mas... havia qualquer outra coisa que quisesse fazer? Kisame provavelmente teria outro parceiro Akatsuki logo – rastreá-lo sozinho e tentar derrotar ambos seria um jeito garantido de morrer cedo.

E, francamente, viajar com Sasuke e Sakura foi a maior diversão que teve nos últimos anos.

"Você acha que o seu pessoal me daria a chance de caçar Kisame?" ele perguntou, dirigindo os olhos pra Sakura.

"Se eles gostarem de você... e se eu for muito, muito persuasiva," Sakura sorriu de lado.

Ela sabia que Konoha estaria ansiosa pra tirar proveito de alguém poderoso o suficiente pra derrubar um Akatsuki. Eles provavelmente o tratariam com cautela, na lhe revelando nada que pudesse comprometer a aldeia, e simplesmente o enviando pra lutar contra Kisame quando a oportunidade surgisse.

Mas eles permitiriam que ele perseguisse Kisame. Se Suigetsu vencesse, teria eliminado uma enorme ameaça pra Konoha. E se perdesse, não teriam perdido nada.

E Sakura sabia que sua palavra tinha grande peso com Tsunade. Se ela falasse em favor deles, era provável que a Hokage fosse leniente.

Ela só podia torcer pra que essa leniência se estendesse a Sasuke também.

"Faça como quiser," disse Sasuke. "Karin, nos dê a direção que eles estão viajando, e então pode ir."

"Esquece," resmungou a ruiva. "Vocês vão acabar se perdendo sem mim - eu também vou."

"O que aconteceu com não entrar em Konoha com alguém que eles consideram um traidor?" Suigetsu sorriu com sarcasmo. "Revendo sua decisão muito rápido, não?"

"Cala a boca! Minhas decisões não são problema seu!"

"Elas são quando isso significa que tenho que passar mais tempo com uma vadia como você."

Sakura suspirou, segurando a base do nariz e apertando os olhos fechados enquanto tentava bloqueá-los mentalmente. Não tinha energia pra lidar com isso agora e, a julgar pela careta no rosto de Sasuke, ele também não.

"Quietos, os dois!" ele vociferou. "Karin, indique o caminho."

Apesar dos dolorosos pós-efeitos do expurgo, Sakura ainda foi capaz de sorrir.

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Kakashi pensou consigo mesmo que era realmente uma transformação notável. O grupo que havia deixado Konoha havia sido uma equipe séria, mas era uma seriedade fruto de pura determinação.

A equipe que retornava agora... seu silêncio era fruto de perda e desespero. Deram o seu melhor pra encontrar Sasuke e Sakura, e ainda assim voltavam de mãos vazias.

Naruto olhava pra trás de vez em quando, sentindo que o retorno à Konoha era uma forma de desistência. Era como dizer que eles não teriam Sakura ou Sasuke de volta. Nunca.

Kiba deu um sobressalto, freando de repente, seu nariz farejava o ar como um cão de caça. "Eu senti alguma coisa. Sasuke e Sakura, se aproximando rápido!"

Cabeças se voltaram pra ele, e a esperança desesperada nos olhos de Naruto era quase dolorosa.

"Podemos ter certeza que não é uma tática de distração? Como a que eles usaram antes?" Kakashi perguntou, procurando ser cauteloso mesmo com a excitação e apreensão crescendo dentro de si.

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Sakura estava se casando rápido. Estava sentindo os efeitos do expurgo que foi obrigada a realizar algumas horas atrás, efeitos cada vez mais drásticos. Expurgos eram uma forma rápida de limpar o organismo de substâncias indesejáveis, mas raramente eram realizadas porque exigiam muito do corpo. Tsunade uma vez comparou esse procedimento com o consumo excessivo de álcool - você se sente bem a princípio, mas a ressaca é uma conseqüência inevitável.

Por um momento, ela considerou pedir a Sasuke para parar pra descansar - ela estava começando a se sentir zonza – mas então o grupo de Konoha entrou no alcance de detecção de chakra.

Foi como uma injeção de adrenalina. Sentir tantas assinaturas de chakra familiares elevou seu espírito como nada mais poderia.

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Todos estavam tensos desde que vários chakras surgiram a leste. Havia mais de dois, mas Kakashi se lembrou dos múltiplos odores que seus cães haviam farejado - talvez as outras assinaturas de chakra pertencessem aos da equipe que Sasuke pareceu ter recrutado.

Ele olhou rapidamente ao redor pra sua própria equipe, a tensão era palpável. Alguns estavam esperançosos, alguns simplesmente receosos.

"Você pode senti-los, certo?" Naruto gritou. "Realmente são eles - eles realmente estão vindo!"

"Precisamos ter cuidado," Yamato avisou conforme as assinaturas de chakra se aproximavam. Naruto parecia praticamente vibrar com sua ânsia de correr na direção deles. "Não sabemos nada sobre os seus motivos-"

"NARUTO!"

Um míssil rosa explodiu dentre as árvores e saltou em cima de Naruto num abraço apertado.

"Sakura! "o loiro gritou surpreso, cambaleando pra trás por um momento antes de abraçá-la igualmente apertado.

O alívio repentino que correu o grupo era palpável. Sakura estava de volta, sã e salva.

Missão cumprida.

"Eu senti tanto sua falta," Sakura engasgou contra a camisa de Naruto, tentando conter as lágrimas.

"Você não parece muito mais feia do que antes," Sai comentou "Então assumo que o traidor não te machucou muito."

Apenas Sai seria capaz de fazer aquilo soar mais como uma declaração banal dos fatos do que uma pergunta preocupada. Mas suas palavras pareceram fazer com que todos lembrassem que havia outras companhias com eles agora além de Sakura, e a equipe sutilmente assumiu uma postura defensiva.

Embora Kakashi quisesse desesperadamente ir até Sakura e garantir que ela estava bem, sua lógica fria se impôs, dizendo que embora os motivos de Sakura fossem claros, os de seus companheiros não eram.

Ele avaliou rapidamente com um olhar a equipe de Sasuke - uma ruiva, um rapaz com uma espada perturbadoramente familiar, e um rapaz loiro muito grande - antes de pousar os olhos sobre o Uchiha.

Este foi o garoto em que enxergou tanto de si mesmo. Este foi o garoto que ele havia treinado para os exames Chunin, a quem ele ensinou o Chidori.

Este foi o garoto que virou as costas pra todos eles por poder e esteve disposto a matar Naruto para alcançá-lo.

Sasuke parecia que havia acabado de sair de uma luta. Ele certamente parecia bem desgastado, e estava sem camisa. Pensando bem, ele notou que Sakura usava uma camisa escura bem grande para seu tamanho...

"Ei Feiosa, porque você está vestindo uma camisa com o símbolo Uchiha nas costas?" Sai perguntou detrás deles, pairando sobre Sakura e Naruto, obviamente incerto do que fazer. Sua experiência limitada com interações sociais provavelmente não lhe dizia o que deveria fazer em reuniões emocionais como esta, e ele ainda não tinham prática suficiente para converter emoções em ação de forma confiante.

Felizmente, Sakura decidiu compensar suas inaptidões. Uma mão surgiu do emaranhado que era ela e Naruto, encontrou o seu colarinho, e o puxou pra eles.

"É este o abraço coletivo de que ouvi falar? Porque não tenho certeza se quero estar abraçando o Pinto Peque-"

"Sai, cala a boca," a médica ordenou. "Você está acabando com o momento."

Sakura pensou que nunca esteve mais feliz na vida. Ela estava de volta com Naruto e Sai e Kakashi e todos os outros, e ela tinha convencido Sasuke a voltar ao mesmo tempo! Ela não tinha certeza se queria rir como uma maníaca ou chorar de alegria.

Kakashi desejou poder ficar tão feliz quanto seus alunos obviamente estavam. Ele tirou um pergaminho do bolso e invocou as algemas armazenadas lá - os pesados bloqueadores de chakra usados pra conter ninjas fugitivos que queriam trazer de volta vivos. Tsunade sabia que a missão pra resgatar Sakura garantia um encontro com Sasuke, e se certificou que a equipe estivesse equipada para tanto.

"Uchiha Sasuke," Kakashi entoou. "Você está preso."

Cada músculo de seu corpo estava tenso, pronto para a reação de Sasuke.

"O quê?" a ruiva gritou. "Você nunca disse que eles te prenderiam na mesma hora!"

Sakura se soltou de Naruto e Sai, observando os procedimentos.

"O que mais eles fariam?" Suigetsu ressaltou. "Ele é um traidor de sua vila, lembra?"

"Sem querer ser rude..." Kiba começou. "Mas quem diabos são vocês?"

"Ah, certo," Sakura ainda estava tentando conter seu sorriso incontrolável. Mesmo com o lembrete de que nem tudo era um mar de rosas, ela ainda não conseguia parar de sorrir. "Pessoal, este é Suigetsu, Juugo e Karin," disse apontando para cada membro da equipe Hebi.

"E este é Kiba, Hinata, Shino, Sai, Naruto, Yamato e Kakashi, Sakura continuou como se estivesse apresentando os grupos entre si em uma festa e Kakashi não estivesse colocando algemas nos pulsos de Sasuke nesse momento.

Kakashi não pôde negar que ficou surpreso quando Sasuke simplesmente estendeu as mãos para aceitar as algemas, sem oferecer nenhuma resistência conforme ele prendia os aros de metal em volta de seus pulsos. Ele parecia cansado, de uma maneira que parecia ir além dos aspectos físicos da palavra - havia uma exaustão nos olhos de Sasuke que parecia alcançar o fundo de sua alma.

Isso fez Kakashi se perguntar se o Uchiha finalmente havia aprendido a verdade de suas palavras sobre a vingança - tudo o que trazia eram cinzas e vazio. Ela não acabava com a dor, não fazia ela te machucar menos.

Então, de repente dois braços delicados envolveram seu peito e Sakura se apertou contra o lado de seu corpo.

"E eu senti sua falta também, Kakashi," ela murmurou.

Kakashi geralmente não era a mais afetuosa das pessoas, mas fez uma exceção desta vez. Ele tinha concentrado sua atenção em Sasuke e nos outros, se focado no perigo potencial ao invés do retorno de Sakura, mas agora que tinha um certo nível de confiança de que não estavam prestes a ser atacados, se deu ao luxo de relaxar um pouco.

Ele colocou um braço sobre os ombros de Sakura e a apertou firme contra si, seu olho descoberto correndo pela forma dela numa tentativa de descobrir e analisar cada ferimento pra ter certeza absoluta de que ela estava ilesa...

Ela estava machucada, isso era evidente, mas ele podia dizer pelo azul e roxo pálidos que não havia nenhum ferimento grave ou doloroso entre eles. Leves capilaridades haviam rompido logo abaixo da superfície da pele, mas não mais profundamente, razão provável pela qual ela não se preocupou em curá-los. A camisa que ela usava era grande demais pra ela, chegando quase até os joelhos, ameaçando escorregar um de seus ombros, e ela teve de fechar a frente com nós no tecido. Seu cabelo estava duro com sal, e havia alguns grãos de areia e sujeira presos nas dobras de sua roupa.

Mas ela estava viva, e ela estava em casa.

"Ei, se você está distribuindo abraços grátis, eu quero um pouco dessa ação," Suigetsu falou com cala, dando um sorriso largo.

"Quando eu for raptada e você passar semanas se preocupando com minha segurança, então eu vou te abraçar de bom grado, Suigetsu," Sakura retrucou.

"Eu estava meio preocupado por algumas horas, isso conta?"

Sakura riu e se soltou de Kakashi. Era tão obvio o quão feliz estava que Sasuke sentiu uma pontada de culpa por ter impedido sua volta à Konoha por tanto tempo.

Ele olhou pra ela, fazendo um esforço pra não olhar pra mais ninguém. Não queria cruzar seu olhar com o de Kakashi ou Naruto, não queria ver o desapontamento que certamente estaria lá. Queria ignorar as cinzas amargas que sua vida se tornou e concentrar-se no sorriso de Sakura por um pouco mais de tempo.

Ele havia tentado se concentrar em sua vingança, se concentrar em seu objetivo de derrubar o Conselho (e, eventualmente, Madara também), porque sua conversa com Sakura não havia apagado o buraco negro de desespero que ameaçava consumi-lo sempre que pensava em Itachi.

Assim, ele se desconectou do burburinho de vozes ao seu redor, e tentou esquecer o peso frio das correntes em seus pulsos, ou a sensação perturbadora de ser privado de seu chakra.

Se perguntava se era essa a sensação que a coleira havia causado a Sakura. Se for, não se admira que ela estivesse ficado tão contente por ter se livrado dela.

Sakura sumia de seu campo de visão conforme seus amigos se aglomeraram ao redor dela, mas não tanto a ponto de Sasuke não perceber quando ela cambaleou perigosamente sobre as pernas.

Ele tinha noção de que algo estava errado enquanto eles viajavam, mas ele atribuiu tudo à exaustão - ela havia sido obrigada a se curar, curar ele, e lutar contra ele no espaço de poucas horas. Agora ele começava a imaginar se não havia outra razão. Teria a batalha deles resultado em uma lesão grave, uma que ela não tinha chakra o suficiente pra curar?

Claro que se ela estivesse ferida esse tempo todo, ele teria notado antes, acreditou. Mas, analisando bem, esta era uma mulher que sequer gritou quando ele quebrou sua perna. Pode ter sido o choque do ferimento entorpecendo a dor momentaneamente... mas ainda era uma amostra do quanto Sakura era capaz de suportar.

Sakura sentiu seu corpo tremer uma segunda vez, sua visão obscureceu de forma alarmante, e pensou que se desmaiasse agora, ia ficar muito irritada. Desmaiar logo após encontrar a equipe de resgate era um dos maiores clichês que existem... mas é claro, clichês eram clichês porque tinham base na realidade. Seu cérebro estava lhe dizendo que ela estava segura, o surto de adrenalina foi perdendo o efeito... e os efeitos do expurgo começavam a dar sinais.

"Você está bem?" Hinata perguntou quando os olhos de Sakura pareceram fora de foco por um momento.

"Eu estou bem..." Sakura respondeu, sua declaração era mais uma tentativa de determinação pra si mesma do que uma avaliação de sua condição. Ela não ia desmaiar, maldição! "Eu só preciso me sentar..."

Gritos de preocupação ecoaram em torno dela conforme as pernas da médica dobraram sob ela, a atirando sentada sobre o gramado num baque deselegante.

Sasuke viu Sakura desabar no chão, ouviu os gritos ao seu redor, e sua mente de imediato chegou a pior conclusão. Ele tentou ir até ela, mas Kakashi e Yamato se moveram pra interceptá-lo.

Por um momento, Sasuke foi tomado pelo impulso selvagem e desesperado de jogar os dois homens contra o chão e fora de seu caminho. Foi só quando ele percebeu que Sakura estava sentada no chão ao invés de deitada que ele conseguiu refrear esse impulso.

"Você está exagerando," disse a si mesmo com firmeza. "Ela só está esgotada, você está exagerando..."

Foi então que se deu conta que não estava sozinho em seu avanço. Ambos Juugo e Suigetsu haviam tentado se aproximar do grupo juntamente com ele quando haviam visto Sakura quase desmaiar.

Aparentemente, a atitude de Kakashi e Yamato não havia sido apenas em seu benefício.

"Nós não vamos machucá-la!" Suigetsu estalou, parecendo extremamente ofendido pela idéia.

Juugo estava simplesmente olhando por cima das cabeças dos ninjas de Konoha, parecendo quase tão angustiado como quando Sasuke lhe disse que Itachi a havia seqüestrado. "Ela está bem? Ela não... não está ferida?"

Kakashi trocou um breve olhar duvidoso com Yamato. Ele não tinha certeza do que esperava ao certo de Sasuke e das pessoas que seu ex-aluno havia reunido em torno dele, mas esta preocupação desinibida com o bem estar de Sakura certamente veio como uma surpresa. Sasuke havia parecido ter considerado seriamente passar por cima dele pra chegar a Sakura, e seus dois companheiros pareciam sinceramente preocupados com ela.

A mulher que Sakura havia apresentado como Karin parecia totalmente desinteressada com a multidão ao redor da médica, mas ela era obviamente a exceção.

"Eu estou bem, estou bem!" Sakura praticamente gritou, tentando se fazer ouvir sobre a comoção preocupada em torno dela.

Naruto havia agarrado seus ombros pra impedir que ela caísse, e estava tagarelando sobre como se ela estivesse machucada, ele ia matar 'aquele bastardo'. Kiba sugeria num tom de voz alto demais pegar sais de cheiro, Shino e Hinata felizmente se mantiveram em relativo silêncio, mas Sai falava continuamente sobre como ela devia provavelmente se levantar porque era ainda mais feia deste ângulo...

E era um sinal do quanto sentia saudades de casa o fato dela não querer socá-lo por isso. Pelo contrário, o apelido odiado trouxe uma espécie de calor em seu peito, a sensação de que tudo estava como deveria agora, porque ela estava de volta onde pertencia.

Mas é claro, mesmo agora Sakura sabia que isto duraria talvez por mais uma hora ou duas antes que Sai começasse a lhe dar nos nervos novamente.

"Eu estou bem!" ela tentou novamente. "Eu só... eu tive que fazer um expurgo..."

Hinata franziu a testa. Ela sabia o suficiente sobre jutsus médicos pra se dar conta do quão prejudicial pode ser um expurgo.

"Kakashi!" ela chamou por cima do ombro. "Nós p-precisamos parar por aqui! Sakura teve de f-fazer um e-expurgo!"

"O que é isso?" Naruto gritou.

Kiba fez uma careta. "Parece bem desagradável..."

"É aquilo quando as pessoas enfiam os dedos na garganta pra vomitar?" Sai perguntou, o tom de sua pergunta não revelando nada além de curiosidade educada.

'Risca aquilo de 'em poucas horas'. Sai já está me irritando agora,' Sakura pensou irritada. Às vezes, ela tinha quase certeza de que Sai não era tão ignorante dos fatos, mas mantinha suas perguntas cretinas porque era a única maneira pela qual sabia se conectar com as pessoas.

Surpreendentemente, foi Shino quem o corrigiu. "Não, é uma técnica que médicos usam pra forçar seus corpos a processar toxinas ou produtos químicos indesejáveis rapidamente, mas não é usado com freqüência porque tem um efeito tardio negativo sobre o corpo."

"Como você sabe disso?" Kiba perguntou, parecendo desconfiado.

"Eu simplesmente escuto e guardo o que Hinata diz."

"Quando ela nos disse isso?"

"Já chega dessa discussão idiota - Sakura está ferida!" Naruto gritou, e Sakura teria corrigido, dizendo que não estava 'ferida', exatamente, se ela não estivesse se sentindo tão zonza.

Sua visão foi se dissolvendo em manchas coloridas - aparentemente, mesmo sentar não tinha aliviado o desejo que seu corpo tinha de apagar. Sakura sabia que o desmaio ocorria como resultado da falta de oxigenação no cérebro - a perda de consciência era a maneira que o corpo tinha de garantir que todas as funções não-essenciais fossem desligadas, e o subseqüente colapso geralmente resultava no corpo ficar na horizontal, garantindo que sangue oxigenado não tivesse que trabalhar contra a gravidade pra chegar ao cérebro.

Resumindo, Sakura sabia que tinha que deitar pra ter alguma chance de se agarrar a consciência, e estava prestes a dizer a Naruto pra largar seus ombros e lhe permitir fazê-lo... mas ela desmaiou antes que pudesse.

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Madara observou o pequeno grupo romper em berros quando a mulher de cabelos rosa desmaiava contra seu companheiro. O grupo em torno dela de repente zumbia com diversas vozes como uma colméia nervosa, e Sasuke e seus dois companheiros mais uma vez fizeram uma tentativa frustrada de se aproximar, mas Kakashi e Yamato se certificaram de mantê-los longe da mulher inconsciente.

Um Sasuke algemado fez um esforço real de empurrá-los para fora do caminho, e teve de ser afastado à força. Ao que parece, o grupo não confiava nele o suficiente pra deixá-lo se aproximar de Sakura agora que ela estava segura com eles, e Naruto - o único que poderia ter falado em favor dele – estava preocupado demais com o desmaio de Sakura no momento.

Madara manteve um controle de aço sobre seu chakra, se certificando que ficasse cuidadosamente escondido dos shinobi abaixo dele. Ele não se moveu - não haveria galhos balançando ou folhas sacudindo para denunciá-lo - mas ele não pôde segurar um leve suspiro de aversão à óbvia preocupação nos olhos de Sasuke enquanto olhava para a médica inconsciente.

Era realmente patético.

Madara havia deixado Sasuke e Sakura sozinhos na praia, fora do alcance de audição... mas não tinha ido além do alcance de detecção de chakra. Ele havia sentido seus chakras queimarem numa batalha, e então se acalmar por longos minutos. Ele havia aguardado, esperando sentir a qualquer momento o chakra da médica se apagar conforme Sasuke a nocauteasse inconsciente, ou se separar do chakra de seu ex-companheiro quando ela fugisse sozinha.

Ele não esperava sentir a assinatura de chakra do time Hebi se juntando a deles, ou que o grupo todo tomasse um rumo que iria levá-los diretamente de encontro ao grupo de Konoha.

E foi então que Madara se deu conta do que havia acontecido. A pequena médica devia tê-lo convencido a voltar pra Konoha e se comportar.

Sakura provou ser um problema maior do que ele havia antecipado. Ele havia considerado eliminá-la então, mas ela já tinha convencido Sasuke a voltar pra Konoha, e caso ela morresse, mesmo que em circunstância aparentemente acidental, Madara achou ser provável que Sasuke ainda retornasse pra Konoha nem que apenas para honrar sua memória.

Então, se ele eliminasse Sakura, teria que matar Sasuke também.

Mas Madara se viu relutante em matar Sasuke, como um criador obrigado a sacrificar o cão campeão ao qual havia dedicado tanto esforço treinando. Sasuke seria um grande trunfo para a Akatsuki, e outro Sharingan teria sido extremamente útil no controle da Kyuubi.

Seria uma pena matá-lo - um desperdício.

É claro, se ele não aceitasse se tornar Akatsuki, Madara não teria nenhum escrúpulo quanto sua morte. Mas ele ainda podia vislumbrar outras opções, outras formas de fazer seus planos funcionarem.

Sasuke havia deixado bem claro que seus sentimentos quanto a kunoichi de cabelos rosa eram profundos. Madara sabia que provavelmente poderia forçar Sasuke a obedecê-lo mantendo Sakura refém, mas esse cenário não lhe agradava mais do que matar Sasuke. Parceiros mantidos sob chantagem sempre davam mais problema do que valiam; tinham que ser constantemente vigiados pra se certificar que faziam o ordenado e, ainda assim, sem dúvida sempre tentariam sabotar qualquer plano no qual estejam envolvidos.

Mas havia outra saída. Ele sabia que quem quer que matasse Sakura teria em Sasuke um inimigo para o resto da vida... então, o mesmo não valeria caso se tratasse de Konoha?

Madara acreditou que sim. Sakura estava desaparecido de sua vila já havia algum tempo - seria fácil vazar algumas informações falsas pra Konoha sobre suas atividades, inventar que ela havia feito algo que seria motivo para uma execução.

Sob circunstâncias normais, tal informação resultaria num julgamento, um inquérito, uma determinação da validade desses alegações, mas Madara planejava burlar esse processo. Se essa informação também sugerisse que ela sabia algo sobre o massacre Uchiha, ele sabia que os membros do Conselho pressionariam por uma execução imediata, para evitar que ela falasse e eles perdessem sua posição em Konoha. E se Tsunade discordasse... eles provavelmente providenciariam para que a médica fosse silenciosamente assassinada.

Nada jamais seria formalmente admitido, é claro, mas tinha certeza que Sasuke saberia o que realmente tinha acontecido. E Sasuke faria Konoha pagar.

E mesmo que não o fizesse, Madara ainda teria se livrado da pessoa que arruinara completamente seus planos em primeiro lugar. Morte nas mãos da vila a qual ela havia sido tão leal seria uma vingança adequada de fato.


"O amor é como a guerra, fácil de começar, mas difícil de terminar."

-Anônimo


Capítulo 21 - Mal-entendidos

Enquanto Sakura se recupera, Kakashi tenta determinar o que realmente está por trás do comportamento de seu ex-pupilo.

Relutante em acreditar que tudo esteja bem, o jonin tenta descobrir exatamente o que aconteceu com sua ex-aluna nesse tempo que passou longe de Konoha... ainda que tenha medo das respostas que vá encontrar.


Espero que tenham gostado.

Não esqueçam de deixar reviews, ok?

dai86