Nada como um feriado pra adiantar uma tradução (cada um se diverte como quer, rs.)
Mas antes, um aviso muito importante: visitem meu profile e leiam as sinopses e críticas sobre fics que pretendo traduzir e votem na enquete pra escolher.
dai86
"Amor verdadeiro é como um fantasma; todos falam dele, poucos o viram."
- La Rochefoucauld
Capítulo 21
Mal-entendidos
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Kakashi jogou um galho na fogueira distraidamente, observando a madeira queimar e ouvindo os estalos e a crepitação produzidos.
Eles haviam montado acampamento onde Sakura desmaiou - principalmente por ser óbvio que ela não seria capaz de viajar além, e seria difícil carregá-la de volta pra Konoha – mas também porque Kakashi queria analisar os companheiros de Sasuke antes que permitisse que chegassem sequer perto da vila.
E analisar o próprio Sasuke.
Francamente, Kakashi não sabia o que pensar do jovem silencioso que voltara com Sakura. Sasuke sempre foi um tipo quieto, mas nunca dessa forma tão crua, tão cheia de dor e confusão.
Mas é claro, este era Sasuke, e enquanto Kakashi percebeu que algo estava definitivamente errado (e estava certo que Naruto também havia percebido), ele duvidava que mais alguém houvesse notado qualquer coisa fora do normal.
Ele observou o pequeno grupo no outro lado da fogueira
Sakura estava enrolada num saco de dormir, encolhida sob um cobertor na noite fria, ainda inconsciente. Hinata se certificou de que ela não estava em nenhum perigo imediato - seu corpo só precisava se recuperar e repor os eletrólitos consumidos no expurgo.
E foi sob ordens de Hinata que, a cada hora, Sakura era erguida, semi-consciente, e lhe davam uma bebida de glicose.
Kakashi esperava que ela demonstrasse alguma reação durante tais sessões, mas, aparentemente, agora que Sakura estava inconsciente, seu corpo havia decidido que iria permanecer assim por algum tempo.
Sentado ao lado dela estava Naruto e, estranhamente, Sasuke. O Uchiha ainda estava algemado - a natureza cautelosa de Kakashi não lhe permitiu ignorar o fato de que este poderia ser um truque - mas tinha sido autorizado a se aproximar da médica, embora que, em grande parte, graças à intervenção de Naruto. Depois de Sakura ter sido acomodada num saco de dormir e do loiro ter se acalmado um pouco, ele notou a maneira que Sasuke observava intensamente a médica inconsciente, aparentemente alheio a todo o resto - as algemas nos pulsos que neutralizavam seu chakra, os protestos de seus companheiros, e a nuvem de insetos de Shino pairando sobre ele, prontos pra atacar diante de qualquer movimento hostil.
As palavras exatas de Naruto haviam sido 'Deixem o bastardo vir aqui – o que ele vai fazer com ela? '
Kakashi havia pensado em várias respostas desagradáveis pra essa pergunta, mas sob sua profunda desconfiança e seus instintos ninjas gritando que nunca se deve permitir o inimigo se aproximar de um companheiro em estado vulnerável... ainda havia uma pequena semente de afeição por seu ex-pupilo. Apesar de tudo o que ele tinha feito (e tudo o que ele não tinha feito), Kakashi queria desesperadamente acreditar que Sasuke poderia ser reabilitado.
De certa forma invejava a firme convicção de Naruto na reabilitação de Sasuke - para o loiro, o retorno de Sasuke nunca havia estado em dúvida de fato, era apenas uma questão de como e quando. A lealdade firme e inflexível de Naruto não lhe permitia sequer pensar em qualquer outro caminho.
Mas Kakashi não era assim. Mais de uma vez durante esta missão, havia sido forçado a contemplar o que faria se Sasuke se recusasse a deixar Sakura ir, ou se ele tentasse matar Naruto de novo.
Kakashi passou boa parte da missão tentando se preparar para a possibilidade de ser obrigado a matar Sasuke. Ele tentou reprimir qualquer esperança por Sasuke em sua mente, de modo que se realmente chegasse a esse extremo, ele fosse capaz de desferir o golpe fatal.
E agora que via que não seria preciso... o desejo de ceder à esperança era tentador demais pra arriscar. Ele precisava manter a mente clara, nivelada, e lembrar que Sasuke havia deixado Konoha por vontade própria, havia tentado matar Naruto, havia mantido Sakura prisioneira, e poderia muito bem estar manipulando todos eles para seus próprios fins.
Mas algo lhe disse que o Uchiha não estava fazendo isso. Algo tinha acontecido - Kakashi não sabia o que ainda - mas alguma coisa tinha acontecido, algo que havia atingido em cheio as fundações da existência de Sasuke.
Ele simplesmente não tinha descoberto o quê ainda.
Enquanto observava, Sakura se agitou em seu sono, rolando na cama improvisada e deslocando o cobertor dos ombros. Naruto estendeu o braço, mas surpreendentemente foi Sasuke quem se moveu primeiro, pegando a ponta do cobertor com uma mão (a outra estava segurando a corrente das algemas pra garantir que o metal pesado não acertasse a garota que dormia) e puxando ele até cobrir seu pescoço novamente.
Seus dedos roçaram a pele nua do pescoço, aparentemente por acidente, conforme ele voltava à posição original, o que não passou despercebido. Kakashi não conseguia se lembrar de já ter visto Sasuke ser tão gentil com alguém antes, e aquele toque... aquilo não tinha sido uma atitude do menino distante e indiferente que tinha conhecido. Sasuke nunca havia sido afeito a qualquer contato físico afetuoso, então por que tinha acariciado o pescoço de Sakura? A ação parecia quase involuntária - o gesto de um homem que, inconscientemente, buscava contato.
Naruto parecia tão chocado quanto Kakashi se sentiu. Ele encarava o Uchiha descaradamente, embora não dissesse nada. Era raro Naruto manter seu silêncio, mas ao mesmo tempo, Kakashi não estava surpreso de fato. Sasuke havia voltado – sim – mas ainda havia tensão entre ele e Naruto.
E provavelmente haveria tensão por um bom tempo. Não importava que Naruto tivesse sempre acreditado em Sasuke, lutado por seu retorno a Konoha... Sasuke ainda tinha tentado matá-lo em várias ocasiões, e Kakashi sabia que ninguém era capaz de esquecer esse tipo de traição fácil assim.
Naruto podia estar fazendo seu melhor, mas o jounin sabia que demoraria um tempo antes que ele se sentisse completamente confortável na presença de Sasuke novamente.
A essa altura, Kakashi percebeu que estava analisando seus alunos demais, num nível quase patológico. Ele queria esperar para ouvir a história de Sakura, ouvir os relatos de Sakura sobre sua experiência com Sasuke antes de tomar qualquer atitude em relação às acusações, mas parecia que ela não acordaria por um bom tempo.
Então Kakashi decidiu partir pra segunda melhor opção - interrogar as pessoas que Sasuke tinha trazido consigo. Ele queria ter uma idéia da pessoa que Sasuke era agora, antes de ouvir o lado do Uchiha da história.
Então ele se levantou do seu lugar diante da fogueira e caminhou em direção ao pequeno grupo de prisioneiros, vigiados de perto pelos alunos de Kurenai, e fez um gesto para Sai acompanhá-lo.
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Sasuke notou vagamente Kakashi deixar o pequeno círculo ao redor da fogueira. Era quase hora da bebida de glicose de Sakura, e ele já se movia para levantá-la pra que Naruto pudesse verter o líquido em sua garganta.
As algemas dificultavam seus movimentos, mas Sasuke conseguiu colocar Sakura numa posição semi-sentada contra seu peito, enquanto o loiro abria gentilmente seus lábios pra pressionar o copo entre eles. Sakura soltou um leve som, mas não reagiu além disso.
Fez Sasuke imaginar exatamente o quão esgotada ela realmente estava. Ele devia ter percebido – por que ela não disse alguma coisa?
Mas Sasuke lembrou a óbvia alegria da garota ao reunir-se com os outros, e sabia que ela teria andado descalça sobre lâminas sem reclamar se visse seus amigos do outro lado.
Naruto observou o último gole da bebida de glicose desaparecer na boca de Sakura, e o movimento involuntário de sua garganta ao engoli-la, e recuou, afastando o copo e soltando seu queixo com cuidado. A cabeça da médica tombou devagar contra o peito de Sasuke e o Uchiha a deitou novamente em sua cama improvisada, em outra demonstração surpreendente de delicadeza.
Naruto observou seu ex-companheiro e resistiu ao impulso de morder o lábio. Sakura estava de volta, Sasuke estava de volta, tudo estava como ele sempre quis... então por que se sentia tão ansioso?
Talvez porque, em todos os cenários que Naruto imaginou, ele sempre viu a si mesmo como a pessoa que traria Sasuke de volta, e esta nova realidade o deixou com a sensação de que tinha de alguma maneira falhado em sua promessa pra Sakura. Talvez fosse a idéia de que Sasuke havia reunido uma equipe – uma equipe! – sem eles.
Ou talvez fosse porque mal podia reconhecer o seu companheiro de equipe no homem sentado ao seu lado. Sasuke parecia tão fechado em si , tão derrotado, que Naruto teve que se perguntar o que havia acontecido.
Mas então algo o fez olhar na direção de Kakashi, apenas pra descobrir que seu ex-sensei e Sai haviam se afastado do grupo levando consigo aquele que Sakura havia apresentado como Suigetsu, aparentemente, para interrogá-lo.
Naruto se perguntou sobre o que eles o estariam interrogando. Sentindo o olhar de Naruto, Kakashi o encarou e fez um gesto pra que ele se juntasse a eles.
Suigetsu observou o loiro se aproximar e se recostou contra uma árvore, olhando ansioso para sua espada, que havia sido fincada cuidadosamente próxima à fogueira, e se encontrava totalmente fora de seu alcance. Ele a queria de volta. Ele sabia que os ninjas de Konoha tinham uma reputação de serem brandos demais, mas ainda era inquietante ser afastado do grupo e cercado por um pequeno contingente.
Ele sabia que provavelmente seria interrogado. Ele não ficou surpreso com isso, mas estava surpreso que acontecesse tão cedo. Achou que eles pelo menos tentariam questionar Sasuke primeiro.
"Então... o que vocês querem saber?" ele perguntou, tentando acabar logo com aquilo. Não era como se ele tivesse qualquer informação secreta que precisasse proteger. Oto já era, e ele não devia nada a Akatsuki.
Seu plano era cooperar, mostrar-lhes o quão útil podia ser... e talvez eles o deixariam caçar Kisame. Ele tinha ouvido falar que Konoha estava atrás da Akatsuki afinal de contas.
Kakashi raciocinou consigo mesmo que estava interrogando Suigetsu primeiro porque queria ter uma idéia de como Sasuke tratava Sakura, e esses desconhecidos estariam menos propensos a mentir pra ele. Eles não teriam nada a ganhar ao fazer Sasuke parecer ser melhor ou pior do que era.
E se ele continuasse a dizer isso pra si mesmo, talvez pudesse ser capaz de ignorar o real motivo – estava tentando evitar falar com Sasuke.
Ele começou o interrogatório com uma simples pergunta, tentando avaliar o quão cooperativo Suigetsu seria.
"Há quanto tempo você estava viajando com Sasuke?"
Visto que Sakura já lhes havia dito seu nome, esta parecia ser a escolha lógica.
Suigetsu deu com os ombros. "Cerca de uma semana, talvez um dia a mais ou a menos. Não faz muito tempo."
Kakashi tomou nota mental de que ele não esteve com Sasuke pela duração do desaparecimento de Sakura. O shinobi parecia cooperativo, e apesar de saber não ser aconselhável confiar em alguém nessa situação, Kakashi precisava obter respostas sobre o tratamento que Sakura recebeu... mesmo que a resposta fosse uma mentira.
"Em primeiro lugar... você feriu Sakura?"
Suigetsu sabia provavelmente não ser apropriado diante da gravidade da situação, mas não conseguiu evitar – ele deu uma gargalhada.
O olho visível de Kakashi se estreitou perigosamente, obviamente se perguntando como essa situação poderia ser engraçada.
"Você honestamente acha que eu estaria sentado aqui, vivo e conversando com você, se eu tivesse machucado ela?" Suigetsu perguntou. "Claro que não – Sasuke teria espalhado as partes do meu corpo por três países diferentes a essa altura!"
Naruto estava sorrindo. "Eu sabia que o desgraçado não iria machucá-la - Eu sabia!"
Kakashi abriu a boca pra repreendê-lo quanto a ser precipitado, mas Suigetsu falou primeiro.
"Vocês estão me interrogando pra saber se Sasuke machucou a princesa?"
Kakashi levantou uma sobrancelha – o homem era perspicaz, ele precisava admitir.
"Princesa?" Naruto repetiu.
"Outro apelido?" Sai perguntou, aparentando nada além de curiosidade inocente.
"Bem mais apropriado que o seu," Naruto murmurou.
"E então?" Kakashi perguntou, ignorando os dois rapazes. "Ele a machucou? Nossos informantes disseram que ela foi entregue a Sasuke para um propósito bem específico..."
"Você está me perguntando se eles fizeram sexo," Suigetsu disse sem rodeios.
Houve um silêncio implacável por parte do ninja mais velho, movimentos nervosos de Naruto, e um olhar inquietantemente neutro, e ainda assim calculista de Sai.
"Eles não fizeram," ele lhes garantiu. "Infelizmente. Com certeza isso teria diminuído um pouco a tensão, e provavelmente teria feito muito bem a Sasuke."
Suigetsu pode simpatizar com as expressões chocadas ao seu redor - se o Sasuke adolescente tivesse sido sequer parecido com ele agora, eles provavelmente estariam espantados diante da idéia de ter havido tensão sexual em qualquer lugar ao seu redor.
Assim, Suigetsu sendo o sádico que era, não pôde resistir à tentação de jogar mais lenha na fogueira.
"É, entendo o choque de vocês," ele observou as expressões atordoadas. "Ele sempre teve mulheres o cercando em Oto – Karin, por exemplo – mas nunca lhes deu qualquer atenção. A princesa é a única que já vi conseguir arrancar uma reação dele."
Ele riu - um riso curto, auto-depreciativo. "E todo esse tempo eu achava que ele fosse gay ou tivesse algum desequilíbrio hormonal que resultava numa total falta de desejo sexual. Mas ao que parece, ele só tinha preferências particulares. Muito particular."
A expressão nos rostos de seus interrogadores ainda era bastante cética. Suigetsu então decidiu ser honesto. Porque quanto mais cedo esclarecesse que nenhum deles tinha ferido Sakura, mais cedo se livraria dessas malditas algemas.
"Olha, não vou dizer que ele a tratava como uma princesa, porque ele não tratava. Ele se recusou a deixá-la ir independente de quantas vezes ela pedisse, ele tinha o hábito de agarrá-la pelo braço e arrastá-la pra onde quer que ele quisesse ir, disse algumas coisas pra ela que só podem ser classificadas como cruéis... mas ele nunca a feriu, e ele nunca permitiu que ela se machucasse. Não foi por acaso que depois da batalha com Deidara, Sasuke estivesse todo estourado, e a princesa só um pouco suja e cansada. E enquanto já tenha visto ele quase matar homens que insultaram sua família, a princesa podia amaldiçoar seus antepassados aos berros por minutos ininterruptos, e ele nunca sequer a tocou. Nunca mesmo ameaçou bater nela."
Suigetsu sorriu, e revelou a primeira impressão que teve de Sasuke e Sakura num tom presunçoso. "Eu irrito ele, ele me enrola com uma cobra e ameaça me matar. Ela irrita ele e, no máximo, recebe um olhar feio. Se eu tentasse atacá-lo, ele ia me esmagar contra o chão na hora. Ela tenta atacá-lo, e tudo o que ele faz é dizer a ela pra não fazê-lo novamente. Não estou dizendo que ele é o cara mais legal do mundo, mas se vocês estão procurando quem deixou a princesa toda estropiada assim, garanto que estão olhando pro cara errado."
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Uma hora depois, e Kakashi ainda não tinha idéia do que pensar. Relatórios sobre Sasuke diziam uma coisa, mas os interrogatórios de seus companheiros diziam outra.
"Sasuke não machucaria Sakura," havia sido a resposta tranqüila de Juugo às suas perguntas. "Ele a ama."
Compreensivelmente surpreso e tentando não demonstrar, Kakashi lhe perguntou no que baseava essa suposição.
"Você pode perceber no jeito que ele olha pra ela às vezes. Era como se ele quisesse sorrir, mas tivesse medo, no caso de algo acontecer e tirar sua razão de sorrir."
Karin se esforçou pra minimizar a importância que a médica tinha pra Sasuke, mas mesmo ela tinha admitido que Sasuke nunca feriu Sakura.
No entanto, Kakashi não podia excluir a possibilidade de que eles estivessem fazendo Sasuke parecer melhor do que era num esforço deles mesmos parecerem melhor por associação, ou que Sasuke estivesse enganando seus companheiros sobre sua verdadeira natureza e intenções.
Afinal, nenhum deles foi capaz de explicar o que tinha acontecido pra causar os ferimentos de Sakura, ou porque ela estava vestindo a camisa de Sasuke. Além disso, Hinata o chamou de lado e mencionou que quando ela tinha deitado Sakura no saco de dormir, a camisa tinha deslizado, revelando o que era claramente uma mordida, e Kakashi queria uma explicação pra isso o quanto antes. Contusões podiam ser explicadas por uma simples batalha... mas uma mordida? Ou Sakura lutou com seu suposto oponente de bem perto, ou...
Kakashi estava se esforçando pra não pensar além desse 'ou'.
Naruto, por sua vez, não estava tão feliz em semanas. Ele viu isso como prova final da reabilitação definitiva de Sasuke.
Agora era só uma questão de tempo antes de Kakashi se convencer disso também. Ele podia dizer pelo ar de seu antigo sensei que ele não estava pronto pra abrir mão de suas suspeitas quanto a Sasuke; e Sai... bem, ninguém nunca sabia de verdade o que Sai estava pensando.
Mas Naruto sabia que ele tinha razão, e não pôde suprimir o balanço arrogante de seus passos enquanto caminhava de volta para a fogueira.
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"O que vocês acham disso tudo?" Kiba perguntou em voz baixa.
"Sa-Sasuke parece disposto a re-retornar conosco," Hinata disse baixinho. "Talvez ele te-tenha percebido que estava errado?"
"É... mas por que justamente agora? Itachi está morto, e de repente é tudo 'Ei, vou voltar pra Konoha'?" Então ele iria voltar de qualquer maneira, mas decidiu ir com Orochimaru só porque teve vontade?"
"Eu acho que alguma coisa aconteceu," Shino comentou. "Ou durante a batalha com Itachi ou depois, mas algo aconteceu para que Sasuke decidisse voltar."
Ele olhou para o homem de cabelos escuros próximo à fogueira, sentando vigilante ao lado de uma Sakura inconsciente. "E acho que Sakura pode ter tido grande influência nessa decisão."
"Mas, por outro lado, ele pode estar agindo de forma dócil numa tentativa de nos dar uma falsa sensação de segurança," salientou Yamato.
"M-mas por quê?"
"Numa certa época, ele demonstrou o desejo de matar Naruto," o ninja mais velho disse de forma direta. "Que maneira melhor do que penetrar sob suas defesas, e em seguida atacar quando ele menos espera?"
Kiba e Hinata pareciam surpresos, como se não pudessem acreditar que Sasuke contemplaria algo tão hediondo, e ainda que a gola alta e os óculos escuros de Shino escondessem sua expressão, Yamato acreditou que esta seria uma versão silenciosa da de seus companheiros.
Realmente não estava surpreso. Apesar de terem óbvias suspeitas, conheciam e confiaram em Sasuke em certa época, o que significava que naturalmente queriam acreditar no melhor dele.
Ele, porém, nunca havia conhecido o Uchiha, exceto como um inimigo, e não estava propenso a desconsiderar ou ignorar a possibilidade de que este suposto "regresso" poderia ter segundas intenções extremamente obscuras. Parte de ser um ninja era tentar pensar como o seu inimigo, antecipando todos os planos possíveis.
Mas ao mesmo tempo, sabia que gostaria de pensar que Sasuke estava realmente retornando, nem que apenas pelo bem de Sakura e Naruto. A princípio, ele os via como nada além de fardos, liderar uma equipe com eles era essencialmente ter a função de uma babá, mas gradativamente foi se apegando a eles. Relutantemente fascinado pela maneira como eles aceitaram tanto ele como Sai simplesmente porque faziam parte do time sete.
E intrigado pelos profundos laços de lealdade que uniam um ao outro com tanta força. A princípio, Yamato assumiu que Naruto e Sakura estavam apaixonados, mas com o tempo, percebeu que eles compartilhavam uma profunda amizade que era facilmente confundida com amor, simplesmente porque poucos laços platônicos com o sexo oposto se tornavam tão forte.
Naruto, Sakura e Kakashi estavam unidos num círculo de equipe extraordinariamente bem entrosado, incomum mesmo em Konoha. Um círculo que eles expandiram pra incluir ele mesmo e Sai sem questioná-los. Então, foi por eles que Yamato desejava tanto que Sasuke estivesse sendo sincero.
E ainda assim... parte de si não podia deixar de sentir que este cenário era perfeito demais pra ser verdade.
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Sakura abriu os olhos, num primeiro momento perplexa ao perceber que estava na horizontal... até que se deu conta de que devia ter desmaiado.
O pensamento a irritava, e quando percebeu a escuridão ao seu redor, e a fogueira de um acampamento a uma pequena distância, sua irritação só aumentou - ela devia ter apagado por algumas horas, no mínimo.
Ela reprimiu um bocejo com a mão, começou a rolar...
"Sakura!"
E quase saltou de susto quando alguém gritou seu nome bem ao lado de sua orelha, a arrastando pra um abraço.
Ainda que estivesse emocionada com o gesto afetuoso, a mira de Naruto não fora muito boa - em vez de jogar os braços em volta dos ombros de Sakura, ele agarrou seu pescoço, e estava estrangulando ela nesse momento.
"Nah-rutoh..." Ela engasgou penosamente.
"Você está sufocando ela, seu idiota," veio o comentário irritado de Sasuke.
"Oh, desculpe."
Tossindo um pouco para aliviar a dor em seus pulmões, Sakura ainda conseguiu dar um sorriso. Em represália, ela jogou os braços ao redor do peito de Naruto e apertou com força suficiente para fazer suas costelas estalarem.
Sasuke os observou - Naruto sorrindo como um louco, mesmo enquanto implorava a Sakura pra soltá-lo, e o sorriso de Sakura parcialmente escondido pelo casaco do loiro, seus ombros sacudindo com a risada - e sentiu uma pontada de inveja. Parte de si não pôde evitar se perguntar o quão próximos Naruto e Sakura haviam se tornado ao longo dos anos...
E então Sakura esticou o braço e o puxou para o abraço da mesma forma que havia feito com Sai antes.
Naruto ficou surpreso quando Sasuke não apenas não se soltou do braço de Sakura, como também não fez nenhum movimento para interromper o abraço. Ele permitiu que Sakura pressionasse o queixo dele no próprio ombro e, a menos que Naruto estivesse enganado, ele de fato apertou a bochecha contra os cabelos rosados.
E Naruto não conseguiu afastar a sensação de que tudo estava finalmente bem. Apesar de tudo o que estava por vir – o julgamento de Sasuke, a punição que ele levaria por ter deixado a vila – as coisas estavam como deveriam ser. Os três, juntos novamente.
"Ei, ela acordou!" veio o grito de Kiba.
Sakura se soltou de Sasuke e Naruto conforme cabeças viraram em sua direção. Hinata se apressou pra verificar sua paciente, e Yamato, Kakashi e Sai se aproximaram num ritmo mais moderado. Kiba começou a se mover em direção ao grupo, mas Shino lhe cutucou nas costas, lembrando que eles estavam vigiando os prisioneiros.
"Você acha que ela está bem?" Suigetsu perguntou aos outros dois, observando o pequeno grupo de pessoas junto à fogueira.
"Ela vai ficar bem," Karin resmungou. "Foi só um expurgo - não entendo por que todo mundo tá fazendo tanto escândalo por causa disso..."
Suigetsu sorriu de lado. Visto como Sasuke havia se postado firmemente ao lado de Sakura, o homem de cabelo branco podia entender de onde vinha toda essa amargura de Karin.
Então, é claro, não podia resistir à vontade de esfregar isso na sua cara dela mais um pouco. "Eu te disse que ele tinha uma queda por ela."
Karin lhe lançou um olhar feio, mas não disse nada.
Suigetsu imaginou se ela estava lentamente chegando à conclusão que o atingiu na primeira hora depois de conhecer Sakura – que Sasuke já estava definitivamente e irreversivelmente conquistado.
Então Suigetsu se deu conta que Juugo estava quieto demais, e lançou um rápido olhar sobre ele. Se havia aprendido algo sobre Juugo, era que o grandão estava pronto pra ter um surto quando ficava quieto demais.
Mas Juugo não tinha a aura de psicose que geralmente parecia se projetar ao seu redor antes de surtar. Em vez disso, ele estava observando a reunião de amigos de Sakura com uma espécie de anseio desesperado. Como se fosse algo que ele sempre quis, mas havia desistido de ter há muito tempo.
Quando Suigetsu começou a sentir uma pontada de pena pelo homem, ele percebeu que aquele coração mole da princesa era contagiante, e tentou parar de pensar.
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Kakashi deixou sua equipe fazer rebuliço e se preocupar em torno de Sakura (ou pelo menos, tanto rebuliço e preocupação quanto Sai e Yamato eram capazes), e depois discretamente a puxou de lado quando tudo se acalmou um pouco.
É claro que Naruto protestou, perguntando em voz alta o que era tão secreto sobre aquela conversa, e Sasuke teve um... tique, por falta de uma palavra melhor, como se quisesse protestar, mas se calou.
Sakura, tendo notado seu olhar obscuro, lhe disse pra se alegrar, e sorriu pra ele...
E então, Kakashi viu – aquele olhar que Juugo havia descrito. A forma sutil como os olhos de Sasuke se acalmavam, os músculos ao redor de sua boca relaxando quase imperceptivelmente; era como o loiro havia dito, como se Sasuke fosse um tipo diferente de homem, teria sorrido pra ela.
Mas Kakashi não permitiu que sua surpresa o afastasse de seu objetivo - ele precisava perguntar a Sakura sobre suas experiências como prisioneira. Independente do quão desagradável fosse a resposta.
Ele estava pronto para descartar a idéia de que Sasuke a havia estuprado - ninguém ficava tão a vontade com seu estuprador, e uma parte de Kakashi realmente nunca tinha admitido que Sasuke poderia ter feito algo assim - mas só porque Sasuke não a havia violentado, não queria dizer que não havia acontecido. Oto tinha uma má reputação quanto ao tratamento de kunoichis capturadas...
Mas quando ele perguntou sobre o que tinha acontecido com ela em Oto, Sakura o encarou com um olhar penetrante, aparentemente entendendo o que ele realmente estava perguntando, e levantou os ombros.
"Não foi agradável... mas não fui estuprada, se é isso que você está perguntando," ela disse calmamente. "Eu consegui me disfarçar como um garoto antes de ser capturada. Não que isso descartasse essa possibilidade, mas a tornava menos provável, estatisticamente falando. E de forma alguma eu ia ser capturada como Haruno Sakura."
Algo em Kakashi relaxou, um nó na garganta que não havia notado se desfez diante de suas palavras. "O que aconteceu depois que você foi capturada? E, a propósito, como você foi capturada?"
"Eu estava com muito pouco chakra quando saí daquela aldeia pra qual Tsunade-sama me mandou, e quando me deparei com uma pequena caravana sendo atacada, eu apenas intervim sem pensar antes." Sakura corou um pouco diante da lembrança de sua própria estupidez. E ainda assim, considerando os resultados finais, não conseguia se arrepender de verdade.
Uma repreensão estava pairando na ponta da língua de Kakashi, mas ele não quis desperdiçar saliva. A compaixão de Sakura era parte de si, e não havia repreensões o bastante pra mudar isso jamais.
Sakura relatou sua queda no rio, o disfarce e a captura. Ela descreveu a coleira que tinha sido colocada nela, como Sasuke a tinha escolhido como escrava pessoal, como sua identidade foi revelada por Orochimaru e Kabuto, e como então Sasuke a colocou em seu quarto.
"E Orochimaru permitiu isso?" Kakashi parecia cético.
Sakura corou. "Bem... ele estava planejando conseguir algo com isso. Quer dizer, todos sabem que Orochimaru só pode usar seu hospedeiro pelo tempo de vida daquele corpo, certo? Então ele precisaria de um hospedeiro depois de Sasuke. Sasuke e eu só nos acertamos mesmo depois que Kabuto me deu o que ele disse que era um contraceptivo-"
Kakashi teve a sensação de saber aonde isso estava chegando.
"-mas era na verdade uma espécie de droga de fertilidade, se é que você me entende." Sakura corou ainda mais. "Então, chegamos à conclusão que Orochimaru queria que Sasuke me engravidasse, e assim lhe fornecesse o próximo hospedeiro."
Ela torceu o nariz em desgosto por um segundo antes de continuar. "E uma vez que eu estava no quarto de Sasuke, todo mundo me deixou em paz porque tinham medo de irritá-lo. Então não se preocupe Kakashi - toda essa experiência como escrava não foi nada divertida, mas ninguém fez nada comigo."
"Finalmente... porque você está vestindo o que parece ser a camisa de Sasuke?" Esta pergunta era provavelmente desnecessária, mas Kakashi estava curioso.
Sakura se balançou num gesto de desconforto. "Huh... Itachi tipo... me seqüestrou-"
Kakashi ficou tenso.
"- e ele queria garantir que Sasuke estivesse disposto a matá-lo, então ele... ele fez parecer que havia me violentado. Ele rasgou minhas roupas, então Sasuke me deu sua camisa pra eu me cobrir."
"Então, foi assim que você conseguiu esses machucados." Não era uma pergunta, e havia uma tensão perigosa na voz e postura de Kakashi. "E esta mordida."
"Foi assim que eu consegui os machucados... e a mordida," Sakura concordou, cobrindo a marca dos dentes de Itachi constrangida. Ela guardou um lembrete na memória pra curar aquilo antes de voltaram pra aldeia. "Mas eu não fui ferida de verdade. Nem no começo, nem... bem, nunca. Por mais estranho que pareça, Sasuke me protegeu." Exceto por aquela surra que levou nos primeiros dias, mas ela não estava contando aquilo - não é como se Sasuke pudesse ter feito nada a respeito de qualquer forma.
E de fato, Sasuke tinha cuidado dela, tão bem quanto possível. Ele a protegeu dos outros ninjas em Oto e das intenções vis de Orochimaru e Kabuto, e fez de tudo pra garantir que nada de mal lhe acontecesse durante suas viagens com ele...
Sakura sabia que a reintegração de Sasuke em Konoha não seria nada fácil. Mas uma parte de si já tinha aceitado aquilo. Poucas coisas que valessem à pena vinham sem esforço, e Konoha era seu território - Sasuke a protegeu enquanto estiveram no território dele, mas agora seria o contrário.
Agora era sua vez de protegê-lo.
"Ei, o que vocês estão falando que tem que ser assim tão secreto, afinal?" Naruto choramingou, surgindo tão repentinamente ao lado de Sakura que fez ela se encolher.
"Kakashi só estava tomando meu relato sobre o que aconteceu comigo," ela respondeu sem rodeios. "Eu expliquei o básico."
"Ah bom - isso quer dizer que podemos comer agora?"
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"Você está bem?" Sakura perguntou a Sasuke em voz baixa.
Os outros estavam comendo e rindo alegremente ao redor da fogueira, e com o barulho das reclamações de Naruto que havia se esquecido de trazer seu ramen, ela estava certa de que ninguém poderia ouvi-los.
Desde que acordou, Sakura notou que Sasuke estava mais arredio que o normal. Ela reconheceu o olhar vazio nos olhos de Sasuke – era o mesmo que ele carregava após Madara jogar aquela bomba sobre ele na caverna. Era como se ele não tivesse certeza de que estava fazendo mais, como se caminhasse num campo minado de olhos vendados.
Sakura tinha o pressentimento de que Sasuke ainda não tinha sequer começado a refletir sobre o que tinha acontecido, sobre o que ele tinha descoberto. Seria demais, mesmo pra uma pessoa emocionalmente estável engolir (foi demais até pra ela engolir, parando pra pensar), o que dirá de alguém que teve uma história como a dele.
Sasuke nunca havia de fato lidado bem com emoções pra começo de conversa. Talvez isso possa ter contribuído para sua partida de Konoha - ele estava tentando se livrar dela e de Naruto, antes que ficasse apegado demais a eles, tentando se desfazer de amor e compaixão, porque ele havia aprendido que tudo o que ganharia com isso seria dor.
E provavelmente a maioria dos conflitos de Sasuke era fruto do que Itachi havia feito. Sasuke construiu sua vida em torno da dor de perder sua família, mas agora que sabia por que Itachi fez aquilo, provavelmente sentia como se toda a dor que seu irmão havia lhe causado de repente não tinha mais mérito. Que ele não tinha direito de ressentir-se do que Itachi tinha feito, porque seu irmão o amava.
O que era ridículo, é claro - ele tinha todo o direito de sentir-se magoado pelo o que seu irmão havia feito - e certamente se daria conta, se fosse capaz de pensar com clareza... mas Sakura tinha a impressão de que Sasuke não estava pensando com clareza.
Sakura não tinha certeza exatamente do que podia fazer pra ajudar... mas podia ao menos oferecer-lhe um ouvido amigo.
Sem falar que ainda estava esperando por uma explicação para aquele beijo. Ela não ia deixá-lo fingir que nada aconteceu e ignorar aquilo – ele a beijou, pelo amor de deus, e, ou ele lhe diria o que passou pela cabeça dele, ou ela iria obrigá-lo!
"Estou bem," Sasuke murmurou.
"Tá,... certo," Sakura retrucou com sarcasmo em cada sílaba.
Sasuke esperava que ela continuasse com um sermão sobre o porquê dele não estar bem e uma insistência pra não mentir pra ela, então ficou surpreso quando ela não disse nada após aquele comentário sarcástico.
Ainda assim, ficou grato por isso. Sasuke não sabia se conseguiria lidar com uma conversa nesse momento - ainda estava em choque. Agora que a crise do desmaio de Sakura havia passado, sua mente havia se retraído de volta pra um canto obscuro.
O pilar de sua existência - a única coisa que ele acreditava ser verdade, ser absoluto, em torno da qual havia construído sua vida - tinha sido derrubado e feito em pedaços.
Itachi o havia amado o tempo todo. Todos os crimes de Itachi vieram de ordens dos membros do Conselho.
Ele tinha a sensação de que, com o tempo, este buraco negro de desespero se transformaria em raiva assassina contra aqueles três anciãos, mas no momento, a fúria que sentia contra eles era mínima, sufocada pela tristeza.
Uma parte dele ainda não podia aceitar que seu pai e sua mãe (e de fato, o resto do clã) estavam dispostos a iniciar uma guerra civil. Sasuke nunca havia questionado todas as reuniões de clã que seu pai realizava - pra ele, era simplesmente a maneira como seu clã funcionava. Mas agora se dava conta de que muitas dessas reuniões haviam sido provavelmente realizadas pra planejar seu golpe.
Foram seus pais quem estavam dispostos a provocar violência e derramamento de sangue. Era Itachi quem queria paz.
Itachi havia tentado protegê-lo durante anos, estava preparado pra morrer pra que ele pudesse voltar pra Konoha... e havia tentado lhe transmitir uma última lição antes de morrer.
No que está pensando?
Sasuke havia seguido Orochimaru com a crença de que foco frio e calculista num único objetivo era o caminho para o poder. Que, ou você obtinha força por conta própria e pra seu próprio bem, ou não obteria nada.
E mesmo assim...
Ele estava determinado a matar Itachi em nome da vingança, e acreditava que nada jamais poderia superar aquela necessidade sombria e opressiva. Mas algo superou. Aquele sentimento sombrio foi engolido naquele momento de pura determinação cega quando ele se deu conta de que não apenas sua vingança pendia na balança – a vida de Sakura dependia do resultado de sua batalha.
Mesmo agora, mesmo sabendo que Itachi não havia realmente machucado ela, ele ainda podia lembrar aquele momento. Quando ele estava tão cansado, tão perto de desistir diante de um inimigo aparentemente invencível... e então ele ouviu Sakura gemer, e determinação correu em suas veias como um relâmpago, frio e calmo e ofuscante em sua clareza.
Ele se manteve firme não por um desejo de vingança, mas pela necessidade de proteger Sakura.
Não que ela precisasse mais tanto de sua proteção. Na breve luta entre eles, Sakura o chutou pra todos os lados como se fosse uma bola de futebol.
Outra coisa que Sasuke estava tendo problemas em engolir. Apesar de tudo o que ela tinha feito, parte dele não havia sido capaz de se desprender da antiga Sakura, aquela que ficava à margem da ação, que chorava quando machucada...
Pelo menos, ele não havia sido capaz de se desprender até estar no chão com ela em cima dele, seus membros tão inúteis como pesos mortos.
Ele tinha se apegado ao passado, ainda se recusando a admitir que isto estava diferente agora. Porque se isso tinha mudado... o que mais teria mudado?
Ela não havia dito uma palavra sequer sobre o beijo. Ele esperava algo: a exigência de uma explicação, um vislumbre de olhos apaixonados talvez... mas não havia nada. Ela não havia mencionado uma vez sequer, não havia feito qualquer tipo de gesto recíproco, não havia dado qualquer tipo de indicação que a atitude impulsiva dele seria bem-vinda.
O que provavelmente foi sua maneira educada de lhe dizer pra esquecer aquilo tudo. Tentando dizer que ela não queria aquilo - não queria ele - mais, sem o golpe da rejeição.
Doía, mas uma parte do Sasuke podia admirar o fato de que ela estava tentando ser gentil com ele - ele nunca havia lhe oferecido a mesma consideração.
Ela era boa demais pra ele. Ele sempre soube disso.
Mas ainda assim era doloroso.
Sasuke estava tão imerso em seus pensamentos que se assustou quando Sakura falou novamente.
"Acho que você ainda pode odiar o que ele fez, sabe? Mesmo levando em consideração que ele foi ordenado, que ele te amava o suficiente para poupá-lo... Eu acho que você ainda pode odiar o fato dele ter matado sua família."
E mais uma vez, Sasuke ficou admirado, desconfortável com o grau de percepção que Sakura parecia ter às vezes em relação ao que se passava em sua mente.
Ele podia entender quando Naruto ou Kakashi faziam isso - eles tiveram vidas semelhantes, afinal de contas. Mas Sakura? Será que ela era simplesmente inteligente assim, compassiva assim... ou será que ela simplesmente o conhecia tão bem assim?
Algo lhe dizia que provavelmente era uma mistura dessas três coisas.
Sakura lhe ofereceu um pequeno sorriso, e – num esforço de confortá-lo – se encostou contra seu ombro. Não o abraçou, mas ainda assim permitiu que ele sentisse sua presença e apoio.
Ela ficou olhando para o fogo crepitando por um longo momento, mas eventualmente, sentiu Sasuke pousar sua cabeça contra a dela.
"O amor é como flores que crescem em qualquer solo, realizam seus doces milagres sem se intimidar com a geada do outono ou a neve do inverno, florescendo lindas e perfumadas por todo o ano, e abençoando aqueles que as dão e que recebem..."
- Louisa May Alcott
Capítulo 22 - Lar
O grupo retorna pra Konoha, relatando os eventos dos acontecimentos.
As dificuldades da reintegração de Sasuke em Konoha começam a surgir, porém o Time Sete mantém o otimismo.
O que ninguém desconfia é que o veneno de Madara já havia se infiltrado em Konoha, e o cerco começa a se fechar em torno de Sakura.
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Ficaram curiosas? Aguardem que logo posto o capítulo 22, quando surge o último dos vilões de Ripples.
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bjs!
dai86
