Último chocolate do pacote...
dai86
"O amor é um comandante amargo e determinado se você se opõe a ele, mas pacato o suficiente uma vez que você o aceita."
- Ovid
Capítulo 26
Fechando o ciclo
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"E você tem certeza que Danzou a estava interrogando sobre quem ela havia informado sobre o massacre Uchiha?" Tsunade perguntou com um olhar intenso.
Sai assentiu. "Ela afirmou uma vez quando sob efeito das drogas, e depois confirmei quando ela recobrou a coerência."
Algo em Tsunade relaxou. Ela estava preocupada se a conspiração de Danzo para seqüestrar Sakura provaria que a versão de Madara do massacre era verdadeira, ou se ela tacitamente havia permitido o assassinato de seu Conselho em vista de evidências mal interpretadas.
Mas parecia que o Conselho estava de fato envolvido no massacre, ou por que razão Danzo teria interrogado Sakura sobre a quem ela havia revelado aquela informação? Não, isso era prova de que houve uma conspiração, e que Danzo havia agido numa tentativa de silenciar Sakura antes que a história se espalhasse.
Agora, ela precisava lidar com a situação que ela mesma havia criado. Grupos de busca estavam percorrendo toda a vila, em busca de Uchiha Sasuke, o traidor que escapou. E já que a prisão de Sakura não era de conhecimento comum, era ainda pior pra Sasuke - em vez de dois criminosos fugitivos, os caçadores acreditavam que Sasuke tinha raptado ela... de novo.
"Agora vejamos, como explicar isto?" Tsunade ponderou conforme dispensava Sai. 'Nós não vamos entrar em detalhes, mas posso dizer que o Conselho estava conspirando com a Akatsuki, informação trazida a mim por Sasuke. Posso dizer que eles iriam assassinar Sakura porque ela estava interferindo com seus planos... de alguma forma... e que Sasuke tirou ela da aldeia sob minhas ordens, para sua própria proteção. Isso deve garantir leniência por seus crimes em vista de seus serviços para a aldeia, e eu direi que o problema do Conselho já foi resolvido."
Em uma vila ninja, 'resolvido' poderia significar qualquer coisa, desde prisão, interrogatório ou assassinato. Ninguém questionava a Hokage quando era dito que algo tinha sido 'resolvido'.
Mas essa questão não era o seu único problema - ela precisava lidar com Root também. Danzo estava morto, verdade... mas o resto da organização ainda estava intacta. E, francamente, isto poderia ser ainda mais perigoso do que se Danzo estivesse vivo e conduzindo ela. Agora eles poderiam ir em qualquer direção, nenhuma das quais lhe parecia reconfortante. O mais provável era que ela se quebraria em pequenos grupos sem seu líder, mas isso ainda deixava Tsunade com diversos ninjas ressentidos com Konoha, e possuindo habilidades e conexões suficientes pra tornar sua vida extremamente difícil.
O que ela poderia fazer? Ela não podia prendê-los - não sob a justificativa de que eles poderiam fazer alguma coisa - e havia agentes Root demais para manter todos sob vigilância.
De repente a Hokage se deu conta que ela tinha um conselheiro perfeito na sala. Sai tinha sido um membro da Root - um dos seus membros mais leais, até onde sabia - e agora... ele estava em seu escritório, depois de ter calmamente lhe informado que eles haviam tido boas razões em providenciar a morte do Conselho - a morte de Danzo.
"Sai?" ela chamou, o que trouxe os olhos escuros do jovem para ela. "O que mudou?"
Diante de sua óbvia confusão, Tsunade elaborou. "Você já foi fiel a Root e a Danzo no passado... e agora não mais. O que o fez mudar de idéia?"
"Eles fizeram," Sai disse calmamente. Tsunade não se deu ao trabalho de perguntar quem 'eles' eram. "No começo eu não entendia eles, as coisas que diziam, as coisas que faziam... não faziam sentido pra mim, não pra maneira que eu entendia o mundo. Fiquei curioso, e tentei me aproximar pra saber mais sobre eles. E então descobri que quanto mais perto eu chegava, mais ligado a eles me tornava, mais eu compreendia."
Porque a essa altura, ele havia se tornado seu amigo, e entendeu o quão longe uma pessoa iria por esse tipo de vínculo, Tsunade concluiu.
Mas isso sugeria outro método pra lidar com Root: reabilitação. Se fossem colocados em equipes, forçados a interagir com pessoas de fora da organização... eles poderiam não gostar de seus novos companheiros de equipe, mas certamente seriam forçados a sentir algo por eles. Talvez fossem capazes de superar seu condicionamento e criar vínculos como Sai havia feito, e talvez fossem capazes de uma maior lealdade por causa disso. Sai não tinha a menor consideração por Naruto ou Sakura quando se conheceram pela primeira vez, mas agora... agora, Tsunade acreditava, a única maneira de ele deixá-los, era se estivesse morto.
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Sasuke encarou Sakura, esperando que ela dissesse algo. Ela havia dito que tinha algo a lhe perguntar, mas nada mais passou por seus lábios. Era difícil dizer à luz das velas, mas ela parecia estar numa luta interna.
Seu primeiro impulso foi o de aproximar-se, para perguntar o que estava errado, mas bem quando ele estava prestes a dar um passo em direção a ela, Sakura abruptamente voltou a cabeça pra cima, olhando diretamente para seu rosto, olhos verdes brilhando como pedras de esmeralda.
"Por que você me beijou?"
Sasuke piscou, o único reflexo de surpresa que iria se permitir conforme todo seu corpo ficou tenso. Pego totalmente de surpresa pela pergunta, imaginou qual seria a melhor resposta; dizer a verdade, ou mentir para evitar constrangimento?
"Porque eu quis," disse finalmente.
Sakura fez uma careta. "Você vai ter que fazer melhor que isso, Sasuke. Por que me beijar seria algo que você quisesse fazer, em primeiro lugar?"
Foi a vez de Sasuke fazer uma careta. Ela não sabia? Ele não havia sido óbvio de uma forma descarada e humilhante? Será que ela tinha algum prazer sádico em arrancar as palavras dele, obrigando ele a dizer pra que ela pudesse rir na cara dele?
Mas ele sabia que Sakura não era assim, e isso só piorava a situação.
Ele apertou os lábios de modo obstinado e não respondeu.
Sakura sentiu uma dor familiar começam a irradiar de algum lugar em seu peito. Ela deveria saber. Ela não devia ter escutado Ino, não devia ter escutado seu estúpido coração apaixonado - ela deveria saber que seria assim...
Sasuke havia esperado que ela insistisse no assunto - talvez tenha até mesmo desejado que ela insistisse - mas seus olhos verdes se nublaram de uma forma que fez um nó surgir na garganta dele. Ela se virou pra se afastar, seus lábios contorcidos numa expressão auto-depreciativa, seu rosto cheio de arrependimento e recriminações...
E algo em Sasuke estalou. Ele saltou a frente, agarrando o ombro dela e girando ela para encará-lo.
"Eu beijei você porque eu quis," ele repetiu numa voz baixa e furiosa. Ela queria saber por que - tudo bem, ele diria a ela por que, e se ela não gostasse, então seria problema dela! "Eu estava deixando você ir - eu estava tentando fazer a coisa certa por você por uma vez que fosse - mas antes de você ir eu quis... quis..."
Sakura estava chocada, o cérebro dela corria em círculos como um hamster neurótico. Ela imaginou se Sasuke estava ciente de que estava tremendo, praticamente vibrando com raiva e acusação... e algo mais, algo que ela não conseguia definir.
"Eu quis beijá-la," Sasuke disse mais uma vez, sua voz aumentando. "Eu queria saber que não importava o que acontecesse, eu pelo menos teria aquilo – eu pelo menos saberia o que era, era..."
O rosto de Sakura ficou pasmo enquanto ela finalmente entendia o que estava escrito no rosto de Sasuke. Seus pulmões paralisaram em choque, forçando a respiração pra fora numa arfada surpresa enquanto sua freqüência cardíaca subia tão repentinamente que era quase doloroso.
Ino estava certa.
Sasuke podia ver compreensão tomar os olhos de Sakura, enquanto seu rosto relaxava. Antecipando desprezo - ou pior ainda, pena - Sasuke atacou como um cão ferido, expressando escárnio em seu rosto e falando em seu tom mais condescendente.
"Está feliz agora?"
E Sakura sorriu. Mas não havia piedade naquele sorriso, nem zombaria, e a mão de Sasuke em seu braço se afrouxou em confusão.
E de repente, os braços de Sakura estavam ao seu redor, abraçando-o com força, sua cabeça apoiada no peito dele.
Esta não era a reação que ele esperava - ele não tinha antecipado o seu sorriso brilhante, nem o abraço, nem o jeito que ela parecia tão feliz. Como se ela estivesse honestamente feliz com tudo isso... como se ela...
"Você..." 'sente o mesmo por mim? Ainda?' era o que ele ia dizer, mas ela simplesmente acenou com a cabeça em silêncio após a primeira palavra.
Uma arfada de alívio saiu de seus lábios, e se ele fosse um homem diferente, Sasuke poderia ter soltado uma risada de contentamento.
Sakura estava sorrindo contra o peito de Sasuke, sentindo-se quase zonza, e se perguntando se pular de alegria ou fazer algo igualmente infantil passaria a impressão errada a Sasuke. Mas qualquer atitude dessas exigiria soltar ele, o que Sakura não tinha vontade de fazer tão cedo...
Então, em vez disso, ela ficou na ponta dos pés pra pressionar um beijo contra o rosto dele. Mas Sasuke, aparentemente percebendo seus movimentos, inclinou a cabeça e baixou o rosto, tocando seus lábios nos dela.
Sakura – esperando encontrar a pele lisa da bochecha, mas ao invés disso sentindo lábios macios e levemente úmidos contra os seus – soltou um leve som de surpresa, seu corpo ficando tenso. Ela teria recuado de surpresa se Sasuke não a estivesse segurando. Ela podia sentir uma de suas mãos fazendo uma suave pressão na base de suas costas, e a outra em sua nuca para mantê-la pressionada contra ele.
Uma pequena, ainda lúcida, parte de seu cérebro que não gritava de alegria ou se derretia de felicidade, notou que Sasuke parecia ter ficado muito mais ousado desde o último beijo. Mas era de se esperar - ele não tinha idéia de como ela reagiria da última vez, mas sabia que seu gesto era bem-vindo dessa vez.
Sakura então disse para seu cérebro sempre agitado pra calar a boca e curtir o momento porque ela estava beijando Sasuke! Apesar de saber ser cientificamente impossível, seu coração parecia estar dando piruetas em seu peito.
Mas o clima foi destruído quando uma nuvem de fumaça e poeira surgiu ao lado deles, e a voz de Naruto cortou o ar como uma lâmina serrada.
"Ei – oh, meu deus, eu estou cego!"
"Você não está cego," Kakashi disse sem humor conforme Sasuke e Sakura se afastavam num sobressalto.
"Bem, eu queria estar!" o loiro choramingou de forma teatral.
"Considerando que você viajou pelo País do Fogo durante quase três anos com Jiraya, eu imaginaria que sua tolerância fosse maior do que isso," o jounin comentou.
Ele olhou para o casal que causou a reação tão dramática - não que qualquer coisa vinda de Naruto fosse normal - e tentou não rir em voz alta quando viu Sakura cobrindo seu rosto numa tentativa de esconder o rubor que se espalhava em toda a sua pele, enquanto Sasuke lançava um olhar de raiva sobre Naruto, parecendo contemplar socar o amigo na boca.
"Aquilo eram apenas seus livros estúpidos," Naruto bufou, parecendo escandalizado. "Isto é Sakura e o bastardo! É como... é como assistir seu irmão e sua irmã beijando! Um ao outro!"
"Naruto..." Sakura resmungou.
"Idiota," Sasuke rosnou.
"Tenha um pouco de dó deles, Naruto," Kakashi riu. "Provavelmente foi o primeiro beijo deles - não notou o quão pouco inspirado foi?"
Sakura resistiu ao desejo de quebrar o queixo dos dois. "Existe algum motivo pra vocês dois terem aparecido?"
"Awww, não fica assim, Sakura-chan," Naruto choramingou. "Queríamos ter certeza que você estava bem."
Sakura tentou parecer indignada, realmente tentou - lembrando constantemente que eles tinham acabado de interromper seu primeiro beijo de verdade com Sasuke (pelo menos, o primeira em que ela estava ciente o suficiente pra reciprocar) - mas ela sentiu sua raiva se esvaindo quando lembrou o que Sai havia lhe dito sobre o que acontecera, sobre o quanto ela deve tê-los preocupado.
Se Naruto descobrisse que tudo o que tinha que fazer para evitar sua fúria era manipular seu coração mole, ela estaria em sérios apuros.
"Sai está ajudando a velhota a colocar ordem nessa confusão toda," Naruto disse contente, aparentemente tendo esquecido o drama. "Mas vocês vão ter que ficar aqui por algum tempo, então pensei que podíamos fazer companhia."
Ele sorriu, sua voz tomando um tom pervertido. "Nunca imaginei que vocês estariam se entretendo..."
"Cala boca, idiota!" Sasuke se irritou.
Naruto explodiu em gargalhadas. "Cara, vocês dois não perdem tempo, não? Sasuke mal chegou na aldeia há dois dias e vocês já estão aos beijos! Achei que levaria pelo menos uns dois meses!"
Sakura imaginou se seria possível literalmente morrer de vergonha.
Aparentemente pressentindo que Sasuke não suportaria mais as chacotas de Naruto antes de reagir com violência contra o loiro, Kakashi sacou um baralho de cartas, tentando apaziguar a situação.
"Podemos jogar poker, pelo menos."
"Oh não, não podemos!" Sakura interveio. Ela podia praticamente ver um jogo de poker se transformando numa batalha até a morte com Naruto e Sasuke na mesa.
Kakashi levantou uma sobrancelha, silenciosamente desafiando ela a sugerir outra opção.
"Não vamos jogar algo tão tenso como poker," ela disse. "Vamos jogar algo calmo e inofensivo - como Pesca ou algo do tipo..."
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"O que vai acontecer com a equipe de Sasuke, o 'Time Hebi'?" Yamato perguntou.
Ele e Sai estavam ajudando Tsunade em sua tentativa de acalmar a situação... pelo menos o suficiente pra que Sasuke não tivesse alguns assassinatos pra adicionar a suas acusações.
"Eu vou liberá-los tão logo a situação de Sasuke seja resolvida, mas vamos ter que mantê-los sob vigilância," Tsunade respondeu.
Nem Sai nem Yamato fez qualquer comentário sobre isso. Eles e o resto da ANBU conheciam as informações que vários de seus espiões haviam coletado sugerindo que a Akatsuki estava se preparando para lançar um ataque total contra Konoha, e sob a ameaça de guerra, a vila precisava de cada shinobi com o qual pudesse contar.
Assim, ainda que a equipe Hebi tivesse sido parte de Oto e suas lealdades fossem bastante questionáveis, Tsunade não se isentaria de usá-los para o benefício da vila - contanto que eles fossem vigiados.
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"Cinco?"
"O que foi que você disse, Senhor Bastardo monossilábico?" Naruto perguntou, sua voz pingando falsa doçura como mel.
Sasuke rangeu os dentes e disse num tom cuidadosamente contido, escondendo uma fúria assassina, "Você. Tem. Algum. Cinco?"
"Vai pescar, perdedor!" Naruto gritou, fazendo os outros se encolherem conforme sua voz triunfante ricocheteava nas paredes de pedra.
Sasuke apertou suas cartas com um rosnado audível.
"E eu aqui esperando um simples jogo amigável..." Sakura murmurou com tristeza. "Como foi que isso deu errado?"
"Seu erro foi esquecer que Naruto e Sasuke conseguem transformar qualquer coisa numa competição," Kakashi comentou de trás de suas próprias cartas e de seu usual livro laranja.
"Não, meu erro foi pensar que meus colegas tinham um pingo de bom senso e perspectiva entre eles," reclamou a médica. "Garotos, é só um jogo de cartas - relaxem!"
"É, Sasuke, não seja um mau perdedor," Naruto sorriu. "Aceite sua derrota inevitável e humilhação nas mãos do futuro Hokage-"
"Cala boca, idiota."
"Eu não sou idiota, bastardo - você é o idiota! Você nem mesmo consegue ganhar um jogo de Pesca!"
"É um jogo baseado na sorte, não na habilidade!" Sasuke rosnou.
"Assim diz o perdedor! Aquele que em breve se curvará à minha superioridade!"
"Rapazes?" Sakura tentou intervir conforme as vozes se elevavam. "Rapazes?"
Ou eles a estavam ignorando – o que era pouco provável, pois mesmo que Sasuke ainda não houvesse aprendido a não fazer isso, Naruto certamente já havia - ou eles não podiam ouvi-la sob o barulho das próprias vozes.
Sakura suspirou, e ficou tentada a atirar suas cartas no chão em desgosto. "Tudo bem, vão em frente - se matem por conta de um jogo estúpido de cartas. Vejam se eu me importo..."
"Se vocês gritarem mais alto, vamos ser descobertos," Kakashi interrompeu numa voz calma, como se a perspectiva não fosse realmente algo pra se preocupar.
Sakura sabia que não havia grandes riscos - eles estavam no subsolo, e mesmo que o ruído de alguma forma percorresse os minúsculos tubos de ventilação, era improvável que alguém estivesse passando pra ouvir. Mas Sakura não estava disposta a arriscar. No momento, todos achavam que Sasuke havia levado ela de Konoha, e Sakura não queria nem pensar o que aconteceria se eles fossem descobertos escondidos sob o templo Uchiha.
Então, a médica atirou suas cartas no chão, levantou-se e assumiu seu papel habitual, a de mediadora entre Naruto e Sasuke. Mesmo conforme separava os dois pelo colarinho das camisas, um sentimento nostálgico surgiu dentro de si diante da familiaridade das ações - por um momento, ela quase pôde acreditar que eles nunca tinham se separado.
Tendo a atenção tomada pelo puxão nas roupas, tanto Naruto quanto Sasuke interromperam os berros por um momento, e um momento era tudo o que Sakura precisava.
"Vocês dois, calem a boca!" ela chiou. "Vocês querem provocar nossa prisão? Isso era pra ser um jogo agradável e amigável de cartas, e é isso que vai ser! Naruto, se você provocar Sasuke de novo eu juro que vou te machucar tão feio que nem mesmo a Kyuubi vai ser capaz de salvá-lo! E Sasuke, pára de cair nas provocações dele ou eu vou chutar o seu traseiro de novo! Eu juro, sempre que vocês dois se juntam, parece que os cérebros de vocês simplesmente desligam..."
Mas a essa altura Naruto tinha perdido interesse no discurso de Sakura. "De novo?"
Sakura piscou, não compreendendo a pergunta aparentemente fora de lógica. "O quê?"
"Você disse que iria chutar o traseiro dele de novo," Naruto disse, um sorriso surgindo lentamente em seu rosto, se alargando a cada momento. "Então... isso significa que você já chutou o traseiro dele?"
Sakura vagamente percebeu Kakashi baixando seu livro sempre presente, e observando o trio com atenção. Sasuke havia cruzado os braços e estava neste momento torcendo o nariz para a parede.
"Um... bem..." Sakura se atrapalhou com as palavras. "Bem, sim, mas você vê-"
Naruto não ouviu nada além do 'sim'. "Você chutou mesmo o traseiro dele! Sakura acabou com o bastardo!"
O loiro soltou uma gargalhada quase maníaca. "Eu preciso contar pra todos na aldeia, agora mesmo!"
"Na verdade, seria uma má idéia dizer a todos neste momento," Kakashi lembrou. "Você vai ter que esperar até amanhã."
Mas o humor de Naruto não se abateu nem um pouco. "Então, Sasuke-bastardo... juntando com essa história de beijo, quer dizer que você é a cadela da Sakura agora?"
Sakura tentou não rir - ela realmente tentou. Sasuke parecia estar considerando seriamente esfolar Naruto vivo, e ela tinha certeza que sua risada não melhoraria seu humor nem um pouco.
Mas quando os músculos da sua barriga começaram a se contrair, Sakura sabia que tinha que deixar sair antes que rompesse algum órgão.
A expressão de desgosto de Sasuke se aprofundou quando ele ouviu a médica rindo tanto que ela começou a se desfazer em soluços, parecendo sem ar. Droga, ele não podia socar o idiota agora - não se ele estava fazendo Sakura rir pela primeira vez desde que tinha sido torturada...
Naruto sorriu, parecendo orgulhoso de si mesmo, e Sasuke percebeu que ele provavelmente estava agindo como um idiota de propósito na tentativa de arrancar um sorriso da garota. Naruto realmente era muito mais perspicaz do que a maioria das pessoas lhe dava crédito.
O loiro observou Sasuke se desfazer de sua expressão de raiva a contragosto conforme Sakura continuava a rir, e teve a vontade de estufar o peito com orgulho. E Naruto de fato estava rindo por dentro diante do fato de a médica já parecer ter Sasuke enrolado em seu dedo mindinho.
Ele ficou chocado ao encontrá-los se beijando e, ao mesmo tempo, não estava realmente surpreso. Ele esperava que algo assim acontecesse, mas não tão cedo. Naruto não sabia se alguém havia notado - ninguém realmente conhecia Sasuke do jeito que ele, Sakura ou Kakashi conheciam - mas pra ele, Sasuke não tinha sido particularmente sutil em demonstrar seus sentimentos. Vindo de qualquer outra pessoa, seu comportamento provavelmente indicaria um leve interesse em Sakura, mas vindo de Sasuke... bem, era praticamente uma declaração de amor eterno e devoção.
E a despeito do quanto Sakura tivesse tentado fingir o contrário, ele sabia que seus sentimentos por Sasuke não tinham mudado. Ela provavelmente acreditava que tinha feito um bom trabalho em sufocá-los, enterrando eles tão profundamente que poderiam ser confundidos com amizade e nada mais... mas Naruto conhecia a realidade.
Na noite após aquele encontro desastroso com Sasuke na base de Orochimaru, ele tinha ido até sua casa com ramen instantâneo e sorvete de chocolate - vagamente recordando ela ter mencionado ser sua 'comida de consolo' - com a idéia de que eles poderiam comer, talvez assistir algum filme de comédia que os fizesse rir, enfim, animar um ao outro. Mas quando ele subiu no balcão de seu quarto com a intenção de surpreendê-la, ele a encontrou sentada em sua cama, sua cabeça inclinada sobre a foto do time sete, e lágrimas deslizando silenciosamente pelo rosto.
Naruto - sabendo que às vezes, as pessoas preferiram ficar sozinhas pra se lamentar – foi embora em silêncio. Mas ele não esqueceu aquele momento, aquela fração de segundo quando se deu conta que os sentimentos de Sakura por Sasuke não haviam diminuído nem um pouco.
Então, o loiro meio que havia antecipado encontrá-los de lábios colados algum dia... só não esperava que fosse tão cedo.
Os pensamentos de Kakashi eram praticamente os mesmos de Naruto. Conhecendo o histórico de Sasuke em lidar com relacionamentos e vínculos, ele esperava que o Uchiha inicialmente estivesse completamente alheio ao fato de que estava apaixonado por Sakura, e depois, que tentasse ignorar ou reprimir o sentimento por tanto tempo quanto pudesse.
Ele esperava pelo menos uns bons seis meses de drama e enrolação antes que Sasuke e Sakura chegassem perto do ponto que eles, obviamente, já haviam passado - e embora ele certamente estivesse feliz por seus antigos estudantes, uma parte de si se sentia um pouco trapaceada por não poder se divertir provocando os pombinhos enquanto dançavam ao redor um do outro.
Então lhe ocorreu que eles provavelmente já haviam passado por tudo isso – o estágio constrangedor do início de relacionamento, pelo menos. Sasuke e Sakura tinham viajado com o Time Hebi por pouco mais de uma semana apenas, mas ficaram sozinhos em Oto por um bom tempo antes disso, no mesmo quarto, na mesma cama se os relatos de Sakura foram precisos (e a essa altura a imaginação de Kakashi mergulhada em Icha Icha estava correndo freneticamente com essa informação).
Foi uma surpresa quando outra nuvem de fumaça rompeu na sala, sinalizando outra pessoa se transportando para lá. Shinobis não gostavam muito de surpresas, e todos na sala estavam em modo de combate antes que percebessem se tratar de Sai.
"Ei, Sai," Naruto o cumprimentou, parecendo definitivamente animado. "Você sabia que Sasuke é a cadela da Sakura?"
Sasuke rosnou, Sakura riu, e o olho visível de Kakashi se curvou sinalizando um sorriso largo e genuíno de pura diversão. Uma coisa com a qual o jounin poderia sempre contar era que o time sete nunca lhe causava tédio. Frustração, preocupação, horror sincero, às vezes... mas nunca tédio.
Sai piscou – um longo e lento abrir e fechar de olhos, o tipo que ele usava como tática de distração enquanto pensava sobre como responder. "E isso é incomum?"
Sakura parou de rir, aparentando estar tão confusa quanto Naruto, Sasuke e Kakashi.
Interpretando suas expressões como um pedido pra que elaborasse, Sai continuou, "Kiba teve uma conversa comigo sobre as mulheres das equipes ninja, e ele disse que a Feiosa era de dar medo, que Naruto era completamente dominado, e que todos os homens do time sete eram suas cadelas. Ele estava um pouco embriagado no momento, então não estou certo se suas alegações podem ser consideradas válidas."
"Não me chame de Feiosa," Sakura disse automaticamente diante do silêncio que seguiu a declaração.
"É... pois é... você conhece Kiba – não agüenta beber muito..." Naruto tentou fazer graça. Ele não estava disposto a confirmar aquilo e parecer um idiota... mas não ia negar tampouco, apenas no caso de Sakura estar num humor sádico o suficiente pra comprovar que Kiba estava certo.
"Existe alguma razão pra você estar aqui?" Kakashi perguntou. "Existe algum problema?"
"A Hokage disse que não precisava mais da minha ajuda, e que eu encontrasse minha equipe."
Sakura supôs que isso fazia sentido. Em todo o processo de 'acalmar os ânimos', provavelmente seria necessário um extenso trabalho diplomático, bem como sua aura usual de 'faça o que eu mando porque eu sou a Hokage'.
E diplomacia simplesmente não era o ponto forte de Sai.
Então Sakura sorriu e, apesar de saber que estava pedindo por mais problemas, convidou Sai pra participar do jogo de cartas.
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Sasuke não suspirou em voz alta, mas tombou os ombros um pouco sentado sobre a cama, imaginando quando Tsunade e o recém-nomeado Conselho terminariam de decidir sua punição.
Não que ele estivesse particularmente ansioso pra descobrir o que eles iam fazer com ele, mas não podia mais suportar o suspense!
Ele não podia negar que ainda estava um pouco preocupado com a possibilidade de execução. Não seria a primeira vez que um Hokage ordenaria a execução de um assassino instável do qual havia feito uso, antes que ele pudesse fugir ao seu controle - não seria apenas mais fácil pra Tsunade tê-lo executado agora que ele tinha se livrado do Conselho pra ela, como provavelmente seria prudente também. Seria mais seguro eliminá-lo, caso ele falasse.
Mas, é claro, se ela fosse matá-lo simplesmente pra mantê-lo quieto, ela também teria que matar Sakura, Naruto, Kakashi, Sai, e todas as pessoas que tinham ajudado. E Sasuke não acreditava que Tsunade estaria inclinada a prejudicá-lo agora que ele e Sakura eram... o que quer que fossem um para o outro.
Ele não sabia se um (bem, dois) beijos de repente significavam que eles estavam em um relacionamento, mas decidiu que significava que eles estavam no caminho para ter um. Ele e Sakura realmente não tinham tido a oportunidade de discutir sobre isso - Naruto, Kakashi e Sai tinham ficado com eles pelo resto da noite, e ele teve que voltar para a prisão na manhã seguinte pra provar ao novo Conselho que era relativamente inofensivo e que estava disposto a aceitar as consequências de seus atos.
Uma parte dele ficou aliviada pelo fato de que, a despeito do que aconteceu até agora, ele e Sakura tinham resolvido as coisas entre eles, pelo menos parcialmente.
"Olá, Sasuke." A saudação estranhamente alegre de Sai o tirou de seus pensamentos.
Kakashi se ergueu de sua postura aparentemente casual contra a parede, guardando o livro que esteve folheando, e lançando um vago gesto que Sasuke interpretou como sendo uma despedida conforme deixava o corredor escuro, se afastando da cela do Uchiha.
Apesar de ter lidado com o Conselho, Tsunade achou prudente manter um guarda postado na cela de Sasuke, apenas no caso de Madara arquitetar outro plano para atacá-los. Naruto agora estava atuando como guarda costas de Sakura, apenas no caso da Akatsuki tentar atacá-la novamente.
Sai assumiu o lugar de Kakashi num canto da cela, sacou seu caderno e um pedaço de carvão, e começou a desenhar. Após alguns momentos, Sasuke percebeu as linhas gerais da beira de um lago tomando forma.
O rapaz de cabelos escuros continuou a desenhar - com uma velocidade que impressionou Sasuke - detalhando uma raposa bebendo a água do lago sob a sombra de uma árvore de cerejeiras florescendo.
Sasuke imaginou se era coincidência que o desenho parecia conter referências veladas a Naruto e Sakura. Sai terminou o esboço e o observou com um olhar crítico, mas estranhamente nostálgico, os dedos pairando sobre a imagem como se quisesse tocá-la, mas não querendo correr o risco de borrá-lo.
"Eu... tenho dificuldade em desenhar pessoas," ele comentou com Sasuke. "Eu realmente não sei por que."
Ele realmente não sabia por que estava tentando puxar conversa com o Uchiha - talvez porque tivesse ganhado uma medida de conforto pela insistência de Sakura de que ele era parte da família do time sete, e eles não estavam prestes a abandoná-lo, e assim, ele estava disposto a pelo menos tentar aceitar o homem que ela e Naruto consideravam tão importante.
"Algum dia gostaria de desenhar Naruto e Sakura," ele continuou. "Por enquanto estou tentando treinar pra desenhá-los de verdade, ao incluir representações deles em meus esboços."
Sasuke olhou para a gravura, para a raposa e a árvore de cerejeira que Sai tinha desenhado porque tinha um bloqueio mental em desenhar pessoas, e sentiu uma pontada de algo próximo a pena.
"Ei, bastardo!" A voz alta e alegre de Naruto ecoou pelo corredor, e ambos Sai e Sasuke se viraram.
Naruto, Sakura, Kakashi e Tsunade se aproximavam da cela de Sasuke, e o Uchiha notou um pergaminho sob o braço da Hokage.
"Sasuke Uchiha", Tsunade começou, gesticulando pra que Kakashi abrisse a cela. "Você foi considerado culpado de abandonar a aldeia."
"Já sabemos disso tudo, baachan!" Naruto interrompeu. "O que vão fazer com ele?"
Tsunade estreitou os olhos, mas continuou, aparentemente tão ansiosa pra acabar com isso quanto todos os outros.
"Seu chakra será selado," ela se dirigiu a Sasuke. "E você permanecerá em liberdade condicional por tempo indeterminado, com revisões mensais do seu comportamento. A condicional será suspensa quando eu decidir que provou ser confiável."
"Viu, isso não é tão ruim, bastardo," Naruto disse entusiasmado. "Eu estava preocupado que eles fossem fazer algo estranho, como cortar uma mão ou algo do tipo como punição."
"Não acho que usamos mais mutilação como punição," Sakura apontou.
"Sim, achei que seria uma idéia muito nojenta..."
"De onde é que você tirou essa idéia em primeiro lugar, seu idiota?" Sasuke murmurou enquanto era liberado de sua cela.
"Sakura me emprestou este livro sobre samurais. Já ouviu falar deles? Algumas das coisas que eles faziam eram assustadoras!"
"Ninjas faziam várias dessas coisas, também," Sai apontou.
"Bem, sim... mas vai lá – Somos muito mais legais que samurais estúpidos! Só pra começo de conversa, nos vestimos muito melhor-"
Como que de acordo, todos olharam para a roupa laranja brilhante de Naruto.
O garoto loiro franziu a testa. "Por que vocês todos estão me olhando assim?"
"Crianças, se já terminamos aqui," Tsunade rosnou. "Eu gostaria de começar o processo para selar o chakra de Sasuke."
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Sasuke passou a mão sobre as marcas em volta do seu pulso, torcendo o nariz ao sentir leves pontadas. Seu corpo ainda estava tentando se adaptar a ter seu chakra cortado dele de súbito, uma sensação nada agradável.
"Ei, parece que você está usando uma pulseira!" Naruto riu. "Daquelas extravagantes e rendadas, do tipo bem feminino!"
"Naruto, seja bonzinho!" Sakura repreendeu.
Sasuke sorriu, sentindo-se estranhamente nostálgico. Eles estavam sentados no Ichiraku, Naruto estava zombando dele, Sakura estava defendendo ele... era quase como se ele nunca tivesse partido de Konoha.
"Eu não acho que Naruto estava tentando ser cruel," Sai apontou. "Acho que ele estava apenas fazendo uma observação. O selo parece mesmo com uma pulseira."
Sasuke fez uma careta, e Sai deu-lhe um sorriso afável.
"Ignore ele," Sakura disse, girando seus pauzinhos em sua tigela de ramen. "Isso é o que costumamos fazer."
"Se você costuma me ignorar, por que fica tão irritada quando te chamo de Feiosa, Feiosa?"
"Sai, estou fazendo o melhor pra comer uma refeição com vocês em relativa paz pela primeira vez, então vou fingir que não ouvi isso."
Sasuke sorriu de lado novamente. As coisas não eram exatamente como antes... mas talvez isso fosse uma coisa boa. A mão de Sakura furtivamente pegou a sua sob a mesa, entrelaçando seus dedos, e ele decidiu que sim, que isso era uma coisa boa.
"Ei, chega pra lá princesa - nós queremos puxar uma cadeira."
Sakura virou-se, soltando a mão de Sasuke surpresa.
Suigetsu, Karin, Juugo e Kakashi estavam de pé atrás deles.
"Tsunade permitiu que deixassem a prisão, mas ela quer que eles sejam vigiados, então eles são problema de vocês agora," seu ex-sensei comunicou.
"Não somos problema de ninguém!" Karin chiou indignada.
"Ei, você não pode simplesmente despejar sua obrigação estúpida de guarda em nós só porque está com preguiça de fazê-lo sozinho!" Naruto protestou.
"Sim, eu posso – tenho a patente mais alta aqui," Kakashi apontou.
"Tirar proveito do seu posto é uma atitude covarde!" gritou o loiro. "Ei, você não pode largar eles aqui e fugir-"
Mas já era tarde demais - Kakashi havia desaparecido numa nuvem de poeira e folhas.
"Ei, Suigetsu, Juugo, Karin," Sakura cumprimentou, acenando para cada um deles.
Suigetsu e Juugo sorriram – o sorriso de Suigetsu exibindo vários dentes mais do que o loiro - e Karin fez um gesto vago com a cabeça.
"Ei, Sasuke," a ruiva cumprimentou, lançando para o Uchiha um sorriso largo e apaixonado.
Sasuke resmungou.
"Estou contente que você esteja bem," Juugo comentou pra Sakura conforme o time Hebi se sentava.
"Algum motivo pra ela não estar bem?" Suigetsu perguntou.
Sakura e Naruto deram um breve resumo do que tinha acontecido.
"E valeu por nos informar sobre a prisão," Naruto terminou, sorrindo pra Juugo. "Talvez as pessoas em Oto não sejam uns cretinos completos afinal de contas."
Sakura estremeceu, e Karin pareceu indignada. Mas antes que a ruiva pudesse dizer qualquer coisa, Suigetsu protestou.
"Droga, sabia que vocês estavam se divertindo sem mim!"
"Eu não acho que isso foi divertido," Sai apontou. "A diversão é algo que você gosta, e eu não apreciei a experiência."
"Bem, e o que você sabe?" Suigetsu retrucou. "Parece que você não se diverte há uns dez anos pelo menos."
Sakura revirou os olhos e lutou contra o impulso de enterrar a cabeça em suas mãos – lá se foi sua esperança de uma refeição tranqüila.
Ela sentiu uma mão tocar a sua, e virou a cabeça até encontrar Sasuke olhando para ela, sua mão apenas descansando sobre a dela, como se não tivesse certeza do gesto ser bem-vindo. Sakura entrelaçou seus dedos nos dele, sorrindo conforme uma sensação agradável crescia lentamente em seu peito.
"Eu sabia, eu sabia!" Suigetsu de repente exclamou. "Eu sabia que você estava pegando ela, eu sabia disso!"
"Sim, Naruto me informou que Sasuke agora é a cadela da Feiosa," Sai colaborou com seu comentário.
Sakura bateu a testa contra a mesa e ficou naquela posição enquanto Sasuke fazia uma careta. Suigetsu e Naruto estavam ambos morrendo de rir, é claro, até que Karin acertou Suigetsu, fazendo sua cabeça se desfazer em água sobre a mesa.
Naruto parou de rir em estado de choque, encarando boquiaberto enquanto Suigetsu se reconstituía a partir da água. "Isso é de arrepiar."
"O que? Nunca viu nada assim nessa sua aldeia de mariquinhas?" O homem de cabelos brancos provocou.
"Konoha não é mariquinha!"
Sakura suspirou e ignorou a discussão pra se concentrar no que Juugo estava dizendo a ela. "Então, você e Sasuke estão namorando agora?"
"Uh..." Sakura realmente não tinha uma resposta. Ela supunha que ela e Sasuke estavam tropeçando em direção a um relacionamento, mas não achava que podia chamar de "namoro". Simplesmente não parecia se enquadrar... mas do que mais ela poderia chamar o que eles tinham?
"Sim, estamos," Sasuke retrucou ao lado dela.
Sakura não conseguia conter o sorriso que de repente surgiu em seu rosto, nem o vermelho que se espalhou pelo seu rosto em contentamento. Mas conforme se virou pra dividir esse sorriso com Sasuke, não pôde deixar de notar Karin se abaixar um pouco na cadeira. Lembrando a devoção fanática da ruiva em relação a Sasuke, Sakura se preparou mentalmente para uma reação histérica...
Mas nada aconteceu. Karin permaneceu em silêncio. E agora que Sakura pensou sobre isso, ela percebeu que a outra mulher esteve peculiarmente quieta durante esse encontro de improviso. Suigetsu e Naruto estavam discutindo sobre algo - Sakura não se incomodou em descobrir sobre o que - Sai os observava com interesse, e Juugo estava estudando o menu... mas Karin estava ali, sentada, olhando distraidamente para o nada.
"Algo de errado com ela?" ela murmurou para Juugo em voz baixa.
Juugo encolheu os ombros. "Ela está muito quieta desde que deixamos a prisão."
"Ela está doente?" Sakura perguntou. Ainda que a prisão de Konoha fosse geralmente limpa, germes se acumulavam fácil e rapidamente em ambientes fechados como aquele.
"Suigetsu já vinha dizendo há algum tempo que Sasuke estava apaixonado por você - acho que ela só está ressentida por ele estar certo."
Sakura piscou. "Nós... nós realmente fomos tão óbvios?"
Juugo encolheu os ombros. "De algumas maneiras."
Querendo desviar a conversa da idéia de que a maior parte da equipe Hebi aparentemente havia antecipando que ela e Sasuke terminariam juntos desde o início, Sakura perguntou sobre seus acessos de fúria.
"Eu provavelmente posso te examinar amanhã - se eu puder ter uma amostra do seu sangue vou ser capaz de isolar os compostos químicos que-"
"Céus, Sakura, você não pode desligar o modo workaholic por cinco minutos?" Naruto interrompeu.
"Pelo menos ela está fazendo algo de útil," Sasuke apontou. "Ao contrário de você, idiota."
"Eu faço muitas coisas úteis! Ei Sai, me apóia aqui!"
"Você estava discutindo com Suigetsu se Konoha é 'mariquinha' ou não," Sai apontou daquela forma inexpressiva dele que conseguia tornar qualquer frase irritante. "Eu não sei se isso pode ser classificado como útil, visto que Suigetsu achar que Konoha é 'mariquinha' ou não, não afeta nossas vidas de nenhuma forma real."
Houve um longo momento silêncio, o que Sakura assumiu que fosse Hebi finalmente percebendo o nível de bizarrice de Sai.
"Você não sai muito, não?" Suigetsu disse finalmente.
"Eu sou um membro ativo dos ninjas de Konoha, e saio em muitas missões," Sai respondeu, como se corrigisse um simples mal entendido.
"Alguém já aplicou um daqueles testes 'especiais' nesse cara?" Suigetsu murmurou.
Sakura e Naruto fizeram uma careta, mas surpreendentemente foi Karin quem falou primeiro, com um contundente: "Vê se cresce, seu imbecil!"
O que naturalmente, fez Suigetsu responder a altura. Sakura se perguntou rapidamente se deveria tentar intervir, mas decidiu não se mover já que Sasuke ainda estava segurando sua mão. Juugo se levantou e tentou separá-los, o que não estava funcionando, porque - aparentemente detestando a idéia de separá-los à força como Sakura teria feito - ele apenas levantou as mãos de forma apaziguadora e ficou implorando pra que se acalmassem.
"Vou matar Kakashi por largar esses caras com a gente," Naruto resmungou. "O grandão não é tão ruim, mas os outros dois..."
"Talvez eles simplesmente precisem se acostumar," Sai ponderou. "Ouvi dizer que quando você remove um animal de seu ambiente natural, eles ficam irritadiços. Talvez o mesmo valha para os seres humanos?"
Sakura riu. "Na verdade, isso é mais ou menos como eles se comportam o tempo todo."
"Ah, cara..." Naruto choramingou. "Por que você teve que arranjar uns idiotas assim, Sasuke?"
"Eles eram úteis, e depois Sakura se apegou demais a Suigetsu e Juugo - ela iria protestar se eu tivesse proibido eles de virem pra Konoha," Sasuke explicou.
Sakura sorriu, então se virou e beijou a bochecha de Sasuke rapidamente... só porque ela podia.
Naruto percebeu as maçãs do rosto de Sasuke corando, e então, pra zombar do amigo, reproduziu um som de chicote.
"É muito imaturo zombar só porque você está com ciúmes," retrucou Sasuke.
"Che, o futuro Hokage pode ter a mulher que quiser, e não se esqueça disso!"
Sakura balançou a cabeça, a dividiu um sorriso irônico com Sai, recebendo em troca um sorriso um pouco menos bizarro que os seus usuais. Ignorando a discussão do time Hebi ao fundo, a médica se concentrou em seu ramen com uma mão apenas (já que sua outra ainda estava com Sasuke) e se preparou para ser entretida por mais uma discussão entre Naruto e Sasuke, uma das mais inteligentes - ou seja, do tipo que poderia permanecer puramente verbal e não se resumiria a uma troca de insultos até a exaustão.
Ela não sabia o que o futuro reservava pra eles, e mesmo que a lógica dura e fria lhe dissesse que a Akatsuki se tornaria uma ameaça real em breve, ela se consolava com o fato de que, o que quer que viesse, eles enfrentariam juntos.
Então Sakura sorriu conforme comia o ramen, antes de decidir testar uma teoria que foi surgindo em sua mente; será que Sasuke pararia de discutir com Naruto se ela o beijasse no meio de uma frase?
Descobriu que sim, ele pararia.
"Para um ser humano amar outro; isto é talvez a mais difícil de nossas tarefas; o extremo, o último teste e provação; a tarefa para a qual todas as outras tarefas não foram nada mais do que preparação."
- Rainer Maria Rilke
É isso aí pessoal! 26 capítulos e 8 meses mais tarde chegamos ao final dessa fic incrível.
Agradeço de coração todos os comentários e reviews que me incentivaram a realizar essa trabalho de tradução. Foi muito divertido dividir com outras leitoras essa fic que eu tanto amei.
... agora, a surpresa prometida!
Talvez assim como eu, muitas de vocês tenham ficado com um gostinho de quero mais depois de acompanhar Ripples. Então, já que passei meses traduzindo essa fic, e posso dizer que conheço bem ela, decidi experimentar algo novo: vou escrever uma continuação.
Deve ser algo curto (uns 3 capítulos, talvez), focado no relacionamento SasuSaku, uma coisa light, com humor, romance e talvez uma pitada de lemon.
Não achei certo postar junto com Ripples, que é a tradução da fic de outra autora, então vou postar como uma história separada, sob o título de Epílogo. Espero que curtam.
Nesse meio tempo não esqueçam de deixar reviews e votar na enquete do meu profile.
Beijos!
dai86
