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Aproveitem o cap.22 (4 para o final...)
dai86
"Lar é um nome, uma palavra; é uma palavra poderosa, mais do que qualquer mágico já disse, do que qualquer espírito já respondeu, na mais poderosa das conjurações."
- Charles Dickens
Capítulo 22
Lar
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"Você está bem contente, não?" Suigetsu resmungou.
Geralmente, ele gostava de Sakura... mas era difícil sentir muita gentileza com alguém capaz de ficar tão contente enquanto você está em algemas.
"Eu só estou realmente animada pra voltar pra casa," Sakura quase cantou.
"Já ouvimos," Karin estalou. "Você nunca cala a boca?"
"Você não ouviu?" Suigetsu cortou a ruiva. "Ela está animada pra ir pra casa e ver seus amigos. Ou talvez você não saiba o que é isso - afinal de contas, duvido que alguém já tenha ficado animado pra te ver."
Sakura balançou a cabeça enquanto Karin e Suigetsu entravam em outra discussão, apenas as correntes em torno de seus pulsos impedindo que aquilo se tornasse uma luta física.
"Sabe, estes dois me lembram um pouco vocês," ela comentou com Naruto e Sasuke.
Sasuke fez uma careta, aparentemente profundamente ofendido, e Naruto pareceu seguir o mesmo pensamento.
"Nós não somos como eles!" o loiro gritou. "Não somos!"
"Vocês são um pouco como eles," Sakura insistiu. "Discutem, brigam, lutam, se dão bem por um tempo, e então voltam a discutir... assim como vocês."
"Nós não somos assim!" Naruto repetiu. "Me ajuda aqui, bastardo!"
"Mas vocês são assim," Sakura sorriu, mantendo o argumento mais por diversão do que convicção verdadeira. "É um ciclo - vocês brigam, então se dão bem, então brigam, então se dão bem..."
O sorriso da médica se alargou conforme Naruto continuava negando fervorosamente, enquanto Sasuke parecia satisfeito em fingir que ela não tinha dito nada. Ela não pôde resistir irritar o loiro ocasionalmente, mas ela havia notado que o impulso de lançar provocações sarcásticas tinha diminuído significativamente. Provavelmente porque, agora que não havia mais coleira, e ela estava livre e viajando de volta pra Konoha com seus amigos, sua raiva constante e frustração tinham desaparecido.
Ela estava prestes a jogar outra provocação sobre Naruto, quando de repente sentiu que algo estava fora do lugar. Ninjas sempre mantinham seus sentidos atentos ao seu entorno, e uma pontada instintiva estava lhe dizendo que algo estava errado.
Com uma olhada ao redor percebeu que os outros pareciam estar sentindo o mesmo. Os outros estavam olhando por cima dos ombros, estudando as árvores ao seu redor... mesmo Suigetsu e Karin tinham interrompido a discussão.
Foi Suigetsu quem percebeu o modo preocupante como Juugo estava parado, como manchas negras foram se espalhando através de seu corpo. "Uhh... pessoal?"
Mas ele não foi além disso. Com um rugido como o de um leão ferido, o loiro gigantesco avançou sobre Hinata, que estava andando ao lado dele. Sua mão se fechou em torno da garganta da kunoichi, sua força erguendo ela do chão e fazendo ela balançar como em uma forca.
"Juugo!" Sakura gritou.
Hinata golpeou o braço que agarrava sua garganta instintivamente, tentando forçá-lo a soltá-la. Mas seus golpes carregados de chakra pareciam não surtir nenhum efeito na pele do loiro, agora subitamente cinza e sólida como pedra. Então Juugo puxou seu outro braço tão longe quanto as algemas permitiam dando uma risada sombria,... de seus dedos brotavam longas garras que poderiam se enterrar na carne de Hinata como kunais...
Mas as garras nunca a tocaram. Naruto se jogou contra a lateral do enorme homem, jogando ele contra o chão e o obrigando a afrouxar a mão no pescoço de Hinata com a surpresa do golpe.
A garota de cabelos negros caiu pesadamente, mal conseguindo ficar em pé. Os dois loiros estavam rolando no chão, lutando furiosamente, enquanto os outros incapazes se viram incapazes de entrar na briga e ajudar Naruto com medo de acidentalmente acertá-lo em meio à confusão de membros enroscados.
Mas Sakura sabia que logo teriam que conter Naruto também. Pelo o que podia ver, as distintivas linhas em seu rosto tornaram-se mais proeminentes, os dentes caninos alongados e seus olhos estavam adquirindo uma coloração avermelhada... todos os sinais de que a Kyuubi estava prestes a emergir.
O que provavelmente explicava por que Naruto não estava recuando. Lógica foi se perdendo no desejo selvagem da Kyuubi por violência.
E ainda assim ela tinha que fazer alguma coisa. Naruto - sempre de coração nobre - estava tentando não ferir o homem com quem lutava, mas ela tinha a sensação de que eram apenas as algemas nos pulsos de Juugo que o impediam de desferir ataques potencialmente fatais.
Pessoas ao seu redor estavam gritando o nome de Naruto, e os olhos de Kakashi e Yamato estavam seguindo a luta, obviamente à procura de uma brecha, enquanto Sai já estava riscando rapidamente em um de seus pergaminhos em branco, invocando animais de tinta pra tentar separar os combatentes.
Mas nada funcionava. Naruto e Juugo estavam enrolados demais pra dar qualquer brecha, e os animais de Sai simplesmente explodiram em respingos de tinta, destruídos por golpes colaterais. Os insetos de Shino estavam sobrevoando os dois, na tentativa de drenar seu chakra, mas ambos tinham reservas tão massivas que a médica sabia que ia demorar demais.
"Sasuke, se prepara!" Sakura gritou, sabendo que precisariam de seu Sharingan pra acalmar Juugo - e, possivelmente, Naruto também, dependendo do quão alterado ele estivesse.
E então Sakura mergulhou na briga, agarrando qualquer parte dos dois ninjas que pudesse alcançar. Conseguindo segurar o colarinho de Naruto e o braço de Juugo, ela usou sua força sobre-humana para, literalmente, arrancar um do outro e atirá-los voando em direções opostas, se certificando que Juugo aterrissasse diretamente diante de Sasuke. Não foi a coisa mais sensata que ela já fez, mas pelo menos escapou ilesa, apesar de aquilo ser graças, principalmente, a Sai, que tinha visto ela se mover, e imediatamente invocou criaturas de tinta com tentáculos que se contorceram e restringiram os membros dos dois loiros, impedindo que os golpes a acertassem.
O Sharingan se ativou, e Juugo voltou a si.
Sakura lançou um olhar preocupado sobre Naruto, relaxando quando percebeu que ele parecia ter controle de si mesmo novamente.
Mas ele ainda estava extremamente irritado.
"Que diabos foi isso?" Naruto gritou. "Ele enlouqueceu! Você está bem, Hinata - ele não te machucou, foi?"
"Eu e-estou bem," a Hyuuga gaguejou, a preocupação de Naruto fazendo com que ela corasse exageradamente.
"Desculpa," a cabeça de Juugo estava abaixada, como se ele não pudesse suportar a olhar das pessoas ao seu redor. "Sinto muito, Eu... eu não quis..."
Sakura se apressou pra alcançar o enorme homem loiro, tocando as pontas dos dedos em sua têmpora, seu chakra pulsando por seus dedos conforme ela o usava pra tentar influenciar seus níveis de hormônio, como tinha feito antes.
Somente quando o último nó de tensão deixou os músculos do Juugo, Sakura considerou seguro parar.
"É disso que eu estava falando pra vocês," ela explicou em voz baixa. "Juugo não quer fazer essas coisas - ele simplesmente não consegue se controlar quando está nesse estado."
Kakashi assentiu com a cabeça, ainda incapaz de relaxar. Durante o jantar na noite passada, enquanto Yamato e Hinata vigiavam os prisioneiros, Sakura havia explicado sobre a condição de Juugo, pressentindo que todos deveriam ser informados no caso de uma situação como esta acontecer.
"Ele é louco," Suigetsu disse com calma, usando seu tato e sensibilidade usuais.
"Não é culpa dele!" Sakura defendeu. "Ele provavelmente teria aprendido algum controle a essa altura se não tivesse sido trancafiado e sofrido experimentos-"
"O que você sabe?" Karin guinchou, e provavelmente teria seguido aquilo com um insulto ou uma defesa dos métodos de Orochimaru, mas Suigetsu a cortou com os insultos de sempre, e os dois prosseguiram com um bate-boca.
Sakura os observou atacando um ao outro, um pouco perplexa. Ela estava apenas brincando quando comparou os dois a Naruto e Sasuke – as discussões de Karin e Suigetsu atingiam um nível de perversão que seus companheiros quase nunca demonstravam. E quase todas as discussões eram instigadas por um insulto lançado por Suigetsu.
Mas, parando pra pensar, Suigetsu havia lhe dito que sofrera experimentos nas mãos de Karin, então provavelmente havia uma boa razão para as agulhadas constantes.
Juugo se moveu ao seu lado, com a cabeça ainda baixa de vergonha, como se não pudesse suportar encarar ninguém ao seu redor. Sakura deslizou sua mão sobre a dele, e quando voltou o rosto pra ela em choque, ela lhe deu um sorriso gentil e indulgente.
O loiro lhe devolveu um sorriso tímido, e então soltou a mão dela conforme seguia adiante mais uma vez.
O grupo começou a se mover novamente, com alguns resmungos e olhares desconfiados em direção a Juugo, mas apesar da óbvia desconfiança coletiva, Sakura poderia ter sorrido. Ela havia visto Naruto tocando o ombro de Hinata para chamar sua atenção, e então inclinando a cabeça pra verificar os hematomas já se formando em seu pescoço. As bochechas da garota ainda estavam ruborizadas.
"Aquilo foi estúpido," veio a voz de Sasuke bem ao pé do seu ouvido.
Sakura reprimiu o impulso instintivo de se zangar e retrucar, e simplesmente inclinou a cabeça. "Por que diz isso?"
"Você podia ter sido morta!" Sasuke sibilou, parecendo como se as algemas fossem a única coisa que o impediam de sacudi-la. "Qualquer um dos dois podia ter te matado com um golpe, acidental ou deliberadamente."
Sakura bufou com escárnio. "Bem, dã. Eu sabia disso."
E ela tinha noção disso. Juugo era tão forte e tão grande fisicamente em comparação com ela que um golpe colateral poderia facilmente ter quebrado seu pescoço. Naruto havia começado a acessar o chakra da Kyuubi, e eles já tinham testemunhado como ele tinha dificuldades de distinguir amigo de inimigo quando estava imerso demais no chakra do demônio.
Sasuke, por sua vez, não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Sakura tinha conscientemente se enfiado numa briga onde ambos os combatentes eram mais do que capazes de matá-la?
"Olha, precisávamos separá-los, e eu provavelmente tinha a melhor chance de fazer isso sem machucá-los," a médica explicou.
Enquanto uma parte de Sasuke podia reconhecer que Sakura provavelmente estava certa, a maior parte dele ainda estava gritando em pura indignação diante do que ela tinha feito. Ela podia ter morrido! Será que isso não significava nada pra ela?
Diante da expressão incrédula do moreno, Sakura suspirou. "Sasuke, era um risco calculado - somos ninjas, fazemos isso o tempo todo."
Sasuke sabia disso - Sakura provavelmente havia assumido riscos muito maiores enquanto viajava com ele - mas não significava que tinha que gostar!
Mas Sakura não estava prestando atenção a sua cara de desgosto. "Estamos quase chegando de qualquer maneira."
Outro sorriso largo iluminou seu rosto enquanto atravessavam a última milha em direção a Konoha.
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Tsunade estava dividida entre felicidade, alívio profundo, e fúria desenfreada. Felizmente as duas primeiras emoções eram dirigidas ao retorno de Sakura, e a última, ao retorno de Sasuke, de modo que ela podia distribuí-las adequadamente.
"Então, você achou que ia voltar e nós... o quê? Estaríamos esperando de braços abertos?" ela chiou com o Uchiha que estava algemado de pé em seu escritório, mesmo enquanto abraçava sua aprendiz ao seu lado.
"Eu não achei nada," Sasuke disse numa voz calma. "Mas eu e meus companheiros nos rendemos espontaneamente a Konoha, e assim, estou pedindo clemência."
Tsunade bufou. Ela tinha ouvido falar sobre seus companheiros - Kakashi tinha vindo à frente do grupo pra lhe dar um breve resumo antes de entrarem na aldeia. Ela ordenou que a equipe de Sasuke fosse presa, e enquanto Kiba, Shino, Hinata e Yamato estavam cuidando disso, ela ordenou que Sasuke e os outros se apresentassem em seu escritório imediatamente.
Principalmente pra ver Sakura o mais cedo possível, mas também pra que pudesse gritar com Sasuke. Kakashi tinha lhe passado sua impressão quanto a Sasuke como a de alguém que havia mudado, mas Tsunade não estava certa do quanto se importava com isso.
Afinal, ela não havia conhecido Sasuke pessoalmente. Tudo o que sabia do Uchiha era que ela o havia curado de um encontro com o Mangekyou Sharingan quando ela voltou pra Konoha, e a próxima coisa que soube dele foi que tinha abandonado a aldeia.
Relatórios desde então, tinham detalhado como ele tentou matar Naruto, pelo menos duas vezes e, mesmo que Kakashi tivesse lhe dito que não acreditava que Sasuke tivesse estuprado Sakura, ele não negou que seu ex-pupilo a tivesse mantido contra sua vontade.
O que significava que Tsunade não estava se sentindo particularmente disposta a ser gentil com ele. Mas, ao mesmo tempo, estava honestamente confusa quanto ao que fazer com ele. Não havia precedentes pra isso - nunca antes um ninja foragido havia retornado à sua vila, pedindo perdão. Eles geralmente eram arrastados de volta acorrentados, se ainda estivessem vivos, e, ainda que Sasuke estivessealgemado, Kakashi havia lhe dito que ele tinha sido extremamente cooperativo o tempo todo.
Então, o que diabos ela faria com ele?
Tsunade desejou que Shizune não tivesse escondido seu último sakê naquela manhã.
"Lady Tsunade," Sakura começou hesitante. "Por favor, apenas nos escute antes de decidir qualquer coisa."
A Hokage apertou os lábios numa careta de desgosto antes de se inclinar pra trás na cadeira. "Claro, porque não?" disse lentamente, praticamente desafiando Sasuke a apresentar uma boa explicação. "Vá em frente..."
Mas foi Sakura quem falou, detalhando sua captura, seu encoleiramento e sua escolha como escrava pessoal de Sasuke. Ela explicou como Orochimaru e Kabuto revelaram sua identidade, como Sasuke a tinha arrastado para o seu quarto imediatamente após o incidente, e que Orochimaru permitiu aquilo porque queria que Sasuke engravidasse Sakura e provesse seu próximo recipiente.
"Que é provavelmente como estes boatos estúpidos se espalharam," Naruto entrou na conversa, com o olhar de alguém que havia acabado de solucionar um enigma incômodo.
"Que rumores?" Sakura perguntou.
Naruto corou. "Hum... você vê... havia um..."
"Lady Tsunade recebeu informação de que Sasuke estava violentando você," Sai explicou, sua declaração soando ainda mais perturbadora pelo alegre sorriso vazio em seu rosto.
Sakura não pôde segurar a risada que escapou de seus lábios. A idéia de Sasuke fazendo algo assim era tão absurda que ela só podia rir.
Naruto piscou confuso. "É tãoengraçado assim?"
"É sim," Sakura concordou. "Quer dizer,... claro, eu estava com medo dele no começo, mas apenas de que ele me matasse. E pára de fazer essa cara, Sasuke, você sabe que eu tinha boas razões para achar isso!"
Sasuke piscou - não havia se dado conta de sua expressão de desgosto. Mas uma parte dele se irritou com a idéia de que ela acreditasse que ele poderia tê-la matado.
Mesmo que pudesse admitir que ela tinha bons motivos pra ter medo dele, visto como o encontro anterior havia terminado... mas parte dele duvidava que ele pudesse tê-la ferido, mesmo então. Sakura sempre foi diferente pra ele.
Nem mesmo diferente da forma como Naruto e Kakashi eram. Diferente de sua própria maneira - única. Naruto era seu amigo, Kakashi foi o seu mentor, e Sakura era... Sakura.
"Mesmo quando ele me prendeu contra a cama, eu jamais me preocupei que ele pudesse... você sabe,... fazer aquilo."
"Ele te prendeu contra a cama?" Naruto ecoou, seus olhos se esbugalhando.
"Então, o traidor não te estuprou, ele só te molestou?"
"Sai! "Sakura gritou, parecendo escandalizada.
"Então, você não está grávida? Afinal, você desmaiou, e ouvi dizer que mulheres grávidas costumam desmaiar-"
"SAI! "Dessa vez, Sakura entregou arrebatou um cascudo em sua cabeça. "Não foi nada assim!"
"Então, como foi isso?" Tsunade perguntou, com as mãos em punhos apertados.
"Tivemos que dormir na mesma cama pra que Orochimaru e Kabuto acreditassem que estávamos fazendo sexo," Sakura disse, num tom tão profissional e indiferente quanto possível. "Uma noite eu tentei desacordá-lo e fugir, mas ele estava acordado e acabou me prendendo contra a cama pra que eu não fugisse."
O clima na sala parecia ter ficado consideravelmente mais leve, e Sasuke fechou a cara novamente. Será que eles honestamente acreditavam que ele teria se chegado tão baixo, fazendo algo tão desprezível?
'Mas por que não acreditariam?' ouviu uma voz desagradável no fundo de sua mente. 'Você não tem sido exatamente um modelo de bondade e virtude...'
Sasuke fez uma careta, mal prestando atenção a Sakura contando sobre a reunião de Hebi e suas viagens juntos. Mas ele notou como ela omitiu completamente o beijo, fazendo parecer que ele simplesmente a levou pra caverna dizendo que ela poderia partir, e então Itachi havia aparecido.
Sakura relatou rapidamente sobre o estupro encenado por Itachi, com tão poucos detalhes quanto possível (feliz por ter curado a mordida naquela manhã), e descreveu a batalha da forma que tinha visto - embora não sem um rápido olhar pra pedir permissão a Sasuke.
Sasuke deu pouca atenção a sua história - ele já tinha passado por aquilo, afinal de contas – mas reparou como Kakashi o observava especulativamente quando Sakura mencionou sua batalha final contra Itachi.
"O que te fez mudar?" o homem de cabelos prateados perguntou.
Sakura interrompeu seu relato, correndo os olhos entre os dois homens.
"O que você quer dizer com 'o que te fez mudar? Naruto perguntou confuso. "Quando foi que Sasuke mudou?"
"Sakura disse que Sasuke parecia estar enfraquecendo e recuando, e então ela percebeu que ele foi pra ofensiva mais uma vez," Kakashi explicou, seu olho visível brilhando de forma analítica. "Então... o que te fez mudar, Sasuke?"
O primeiro impulso de Sasuke foi não responder. Mas que propósito isso serviria? "Eu percebi que precisava vencer."
"Pela sua vingança," Kakashi sentiu uma pontada de decepção. De alguma forma, parte dele esperava que Sasuke tivesse finalmente percebido que havia coisas mais importantes na vida do que seus próprios objetivos e ambições.
"Não." Mesmo o próprio Sasuke ficou surpreso com sua negação. Mas ele havia ouvido a decepção na voz de Kakashi, a amargura, e algo nele quis corrigir isso.
"Então, o quê?" Kakashi perguntou com cautela.
Sasuke não disse nada por um longo momento, e, apenas quando Naruto começou a ficar inquieto, ele focou seu olhar na parede a sua frente e disse, "percebi que a vida de Sakura provavelmente dependia do resultado da batalha. Eu sabia que não podia vencer, mas tinha que levar Itachi comigo, ou, pelo menos, ganhar tempo pra que ela escapasse."
Sakura, Tsunade, e Naruto ficaram boquiabertos. Kakashi parecia um tanto surpreso, e ainda assim, um pouco orgulhoso ao mesmo tempo. Sai simplesmente o observava com uma expressão neutra.
"Eu acreditava que ele já havia violentado ela," Sasuke disse, um tom defensivo tingindo sua voz. "Eu não queria pensar no que ele faria com ela depois que eu estivesse morto."
Kakashi tentou não deixar sua satisfação transparecer em meio ao silêncio tenso que encheu a sala após as palavras de Sasuke. Havia acalmado algo dentro dele saber que, no final, Sasuke não tinha tentado matar Itachi puramente por vingança. O jounin sabia que isso teria distorcido a consciência do Uchiha, pois, apesar de tudo o que tinha acontecido, Itachi ainda era seu irmão.
Mas no final, Sasuke havia se erguido pra defender Sakura, pra tentar poupá-la de um destino que ele acreditava consistir numa morte rápida na melhor das hipóteses, ou nova violação antes disso, na pior delas.
E então a tensão foi quebrada por – obviamente - Naruto, quando o loiro soltou uma risada. "Sasuke tem uma queda pela Sakura!"
"Cala boca, idiota," Sasuke rangeu os dentes.
"Sasuke tem uma queda pela Sakuuu-ra, Sasuke tem uma queda pela Sakuuu-ra," Naruto cantarolou.
Tsunade deu uma tossida curta, tentando chamar a atenção de todos na sala para si, e para longe da declaração bastante atípica de Sasuke. "Sim, agora, voltando à questão..."
"Sasuke tem uma queda pela Sakuuu-ra..."
"Cala boca!" a Hokage estalou. "Como você ia dizendo, Sakura?"
A médica se mexeu desconfortável. "Não sei se tenho realmente o direito de revelar a próxima parte..."
"Está tudo bem," Sasuke declarou. "Pode contar."
Então, de modo hesitante, Sakura contou sobre o que Madara havia lhes dito, do papel do Conselho no massacre.
"E você simplesmente acreditou nele?" Tsunade fez questão encher sua voz de ceticismo, mesmo que uma parte de si lembrasse que nunca sentiu que podia confiar naqueles três membros do Conselho.
"Explica muitas coisas sobre Itachi," Sakura apontou. "Pequenas coisas que nunca fizeram muito sentido, sabe? Por que ele matou seu clã, por que ele voltou pra Konoha com seu parceiro da Akatsuki por dois segundos, mas não chegou a matar ninguém, e depois nunca mais voltou... e porque ele não me violentou."
Kakashi não podia discordar dela. Se Itachi realmente era o criminoso de coração frio que aparentava... por que não violentou Sakura? Ela havia lhes dito que ele havia admitido que o ataque foi encenado pra Sasuke... então, porque não fazê-lo de fato? Pelos relatos de Sakura, ele certamente teve tempo suficiente pra atacá-la, ela não teria sido capaz de oferecer resistência com a coleira...
O fato de Itachi tê-la poupado não fazia sentido... a menos que ele levasse em conta a história de Madara. Então, tudo estaria explicado.
"E é por isso que você voltou?" Tsunade perguntou, lançando um breve olhar para Sasuke.
Sasuke assentiu firmemente. "Peço que me seja dada a tarefa de assassiná-los."
Ninguém questionou que seriam assassinados. Se o que Sakura tinha lhes dito estava correto, então não havia literalmente nada mais a ser feito quanto aos membros do Conselho. Seu conhecimento do funcionamento interno de Konoha era vasto demais pra enviá-los para o exílio, e com tal conhecimento era perigoso demais colocá-los na prisão.
"Eu não posso lidar com isso nesse momento," Tsunade pensou, massageando uma de suas têmporas. Ela precisava se embriagar até não conseguir andar, e torcer pra que nesse meio tempo, tudo isso se assentasse numa situação que ela pudesse aceitar.
Ela não podia simplesmente aceitar a palavra de Sasuke e Sakura pra isso, especialmente se essa informação era apenas um boato da boca de um Akatsuki. Sasuke teria que passar por um julgamento, um que ainda poderia terminar com sua execução, mesmo considerando que ele havia retornado de livre e espontânea vontade.
"Sasuke terá de ser colocado sob custódia," ela disse finalmente, levantando a mão pra acalmar as objeções instintivas de Naruto. "Sai, Kakashi – fiquem com ele."
Os dois ninjas assentiram com a cabeça, aparentemente compreendendo as razões para ela atribuir-lhes a função de babás. Tsunade não queria arriscar - se as acusações contra os membros do Conselho eram verdade, então era possível que eles tentassem assassiná-lo secretamente antes ou durante o seu julgamento.
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Sakura tentou acalmar um Naruto impaciente conforme ele praticamente saltitava em torno da pequena sala que servia como uma espécie de recepção para a prisão ninja de Konoha. Shinobis eram detidos aqui à espera de interrogatórios ou julgamentos, dependendo se eram inimigos ou ninjas de Konoha acusados de um crime.
Sasuke era um pouco de ambos.
Depois que o Uchiha fora levado por Sai e Kakashi, Sakura tinha passado rapidamente pela sua casa antes de se dirigir para a prisão. Agora, com todo o sal e areia lavados de seu cabelo, e vestindo roupas que pertenciam a ela (algo que ela nunca mais iria deixar de dar valor), ela e Naruto estavam tentando visitar Sasuke.
Mas ao que parece, era extremamente difícil ter acesso a um ninja fugitivo de nível S.
"Nós não viemos ajudá-lo com uma fuga!" Naruto gritou com o par de shinobis alocados na recepção. "Por que faríamos isso depois de passarmos por tantos problemas pra arrastar o bastardo de volta pra cá?"
Sakura não pôde conter uma risada discreta, mesmo enquanto se preparava pra gritar pra Naruto se acalmar.
"Sabe, não acho que gritar vá ajudar muito," veio o tom calmo característico de Kakashi.
Os olhos de Sakura saltaram para a porta trancada que levava aos níveis mais baixos, selados com todos os tipos de fechaduras e jutsus. Kakashi estava do outro lado, e acenou alegremente pela grade quando notou o olhar dela.
"Kakashi!" Naruto gritou, fazendo Sakura se encolher conforme sua voz ecoava pelas paredes de pedra que os cercavam - a prisão shinobi tinha uma construção bem sólida.
"Você pode nos deixar entrar, certo?" o loiro estava balbuciando ansioso. "Você pode mandar esses idiotas-"
Ele engasgou com as palavras quando Kakashi balançou a cabeça. "Sasuke é um fugitivo notório que acabou de ser preso – eles não vão permitir visitantes ainda."
"Mas você e Sai-"
"fomos designados pela Hokage para vigiá-lo," Kakashi concluiu. "Vocês dois não foram."
Naruto resmungou algo em voz baixa sobre velhotas tirânicas e suas ordens estúpidas. Sakura particularmente achou ser sorte que Tsunade não estivesse nas imediações.
As palavras de Kakashi pareciam especialmente dirigidas a ela quando ele falou novamente. "Vocês provavelmente vão poder visitá-lo amanhã, mas por enquanto, vão pra casa e durmam um pouco."
Ainda que estivesse bastante irritada por ter sido impedida de ver Sasuke, Sakura não podia negar que a perspectiva de uma longa noite de sono em sua cama era muito tentadora. Fazia tempo que não dormia numa cama de verdade, e mais tempo ainda desde que tinha dormido em sua própria cama.
Então ela arrastou Naruto protestando pelas ruas, insistindo pra que ele lhe pagasse um ramen depois de suas desventuras. Talvez ele se acalmasse o suficiente pra que pudesse ir pra casa depois.
Sakura também tinha uma longa lista de coisas que precisava fazer. Primeiro, tinha que ver Ino, assegurar a amiga de que estava sã e salva, e, se aqueles rumores sobre ela e Sasuke estavam circulando pela aldeia, assegurá-la de que não havia sido molestada. Então, ela queria checar os outros membros da equipe Hebi - mesmo que não tivesse nenhum apego especial por Karin, queria ter certeza de que Suigetsu e Juugo estavam sendo bem tratados. E ela também precisava falar com Lady Tsunade sobre Juugo e possíveis tratamentos – o loiro precisava desesperadamente de ajuda, e Sakura se recusava a acreditar que os médicos de Konoha não podiam fazer nada pra ajudá-lo.
Mas ela planejava dormir um pouco em primeiro lugar. Depois do que tinha passado, Sakura achava que merecia nada menos do que uma noite de descanso ininterrupto na sua própria cama antes de começar a se preocupar com todo o resto.
Talvez ela estivesse um pouco calma demais sobre situação de Sasuke... mas depois de tudo o que tinham passado, parte de Sakura se recusava a acreditar que seu julgamento poderia terminar numa execução. Afinal, ele nunca realmente atacou Konoha, e ele livrou a vila da ameaça de Orochimaru e Deidara da Akatsuki. E, ainda que ela e seus amigos soubessem que Itachi não tinha sido realmente uma ameaça para a aldeia, a opinião pública ainda o encarava como um dos inimigos mais perigosos de Konoha.
E Sakura não achava que o homem que havia eliminado tantos inimigos de Konoha seria condenado à morte.
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"Então, por que você fez aquilo?" Sai perguntou, honestamente curioso.
Independente do quanto ele pensasse sobre aquilo, Sai não podia se imaginar abandonando Sakura e Naruto, o que quer que viesse a acontecer. Eles eram as únicas pessoas que ele poderia realmente chamar de amigos, e apesar da impetuosidade de Naruto e do temperamento de Sakura, Sai sentiu que o que ele tinha com eles era provavelmente o mais próximo de um vínculo de amor e lealdade que teria na vida.
"Não é da sua conta," Sasuke retrucou, olhando para a parede oposta da cela.
Ele se perguntava quando Kakashi voltaria. Com sorte, logo - Sai dava nos seus nervos. Disse a si mesmo que era aquele sorriso perturbadoramente vazio, e a expressão nula que o irritavam tanto, mas Sasuke sabia que sua aversão a Sai originava-se da impressão de que o outro rapaz tinha tomado o seu lugar. Que o Time Sete não estava mais aberto pra ele, porque seu lugar havia sido preenchido por outra pessoa.
Ele sabia ser irracional - foi ele quem tinha escolhido virar as costas pra eles, então não tinha o direito de se sentir magoado agora.
"Só estou curioso," Sai disse honestamente. "Eu não consigo entender por que alguém abandonaria Sakura e Naruto, por isso estou procurando entender por que você o fez."
"Mas você fez isso, também," Sasuke lembrou-lhe, profundamente satisfeito por ter pego a falha no pequeno discurso de Sai. "Quando nos conhecemos pela primeira vez."
"Eu estava seguindo ordens," Sai explicou, sem parecer nem um pouco ofendido. "E duvido que pudesse fazê-lo novamente, mesmo que a missão exija isso de mim."
Sua testa se franziu de forma sutil, não exatamente uma expressão, mas provavelmente o mais próximo que chegaria de fazer uma. "Quando penso em fazer isso, eu me sinto mal, como se pudesse vomitar. Sakura me diz que isso é normal quando contemplamos algo desconfortável ou desagradável."
"Sakura lhe diz?" Sasuke perguntou antes que pudesse evitar.
Sai assentiu. "Ela e Naruto tentam me explicar essas coisas da melhor forma possível. Eles geralmente são pacientes, contanto que eu tente restringir o número de vezes que eu os chamo de Feiosa ou Pintinho."
Sasuke fez uma expressão de irritação. Quando Sai verbalizou aquele apelido ridículo pra Sakura pela primeira vez, o primeiro pensamento que passou pela cabeça de Sasuke era que o sujeito devia ter algum tipo de deficiência visual. Ele não se importava o quão alheio a interações sociais ele era – dizer que Sakura era feia certamente indicava algum tipo de problema com a visão.
"Você vai responder a minha pergunta?" Sai interrompeu seus pensamentos.
"Eu precisava de poder," Sasuke grunhiu, esperando que fosse o fim da conversa.
Mas a testa de Sai se franziu novamente. "Mas Sakura e Naruto parecem ter se adquirido poder permanecendo em Konoha. Eu sou ANBU, tenho treinado desde quando podia andar, e não tenho certeza se ganharia num confronto com um deles em uma batalha de verdade."
"Orochimaru sabia como expor o poder do selo amaldiçoado."
"Pelo o que entendi, o selo amaldiçoado tem um efeito negativo sobre a mente e deteriora o corpo. Tenho a impressão de que não seria um instrumento que gostaria particularmente de usar."
Sasuke rangeu os dentes, irritado pela linha de questionamento de Sai. Ele parecia disposto a destacar sua estupidez, e a completa ausência de qualquer tom sarcástico só piorava - de alguma forma, era mais humilhante que Sai não estivesse realmente tentando envergonhá-lo.
Mas a verdade era que... ele tinha deixado Konoha porque Naruto e Sakura o distraíam. Ele tinha entrado para o Time Sete com um objetivo na vida - vingança - e, gradualmente, como pequenos grãos de areia descendo por uma ampulheta, ele viu esse objetivo lentamente ser subvertido.
Como quando ele saltou na frente de Naruto e levou uma chuva de senbon. Antes que se desse conta, suas missões foram tomadas com tais incidentes, momentos em que ele conscientemente arriscou sua vida por seus companheiros de equipe.
Sim, eles faziam o mesmo, mas aquilo era diferente - eles não tinham alguém que precisavam matar antes de morrer.
Quanto mais Sasuke pensava sobre isso, mais ele acreditava que o exame Chunin tinha sido o momento de mudança. Quando Naruto salvou Sakura, Sasuke foi deixado com uma série assustadora de 'e se'. E se Naruto não tivesse sido capaz de invocar aquele sapo? E se Gaara tivesse simplesmente quebrado o pescoço de Sakura ao invés de prendê-la? E se Naruto não tivesse sido capaz de despertar Gaara de seu sono induzido?
Sasuke tinha encontrado apenas uma resposta pra todos esses cenários - eles teriam morrido. Ele tinha sido completamente incapaz de enfrentar Gaara no mesmo nível do shinobi de Suna - se seus companheiros tivessem sido forçados a depender dele ao invés de Naruto, então todos eles teriam morrido.
E logo após, Sasuke se viu treinando obsessivamente, não com vingança em mente, mas pra que não falhasse ao protegê-los da próxima vez.
Mas em hipótese alguma revelaria isso a Sai.
Ele ficou quase aliviado quando viu Kakashi novamente.
"Naruto e Sakura estavam aqui na entrada agora mesmo, tentando entrar pra vê-lo," o homem de cabelos brancos comentou, puxando seu habitual livro e folheando as páginas. "Mas você ainda não tem permissão pra receber visitantes, então eu mandei eles pra casa."
"E eles foram?" Sai ponderou.
"Acho que Sakura está bem mais cansada do que está disposta a admitir, e decidiu arrastar Naruto junto com ela quando saiu daqui."
Sai assentiu com a cabeça. Kiba tinha dito muitas vezes que Naruto era dominado pela garota, o que Sai entendeu que significava que o loiro sempre fazia o que Sakura dizia a fim de evitar sua raiva. Por que isso seria algo vergonhoso, Sai não sabia – evitar a fúria de Sakura parecia um mecanismo de sobrevivência sensato.
Ele olhou para Sasuke, mas a expressão do Uchiha era fechada e tensa, e ele não estava fazendo qualquer contato visual. Sai lembrou serem sinais de que uma pessoa não queria continuar a conversa, e, lembrando os sermões de Naruto e Sakura sobre respeitar a privacidade - "Existem algumas perguntas que as pessoas simplesmente não querem responder, Sai!" - ele o deixou em paz.
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"E você tem certeza disso?" Danzo disse, sua voz baixa.
"Sim, senhor." O membro Root não fez nenhum gesto - sua voz carregava toda convicção necessária. "O informante foi muito claro quanto a essa questão."
O membro do Conselho assentiu com a cabeça uma vez, dispensando o shinobi com um gesto de seus dedos.
E Danzou foi deixado só para decidir que curso de ação deveria tomar agora que Haruno Sakura tinha - de acordo com a fonte – descoberto a verdade por trás do massacre Uchiha.
A fonte também informou que Sasuke Uchiha tinha conhecimento disso também, mas Danzou não estava muito preocupado com ele - era um traidor, que provavelmente seria executado, e qualquer acusação contra Konoha durante seu julgamento seria tomada como delírios de um ninja amargurado. E se Tsunade decidisse poupá-lo por conta de sua fraqueza quanto a sua pupila e o moleque-demônio, então Danzou simplesmente arranjaria seu assassinato silencioso, e culparia Akatsuki por isso.
Mas Haruno Sakura significava problemas. Ela tinha uma posição influente na aldeia – era respeitada, estimada... se começasse a fazer barulho sobre um massacre arquitetado pelo Conselho, então as pessoas iriam escutar.
Poderia não resultar num julgamento e condenação de fato, mas ao longo dos anos, Danzou havia aprendido que suspeitas e boatos poderiam ser quase tão daninhos quanto uma condenação efetiva. Se ele tinha qualquer esperança de manter seu status dentro da aldeia, precisava fazer algo sobre Haruno Sakura.
Então Danzou começou a elaborar um mandado de prisão.
Não há cura para o amor a não ser amar mais.
- Thoreau
Capítulo 23 - Julgamentos
Sakura relaxa agora que está de volta dentro dos muros seguros de sua vila, mas talvez não seja prudente fazê-lo.
E, em meio ao andamento do julgamento de Sasuke, seus amigos se dão conta de que Sakura estava desaparecida.
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dai86
