Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história da Pedra Filosofal. Tudo isso pertence à grandiosa J. K. Rowling.

N/A: Os trechos originais do livro estão em negrito.

Estou tão feliz com as reviews. Minha meta era postar um capítulo a cada três dias, mas fiquei motivada pelo número de pessoas que colocou a história nos favoritos, e as reviews são tão encorajadoras que acabo escrevendo um capítulo por dia. Espero que ninguém se importe, mas só vou comentar reviews individuais quando tiver alguma pergunta. Não é má vontade, é que eu não tenho muito tempo livre e acho que vocês preferem que eu dedique o tempo que tenho a escrever a fic. =P Mas leio todas e elas realmente me animam. Então por favor, comentem.

Respondendo às perguntas:

YukaCharlie:Eu não tenho os capítulos prontos, só um caderno todo rabiscado com idéias de comentários e tal. E tem sido tão legal escrever que eu acabo fazendo um capítulo por dia.

M. Alice Lovegood:Obrigada por me responder. É bom saber que alguém lê meus comentários xD. Eu pretendo postar cada livro como uma fic diferente, até por questão de organização. Mas a próxima vai começar exatamente de onde essa parar.


...


— Podemos comemorar o aniversário do Harry quando ele receber a carta de Hogwarts, agora eu quero saber o que acontece com meu filho — concluiu em um tom que não admitia discussões.

Satisfeita por ninguém argumentar, abriu o livro e leu o título:

"Capítulo Quatro:O Guardião das Chaves."


...


— Hagrid veio entregar a carta — comentou Remus, animado, se inclinando para frente no sofá. — Isso vai ter bom.

BUM.

— Tsk, tsk, Lily — disse Sirius. — Você tem que ler com mais emoção!

Lily revirou os olhos e continuou lendo.

Bateram outra vez. Duda acordou assustado.

— Onde está o canhão? — perguntou abobado.

— Idiota — murmurou Severus.

Ouviam alguma coisa cair atrás deles e tio Válter entrou derrapando pela sala. Trazia um rifle nas mãos

— Não acredito que ele pretende usar uma arma perto do meu filho! — gritou Lily, revoltada.

— Er... — começou Alice —, o que é um rifle?

Lily trocou um olhar com Remus e ele tentou responder:

— É um tubo cilíndrico projetado para lançar um pedaço de metal em alta velocidade, causando feridas graves.

— Mas é só usar um feitiço escudo para impedir o metal de acertar alguém — argumentou Frank.

— Ele não conhece magia. — Lily deu os ombros e continuou lendo:

– agora sabiam o que era aquele pacote fino e comprido que ele carregava.

— Quem está ai? — gritou. — Olha que estou armado!

Silêncio. E em seguida...

TRAM!

Lily leu um pouco mais alto dessa vez e olhou para Sirius, que retribuiu fazendo um gesto com as mãos como quem diz "Pode melhorar". Lily olhou para cima, exasperada, e continuou lendo.

A porta levou uma pancada tão violenta que se soltou das dobradiças e, com um baque ensurdecedor, desabou no chão.

Um homem gigantesco estava parado ao portal.

— Hagrid não é gigantesco — contradisse Frank —, ele é no máximo meio-gigante.

— Você acha que ele é meio-gigante? – perguntou Sirius, pensativo.

— Bem, ele tem que ser, né — respondeu Frank. — Como você explica o tamanho dele?

— Achei que ele tinha sido atingido por um feitiço de crescimento que deu errado — falou Sirius.

Alice acenou, concordando com Sirius.

— Eu pensava que ele tinha tomado uma poção para crescer mal feita — opinou Lily. Severus concordou com ela.

— Eu nunca pensei muito – admitiu James. Severus resmungou algo como "Novidade", mas foi ignorado. — Mas não importa o que ele é, tudo que importa é que ele é nosso amigo e uma boa pessoa.

Remus sorriu agradecido, entendendo que James não falava apenas de Hagrid. Lily olhou estranhamente para os dois e continuou lendo.

Tinha o rosto completamente oculto por uma juba muito peluda e uma barba selvagem e desgrenhada, mas dava para se ver seus olhos, luzindo como besouros negros debaixo de todo aquele cabelo.

— Boa descrição. – Sirius elogiou.

O gigante espremeu-se para entrar no casebre, curvando-se de modo que a cabeça apenas roçou o teto. Abaixou-se, apanhou a porta e tornou a encaixá-la sem esforço no portal O ruído da tempestade lá fora diminuiu um pouco. Ele se virou para encarar todos.

— Não poderia preparar uma xícara de chá para nós, poderia? Não foi uma viagem fácil...

— Aparentemente Hagrid não mudou nada — comentou James. Os Marotos, Lily e Alice, que tinham amizade com o meio-gigante, concordaram.

E dirigiu-se ao sofá onde Duda estava paralisado de medo.

— Chegue para lá, gordão — disse o estranho.

— Isso, Hagrid! — incentivou Alice, animada. — Dê uma lição no porquinho!

Duda soltou um guincho e correu a se esconder atrás da mãe, que parara encolhida, aterrorizada, atrás de tio Válter.

— Acho impossível Duda se esconder atrás de qualquer coisa menor que um elefante — opinou James.

— Ah, e aqui está o Harry! — disse o gigante.

Harry ergueu os olhos para a cara feroz e selvagem em sombras e viu que os olhos de besouro se enrugavam em um sorriso.

— A última vez que o vi, você era um bebê — disse o gigante. — Você parece muito com o seu pai, mas tem os olhos da sua mãe.

— Soa como uma linda criança — comentou Lily, fazendo os Marotos e Alice trocarem risadinhas.

— Lily — começou Alice —, você percebeu que acabou de elogiar James? — Lily olhou para ela, sem entender. — Você disse que era uma linda criança, e Hagrid disse que ele se parece com James. Logo... — E concluiu fazendo um gesto com as mãos.

Lily corou ligeiramente, mas não disse nada. Severus se sentiu doente.

— Você esqueceu que ele também tem os olhos de Lily, e eles são maravilhosos — falou James, com um tom sonhador.

Lily corou mais forte e continuou lendo.

Tio Válter fez um som estranho e rascante.

— Exijo que saia imediatamente! — disse — O senhor invadiu minha casa!

— Ah, cala a boca, Dursley seu cara de passa — disse o gigante; esticou o braço para trás do sofá e arrancou a arma das mãos de tio Válter, vergou-a no meio como se fosse de borracha e atirou-a a um canto da sala.

Os Marotos e as meninas sorriram e elogiaram o comportamento de Hagrid.

Tio Válter fez outro som esquisito, como um camundongo sendo pisado.

— Em todo caso, Harry — disse o gigante, dando as costas para os Dursley —, feliz aniversário para você. Tenho uma coisa para você aqui; talvez tenha sentado nela sem querer, mas o gosto continua bom.

— Isso é tão doce da parte de Hagrid — elogiou Lily, feliz porque alguém finalmente mostrava algum carinho com seu filho.

— Sim, mas é mais saudável para Harry se ele não comer — comentou James. Frank e Severus pareciam não entender e ele explicou para o beneficio de Frank. — A culinária de Hagrid não foi feita para bocas de tamanho normal mastigarem — concluiu James, e todos que já haviam experimentado acenaram fortemente em concordância.

De um bolso interno do casaco preto ele tirou uma caixa meio amassada. Harry abriu, com os dedos trêmulos. Dentro havia um grande e pegajoso bolo de chocolate com a fraseFeliz Aniversárioescrita em glacê verde.

Lily suspirou feliz. Ao menos seu filho havia ganhado um bolo.

Harry olhou para o gigante. Quis dizer obrigado, mas as palavras se perderam a caminho da boca, e em lugar disso o que disse foi:

— Quem é você?

— Isso não foi educado. — Lily repreendeu o livro.

— Você acha que Tuney se preocupou em educá-lo? — perguntou Severus.

Lily mordeu os lábios e continuou lendo.

O gigante deu uma risada abafada.

— É verdade, não me apresentei. Rubeus Hagrid, Guardião das Chaves e das Terras de Hogwarts.

Estendeu uma mão enorme e sacudiu o braço inteiro de Harry.

— E que tal o chá, hein? — perguntou esfregando as mãos. — Eu não diria não a uma pessoa mais forte, se é que você me entende.

Seus olhos bateram na lareira vazia em que ficara o pacote carbonizado de cereal e ele soltou uma risadinha desdenhosa. Curvou-se para a lareira; não virão o que ele estava fazendo, mas quando se afastou um segundo depois, havia dentro dela um clarão ribombante. O fogo estrondoso encheu todo o casebre úmido com sua luz tremeluzente e Harry sentiu o calor envolvê-lo como se tivesse mergulhado em um banho quente.

— Hagrid não deveria usar magia — reprovou Lily —, a varinha dele foi quebrada quando ele foi expulso.

— Mas foi para o bem de Harry — contestou James. — Você não quer que nosso filho passe frio, né?

Lily sorriu e acenou com a cabeça.

— Vocês sabem por que o expulsaram? — se interessou Frank.

— Sirius perguntou uma vez — começou Remus, mas Alice interrompeu.

— Você simplesmente perguntou? Não passou pela sua mente que ele não gosta de falar sobre isso? — acusou Alice, revoltada.

Sirius deu os ombros casualmente.

— Foi apenas uma pergunta. E de qualquer maneira, ele mudou de assunto e não respondeu.

O gigante se recostou no sofá, que afundou um pouco sob o seu peso, e começou a tirar coisas de todo gênero dos bolsos do casaco: uma chaleira de cobre, uma embalagem amassada de salsichas, um espeto, um bule de chá, várias xícaras lascadas e uma garrafa de um líquido âmbar de que ele tomou um gole antes de começar a preparar o chá.

— Não beba na frente do meu filho! — repreendeu Lily.

Alice, então, cochichou para Frank:

— Para quem não gostava de James, ela está sendo muito protetora com o filho deles.

Logo o casebre se encheu com o ruído e o cheiro de salsichas fritas. Ninguém disse nada enquanto o gigante trabalhava, mas assim que ele empurrou as primeiras salsichas gordas e suculentas, ligeiramente queimadas, do espeto, Duda se mexeu. Tio Válter disse com rispidez:

— Não toque em nada que ele lhe der, Duda.

O gigante deu uma risadinha ameaçadora.

— Como se Hagrid fosse dar algo para a baleia que você chama de filho — resmungou Sirius.

— Esse pudim de banha do seu filho não precisa engordar mais, Dursley, não se preocupe.

Os Marotos e Alice riram.

E passou as salsichas para Harry, que estava tão faminto e nunca provara nada tão maravilhoso,

— Sua irmã deve cozinhar muito mal — falou James, olhando para Lily — se a coisa mais maravilhosa que ele já comeu foi cozinhada por Hagrid.

Lily concordou com a cabeça e Snape começou a concordar antes dele perceber que estava falando com Potter, e cruzou os braços irritado.

mas ainda assim não conseguia tirar os olhos do gigante. Finalmente, como ninguém parecia disposto a explicar nada, ele disse:

— Me desculpe, mas continuo sem saber realmente quem você é.

— Isso foi melhor Harry, muito mais educado — aprovou Lily, olhando para o livro.

O gigante tomou um grande gole de chá e limpou a boca com as costas da mão.

— Chame-me de Rubeus, é como todos me chamam. E como lhe disse, sou o guardião das chaves de Hogwarts, você sabe tudo sobre Hogwarts, é claro.

— Não, ele não sabe porque os Dursley se recusaram a explicar — disse Remus irritado.

— Fico feliz que seja Hagrid quem vai explicar — ponderou James. — Ele não vai fazer meu filho se sentir um idiota por não saber.

Lily concordou e continuou a ler.

— Ah, não — disse Harry.

Hagrid pareceu chocado.

— Sinto muito — apressou-se Harry a dizer.

— Não é sua culpa — dispensou Sirius.

— Sente muito? — vociferou Hagrid, virando-se para encarar os Dursley, que tinham recuado para as sombras. — Eles é que deviam sentir muito! Eu sabia que você não estava recebendo as cartas, mas nunca pensei que nem ao menos sabia da existência de Hogwarts, para apelar! Você nunca se perguntou onde foi que seus pais aprenderam tudo?

— Ao menos agora Harry vai saber algo sobre nós — disse James, para animar Lily, que parecia mais desanimada a cada palavra, ao pensar em tudo que Harry teve que suportar.

— Tudo o quê? — perguntou Harry

— TUDO O QUÊ? — berrou Hagrid — Ora espere aí um segundo!

Ele se levantara de um salto. Na raiva, parecia encher o casebre todo. Os Dursley se encolhiam contra a parede.

— Vocês vão querer me dizer — rosnou para os Dursley — que este menino, este menino!, não sabe nada, de NADA?

— Se Harry tiver herdado o caráter dos pais, não vai ficar quieto — brindou Remus.

Harry achou que a coisa estava indo longe demais. Afinal tinha freqüentado a escola e suas notas não eram ruins.

Lily sorriu.

— Eu sei alguma coisa — falou. — Sei, sabe, matemática e outras coisas.

Mas Hagrid dispensou-o com um abano de mão e disse:

— Do nosso mundo, quero dizer. Seu mundo. Meu mundo. O mundo dos seus pais.

— Que mundo?

— Hagrid não vai gostar disso — disse Sirius, que parecia muito animado com a idéia de Hagrid estar com raiva dos Dursley.

Hagrid parecia preste a explodir.

— DURSLEY! — urrou ele.

— Eu disse!

Tio Válter, que ficara muito pálido, murmurou alguma coisa ininteligível. Hagrid olhou alucinado para Harry.

— Mas você deve saber quem foram sua mãe e seu pai — disse. — Quero dizer, eles são famosos. Você é famoso.

— Nós somos famosos? — James ficou muito animado com isso.

— Sim, todos conhecem você pelas mil e uma formas de pedir Lily num encontro — respondeu Alice —, e Lily é conhecida pelas mil e uma forma diferentes de dizer não.

Todos riram e James fez bico.

— Acho que vocês são famosos pelo que Harry fez quando era um bebê — disse Remus, tentando evitar mencionar a morte dos amigos.

James murchou. Esse não era um motivo pelo qual ele gostaria de ser famoso.

— Quê? Meu pai e minha mãe eram famosos?

— Você não sabe... você não sabe... — Hagrid correu os dedos pelos cabelos, fixando em Harry um olhar perplexo. — Você não sabe quem é? — perguntou finalmente.

Tio Válter de repente encontrou a voz.

— Que pena...

— Pare! – ordenou — Pare agora mesmo! Eu o proíbo de contar qualquer coisa ao menino!

— Hagrid realmente vai te obedecer — zombou Sirius.

Um homem mais corajoso do que Dursley teria se intimidado com o olhar furioso que Hagrid lhe deu; quando Hagrid falou, cada sílaba tremia de raiva.

— Você nunca contou? Nunca contou o que Dumbledore deixou escrito naquela carta para ele? Eu estava lá! Eu vi Dumbledore deixar a carta, Dursley! E você escondeu dele todos esses anos?

Frank suspirou. Ainda não entendia como Dumbledore deixou Harry com os tios e apenas uma carta para explicar.

— Escondeu o que de mim? — perguntou Harry ansioso.

— PARE! EU O PROÍBO! — gritou tio Válter em pânico.

Tia Petúnia deixou escapar um grito sufocado de horror.

Lily bufou ao dramatismo de Tuney.

— Ah, vão tomar banho, vocês dois — disse Hagrid. — Harry, você é um bruxo.

— Sim! — gritaram os Marotos.

O casebre mergulhou em silêncio. Ouviam-se apenas o mar e o assobio do vento.

— Eu sou o quê? — ofegou Harry.

— Vai ser difícil para ele acreditar depois de viver com Tuney e sua aversão a qualquer coisa anormal — comentou Lily, e continuou lendo.

— Um bruxo, é claro — repetiu Hagrid, recostando-se no sofá, que gemeu e afundou ainda mais —, e um bruxo de primeira, eu diria, depois que receber um pequeno treino. Com uma mãe e um pai como os seus, o que mais você poderia ser?

James e Lily se entreolharam sorrindo por Hagrid ter falado bem deles para seu filho.

E acho que já está na hora de ler a sua carta.

— Finalmente — murmurou Sirius.

Harry estendeu a mão finalmente para receber o envelope meio amarelo, endereçado em tinta verde para Sr. H. Potter, O Assoalho, Casebre-sobre-o-Rochedo, O Mar. Ele puxou a carta e leu:

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS

Diretor: Albus Dumbledore

(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos).

Prezado Sr. Potter,

Temos o prazer de informar que . tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall.

Diretora Substituta.

— Idêntica à minha carta — brincou James.

Severus cruzou os braços e se perguntou como ele agüentaria sete livros ouvindo comentários idiotas.

As perguntas explodiam na cabeça de Harry como fogos de artifício, e ele não conseguia decidir o que perguntar primeiro. Passados alguns minutos, gaguejou:

— O que querem dizer com"estão aguardando a minha coruja"?

— De tudo que ele poderia perguntar, essa é a primeira pergunta? — indagou Sirius, num tom que achava que Harry não era inteligente por perguntar isso.

— Foi a última coisa que ele leu — defendeu Lily.

— Gárgulas galopantes! Isto me lembra uma coisa — disse Hagrid, batendo a mão na testa com força suficiente para derrubar um cavalo, e de outro bolso interno do casaco tirou uma coruja uma coruja de verdade, viva, meio arrepiada ,

— Pobre coruja — simpatizou Alice.

uma longa pena e um rolo de pergaminho. Com a língua entre os dentes, ele rabiscou um bilhete que Harry pôde ler de cabeça para baixo:

"Prezado Sr. Dumbledore,

Entreguei a carta a Harry. Vou levá-lo amanhã para comprar o material. O tempo está horrível. Espero que o senhor esteja bem.

Hagrid."

Hagrid enrolou o pergaminho, entregou-o à coruja, que o prendeu no bico, depois ele foi até a porta e lançou a ave na tempestade. Quando voltou, sentou-se como se aquilo fosse tão normal quanto pegar o telefone.

— O que é um telefone? — pediu Frank.

— É um aparelho que os trouxas usam para se comunicar — explicou Lily. — Cada família tem um número próprio, e ao discar esse número você pode falar com pessoas a longas distâncias.

— Não tem nada de normal nisso — contradisse Alice.

— Se você explicar o correio coruja para um trouxa, garanto que ele vai achar estranho — disse Remus.

— Tanto faz. — Alice deu os ombros, e Lily voltou a ler:

Harry percebeu que sua boca se abrira e fechou-a rapidamente.

— Onde é que eu estava? — disse Hagrid, mas naquele momento, tio Válter, ainda cor de cera, mas parecendo muito furioso, adiantou-se até a luz da lareira.

— Ele não vai — falou.

Hagrid resmungou.

— Eu gostaria de ver um grande trouxa como você impedi-lo. — respondeu.

— Mostra para ele Hagrid! — disse Sirius.

— Um o quê? — perguntou Harry interessado.

— Um trouxa — disse Hagrid —, é como chamamos gente que não é mágica como nós. E você teve o azar de ser criado na família dos maiores trouxas que já vi na vida.

— Ele quis dizer no sentido de não-mágicos, distantes da magia — falou Remus, quando Lily fez menção de defender os trouxas.

— Juramos quando o aceitamos que poríamos um fim nessa bobagem — disse tio Válter —, juramos que erradicaríamos isso nele. Bruxo, francamente!

Severus resmungou. Era impossível erradicar magia.

— Você sabia? — perguntou Harry. — Você sabia que sou um... bruxo?

— Tuney com certeza sabia — disse Lily, amargamente.

— Sabia! — guinchou tia Petúnia de repente. — Sabia! Claro que sabíamos! Como poderia não ser, a maldita da minha irmã sendo o que era?

— Não fale assim dela! — gritou James furioso. Alice sugeriu mais uma vingança para Remus escrever no pergaminho e Snape fez uma nota mental para visitar Tuney quando saísse da sala.

Ah, ela recebeu uma carta igual a essa e desapareceu, foi para aquela aquela escola e voltava para casa nas férias com os bolsos cheios de ovas de sapo, transformando xícaras em ratos.

— Você fazia magia fora da escola? — perguntou Sirius, admirado.

— Eu tinha permissão de mostrar aos meus pais um pouco do que eu estava aprendendo na escola. — Lily deu os ombros.

Eu era a única que a via como ela era — um aborto da natureza!

— O único aborto da natureza aqui é você! — defendeu Frank.

Alice olhava para o alto, como se pedindo paciência aos céus; Remus rabiscava no pergaminho furiosamente; Sirius estava fazendo um barulho que parecia um rosnado em direção ao livro; um músculo tremia na bochecha de Snape e James segurava as mãos como se estivesse se impedindo de rasgar o livro. Lily se permitiu um pequeno sorriso antes de voltar a ler. Era bom saber que todos se importavam com ela.

Mas para minha mãe e meu pai, ah não, era Lily isso e Lily aquilo, tinham orgulho de ter uma bruxa na família!

— Eu tenho muito orgulho de ter Lily na família! — defendeu James, e Lily corou ao lembrar que eles se casariam no futuro.

Ela parou para suspirar profundamente e aí continuou seu discurso. Parecia que estava querendo dizer aquilo havia anos.

— Ela quer — murmurou Severus.

— Então ela conheceu Potter na escola e eles saíram de casa, casaram e tiveram você, e é claro que eu sabia que você ia ser igual, esquisito, anormal, e então ela vai e me faz o favor de se explodir e nos deixar entalados com você!

— Que jeito horrível de contar a verdade para o Harry — disse Frank, indignado. Ele não gostava de brigas ou de julgar as pessoas, mas faria uma exceção se os Dursley cruzassem seu caminho.

Harry ficara muito branco. Assim que encontrou a voz, disse:

— Se explodir? Você me disse que eles morreram num acidente de carro!

— ACIDENTE DE CARRO! — rugiu Hagrid, erguendo-se com tanta raiva que os Dursley voltaram correndo para o canto da sala. — Como é que um acidente de carro poderia matar Lily e James Potter! Isto é um absurdo! Um escândalo! E Harry Potter não conhecer a própria história, quando qualquer garoto no nosso mundo conhece o nome dele!

— Mas por quê? O que aconteceu? — perguntou Harry ansioso.

— Ao menos agora Harry vai saber a história — tentou consolar Remus. — E é melhor por Hagrid que por outros.

A raiva desapareceu do rosto de Hagrid. Ele pareceu repentinamente aflito.

— Eu nunca esperei isso — disse numa voz contida e preocupada. — Eu não fazia idéia do quanto você desconhecia, quando Dumbledore me disse que eu poderia ter problemas para encontrá-lo. Ah, Harry, não sei se sou a pessoa certa para lhe contar, mas alguém tem de contar, você não pode viajar para Hogwarts sem saber.

Todos acenaram a cabeça em concordância.

Ele lançou um olhar feio aos Dursley.

— Bom, é melhor você saber o que eu puder lhe contar, mas não posso lhe contar tudo, é um grande mistério, algumas partes...

Ele se sentou, fitou o fogo durante alguns segundos e então falou:

— Começa, eu acho, com... com uma pessoa chamada, mas é incrível você não saber o nome dele, todo o mundo no nosso mundo sabe...

— Quem?

— Não tenho certeza se é bom ou ruim que ele tenha vivido onze anos sem saber — comentou Remus.

— Bom... não gosto de dizer o nome dele se puder evitar. Ninguém gosta.

— Não é verdade, a maioria desta sala é indiferente a dizer o nome dele — disse James, jogando um olhar rápido para Snape, deixando claro que ele era o único que não falava Voldemort.

— Por que não?

— Gárgulas vorazes, Harry, as pessoas ainda estão apavoradas. Droga, como é difícil. Olha, havia um bruxo que virou... mau. Tão mau quanto alguém pode virar. Pior. Pior do que o pior. O nome dele era...

Hagrid engoliu em seco, mas não conseguiu dizer nada.

— Coragem, Hagrid — animou Sirius.

— E se você escrevesse? — sugeriu Harry.

— Não, não sei soletrar o nome dele. Está bem,Voldemort.— Hagrid estremeceu. — Não me faça repetir. Em todo o caso, esse... esse bruxo, faz uns vinte anos agora, começou a procurar seguidores. E conseguiu, alguns por medo, outros porque queriam ter um pouco do poder dele, sim, porque ele estava ficando poderoso. Dias funestos, Harry, ninguém sabia em quem confiar, ninguém se atrevia a ficar amigo de bruxas ou bruxos desconhecidos... Coisas horríveis aconteciam. Ele estava tomando o poder. É claro que algumas pessoas se opuseram a ele, e ele as matou. Terrível. Um dos únicos lugares seguros que restaram foi Hogwarts. Acho que Dumbledore era o único de quem Você-Sabe-Quem tinha medo. Não ousou se apoderar da escola, não no começo, pelo menos.

— "Não no começo" — citou Frank. — Quer dizer que Voldemort vai tentar se apoderar de Hogwarts.

— Acho que foi apenas a maneira de falar de Hagrid — respondeu Remus. Ninguém queria imaginar Voldemort em Hogwarts, era horrível demais até pensar na possibilidade.

"Ora, sua mãe e seu pai eram os melhores bruxos que eu já conheci. Primeiros alunos em Hogwarts no seu tempo!

Lily e James sorriram gratos por Hagrid falar deles para o filho.

Suponho que o mistério era por que Você-Sabe-Quem nunca tentou convencer os dois a se aliar a ele antes... provavelmente sabia que eram muito chegados a Dumbledore para querer alguma coisa com o lado das Trevas.

"Talvez ele achasse que podia convencê-los...

— Eu preferia a morte a passar para o lado das Trevas! — gritou James indignado.

Snape viu Lily apertar a mão de James e acenar em concordância. Era culpa de Potter que Lily tivesse morrido, ele era arrogante demais para entender que não adianta ser um herói morto. E o pior: havia arrastado sua Lily por este caminho. Mas Severus faria Lily entrar em razão, era apenas questão de tempo.

talvez quisesse tirar os dois do caminho. Só o que sabemos é que ele apareceu na vila em que vocês estavam morando, num dia das bruxas, faz dez anos. Na época você só tinha um ano de idade. Ele foi à sua casa e... e..."

Lily estava lendo com a voz muito baixa agora, mas a sala estava num silêncio tão denso que era possível ouvir cada palavra nitidamente. Alice tinha enterrado a cabeça no peito de Frank, que passava as mãos pelo cabelo da namorada de olhos fechados, como se fosse demais para ela ouvir. Remus dava palmadinhas no ombro de Sirius, como se estivesse consolando, mas ele mesmo parecia perdido. Snape estava de braços cruzados, repetindo mentalmente que Lily veria o caminho, era apenas questão de tempo.

James hesitou, mas passou um braço pelos ombros de Lily e deu um pequeno aperto. E, para a sua surpresa, ela se achegou mais no seu abraço e continuou lendo

Hagrid puxou depressa um lenço muito sujo e manchado e assoou o nariz, fazendo o barulho de uma buzina de nevoeiro.

— Desculpe — disse. — Mas é muito triste, conheci sua mãe e seu pai e não podia existir gente melhor, em todo o caso...

Lily suspirou tristemente.

"Você-Sabe-Quem matou os dois. E então, e esse é o verdadeiro mistério da coisa, ele tentou matar você. Queria fazer o serviço completo, acho, ou então tinha começado a gostar de matar.

Todos estremeceram.

Mas não conseguiu. Você nunca se perguntou como arranjou essa marca na testa? Isso não foi um corte normal. Isso é o que se ganha quando um feitiço poderoso e maligno atinge a gente; destruiu os seus pais e até a sua casa, mas não fez efeito em você, e é por isso que você é famoso, Harry. Ninguém nunca sobreviveu depois que ele decidia matá-lo, ninguém a não ser você, e ele já havia matado alguns dos melhores bruxos da época, os McKinnon, os Bone, os Prewett,

Lily deixou algumas lágrimas escaparem. Ela conhecia os McKinnon. James apertou mais seu ombro. Ele conhecia todas essas famílias, assim como Frank, que estava brincando com o cabelo de Alice como se não soubesse o que fazer. Os ombros de Alice estavam tremendo como se ela estivesse chorando silenciosamente. Remus havia enterrado o rosto entre as mãos e Sirius passava a mãos pelos cabelos uma vez e outra. Todos tinham amigos entre as famílias citadas. Apenas Snape não parecia afetado.

— Nós podemos mudar isso, é para isso que recebemos o livro — disse Frank. Lily tomou fôlego e voltou a ler.

e você era apenas um bebê, e sobreviveu."

Algo muito doloroso passou pela cabeça de Harry. Quando a história de Hagrid ia terminando ele viu de novo um lampejo ofuscante de luz verde, com mais clareza do que se lembrava antes e se lembrou de mais uma coisa, pela primeira vez na vida uma risada alta, fria e cruel.

James suspirou e Lily estremeceu.

Hagrid o observava com tristeza.

— Eu mesmo o retirei da casa destruída, por ordem de Dumbledore. Trouxe você para essa gente...

— Um monte de baboseiras antigas — disse tio Válter.

— Cale-se — rosnou Sirius.

Harry se assustou, quase esquecera que os Dursley estavam ali. Tio Válter, sem dúvida, tinha recuperado a coragem. Olhava ameaçador para Hagrid e tinha os punhos fechados.

— Agora, ouça aqui, moleque — vociferou —, aceito que você seja meio estranho, provavelmente nada que uma boa surra não pudesse ter curado,

— Não se atreva a encostar no meu filho — ameaçou James, e Lily pôde sentir que ele estava tremendo de raiva.

e quanto aos seus pais, bem, eles eram excêntricos, não há como negar, e o mundo está melhor sem eles,

Sirius e Alice levantaram e começaram a xingar Valter. Frank gritou:

— É claro que não estamos melhor sem eles, mas estaríamos melhor sem você.

Remus escrevia no pergaminho com tanta raiva que quebrou a pena. Severus estava revoltado por Válter falar assim de Lily, embora concordasse que o mundo seria melhor sem Potter.

receberam o que mereciam por se meter com essa gente dada a bruxarias, foi o que previ, sempre soube que iam acabar mal.

Mas naquele instante, Hagrid ergueu-se de um salto do sofá e puxou um guarda-chuva cor-de-rosa e arrebentado de dentro do casaco.

— Por que ele fez isso? — perguntou Frank, que não tinha muito contato com Hagrid.

— A varinha quebrada dele está escondida dentro do guarda-chuva — explicou Alice.

Apontou-o como uma espada para tio Válter, e disse:

— Estou lhe avisando, Dursley, estou lhe avisando, nem mais uma palavra...

Ameaçado de ser furado pela ponta de um guarda-chuva por um gigante barbudo, a coragem de tio Válter fraquejou outra vez; ele se achatou contra a parede e ficou em silêncio...

— Definitivamente não seria um grifinório — resmungou Sirius.

— Assim está melhor — disse Hagrid, arquejando e tornando a se sentar no sofá, que desta vez afundou de vez até o chão.

Harry, nesse meio tempo, continuava a ter perguntas a fazer, centenas dela.

— Mas o que aconteceu ao Vol... desculpe... quero dizer, Você-Sabe-Quem?

— Boa pergunta — disse Frank. Todos então se inclinaram na direção do livro.

— Boa pergunta, Harry. Desapareceu. Sumiu. Na mesma noite em que tentou matar você. O que faz você ainda mais famoso. É o maior mistério, entende... ele estava ficando cada dia mais poderoso, porque foi embora?

"Tem quem diga que ele morreu. Besteira, na minha opinião. Não sei se ainda tinha humanidade suficiente para morrer.

Um estremecimento percorreu a sala. Isso não parecia um bom presságio. Frank, Remus e Severus ficaram pensativos sobre o que poderia fazer Voldemort desaparecer, mas não matá-lo.

Tem quem diga que ainda está lá fora esperando, ou coisa parecida, mas não acredito. Gente que estava do lado dele voltou para o nosso. Uns pareciam que estavam saindo de uma espécie de transe. Acho que não teriam feito isso se ele fosse voltar.

"A maioria de nós acha que ele ainda anda por aí, mas perdeu os poderes. Está fraco demais para continuar. Porque alguma coisa em você acabou com ele, Harry. Aconteceu alguma coisa, naquela noite, com que ele não estava contando, eu não sei o que foi, ninguém sabe, mas alguma coisa em você o aleijou, para valer."

Hagrid fitou Harry com calor e respeito iluminando seus olhos, mas Harry, ao invés de se sentir contente e orgulhoso, teve a certeza de que tinha havido um terrível engano. Bruxo? Ele?

— Agora temos certeza que ele herdou a personalidade de Lily — disse Remus, e quando todos olharam para ele, continuou: — James teria aceitado imediatamente que ele tinha derrotado o maior bruxo das trevas, concluiria que ele era realmente especial e perguntaria a Hagrid se ele tinha fãs.

Todos riram do comentário de Remus, aliviando o clima pesado da sala.

Como era possível? Passara a vida dominado por Duda e infernizado pela tia Petúnia e pelo tio Válter; se era realmente um bruxo, por que eles não tinham se transformado em sapos toda vez que tentaram prendê-lo no armário? Se uma vez derrotara o maior feiticeiro do mundo, como é que Duda sempre pudera chutá-lo para cá e para lá como se fosse uma bola de futebol?

— Eu não entendo futebol — interrompeu James, e quando Lily começou a explicar as regras, James continuou. — São vinte pessoas correndo atrás de uma única bola. Qual a emoção disso? E há apenas um único objetivo. E a pior parte, é jogado no chão! — concluiu como se aquilo fosse o ponto mais estranho.

— Os trouxas não podem encantar vassouras para voar. — Lily começou, mas viu Remus e Sirius negando com a cabeça, como se fosse perda de tempo discutir isso e deu os ombros. — Que seja. — E voltou a ler.

— Rubeus — disse calmo —, acho que você deve ter cometido um engano. Acho que não posso ser um bruxo.

Para sua surpresa, Hagrid deu uma risadinha abafada.

— Não é bruxo, hein? Nunca fez nada acontecer quando estava apavorado ou zangado?

Harry olhou para o fogo. Pensando bem... cada coisa estranha que deixara os seus tios furiosos tinha acontecido quando ele, Harry estava perturbado ou com raiva... perseguido pela turma de Duda, pusera-se de repente fora do seu alcance... receoso de ir para a escola com aquele corte ridículo, conseguira fazer os cabelos crescerem de novo... e da última vez que Duda batera nele, não fora à forra sem perceber que estava fazendo isto? Não mandara uma cobra atacá-lo?

— Mas ele não mandou a cobra atacá-lo — disse Frank —, só fez o vidro sumir. Lily deu os ombros e continuou lendo:

Harry olhou para Hagrid, sorrindo, e viu que ele ria abertamente para ele.

— Viu? — disse Hagrid. — Harry Potter não é bruxo? Espere, você vai ser famoso em Hogwarts.

Mas tio Válter não ia ceder sem brigar.

— Eu não já disse que ele não vai? — sibilou. — Ele vai para a escola secundária local e vai me agradecer por isso. Li aquelas cartas e dizem que ele precisa de um monte de lixo, livros de feitiços, varinhas mágicas e...

— O que Harry precisa não é da sua conta — resmungou James.

— Se ele quiser ir, um trouxão como você não vai poder impedir. — resmungou Hagrid raivoso. — Impedir o filho de Lily e James Potter de ir para Hogwarts! Você enlouqueceu. Ele está inscrito desde que nasceu.

— Na verdade, quando qualquer criança bruxa nasce o nome é automaticamente escrito no livro por meio de um feitiço — explicou Frank.

Vai freqüentar a melhor escola de bruxos e bruxedos do mundo. Sete anos lá e ele nem vai se reconhecer. Vai estudar com garotos iguais a ele, para variar, e vai estudar com o maior mestre que Hogwarts já teve, Albus Dumbledore...

— NÃO VOU PAGAR A NENHUM VELHO BIRUTA E PATETA PARA ENSINÁ-LO A FAZER MÁGICAS! — gritou tio Válter.

— Isso vai ser bom. — Sirius esfregou as mãos.

— Por quê? — perguntou Frank.

— Nada irrita mais Hagrid que alguém falando mal de Dumbledore — respondeu Remus.

Mas ele finalmente fora longe demais. Hagrid agarrou o guarda-chuva e girou por cima da cabeça.

— NUNCA — trovejou — INSULTE... ALBUS... DUMBLEDORE... NA... MINHA FRENTE!

E girou o guarda-chuva no ar baixando-o até apontar para Duda houve um lampejo de luz violeta, o estalo de uma bombinha, um grito agudo e, no segundo seguinte, Duda estava dançando no mesmo lugar com as mãos apertando a barriga banhuda, guinchando de dor. Quando Duda virou de costas, Harry viu um rabo de porco enroscado saindo de um buraco nas calças dele.

A sala explodiu em gargalhadas. Sirius rolou para o chão de tanto rir; Remus deitou rindo no lugar que Sirius tinha ocupado. Alice estava sentada segurando a barriga gargalhando e Frank tinha jogado a cabeça para trás com a força do riso. Snape estava tendo dificuldades para segurar o riso. Lily tinha posto as mãos na boca para se controlar e James, que ainda estava com um braço nos ombros de Lily, repetia:

— Agora realmente é um porco de peruca completo.

Demorou vários minutos para Lily se controlar o suficiente para continuar lendo.

Tio Válter urrou. Puxando tia Petúnia e Duda para o quarto, lançou um último olhar aterrorizado a Hagrid e bateu a porta ao sair.

Hagrid olhou para o guarda-chuva e coçou a barba.

— Não devia ter perdido as estribeiras — disse arrependido —, mas em todo o caso saiu errado. Queria transformá-lo em porco, mas acho que ele já parecia tanto com um que não pude fazer muita coisa.

Houve uma nova rodada de risos.

E olhou de esguelha para Harry, por baixo das sobrancelhas peludas.

— Fico agradecido se não contar isso para ninguém em Hogwarts — falou. – Não, hum, tenho permissão para fazer mágicas, rigorosamente falando. Permitiram que eu fizesse alguma coisa para seguir você e entregar as cartas e coisas assim, uma das razões por que eu queria tanto este trabalho.

— Provavelmente ele quis ver Harry também — disse Alice, lembrando-se que Hagrid tinha conhecido Harry ainda bebê.

— Por que você não pode fazer mágicas? — perguntou Harry.

— Ah, bom... eu estive em Hogwarts, mas... hum... fui expulso, para falar a verdade. No terceiro ano. Eles partiram a minha varinha ao meio e tudo o mais. Mas Dumbledore me deixou ficar como guarda-caça. Grande sujeito o Dumbledore.

— Por que você foi expulso?

— Isso não é algo educado para se perguntar! — repreendeu Lily.

— Já está ficando tarde e temos muito que fazer amanhã — disse Hagrid em voz alta. — Temos que ir à cidade, comprar os seus livros e etc.

Ele tirou o grosso casaco preto e atirou-o a Harry.

— Pode ficar com ele. Não se assuste se ele se mexer um pouco, acho que ainda tenho uns ratos do campo em um dos bolsos.

Lily fechou o livro e ia entregá-lo para Severus quando Sirius lembrou que eles deveriam fazer a festa de aniversário do Harry. Houve um momento estranho quando ela foi se levantar porque James ainda tinha o braço ao redor dos seus ombros. Ligeiramente corada, foi até a mesa que estava no canto da sala.

Todos se aproximaram, menos Snape, que continuou sentado no sofá. Ele não via motivos para comemorar o aniversário de uma criança que sequer ia nascer; só precisava convencer Lily disso.

— Como faremos a mesa nos dar a comida? — perguntou Alice.

— Você tentou pedir? — perguntou Frank.

— Eu gostaria de um bolo de aniversário e algumas bebidas — disse Remus em voz alta, na direção da mesa.

Em poucos segundos apareceu um bolo sobre a mesa da mesma forma que a comida aparecia no Salão Principal. No mesmo instante, sete copos de suco de abóbora se juntaram à comida.

Lily conjurou uma vela para por em cima do bolo, acendendo com um aceno da varinha e todos começaram a cantar Parabéns para você animadamente. O processo foi repetido onze vezes. Uma para cada aniversário do Harry.

Enquanto isso, Snape continuava sentado no sofá, longe da festa. Ele estava preparando argumentos para convencer Lily a ficar longe da guerra e, conseqüentemente, não se casar com Potter. Ela não entendia como era boa demais para ele? E que o seguindo nessa guerra ela iria acabar morrendo? Ele tinha certeza que Voldermort tinha ido atrás dos Potter porque James tinha feito alguma loucura, aquele inútil tinha complexo de herói e adorava aparecer. Se Lily apenas entendesse que se aliando ao Lord das Trevas ela poderia viver... Mas ele a convenceria de alguma forma.

Após o décimo primeiro Parabéns, Lily cortou o bolo com um aceno de varinha e cada um pegou um pedaço, conversando animadamente. James aproveitou a oportunidade para se aproximar.

— Evans — ele chamou e esperou Lily ir até ele. — Eu estava pensando, já que somos os pais de Harry e tudo mais — ele evitou falar casamento, parecia muito cedo —, você não acha que devíamos nos chamar pelo primeiro nome.

James cruzou os dedos no bolso enquanto Lily parecia pensar.

— Você tem razão. E parece que vamos ficar um bom tempo nessa sala. — Lily deu os ombros. — Seria melhor se ficássemos amigos.

James teve que se conter para não gritar de alegria. Lily pensou mais um pouco e continuou:

— Eu estava pensando nisso antes de vir para a sala, sabe? — Ela estava ligeiramente corada ou James estava imaginando coisas? — Quando eu soube que você seria Monitor-Chefe junto comigo, achei que deviam ter visto a qualidade em você que eu não via — ela deu os ombros —, e seria impossível trabalhar junto com você o ano todo se brigássemos sempre.

James se encostou na parece e abaixou o rosto para olhar para ela.

— Eu achei que Dumbledore estava louco quando ele me nomeou — Lily abafou uma risadinha —, mas se ele tinha confiado em mim eu iria pelo menos tentar. E eu também estava preocupado em trabalhar com você. — Lily pareceu curiosa e ele continuou: — Eu sei que você sempre quis isso e eu não queria que a sua felicidade de ganhar o cargo fosse afetada por ter que trabalhar comigo.

James tentou manter o tom normal, mas Lily captou uma nota de tristeza. Ele tinha sido legal com ela desde que começaram a ler. Talvez ela devesse dar uma chance a ele... Contudo, ainda era muito cedo, e ela não queria fazer isso só por causa do livro e Harry. Se acontecesse, ela queria que fosse pelos motivos certos.

— Eu sei que de acordo com o livro vamos casar e ter Harry, mas eu não quero agir assim. — Quando James pareceu desanimado ela tentou de novo. — Me deixe tentar explicar, ok? O livro diz que seremos um casal, porém eu não quero que sejamos um casal por causa do livro, entende? — James acenou que sim. — Mas eu gostaria de ter conhecer melhor... Nós podemos tentar ser amigos por enquanto? — Lily colocou a mão para frente como se fosse fechar um contrato.

James sorriu. Ser amigo dela era um bom começo e ele entendia que era muito para ela, e que poderia ser confuso. Era melhor ficar com ela por vontade própria que por pressão do livro. Apertou a mão dela, sorrindo.

— Então, Lily — disse James, sorrindo —, algo especial que você gostaria de conversar?

Enquanto isso, Alice e Frank puxaram as cadeiras para um canto isolado da sala.

— Eu ainda não entendo o porquê estamos aqui — começou Frank. — Quero dizer esses livros parecem ser sobre a vida do Harry e eu sei que você é amiga de ambos, mas por que nós e não Peter, por exemplo?

— Eu não sei — disse Alice, arrumando a cadeira de modo a observar James e Lily conversando animadamente. — Acho que vamos aparecer no futuro, ou alguém relacionado a nós, talvez um filho...

Ambos compartilharam um sorriso. Frank inclinou a cabeça para mais próximo a Alice e abaixou a voz.

— Eu também não entendo por que Snape está aqui — deu um pequeno aceno na direção onde Snape estava sentado no sofá, observando Lily e James conversarem. — Compreendo que ele e Lily foram amigos, mas eu não vejo Snape superando ela com James.

Alice observou por um momento enquanto Snape estreitava os olhos e Lily ria de alguma coisa que James tinha dito.

— Concordo com você — Alice deu os ombros —, mas Lily sempre pareceu acreditar que Snape era bom. — O tom dela deixava claro que discordava desse fato. — Eu achava isso difícil, visto as amizades dele, porém ela estava disposta a dar um voto de confiança. Depois que Snape chamou Lily daquilo quando ela estava defendendo-o...

Alice ficou em silêncio, como se não soubesse o que falar em seguida, e Frank aproximou a cadeira para abraçá-la. Os dois ficaram observando seus amigos.

Sirius estava sentado na mesa, olhando para o nada e comendo seu quinto pedaço de bolo, quando Remus sentou ao seu lado e cutucou-o no ombro, apontando para onde James e Lily estavam conversando. Lily deu um tapinha no braço de James, mas estava sorrindo.

— Acho que James finalmente terá sua chance.

Mas Sirius não respondeu. Terminou o pedaço de bolo e deu um gole no suco de abóbora e continuou olhando para o nada.

— Almofadinhas... — Remus tentou novamente.

— Onde nós estamos? — E quando Remus respondeu a boca para responder, Sirius interrompeu. — Durante a vida de Harry, eu digo. Não faz sentido nós passarmos onze anos afastados. Quero dizer, mesmo que Dumbledore por algum motivo quisesse que ele morasse com Petúnia, nós poderíamos ser vizinhos ou qualquer coisa. Não imagino o que impediria a você, ou Peter, ou eu de ajudar Harry.

— Eu também não sei. — Remus pensou um pouco. — Talvez nós estejamos lutando contra Voldemort. Hagrid disse que ele não tinha sido vencido completamente. — Outra pausa. — Talvez estejamos impedindo os comensais que escaparam de Azkaban de chegar a Harry.

Sirius acenou com a cabeça, mas continuou olhando para o nada.

— Nós vamos mudar isso, Sirius. — Remus pôs a mão no ombro do amigo. — Esses livros vieram por alguma razão e agora, nós podemos impedir tudo isso de acontecer.

Sirius finalmente olhou para Remus.

— Eu só me sinto mal pelo filho do Pontas ter tido essa infância horrível. E também tenho este pressentimento estranho que as coisas só vão piorar. – Sirius deu de ombros, desanimado.

— Pressentimento? Talvez você devesse ter tido Adivinhação, então. Prof. Strieber diz que pressentimentos são um sinal do olho interior — disse Remus, com uma voz mística.

Sirius riu e jogou os cabelos para o lado.

— Eu acho que nós devíamos comparar os pergaminhos com as vinganças, apenas para deixá-los mais completos. — E juntando as cabeças, começaram a rabiscar.

Snape estava ficando doente. Sua Lily estava conversando com o Potter e parecia realmente entretida na conversa. Será que ela não via o imbecil que Potter era? Enquanto Snape pensava isso, Lily levou as mãos à boca, jogou a cabeça para trás e deu uma sonora gargalhada. Snape não agüentou, levantou e foi até o banheiro. Ele não suportava mais ver isso.

— Eu não acredito que você fez magia acidental com o cabelo da mulher do Ministro — disse Lily, após controlar o riso.

— Eu tinha apenas oito anos, Lily — disse James inocentemente —, tudo que eu pensei foi que a festa precisava de mais cor. Eu não tenho culpa se o cabelo dela ficou lilás, não era como se eu pudesse controlar o que fazia. — James piscou.

— Isso não é verdade, James — disse Lily divertida. — Eu tinha um certo controle antes mesmo de saber que era magia o que eu fazia.

James sorriu como se tivesse sido apanhado e se inclinou para pegar mais um pedaço de bolo na mesa. Lily olhou para a mesa, percebendo que havia um copo de suco de abóbora intocado. Procurando em volta, viu que Severus não estava a vista e suspirou. Enrolou um pedaço de bolo num guardanapo e pegou o suco restante.

— Você vai atrás dele, não é? — perguntou James.

— Ele é meu amigo. E ele não comeu nada. — Lily deu os ombros.

— Eu não entendo como você ainda pode ser amiga dele, depois de... — James se interrompeu. Lily não tinha gostado nada do seu comportamento aquele dia. Mas a garota tinha entendido a que dia ele se referia e estreitou os olhos.

— Você não pode julgar ninguém naquele dia, James. — E não deu pausa para James se explicar. — Eu sei que você não diria aquilo, mas sua atitude foi horrível. Eu sei que Sev fez coisas erradas também, mas meu amigo de infância está lá dentro em algum lugar, e essa parece ser uma nova oportunidade de salvá-lo. Eu tenho que tentar. — Lily abaixou a cabeça. — Gostaria que todos entendessem isso.

— Eu só não quero que você se machuque. Que ele te machuque.

— Eu não posso desistir da nossa amizade. — Lily levantou a cabeça com os olhos verdes brilhando para que James entendesse. — Não quando aparece uma chance para salvá-lo.

— Faça o que você tem que fazer. — James deu os ombros e caminhou na direção de Sirius e Remus.

Lily suspirou. James não parecia feliz com a atitude dela e ela adivinhava que Alice também não ficaria contente. Mas eles não conheciam o lado bom de Sev. Era tão difícil aceitar que ele tinha um?

Snape saiu o banheiro e viu Lily sentada sozinha no sofá, segurando um copo e um pedaço de bolo para ele, e seu humor melhorou. Talvez Potter tivesse conseguido estragar as coisas por conta própria depois de tudo.

Lily esperou Severus sentar ao seu lado para lhe entregar a comida. E antes que ele pudesse agradecer ela perguntou:

— Por que você não foi comer, Sev?

Severus pensou um pouco antes de responder. Lily não iria gostar se ele falasse que não via sentido em comemorar o aniversário de uma criança que ele planejava impedir de nascer.

— Eu não tenho amigos aqui, minha presença não seria bem vinda.

— Eu estava lá — disse Lily exasperada. — E eu sou sua amiga. E é o aniversário do meu filho que estávamos comemorando.

— Não é seu filho, essa criança ainda nem nasceu. E não posso acreditar que você teria um filho com o Potter. — Mesmo antes de terminar a frase Snape percebeu que fora a coisa errada a dizer.

— Isso aconteceu no futuro Sev, essa criança nasceu. — Lily parecia decepcionada. — Tudo que importa para você é que ele é o filho de James. — Severus estremeceu e Lily notou. — Ele é meu filho também, isso não importa nada? Seu ódio por James é mais forte que a nossa amizade?

Lily ficou olhando, mas Severus não tinha certeza do que responder. Parecia a conversa no retrato repetida novamente. Lily não conseguia entender que tudo que ele fazia era para o bem dela. Ele só queria que ela fosse feliz. Mas, com um último olhar, ela levantou e disse:

— Vou chamar os outros, é hora de continuar a leitura.

E saiu, deixando Snape congelado no lugar, olhando para ela. Viu quando Lily andou até o casal afastado no canto. Alice perguntou algo, mas Lily negou com a cabeça e Alice lhe deu seu famoso olhar mortal. Viu Lily andando até onde os Marotos estavam e todos sorriram quando ela chegou. Potter diminuiu o passo para perguntar algo e ela balançou a cabeça novamente; Potter lhe deu um olhar estranho que ele retribuiu com um olhar de ódio. Era tudo culpa de Potter, como sempre.

Todos se acomodaram em seus antigos lugares confortavelmente, felizes após toda a comida. Lily então passou o livro para Severus, sem encontrar seu olhar.

Sentindo-se mais perdido e triste do que nunca, Severus abriu o livro e leu o próximo título.

— "Capítulo Cinco:O Beco Diagonal."


Capítulo revisado por Mrs. Mandy Black