Olá pessoal,
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Curtam o capítulo 24 (mais dois para o final).
bjs!
dai86
"Quando a conspiração de mentiras ao meu redor exige que eu cale a única palavra de verdade que me foi dada, essa se torna a palavra que eu desejo gritar acima de todas as outras."
- Andre P. Brink
Capítulo 24
Conspiração
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Sasuke entrou no escritório da Hokage, com Sai e Kakashi alguns passos atrás de si. Tsunade estudava um pedaço de papel com uma expressão grave, enquanto Naruto estava sentado numa cadeira de mau humor, os ombros curvados, seu corpo todo tenso. Yamato estava encostado numa parede com os braços cruzados numa postura defensiva e os olhos estreitos.
Kakashi fechou a porta atrás de si num movimento rápido. "Eu o trouxe aqui - o que sabemos até agora?"
"Que Danzo emitiu um mandado de prisão pra Sakura por suspeita de conspiração contra o Conselho," Tsunade começou, ignorando a expressão de raiva de Sasuke diante da informação, como um cão feroz preparando para atacar. "Esse mandado foi cumprido provavelmente por membros da Root, e Sakura foi levada pra unidade de interrogatório."
Pelo menos foi lá onde a trilha dela havia terminado. Só se podia entrar na área de interrogatório com autorização, e nem Kiba nem Naruto possuíam uma. O Inuzuka - antes de Tsunade ordená-lo a avisar os outros (ela não iria tratar desse assunto em mensagens) – fez uma piada sobre exigir pagamento extra por evitar que Naruto invadisse o edifício.
"O guarda que testemunhou quando ela foi presa mentiu sobre a prisão, e ele é suspeito de ser um membro da Root. Não temos provas concretas, mas estamos certos de que é uma armação," a Hokage continuou. "Danzo assinou este mandado - ele alega ter recebido informações de inteligência que indica que Sakura estava conspirando contra o Conselho com você, Sasuke."
"O que indica que é uma armação," Kakashi afirmou. "Se ele recebeu informações de que ela estava conspirando com você, por que não o acusou disso também?"
"Mas ele já está em julgamento, não?" Naruto perguntou.
"Está," Kakashi concordou. "Sob a acusação de desertar a aldeia. Ele ainda pode ser acusado de conspiração contra Konoha, mas isso não foi feito. Ele nem sequer foi levado pra interrogatório por suspeita de conspiração."
"Portanto, é Sakura quem eles querem," Tsunade disse de forma objetiva.
Ela deixou aquela idéia pairar no ar por um momento, antes de continuar, seu tom muito mais analítico, expressando conclusões que ainda estavam se formando em sua mente. "O guarda mentiu. Aquilo foi desnecessário... se queriam Sakura presa, não havia necessidade de esconder o ocorrido. Na verdade, escondê-lo faz tudo parecer dissimulado, sórdido... suspeito. Então o guarda só teria sido instruído a mentir se-"
"Se eles não tivessem intenção de deixar a notícia da prisão de Sakura vazar," Yamato completou a frase, sua voz baixa e sombria, conforme sua mente ligava os pontos. "Eles não querem Sakura presa - querem ela morta. Se não tivéssemos descoberto sobre a prisão, eles já a teriam interrogado e assassinado, provavelmente já teriam incinerado o corpo e jogado as cinzas no rio. Eles devem ter elaborado uma história sobre ela ter se tornado uma nukenin ou algo do tipo. A prisão foi um plano de contingência - uma forma de legitimar essas ações se fossem descobertas."
"Mas... por que eles iriam querer interrogá-la pra começo de conversa?" Naruto perguntou numa voz suave. "Quer dizer, se eles estão planejando..." Ele engoliu seco antes de continuar, "... matá-la, então eles sabem que essa história sobre ela conspirar contra Konoha é falsa, certo?"
"É o que qualquer um pensaria," Tsunade suspirou. "Talvez eles acreditem que ela possa ter informações úteis sobre a Akatsuki, informações que eles querem extrair antes de..."
Ela hesitou. Tanto Tsunade como os outros estavam tentando olhar para esta situação de forma objetiva, encarar isso apenas como outra missão, outro problema a ser solucionado...
Mas foi se tornando cada vez mais difícil manter-se alheia diante da possível tortura e assassinato de sua aprendiz.
Sasuke percebeu Tsunade empalidecer, e sentiu uma pontada de empatia - ele próprio se sentia enjoado diante da situação. Ele sabia que interrogatório era parte do trabalho sujo numa vila ninja – era desagradável, mas no entanto, essencial para a aldeia. Ainda assim, a idéia de alguém tentando fazer Sakura gritar, tentando fazê-la sangrar, tentando quebrá-la, o deixava nauseado, ao mesmo tempo que lhe trazia o ímpeto de trucidar esse mesmo 'alguém'.
"Eles devem estar desesperados pra vê-la morta... e com muita pressa," Yamato argumentou, se esforçando para permanecer o mais indiferente possível. "Eles a pegaram de forma apressada - havia uma testemunha, pelo amor de Deus! É claro, um prisioneiro cujo testemunho não tem muito crédito... mas ainda assim, uma testemunha. E ela iria depor no julgamento de Sasuke - eles tinham que saber que daríamos por falta dela logo..."
"A menos que o objetivo era tê-la sob custódia antes que ela tivesse a oportunidade de testemunhar," Kakashi deduziu. "A menos que eles acreditassem que ela diria algo no julgamento que eles não quisessem que viesse a público."
Naruto desejou consigo mesmo que os três ninjas mais velhos parassem de terminar a frase um do outro. Tornava aquela conversa já perturbadora muito mais inquietante.
"O massacre," Sasuke disse em voz baixa.
Quando todos se voltaram pra ele, ele retornou o olhar de Tsunade apenas. "Você sabe que isso explica tudo."
Tsunade suspirou, mal ouvindo Naruto deixar Yamato a par da história do suposto envolvimento do Conselho no massacre Uchiha. Ela não queria acreditar - apesar de sua falta de confiança neles, e as atitudes questionáveis de Danzo com Root... ela ainda não queria acreditar que eles pudessem ser tão hediondos.
Mas ao que parece eles eram. Porque era a única explicação que fazia sentido. Por que tentar remover Sakura tão rapidamente, de forma tão desleixada (para padrões ninja) a menos que tivessem um segredo que queriam proteger? Um segredo que não pudessem se dar ao luxo de deixar vazar, e um que eles acreditavam estar certos que surgiria no julgamento de Sasuke?
Por que fazer tudo isso... a menos que o que Madara havia dito fosse verdade?
"Não haverá julgamento," Kakashi concluiu num tom sombrio. "Ela vai ser assassinada em silêncio. A única razão pela qual ela ainda está viva é porque Lady Tsunade fez algum barulho sobre ter encontrado o mandado de prisão e o guarda que mentiu – nós descobrimos tudo rápido demais, e se ela morrer imediatamente, qualquer pessoa que seja vai pensar em conspiração. Eles precisam de algo que possa deixá-los imaculados aos olhos do público em geral."
Kakashi se perguntou por um segundo sobre o destino daquele guarda, e se haveria algum osso intacto em seu corpo após Tsunade ter terminado com ele.
Yamato refletiu sobre o que o homem de cabelos prateados tinha dito por um momento. "Eles provavelmente vão mantê-la viva por um dia ou dois, continuar a interrogá-la sobre... o que quer que eles tivessem a intenção de extrair dela e, em seguida, matá-la. Vai haver uma história pra encobrir tudo – dirão que ela teve uma reação alérgica imprevista a um medicamento ou algo assim - mas vai acontecer. E vai ser muito em breve."
"Então nós temos que fazer algo sobre isso!" Naruto proclamou, praticamente pulando da cadeira.
"Legalmente, não há nada que possamos fazer," Tsunade admitiu. "Já que ela não foi efetivamente acusada e considerada culpada, eu não posso declarar seu perdão. E perdão é a única ação que teria efeito imediato - se recorrermos à ladainha judicial pra tirá-la do interrogatório, eles terão alerta de sobra... e Sakura provavelmente estará morta antes de sequer chegarmos perto dela."
"Isso é papo furado!" Naruto berrou.
"Ela disse 'legalmente', Sai disse calmamente.
Sasuke se virou pra ele - quase havia esquecido que o rapaz de cabelos escuros estava lá. Ele havia permanecido completamente mudo durante a reunião até agora, e nesse momento Sasuke percebeu que era provavelmente o que Sai fazia - ficava quieto, absorvevia todas as informações, e só então agia.
"Isso mesmo," Tsunade assentiu. "Legalmente, não podemos fazer nada. Legalmente."
Naruto arregalou os olhos. "Oh."
Ele sentou-se novamente.
"Uma coisa que eu não entendo, porém," Kakashi disse lentamente, "é como Danzo soube que Sakura sabia a verdade sobre o massacre. Ela e Sasuke só revelaram isso a mim, Naruto, Sai e Lady Tsunade. E como acredito que nenhum de nós deu com a língua nos dentes-"
"Nós não dissemos nada!" Naruto berrou num tom defensivo.
"- isso sugere uma fonte externa," Kakashi terminou, ignorando a interrupção. "Sasuke... existe a possibilidade de qualquer um de sua equipe ter ouvido sobre o massacre? E, eles teriam traído Sakura?"
Uma sensação pesada em seu estômago disse a Sasuke que ele sabia exatamente quem tinha arquitetado esse drama. "Foi Madara."
Tsunade lançou um olhar firme. "Você tem certeza?"
Sasuke assentiu com convicção. "Nenhum dos outros estava em posição de ouvir as informações de Madara, e nem eu nem Sakura contou sobre isso a eles. E mesmo que tivessem de alguma forma descoberto sobre isso... eles não teriam feito isso."
"Por que não?" Yamato perguntou numa voz dura. "Você selecionou essas pessoas em Oto - esse lugar não é conhecido por seus ninjas honrados."
"Fiz Karin entender que não toleraria ataques a Sakura, e ela não iria me contrariar de forma tão descarada," Sasuke disse honestamente. O sentimento de Karin significava que ela não correria o risco de fazer algo que com certeza o colocaria contra ela.
"E os outros? Suigetsu e Juugo?" Tsunade apontou. "Juugo nos colocou a par dessa situação, sim, mas isso não excluí sua participação..."
Sasuke bufou com escárnio. "Juugo cortaria a própria garganta antes de fazer qualquer coisa contra Sakura. E Suigetsu se diverte demais dando em cima dela."
Ele não se deu conta de como aquilo soava até que Naruto riu. Foi uma risada tensa, apertada - mais para tentar tirar a mente daquela situação do que como fonte de qualquer diversão autêntica - mas foi uma risada, no entanto. "Sasuke está com ciúmes!"
"Cale a boca, idiota," ele sibilou.
"Ele está, ele está com ciúmes!"
"Calem a boca vocês dois!" Tsunade rugiu. "Sasuke, você tem certeza que não pode ser ninguém além de Madara?"
Sasuke assentiu com a cabeça, fazendo um esforço consciente para não ranger os dentes.
"Você tem idéia de por que ele se daria a todo esse trabalho pra atingir Sakura?" Kakashi perguntou.
Sasuke abriu a boca para dizer que não sabia, mas a pergunta de Kakashi fez as peças de um quebra-cabeça se encaixarem em sua mente.
E Sasuke se lembrou de Sakura lhe dizendo que ela achava que Madara pretendia usá-lo em algum tipo de plano. Lembrou o ressentimento de Madara em relação a ela, lembrou da maneira como ele, Sasuke, agiu com ela diante do outro Uchiha...
"Toca nela e eu te mato!"
Ele praticamente soletrou o quanto ela significava pra ele, dizendo a Madara que ali estava alguém que podia ser usada pra atingi-lo, pra manipulá-lo...
'E,' Sasuke pensou de repente com um arrepio de horror, "eu não sei pra onde Madara se teleportou quando nos deixou."
Se ele sabia que Sasuke estava prestes a seguir seus planos, e então viu Sakura convencendo ele do contrário...
Sasuke compreendeu aos poucos por que Madara havia se dado ao trabalho de implementar um plano tão intrincado. "Por vingança."
"O que você disse?" A voz de Kakashi soou alto e claro. "Você disse que foi por vingança?"
"Sakura especulou que Madara nos contou sobre o massacre Uchiha porque queria me convencer a aderir a Akatsuki," Sasuke explicou, tentando manter a voz calma. "E a princípio eu... eu pretendia atacar Konoha como um todo."
Ele ignorou a tensão se instalou na sala abruptamente.
"Sakura me convenceu do contrário. Se Madara estava nos observando de alguma forma..."
Sasuke não precisou terminar a frase. Ele podia ver que eles entenderam - Madara estava tentando arquitetar a morte de Sakura como vingança contra ela, ou Sasuke, ou mesmo contra ambos.
"Mas por que fazê-lo de forma tão elaborada?" Yamato perguntou. "Se ele estava observando, então certamente teve a oportunidade de atacá-la antes que ela voltasse pra Konoha? Por que não tentar matá-la então?"
"Eu disse a ele que o mataria se ele a tocasse," Sasuke disse sem rodeios, olhando resolutamente pela janela sem encarar qualquer outra pessoa na sala.
"Então, ou ele não quer confusão com você..." Tsunade ponderou. "Ou ele ainda está tentando jogá-lo contra Konoha ao fazer o Conselho – e por tabela, a aldeia - responsável pela morte dela, em vez de si mesmo."
"Quem se importa?" Naruto quase gritou. "Temos que resgatar Sakura!"
"Vocês têm que resgatar Sakura," Tsunade corrigiu. "Eu não posso ser vista fazendo qualquer coisa. Vou fazer algum estardalhaço, mas nenhum movimento exagerado – deixe que pensem que ataram minhas mãos. Sabemos que eles provavelmente não irão matá-la imediatamente... ia parecer suspeito demais. Mas eles podem matá-la se parecer que estou perto de conseguir libertá-la."
Naruto abriu a boca, provavelmente pra perguntar o que eles estavam esperando, mas Tsunade falou novamente.
"Kakashi, Naruto, Sasuke e Sai, eu não posso fazer disso uma ordem, mas quero que vocês executem uma fuga tão logo quanto possível. Tirem ela de lá, e então, Sasuke, ambos vocês irão pra algum lugar seguro."
"Por que Sasuke tem que se esconder também?" Naruto perguntou.
"Porque eles talvez vão atrás dele se não puderem ter Sakura," Tsunade disse sem rodeios. "E Sasuke... tome todas as medidas que julgar necessárias pra garantir que você e Sakura possam, eventualmente, sair do esconderijo."
Sasuke assentiu - ele entendeu o que Tsunade estava dizendo. Ela estava lhe dando permissão tácita pra eliminar os anciãos enquanto ele e Sakura estivessem escondidos. Ele supôs que fazia sentido - ele conseguiria o que queria, ela eliminaria uma ameaça à estabilidade da aldeia, com a vantagem adicional de se manter completamente alheia à situação. Sasuke sabia que essa era a razão real pela qual ela estava concedendo o seu pedido; sua falsa fuga cortaria a ligação entre ele e Tsunade, o que significa que caso ele fosse pego, iria parecer que havia agido sozinho, e nada poderia ser rastreado até a Hokage.
Essa era a única razão pela qual ela não estava ordenando Kakashi ou mesmo Yamato, a cuidar dos outros dois conselheiros enquanto ele lidava com o terceiro.
"É melhor andar logo... se você vai mesmo fazer qualquer coisa," Tsunade disse calmamente.
Eles partiram com tanta pressa que ela ouviu Naruto gritar quanto Sasuke pisou no pé do loiro.
Yamato permaneceu onde estava, incerto se deveria sair, ou se teria algum papel a desempenhar nesse cenário que Tsunade estava montando.
"Yamato... mais uma vez, esta não é uma ordem," ela esclareceu. "Mas há algo que você poderia fazer pra ajudar..."
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Danzo brandiu injúrias, resistindo à vontade de jogar os papéis em sua mesa no chão.
Eles tinham sido descobertos. Como, ele não sabia, mas pretendia descobrir o mais rápido possível.
Tão logo determinasse com quem – caso houvesse alguém - Sakura havia conversado sobre o massacre Uchiha. Danzo tinha certeza que ela não teria mantido em segredo; ele precisava descobrir a quem ela tinha dito pra que ele pudesse tentar executar um controle de danos.
Ele verificou o relógio. Se os agentes Root obedeceram suas ordens - e eles sempre obedeciam - então Sakura não despertaria de seu estado de torpor por pelo menos mais uma hora. Danzo a queria incapacitada antes do interrogatório - além de seu controle de chakra fenomenal e força sobre humana, Sakura também era muito inteligente, e Danzo tinha certeza que tê-la consciente durante sua prisão teria levado a problemas.
Ele havia planejado interrogá-la muito mais tarde, quando efeito da droga houvesse desaparecido completamente e ela estaria plenamente consciente de tudo o que estava acontecendo. Não havia muito sentido em torturar alguém se essa pessoa estivesse entorpecida demais por drogas pra perceber que estava sendo torturada.
Mas ele não tinha escolha - Tsunade sabia sobre a prisão, e Danzo sabia que ela não deixaria isso barato. Mesmo agora, ela estaria procurando uma maneira de ter sua pupila libertada, fosse através de manobras legais ou por pura força. Ele precisava agir agora.
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"Agora lembrem-se, isso não é uma ordem... não pode ser uma ordem," Yamato lembrou a todos. "Vocês não têm obrigação de fazer isso."
"Nós ouvimos da primeira vez," Ino disse, sacudindo a mão com desdém. "Dê espaço - nós estamos trabalhando aqui!"
Ela e Shikamaru estavam inclinados sobre um pequeno conjunto de panelas na mesa da cozinha em seu apartamento, com uma variedade de garrafas e latas espalhada sobre a mesa e chão.
"Shikamaru, me passa o tíner."
"Tíner!" veio o grito de Kiba de trás da porta da cozinha fechada. "Você está querendo nos matar?"
"Não seja infantil," Ino murmurou, pegando a lata que Shikamaru lhe passou e, literalmente, derramando tudo na mistura.
Kiba havia chegado 20 minutos atrás, dizendo que Sakura tinha sido arrastada para interrogatório e que havia algum tipo de conspiração em curso. Yamato chegou pouco depois com mais detalhes e um plano tramado por Tsunade.
Plano este que exigia uma parte fundamental, na qual eles estavam trabalhando agora. Se Sasuke e Sakura fossem vistos fugindo, então o Conselho enviaria Inuzukas para rastreá-los... a menos que o faro destes estivesse incapacitado.
Então, Ino e Shikamaru estavam misturando produtos químicos capazes de irritar o olfato, torcendo pra que isso fosse o suficiente pra deixar os Inuzukas e seus cães incapazes de rastrear os fugitivos. Kiba foi encarregado de lançar a mistura em seu próprio lar, na forma de uma bomba improvisada.
"Ok, acho que está pronto," Ino anunciou, despejando a mistura numa pequena lata de metal que ela lacrou bem.
"E só adicionar isso pra vaporizá-lo," acrescentou Shikamaru, jogando um pequeno frasco na direção de Kiba conforme entrava na sala.
"Vocês vão ficar me devendo muito por isso," resmungou o Inuzuka, guardando o frasco no bolso enquanto Akamaru pegava a lata com a boca. "Minha família vai me linchar."
Yamato notou que, apesar de seus protestos, o garoto e seu cão se apressaram casa afora e praticamente correndo pela rua.
A ANBU observou até que ele estivesse fora de sua vista, então virou-se para Ino e Shikamaru mais uma vez. "Agora, precisamos encontrar os outros."
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Danzo entrou na pequena sala sem janelas, com dois de seus mais leais ninjas ao seu lado.
Ele não foi capaz de sufocar completamente o amargor que o lembrava que seria Sai ao lado dele... se o garoto não houvesse sido corrompido. Ele tinha acreditado que Sai seria forte o suficiente pra se manter firme contra a estranha atração que a Haruno e o Uzumaki pareciam exercer, mas parecia que ele tinha subestimado o quão longe seus companheiros de equipe iriam em suas tentativas de subverter o condicionamento de Sai.
Ele não podia dizer que não guardava certo rancor, mas ele dominava suas emoções - ele estava aqui para obter informações, não para satisfazer seus impulsos sádicos.
Sakura estava deitada numa pequena maca de metal com uma intravenosa na veia do braço, com um fluxo constante de sedativos para mantê-la inconsciente e alheia ao que acontecia. Ainda assim, mesmo com as drogas, Root tinha tomado precauções - tiras espessas de couro prendiam seus pulsos, tornozelos, ombros e cintura contra a maca.
Danzo fez um gesto, e um dos ninjas ao seu lado retirou a intravenosa e começou a desafivelar as cintas que a prendiam. O outro ninja saiu pra pegar os materiais que precisariam.
Em cinco minutos, Sakura havia sido sentada numa cadeira de metal usada em interrogatórios, seus pulsos amarrados um ao outro atrás das costas da cadeira, e os tornozelos preso às pernas desta. Seu corpo tombou pra frente, e um dos ninjas de Danzo passou uma corda na diagonal de seu torso, forçando o corpo relaxado da garota numa posição ereta.
Danzo tinha pouco conhecimento médico, mas esperava que Sakura recuperasse a consciência rapidamente. Agora que interromperam o sedativo, seu corpo certamente seria capaz de se recuperar rapidamente. E quanto mais rápido melhor - ele não sabia quanto tempo tinham, mas suas estimativas mais otimistas não lhe davam mais que algumas horas.
Felizmente, a médica começou a se mover em menos de três minutos. Ela piscou lentamente, olhando para ele como uma idosa míope, com os olhos distantes e sem foco, e Danzo pôde perceber que a droga ainda afetava sua mente.
Mas ele tinha que começar. "Haruno Sakura, a quem, se houve alguém, você revelou sobre o papel do Conselho no massacre Uchiha?"
Ela não respondeu. Danzo não tinha certeza se era porque ela não tinha registrado a pergunta ou se ela estava se recusando a ceder a informação, mas não poderia arriscar que fosse a segunda hipótese.
Ele acenou para o ninja de pé ao lado dela. O membro Root chegou por trás Sakura, alcançando seu dedo anelar...
Danzo sabia que era tudo para obter informações, mas não podia negar que sentia um certo senso de satisfação com o grito de dor que ecoou pela cela quando o ninja quebrou o dedo de Sakura.
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Sasuke foi liberado das algemas tão logo deixaram o escritório da Hokage. Kakashi tinha destravado elas, as deixando sobre seus pulsos, mas não restringindo ele de verdade, sob instruções de fazer parecer que Sasuke ainda estava algemado, pelo menos até que pudessem escapar.
Todos os quatro desapareceram nas sombras conforme passavam pelo prédio do interrogatório - quando Sasuke não retornasse a sua cela, haveria uma busca, mas Tsunade poderia dizer honestamente que ele havia deixado seu escritório algemado, nada poderia ser ligado a ela.
Sasuke pôde se sentir um pouco irritado por ser usado dessa forma, mas uma Hokage cautelosa era uma Hokage que mantinha a si mesma - e todos sob seu comando - viva. E se isso ajudasse a resgatar Sakura, Sasuke não iria reclamar.
"Agora, precisamos ser muito, muito rápidos com isso. E muito, muito sutis," Kakashi disse calmamente enquanto Naruto e Sai passavam algumas de suas kunai e shuriken pra Sasuke.
Tsunade não tinha realmente colocado ninguém no comando – aquilo teria sido praticamente admitir que era uma missão autêntica - mas Sai, Naruto e Sasuke tinham automaticamente deferido a Kakashi a posição. Era ele quem tinha mais experiência em situações como esta.
"Sai e eu somos ANBU - temos permissão pra entrar no interrogatório Podemos alegar que temos ordens pra interrogar Sasuke, e Naruto," ele se voltou para o loiro, "... podemos dizer que a Hokage está estudando a possibilidade de torná-lo um agente de interrogatório."
Sasuke não sabia se alguém iria acreditar naquilo, mas era improvável que alguém questionasse Kakashi.
"Nós não podemos entrar todos de uma vez – seria suspeito demais. Sai, você entra com Sasuke, e eu levo Naruto alguns minutos depois."
Sai assentiu, entendendo o raciocínio por trás da ordem. Ninguém acreditaria que Kakashi levaria seu ex-aluno pra ser interrogado, ou que Naruto permitiria calmamente que Sasuke fosse levado assim.
"Uma vez dentro, vá para o nível mais baixo - é o nível onde colocam os shinobi mais poderosos, com as informações mais sensíveis, pra onde é mais provável que tenham levado Sakura."
"Você..." a voz de Naruto falhou, fazendo ele engolir seco e tentar novamente. "Você acha que eles... fizeram algo com ela?"
Kakashi ficou em silêncio, e o estômago de Sasuke deu piruetas. Ele estava fazendo o melhor pra não pensar sobre o que Sakura sendo interrogada significava de verdade, e ele não queria pensar sobre o que poderia estar acontecendo com ela nesse momento.
E ele assumiu que Kakashi sentia o mesmo quando seu antigo sensei simplesmente disse: "Vamos nos concentrar apenas em tirá-la de lá."
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Tudo estava muito nebuloso, mas não aquele nebuloso do tipo agradável de antes. Esta névoa era tingida de dor, com vozes duras e cruéis, e uma sensação de medo. Sakura não tinha certeza do que estava acontecendo - sua mente estava trabalhando num nível abaixo do de consciência normal - mas ela sabia que algo não estava certo.
Sua mão estava latejando, choques de agonia percorriam seu braço acima e abaixo, mas a dor estava clareando sua mente. Sakura piscou seus olhos turvos, seu cérebro nebuloso clareou o suficiente pra que ela percebesse que Danzo estava parado na frente dela, ela estava amarrada a uma cadeira de metal em uma sala de pedra, dois shinobis de máscara estavam em cada um de seus lados... e três dedos de sua mão esquerda estavam quebrados.
Ela tinha noção de que alguém falava, mas só agora se dava conta que era Danzo.
E só agora é que ela realmente percebia o que ele estava dizendo.
"A quem você disse?"
No começo, Sakura não sabia do que ele estava falando... então seu cérebro enevoado fez a conexão entre o que ela sabia e informações que Danzo não queria que viessem a público. O massacre Uchiha.
Quando ela não disse nada, Danzo acenou para um dos ninjas, e o shinobi pegou a mão dela. Sakura não pôde evitar o gemido que escapou de sua garganta quando ele agarrou seu indicador, uma ação que moveu os outros dedos até que ela pudesse sentir os ossos quebrados se pressionando uns contra os outros.
Aparentemente percebendo que ali estava outra via de ataque, o shinobi moveu a mão pra envolver os dedos já quebrados, apertando com força e enviando ondas de agonia pelo braço de Sakura. Ela gritou...
E então parou.
Porque a porta tinha sido arrombada com uma explosão de eletricidade crepitando, e o som de mil pássaros. Sakura mal foi capaz de registrar o fato antes de duas figuras – com silhuetas marcadas pela luz do corredor – avançassem sala adentro num borrão de movimento.
Sasuke sabia que isso poderia ter sido feito de uma forma muito mais tranqüila. O plano era que Sai se transformasse, chamasse um dos agentes Root pra fora, e depois eles atacassem o outro ninja (dois contra um era uma luta muito mais rápida do que um a um, e Sasuke não achava que teriam muito com o que se preocupar sobre Danzo - o homem devia estar chegando aos sessenta...)... mas então Sasuke ouviu Sakura gritar, e todos os planos voaram pela janela.
Seu Chidori teve pouco trabalho com a porta de metal barrando a entrada, e então o Uchiha voou sobre o ninja que estava de pé atrás de Sakura, enquanto Sai lançou-se contra o outro que permanecia impassível ao lado daquele.
Os ninjas da Root eram extremamente habilidosos... mas Sasuke era extremamente rápido, e estava extremamente irado, e já estava sobre o outro ninja antes mesmo que este pudesse sacar sua arma.
O primeiro golpe o surpreendeu. O segundo o deixou desorientado. O terceiro o nocauteou.
O quarto golpe foi totalmente desnecessário, mas fez Sasuke se sentir melhor.
Ele jogou o homem inconsciente de lado e foi ajudar Sakura, já puxando uma kunai para cortar as amarras, mas sua mão hesitou a meio caminho quando ele viu o estado contorcido de seus dedos - aparentemente, o membro da Root esteve quebrando eles um por um.
Sasuke foi tomado pelo ímpeto de ir lá e quebrar alguns dos dedos do shinobi, mas se conteve, ao invés disso cortando as amarras com o máximo de cuidado possível, tentando não piorar seus ferimentos. Ele estava vagamente ciente de Sai confrontando Danzo, mantendo este à distância ao erguer sua lâmina, já tendo lidado com o outro membro da Root, mas estava preocupado demais em soltar Sakura pra realmente prestar atenção. Desde que Danzo mantivesse distância e nenhum dos shinobi recobrasse consciência, Sasuke não se importa com o que Sai fizesse com eles.
Sai, por sua vez, estava surpreso com o que estava fazendo. Não foi há apenas alguns meses que ele tinha considerado este homem a única esperança de Konoha? Que ele executava tudo o que ele ordenava sem questionar? E agora ele estava de pé diante de Danzo com sua espada empunhada, completamente disposto a cortá-lo se ele fizesse qualquer movimento em direção a Sakura. De fato, quando Sai lembrou os gritos que ele e Sasuke haviam ouvido, abafados por trás daquela enorme porta de metal, ele sentiu um ímpeto de golpear Danzo de qualquer maneira, independentemente da ameaça que ele representasse.
Um frágil gemido de dor ecoou detrás dele, e aquele ímpeto ganhou força. Ele não arriscaria tirar os olhos de Danzo, mas chamou por Sasuke.
"Ela está bem?"
"Três dedos quebrados," veio a resposta num tom carregado de fúria. "E acho que eles drogaram ela."
Os dedos de Sai se contraíram, querendo se mover para guiar a espada contra o peito do Danzo. O homem de pé a sua frente estava perfeitamente calmo, totalmente inexpressivo e completamente silencioso, como se o que estava acontecendo não tivesse nada a ver com ele.
Sasuke parou ao lado de Sai, permitindo que o ex-membro da Root pudesse ver Sakura pelo canto do olho.
E nesse instante, ele compreendeu porque Sasuke não havia sido capaz de esconder sua fúria.
Sakura estava completamente mole nos braços de Sasuke, com a cabeça pendendo contra o peito dele. Seus olhos estavam abertos, mas nublados e sem foco, como se ela estivesse olhando algo distante que só ela podia ver. Sua mão esquerda estava descansando sobre sua barriga, três dedos contorcidos – apenas seu indicador e o polegar estavam intactos.
"Sssaasssuke?" ela chamou numa fala arrastada, aparentemente tendo percebido apenas agora quem a estava segurando.
"O que você deu a ela?" Sasuke perguntou a Danzo, numa voz enganosamente calma.
Danzo não disse uma palavra.
"A única razão pela qual você ainda está vivo é porque eu quero saber exatamente o que você usou nela," Sasuke disse severamente. "Mas eu posso facilmente obter a informação em outro lugar."
Sasuke podia apostar que eles tinham dado um sedativo genérico a Sakura - algo para mantê-la inconsciente e sem causar problemas, enquanto a transportavam e amarravam. E mesmo que fosse algo diferente, Tsunade certamente saberia o que era.
Francamente, qualquer motivo pra manter Danzo vivo evaporavam a cada segundo.
Danzo simplesmente o encarou. "Você atingiu um nível mais baixo ainda, Uchiha. Me mate, e você vai ter que fugir desta aldeia, caçado pra sempre como um traidor."
Sasuke sorriu com escárnio, seus olhos negros duros como ônix. "Acho que não."
E então lançou um golpe com seu pé. Danzo era um ninja, mas já não estava na ativa há muito tempo. Ele era velho agora, seus reflexos entorpecidos pelo peso da idade.
Assim, ainda que mesmo um genin pudesse ter desviado do golpe de Sasuke – limitado como estava pelo peso de Sakura em seus braços - Danzo não pôde reagir a tempo. O pé do Uchiha atingiu a garganta do ancião no ângulo preciso, e com força suficiente pra quebrar o pescoço.
Um estalo ruidoso de osso se quebrando ecoou pela sala, e Danzo caiu.
Sai estava surpreso com o quão pouco a morte do homem o afetou. Este era o homem que o havia treinado, orientado... não deveria sentir alguma coisa?
Mas havia apenas um leve desgosto, sufocado pelo alívio em encontrar Sakura viva. Para o bem ou para o mal, Sai tinha escolhido suas alianças.
Ouviu-se uma comoção ruidosa no corredor, e Naruto e Kakashi apareceram, entrando pela porta destruída.
"Vocês não deixaram nada pra mim?" Naruto exclamou indignado, mas sua expressão se desfez em preocupação quando percebeu Sakura largada nos braços de Sasuke. "Ela está bem?"
"Eles quebraram seus dedos," Sasuke chiou. "E drogaram ela com alguma coisa."
O loiro se aproximou da mulher nos braços de Sasuke, acariciando sua bochecha e afastando alguns fios de cabelo de seus olhos conforme Kakashi examinava os dedos quebrados.
"Naruto?" Sakura murmurou. "Kakashi?"
Sua mente ainda estava um pouco lenta, mas ela podia jurar que apenas duas pessoas vieram por aquela porta, Sasuke, e... Sai!
Sakura realmente não tinha registrado a luta acontecendo ao seu redor, mas estava vagamente ciente de ter visto Sai de pé entre ela e Danzo. Sua mente estava incapaz de raciocinar no momento, e tudo que podia compreender era que se ela tinha visto Sai enfrentando Danzo, e agora não podia vê-lo, devia haver algo errado.
"Sai!" ela engasgou. "Onde... Sai?"
Sai piscou. Ele estava assistindo a reunião de longe, sentindo-se solitário de alguma forma, embora houvesse outras quatro pessoas na sala com ele, e depois com raiva por se sentir solitário.
No estado alterado de Sakura, ele não esperava que ela estivesse ciente de sua presença, muito menos que chamasse por ele.
"Estou aqui," respondeu, se aproximando dela.
Sakura o olhou enquanto piscava, levantando com certo tremor sua mão intacta pra tocar seu rosto, como que para confirmar que ele era real. "Ah... que bom..."
"Porque estava tão preocupada afinal de contas?" Naruto perguntou. "Você gritou como se achasse que ele estivesse morto ou algo assim."
"Vi Sai... e Da-Danzo..." Sakura disse, se esforçando pra soar coerente. "Então... não vi mais... pe-pensei ... ferido..."
Ela piscou de novo. "Minha língua... esquisita..."
"Não se preocupe," Kakashi disse, automaticamente tentando acalmar o tom angustiado na voz de Sakura. "Vamos te tirar daqui."
O sorriso de Sakura parecia um pouco afetado. "Vocês garotos... são demais! Meus quatro mais... mais favoritos homens em... em todo o mundo! Mesmo que você seja... obce-obcecado com ramen... e pervertido... e mono-monossilá-lábico... socialmente tapado..."
Ela continuou a soltar murmúrios ininteligíveis.
"Sua coerência parece variar, não?" Sai ponderou.
"Acho que a droga está perdendo efeito," Kakashi avaliou conforme deixavam a sala de interrogatório. "Então, seu nível de consciência pode variar um pouco."
Naruto observou enquanto Sakura de repente dava risadinhas sem motivo aparente – um comportamento anormal pra alguém com três dedos quebrados. "É por isso que ela está agindo assim... tão contente?"
"Vários tipos de sedativos ninja também desencadeiam endorfina - o hormônio da felicidade," Kakashi explicou. "O sedativo é o componente principal, mas quando ele começa a enfraquecer, as endorfinas asseguram que o shinobi não reaja atacando. É uma espécie de recurso de segurança, um aviso de quando ela o efeito do sedativo está acabando. Danzo devia estar bem desesperado, se estava interrogando ela agora."
Sasuke balançou a cabeça, observando o sorriso bobo de Sakura. Pelo menos ela não parecia estar sentindo a dor dos dedos quebrados.
Mas a mente da garota parecia ter se apegado à palavra 'interrogatório', e - aparentemente tentando ser útil - ela soltou: "Ele queria... queria saber pra quem eu contei... sobre o massa-massacre..."
Os quatro homens trocaram olhares breves, e Sasuke sentiu um frio na barriga. Danzo havia torturado Sakura para determinar se teria que silenciar mais alguém - esta era prova absoluta e concreta de que o Conselho havia conspirado contra a aldeia.
O Uchiha seguiu Kakashi até o fim do corredor, observou o homem de cabelos prateados abrir a porta, e então praticamente saltou em surpresa.
Porque por trás daquela porta... estava ele mesmo. Na verdade, havia quatro Sasukes amontoados na escada, acompanhados por três Sakuras, Hinata e Yamato.
"Esta era minha parte do plano," Yamato sorriu. "Vamos deixar trilhas falsas."
"Sakura!" um dos sósias de Sasuke engasgou teatralmente. "O que aconteceu com você, minha flor?"
Naruto não pôde evitar. Apesar da gravidade da situação, ouvir as palavras de Lee na voz de Sasuke e com o rosto de Sasuke foi demais pra ele, ele soltou uma gargalhada que ecoou pela escadaria.
"Quieto!" A voz de Kakashi era baixa, mas intensa. "Isso precisa funcionar, e isso significa não deixar os guardas lá em cima saber o que estamos fazendo!"
Naruto se conteve, mordendo os lábios num esforço de engolir a risada.
"Hinata... eles escutaram alguma coisa?" Yamato perguntou.
Sasuke percebeu que o Byakugan de Hinata tinha sido ativado, e seus olhos estavam voltados para o teto. Aparentemente, ela estava servindo como vigia – monitorando os guardas por precaução.
"Eles não se mo-moveram," ela informou.
"Como vocês entraram aqui?" Sai perguntou curioso. "Os guardas não suspeitaram de nada?"
"Eles se disfarçaram num bando de shinobis qualquer que estava levado para o interrogatório," explicou Yamato. "Eles fingiram ser de baixo nível, e agiram como se estivessem sob sedativos."
Sasuke relaxou um pouco. Pelo menos não teriam que se preocupar com os guardas vindo pra checá-los - ninguém se perguntava sobre o destino de um prisioneiro uma vez que era levado para o interrogatório.
"Ok, Naruto e eu precisamos ser vistos saindo bem depois de termos entrado," Kakashi instruiu. "Assim vamos ficar aqui por algum tempo. Sai - você precisa ir agora. Faça parecer que você apenas entregou Sasuke e não tem nada a ver com o interrogatório."
Sai assentiu e começou a subir as escadas.
"Vou ter de esperar um pouco mais," Yamato disse, antecipando as ordens de Kakashi. "Assim vai parecer que coloquei cada um dos meus prisioneiros numa célula diferente."
Kakashi concordou. "Você pode cuidar do corpo de Danzo e dos shinobis inconscientes Todos os outros, peguem seu pares e simulem Sasuke e Sakura. Hinata - pode se transformar agora."
Hinata formou os selos necessários, e se transformou numa réplica perfeita de Sakura sob uma nuvem de fumaça.
Sasuke observava, um pouco desconfortável, conforme suas cópias pegavam suas Sakuras nos braços, ajeitando suas posições até que imitassem a pose dos originais. Pelo menos, ele assumiu que estavam imitando sua posição e a de Sakura... mas eles realmente estavam daquele jeito? Ele realmente a segurava tão perto? De forma tão protetora?
Ele olhou para baixo e se deu conta que sim. A cabeça de Sakura estava apoiada em seu peito, e a mão direita da médica agarrava sua camisa, amassando o tecido.
"Shikamaru e Ino, vão para o norte. Neji e Tenten, sul. Lee e Chouji, leste. Shino e Hinata, oeste Apenas se certifiquem de ir além dos limites da aldeia - precisamos que pessoas testemunhem sua partida, e acreditem que Sasuke e Sakura deixaram Konoha, está claro?"
Todas as duplicatas assentiram com a cabeça, e então se transportaram para fora do edifício.
Sasuke assumiu que foi por isso que a reunião havia sido realizada na escadaria. As celas e corredores na área de interrogatório tinham lacres que impediam shinobis de se transportar tanto para dentro como para fora de lá. Mas as escadas não tinham selos - uma precaução que assegurava que caso o próprio edifício fosse atacado, os shinobis em seu interior poderiam sair relativamente rápido.
"Sasuke..." Kakashi hesitou por um momento, então disse: "Fique na aldeia, mas leve ela pra algum lugar seguro."
Sasuke balançou a cabeça, ajeitando Sakura em seus braços (tentando não balançar a mão ferida) até que suas mãos pudessem se encontrar e ele pudesse formar os selos necessários. Ele sabia pra onde poderia levá-la.
O distrito Uchiha tinha vários pontos de encontro escondidos.
"Você pode dar sem amar, mas não pode amar sem dar."
-Ami Carmichael
Espero poder postar o Capítulo 25 - Refúgio - logo.
Por enquanto, ...review!
bjs galera!
dai86
