Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história da Pedra Filosofal. Tudo isso pertence à grandiosa J. K. Rowling.

N/A: Os trechos originais do livro estão em negrito.

Eu já disse o quanto eu amo as reviews e o quanto elas me motivam a escrever? Eu tinha desanimado no começo deste capítulo, sem gostar do que tinha escrito. Aí abri meu e-mail e lá estavam as reviews, e foi como se eu tivesse colocado a diadema perdida de Ravenclaw, um mundo de idéias surgiu. =] Os comentários são o combustível para a escrita.

Respondendo às reviews:

Anneribeiro:Não seja má, eles precisam dormir =P Não tem nenhuma poção energética na sala e a pausa na leitura me permite explorar a relação entre os personagens. Espero que goste deste capítulo.

YukaCharlie:Sim, eu pretendo escrever todos os setes livros. Eu sei que parece meio louco, mas tenho tantas idéias. Principalmente para oPrisioneiro de Azkaban,que é meu livro preferido.

Agora vou fazer um pequeno desabafo que ninguém vai ler, mas tudo bem. É absurdamente difícil escrever sobre Snape. Eu tento não ser muito má com ele, mas sempre que eu me pergunto: "O que Severus faria nesta situação" vem algo ruim =P Então fãs do Ranhoso, não me matem! Eu não estou fazendo isso de propósito. E as coisas vão melhorar para ele... um dia... talvez...


...


Todos se acomodaram em seus antigos lugares confortavelmente, felizes após toda a comida. Lily então passou o livro para Severus, sem encontrar seu olhar.

Sentindo-se mais perdido e triste do que nunca, Severus abriu o livro e leu o próximo título.

"Capítulo Cinco:O Beco Diagonal."


...


— Este promete ser um bom capítulo. — James esfregou as mãos, animado.

Harry acordou cedo na manhã seguinte. Embora soubesse que já era dia, continuou com os olhos bem fechados.

"Foi um sonho", disse a si mesmo com firmeza."Sonhei que um gigante chamado Rubeus Hagrid veio me dizer que eu ia para uma escola de magia. Quando abrir os olhos estarei em casa no meu armário."

— Seu filho é um raio brilhante de esperança — brincou Sirius, recebendo um olhar mortal da ruiva.

De repente ouviu um ruído alto de batidas.

"É a tia Petúnia batendo na porta", pensou Harry, desanimando. Mas, ainda assim, não abriu os olhos. Tinha sido um sonho tão bom.

— Não foi um sonho, querido — disse Lily, com a voz maternal.

Bum. Bum. Bum.

— Está bem — resmungou Harry. — Já estou levantando.

Sentou-se e o pesado casaco de Hagrid escorregou de seu corpo. O casebre estava inundado de sol, a tempestade passara, o próprio Hagrid estava dormindo no sofá desmontado e havia uma coruja batendo com a garra na janela, trazendo um jornal no bico.

Harry ergueu-se de um pulo, sentia-se feliz como se houvesse um grande balão crescendo dentro dele.

— Se ele realmente parece com James, não pode ser um balão grande. — Alice comentou olhando para o menino de óculos. — Ele era magricela no primeiro ano.

— Ei! — exclamou Pontas, indignado.

Foi direto à janela e abriu-a com um puxão. A coruja entrou voando e deixou cair o jornal em cima de Hagrid, que nem acordou. A coruja então voou pelo chão e começou a atacar o casaco do gigante Hagrid.

— Não faça isso.

— Ele tem problemas para acreditar que era um bruxo, mas fala com uma coruja como se fosse normal. — Sirius comentou, revirando os olhos.

— Sirius Black! Se você continuar implicando com meu filho vai se arrepender — ameaçou Lily.

Harry tentou espantar a coruja, mas ela o ameaçou com o bico e continuou a atacar ferozmente o casaco.

— Rubeus! — chamou Harry alto. — Tem uma coruja...

— Pague a ela — resmungou Hagrid dentro do sofá.

— Ele não sabe como — falou Remus.

— Quê?

— Ela quer receber o pagamento pela entrega do jornal. Procure nos bolsos.

O casaco de Hagrid parecia ser feito de bolsos — molhos de chaves, fichas de metal, rolinhos de barbante, balas de hortelã, saquinhos de chá... e, finalmente, Harry puxou um punhado de moedas estranhas.

— Dê a ela cinco nuques— disse Hagrid sonolento.

— Hagrid parece esquecer que Harry foi criado por trouxas — comentou Frank.

Nuques?

— As moedinhas de bronze.

Harry contou cinco moedinhas de bronze e a coruja esticou a perna para ele enfiar o dinheiro numa carteirinha de couro que trazia presa. Em seguida saiu voando pela janela aberta.

Hagrid bocejou alto, sentou-se, espreguiçou-se.

— Se ele ia levantar de qualquer maneira, por que mandou Harry pagar à coruja? — perguntou Alice.

— Provavelmente para dar ao Harry a chance de se familiarizar com dinheiro bruxo — respondeu Lily.

— É melhor nos despacharmos, Harry, temos muito o que fazer hoje, temos que ir a Londres comprar todo o seu material escolar.

Harry revirava as moedas mágicas para examiná-las. Acabara de pensar em uma coisa que o fez se sentir como se o balão da felicidade que havia dentro dele tivesse furado.

— Por que Harry ficou triste? — perguntou Sirius, sem entender.

Lily mordeu os lábios, preocupada.

— Eu acho que ele está se perguntando com que dinheiro vai comprar o material.

Os Marotos, Alice e Frank trocaram um olhar divertido.

— Lily, eu tenho certeza que isso não será problema — tranqüilizou Remus, quando Lily olhou pedindo uma explicação. — James com certeza deixou uma herança para Harry.

— Eu sei que James tem algum dinheiro — concedeu a ruiva —, mas são sete anos de educação mágica! — Ela mordeu os lábios novamente. — E eu duvido que Tuney vá pagar pelo material de Harry.

— Não se preocupe Lily — disse James, sorrindo maroto —, tenho certeza que deixei dinheiro suficiente para Harry.

A maioria da sala trocou outro olhar divertido eles sabiam que James era rico , menos Severus, que revirou os olhos com raiva. Potter apenas queria exibir que era rico.

— Hum... Hagrid?

— Hum? — respondeu Rubeus, calçando as enormes botas.

— Não tenho dinheiro nenhum, e você ouviu tio Válter à noite passada, ele não vai pagar para eu aprender magia.

James sorriu ainda mais.

— Não se preocupe com isso.

— Não se preocupe com isso — disse Hagrid, coçando a cabeça enquanto se levantava. — Você acha que seus pais não lhe deixaram nada?

— Mas se a casa foi destruída...

— Qual a ligação da casa com o dinheiro? — foi a vez de James não entender.

— Tuney deve guardar as economias em casa. — Lily deu os ombros.

— Eles não guardavam o ouro que tinham em casa, garoto! Não, nossa primeira parada vai ser emGringotes. O banco dos bruxos. Coma uma salsicha, elas não são ruins frias, e eu não deixaria de comer uma fatia do seu bolo de aniversário.

— Bruxos têm bancos?

— Só este.Gringotes.É administrado porduendes.

Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha na mão.

— Não desperdice comida — disse Sirius agoniado, fazendo todos revirarem os olhos.

Duendes?

— É, é por isso que só um louco tentaria roubar o banco, é o que lhe digo. Nunca se meta comduendes,

— Esse é um conselho muito bom — aprovou Lily.

Harry.Gringotesé o lugar mais seguro do mundo para qualquer coisa que você queira guardar bem, com exceção de Hogwarts, talvez. Aliás, preciso mesmo ir aGringotes. Para Dumbledore. Negócios de Hogwarts. — Hagrid se endireitou, orgulhoso. — Ele sempre me manda tratar de assuntos que acha importantes. Buscar você, pegar coisas emGringotes, sabe que pode confiar em mim, entende? Apanhou tudo? Vamos, então.

Harry seguiu Hagrid em direção ao rochedo. O céu estava bem claro agora e o mar cintilava ao sol. O barco que o Válter alugara continuava lá, com muita água no fundo depois da tempestade.

— Como foi que você chegou aqui? — perguntou Harry, procurando um segundo barco.

— Voando — respondeu Hagrid.

— Não imagino Hagrid numa vassoura — comentou James, chocado.

— Espero que ele tenha usado minha moto novamente — disse Sirius.

Voando?

— É... mas vamos voltar nisso aí. Não tenho permissão de usar mágica depois de apanhar você.

Eles se acomodaram no barco, Harry ainda de olhos arregalados para Hagrid, tentando imaginá-lo voando.

A maioria da sala estava tentando imaginar também.

— Mas parece um desperdício remar — disse Hagrid, lançando a Harry um dos seus olhares de esguelha. — Se eu quisesse... hum... apressar um pouco as coisas, você se importaria de não dizer nada em Hogwarts?

— Não induza meu filho a dizer mentiras! — gritou Lily, na direção do livro.

— Claro que não — falou Harry, ansioso para ver mais mágicas. Hagrid puxou outra vez o guarda-chuva cor-de-rosa, deu duas pancadinhas no lado do barco e eles dispararam em direção ao continente.

— Por que só um louco tentaria roubarGringotes?— perguntou Harry.

— Porque tem todo tipo de proteção — respondeu Frank —, e os duendes não são criaturas amigáveis.

— Feitiços... encantamentos — disse Hagrid desdobrando o seu jornal. — Dizem que há dragões guardando os cofres de segurança. E depois é preciso conhecer o caminho.Gringotesfica embaixo de Londres, centenas de quilômetros abaixo, entenda. Mais fundo que o metrô. Você morreria de fome tentando sair de lá, mesmo que conseguisse pôr as mãos em alguma coisa.

Harry ficou sentado pensando no que ouvira enquanto Hagrid lia o jornal,O Profeta Diário. Harry aprendera com o tio Válter que as pessoas gostavam de ser deixadas em paz quando faziam isso, mas era muito difícil, nunca tivera tantas perguntas para fazer na vida.

— Hagrid não vai se incomodar, ele adora falar — comentou Alice.

— O Ministério da Magia anda aprontando as trapalhadas de sempre — resmungou Hagrid, virando a página.

— Tem um ministro da Magia? — perguntou Harry antes que conseguisse se conter.

— Claro. Queriam nomear Dumbledore ministro, é claro, mas ele nunca ia largar Hogwarts, então o velho Cornelius Fudge ficou com o cargo.

— Achei que Crouch ia ser o próximo ministro — observou Frank, chocado. — E quem em pleno juízo nomearia Fudge ministro? Ele se preocupa mais com a imagem dele que com qualquer outra coisa.

Trapalhão como ele só. Por isso ele bombardeia Dumbledore com corujas, toda manhã, pedindo conselhos.

— Soa como algo que Fudge faria — concordou Remus.

— Mas o que é que o Ministério da Magia faz?

— Bom, a principal tarefa é esconder dos trouxas que ainda existem bruxas e bruxos andando pelo país.

— Não no nosso tempo — contradisse Sirius. — A principal tarefa do nosso ministério é deter Voldemort e seus seguidores.

— Harry vive numa época melhor que a nossa. — Remus deu os ombros.

Severus respirou fundo antes de continuar. As interrupções contínuas eram irritantes.

— Por quê?

Por quê? Ora, Harry, todo o mundo ia querer solucionar os problemas com mágicas. Não, é melhor que nos deixem em paz.

Nesse instante o barco bateu suavemente na parede do cais. Hagrid dobrou o jornal e eles subiram os degraus de pedra que levavam à rua.

As pessoas que passavam olhavam muito para Hagrid enquanto os dois atravessaram a cidadezinha até a estação. Harry não podia culpá-los. Não só Hagrid era duas vezes mais alto do que todo o mundo, como também não parava de apontar para coisas absolutamente comuns como parquímetros e comentar em voz alta:

— Hagrid realmente não entende o significado de discrição — comentou Alice, carinhosamente.

— Está vendo isso, Harry? As coisas que esses trouxas inventam, hein?

— Rubeus — isso Harry, meio ofegante de correr para acompanhar o passo dele. — Você disse que há dragões emGringotes?

— Com certeza há — disse Sirius. — Minha mãe gosta de se gabar que nosso cofre está protegido por um.

— Bem, é o que dizem — Calou Hagrid. — Maneiro, eu gostaria de ter um dragão.

— Hagrid! — exclamou Lily chocada. — Você mora numa cabana de madeira, isso é uma péssima idéia.

— Relaxa Lily — acalmou James —, ovos de dragão são realmente difíceis de obter. Não é como se ele fosse ganhar um ovo de um estranho num bar.

Lily relaxou um pouco.

— Você gostaria de ter um?

— Sempre quis ter um desde pequeno, é aqui que vamos.

Tinham chegado à estação. Havia um trem para Londres dali a cinco minutos. Hagrid, que não entendia o dinheiro dos trouxas, como o chamava, entregou as notas a Harry para comprar as passagens.

— Não é difícil de entender, qualquer pessoa com o mínimo de inteligência entende que o número nas notas é o valor — zombou Severus. Recebendo cinco pares de olhares raivosos em resposta, ele se apressou a continuar lendo.

No trem as pessoas ficaram olhando ainda mais. Hagrid ocupou dois lugares e se pós a tricotar uma coisa amarelo-canário que lembrava uma lona de circo.

Os Marotos riram ao imaginar Hagrid tricotando.

— Você guardou sua carta, Harry? — perguntou enquanto contava as malhas do tricô.

Harry tirou o envelope de pergaminho do bolso.

— Ótimo. Aí tem uma lista de tudo que você vai precisar.

Harry desdobrou um segundo pedaço de papel em que não reparara na noite anterior e leu:

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Uniforme

Os estudantes do primeiro ano precisam de:

1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)

2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário

3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)

4. Uma capa de inverno (preta com fechos prateados)

As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.

Livros

Os alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:

Livro padrão de feitiços (1ªsérie) de Miranda Goshawk

História da magia de Batilda Bagshot

Teoria da magia de Adalberto Waffing

Guia de transfiguração para iniciantes de Emerico Ewitch

Mil ervas e Fungos mágicos de Fílida Spore

Bebidas e poções mágicas de Arsênio Jigger

Animais fantásticos e seu hábitat de Newton Scamander

As Forças das trevas: Um guia de autoproteção de Quintino Trimble.

— O único livro que mudou foi o de Defesa contra a Arte das Trevas — comentou Frank.

— Me pergunto se eles tiveram tantos professores nesta matéria como nós — indagou Remus.

Outros Equipamentos

1 varinha mágica

1 caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)

1 conjunto de frascos

1 telescópio

1 balança de latão

Os alunos podem ainda trazer uma coruja OU um gato OU um sapo.

LEMBREMOS AOS PAIS QUE OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO NÃO PODEM USAR VASSOURAS PESSOAIS.

— Não acredito que ainda não mudaram essa regra — comentou James, desanimado. Ele tinha passado metade do primeiro ano perturbando a McGonagall para poder trazer a sua vassoura.

— Podemos comprar tudo isso em Londres? — perguntou-se Harry em voz alta.

— Se você souber aonde ir — respondeu Hagrid.

Harry nunca estivera em Londres antes. Hagrid, embora parecesse saber aonde ia, obviamente não estava acostumado a chegar lá pelos meios comuns. Ficou entalado na roleta do metrô e queixou-se em voz alta que os assentos eram demasiado pequenos e os trens demasiado lentos.

— Não são tão ruins — defendeu Lily.

— Não sei como os trouxas conseguem se arranjar sem mágica — disse, quando subiam uma escada rolante gasta que levava a uma rua movimentada com saídas dos dois lados.

Hagrid era tão grande que abria caminho pela multidão sem esforço, Harry só precisava segui-lo de perto. Passaram por livrarias e lojas de música, lanchonetes e cinemas, mas nenhuma loja parecia vender varinhas mágicas. Aquela era apenas uma rua comum cheia de gente comum. Seria realmente possível que houvesse montes de ouro dos bruxos enterrados quilômetros abaixo dali? Haveria realmente lojas que vendessem livros de feitiços e vassouras? Não seria talvez uma grande peça que os Dursley tinham pregado?

— Vamos Harry, os Dursley não têm senso de humor ou imaginação o suficiente para pregar uma peça — negou James.

Se Harry não soubesse que os Dursley não tinham senso de humor, poderia ter tirado uma dessas conclusões, mas, por alguma razão, embora tudo que Hagrid tivesse dito até ali fosse inacreditável, Harry não podia deixar de confiar nele.

— Harry parece ter bons instintos com as pessoas — aprovou Lily.

— É aqui — disse Hagrid parando. —O Caldeirão Furado.É um lugar famoso.

Era um barzinho sujo. Se Hagrid não o tivesse apontado, Harry nem teria reparado que existia. As pessoas que passavam apressadas nem olhavam para aquele lado. Os olhos delas corriam da grande livraria a um lado à loja de discos no outro como se nem conseguissem verO Caldeirão Furado. Na verdade Harry teve a sensação muito estranha de que somente ele e Hagrid eram capazes de vê-lo. Antes que pudesse comentar isto, Hagrid o empurrou para dentro.

— Isso porque tem encantos para repelir trouxas — disse Frank, sempre bem informado.

— Mas trouxas podem ver se forem acompanhados por um bruxo — complementou Lily. — Meus pais podiam vê-lo quando iam comigo.

Para um lugar famoso, o Caldeirão era muito escuro e miserável. Havia umas velhas sentadas a um canto, bebendo pequenos cálices de xerez. Uma delas fumava um longo cachimbo. Um homenzinho de cartola conversava com o velho garçom do bar, que era bem careca e parecia uma noz viscosa. O zunzum das conversas parou quando eles entraram. Todos pareciam conhecer Hagrid, acenaram e sorriram para ele, e o garçom apanhou um copo, perguntando:

— O de sempre, Hagrid?

— Não posso, Tom, estou a serviço de Hogwarts — disse Hagrid, dando uma palmada com a manzorra no ombro de Harry, o que fez joelhos do garoto dobrarem.

— Meu Deus — exclamou o garçom, fitando Harry. — É... será possível?

O Caldeirão Furado repentinamente parou e fez-se um silêncio total.

— Senhoras e senhores, Harry Potter faz sua primeira aparição — brincou Sirius. — Corram para pegar os melhores lugares e não se esqueçam de pegar um autógrafo na saída.

— Valha-me Deus — murmurou o velho garçom. — Harry Potter... que honra.

E saiu correndo de trás do balcão, precipitou-se para Harry e agarrou suas mãos, as lágrimas nos olhos.

— Isso é um pouco exagerado — disse Lily, não gostando de tanta atenção sobre seu filho.

— Seja bem-vindo, Sr. Potter, seja bem-vindo.

Harry não sabia o que dizer. Todos tinham os olhos nele. A velha com o cachimbo puxava o fumo sem se dar conta de que o cachimbo apagara. Hagrid sorria radiante.

Logo houve um grande arrastar de cadeiras e no momento seguinte Harry se viu apertando as mãos de todos n'O Caldeirão Furado.

— Eu estava apenas brincando — falou Sirius, surpreso com o tamanho da fama de Harry.

— Dóris Crockford, Sr. Potter, não acredito que finalmente posso conhecê-lo.

— Estou tão orgulhosa, Sr. Potter, tão orgulhosa.

— Sempre quis apertar sua mão. Estou nas nuvens.

— Encantado, Sr. Potter, nem sei lhe dizer o quanto, Diggle é o meu nome, Dédalo Diggle.

— Já o vi senhor antes! — disse Harry, e a cartola de Diggle caiu de tanta excitação. — O senhor se curvou para mim uma vez numa loja.

— Não dê corda a eles, Harry. — Remus revirou os ombros.

— Ele se lembra! — exclamou Dédalo Diggle, olhando todos à volta. — Vocês ouviram isso? Ele se lembra de mim!

Harry apertou muitas mãos. Dóris Crockford não parava de voltar para um novo aperto.

Os Marotos riram do comportamento de Dóris.

Um rapaz pálido adiantou-se, muito nervoso. Um olho trêmulo.

— Professor Quirrell! — disse Hagrid. — Harry, o Professor Quirrell vai ser um dos seus professores em Hogwarts.

— P-P-Potter. — gaguejou o Professor Quirrell, apertando a mão de Harry — n-n-nem sei o que d-d-dizer que p-p-prazer enorme é lhe c-c-conhecer.

— Se ele gaguejar assim durante as aulas será impossível de aprender algo — resmungou Frank, que por ser um corvinal gostava muito de aprender.

— Que tipo de mágica o senhor ensina, Prof. Quirrell?

— D-d-defesa c-c-contra as art-t-tes das t-t-trevas — murmurou o Prof. Quirrell, como se preferisse não pensar no assunto.

— Como ele pode ensinar se parece ter medo da própria matéria? — disse Remus, indignado.

— N-n-não que você p-p-precise, hein, Potter? — Ele riu nervoso. – V-v-você veio c-c-comprar o material, suponho? Tenho que c-c-comprar um livro n-n-novo sobre vampiros. — Parecia aterrorizado só de pensar.

— Este professor é uma piada — falou Sirius.

— Ele é um professor, Black! — retrucou Lily. — Mostre algum respeito.

— Nem todos os professores são dignos de respeito. — Sirius deu os ombros, recebendo um olhar fulminante de Lily.

Mas os outros não queriam deixar o Prof. Quirrell ficar com Harry só para ele. Levou bem uns dez minutos para o menino se livrar de todos. Finalmente, Hagrid conseguiu se fazer ouvir naquela balbúrdia.

— Precisamos nos apressar. Temos muitas compras a fazer. Vamos, Harry.

Dóris Crockford apertou a mão de Harry uma última vez e eles passaram pelo bar e saíram num pequeno pátio murado, onde não havia nada exceto uma lata de lixo e um pouco de mato.

Hagrid sorriu para Harry.

Eu lhe falei, não foi? Falei que você era famoso. Até o professor Quirrell ficou tremendo de emoção de o conhecer, mas, em geral, ele está sempre tremendo.

— Ele é sempre tão nervoso?

— Ah, é. Coitado. Uma cabeça brilhante. Foi bem enquanto estudou em livros, mas quando tirou um ano para aprender na prática... Dizem que encontrou vampiros na Floresta Negra e teve um problema feio com uma feiticeira, nunca mais foi o mesmo. Tem pavor dos alunos, tem pavor da matéria que ensina,

— Todas as qualidades para um professor maravilhoso — murmurou Severus sarcasticamente, antes de voltar a ler.

agora, cadê o meu guarda- chuva?

Vampiros? Feiticeiras? A cabeça de Harry estava girando. Entrementes, Hagrid contava tijolos na parede por cima da lata de lixo.

— Três para cima... dois para o lado — murmurou. — Certo, chegue para trás, Harry.

Ele bateu na parede três vezes com a ponta do guarda-chuva. E o tijolo que tocou estremeceu, torceu-se. No meio apareceu um buraquinho, que se foi alargando cada vez mais. Um segundo depois se viram diante de um arco bastante grande até para Hagrid, um arco que abria para uma rua de pedras irregulares, serpeava e desaparecia de vista.

— Bem-vindo — disse Hagrid — aoBeco Diagonal.

— Eu nunca vou esquecer o sentimento de entrar no Beco Diagonal pela primeira vez — disse Lily num tom sonhador. — Foi quando eu acreditei que magia realmente existia.

— Achei que Snape — Alice colocou todo desprezo possível na última palavra — tinha te explicado sobre magia antes de Hogwarts.

Severus deu um pequeno sorriso na direção de Lily, que ainda estava chateada com ele e não retribuiu.

— Ele explicou, mas foi a primeira fez que vi um lugar totalmente mágico. — Todos continuaram olhando para Lily, esperando uma explicação melhor. — É diferente para mim do que foi para vocês. Não cresci com magia, e magia acidental é uma coisa pequena. Ver o Beco Diagonal pela primeira vez me fez perceber todo um mundo novo do qual eu fazia parte. Foi maravilhoso.

Lily olhou para todos sorridente e percebeu que James parecia chateado com algo.

— O que foi? — ela perguntou, cutucando levemente no braço de James.

— Não é nada demais — disse James, tentando tirar a importância —, só que não estávamos lá com o nosso filho quando ele recebeu a carta de Hogwarts, não pudemos ir com ele comprar o material... — James franziu o cenho. — Eu sei que o livro é uma oportunidade de mudar isso, mas eu me sinto mal por ter perdido tanto.

Lily parecia admirada. Ela se sentia assim desde que o livro revelou que eles morriam, mas não pensou que James sentisse a mesma coisa. Mais uma vez ela sentiu uma conexão com ele, como se fosse a única pessoa naquela sala que realmente entendia o que ela mesma estava sentido. Entrelaçando os dedos com os dele, a ruiva respondeu baixinho.

— Eu acredito que de alguma forma estávamos lá. — Lily sorriu. — As pessoas que amamos nunca nos deixam realmente.

James retribuiu o sorriso, um pouco mais animado. Ainda se sentia triste pelo filho, mas as palavras de Lily lhe deram um certo ânimo.

Os outros não haviam escutado a conversa, só viram a troca de sorrisos e as mãos entrelaçadas.

— Eu acho que Lily finalmente começou a ver James além da superfície — murmurou Remus para Sirius, e ambos sorriram sabendo o quanto o amigo estava feliz neste momento apenas por manter uma conversação normal com Lily.

Alice também tinha um sorriso enorme no rosto. Era amiga tanto de James quanto de Lily, e estava feliz pelos dois. Não só porque James era apaixonado pela ruiva há anos, e sim porque, conhecendo os dois, sabia como completariam um ao outro assim como ela mesma fazia com Frank. James era o tipo de pessoa que poderia achar algo bom mesmo nas piores situações, era ousado e divertido, a contraparte perfeita de Lily, que era mais séria e organizada. James traria a diversão e ousadia na vida de Lily, assim como a própria Alice tinha feito com Frank. E Lily mostraria o prazer dos momentos calmos, e poderia colocar os pés de James no chão quando tudo fosse demais, exatamente como Frank tinha feito com ela muitas vezes. Era gratificante olhar para os dois e ver tudo que eles poderiam ser, e o melhor ainda é que Lily parecia estar começando a perceber isso também.

Frank não pode evitar sorrir ao olhar para Lily e James. Gostava dos Marotos, embora não aprovasse algumas das atitudes de Sirius e James. Mas ambos eram realmente inteligentes e os três juntos tiveram longas conversas sobre magia e suas possibilidades. Remus tinha a mesma apreciação pela leitura que Frank e os dois sempre estavam comentando os livros em comum, ou recomendando novas descobertas literárias. Peter era o Maroto com quem Frank menos conversara, não porque ele não gostasse do garoto Frank era o tipo de pessoa que se dava bem com todos , mas sim porque eles não tinham nada em comum. Lily, por outro lado, era alguém que Frank admirava. Conhecera a ruiva através do seu namoro com Alice, e, embora eles não fossem amigos, Frank sabia que Lily tinha um grande senso de justiça e estava sempre disposta a ajudar aos outros. Ela e James fariam um grande casal se conseguissem superar as diferenças iniciais.

Severus era o único infeliz na sala. Ele podia ver Lily cada vez mais próxima de Potter e não fazia ideia de como impedir isso. A ruiva o havia acusado de se importar mais com seu ódio por Potter que com a amizade deles, mas ela não entendia como as coisas estavam ligadas? Lily era ingênua o suficiente pra acreditar que poderia ser amiga dele e Potter ao mesmo tempo? Ele não queria pensar em algo além da amizade, pois só isso já era terrível no momento. Potter nunca o deixaria em paz, estava apenas fingindo para agradar Lily, tinha certeza disso. E todos os anos de humilhação? Severus deveria simplesmente esquecer? Como Lily poderia não entender isso? Snape estava cada vez mais frustrado e confuso sobre o que fazer, e decidiu voltar a ler para se distrair desses pensamentos.

Ele riu do espanto de Harry. Atravessaram o arco. Harry deu uma espiada rápida por cima do ombro e viu o arco encolher instantaneamente e virar uma parede sólida.

O sol refulgia numa pilha de caldeirões à porta da loja mais, próxima.Caldeirões— Todos os Tamanhos — Cobre, Latão, Estanho, Prata — Automexediço — Dobrável,dizia um letreiro acima.

É, você vai precisar de um — disse Hagrid —, mas temos de apanhar o seu dinheiro primeiro.

Harry desejou ter oito olhos. Virava a cabeça para todo o lado enquanto caminhavam pela rua,tentando ver tudo ao mesmo tempo: as lojas, as coisas às portas, as pessoas fazendo compras.

Lily concordou com a cabeça, conhecendo a sensação.

Uma mulher gorducha do lado de fora de uma farmácia abanou a cabeça quando passaram por ela e disse:

— Fígado de dragão, dezessetesiclestrinta gramas, eles endoidaram...

— Uau! Parece que a inflação realmente subiu — comentou Frank, chocado.

Um pio baixo e suave veio de uma loja escura com um letreiro onde se lia "Empório de Corujas" — douradas, das-torres, do campo, marrons e brancas.

Vários garotos mais ou menos da idade de Harry espremiam os narizes contra a vitrine que tinha vassouras.

James, Sirius e Alice se inclinaram em direção ao livro, sorrindo animadamente.

— Olhe — Harry, ouviu um deles dizer — a nova Nimbus 2000, mais veloz que nunca.

Os três trocaram um sorriso ao ouvir isso. James lamentou que os alunos do primeiro ano não pudessem ter sua própria vassoura, seria perfeito se Harry conseguisse uma Nimbus 2000.

Havia lojas que vendiam vestes, lojas que vendiam telescópios e estranhos instrumentos de prata que Harry nunca vira antes, janelas com pilhas de barris contendo baços de morcegos e olhos de enguias, pilhas mal equilibradas de livros de feitiços, penas de aves para escrever e rolos de pergaminhos, vidros de poções, globos de...

Gringotes— anunciou Hagrid.

Tinham chegado a um edifício muito branco que se erguia acima das lojinhas. Parado diante das portas de bronze polido, usando um uniforme vermelho e dourado, havia...

— É, é umduende— disse Hagrid baixinho, enquanto subiam os degraus de pedra branca até o duende. Ele era uma cabeça mais baixa do que Harry. Tinha uma cara escura e inteligente, uma barba em ponta e, Harry reparou, mãos e pés muito compridos. O duende os cumprimentou com uma reverência quando entraram.

Lily reprimiu um calafrio. Ela não gostava de duendes.

Em seguida depararam com um segundo par de portas, desta vez de prata, onde havia gravado o seguinte:

Entrem, estranhos, mas prestem atenção

Ao que espera o pecado da ambição,

Porque os que tiram o que não ganharam

Terão é que pagar muito caro,

Assim, se procuram sob o nosso chão

Um tesouro que nunca enterraram,

Ladrão, foste avisado, cuidado,

pois vai encontrar mais do que procurou.

— Sempre me perguntei se isso era uma maldição real — comentou Alice.

— Sim, é — respondeu Sirius, deixando todos menos os Marotos surpresos. — Tem exatamente 287 caracteres, que é um múltiplo de sete, que por sua vez é um número mágico poderoso.

— E 287 é um múltiplo de 41, cujos algarismos somados dão 5 — James complementou. — Sendo que também tem 50 palavras, que somando os algarismos também resulta em 5, e as repetições de valores são comuns em maldições.

Um silêncio imenso seguiu a essa explicação. Remus decidiu esclarecer:

— Sirius e James fazem Aritmância.

— Eu nunca entendi porque vocês fazem isso — comentou Alice. — Quero dizer, as pessoas comentam que é a matéria mais difícil de aprender e eu sei que vocês são inteligentes e tudo mais, só que pensei que não gostassem de passar o tempo estudando.

James e Sirius deram os ombros, mas Remus continuou explicando:

— Foi justamente por isso que eles se inscreveram nessa matéria. — Remus escondeu um sorriso. — Eles foram me buscar na biblioteca no nosso segundo ano e ouviram Amos Diggory comentar que era uma classe impossível de se obter os NIEM's. E esses dois aqui — apontou para Sirius e James — acharam que seria legal conseguir algo que quase ninguém fazia.

Severus revirou os olhos. Apenas Potter e Black poderiam escolher as disciplinas pensando em aparecer.

— Mas eu faço Aritmância também e não me lembro de terem comentando o poema do Gringotes em sala — disse Lily.

— Não comentaram — respondeu Remus, já que nem James nem Sirius pareciam querer explicar. — Estávamos no Beco Diagonal ano passado esperando Peter e esses dois ficaram entediados. Então eu sugeri que eles tentassem fazer isso.

Além de Lily, Frank também parecia impressionado agora. Conte com os Marotos para fazer algo complicado apenas para passar o tempo.

Severus bufou. Já que ele não estava por perto para ser enfeitiçado, eles decidiram fazer contas com o poema de entrada do banco. Realmente justo. Revirou os olhos e voltou a ler.

— Não te disse? Só um louco tentaria roubar o banco — lembrou Hagrid.

Dois duendes se curvaram quando eles passaram pelas portas de prata e desembocaram em um grande saguão de mármore. Havia mais de cem duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros-caixas, pesando moedas em balanças de latão, examinando pedras preciosas com óculos de joalheiro. Havia ao redor do saguão portas demais para contar, e outros tantos duendes acompanhavam as pessoas que entravam e saíam por elas. Hagrid e Harry se dirigiram ao balcão.

— Bom dia — disse Hagrid a um duende desocupado. Viemos sacar algum dinheiro do cofre do Sr. Harry Potter.

— O senhor tem a chave?

Sirius e James trocaram olhares. James pertencia a uma família antiga, não era necessária chave.

— Tenho em algum lugar — disse Hagrid e começou a esvaziar os bolsos em cima do balcão, espalhando um punhado de biscoitos de cachorro mofados em cima do livro-caixa do duende. O duende franziu o nariz. Harry observou o duende do lado direito pesar um monte de rubis do tamanho de carvões em brasa.

— Achei — exclamou Hagrid finalmente, mostrando uma chavinha de ouro.

O duende examinou-a cuidadosamente.

— Parece estar em ordem.

— E tenho aqui também uma carta do professor Dumbledore — falou Hagrid com ar importante, tirando-a do bolso do casaco. — É sobre você-sabe-o-quê que está no cofre setecentos e treze.

O duende leu a carta com atenção.

— Ele não devia ter feito isso na frente de Harry — comentou Alice. — Se ele for tão curioso como os pais, vai querer saber o que era.

Os pais em questão mostraram a língua como resposta.

— Muito bem — falou, devolvendo a carta a Hagrid. — Vou mandar alguém levá-lo aos dois cofres. Grampo!

Grampo era outro duende. Depois que Hagrid enfiou todos os biscoitos de cachorro de volta nos bolsos, ele e Harry acompanharam Grampo a uma das portas que havia no saguão.

— O que é o você-sabe-o-quê no cofre setecentos e treze? — perguntou Harry.

— Eu disse! — exclamou Alice, com um olhar satisfeito.

— Não posso lhe contar — respondeu Hagrid misterioso. — Muito secreto. Negócios de Hogwarts. Dumbledore me confiou. Meu emprego vale mais do que à vontade de lhe contar.

— E agora Harry só vai ficar mais curioso — disse Remus, negando com a cabeça. Hagrid deveria saber melhor que falar isso na frente do filho de James e Lily...

Grampo segurou a porta aberta para eles passarem. Harry, que esperara mais mármore, surpreendeu-se. Encontravam-se em uma passagem estreita de pedra, iluminada por archotes chamejantes. Era uma descida íngreme, em que havia pequenos trilhos. Grampo assobiou e um vagonete disparou pelos trilhos em sua direção. Eles embarcaram — Hagrid com alguma dificuldade — e partiram.

A princípio eles apenas viajaram em alta velocidade por um labirinto de passagens cheias de curvas. Harry tentou memorizar, esquerda, direita, direita, esquerda, em frente no entroncamento, direita, esquerda, mas era impossível.

Todos ficaram impressionados. Harry era mais perceptivo que a maioria das pessoas.

O vagonete barulhento parecia conhecer o caminho, porque Grampo não o estava dirigindo.

Os olhos de Harry ardiam no ar frio que passava rápido por eles, mas mantinha-os bem abertos. Uma vez, ele pensou ter visto uma labareda no fim da passagem e se virou para conferir se era um dragão, mas foi tarde demais —

— Não era um dragão — negou James para acalmar Lily, que parecia horrorizada com a idéia de seu filho perto de um dragão. — Apenas os cofres mais profundos são fortemente guardados.

eles mergulharam ainda mais fundo, passaram por um lago subterrâneo onde se acumulavam no teto e no chão enormes estalactites e estalagmites.

— Eu nunca sei — gritou Harry para Hagrid poder ouvi-lo — qual é a diferença entre uma estalagmite e uma estalacite.

— Estalactite cresce do teto em direção ao solo e estalagmite cresce do solo em direção ao teto — respondeu Remus, fazendo James e Sirius revirarem os olhos. O Maroto lupino tinha a irritante mania de não deixar passar nenhuma pergunta.

— Estalagmite tem um "m" — disse Hagrid. — E não me faça perguntas agora, acho que vou enjoar.

Ele realmente estava muito verde e quando o vagonete afinal parou ao lado de uma portinhola na passagem, Hagrid saltou e precisou se apoiar na parede para os joelhos pararem de tremer.

— Pobre Hagrid — simpatizou Alice. Ela também se sentia enjoada após viajar nos vagões.

Grampo destrancou a porta. Saiu uma grande nuvem de fumaça verde e enquanto ela se dissipava, Harry ficou sem respirar. Dentro havia montes de moedas de ouro. Colunas de prata. Pilhas de pequenosnuquesde bronze.

James estalou a língua, revoltado.

— Por que mudaram o cofre? E por que Harry não recebeu tudo?

— Como assim não recebeu tudo? — perguntou Lily chocada. — Tem uma fortuna aí.

Potter pareceu envergonhado e Sirius respondeu por ele.

— James pertence a uma família antiga. Os cofres antigos são localizados mais profundamente no subsolo. — Sirius apontou o dedo em direção ao chão. — E esse cofre só tem dinheiro, não tem jóias ou as relíquias familiares.

Severus ficou irritado. O moleque havia recebido com onze anos mais dinheiro que a família dele teve durante a vida inteira, e Potter ainda estava insatisfeito.

— Dumbledore ou alguém deve ter feitos arranjos para Harry só receber tudo quando fizesse dezessete anos — Frank ponderou. — Ele deve ter ficado preocupado com toda a riqueza na mão de uma criança de onze anos.

— O que eu me pergunto — disse Lily, após assimilar que James era realmente rico enquanto ela achava que ele só era bem de vida — é porque não trocaram um pouco por dinheiro dos trouxas e enviaram para Harry. — Lily estava pensando no absurdo do seu filho usar as vestes velhas do Duda quando era dono de uma pequena fortuna.

— Mesmo que tenham mandando, você acha que Tuney usaria o dinheiro com Harry? — perguntou Snape, erguendo uma sobrancelha e fazendo Lily olhar para ele pela primeira vez durante o capítulo.

— Suponho que você tenha razão — respondeu Lily, desanimada. Snape reforçou sua anotação mental para ter uma conversa com Tuney. Não que ele gostasse de Harry, mas isso tinha feito Lily triste e ninguém tinha este direito.

— É tudo seu — sorriu Hagrid.

Tudo de Harry — era inacreditável. Os Dursley com certeza não sabiam da existência daquilo ou teriam tirado tudo mais rápido do que uma piscadela. Quantas vezes tinham se queixado do quanto lhes custava criar Harry? E durante todo aquele tempo havia uma pequena fortuna que lhe pertencia, enterrada no subsolo de Londres.

James deu um aperto suave na mão de Lily, simpatizando com o seu desânimo. Ele também estava triste que Harry tenha tido que viver assim.

Hagrid ajudou Harry a guardar um pouco do dinheiro em uma saca.

— As moedas de ouro sãogaleões— explicou ele. — Dezessetesiclesde prata fazem um galeão e vinte e novenuquesfazem umsicle, é bem simples. Certo, isto deverá ser suficiente para uns dois períodos letivos, guardaremos o resto bem guardado para você. — Hagrid virou-se para Grampo. — O cofre setecentos e treze agora, por favor, e será que podemos ir mais devagar?

— Só tem uma velocidade — falou Grampo.

Viajaram mais para o fundo agora e ganharam velocidade. O ar foi se tornando cada vez mais frio enquanto disparavam pelas curvas fechadas.

Sacolejavam por uma ravina subterrânea e Harry debruçou-se para um lado para tentar ver o que havia no fundo, mas Hagrid gemeu e o puxou para trás pelo cangote.

Lily usou a mão livre para dar um tapa no braço de James.

— Essa imprudência foi certamente herdada de você.

O cofre setecentos e treze não tinha fechadura.

— Para trás — disse Grampo com ar de importância. Alisou a porta devagarinho com o seu dedo comprido e ela simplesmente se dissolveu. — Se alguém que não fosse um duende deGringotestentasse o mesmo, seria engolido pela porta e ficaria preso lá dentro — explicou Grampo.

— Com que freqüência você vem ver se tem alguém lá dentro? — perguntou Harry.

— Uma vez a cada dez anos — disse Grampo, com um sorriso maldoso.

— É por isso que eu não gosto de duendes — comentou Lily. — Eles são sádicos.

Devia haver alguma coisa realmente extraordinária nesse cofre de segurança máxima, Harry tinha certeza, e se curvou para frente pressuroso, esperando ver no mínimo jóias fabulosas — mas no primeiro momento achou que estava vazio. Depois notou um embrulhinho encardido no chão. Hagrid apanhou-o e o guardou muito bem no casaco. Harry tinha muita vontade de saber o que era, mas sentia que era melhor não perguntar.

— Ele tem mais bom senso que a mãe— implicou Alice. — Duvido que Lily resistiria ao desejo de perguntar, ela odeia não saber das coisas.

— James não perguntaria — concedeu Remus, e vendo o olhar incrédulo geral, continuou: — Ele faria um plano para dar uma espiada dentro do pacote sem Hagrid perceber.

Todos riram, menos Snape, que voltou a ler.

— Vamos, vamos voltar para esse vagonete infernal, e não fale no caminho de volta, é melhor eu ficar de boca fechada — recomendou Hagrid.

Depois de mais uma viagem no vagonete descontrolado, eles chegaram à claridade do sol do lado de fora deGringotes. Harry não sabia aonde correr primeiro agora que tinha uma saca cheia de dinheiro. Não precisava saber quantos galeões perfaziam uma libra para saber que estava carregando mais dinheiro do que jamais tivera na vida inteira — mais dinheiro até do que Duda jamais tivera.

A maior parte da sala se animou. Era bom ver Harry sendo feliz, para variar.

— Vamos comprar logo o seu uniforme — falou Hagrid, indicando com a cabeça a lojaMadame MalkinRoupas para Todas as Ocasiões.

— Boa Hagrid, fazendo as comprar mais chatas primeiro — aprovou Sirius.

— Escute aqui, Harry, você se importa se eu der uma corrida n'O Caldeirão Furado para tomar um tônico? Detesto esses vagonetes deGringotes.— Ele realmente parecia meio enjoado, por isso Harry entrou na loja Madame Malkin sozinho, um pouco nervoso.

James suspirou. Era triste ver seu filho fazer as compras sozinho. Lily, que estava pensando a mesma coisa, aproximou-se mais de James no sofá suas pernas encostando-se às dele e apertou ainda mais sua mão. Ainda era estranho ter esse tipo de vínculo com James, mas era bom saber que ele se importava tanto com seu filho quanto ela.

Snape sentiu o movimento no sofá e franziu o cenho; não sabia como parar esta aproximação repentina entre ela e Potter.

Madame Malkin era uma bruxa baixa, gorda e sorridente, toda vestida de lilás.

— Hogwarts, querido? — perguntou quando Harry começou a falar. — Tenho tudo aqui. Para falar a verdade, tem outro rapazinho agora ajustando uma roupa.

— Isso é bom, talvez Harry faça um amigo — sorriu Lily.

Nos fundos da loja, um garoto de rosto pálido e pontudo estava em pé em cima de um banquinho enquanto uma segunda bruxa encurtava suas compridas vestes pretas. Madame Malkin colocou Harry num banquinho ao lado do outro, enfiou-lhe uma veste comprida pela cabeça e começou a marcar a bainha na altura certa.

— Alô — cumprimentou o garoto. — Hogwarts também?

— É — confirmou Harry.

— Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas

— Não entendo porque a mão dele estaria olhando as varinhas, se é a varinha que escolhe o bruxo — comentou Frank.

— disse o garoto. Tinha uma voz de tédio, arrastada. — Depois vou levar os dois para dar uma olhada nas vassouras de corridas. Não vejo por que os alunos de primeira série não podem ter vassouras individuais. Acho que vou obrigar papai a me comprar uma e vou contrabandeá-la para a escola às escondidas.

— Mudei de idéia, quero que Harry fique bem longe desse menino. — Lily voltou atrás.

O garoto lhe lembrou muito o Duda.

— Harry tem um bom jeito para julgar pessoas — aprovou James.

Você tem vassoura? — perguntou o garoto.

— Não.

— Sabe jogar Quadribol?

— Não — respondeu novamente Harry, perguntando-se que diabo seria esse tal de Quadribol.

Eu sei, meu pai falou que vai ser um crime se não me escolherem para jogar pela minha casa, e sou obrigado a dizer que concordo. Já sabe em que casa você vai ficar?

— Ninguém sabe antes da seleção — Severus revirou os olhos, não gostando do garoto que parecia muito mimado.

— Não — respondeu Harry, sentindo-se a cada minuto mais idiota.

— Bom, ninguém sabe mesmo até chegar lá, não é, mas sei que vou ficar na Sonserina,

— Tinha quer ser um sonserino — cuspiu Sirius.

— Não sabemos onde ele vai ficar até ser selecionado — interveio Frank, para evitar uma briga.

toda a nossa família ficou lá, imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saía da escola, você não?

— Lufa-Lufa é muito melhor que Sonserina — defendeu Alice, indignada. James fez gestos de concordância.

Frank se perguntou como eles sobreviveram a sete livros sem brigar e Snape, sabendo que era minoria, resolveu ler ao invés de discutir, como todo bom sonserino.

— Hum-hum — concordou Harry, desejando que pudesse responder algo um pouquinho mais interessante.

— Caramba, olha aquele homem! — falou o garoto de repente indicando com a cabeça a vitrine. Rubeus estava parado diante dela, rindo para Harry e apontando para dois grandes sorvetes para explicar que não podia entrar.

— É o Rubeus — disse Harry, contente por saber alguma coisa que o garoto não sabia. — Ele trabalha em Hogwarts.

— Ah, ouvi falar dele. É uma espécie de empregado, não é?

— Seja quem for esse moleque, eu realmente não gosto dele — disse Alice, incomodada.

— É o guarda-caça — explicou Harry. A cada segundo gostava menos do garoto.

Sentimento que era compartilhado por todos na sala.

— É, isso mesmo. Ouvi falar que é uma espécie de selvagem. Mora num barraco no terreno da escola e de vez em quando toma um pileque, tenta fazer mágicas e acaba tocando fogo na cama.

— Argh! Esse menino precisa de uma lição. — Alice cruzou os braços. Ela gostava muito de Hagrid e não permitia que ninguém falasse mal do guarda caças.

— Acho que ele é brilhante — retorquiu Harry com frieza.

A maioria da sala acenou com a cabeça em concordância.

— Acha, é? — disse o garoto com um leve desdém. — Por que é que ele está acompanhando você? Onde estão os seus pais?

— Estão mortos — respondeu Harry secamente. Não tinha muita vontade de alongar o assunto com esse garoto.

— Ah, lamento — disse o outro, sem parecer lamentar nada.

Até mesmo Snape estava olhando feio para o livro. Como esse garoto ousava falar assim da morte de Lily?

— Mas eram do nosso povo, não eram?

— Um amante de puro-sangue, tudo que eu gostaria de ler sobre — comentou Sirius, com desdém.

— Eram bruxos, se é isso que você está perguntando.

— Eu realmente acho que não deviam deixar outro tipo de gente entrar, e você? Não são iguais a nós, nunca foram educados para conhecer o nosso modo de viver. Alguns nunca sequer ouviram falar de Hogwarts até receberem a carta, imagine. Acho que deviam manter a coisa entre as famílias de bruxos. Por falar nisso, como é o seu sobrenome?

— Diga a ele Harry, isso vai calar esse nojento — falou James com raiva.

Mas antes que Harry pudesse responder, Madame Malkin anunciou:

— Terminei com você, querido. — E, Harry, nada frustrado com a desculpa para interromper a conversa com o garoto, pulou do banquinho para o chão.

— Bom, vejo você em Hogwarts, suponho — disse o garoto de voz arrastada.

Todos na sala esperavam que não. Ninguém queria ouvir mais nada sobre esse garoto.

Harry ficou muito quieto enquanto comia o sorvete que Hagrid trouxera (chocolate e amora com nozes picadas).

Remus arregalou os olhos à menção de chocolate.

— Que foi? — perguntou Hagrid.

— Nada — mentiu Harry.

Eles pararam para comprar pergaminho e penas. Harry se animou um pouco quando descobriu um vidro de tinta que mudava de cor enquanto a pessoa escrevia. Quando saíram da loja, perguntou:

— Rubeus, o que é Quadribol?

— Essa é uma pergunta importante — aprovou James, animado por seu filho estar a ponto de aprender sobre seu esporte preferido.

Snape fez uma careta. Tal pai tal filho.

— Caramba, Harry, vivo me esquecendo que você não sabe quase nada. Raios, não saber o que é Quadribol!

— Esse tipo de comentário não ajuda, Hagrid — reprovou Alice.

— Não faça eu me sentir pior. — E contou a Hagrid sobre o garoto pálido na loja de Madame Malkin.

—... e ele disse que nem deviam permitir a gente que pertence à família de trouxas...

— Você não pertence a uma família de trouxas. Se ele soubesse quem você é... ele cresceu sabendo o seu nome se os pais dele forem bruxos. Você viu o pessoal n'O Caldeirão Furado. Em todo o caso, o que é que ele sabe das coisas, alguns dos melhores bruxos que já conheci vinham de uma longa linhagem de trouxas. Veja a sua mãe! Veja só quem é irmã dela!

— Muito bem dito, Lily é realmente espetacular — elogiou James fazendo a ruiva corar levemente e Severus fazer outra careta.

— Então, o que é Quadribol.

— É o nosso esporte. Esporte de bruxos. É como o futebol no mundo dos trouxas. Todos praticam Quadribol. A gente joga no ar montado em vassouras com quatro bolas. É meio difícil explicar as regras.

— Não, não é — negou James. Mas antes que ele pudesse explicar as regras, Snape retornou a leitura, aumentando a voz.

— E o que são Sonserina e Lufa-Lufa?

— Casas na escola. São quatro. Todo mundo diz que Lufa-Lufa só tem panacas, mas...

— HAGRID! — gritou Alice, realmente chateada.

— Hagrid não disse que essa era a opinião dele, disse que era o que todos falavam. — Frank tentou apaziguar a namorada.

— Aposto que estou na Lufa-Lufa — disse Harry deprimido.

— Melhor Lufa-Lufa que Sonserina — disse James.

— É melhor a Lufa-Lufa do que a Sonserina — sentenciou Hagrid, misterioso.

James sorriu.

— Não tem um único bruxo nem uma única bruxa desencaminhados que não tenham passado por Sonserina.

— Isso não é verdade — disse Alice sendo justa —, existiram bruxos das trevas em todas as casas.

— Mas você não pode negar que a grande maioria veio da Sonserina — rebateu Sirius.

Alice deu os ombros, não podendo argumentar com isso.

Você-Sabe-Quem foi um deles.

— Vol... desculpe... Você-Sabe-Quem esteve em Hogwarts?

— Há muitos e muitos anos.

Todos estremeceram com o pensamento.

Eles compraram os livros escolares de Harry em uma loja chamadaFloreios e Borrões, onde as prateleiras estavam abarrotadas até o teto com livros do tamanho de paralelepípedos encadernados em couro, livros do tamanho de selos postais com capas de seda; livros cobertos de símbolos curiosos e alguns livros sem nada. Até Duda, que nunca lia nada, teria ficado doído para pôr as mãos em alguns desses livros. Hagrid quase teve de arrastar Harry para longe doPragas e Contrapragas(Encante os seus amigos e confunda os seus inimigos com as últimas vinganças: perda de cabelos, pernas bambas, língua presa e muitas, muitas mais) do Professor Vindicto Viridiano.

— Eu estava tentando descobrir como rogar uma praga para o Duda.

Lily franziu o cenho, olhando para James.

— Ele consegue isso de você. — Lily não parecia estar com raiva e sim constatando um fato. James se sentia cada vez mais feliz, tudo parecia estar indo maravilhosamente bem.

Snape, por outro lado, estava cada vez mais chateado.

— Não vou dizer que não é uma boa idéia, mas você não pode usar mágica no mundo dos trouxas a não ser em situações muito especiais — disse Hagrid. — De qualquer modo, você ainda não poderia lançar nenhuma dessas pragas, vai precisar de muito estudo antes de chegar a esse nível.

— Não tenho certeza se isso é verdade — comentou Alice. — James lançou sua primeira azaração no trem.

Lily estreitou os olhos para James e Snape se animou vendo Potter em uma situação ruim.

— Foi por uma boa causa — Sirius interveio e Snape desanimou, outra história do "magnífico" Potter. — Nós ouvimos um barulho no corredor e saímos para checar. Encontramos um menino do quinto ano jogando um sapo pro alto enquanto uma menina chorosa tentava ter o sapo de volta — Sirius acenou para Alice com a cabeça —, então James ordenou o garoto que devolvesse o sapo. — Almofadinhas deu um sorriso, lembrando-se da cena. — Agora imagine a reação a reação de um quintanista sendo ameaçado por um garoto baixo e magricela do primeiro ano. — Lily sorriu lembrando como James era no primeiro ano. — Ele simplesmente riu, jogando o sapo novamente. Aí Pontas aqui — Sirius apontou para James —, lançou um Locomotor Mortis, prendendo as pernas do garoto e pegando o sapo antes de cair no chão.

— Foi assim que vocês ficaram amigos? — perguntou Frank, que não conhecia essa história.

Ambos acenaram com a cabeça em concordância e sorriram.

— E é claro, James ficou famoso por ter enfeitiçado alguém do quinto ano e quebrado o recorde de detenção conseguida mais rapidamente — Remus riu.

— Mas eu convenci Minnie a não tirar pontos da Grifinória, visto que tecnicamente eu não pertencia a nenhuma casa quando enfeiticei o garoto.

Lily sorriu divertida ao imaginar um James de onze anos tendo esse argumento com a Profª. McGonagall. Snape voltou a ler, antes que começassem outra história sobre Potter.

Hagrid não deixou Harry comprar um caldeirão de ouro maciço tampouco ("Diz estanho na sua lista"), mas compraram uma balança bonita para pesar os ingredientes das poções e um telescópio desmontável de latão. Visitaram a farmácia, que era bem fascinante para compensar seu cheiro horrível, uma mistura de ovo estragado e repolho podre.

As meninas franziram o nariz, lembrando o cheiro. Mesmo Lily, que amava Poções, admitia que era desagradável.

Havia no chão barricas de coisas viscosas, frascos com ervas, raízes secas e pós coloridos cobriam as paredes, feixes de penas, fieiras de dentes e garras retorcidas pendiam do teto. Enquanto Hagrid pedia ao homem atrás do balcão um conjunto de ingredientes básicos para preparar poções para Harry, o próprio Harry examinava chifres de prata de unicórnios, a vinte e um galeões cada, e minúsculos olhos faiscantes de besouros (cinco nuquesuma concha).

Frank assobiou quando ouviu novamente o quanto os preços haviam subido.

Ao saírem da farmácia, Hagrid verificou a lista de Harry mais uma vez.

— Só falta a varinha.

Até mesmo Snape se animou com isso. Varinha era algo interessante de se ouvir.

Ah é, e ainda não comprei o seu presente de aniversário.

Harry sentiu o rosto corar.

— Isso é tão bom da parte de Hagrid — agradeceu Lily.

— Você não precisa...

— Eu sei que não preciso. Vamos fazer o seguinte, vou comprar um bicho para você. Não vai ser sapo, os sapos saíram de moda há muitos anos, todo mundo ia rir de você,

Alice cruzou os braços. Na opinião dela os sapos nunca saíam de moda.

e não gosto de gatos,

Sirius concordou com a cabeça.

eles me fazem espirrar. Vou-lhe comprar uma coruja. Todos os garotos querem corujas, são muito úteis, levam cartas e tudo o mais.

Vinte minutos depois, eles saíram doEmpório de Corujas, que era escuro e cheio de ruídos e brilhos e olhos que cintilavam como jóias. Harry agora carregava uma grande gaiola com uma bela coruja branca como a neve, que dormia profundamente, a cabeça debaixo da asa.

— Foi um presente muito bom da parte de Hagrid — aprovou Remus. — Corujas sempre são úteis.

Ele não parava de agradecer, parecia até o Prof. Quirrell.

— Não exagere, filhote — comentou Sirius.

— Não chame meu filho de filhote, faz ele parecer um cachorro — brigou Lily.

Sirius fez bico, não sabendo como responder sem entregar que era um animago ilegal, fazendo James e Remus caírem na gargalhada.

Snape revirou os olhos novamente. Estava fazendo muito isso desde que entrou na sala; esses meninos eram loucos.

— Não tem do quê — respondia Hagrid rouco. — Acho que você nunca ganhou muitos presentes dos Dursley. Agora só falta Olivaras, a única loja de varinhas,Olivaras, e você precisa ter a melhor varinha do mundo.

Uma varinha mágica... era realmente o que Harry andara desejando.

Todos concordaram com a cabeça, sabendo o quão ansiosos ficaram pelas suas próprias varinhas.

A última loja era estreita e feiosa. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziamOlivaras: Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C.Havia uma única varinha sobre uma almofada púrpura desbotada, na vitrine empoeirada.

Um sininho tocou em algum lugar no fundo da loja quando eles entraram. Era uma lojinha mínima, vazia, exceto por uma única cadeira alta e estreita em que Hagrid se sentou para esperar. Harry teve uma sensação esquisita como se tivesse entrado em uma biblioteca muito exclusiva; engoliu um monte de perguntas novas que tinham acabado de lhe ocorrer e ficou espiando os milhares de caixas estreitas arrumadas com cuidado até o teto. Por alguma razão, sentiu um arrepio na nuca.

— Ele pode sentir a magia do local aos onze anos — comentou Frank, impressionado. E até mesmo Snape teve que concordar com isso.

A própria poeira e o silêncio ali pareciam retinir com uma magia secreta.

— Boa tarde — disse uma voz suave. Harry se assustou. Hagrid devia ter-se assustado também, porque se ouviu um rangido alto e ele se levantou rapidamente da cadeira alta e estreita.

Havia um velho parado diante deles, os olhos grandes e muito claros brilhando como duas luas na penumbra da loja.

— Alô — disse Harry sem jeito.

Ah, sim — disse o homem. — Sim, sim. Achei que ia vê-lo em breve. Harry Potter.Não era uma pergunta. — Você tem os olhos de sua mãe.

James sorriu para isso.

Parece que foi ontem que ela esteve aqui, comprando a primeira varinha. Vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro. Uma boa varinha para encantamentos.

— É minha melhor matéria — concordou Lily.

— Achei que era Poções, Prof. Slughorn está sempre te elogiando — comentou Frank.

— Eu sou boa em Poções, mas prefiro Feitiços. — Lily deu os ombros.

O Sr. Olivaras chegou mais perto de Harry. Harry desejou que ele piscasse. Aqueles olhos prateados lhe davam um pouco de medo.

— Já o seu pai, deu preferência a uma varinha de mogno. Vinte e oito centímetros. Flexível. Um pouco mais de poder e excelente para transformações.

— Todos nós sabemos que você é bom em Transfiguração — disse Remus, antes mesmo de James abrir a boca —, não precisa comentar.

— Não era isso que eu ia comentar. — James fez beicinho em resposta.

Bom, digo que seu pai deu preferência, na realidade é a varinha que escolhe o bruxo, é claro.

O Sr. Olivaras chegara tão perto que ele e Harry estavam quase encostando os narizes. Harry viu-se refletido naqueles olhos.

— E foi aí que...

O Sr. Olivaras tocou a cicatriz feita pelo relâmpago na testa de Harry com um dedo branco e longo.

— Lamento dizer que vendi a varinha que fez isso — disse ele suavemente. — Trinta e cinco centímetros. Nossa. Uma varinha poderosa, muito poderosa nas mãos erradas... Bom, se eu tivesse sabido o que a varinha ia sair por aí fazendo...

Ele sacudiu a cabeça e então, para alívio de Harry, viu Hagrid.

— Hagrid! Hagrid, Hagrid! Que bom ver você de novo... Carvalho, quarenta centímetros, meio mole, não era?

— Era, sim senhor.

— Boa varinha, aquela. Mas suponho que a tenham partido ao meio quando o expulsaram? — disse o Sr. Olivaras, repentinamente sério.

— Hum... partiram, é verdade — disse Hagrid, arrastando os pés. — Mas ainda guardo os pedaços — acrescentou animado.

— Mas você não os usa? — perguntou o Sr. Olivaras severo.

— Não, imaginaaaa — disse Sirius, exagerando na voz, fazendo todos que eram amigos de Hagrid sorrirem.

— Ah, não senhor — respondeu depressa Hagrid. Harry reparou que ele apertou o guarda-chuva cor-de-rosa com força ao responder.

— Hum — resmungou o Sr. Olivaras, lançando um olhar penetrante a Hagrid. — Bom, agora, Sr. Potter vamos ver. — E tirou uma longa fita métrica com números prateados do bolso. — Qual é o braço da varinha?

— Hum, bom, sou destro — respondeu Harry.

— Estique o braço. Isso. — Ele mediu Harry do ombro ao dedo, depois do pulso ao cotovelo, do ombro ao chão, do joelho à axila e ao redor da cabeça. Enquanto media, disse: — Toda varinha Olivaras tem o miolo feito de uma poderosa substância mágica, Sr. Potter. Usamos pêlos de unicórnio, penas de cauda de fênix e cordas de coração de dragão. Não há duas varinhas Olivaras como não há unicórnios, dragões nem fênix iguais. E é claro, o senhor jamais conseguirá resultados tão bons com a varinha de outro bruxo.

Frank e Remus acenaram concordando, ambos tinham lido alguns livros sobre varinhas e suas propriedades.

Harry de repente percebeu que a fita métrica, que o media entre as narinas, estava medindo sozinha.

— Ele não tinha percebido antes? — perguntou Sirius, e Lily lhe deu um olhar mortal. Ela não gostava de Black implicando com seu filho

O Sr. Olivaras andava rapidamente em volta das prateleiras, descendo caixas.

— Já chega — falou, e a fita métrica afrouxou e caiu formando um montinho no chão. — Certo, então, Sr. Potter. Experimente esta. Faia e corda de coração de dragão. Vinte e três centímetros. Boa e flexível. Apanhe e experimente.

Harry apanhou a varinha e (sentindo-se bobo) fez alguns movimentos com ela, mas o Sr. Olivaras a tirou de sua mão quase imediatamente.

— Bordo e pena de fênix. Dezoito centímetros. Bem elástica. Experimente.

Harry experimentou — mas mal erguera a varinha quando, mais uma vez, o Sr. Olivaras a tirou de sua mão.

— É realmente irritante quando ele faz isso — comentou Alice.

— Não, não. Tome, ébano e pêlo de unicórnio, vinte e dois centímetros, flexível. Vamos, vamos, experimente.

Harry experimentou. E experimentou. Não fazia idéia do que é que o Sr. Olivaras estava esperando. A pilha de varinhas experimentadas estava cada vez maior em cima da cadeira alta e estreita, mas quanto mais varinhas o Sr. Olivaras tirava das prateleiras, mais feliz parecia ficar.

— Isso é verdade — comentou James. — Quando eu experimentei a décima quinta varinha, parecia que ele ia explodir de felicidade.

A mesma coisa havia acontecido com Snape, mas ele não ia compartilhar qualquer informação pessoal com os Marotos.

— Freguês difícil, hein? Não se preocupe, vamos encontrar a varinha perfeita para o senhor em algum lugar, estou em duvida, agora... é, por que não? Uma combinação incomum, azevinho e pena de fênix, vinte e oito centímetros, boa e maleável.

Harry apanhou a varinha. Sentiu um repentino calor nos dedos. Ergueu a varinha acima da cabeça, baixou-a cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta como um fogo de artifício, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes.

Os Marotos bateram palmas.

— Minha varinha colocou todas as caixas de volta nas prateleiras — comentou Remus, fazendo Sirius e James revirarem os olhos. Lupin era irritante de tão organizado.

— A minha disparou uma rajada azul que ricochetou nas paredes e saiu pela porta — disse Frank.

— E eu levantei a varinha e as caixas que estavam no chão começaram a dançar — falou Alice.

— A minha fez chover pétalas de diversas flores pela sala. — Foi a vez de Lily participar. Todos olharam meios impressionados, esse era um grande feitiço para começar com a varinha.

— Da minha varinha saiu uma grande nuvem negra de fumaça que levou dez minutos para sumir. Olivaras não ficou muito feliz — concluiu Sirius, arrancando algumas risadas.

— Bem — começou James parecendo um pouco envergonhado —, não foi realmente de propósito, sabe — Sirius e Remus, que já tinham ouvido a Sra. Potter contar esta história, estavam gargalhando —, mas eu fiquei tão feliz quando senti a ligação com a varinha que apontei para o Olivaras e o transformei num polvo.

Agora todos estavam gargalhando e até Snape tinha dificuldades para fingir que não era engraçado.

— Ainda sim, transfiguração humana como primeira magia da varinha é impressionante — parabenizou Frank.

E todos olharam pra Snape, esperando. Ele ia recomeçar a ler, mas o olhar de Lily mostrava que ela queria saber, então ele contou mais para benefício dela que dos outros.

— Eu apontei para uma estante e ela foi levantada do chão. — Snape disse de forma rápida, como se assim fosse mais fácil de compartilhar. E viu o brilho de entendimento nos olhos de Lily. Fora dali que surgira a idéia do Levicorpus. Sentindo-se um pouquinho mais feliz, Snape voltou a ler.

Hagrid gritou entusiasmado e bateu palmas e o Sr. Olivaras exclamou:

— Bravo! Mesmo, ah, muito bom. Ora, ora, ora... que curioso... curiosíssimo...

Repôs a varinha de Harry na caixa e embrulhou-a em papel pardo, ainda resmungando:

— Curioso... curioso...

Frank e Remus se entreolharam, querendo saber o que era curioso sobre a varinha.

— O senhor me desculpe — disse Harry —, mas o que é curioso?

O Sr. Olivaras encarou Harry com aqueles olhos claros.

— Lembro-me de cada varinha que vendi, Sr. Potter. De cada uma. Acontece que a fênix cuja pena está na sua varinha produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que o senhor tenha sido destinado para esta varinha porque a irmã dela, ora, a irmã dela produziu a sua cicatriz.

Todos pareciam chocados com a informação, principalmente James que não gostava da ideia de seu filho ter qualquer ligação com Voldemort.

Harry engoliu em seco.

— E, tinha trinta e cinco centímetros. Puxa. É realmente curioso como essas coisas acontecem. A varinha escolhe o bruxo, lembre-se... Acho que podemos esperar grandes feitos do senhor, Sr. Potter... Afinal, Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear realizou grandes feitos, terríveis, sim, mas grandes.

Os Marotos, Lily, Alice e Frank fizeram uma careta para isso. Nada do que Voldemort tinha feito era algo que eles chamariam de "grande".

Harry estremeceu. Não tinha muita certeza se gostava do Sr. Olivaras. Pagou sete galeões pela varinha e o Sr. Olivaras curvou-se à saída deles.

O sol de fim de tarde quase chegara ao horizonte quando Harry e Hagrid refizeram o caminho para sair do Beco Diagonal, atravessar a parede e passar novamente pelo Caldeirão Furado, agora vazio. Harry não disse uma palavra enquanto caminhavam pela rua; nem ao menos reparou quantas pessoas se boquiabriam para eles no metrô, carregados que estavam com todos aqueles pacotes de formatos esquisitos, a coruja branca adormecida no colo de Harry. Subiram a escada rolante para a estação de Paddington; Harry só percebeu onde estavam quando Hagrid bateu em seu ombro.

— Temos tempo para comer alguma coisa antes do trem sair — falou.

Comprou um hambúrguer para Harry e se sentaram em bancos de plástico para comê-los. Harry não parava de olhar a toda volta. Por alguma razão tudo parecia tão estranho.

— É porque você visitou o mundo mágico pela primeira vez — explicou Lily —, tudo parece normal demais depois disso.

— Você está bem, Harry? Está muito calado — comentou Hagrid.

Harry não tinha muita certeza de poder explicar. Tivera o melhor aniversário de sua vida, porém... e mastigava o hambúrguer, tentando encontrar as palavras.

— Todo o mundo acha que sou especial

— Você é especial, querido — disse Lily em tom maternal, e Sirius revirou os olhos.

— disse finalmente. — Todas aquelas pessoas no Caldeirão Furado, o Prof. Quirrell, o Sr. Olivaras... mas eu não conheço nadinha de mágica. Como podem esperar grandes feitos de mim? Sou famoso e nem ao menos me lembro o porquê. Não sei o que aconteceu quando Vol... desculpe... quero dizer, na noite que meus pais morreram.

— Ele está se sentindo pressionado — explicou Remus.

— Não se preocupe filho, você vai se sair bem — foi a vez de James acalmar o livro.

Hagrid se debruçou sobre a mesa. Por trás da barba e das sobrancelhas desgrenhadas tinha um sorriso bondoso.

— Não se preocupe, Harry. Você vai aprender bem depressa. Todos começaram pelo começo em Hogwarts, você vai se dar bem. Seja você mesmo. Sei que é difícil. Você vai ser discriminado e isso é muito duro. Mas vai se divertir a valer em Hogwarts. Eu me diverti; e ainda me divirto, para dizer a verdade.

Os Marotos acenaram concordando, eles realmente se divertiam em Hogwarts.

Hagrid ajudou Harry a embarcar no trem que o levaria de volta aos Dursley, então lhe entregou um envelope.

— A sua passagem para Hogwarts. Primeiro de setembro, na estação de King's Cross, está tudo na passagem. Qualquer problema com os Dursley, me mande uma carta pela coruja, ela saberá onde me encontrar... Vejo você em breve, Harry.

O trem parou na estação. Harry queria ficar espiando Hagrid até ele desaparecer de vista; levantou-se, espremeu o nariz contra o vidro da janela, mas quando piscou os olhos Hagrid tinha desaparecido.

— É a minha vez de ler — disse Frank, quando Snape fechou o livro.

— Eu acho que deveríamos dormir agora — começou Remus, e quando todos olharam discordando ele explicou: — Eu sei que ainda é cedo, mas tivemos um dia cheio e os próximos capítulos serão sobre Hogwarts, então é a melhor hora para uma pausa.

Todos concordaram, embora Sirius e James o fizessem de má vontade. Houve um momento estranho quando todos se dirigiram para compartilhar o mesmo quarto. Alice, os Marotos e Snape estavam realmente incomodados em ser companheiros de quarto.

O quarto era em formato octogonal tendo uma cama em cada parede, formando uma espécie de círculo, e na última parede estava a porta. Aos pés de cada cama havia um pequeno baú. Frank, que tinha sido o primeiro a entrar no quarto, viu algumas vestes e alguns pijamas ao abrir o primeiro baú. Dumbledore tinha colocado tudo ali, sabendo que eles ficariam algum tempo na sala. Também tinha um kit fechado com escova de dente, sabonete e outros artigos de higiene pessoal. Alice, que tinha aberto o baú da próxima cama, puxou uma toalha amarela e preta. Frank percebeu que o baú tinha suas iniciais gravadas. Ele comentou isso para o grupo e cada um foi procurar sua cama.

A partir da porta a ordem das camas foi: Frank, Alice, Remus, Sirius, James, Lily, Severus e a porta novamente. Todos se sentiam estranhos com os companheiros de quarto, mas ninguém se sentia mais deslocado que Severus.

Foi decidido que as meninas tomariam banho primeiro e os outros garotos se sentaram na cama de Remus conversando sobre tudo que tinham aprendido com o livro. Severus sentou-se sozinho na própria cama, perguntando-se como conseguiria dormir perto dos Marotos. A chance de ser enfeitiçado enquanto dormia era muito alta para arriscar. Um a um os ocupantes da sala foram tomar banho, mas Snape não percebeu, perdido nos seus próprios pensamentos.

Lily, que estava sentada na cama de Alice, notou Severus sozinho e imaginou que ele não se sentia a vontade com o arranjo para dormir. Apoiou uma mão na cabeça pensativa, quando James saiu do banho vestido uma camisa de mangas e calças de pijamas, que parecia ser a roupa de dormir padrão. O moreno caminhou em direção a Lily.

— Todos já foram, só falta ele. — James deu um aceno de cabeça em direção a Severus.

— Eu duvido que o Ranhoso tome banho — zombou Sirius, que tinha se aproximado para falar com James.

Lily avisou a Sev que era sua vez, e quando ele saiu do quarto ela reuniu os outros jovens.

— Vocês não podem ser legais com ele? — tentou Lily.

Sirius respondeu que não prontamente, sendo logo seguido por Alice, que nunca ia perdoar o que Severus disse pra Lily. Frank deu de ombros, indiferente; ele não gostava de Snape, mas não via sentido em atormentar o sonserino. Remus prometeu tentar, já que nunca tinha aprovado o comportamento dos seus amigos em relação à Snape. Lily ficou olhando para James, que tinha abaixado a cabeça e evitado responder.

— Sua resposta é não — acusou Lily. — Você não vai nem ao menos tentar. Achei que você tinha crescido. E saiu para sentar na sua própria cama.

James olhou para os outros pedindo ajuda.

— Você precisa pensar nisso — começou Remus. — Se você pretende algo com Lily, terá que melhorar seu comportamento em relação à Snape.

James inclinou a cabeça para o lado, pensativo, e depois de poucos minutos foi atrás de Lily.

Sirius olhou para Remus, como se o lobisomem tivesse dito que Merlin era um aborto.

— Você não está seriamente sugerindo que Pontas vire amigo do Ranhoso — zombou Almofadinhas.

— Não foi isso que eu disse, mas se James quer ter uma chance real com Lily, precisa deixar Snape em paz.

— Como se Snape fosse deixar James em paz — se meteu Alice.

— Eu acho que Lily é justa — participou Frank. — Se Snape fizer algo para James ela vai defender James, mas o contrário também seria verdade.

Remus e Alice concordaram com isso, mas Sirius ainda estava revoltado.

— Eu vou guardar as costas de James, só por garantia.

James tinha parado em frente à cama de Lily, mas agora que chegara até ali, não sabia o que falar. Queria uma chance com Lily, mas prometer ser legal com Snape estava acima das suas possibilidades no momento.

Lily deve ter percebido que James estava parado em frente a ela, porque começou a falar:

— Você tem alguma idéia de como isso é difícil para mim? — Ela estava sentada, abraçando os joelhos, e James se sentou na ponta da cama. — Ele era meu melhor amigo. Sei que ninguém entende isso, mas Sev é uma boa pessoa no fundo. — James duvidava seriamente disso, mas não era o momento para comentar. — Mesmo sabendo que ele escolheu o caminho errado, não consigo parar de me importar com ele. Mesmo que ele não se importe mais. — Lily levantou os olhos verdes brilhantes, como se estivesse segurando as lágrimas, e James quis mais que qualquer coisa no mundo tirar a dor que via nos olhos dela.

Após alguns momentos de silêncio, Lily continuou:

— Eu não entendo — Lily suspirou. — Sirius veio de uma família conhecida por ser próxima ao lado negro, mas vocês viraram amigos no trem. Você nem conhecia Severus e nunca lhe deu uma chance.

James ficou em silêncio, sem saber o que responder a isso. Era verdade, de uma certa forma. Sua antipatia por Snape fora imediata, mas Snape tinha feito muito para aumentá-la ao longo dos anos.

Ao não receber uma resposta, Lily continuou:

— Como você se sentiria se Sirius, Remus ou Peter mudassem de lado. Você deixaria de se importar? Simplesmente os riscaria da sua vida?

James desviou o olhar. Ele achava que nunca pararia de se importar com seus amigos, não importa o que acontecesse. Claro que nenhum deles era aprendiz de Comensal da Morte, o que tornava as coisas muito mais simples. Mas a tristeza de Lily era real, e ele se sentia triste por ela. Faria qualquer coisa pela felicidade da ruiva, e se isso significasse sem mais azarações ou apelidos para o Ranhoso, ele tentaria.

— Eu não posso prometer ser amigo dele — James chegou mais perto de Lily e levantou o queixo dela com os dedos, para olhá-la nos olhos —, mas para te fazer feliz, prometo deixá-lo em paz, desde que ele faça o mesmo por mim.

Lily encarou James. O moreno não entendia como Lily se sentia, porém por ela James deixaria Snape em paz. A ruiva se lembrou que há pouco mais de um ano James tinha prometido isso em troca de sair com ela. Agora James prometia para fazê-la feliz. O maroto estava melhorando, isso era inegável. Embora ela preferisse que James fizesse isso por si mesmo e não por ela, não podia negar que ele estava tentando.

Lily se moveu mais perto de James e segurou a sua mão sobre a cama. O Maroto a olhava pensativo, como se estivesse imaginando o que poderia ele poderia fazer para animá-la, e algo no coração da garota derreteu. Apesar de tudo de errado que Potter tinha feito, ele sempre tinha se importando com Lily. Num impulso, a jovem deu um breve beijo em sua bochecha e levantou da cama para falar com Sev.

— Obrigada — Lily sussurrou no ouvido de James, antes de sair.

Pontas andou até cair na própria cama, levando a mão à bochecha, como se não acreditasse no que havia acontecido. Sirius e Remus foram até a cama de James, perturbar o amigo, mas Alice estreitou os olhos ao ver onde Lily se dirigia; se Snape magoasse sua amiga mais uma vez, ela iria fazer o sonserino se arrepender de ter nascido.

Snape tinha voltado do banho de mal humor. Vira Lily e Potter sentados na mesma cama conversando. Observou quando o moreno se aproximou da ruiva e quando James levantou o queixo dela com os dedos, mas nada foi pior do que ver o que Lily tinha feito. Ele se sentia traído, triste, arrasado, como se um dementador tivesse acabado de entrar na sala. E Lily vinha na sua direção sorrindo. Como ela poderia sorrir depois de uma traição dessas?

— Frank, Remus e James vão te deixar em paz. Alice vai continuar o tratamento atual, mas Black foi irredutível — disse Lily, mas Snape não tinha escutado nada depois de "James".

— Quer dizer que você finalmente concordou em sair com ele em troca da minha paz mental? Poderia ter feito isso no quinto ano e me poupado um monte de problemas. — Severus não sabia por que estava dizendo isso, só queria fazê-la entender o quanto o havia machucado. Mas no momento que essas palavras deixaram sua boca, o garoto se arrependeu. O olhar de Lily tinha o mesmo brilho do quinto ano, quando ele a chamara de sangue-ruim, a mesma dor e mágoa refletida nas orbes verdes. E Snape tinha jurado a si mesmo nunca mais causar esse tipo de dor na ruiva.

— Eu nunca faria isso — Lily disse, magoada. — Achei que você me conhecia melhor que isso, contudo seu ódio por James parece ser mais importante que todo o resto.

Lily levantou-se e Snape se sentiu pior. Quando ele tinha começado a ser o vilão? No quinto ano por culpa de Potter ele a chamara pelo nome imperdoável, agora novamente por culpa do Potter ele havia magoado Lily.

A menina que ocupava seus pensamentos falou em voz alta:

— Eu acho que todos deveriam me entregar as suas varinhas, apenas no caso de alguém ser sonâmbulo e enfeitiçar ao outro enquanto dorme. — Sirius resmungou, era justamente o que ele pretendia fazer.

Lily andou até a cama de Frank, pegando a varinha dele, e repetindo o mesmo sem problemas, até chegar à cama de Sirius.

— Eu vou entregar minha varinha depois que ele entregar a dele. — Sirius apontou para Snape.

— Eu disse todos, e isso inclui Severus também, é claro.

Sirius deu a varinha a contragosto. Lily passou pela cama de James, que entregou sem reclamar, e foi em direção a Snape estendendo a mão.

— Eu estou fazendo isso por você — ela disse em voz baixa, para que o resto da sala não escutasse —, para que você possa ter paz durante a noite.

Severus entregou a varinha sem dizer nada. Tinha perdido as palavras. Mesmo decepcionada, Lily se preocupava. Abriu a boca para pedir desculpas, mas a ruiva já tinha ido para a própria cama.

Não muito tempo depois os roncos começaram a ser ouvidos no quarto, mas Severus passou um longo tempo pensando na menina da cama ao lado antes de se render ao sono.

...

Na manhã seguinte todos acordaram cedo, animados com a idéia de Harry chegar a Hogwarts. James foi o primeiro a pular da cama; anos de treino de quadribol acostumaram-no a despertar cedo. Alice acordou logo depois, sendo seguida por Lily, Frank, Remus e Sirius, que não gostava de acordar cedo e só parou de resmungar quando viu a mesa de café da manhã pronta.

Severus só levantou após a última pessoa ter saído do quarto. Ele tinha pensado muito na noite anterior e chegara a uma conclusão. Não era estúpido para deixar Potter estragar novamente sua amizade com Lily, portanto iria se comportar tanto quanto Potter se comportasse. Mais cedo ou mais tarde o Maroto faria algo que desagradasse Lily. Potter sempre agia de forma mais idiota quando a ruiva estava por perto... Era apenas questão de tempo e, enquanto isso, Severus pediria desculpas a Lily. Só esperava que ela aceitasse suas desculpas desta vez.

Snape saiu do quarto e viu Lily sentada à mesa de café, conversando com James. Parecia que toda vez que queria falar com a ruiva, ela estava com Potter. Severus trincou os dentes. Não podia pensar assim, foi isso que começou essa confusão em primeiro lugar. Respirando fundo, andou até o lugar vazio ao lado de Lily.

— Bom dia — Severus disse ao se sentar, e Lily virou a cabeça para olhá-lo, parecendo surpresa. — Você tinha razão ontem, eu lhe devo desculpas. — Cada palavra tinha custado um esforço enorme, mas valeu a pena só pelo sorriso que Lily deu em resposta. E a sensação de ter feito o correto, só aumentou quando ela se inclinou para dar lhe dar um abraço rápido.

— Estou tão orgulhosa de você — Lily sussurrou, antes de se afastar.

Severus olhou para Potter. Ele queria ver o sorriso de James sumir após presenciar o abraço, mas para sua surpresa James não parecia chateado ou com raiva. O Maroto olhava para Lily pensativo e sorriu feliz quando ela se virou sorrindo. Snape estreitou os olhos, pensando em qual seria o plano de Potter dessa vez.

James retribuiu o sorriso de Lily, feliz por vê-la feliz. Não tinha gostado do fato dela ter abraçado Snape, até admitia para si mesmo ter tido ciúmes. Todavia, depois de presenciar a tristeza dela à noite, tudo com que Pontas se importava era que a ruiva fosse feliz. O Maroto não se lembrava de quando a felicidade de Lily tinha se tornado mais importante que a sua própria, mas nesse momento ele sentia que era capaz de qualquer coisa só para mantê-la sorrindo. E se Snape a machucasse de novo, bem, digamos que ele tinha planos para garantir que o sonserino se arrependeria profundamente caso isso acontecesse.

Lily levantou sorrindo, e empurrou as pessoas para o sofá. O dia tinha começado de forma maravilhosa e ela se sentia quase bêbada de felicidade. De alguma forma tinha uma nova chance na sua amizade com Sev, e ela e James estavam se entendendo maravilhosamente bem. Seu filho ia para Hogwarts, longe dos Dursley. O dia prometia ser maravilhoso.

Sirius e Remus foram os últimos a sentarem no sofá. O lobisomem tinha tentando explicar ao amigo porque James estava agindo assim, porém Sirius não entendia a complexidade do amor de Pontas por Lily. Isso mesmo, amor, porque depois de ontem ele não tinha dúvidas e a manhã de hoje só tinha confirmado tudo. O rapaz de cabelos cor de areia tinha ouvido a conversa entre Pontas e a ruiva ontem, com sua audição aumentada devido à parte lupina. James estava crescendo; Remus se sentia orgulhoso com um pai com seu filho. Pontas era uma pessoa maravilhosa e parecia estar começando a mostrar esse lado para Lily, finalmente.

Sirius se sentou emburrado; Evans era uma má influência para seu amigo. Por que Pontas deveria deixar o Ranhoso em paz se Snape nunca tinha deixado James em paz? Severus tinha os perseguido e atormentado por anos, tinha perturbado tanto que havia descoberto o segredo de Remus. Essa não era uma boa linha de raciocínio, lembrava-o de coisas que ele preferia esquecer. No meio desses pensamentos, Sirius percebeu que Lily tinha se sentado muito mais perto de James que ontem, de forma que seus braços se esbarrariam caso James se mexesse. E mesmo sem compreender o que Pontas vira da ruiva, Sirius não pôde deixar de ser feliz pelo seu amigo. E estava disposto a azarar o Snape por dois por quanto tempo fosse necessário para que o cervo animago fosse feliz com a garota de quem ele gostava.

Enquanto Frank abria o livro, Alice fez questão de dar um olhar mortal para Snape. Se ele machucasse Lily novamente, tinha certeza que ele iria pagar, e ela se ocuparia pessoalmente disso. Para tirar o olhar mortal de Alice em direção ao sonserino, Frank abriu o livro e leu o próximo titulo:

— "Capítulo Seis:O Embarque na Plataforma Nove e Meia."


Capítulo revisado por Mrs. Mandy Black