Qto. tempo não? Desculpem a demora pra postar o capítulo.

Contagem regressiva galera... 3 capítulos pro final.

Não esqueçam de visitar a enquete no meu profile (fica no topo da página) pra escolher a próxima fic a ser traduzida.

O movimento ainda tá fraco... Vou esperar uma das opções atingir pelo menos 20 votinhos, ok?

Curtam o capítulo 23!

dai86


"Os fracos nunca podem perdoar. Perdão é um atributo dos fortes."

- Mahatma Gandhi


Capítulo 23

Julgamentos

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"Então, você realmente não está machucada?" Ino perguntou pela milésima vez.

"Sério, não estou machucada," Sakura disse, rindo um pouco. "Toda essa experiência de escrava não foi tão ruim quanto podia ter sido."

E esta era outra coisa que precisava fazer - falar com Tsunade sobre Oto. Duvidava que seria uma prioridade ajudar as pessoas daquela vila enquanto ainda havia tanta confusão em sua própria aldeia, mas tinha que tentar.

Ela e Ino se encaminhavam para a torre da Hokage no momento - Sakura esperava poder falar com Tsunade sobre Juugo, e talvez conseguir uma permissão para visitar Sasuke também. Ela se sentiria melhor com tudo isso se pudesse ao menos vê-lo...

"E nada aconteceu no tempo que passou com Sasuke?"

Sakura hesitou apenas o tempo suficiente pra atiçar os instintos de Ino. "Algo aconteceu!"

"Er... mais ou menos..."

"Mais ou menos? Como algo pode acontecer mais ou menos?"

Em voz muito baixa e com as bochechas corando violentamente, Sakura falou do beijo-surpresa de Sasuke.

"Ele beijou você?" Ino chiou, e depois, de forma bizarra, se desfez em risadas.

"O que é tão engraçado?" Sakura perguntou num tom um pouco defensivo. Aquele beijo tinha sido o ponto culminante de uma paixão de muitos anos, e ela não apreciava ver Ino zombando dele.

"Ah, Sakura, minha querida testuda ignorante-"

"Ei!"

"Você ainda não se deu conta? Ele tem uma queda por você!"

Sakura parou de andar, encarando a amiga, sentindo sua boca seca de repente. "O que você disse?"

"Sasuke tem uma queda por você!"

Sakura colocou o máximo de ceticismo na voz, tentando ignorar a forma como seu coração batia forte no peito diante das palavras de Ino, como um pássaro engaiolado desesperado pra voar. "Oh, verdade? E você conseguiu deduzir isso só pela minha vaga descrição do que aconteceu, sem vê-lo ou falar com ele ou interagir com ele de alguma forma?"

Ino deu de ombros, ainda sorrindo. "Eu não preciso. Você me disse tudo que preciso saber - Sasuke te beijou."

Sakura resistiu o vermelho que se espalhou novamente pelo seu rosto, incapaz de impedir sua mente de lembrar a pressão gentil e quente dos lábios de Sasuke sobre os dela, a suave escuridão da caverna, a maravilhosa sensação, e a esperança, adorável e cálida – e perigosa - que floresceram em seu peito...

A médica percebeu que Ino ainda a observava, e se forçou a responder. "E?"

"Pensa nisso por um segundo. Sasuke Uchiha beijou você. Sasuke bloco de gelo sem emoção, só-penso-em-treinar, nunca-sequer-olhei-pra-uma-garota Uchiha beijou você."

Sakura refletiu. E Ino pôde ver o exato momento em que compreensão atingiu a médica; aquele Sasuke, que nunca foi fã de contato físico, muito menos qualquer contato com qualquer leve conotação sexual, cujo único beijo tinha sido um acidente com Naruto, só beijaria alguém com quem se importasse muito, muito mesmo.

Alguém que ele amasse.

E Sakura não tinha idéia do que fazer com aquilo. Rejeição por parte de Sasuke, desinteresse por parte de Sasuke... ela sabia lidar com tudo isso – era território conhecido. Mas isso? Não. Isso era novo, isso era... assustador.

Porque se Sasuke realmente queria... algo... com ela... o que aconteceria agora?

Ainda assim, apesar de sua ansiedade, Sakura não conseguiu evitar o sorriso em seus lábios, nem o contentamento que percorreu por cada parte de seu corpo.

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"Provavelmente seu julgamento vai começar hoje," Kakashi comentou.

Sasuke voltou os olhos pra direção do único olho que podia ver sobre o livro laranja, e depois desviou o olhar novamente, não querendo revelar a ansiedade que se revirava em seu estômago.

As correntes de Sasuke balançaram levemente conforme ele se moveu, e Kakashi percebeu que o Uchiha estava inquieto desde que Sai havia partido de manhã cedo para determinar quando e onde seria o julgamento.

Ele encarou seu ex-aluno, imaginando o que o estava deixando tão nervoso. Seria improvável que fosse executado - ele suspeitava que Tsunade, como quase todo mundo, via no Time Sete uma reencarnação dos sannins, e que poupar Sasuke poderia ser algum tipo de justiça poética pra ela.

Talvez fosse errado para ela poupar um criminoso por uma razão tão pessoal, mas Kakashi não via razão pra apontar isso. Ele queria que Sasuke fosse poupado tanto quanto Naruto e Sakura queriam - apenas era um pouco mais sutil sobre o assunto.

"Pára com esse nervosismo," disse sem muito tato, virando outra página de seu livro. Mas era apenas um gesto vazio - ele não havia dado atenção a uma única frase em vários capítulos. "Você não vai ser executado."

"Não estou preocupado com isso." A voz de Sasuke soou desdenhosa.

"Você não está preocupado em morrer?"

Sasuke sabia que podia ter ficado calado - podia ter fechado a boca e dado as costas, e Kakashi não teria pressionado o assunto, porque era assim que ele era. Sasuke reconhecia isso nele, pois, eram muito parecidos nessa questão – ambos eram relutantes em conversar, acreditando que ações expressam intenções de forma muito melhor.

Mas, se fosse se basear nisso, suas ações não tinham feito muito para inspirar confiança. Kakashi tinha tentado lhe alertar sobre o que o esperava no caminho da vingança, tentou avisá-lo, e o que ele tinha feito? O ignorou e abandonou a aldeia assim mesmo.

De fato, palavras eram tudo o que Sasuke tinha no momento.

Assim ele revelou a razão de sua inquietação. "As coisas que fiz quando Sakura estava comigo... eles não podem responsabilizá-la, podem?"

"Não, ela não pode ser arrastada pra esse julgamento," Kakashi lhe assegurou. "Vocês dois deixaram bem claro que ela estava ali contra a vontade, e com a coleira havia pouco que ela pudesse fazer pra detê-lo. Eles podem chamá-la como testemunha, mas não podem acusá-la de qualquer coisa."

Sasuke assentiu, reconfortado de que não importando o resultado deste julgamento, Sakura não seria arrastada com ele.

Kakashi notou a maneira como Sasuke parecia relaxar diante de suas palavras, e não pôde deixar de lançar a pergunta que coçava na ponta de sua língua: "Por que você voltou?"

Sasuke pensou sobre sua resposta. Ele podia simplesmente dizer que precisava se vingar dos membros do Conselho, mas aquilo não era exatamente a verdade. Ele podia ter planejado se vingar sem retornar, até que Sakura...

"Voltei porque você estava certo," Sasuke disse por fim. "O que você disse sobre vingança... você estava certo."

Tinha sido tão vazia como Kakashi disse que seria. E quando Sakura gritou com ele, implorou pra que ele retornasse... Sasuke percebeu que poderia voltar, e não se sentiria mais tão vazio.

Kakashi acenou com a cabeça uma vez, e retornou o olhar para seu livro.

Mas o ar pareceu um pouco mais leve, como se uma página tivesse se virado em sua vida.

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"E Tsunade-sama disse que você poderia começar seu tratamento dentro de uma semana!" Sakura terminou, sorrindo para Juugo através das grades de sua cela.

O time Hebi tinha sido considerado menos perigoso do que Sasuke, e assim foram mantidos numa área de segurança média, enquanto Sasuke estava numa área de segurança máxima - a única unidade abaixo do solo. O time Hebi também tinha as visitas autorizadas. A primeira pessoa que Sakura visitou foi Juugo - para lhe dar a notícia de sua conversa com Tsunade. Como Sakura havia esperado, a Hokage se mostrara solidária com a situação do loiro, e concordou em disponibilizar todos os recursos do departamento médico do hospital para Sakura tratá-lo.

Assim, a médica se apressou em dar as boas novas para Juugo. Ela sentiu que devia ao menos informar sobre isso ao loiro antes de se dirigir para o julgamento de Sasuke... e pedir uma explicação sobre aquele beijo.

Se tivesse sido um impulso momentâneo – algo um pouco atípico de Sasuke, talvez - então... ela simplesmente teria que lidar com isso. Ela já havia se conformado em perdê-lo uma vez antes, ela certamente poderia se conformar com isso novamente.

E se não tivesse sido um mero impulso, se tivesse realmente significado algo, então...

Sakura não tinha idéia do que aconteceria então, mas havia tanta expectativa nessa idéia que ela tinha vontade de gritar como uma menininha apaixonada e, ao mesmo tempo, apenas relaxar e aproveitar a sensação.

"Você... você realmente acha que eu posso ser curado?" Juugo perguntou trêmulo.

"Acho que há uma chance muito boa," Sakura respondeu, enquanto sua mente já saltava a frente, planejando o que iriam fazer.

Primeiro, ela teria que induzir um surto em Juugo, num ambiente em que ele poderia ser monitorado - ela precisava descobrir o que a enzima estava fazendo em seu sistema. A raiva e desejo incontrolável de matar eram incomuns, mas provavelmente poderiam ser explicados por uma mistura de químicas... mas as transformações bizarras? Que enzima poderia causar uma mutação no corpo?

"Como estão os outros?" Juugo perguntou em voz baixa.

"Ainda não estão permitindo visitantes pra Sasuke," Sakura lhe informou. "Mas ele está com nosso antigo sensei, então tenho certeza que ele está bem. Karin e Suigetsu estão em andares diferentes, mas logo vou checar como eles estão antes de testemunhar no julgamento do Sas-"

Uma porta bateu no final do corredor, interrompendo a conversa, e uma voz chamou: "Haruno Sakura!"

Sakura se virou e encontrou três ANBU de pé na porta, e sentiu seu coração se apertar. Se agentes da ANBU queriam algo com ela... algo de terrível havia acontecido numa missão, algo tão sério que apenas ela, Shizune ou Tsunade poderiam tratar dos sobreviventes, ou...

Ou algo havia acontecido com Sasuke. Pavor gelou suas veias.

"O que foi?" ela perguntou tentando manter a voz calma conforme eles se aproximavam. "O que aconteceu?"

E então ela viu as algemas.

"Haruno Sakura," um dos shinobi entoou formalmente. "Por ordem do Conselho, você está presa."

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Karin observou as sombras marcando o chão de sua cela – longas linhas causadas pela luz fluorescente do corredor contra as barras de sua cela.

Não havia janelas, mas ela não espera que houvesse de qualquer maneira. Isto era uma prisão shinobi – as medidas de segurança eram muito mais rigorosas do que em prisões pra civis.

Ela imaginou o que Sasuke estaria fazendo. Ele voltou para os companheiros a quem havia traído, e Karin sabia que aldeias ninja não eram gentis com foragidos. Sasuke provavelmente tinha noção disso... então, por que ele voltou?

Mas sempre que pensava sobre isso, as palavras de Suigetsu voltavam a sua mente.

"Eu disse que ele tinha uma queda por ela."

Será? Karin vinha se perguntando isso há horas, lembrando de cada interação de Sasuke com Sakura, cada uma de suas atitudes.

Quando ela o conheceu pela primeira vez, ele era... inatingível, pra dizer o mínimo. O aprendiz de Orochimaru, incrivelmente poderoso, mas ainda assim praticamente indiferente, alguém que - numa idade em que a maioria dos homens era dominado por hormônios - nunca demonstrou qualquer interesse em ninguém, homem ou mulher.

Muitas vezes, parecia que ele vivia por um objetivo, e um objetivo apenas - poder. E que qualquer coisa fora desse propósito não tinha nenhum interesse para ele.

Talvez isso o tornasse tão atraente – o desafio de tentar derrubar aquela muralha de gelo.

Mas Sasuke não agia dessa forma com Sakura. Ele não a ignorava – pelo contrário, estava quase sempre observando ela. Ele a olhava pelo canto do olho, sempre atento quando ela conversava com Juugo ou Suigetsu, encarando seu rosto com uma intensidade incomum quando ela se dirigia a ele...

Ele havia se esforçava pra protegê-la, sempre a mantendo junto dele... e Karin tinha visto o quão devastado ele ficou quando Itachi raptou a garota. Foi a única vez que ela viu algo parecido com medo no rosto de Sasuke.

Quanto mais Karin pensava sobre isso, mais percebia que Suigetsu tinha razão. Ela duvidava que o que Sasuke sentia por Sakura fosse realmente o amor (uma parte dela ainda queria se apegar a essa ilusão), mas não podia negar que ele realmente se importava com ela. Se importava profundamente.

Karin suspirou com tristeza. E se Sasuke se importava tanto assim com Sakura... o que restava pra ela?

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Suigetsu correu os nós dos dedos contra as grades de sua cela, alternando as barras pra produzir sons diferentes, resultando numa sinfonia estranha.

Era prova do quão entediado estava que algo assim pudesse lhe causar alguma diversão. Mas ele estava apodrecendo aqui em baixo! Ele havia seguido Sasuke e Sakura de volta pra Konoha pelo entretenimento, e agora queria pedir seu dinheiro de volta!

Ele achava que Sakura teria vindo visitá-lo a essa altura, nem que por apenas alguns minutos, só pra verificar se ele ainda estava respirando.

Mas pensando bem, ela esteve viajando com um conhecido ninja foragido, então provavelmente haveria algumas formalidades pra serem resolvidas antes que ela fosse liberada pela segurança. Mas Suigetsu não imaginava que isso poderia demorar muito tempo – qualquer atitude de Sasuke que pudesse ser considerada nociva a Konoha havia ocorrido no período em que ela não tinha qualquer possibilidade de impedi-lo. Até onde Suigetsu sabia, quando sua coleira foi removida, Sasuke imediatamente decidiu retornar a Konoha.

Não que ele pudesse se lembrar de nada muito anti-Konoha nas ações de Sasuke, mas conselhos de vilas ninja eram muitas vezes estranhos assim. Mas mesmo assim, eles não poderiam culpar Sakura por nada que Sasuke tivesse feito...

Poderiam?

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Sasuke tentou ignorar os olhares e cochichos conforme caminhava entre Sai e Kakashi para o tribunal. Normalmente, não se perturbava com as pessoas, mas agora, elas eram mais uma irritação pra se somar a uma pilha enorme de aborrecimentos.

O maior era que não encontrou Sakura dentre o grupo se amontoando na entrada principal. Ele encontrou a cabeleira inconfundível de Naruto percorrendo seu caminho em direção a eles no meio da multidão, mas não havia nenhuma mancha de rosa ao lado dele.

Então se lembrou que Kakashi havia mencionado que eles poderiam chamá-la como testemunha. Talvez as testemunhas já estivessem dentro do tribunal.

"Ei, bastardo!"

"Naruto, tecnicamente, você não tem permissão pra falar com ele," Kakashi apontou.

"O quê? Por quê?"

Sasuke revirou os olhos. "Porque você poderia me passar informações pra ganhar a simpatia do Conselho ou de Tsunade, idiota."

"Como diabos eu ia saber isso? Eu nunca fui um foragido, então como é que eu ia saber como convencer o Conselho a te livrar a cara?"

"Você poderia falar sobre as personalidades do Conselho, orientá-lo sobre como se portar diante deles... coisas assim," Kakashi explicou.

A expressão de Naruto deixava claro que ele não estava feliz, mas parecia disposto a obedecer as regras até que o julgamento estivesse acabado. Ele se virou resmungando. "Tudo bem, eu acho que vou procurar pela Sakura então... regra estúpida..."

Kakashi observou o loiro desaparecer no meio da multidão, e começou a imaginar uma maneira de promover algum tipo de encontro conveniente entre ele e Sasuke no caminho para o banheiro ou algo assim.

Ainda que aquele breve momento de conversa parecesse quase normal, ainda havia uma tensão sutil entre eles, como se nenhum dos dois ainda estivesse certo de como agir com o outro. Kakashi havia se sentido da mesma forma, e uma troca de palavras entre ele e Sasuke, ainda que curta, tinha ajudado a aliviar essa tensão.

O mínimo que podia fazer era garantir que Naruto tivesse a mesma chance.

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"Posso saber pelo o que estou sendo presa?" Sakura perguntou, tentando não deixar a incerteza transparecer em sua voz.

Mas ela não podia deixar de notar que estavam deixando a prisão, o que significava que provavelmente estava sendo levada para interrogatório. Também não pôde evitar a pontada de medo que correu sua espinha diante da idéia.

Prisão era uma coisa... interrogatório era outra bem diferente.

Não obtendo resposta, ela estava prestes a abrir a boca pra perguntar novamente quando sentiu uma dor aguda no lado do pescoço, como se tivesse sido picada por algum tipo de inseto.

Ela jogou a cabeça para o lado, bem a tempo de ver o ANBU atrás dela puxando uma seringa vazia.

'Eles me drogaram!' foi tudo que a mente de Sakura foi capaz de conceber antes de começar a se apagar. Sua visão se distorceu, formas foram girando ao seu redor, seu corpo parecia distante, desconectado de seu cérebro.

E então tudo se apagou como se um botão tivesse sido desligado.

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Sai parecia indiferente diante dos processos do julgamento, um sorriso vazio fixado firmemente em seu rosto pra tentar esconder a tensão se revirando em seu estômago.

Ele estava fora de seu estado normal. Ele sabia disso porque o sentimento era semelhante ao de quando enfrentava um adversário que sabia não poder derrotar. Assistindo o julgamento, se deu conta que queria tanto que Sasuke recebesse clemência, como também que fosse executado.

Este último desejo vinha da idéia desconfortável de que, com Sasuke por perto, não havia lugar pra ele. Afinal, era por Sasuke que Sakura e Naruto haviam lutado tanto. Foi o lugar de Sasuke que ele havia tomado no time 7, e agora que o Uchiha estava de volta, ele era dispensável.

Ele voltou os olhos para Naruto, que observava o processo em silêncio, parecendo triste. Mas ele piscou de repente, olhando para o lado, e Sai percebeu que Hinata estava de pé ao lado dele, e que ela havia tocado sua mão. Não estava segurando sua mão exatamente, mas a manteve muito próxima da dele.

Naruto sorriu pra ela, então voltou sua atenção para o julgamento, e por um segundo, Sai sentiu um ímpeto de raiva contra o loiro, e Sakura também - tudo tinha sido tão mais simples antes deles aparecerem! Mas sua fúria desapareceu rapidamente; era difícil se ressentir de qualquer um deles de verdade. Sai imaginou que era isso o que acontecia quando se tinha amigos.

Ele mal percebeu Tsunade declarando um recesso antes que Kakashi acenasse pra que ele se aproximasse. Sai se dirigiu lentamente para o homem de cabelos brancos e seu 'prisioneiro', imaginando o que ele podia querer.

"Sasuke precisa ir ao banheiro," Kakashi disse com o rosto sério conforme o ex-membro da Root se aproximou.

A cabeça de Sasuke girou em direção a Kakashi, com os olhos cheio de indignação, mas Sai não ficou surpreso - Kakashi havia discutido sobre arranjar um encontro entre Naruto e o Uchiha durante um desses recessos do tribunal. Ele podia apostar que o loiro já estava esperando no banheiro, e Sai imaginou que ele ficaria montando guarda para assegurar que ninguém os interrompesse.

Parte dele se irritou com a idéia - ele não queria ajudar a arquitetar a reconciliação entre Naruto e Sasuke. Não queria ajudá-los a empurrá-lo pra fora da equipe.

Porque se Naruto e Sakura não quisessem ser mais seus companheiros... o que ele faria?

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Sasuke tentou não se incomodar com o silêncio, mas o clima começava a ficar um pouco estranho.

Também tentou lembrar quando foi a última vez que tinha visto Naruto tão quieto... mas não conseguiu se lembrar de nenhuma ocasião. A menos que ele levasse em consideração a viagem de volta pra Konoha, mas Sasuke imaginou que aquilo poderia ser incluído num longo silêncio.

O silêncio saturava o ar do pequeno banheiro de azulejos brancos agora. Naruto apenas o encarava, estudando ele, como se tentasse determinar se deveria dizer algo, se poderia confiar nele.

Então, aparentemente chegando a algum tipo de conclusão, Naruto virou o rosto e olhou para seu reflexo no espelho sobre a pia, sua boca se curvou em algo que não era exatamente uma careta, mas não podia ser considerado exatamente um sorriso também.

"Sabe, eu meio que entendo por que você fez isso," Naruto disse para o espelho.

De tudo o que ele poderia ter dito, Sasuke não esperava por isso.

"Eu acho que Kakashi também, mas ele provavelmente não vai admitir isso."

Naruto olhou para ele por um momento, então olhou para o lado novamente. "Quer dizer, eu não estou dizendo que entendo completamente... mas eu meio que entendo."

Naruto não mencionou que compreendeu mais tarde o discurso de Sasuke sobre laços trazerem dor quando Sasuke partiu, quando o homem que ele considerava como um irmão tentou matá-lo Ele tinha uma vaga idéia do que Sasuke deve ter sentido com Itachi. Não se comparava de verdade, ele sabia - Sasuke apenas deixou a aldeia, ele não tinha matado todos que Naruto amava... mas isso tinha lhe dado um vislumbre da dor que deve ter motivado seu companheiro de equipe.

"Mas eu tenho uma pergunta," Naruto acrescentou. Ele não queria perguntar isso - além de ser um pouco assustador, o deixava totalmente desconfortável... mas ele tinha que saber. "Aquelas vezes... antes... você realmente teria me matado?"

A boca de Sasuke se contorceu conforme ele ponderava sobre a questão. Ele teria matado Naruto? A resposta imediata que lhe veio à mente foi uma negação enfática - ele não poderia realmente se imaginar tirando a vida do loiro...

Mas isso era agora. E agora, quando Sasuke olhava de volta para a pessoa que ele era apenas um mês atrás, sentiu certo espanto diante de algumas de suas atitudes. Ele podia compreendê-las, sim, mas agora elas pareciam... estranhas a ele.

Ele teria matado Naruto? Ele havia admitido que sim em duas ocasiões diferentes, mas na hora da verdade... ele acabou não fazendo. Ele teve a chance perfeita no vale, todos aqueles anos atrás, e deixou passar. Ele criou desculpas pra si mesmo, dizendo que queria ser melhor que Itachi... mas ainda deixou a oportunidade passar. E o confronto entre eles na base de Orochimaru? Ele demonstrou toda intenção de atingir Naruto com sua espada, mas o fez de forma muito, muito lenta por seus padrões habituais. Se ele quisesse, podia ter atravessado a distância entre eles, enterrado a katana em Naruto ou cortado seu pescoço, e se afastado num único segundo. Provavelmente o resto de sua equipe teria ficado chocada demais para reagir.

Mas ele foi lento, praticamente compelindo Naruto a se esquivar ou esperando que outra pessoa interviesse. E ele não demonstrou determinação quanto ao assunto, tampouco. Ele poderia ter ignorado as palavras de Orochimaru sobre poupá-los, mas ao invés disso escolheu obedecer, deixando-os pra trás... e se agarrando a qualquer desculpa que justificasse ter poupado suas vidas.

"Não, eu não acredito que eu teria matado você."

Algo em Naruto pareceu relaxar. Embora ele não quisesse admitir, parte dele temia qual seria a resposta de Sasuke.

O silêncio agora era mais suave de alguma forma, mais amigável.

"Você sabe, você ainda é um bastardo. E um cretino."

Estranhamente, Sasuke quis sorrir. "E você ainda é um idiota."

Naruto sorriu.

O leve som do clique da porta se abrindo pareceu ecoar alto, e ambos se viraram para encontrar Sai na entrada do banheiro.

"O que foi?" Naruto perguntou.

"Me ordenaram escoltar Sasuke de volta pra cela," Sai explicou. "O julgamento foi adiado."

"O quê?" Naruto gritou. "Por quê?"

Sai encolheu os ombros. "O mensageiro disse que uma das testemunhas sumiu. Acho que Kakashi foi tentar encontrá-la."

Sasuke ficou tenso, sua mente agitada conforme seguia Sai. Uma das testemunhas estava desaparecida? Não podia haver muitas testemunhas em seu julgamento - as únicas opções viáveis eram Sakura, Juugo, Suigetsu e Karin. Ele sabia que Sakura teria aparecido para testemunhar em seu nome, então... isso queria dizer que alguém do time Hebi tinha escapado?

Sasuke duvidava que fosse Juugo. Sakura lhe pediu pra cooperar com a prisão e se comportar enquanto ela tentava conseguir que ele fosse tratado, e o rapaz loiro não comprometeria a possibilidade de ser curado, nem iria contra uma sugestão de Sakura.

Suigetsu? Bem, era possível. O kirinin tinha grande apego por Sakura, mas era impulsivo, imprudente, e tinha uma baixa tolerância pra inatividade, a menos que tivesse alguma forma de entretenimento - era inteiramente provável que ele simplesmente tivesse ficado entediado e fugisse pra tentar agitar as coisas um pouco.

Karin era outra possibilidade. Sasuke imaginou que seus sentimentos por ele teriam impedido que ela fizesse qualquer coisa para prejudicar suas chances de clemência... mas é claro, ela poderia simplesmente ter ficado cansada de mofar numa cela.

Naruto se moveu para segui-los, mas seu ombro foi firmemente agarrado por um jounin que ele lembrava vagamente ter acompanhado em algumas missões.

"O que foi?" Tsunade não poderia querer enviá-lo numa missão agora...

"O prisioneiro, Juugo, pediu pra falar com você."

Naruto piscou. Sua primeira reação foi desconfiança, lembrando a forma brutal com que o companheiro de Sasuke atacou Hinata, mas a curiosidade também foi um fator de peso. Eles geralmente não se incomodavam em atender ao pedido de um prisioneiro a não ser que fosse justificado.

"Por quê?" o loiro não pôde deixar de perguntar.

"Ele diz que tem informações muito importantes que vai entregar apenas a você."

Naruto franziu a testa, intrigado, mas seguiu o jounin de qualquer maneira. Por que Juugo queria falar com ele?

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Juugo se movia impacientemente pela cela... tanto quanto as correntes lhe permitiam.

Sua principal fonte de preocupação era Sakura, e o que podia estar acontecendo com ela. O medo em seu rosto quando o shinobi a empurrou pra fora do corredor parecia mais do que apenas o receio normal diante de uma prisão, e algo lhe dizia que algo naquela prisão não era normal - algo parecia suspeito, algo estava... errado.

Ele não tinha justificativas pra sua suspeita, mas não queria correr o risco. Então esperou até a troca do guarda - algo que lhe dizia pra não confiar no homem que observou silenciosamente Sakura ser arrastada pra fora sem uma palavra de protesto ou censura - e então pediu pra falar com Naruto. Ele havia sido tão respeitoso quanto possível, e se certificou em dizer que tinha informações que só entregaria ao ninja que ele havia solicitado.

Ele não sabia se o guarda cederia aos seus pedidos, mas como interrogatório e tortura era um processo desagradável e demorado, ele imaginou que eles apreciariam a possibilidade de evitar esse trabalho ao simplesmente trazer a pessoa que ele pediu.

Porque ele tinha que contar a Naruto sobre a prisão de Sakura, e ele não confiaria num mensageiro, nem nenhuma outra pessoa pra fazer algo a respeito. Talvez o homem de cabelos prateados com quem ela conversou, ou o rapaz que tinha uma certa semelhança com Sasuke... mas algo lhe disse que Naruto estaria mais dispostos a ouvi-lo.

Talvez arrastar uma prisioneira algemada com uma seringa em mãos fosse apenas um procedimento padrão em Konoha, talvez Naruto já soubesse disso e estivesse tomando as medidas necessárias pra ajudá-la... mas Juugo não queria correr o risco.

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Sakura teve a sensação de estar sob a água, ou pelo menos enterrada debaixo de várias camadas de algodão. Os sons eram confusos e borrados, e seu corpo não estava se movendo de maneira normal. Na verdade, não achava que sequer estivesse se movendo.

Suas pálpebras pareciam coladas, e Sakura sentiu como se estivesse usando cada gota de sua força sobre-humana pra tentar abri-las.

Sua visão estava embaçada - não como quando seus olhos lacrimejavam e tudo ficava um pouco borrado, mas distorcido como se tudo que ela pudesse distinguir fossem manchas indistintas de cor, nenhuma das quais pudesse ser determinada num formato reconhecível.

Suas costas estavam frias, e Sakura lentamente chegou à conclusão de que devia estar deitada em algum tipo de superfície de pedra ou metal. E ela também teve a sensação de estar se movendo... mas como poderia pedra ou metal se mover?

Sakura pensou haver pessoas ao seu redor, pois podia ouvir vozes. Ela não conseguia entender o que estava sendo dito, porque eles pareciam estar falando muito, muito mais rápido do que seu cérebro era capaz de processar. Quando ela conseguia entender a primeira sílaba, eles já tinham acabado de falar, e outra pessoa já estava respondendo ao que quer que o primeiro houvesse dito.

Ela sentiu uma picada aguda na curva do braço, e deslizou de volta pra escuridão da qual havia escapado brevemente.

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"Eu verifiquei a casa dela, eu verifiquei a casa de Ino, eu cobri cada centímetro do hospital, e atravessei a aldeia inteira enquanto procurava constantemente por sinais de seu chakra... e não encontrei nada."

Tsunade podia ouvir a angústia na voz de Kakashi – ecoava os sentimentos se revirando em seu próprio estômago.

Sakura tinha, para todos os efeitos, simplesmente desaparecido de Konoha. Ela esteve conversando com Ino, tinha falado com Tsunade sobre o tratamento de Juugo, deixou o escritório da Hokage pra informar o loiro da boa notícia...

E parecia que ninguém mais a tinha visto depois disso. Quando perceberam com estranheza que Sakura estava ausente do tribunal, Tsunade procurou o guarda que cuidava das celas naquele momento, mas ele disse que tinha visto a garota sair depois de falar com Juugo...

Então, o que tinha acontecido depois?

"Baa-chan!" veio o grito de Naruto do corredor.

A porta se abriu e se chocou contra a parede com tanta força que quase fez um buraco na superfície.

Os olhos de Naruto estavam em chamas, e a primeira idéia de Tsunade foi que ele havia ouvido falar sobre o desaparecimento de Sakura.

"Eles prenderam ela! Prenderam Sakura!" o loiro berrou indignado, e Tsunade percebeu que, o que quer que ele tivesse ouvido, ele obviamente sabia mais do que eles no momento.

"O que você disse," ela retrucou, num tom grave que já havia intimidado diversos políticos.

"Eles prenderam ela - Juugo me disse! Disse que ela estava falando com ele sobre o tratamento e então esses ANBU simplesmente chegaram e algemaram ela e a arrastaram pra fora e nem sequer disseram pelo o quê eles estavam prendendo ela e ele disse que percebeu que um deles estava segurando uma seringa e eles não podem fazer isso com-!"

"Quieto!" Tsunade sibilou, querendo cortar a histeria do loiro enquanto processava o que ele acabara de despejar.

Seu primeiro pensamento foi que faria o guarda que lhe disse que Sakura havia deixado o bloco de celas se arrepender. Se arrepender de verdade! Seu pensamento seguinte foi que alguém no Conselho ia pagar por isso.

O fato de Sakura ter sido levada por ANBU parecia indicar uma prisão formal – ainda que pouco ortodoxa - e um mandado de prisão tinha que ser emitido por ela mesma, ou por um membro do Conselho. Eles estavam autorizados a emitir mandados, pois lidavam com infrações civis, enquanto que as leis para os shinobi sempre eram deixadas nas mãos da Hokage.

Sempre... até hoje. E o terceiro pensamento de Tsunade foi que ela teria uma cláusula anexada à autoridade do Conselho a partir de agora - algo sobre sua competência pra tratar de assuntos shinobi se limitar apenas ao caso de ela estar incapacitada ou morta.

Tsunade sabia haver outra possibilidade: a de que inimigos houvessem conseguido se infiltrar na aldeia disfarçados de ANBU, e tivessem raptado Sakura, mas esse era absolutamente o pior cenário, e a mentira do guarda parecia indicar um trabalho interno.

"Naruto," ela chamou com uma voz um tanto tensa. "Convoque Kiba e Akamaru, e diga pra que rastreiem o cheiro de Sakura a partir da cela de Juugo. Kakashi, procure o nome de Sakura na lista de mandados de prisão emitidos nas últimas 24 horas, e quando tiver terminado, traga Sasuke aqui. O que quer que você tenha que inventar - uma outra audiência preliminar, novas evidências, eu não me importo, apenas traga ele aqui. E você também Naruto. Eu espero seu relato sobre a trilha de Sakura pra ontem."

Naruto assentiu, já girando sobre os calcanhares e correndo pela porta, quando a voz de Tsunade soou como um chicote.

"Mas não siga além dos portões de Konoha. Se a trilha de Sakura for além dos portões, você vai me informar imediatamente, e eu vou montar uma equipe pra lidar com isso."

Naruto hesitou, e então balançou a cabeça uma vez antes de disparar pra fora da sala como uma gazela assustada.

A despeito de seu aparente assentimento, Tsunade não pôde deixar de imaginar se ele realmente iria obedecer. Se o rastro de Sakura de fato os levasse pra fora de Konoha, então ela podia facilmente imaginar Kiba e Akamaru entrando em sua sala para lhe dizer que Naruto havia ido atrás dela por conta própria.

Mas com sorte eles não teriam que testar essa hipótese.

Kakashi deixou rapidamente também, e Tsunade foi deixada com a tarefa que guardou pra si mesma - a de rastrear aquele guarda e lhe mostrar por que ele nunca deve mentir para sua Hokage.

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Sasuke estava sentado em sua cela, sob vigilância de Sai, se perguntando que testemunha não teria aparecido e por quê. Ele assumiu que Kakashi não tinha retornado porque ainda estava procurando por eles.

O fato de Kakashi estar afastado por tanto tempo sugeria uma fuga, e Sasuke ainda estava ponderando entre Suigetsu e Karin, se perguntando qual deles estaria entediado e fosse imprudente o bastante pra tentar uma fuga de fato.

Duvidava que qualquer um deles realmente conseguisse deixar a aldeia... mas nunca se sabe. O Quarteto do Som haviam conseguido entrar e sair de Konoha sem muita dificuldade.

Ele apenas esperava que o julgamento pudesse ser retomado logo, de modo que toda essa asneira terminasse de uma vez. Ele não tinha idéia exatamente do que iria acontecer com ele, mas não achava que seria executado.

No julgamento de hoje, foi necessário todo seu autocontrole pra não se atirar contra aqueles três membros do Conselho. Mas se ele foi capaz de enfrentar Itachi com frieza e indiferença, apesar de acreditar que ele havia violentado Sakura, então certamente poderia atravessar esse julgamento sem atacar os membros do Conselho. Certo?

A audição aguçada de Sasuke percebeu uma pequena comoção em algum lugar acima deles - ele podia notar o som de várias vozes exaltadas e indignadas, mas não conseguia realmente ouvir o que eles estavam dizendo.

Mas percebeu claramente quando a porta no final do corredor se abriu, e Kakashi entrou em cena, seu olhar era duro, e trazia um molho de chaves pendurado na mão.

"Sakura foi presa," disse sem rodeios.

O corpo de Sasuke gelou, e então, da mesma forma abrupta, se transformou num inferno de fúria.

"Você disse que eles não poderiam responsabilizá-la!" ele rosnou pra Kakashi.

"Eles não podem," ele respondeu rápido. "Isso é outra coisa. Mas não podemos falar aqui. Vou te levar até a Hokage."

"Pelo o que ela foi presa?" Sai perguntou com uma voz suave, mas os outros homens não deixaram de notar seus punhos cerrados. Kakashi sabia que, vindo de Sai, isso poderia ser considerada uma reação extrema.

E ele não pôde deixar de sentir uma faísca de orgulho. Sai estava ficando melhor em canalizar suas emoções em vez de desligá-las, e Kakashi teve a impressão que tinha seus ex-alunos pra agradecer por isso - Naruto e Sakura eram dois dos ninjas mais emotivos que já conheceu, e duvidava que alguém pudesse manter uma fachada calma e indiferente depois de alguns meses na mesma equipe que eles.

Era também testemunho da coragem de Sai, o fato de ele estar disposto a ir contra tantos anos de repressão emocional.

Mas ele não respondeu à pergunta de Sai, optando por destrancar a porta. "Vamos para o escritório da Hokage - tudo vai ser explicado lá."


"A mente determina o que é possível. O coração supera isso."

- Pilar Colinta


Sinto muito pessoal, mas não vou mais colocar sinopses do capítulo seguinte - já estamos chegando no final, rs.

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bjs!

dai86