Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história da Pedra Filosofal. Tudo isso pertence à grandiosa J. K. Rowling. - Se James Potter me pertencesse ele estaria muito ocupado comigo e Harry não existiria ;)
A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.
Ufa, consegui terminar o capitulo hoje. Mesmo com o universo conspirando contra mim. Sinto muito pessoal, mas é quase impossível postar dois capítulos num dia. Mas deixem muitas reviews que eu darei um capitulo por dia para vocês. ;)
Eu simplesmente amo as reviews, me divertem tanto *.*
M. Alice Lovegood: Eu também amo Alice e Frank, E Sirius, e Lily, e *suspira apaixonadamente* James. Alias eu só não amo o Snape, mas estou fazendo um esforço. Eu não tenho outras projetos, eu tinha uma fic antiga chamada "A Festa Surpresa" na qual os marotos faziam uma festa pro Dumbledore, só que meu HD queimou e eu perdi uma boa parte da fic que já estava pronta e desisti. (E agora eu não gosto mais do Dumbledore). Eu tenho planos pra depois que terminar os sete livros fazer Harry visitar um cofre dos Potter com vários objetos e ao tocar cada um ser transportado para uma memoria dos pais. Mas não escrevi nada ainda, é só uma ideia. Fico feliz que você goste da fic, suas reviews me deixam feliz xD
...
Enquanto Frank abria o livro, Alice fez questão de dar um mortal para Snape. Se ele machucasse Lily novamente Alice tinha certeza que Snape iria pagar, ela se ocuparia pessoalmente disso. Para tirar o olhar mortal de Alice em direção a Snape. Frank abriu o livro e leu o próximo titulo: Capítulo Seis: O Embarque na Plataforma Nove e Meia.
...
— Harry finalmente vai deixar os Dursley. — comentou Lily confiante que a vida de Harry seria melhor a partir de agora.
O último mês de Harry na casa dos Dursley não foi nada divertido.
— E alguma vez foi divertido? — indagou Sirius.
É verdade que Duda agora estava tão apavorado com Harry que não queria nem ficar no mesmo aposento com ele, e tia Petúnia e tio Válter não trancaram Harry no armário nem o obrigaram a fazer nada, tampouco gritaram com ele, na verdade, sequer falaram com ele.
— Isso é uma melhoria do tratamento habitual. — falou Alice.
— Mas vai se tornar deprimente após algum tempo — completou James.
Severus se mexeu na cadeira incomodado, ele não gostava quando percebia semelhanças entre a infância dele e de Harry.
Meio aterrorizados, meio furiosos, agiam como se a cadeira em que Harry se sentasse estivesse vazia.
Embora isso fosse sob muitos aspectos um progresso, tornou-se um tanto deprimente depois de algum tempo.
Lily deu um suspiro triste.
Harry ficava em seu quarto, com a nova coruja por companhia.
Decidira chamá-la Edwiges, um nome que encontrara na História da Magia. Seus livros de escola eram muito interessantes. Deitava-se na cama e lia até tarde da noite.
Sirius fingiu um olhar chocado.
— Eu não acredito que o filho de James, meu afilhado ache os livros da escola interessante, — Almofadinhas estava gesticulando muito para mostrar seu ponto — Mas isso não é o pior, Harry fica acordado até tarde para ler. — o tom sugeria que Harry havia cometido um crime.
— Não há nada errado em ler. — defendeu Frank.
— E eu cansei de acordar de madrugada e encontrar o Sr. Almofadinhas e o Sr. Pontas fazendo o dever escondido. — entregou Remus — Porque seria um crime contra a imagem de ambos serem pegos com um livro na mão.
— Mas é Historia da Magia! — gemeu James — Se fosse transfiguração, ou feitiços até mesmo poções. Mas meu filho lendo isso fere meu coração — O moreno levou as mãos ao peito retirando uma adaga imaginaria. Fazendo os marotos, Lily e Alice rirem e Frank sorrindo continuou a ler.
Edwiges voava para dentro e para fora da janela, quando queria. Era uma sorte que tia Petúnia não aparecesse mais para passar o aspirador de pó, porque Edwiges não parava de trazer ratos mortos para o quarto.
— Que pena. Tuney seria tão feliz ao encontrar ratos mortos. — disse Severus sarcasticamente em voz baixa apenas para Lily ouvir, conseguindo um sorriso da ruiva.
Toda noite, antes de se deitar para dormir, Harry riscava mais um dia no pedaço de papel que pregara na parede, para contar os dias que faltavam até primeiro de setembro.
Sirius e Severus concordaram com a cabeça, ambos faziam isso. Quando perceberam que estavam fazendo o mesmo os gestos cruzaram os braços e olharam para o outro lado causando uma gargalhada geral.
No último dia de agosto ele achou melhor falar com os tios sobre a ida à estação no dia seguinte, por isso desceu à sala de estar onde eles estavam assistindo a um programa de auditório na televisão. Pigarreou para avisar que estava ali e Duda deu um berro e saiu correndo da sala.
— Dudoquinha está com medo do Harry malvadão. — zombou Alice numa voz fina arrancando mais algumas risadas.
— Hum... Tio Válter?
Tio Válter resmungou para indicar que estava escutando.
— Hum... Preciso estar amanhã na estação para... Embarcar para Hogwarts. Tio Válter resmungou outra vez.
— Será que o senhor podia me dar uma carona? Resmungo. Harry supôs que quisesse dizer sim.
— Por que ele só resmunga? — perguntou Frank parando de ler.
— Porque ele é tão burro que se esqueceu como falar — respondeu James.
— Muito obrigado.
Lily sorriu, independente da criação de Tuney seu filho parecia bem educado.
E já ia voltando para cima quando tio Válter falou de verdade.
— Que pena, ele lembrou. — James fingiu um beicinho.
— Que modo engraçado de ir para a escola de magia, de trem. Os tapetes mágicos furaram todos?
— Tapetes mágicos funcionam mesmo furados, a magia de levitação é feita diretamente nos fios, de modo que cada fio flutue de forma independente. — corrigiu Remus.
— E tapetes são classificados como artefatos mágicos pelo Registro de Objetos Enfeitiçáveis Proscritos, não podendo mais ser utilizados — complementou Frank.
— E eu tenho certeza que Valter Dursley tem um vasto conhecimento sobre tapetes voadores — Severus revirou os olhos. Frank deu os ombros e voltou a ler.
Harry não respondeu.
— Onde fica essa escola afinal?
— Escócia. — respondeu Remus prontamente. — Existem feitiços que impossibilitam saber a localização exata, mas de acordo com estudos feitos...
— Nós sabemos, Aluado. — cortou Sirius.
— Não sei — disse Harry pensando nisso pela primeira vez. Tirou do bolso o bilhete de passagem que Hagrid lhe dera.
— Vou tomar o trem na plataforma 9 e ½ às onze horas — leu. A tia e o tio arregalam os olhos.
— Plataforma o quê?
— Não se finja de idiota Tuney! Você sabe exatamente onde é a plataforma. Você acompanhou meus pais no meu primeiro ano. — reclamou Lily indignada.
— Eu duvido que ela esteja se fazendo de idiota. — começou James — Isso vem a ela naturalmente.
— Nove e meia.
— Não diga bobagens — repreendeu tio Válter — Não existe plataforma nove e meia.
Lily estalou a língua e cruzou os braços com raiva da irmã.
— Está no meu bilhete.
— Loucos — disse tio Válter — de pedra, todos eles. Você vai ver. É só esperar.
Está bem, levaremos você até a estação. De qualquer maneira tínhamos de ir a Londres amanhã ou nem me daria ao trabalho.
— Isso é verdade? — perguntou James pensando como Harry iria para a estação nos próximos anos.
Lily mordeu os lábios, preocupada. Ela não tinha pensado niddo.
— Não. Tuney sabe que se ele não for à escola, alguma aberração iria à sua casa saber de Harry. — surpreendentemente Severus respondeu, ele não gostava de ver Lily preocupada.
— Por que o senhor vai a Londres? — perguntou Harry, tentando manter a conversa cordial.
— Vamos levar Duda ao hospital — rosnou tio Válter — Precisamos mandar cortar aquele rabo vermelho antes de mandá-lo para Smeltings.
Varias gargalhadas ecoaram pela sala com a lembrança.
— Não corte o rabo, combina perfeitamente com ele. — opinou Sirius,
Harry acordou às cinco horas na manhã seguinte e estava demasiado excitado e nervoso para voltar a dormir.
— Eu também me senti assim. — concordou Lily e todos concordaram com a cabeça.
— Eu duvido que Peter tenha se sentido assim. — cochichou Sirius para Remus sabendo o quanto o rato gostava de dormir.
Levantou-se e vestiu o jeans porque não queria entrar na estação com as vestes de bruxo, mudaria de roupa no trem.
— Sabia decisão. — concordou Sirius — Minha querida mamãe que se recusa à sequer pensar em usar roupa trouxa, nós levou a estação com vestes de bruxos — disse Sirius se referindo a si mesmo e seu irmão — chamamos tanta atenção que um senhor esqueceu de segurar o carrinho com as malas que escapou e acertou em cheio a minha mãe.
Verificou novamente a lista de Hogwarts para se certificar de que tinha tudo de que precisava, viu se Edwiges estava bem trancada na gaiola e então ficou andando pelo quarto à espera que os Dursley se levantassem.
— Ele está realmente ansioso. — comentou Frank.
— Você também estaria se vivesse com os Dursley — respondeu Sirius. Ele conhecia o sentimento de querer ir para longe da família.
Duas horas mais tarde, a mala enorme e pesada de Harry fora colocada no carro dos Dursley. Tia Petúnia convencera Duda a se sentar ao lado do primo e eles partiram.
— Harry malvadão vai jogar Dudoquinha pela janela do carro. — disse Alice novamente com a voz fina e irritante.
Chegaram à estação de King's Cross às 10:30h. Válter jogou a mala de Harry num carrinho e empurrou-o até a estação, com um gesto curiosamente bondoso até tio Válter parar diante das plataformas com um sorriso maldoso.
— Eu não gosto disso. — falou James dando um olhar mortal para o livro. Lily fazia exatamente a mesma coisa.
— Bom, aqui estamos, moleque. Plataforma nove, plataforma dez. A sua plataforma devia estar aí no meio, mas parece que ainda não a construíram, não é mesmo.
— Onde está aquele pergaminho adorável que os meninos estavam anotando as vinganças? — pediu Lily numa voz falsamente doce, James relutantemente entregou o dele sem entender — Eu só quero acrescentar algumas ideias. — terminou Lily começando a escrever no pergaminho
Ele tinha razão, é claro. Havia um grande número nove de plástico no alto de uma plataforma e um grande número dez no alto da plataforma seguinte, mas no meio, não havia nada.
— Tenha um bom período letivo — disse tio Válter com um sorriso ainda mais maldoso. E foi-se embora sem dizer mais nada.
Harry se virou e viu o carro dos Dursley partir. Os três estavam rindo,
Lily continuou escrevendo com raiva, mas por dentro ela se sentia triste. Como a irmã poderia fazer isso com o próprio sobrinho.
Severus viu a tristeza da ruiva e disse baixinho:
— Isso não aconteceu ainda, pode ser mudado.
Mas Lily não sorriu. Ela não imaginava que Tuney guardava tanto rancor a ponto de descontar tudo numa criança inocente.
James que entendeu melhor a expressão da ruiva, segurou uma das mão oferecendo apoio, ele sabia que nada que dissesse poderia alegrar Lily naquele momento, então ele ia compartilhar a tristeza dela para tornar mais fácil que a ruiva suportasse.
Severus estreitou os olhos, frustrado. Desde quando Potter estava sempre um passo a frente dele quando se tratava de Lily?
Harry sentiu a boca seca. Que diabo iria fazer? Estava começando a atrair uma porção de olhares curiosos por causa da Edwiges. Teria que perguntar a alguém.
— Suponho que é uma boa ideia, desde que ele pergunte a um bruxo. — concedeu Remus.
Parou um guarda que ia passando, mas não mencionou a plataforma nove e meia.
— Fez muito bem, o guarda acharia que era uma piada. — falou Lily
O guarda nunca ouvira falar em Hogwarts e quando Harry não soube lhe dizer em que parte do país a escola ficava, ele começou a mostrar aborrecimento, como se Harry estivesse se fazendo de burro de propósito. Desesperado, Harry perguntou pelo trem que partia às onze horas, mas o guarda disse que não havia nenhum. Ao fim, o guarda se afastou, resmungando contra pessoas que o faziam perder tempo. Harry tentou por tudo no mundo não entrar em pânico. Pelo grande relógio em cima do quadro que anunciava os trens que chegavam, só lhe restavam mais dez minutos para embarcar no trem de Hogwarts e ele não tinha idéia de como ia fazer isso, estava perdido no meio da estação com uma mala que mal podia levantar, o bolso cheio de dinheiro de bruxo e uma corujona.
Hagrid devia ter esquecido de lhe dizer alguma coisa que tinha de fazer, como bater no terceiro tijolo à esquerda para entrar no Beco Diagonal. Perguntou-se se deveria tirar a varinha da mala e começar a bater no coletor de bilhetes entre as plataformas nove e dez.
— Essa é uma má ideia. — começou Sirius — Ou talvez não, talvez algum bruxo se pergunte o que diabos você esta fazendo e te ajude.
— As ideias de Sirius sempre são assim? — pediu Lily. Remus concordou com a cabeça. — Meus pêsames.
— Desde quando eu sou Sirius. — pediu o moreno de olhos cinza.
— No momento que disse que Harry era seu afilhado. É estranho chamar o padrinho do meu filho pelo sobrenome. — Lily deu os ombros.
James abriu um sorriso imenso. Um das suas preocupações era o relacionamento de Lily com Sirius. Enquanto Lily gritava com o moreno de óculos o tempo todo, ela geralmente ignorava completamente a existência de Sirius. Ele não sabia o que havia mudado a opinião de Lily, mas não iria questionar.
Severus por outro lado estava tentado se enfeitiçar com a própria varinha. Lily ficar amiga de Black era demais para suportar. Ele deveria ter colado chiclete na varinha de Morgana para merecer tal castigo.
Naquele instante um grupo de pessoas passou as suas costas e ele entreouviu algumas palavras que diziam..
— ... Cheio de trouxas, é claro...
O grupo na sala se animou, era nitidamente alguém bruxo e Harry poderia ter ajuda,
Harry deu meia-volta. Era uma mulher gorda que falava com quatro meninos, todos de cabelos cor de fogo. Cada um deles estava empurrando à frente uma mala como a de Harry e levavam uma coruja. O coração aos saltos, Harry os seguiu empurrando o carrinho. Eles pararam e ele também, bem próximo para ouvir o que diziam.
— Escutando a conversa alheia... Sinto que Harry tem um lado maroto escondido. — elogiou Sirius.
Lily olhou para os três marotos horrorizada enquanto Alice caia na gargalhada da expressão da ruiva.
— Agora, qual é o número da plataforma? — perguntou a mãe dos meninos.
— Nove e meia — ouviu-se a voz fina de uma menininha, também de cabelos ruivos que estava segurando a mão da mulher.
— Mamãe, não posso ir...
— Que doce. — comentou Alice e Lily concordou. Os meninos reviraram os olhos.
— Você ainda não tem idade, Gina, agora fique quieta. Está bem, Percy, você vai primeiro.
O que parecia o menino mais velho marchou em direção às plataformas nove e dez. Harry observou-o, tomando o cuidado de não piscar para não perder nada, mas assim que o menino chegou à linha divisória entre as duas plataformas, um grande grupo de turistas invadiu a plataforma à frente dele e quando uma mochila acabou de passar, o menino havia desaparecido.
— Apenas peça ajuda, Harry. — incentivou Lily — Não sei que problemas os homens tem para pedir informação — concluiu ganhando olhares malignos de todos os rapazes na sala.
— Fred , você agora — mandou a mulher gorda.
— Eu não sou Fred, sou Jorge — retrucou o menino. — Francamente, mulher, você diz que é nossa mãe? Não consegue ver que sou o Jorge?
— Oh! Gêmeos! — Sirius bateu palmas.
— Eu garanto que esse é o Fred — comentou James — e eles apenas querem perturbar sua mãe.
— E como você sabe disso? — perguntou Frank.
— Soa como algo que esses dois fariam. — respondeu Remus.
— Desculpe, Jorge, querido.
— É brincadeira, eu sou o Fred — disse o menino, e foi.
Sirius e James trocaram sorrisos, tanta confusão pode ser causada quando você tem um irmão gêmeo.
O irmão gêmeo gritou para ele se apressar, e ele deve ter atendido, porque um segundo depois, sumiu, mas como fizera aquilo?
Agora o terceiro irmão estava se encaminhando rapidamente para a barreira, estava quase lá e, então, de repente, não estava mais em parte alguma.
E foi só.
— Com licença — dirigiu-se Harry à mulher gorda.
Lily sorriu. Harry era tão doce.
— Olá, querido. É a primeira vez que vai a Hogwarts? O Rony é novo também. Ela apontou o último filho, o mais moço. Era alto, magro e desengonçado, com sardas, mãos e pés grandes e um nariz comprido.
— Isso é bom, Harry pode fazer um amigo. — James se animou.
— É — respondeu Harry, — A coisa é, a coisa é que não sei como...
— Como chegar à plataforma? — disse ela com bondade, e Harry concordou com a cabeça.
— Não se preocupe. Basta caminhar diretamente para a barreira entre as plataformas nove e dez. Não pare e não tenha medo de bater nela, isto é muito importante. Melhor fazer isso meio correndo se estiver nervoso. Vá, vá antes de Rony.
Lily agradeceu silenciosamente a mulher desconhecida, por ter sido boa com seu filho.
— Hum... Ok.
E Harry virou o carrinho e encarou a barreira. Parecia muito sólida.
Ele começou a andar em direção a ela. As pessoas a caminho das plataformas nove e dez o empurravam. Harry apressou o passo. Ia bater direto no coletor de bilhetes e então ia se complicar, curvando-se para o caminho ele desatou a correr, a barreira estava cada vez mais próxima. Não poderia parar, o carrinho estava descontrolado, ele estava a um passo de distância, fechou os olhos se preparando para a colisão..
— Harry é realmente otimista. — observou Sirius sarcasticamente.
— Você também seria pessimista após viver dez anos com os Dursley — defendeu Lily
E ela não aconteceu... Ele continuou correndo. Abriu os olhos.
Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava "Expresso de Hogwarts 11 horas". Harry olhou para trás e viu um arco de ferro forjado no lugar onde estivera o coletor de bilhetes com os dizeres "Plataforma 9 e ½". Conseguira.
A fumaça da locomotiva se dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se à balbúrdia e ao barulho das malas pesadas que eram arrastadas.
Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. Harry, empurrou o carrinho pela plataforma procurando um lugar vago. Passou por um garoto de rosto redondo que estava dizendo:
— Vó, perdi meu sapo outra vez.
Frank, James, Lily e Remus sorriram para Alice, cada um deles já tinha se envolvido numa "caça ao sapo". Já que Alice costumava esquecer onde tinha deixado o anfíbio pela ultima vez.
— Ah, Neville — ele ouviu a senhora suspirar.
Um garoto com cabelos rastafari estava cercado por um pequeno grupo de meninos.
— Deixe a gente espiar, Lino, vamos.
O menino levantou a tampa de uma caixa que carregava nos braços e as pessoas em volta deram gritos e berros quando uma coisa dentro da caixa esticou para fora uma perna comprida e peluda.
James e Sirius sorriram animados pensando em toda diversão com a coisa na caixa e mesmo Remus lutou contra um sorriso.
Harry continuou andando pela aglomeração até que encontrou um compartimento vago no final do trem. Primeiro pôs Edwiges para dentro e começou a empurrar e a forçar com a mala em direção à porta do trem. Tentou erguê-la pelos degraus acima, mas mal conseguiu suspender uma ponta e duas vezes deixou-a cair dolorosamente em cima do pé.
Severus estremeceu, tinha acontecido muitas vezes com ele em todos os anos de guardar a bagagem sozinho.
— Quer uma ajuda? — Era um dos gêmeos ruivos que ele seguira para atravessar a barreira.
— Por favor — Harry ofegou.
— Fred! Vem dar uma ajuda aqui!
Com a ajuda dos gêmeos a mala de Harry, finalmente foi colocada a um canto do compartimento.
— Obrigado — disse Harry, afastando os cabelos suados dos olhos.
— Que é isso — perguntou de repente um dos gêmeos apontando para a cicatriz de Harry.
— Caramba — disse o outro gêmeo. — Você é...?
— Ele é — disse o outro gêmeo. — Não é? — acrescentou para Harry.
— O quê? — indagou Harry.
— Harry Potter — disseram os gêmeos em coro.
— Ah, ele — disse Harry — Quero dizer, é, sou.
— Harry é lento até para reconhecer o próprio nome — brincou Sirius sendo acertado por duas almofadas jogadas pelos pais do garoto.
— A próxima vez que você implicar com meu filho — ameaçou Lily — Eu vou te dar um novo corte de cabelo.
Sirius levou a mão aos seus cabelos. A doce ruiva não iria fazer isso com ele.
Os dois garotos olharam boquiabertos e Harry sentiu que estava corando. Então, para seu alivio, ouviram uma voz pela porta aberta do trem.
— Fred? Jorge? Vocês estão ai?
— Estamos indo, mamãe.
Dando uma última espiada em Harry, os gêmeos saltaram para fora do trem. Harry sentou-se à janela onde, meio escondido, podia observar a família de cabelos ruivos na plataforma e ouvir o que diziam.
— Definitivamente um maroto. — aprovou James. E Lily balançou a cabeça. Ela seria mãe de um maroto. Merlin a ajude.
A mãe tinha acabado de puxar o lenço.
— Rony, você está com uma crosta no nariz.
— Oh, Ron está com uma coisa no nariz. — zombou Sirius.
— Você não reclama quando minha mãe faz isso com você. — revidou James. E para a surpresa geral Sirius corou.
O menino mais novo tentou fugir, mas ela o agarrou e começou a limpar aponta do nariz dele.
— Mamãe, sai para lá — Desvencilhou-se.
— Aaaah, o Roniquinho está com uma coisa no nariz? — caçoou um dos gêmeos.
— Cale a boca — disse Rony.
— Onde está o Percy? — perguntou a mãe.
— Está vindo aí.
O garoto mais velho vinha vindo. Já vestira as vestes largas e pretas de Hogwarts e Harry reparou que tinha um distintivo de prata reluzente com a letra "M".
— Argh! Um monitor. — disse Sirius.
— Não há nada errado em ser um monitor. — defendeu Frank. — Remus, Lily e eu somos monitores.
— Exatamente por isso. — retrucou Sirius, sendo alvo de mais três almofadas.
— Não posso demorar, mãe — falou ele. — Estou lá na frente, os monitores têm dois vagões separados...
— Ah, você é monitor, Percy? — perguntou um dos gêmeos, com ar de grande surpresa. — Devia ter avisado, não fazíamos idéia.
— Espere ai, acho que me lembro de ter ouvido ele dizer alguma coisa — disse o outro gêmeo. — Uma vez...
— Ou duas..
— Um minuto...
— O verão todo.
— Eu realmente gosto deles. — elogiou James.
— Ah, calem a boca — disse Percy, o monitor.
— Afinal por que foi que o Percy ganhou vestes novas? — disse um dos gêmeos.
— Porque é monitor — disse a mãe com carinho — Está bem, querido, tenha um bom ano letivo — mande-me uma coruja quando chegar.
Ela beijou Percy no rosto e ele foi embora. Então. Virou-se para os gêmeos.
— Agora, vocês dois, este ano, se comportem. Se receber mais uma coruja dizendo que vocês... Vocês explodiram um banheiro ou...
Remus negou com a cabeça.
— Nunca de ideia a um maroto, nem mesmo de brincadeira.
— Explodiram um banheiro? Nunca explodimos um banheiro.
— Eu explodi um banheiro. — disse Sirius orgulhosamente — e não foi qualquer banheiro. Foi o banheiro dos monitores.
— Eu quero saber por quê? — perguntou Alice. Remus gemeu e James caiu na gargalhada.
— Quando eu fui nomeado capitão do time de quadribol e ganhei acesso ao banheiro dos monitores — James contou — Sirius ficou com ciúmes porque Remus e eu tínhamos um banheiro especial.
— Não fiquei com ciúmes — resmungou Sirius.
— Tanto faz — continuou James — Então Almofadinhas pensou que era uma boa ideia explodir o banheiro para que ninguém mais pudesse usar. — Pontas prendeu o riso — Só que ele fez isso quando a Monitora-Chefe estava tomando banho. Ela ficou tão aborrecida que transformou o cabelo dele em rosa por duas semanas. Além de encarregar as piores detenções para o resto do ano.
Todos sorriram menos Snape que revirou os olhos.
— Mas é uma grande idéia, obrigado, mamãe.
— Não tem graça. E cuidem do Rony.
— Tenho certeza que eles vão cuidar muito do irmão — zombou Snape;
— Não se preocupe, Roniquinho está seguro com a gente.
— Cale a boca — mandou Rony outra vez. Já era quase tão alto quanto os gêmeos e seu nariz continuava vermelho onde a mãe o esfregara.
— Ei, mãe, advinha? Adivinha quem acabamos de encontrar no trem? Harry recuou o corpo rápido para que eles não o vissem olhando.
— Sabe aquele menino de cabelos pretos que estava perto da gente na estação? Sabe quem ele é?
— Quem?
— Harry Potter!
Harry ouviu a vozinha da garotinha.
— Ah, mamãe, posso subir no trem para ver ele, mamãe, ali, por favor...
— Oh! Harry tem uma fã. — implicou Sirius.
— Você já o viu, Gina, e o coitado não e um bicho de zoológico para você ficar olhando. É ele mesmo, Fred? Como é que você sabe?
— Perguntei a ele. Vi a cicatriz. Está lá mesmo, parece um raio.
— Coitadinho. Não admira que estivesse sozinho. Foi tão educado quando me perguntou como entrar na plataforma.
James e Lily suspiraram ao pensar novamente em seu filho sozinho.
— Deixa para lá, você acha que ele se lembra como era o Você-Sabe-Quem? De repente a mãe ficou muito séria.
— Proíbo-lhe de perguntar a ele, Fred. Não, não se atreva. Como se ele precisasse de alguém para lhe lembrar uma coisa dessas no primeiro dia de escola.
Lily sorriu agradecida a mulher, ela estava preocupada como todos reagiriam ao seu filho na escola.
— Está bem, não precisa ficar nervosa. Ouviu-se um apito.
— Depressa! — disse a mãe, e os três garotos subiram no trem.
Debruçaram-se na janela para a mãe lhes dar um beijo de despedida e a irmãzinha começou a chorar.
— Não chore, Gina, vamos lhe mandar um monte de corujas.
— Vamos lhe mandar uma tampa de vaso de Hogwarts.
— Eu me pergunto se eles realmente fizeram. — comentou Remus.
— Não sei, mas é uma boa coisa para tentar. — disse Sirius e trocou um olhar malicioso com James.
— Jorge!
— Estou só brincando, mamãe.
Remus negou com a cabeça, duvidando.
O trem começou a andar. Harry viu a mãe dos garotos acenando e a irmã, meio risonha, meio chorosa, correndo para acompanhar o trem até ele ganhar velocidade e ela ficar para trás acenando.
Lily e Alice se olharam sorrindo. Essa menina era fofa.
Harry observou a menina e a mãe desaparecerem quando o trem fez a curva. As casas passaram num relâmpago pela janela.
Harry sentiu uma grande excitação. Não sabia onde estava indo, mas tinha de ser melhor do que o lugar que estava deixando para trás.
Todos concordaram.
A porta da cabine se abriu e o ruivinho mais moço entrou.
— Tem alguém sentado aqui? — perguntou, apontando para o assento em frente ao de Harry — O resto do trem está cheio.
— Talvez Harry faça seu primeiro amigo. — James se animou e sorriu para Sirius. Eles tinham feito amizade no trem.
Harry respondeu que não, com um aceno de cabeça, e o garoto se sentou. Olhou para Harry e em seguida olhou depressa para fora, fingindo que não tinha olhado. Harry reparou que ele ainda tinha uma mancha preta no nariz.
— Oi, Rony, Os gêmeos estavam de volta.
— Escuta aqui, vamos para o meio do trem. Lino Jordan trouxe uma tarântula
gigante.
— Por que nós nunca fizemos isso? — perguntou Sirius.
Lily gemeu. Esse livro estava dando ideias perigosas para os marotos.
— Certo — resmungou Rony.
— Harry — disse o outro gêmeo —, nós já nos apresentamos? Fred e Jorge Weasley. E este é o Rony, nosso irmão. Vejo vocês mais tarde, então.
— Tchau — disseram Harry e Rony. Os gêmeos fecharam a porta da cabine ao passar.
— Você é Harry Potter mesmo? — Rony deixou escapar. Harry confirmou com a cabeça.
— Não, ele é apenas outro garoto comum uma cicatriz em forma de raio na testa — comentou Severus sarcasticamente.
— Ah, bom, pensei que fosse uma brincadeira do Fred e do Jorge e você tem mesmo... Sabe...
Apontou para a testa de Harry. Harry afastou a franja para mostrar a cicatriz em forma de raio. Rony olhou.
— Então foi aí que Você-Sabe-Quem...?
— Achei que a mãe havia proibido de perguntar. — mencionou Frank.
— A mãe disse aos gêmeos para não perguntar. — contestou James — Não deu nenhuma ordem diretamente ao Ron.
— Esse argumento funciona com a sua mãe? —perguntou Alice sorrindo.
James bagunçou o cabelo como resposta.
— Foi, mas não me lembro.
— De nada? — perguntou Rony ansioso.
— Bom... Lembro de muita luz verde, mas nada mais.
Lily apertou o braço de James a lembrança que seu filho tinha sido atacado quando bebê.
— Uau! — Ele ficou parado uns minutos olhando para Harry, depois, como se de repente tivesse se dado conta do que estava fazendo, olhou depressa para fora da janela outra vez.
— Realmente discreto. — brincou Remus.
— Todos na sua família são bruxos? — perguntou Harry que achava Rony tão interessante quanto Rony o achava.
— Hum... São, acho que sim. Acho que mamãe tem um primo em segundo grau que é contador, mas ninguém nunca fala nele.
— Por que ninguém fala dele? — perguntou Lily revoltada. — Só porque é um aborto não significa que não é da família.
— Talvez eles não sejam próximos. Ou talvez não há muito o que falar. — Alice tentou acalmar a amiga. Mas Lily bufou.
— Então você já deve saber muitas mágicas.
Os Weasley aparentemente eram uma dessas antigas famílias de bruxos de que o menino pálido no Beco Diagonal falara.
Frank, Alice, James e Sirius riram. E Frank explicou para beneficio dos outros.
— Os Weasley são o extremo oposto do menino do Beco Diagonal. São conhecidos entre as famílias antigas por serem os maiores traidores de sangue que existem.
— Ouvi dizer que você foi viver com os trouxas. Como é que eles são?
— Horríveis... Bom, nem todos. Mas minha tia e meu tio e meu primo são, eu gostaria de ter tido três irmãos bruxos.
— Cinco. — Por alguma razão, ele pareceu triste.
— Wow! — exclamou Sirius surpreso. — Isso é um monte de tempo fazendo...
— Sirius! — cortou Alice que não queria imaginar o fim da frase.
— Tenho certeza que eles não estavam fazendo um monte de Sirius...
Mas foi silenciado por um feitiço de Lily.
— O feitiço vai se desgastar em alguns minutos. Mas se você continuar com esses comentários vou te silenciar até o fim do capitulo. — ameaçou Lily.
— Sou o sexto de minha família a ir para Hogwarts. Pode-se dizer que tenho de fazer justiça ao nosso nome. Gui e Carlinhos já terminaram a escola. Gui foi chefe dos monitores e Carlinhos foi capitão do time de Quadribol. Agora Percy é monitor. Fred e Jorge fazem muita bagunça, mas tiram notas muito boas e todo mundo acha que eles são realmente engraçados. Todos esperam que eu me saia tão bem quanto os outros, mas se eu me sair bem, não será nada de mais, porque eles fizeram isso primeiro.
— Eu vejo que ele tem problemas de alto estima. — Frank balançou a cabeça. — Deve ser difícil se destacar tendo tantos irmãos.
E também não se ganha nada novo quando se tem cinco irmãos. Uso as vestes velhas de Gui, a varinha velha de Carlinhos e o rato velho do Percy..
— E a varinha do irmão não vai ajudar. — concordou Remus sabendo que a varinha escolhida para o bruxo é sempre melhor que uma emprestada.
Rony meteu a mão no bolso interno do paletó e tirou um rato cinzento e gordo que estava dormindo.
— O nome dele é Perebas e ele é inútil, quase nunca acorda.
— Parece um rato que temos no dormitório. — comentou James e os outros marotos sorriram em resposta.
— Vocês tem um rato? — comentou Alice fazendo uma careta. Ela não gostava de ratos.
— É o bicho de estimação de Peter. —mentiu Remus.
Percy ganhou uma coruja de meu pai por ter sido escolhido monitor, mas eles não podiam ter...quero dizer, em vez disso ganhei Perebas.
As orelhas de Rony ficaram vermelhas. Parecia estar achando que falara demais, porque voltou a olhar para fora pela janela.
Harry não achava nada de mais que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja. Afinal, ele nunca tivera dinheiro algum na vida até um mês atrás, e disse isso ao Rony, e disse também o que sentira quando usava as roupas velhas de Duda e jamais ganhara um presente de aniversário decente. Isto pareceu animar Rony um pouco.
— Isso é tão bom de Harry. — disse Lily orgulhosa de como o filho se comportara.
Severus franziu o cenho pensativo, esse garoto começava a lembrar de Lily e Snape não queria ver as qualidades de Lily num filho de Potter.
— ... E até Rúbeo me contar, eu não sabia o que era ser bruxo nem quem eram meus pais nem o Voldemort.
— Aposto que isso vai choca-lo. — comentou James.
Rony ficou pasmo.
— Que foi?
— Você disse o nome do Você-Sabe-Quem! — exclamou Rony parecendo ao mesmo tempo chocado e impressionado — Eu achava que de todas as pessoas você...
— Não estou tentando ser corajoso nem nada dizendo o nome dele. É que nunca soube que não se podia dizer.
— Não tem nenhum sentido em ter medo de um nome. —contradisse Frank.
Está vendo o que quero dizer? Tenho muito que aprender... Aposto — acrescentou, pondo pela primeira vez em palavras algo que o andava preocupando muito ultimamente — Aposto que vou ser o pior da classe.
— Tenho certeza que você vai ser sair bem. — disse Lily olhando para livro. Ela lamentava cada pequena coisa que eles não puderam fazer com seu filho. Se as coisas tivesse sido diferentes a ruiva tinha certeza que ela e James teriam ensinado muitas coisas a ele durante a sua infância. Lily podia ver ela e James discutindo se deveriam ensinar Feitiços ou Transfiguração primeiro a Harry. Ela ensinaria poções e James daria aulas de vôo. Então ela percebeu que estava olhando para o moreno de óculos enquanto imaginava uma vida em família e corou desviando o olhar.
— Não vai ser não. Tem uma porção de gente que vem de famílias de trouxas e aprende bem depressa.
— Sua mãe é o exemplo disso. — comentou James sorrindo para a ruiva — Foi a melhor do nosso ano.
Lily corou ao modo que James se referiu a ela, logo depois de imaginar uma família com ele.
Snape estava cada vez mais frustrado, ele não entendia o comportamento de Lily. Aquele era Potter afinal de contas.
— Lily não foi a melhor do nosso ano. — comentou Sirius cuja voz tinha voltado. — Nós três — apontando para James e Lily — Tivemos as mesmas notas.
Frank resolveu voltar a ler antes que surgisse uma briga.
Enquanto conversavam, o trem saiu de Londres. Agora corriam por campos cheios de vacas e carneiros. Ficaram calados por um tempo, contemplando os campos e as estradinhas passarem num lampejo.
Por volta do meio-dia e meia ouviram um grande barulho no corredor e uma mulher toda sorrisos e covinhas abriu a porta e perguntou:
— Querem alguma coisa do carrinho, queridos?
Harry, que não tomara café da manhã ergueu-se de um salto, mas as orelhas de Rony ficaram vermelhas outra vez e ele murmurou que trouxera sanduíches. Harry foi até o corredor.
Nunca tivera dinheiro para doces na casa dos Dursley e agora que seus bolsos retiniam com moedas de ouro e prata, estava disposto a comprar quantas barrinhas de chocolate pudesse carregar, mas a mulher não tinha barrinhas. Tinha feijoezinhos de todos os sabores, balas de goma, chicles de bola, sapos de chocolate, tortinhas de abóbora, bolos de caldeirão, varinhas de alcaçuz e várias outras coisas estranhas que Harry nunca vira na sua vida.
Não querendo perder nada, ele comprou uma de cada e pagou à mulher onze sicles de prata e sete nuques.
Rony arregalou os olhos quando Harry trouxe tudo para a cabine e despejou no assento vazio.
— Que fome, hein?
— Espero que ele compartilhe. — Lily comentou.
— Tenho certeza que ele vai — tranquilizou James. Lily percebeu que Sirius e Alice sorriram a isso, mas antes que ela pudesse perguntar Frank voltou a ler.
— Morrendo de fome — respondeu Harry, dando uma grande dentada na tortinha de abóbora. Rony tirara um embrulho encaroçado e abriu-o. Havia quatro sanduíches dentro. Abriu um e disse:
— Ela sempre se esquece que não gosto de carne enlatada.
— Troco com você por um desses — propôs Harry, oferecendo um pastelão de carne. — Tome...
— Ele fez isso melhor que você — Alice olhou para James sorrindo.
— Sim — concordou Sirius — Você veio com metade do carrinho nos braços, jogou na mesa e disse "O que vocês estão esperando. Acham que eu vou comer tudo sozinho?"
— E no segundo ano. Pontas deu a desculpa que estava cheio demais e não conseguia comer mais. Então não devíamos desperdiçar. — contou Remus.
— E no terceiro ano, disse que o balanço do trem te impedia de comer mais e que era um crime deixar estragar. — continuou Alice.
— E no quarto ano, James disse que havia perdido uma aposta e devia comprar o doce preferido de todos. — foi a vez de Frank participar.
— E no quinto ano, Pontas disse que compartilhar doces no trem dava sorte nos NOMs. — Remus acrescentou
— E no sexto ano, meu amigo aqui disse que tinha comprado tudo pra uma certa ruiva, mas ela tinha recusado e não deveríamos desperdiçar os doces.
Lily abriu a boca para comentar que as meninas tinham aceitado os doces que James oferecera quando O moreno abriu a boca.
— E no sétimo ano vão todos ficar sem doces. — Pontas disse sem olhar para ninguém.
A ruiva olhou para ele e percebeu que ele estava envergonhado. Ela nunca teria imaginado ver James Potter com vergonha. Era tão fofo o que ele tinha feito pelos amigos. Arrumando desculpas para que eles não se sentissem mal em receber os doces.
— Fico feliz que Harry tenha herdado isso de você. — Lily comentou.
James piscou, seus olhos se abriram como se tivesse visto um dementador dançando a marcarena ou algo tão improvável como isso. Depois seus olhos começaram a brilhar muito, como se estivessem refletindo toda a luz da sala. Seus lábios começaram a se curvar lentamente, como se qualquer movimento brusco fosse acabar com um sonho que era bom demais para acreditar.
Lily ficou sem palavras para essa reação, parecia que ela tinha feito o dia de James com apenas uma frase. Ela tinha sido tão ruim com ele antes? Pela primeira vez ela sentiu-se um pouco mal por tudo que disse dele durante os anos, James não era perfeito. Mas era uma pessoa no fundo e ela sempre tinha negado até mesmo a chance de uma conversa. Isso a fazia uma pessoa má? James ainda estava sorrindo na direção dela. Mas era um sorriso tímido, quase sonhador. Lily sorriu de leve em resposta e o sorriso de James aumentou. Merlin! Ela realmente devia tratar melhor o rapaz.
Severus ficava cada vez mais emburrado, ele sabia que Lily veria nessa historia a generosidade de Potter. Mas Snape era mais esperto que isso. Ele via como Potter queria mostrar aos seus amigos como tinha dinheiro. Apenas foi muito espero para esfregar diretamente na cara deles. Será que apenas ele conseguia ver através da faixada que Potter estava mostrando? Foi tirado dos seus devaneios pela voz de Frank que voltara a ler.
— Você não vai querer isso, é muito seco. Ela não tem muito tempo — acrescentou depressa. — Você sabe, somos cinco.
— Come... Coma um pastelão — disse Harry, que nunca tivera nada para dividir com alguém antes, aliás, nem ninguém com quem dividir. Era uma sensação gostosa, sentar-se ali com Rony, acabar com todas as tortas e bolos de Harry (os sanduíches ficaram esquecidos).
Lily entendeu James melhor nesse momento. Ele também não tivera com quem dividir as coisas por um longo tempo. Podia imaginar por que ele se esforçava em fazer isso quando podia. Pela primeira vez ela pegou a mão de Potter não para impedir de lançar um feitiço, como teria sido ano passado. Ou porque estava nervosa com algo que tinha acontecido no livro. E sim porque ela queria fazer, mostrar que sabia o que ele sentia e estava orgulhosa disso.
Severus se afundou no sofá. Potter Jr. era tão exibido como o pai, compartilhando só para mostrar que tem. A única pessoa que já compartilhara algo com Snape era Lily. Mas isso era diferente. A ruiva fazia isso porque era uma boa pessoa e conhecia a vida do seu amigo. Motivos nobres completamente o oposto de Potter.
— Que é isso? — perguntou Harry a Rony, mostrando um pacote de sapos de chocolate. — Eles não são sapos de verdade, são? — Estava começando a achar que nada o surpreenderia.
— Não. Mas vê qual é a figurinha, está me faltando a Agripa.
— O quê?
— Claro que você não sabe, os sapos de chocolate têm figurinhas dentro, sabe, para colecionar, bruxas e bruxos famosos. Tenho umas quinhentas, mas não tenho a Agripa nem o Ptolomeu.
— Eu tenho os dois. — comentou Remus orgulhosamente, ele amava chocolate — Depois que Sirius me deu a Laverne de Montmorency nas férias. Só me falta Mopsus para completar a coleção.
— E depois disso você não terá motivos para comprar Sapos de Chocolate — comentou Sirius fazendo Remus olhar horrorizado e a maioria da sala sorrir antes de Frank continuar lendo.
Harry abriu o sapo de chocolate e puxou a figurinha. Era a cara de um homem. Usava óculos de meia-lua, tinha um nariz comprido e torto, cabelos esvoaçantes cor de prata, barba e bigode. Sob o retrato havia o nome Alvo Dumbledore.
— Foi minha primeira figurinha também. — comentou James.
— Então este é Dumbledore! — exclamou Harry.
— Não me diga que nunca ouviu falar de Dumbledore! Quer me dar um sapo? Quem sabe eu tiro a Agripa. Obrigado.
Harry virou o verso da figurinha e leu:
Alvo Dumbledore, atualmente diretor Hogwarts.
Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho em alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.
Harry virou de novo o cartão e viu, para seu espanto, que o rosto de
Dumbledore havia desaparecido.
— Ele desapareceu!
— E ele deveria fazer o que? Ficar parado todo o dia? — perguntou Alice que era puro sangue e não conhecia coisas trouxas.
— As fotografias trouxas ficam paradas na mesma posição sempre. — comentou Sirius e vendo o olhar de Alice continuou — Eu fiz estudo dos trouxas e arrumei um monte de fotografias que irritariam minha amada mãe e colei com feitiço permanente no meu quarto.
James e Remus sorriram sabendo exatamente quais eram as fotos, eles tinham ajudado a escolher. Lily abriu a boca para perguntar que tipo de fotografia, mas o sorriso no rosto dos meninos disse que era melhor ela não saber.
— Ora, você não pode esperar que ele fique aí o dia todo. Depois ele volta. Não, tirei a Morgana outra vez e já tenho umas seis... Você quer? Pode começar a colecionar.
Os olhos de Rony se desviaram para a pilha de sapos de chocolate que continuavam fechados.
— Sirva-se — disse Harry. — Mas, sabe, no mundo dos trouxas, as pessoas ficam paradas nas fotos.
— Ficam? O que, eles não se mexem? — Rony parecia surpreso. — Que coisa esquisita!
Frank e Alice concordaram com a cabeça.
Harry arregalou os olhos quando Dumbledore voltou para a figurinha e lhe deu um sorrisinho. Rony estava mais interessado em comer os sapos do que em olhar os bruxos e bruxas famosas, mas Harry não conseguia despregar os olhos deles. Logo não tinha só Dumbledore e Morgana, como também Hengisto de Woodcroft, Alberico Grunnion, Circe, Paraceko e Merlim. Por fim ele despregou os olhos da druida Cliodna que estava coçando o nariz, para abrir o saquinho de feijõezinhos de todos os sabores.
— Eu odeio esses. — comentou Lily que sempre tivera uma péssima sorte com os sabores.
— São os meus preferidos — contradisse Sirius.
— Claro, você poderia comer uma barata e achar gostoso. — brincou James.
— Tem feijãozinho sabor barata? — perguntou Sirius curioso — nunca provei.
Se recuperando do choque sobre o que Sirius era capaz de comer Frank voltou a ler.
— Você vai ter que tomar cuidado com essas aí — alertou Rony. — Quando dizem todos os sabores eles querem dizer TODOS OS SABORES. Sabe, todos os sabores comuns como chocolate, hortelã e laranja, mas também. Espinafre, fígado e bucho. Jorge achou que sentiu gosto de bicho-papão uma vez.
Rony apanhou uma balinha verde, examinou-a atentamente e mordeu uma ponta.
— Eca! Está vendo? Couve-de-bruxelas.
— Não é tão ruim. — Sirius vez beicinho.
Eles se divertiram comendo as balas. Harry tirou torrada, coco, feijão cozido, morango, caril, capim, café, sardinha e chegou a reunir coragem para morder a ponta de uma bala cinzenta meio gozada que Rony não queria pegar, e que era pimenta.
Ao menos seu filho tinha mais sorte que ela com sabores, pensou Lily.
Os campos que passavam agora pela janela estavam ficando mais silvestres. As plantações tinham desaparecido. Agora havia matas, rios serpeantes e morros verde- escuros.
Ouviram uma batida à porta da cabine e o menino de rosto redondo, por quem Harry passara na plataforma 9 e ½, entrou. Parecia choroso.
— Desculpem, mas vocês viram um sapo? Quando os dois sacudiram a cabeça, ele chorou.
— Perdi ele! Está sempre fugindo de mim!
— Esse garoto me lembra de Alice — comentou James — Só que o sapo dela não foge, ela que simplesmente não lembra onde deixou.
Alice mostrou a língua.
— Ele vai aparecer — consolou Harry.
Lily sorriu. Seu filho era uma boa criança. Só Merlin sabia como, depois de ter sido criado por Tuney.
— Vai — disse o menino infeliz. — Se você vir ele... E saiu.
— Não sei por que ele está tão chateado — disse Rony. — Se eu tivesse trazido um sapo ia querer perder ele o mais depressa que pudesse.
— Isso não é algo bom de dizer. — comentou Frank que sabia do amor da namorada por Sapos e não gostava que ninguém falasse mal de algo que Alice gostava.
— Ele estava apenas sendo sincero. — respondeu Sirius ganhando um olhar feio de Frank.
Mas, trouxe Perebas, por isso nem posso falar nada.
O rato continuava a tirar sua soneca no colo de Rony.
— Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença — disse Rony desgostoso. — Tentei mudar a cor dele para amarelo para deixar ele mais interessante, mas o feitiço não deu certo. Vou-lhe mostrar. Olhe...
Remexeu na mala e tirou uma varinha muito gasta. Estava lascada em alguns pontos e havia uma coisa branca brilhando na ponta.
— O pêlo do unicórnio está quase saindo. Em todo o caso...
— Essa varinha não vai ajuda-lo a ser bom nas aulas praticas. — comentou Remus.
Tinha acabado de erguer a varinha quando a porta da cabine abriu outra vez. O menino sem o sapo estava de volta, mas desta vez tinha uma garota em sua companhia. Ela já estava usando as vestes novas de Hogwarts.
— Ninguém viu um sapo? Neville perdeu o dele.
Tinha um tom de voz mandão, os cabelos castanhos muito cheios e os dentes da frente meio grandes.
— Eu amo as descrições desse livro. — disse Alice sorrindo.
— Já dissemos a ele que não vimos o sapo — respondeu Rony, mas a menina não estava escutando, olhava para a varinha na mão dele.
— Você está fazendo mágicas? Quero ver. Sentou-se. Rony pareceu desconcertado.
— Intrometida. — resmungou Sirius.
— Hum... Está bem. Pigarreou.
— Sol margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro.
Todos na sala caíram na gargalhada. Até mesmo os lábios de Snape se curvaram num sorriso.
— Aposto que foi George que ensinou o feitiço a Ron. — desafiou James.
— Isso é mais a cara de Fred. — contradisse Sirius.
— Como vocês podem disser isso? Eles mal apareceram nos livros. —. disse Frank.
— Nunca duvide desses dois quando se trata de pregar peças — explicou Remus — e eu concordo com James, foi George.
— Fred. — disse Alice apoiando Sirius.
— Não pode ter sido alguns dos outros irmãos? — perguntou Lily e todos olharam chocados. — Esqueça — ela fez um gesto para Frank voltar a ler.
Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Perebas continuou cinzento e completamente adormecido.
— Você tem certeza de que esse feitiço está certo? — perguntou a menina. — Bem, não é muito bom, né? Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo. Ninguém na família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Hermione Granger, e vocês quem são?
Ela disse tudo isso muito depressa.
Frank teve que parar para recuperar o folego.
— Nem mesmo você, querido — disse Alice para Frank — sabia todos os livros de cor no primeiro ano.
Frank fez biquinho.
Lily olhou chocada para menina, ela tinha se esforçado muito para aprender tudo sobre o mundo bruxo antes do primeiro dia de aula, mas não ao ponto de saber todos os livros de cor.
Remus pareceu interessado, qualquer pessoa que gostasse de ler tinha um ponto na lista dele.
Severus zombou internamente. Saber palavras de cor não fazia de você um bom bruxo. Era mais do que simplesmente decorar.
James e Sirius deram os ombros. Eles se lembravam do que estava no livro se precisasse, mas nunca se preocuparam em decorar nada. Ambos eram naturalmente inteligentes.
Harry olhou para Rony e sentiu um grande alivio ao ver, por sua cara espantada, que ele não aprendera todos os livros de cor tampouco.
— Sou Rony Weasley.
— Harry Potter.
— Verdade? Já ouvi falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está na História da magia moderna e em Ascensão e queda das artes das trevas e em Grandes acontecimentos do século XX.
— Harry está nos livros? — perguntou James surpreso com essa informação.
— Isso é obvio, visto que estamos lendo um. — retrucou Severus sarcasticamente mas James apenas ignorou.
— Estou? — admirou-se Harry sentindo-se confuso.
— Nossa, você não sabia, eu teria procurado saber tudo que pudesse se fosse comigo — disse Hermione. — já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor,
— É a melhor! — Os quatro grifinórios concordaram.
ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim..
— Corvinal é uma casa excelente — defendeu Frank.
Em todo o caso, acho melhor irmos procurar o sapo de Neville. E é melhor vocês se trocarem, sabe, vamos chegar daqui a pouco.
E foi-se embora, levando o menino sem sapo.
— Nem um pouco mandona. — zombou Sirius.
— Seja qual for a minha casa, espero que ela não esteja lá — comentou Rony e jogou a varinha de volta na mala. — Feitiço besta. Foi o Jorge que me ensinou, aposto que sabia que não prestava.
— Eu disse que era George. — James sorriu vitorioso juntamente com Remus, Sirius e Alice fizeram careta.
— Em que casa estão os seus irmãos? — perguntou Harry.
— Grifinória. — A tristeza parecia estar se apoderando dele outra vez. — Mamãe e papai estiveram lá também. Não sei o que vão dizer se eu não estiver. Acho que a Corvinal não seria muito ruim, mas imagine se me puserem na Sonserina.
— Você parece ser uma boa pessoa. Não vai ser posto na Sonserina. — disse Sirius.
— Sirius! Não importa a casa que ele vá. Todas são boas. — defendeu Lily sabendo que Snape tinha orgulho de ir para Sonserina.
— É a casa em que Vol... Quero dizer Você-Sabe-Quem esteve?
— É. — E afundou novamente no assento, parecendo deprimido.
— Sabe, acho que as pontas dos bigodes de Perebas ficaram um pouquinho mais claras — disse Harry, tentando distrair o pensamento de Rony das casas.
Lily sorriu. Ela sabia que sorria sempre que Harry fazia uma coisa boa. mas não poderia se impedir. Seu filho era uma criança maravilhosa.
— Então, o que é que os seus irmãos mais velhos fazem agora que já terminaram?
Harry estava imaginando o que fazia um bruxo depois que terminava a escola.
— Carlinhos está na Romênia estudando dragões e Gui está na África fazendo um serviço para o Gringotes.
— Ótimas profissões — aprovou Frank.
Você soube o que aconteceu com o Gringotes? O Profeta Diário só fala nisso, mas acho que morando com os trouxas você não recebe o jornal. Uns caras tentaram roubar um cofre de segurança máxima.
Harry arregalou os olhos.
Movimento imitado por todos na sala. Frank começou a ler rapidamente. Isso era uma grande noticia.
— Verdade? E o que aconteceu com eles?
— Nada, é por isso que é uma noticia tão importante. Não foram pegos.
Todos se sentiram um pouco assustado agora. Parecia o tipo de coisa que Voldemort faria.
Papai disse que deve ter sido um bruxo das trevas poderoso para enganar Gringotes, mas estão achando que eles não levaram nada, isso é que é esquisito. É claro que todo o mundo fica apavorado quando uma coisa dessas acontece porque Você-Sabe-Quem pode estar por trás da coisa.
Harry repassou as noticias mentalmente. Estava começando a sentir um arrepio de medo toda vez que Você-Sabe-Quem era mencionado. Supunha que isso fazia parte do ingresso no mundo da magia, mas tinha sido muito mais confortável dizer Voldemort sem se preocupar.
— Você não deve ter medo de um nome. — comentou Lily.
— Qual é o seu time de Quadribol — perguntou Rony.
— Hum... Não conheço nenhum — confessou Harry.
James deu um suspiro triste. E abaixou a cabeça nas mãos. Ele não tinha ensinado seu filho a subir numa vassoura. Não tinha levado a jogos. Não tinha explicado sobre os times.
Remus olhou para James percebendo o quanto isso devia ser difícil para o amigo. Ele tinha um filho que não conhecia nada sobre ele, e o próprio James não pode participar da vida do filho. O lobo olhou para Sirius que tinha um brilho de determinação em olhos mostrando que faria qualquer coisa para James não ter que sentir o que estava sentido nesse momento.
— O quê? — Rony parecia pasmo. — Ah, espere ai, é o melhor jogo do mundo
— E saiu explicando tudo sobre as quatro bolas e as posições dos sete jogadores, descreveu jogos famosos a que fora com os irmãos e a vassoura que gostaria de comprar se tivesse dinheiro. Estava mostrando a Harry as qualidades do jogo quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, mas agora não era Neville, o menino sem sapo, nem Hermione Granger.
— Merlin o abençoe. — resmungou Sirius.
Três garotos entraram e Harry reconheceu o do meio na hora: era o garoto pálido da loja de vestes de Madame Malkin. Olhou para Harry com um interesse muito maior do que revelara no Beco Diagonal.
Sirius gemeu. Ele preferia a menina mandona.
— É verdade? — perguntou — Estão dizendo no trem que Harry Potter está nesta cabine. Então é você?
— Agora que você sabe quem é, tem interesse em falar com ele. Hunf. — Lily revirou os olhos.
— Sou — respondeu Harry. Observava os outros garotos. Os dois eram fortes e pareciam muito maus. Postados dos lados do menino pálido eles pareciam guarda-costas.
— Ah, este é Crabbe e este outro, Goyle — apresentou o garoto pálido displicentemente, notando o interesse de Harry — E meu nome é Draco Malfoy.
Os marotos abafaram uma risada.
— Merlin livre a família Black de por um nome normal nas crianças. — zombou Sirius.
— Esse garoto é um Black? — perguntou Frank.
— Minha família esta fazendo arranjos para minha prima Cissy se casar com Lúcios Malfoy. Imagino que seja o filho deles. — respondeu Sirius.
— Pobre mulher. — compadeceu Alice.
Rony tossiu de leve, o que poderia estar escondendo uma risadinha. Malfoy olhou para ele.
— Acha o meu nome engraçado, é? Nem preciso perguntar quem você é. Meu pai me contou que na família Weasley todos têm cabelos ruivos e sardas e mais filhos do que podem sustentar.
— Eu definitivamente quero enfeitiçar esse garoto. — rosnou Alice.
— Virou-se para Harry — Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são bem melhores do que outras, Harry. Você não vai querer fazer amizade com as ruins. E eu posso ajudá-lo nisso.
— Harry não precisa desse tipo de ajuda. — comentou Remus
Ele estendeu a mão para apertar a de Harry, mas Harry não a apertou.
Lily aprovou com a cabeça.
— Acho que sei dizer qual é o tipo ruim sozinho, obrigado. — disse com frieza.
— Esse é meu menino. — disse James orgulhoso.
Draco não ficou vermelho, mas um ligeiro rosado coloriu seu rosto pálido.
— Sinto o cheiro de uma inimizade chegando. — Sirius esfregou as mãos.
— Eu teria mais cuidado se fosse você, Harry. — disse lentamente. — A não ser que seja mais educado, vai acabar como os seus pais. Eles também não tinham juízo. Você se mistura com gentinha como os Weasley e aquele Rúbeo e vai acabar se contaminando.
Frank teve que parar de ler devido aos berros xingando o garoto. Sirius, Remus e Alice tinham se levantando quando Malfoy mencionou os pais de Harry. Lily e James ficaramm indignados quando o nome de Rúbeo apareceu. Frank estava tendo dificuldades em não odiar o menino. E ele se dava bem com a maior parte das pessoas. E mesmo Severus estava com raiva do menino por tomar a morte de Lily levianamente.
Harry e Rony se levantaram. O rosto de Rony estava vermelho como os cabelos.
— Repete isso.
— Ah, você vai brigar com a gente, vai? — Draco caçoou.
— A não ser que você se retire agora — disse Harry com uma coragem maior do que sentia, porque Crabbe e Goyle eram bem maiores do que ele ou Rony.
James conseguiu sorrir a isso. Seu filho dava todos os sinais de ser um grifinório.
— Mas não estamos com vontade de nos retirar, estamos, garotos? Já comemos toda a nossa comida e parece que vocês ainda têm alguma coisa. Goyle fez menção de apanhar os sapos de chocolate ao lado de Rony. Rony deu um pulo para frente, mas antes que encostasse em Goyle, este soltou um berro terrível.
Perebas, o rato, estava pendurado em seu dedo, os dentinhos afiados enterrados na junta de Goyle.
— É por isso que eu amo ratos! — comentou Sirius.
Crabbe e Draco recuaram enquanto Goyle rodava e rodava o braço, urrando, e quando Perebas finalmente se soltou e bateu na janela, os três desapareceram na mesma hora. Talvez achassem que havia mais ratos escondidos nos doces, ou talvez tivessem ouvido passos, porque um segundo depois, Hermione Granger entrou.
Sirius revirou os olhos, ele não gostava dessa garota.
— Que foi que aconteceu? — perguntou, vendo os doces espalhados no chão e Rony apanhando Perebas pela cauda.
— Não é da sua conta. — resmungou o rapaz de olhos cinzas.
— Acho que apagaram ele — disse Rony a Harry. E examinou Perebas mais atentamente. — Não... Não acredito... Ele voltou a dormir.
E dormira mesmo.
— Você já conhecia Draco Malfoy?
Harry contou o encontro deles no Beco Diagonal.
— Já ouvi falar na família dele — disse Rony sombrio. — Foram os primeiros a voltar para o nosso lado depois que Você-Sabe-Quem desapareceu. Disseram que tinha sido enfeitiçado.
Todos que conheciam os Malfoy duvidaram disso.
Papai não acredita nisso. Diz que o pai de Draco não precisou de desculpa para se bandear para o lado das Trevas. — E virou-se para Hermione. — Podemos fazer alguma coisa por você.
— É melhor vocês se apressarem e trocarem de roupa. Acabei de ir lá na frente perguntar ao maquinista e ele me disse que estamos quase chegando. Vocês andaram brigando? Vão se meter em encrenca antes mesmo de chegarmos lá!
— Acho que ela se sente sozinha — comentou Alice com pena da menina. Ela parecia ter dificuldades para fazer amigos.
— Perebas andou brigando, nós não — disse Rony, fazendo cara zangada. — Você se importa de sair para podermos nos trocar.
— Ele não tem nenhum tato. — reprovou Lily.
— Está bem. Só vim para cá porque as pessoas nas outras cabines estão se comportando feito crianças, correndo pelos corredores — disse Hermione em tom choroso. — E você está com o nariz sujo, sabia?
— Como ela pretende fazer amigos sendo insuportável desse jeito? — perguntou Sirius e as meninas lhe deram um olhar feio.
Rony amarrou a cara quando ela se retirou. Harry espiou pela janela. Estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado. O trem parecia estar diminuindo a velocidade. Ele e Rony tiraram os paletós e puseram as vestes longas e pretas. A de Rony estava um pouco curta, dava para ver as calças. Uma voz ecoou pelo trem.
— Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor, deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
O estômago de Harry revirou de nervoso e ele reparou que Rony parecia pálido sob as sardas. Os dois encheram os bolsos com o resto dos doces e se reuniram à garotada que apinhava os corredores.
Todos estavam animados para que Harry chegasse a Hogwarts.
O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Harry estremeceu ao ar frio da noite. Então apareceu uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e Harry ouviu uma voz conhecida.
— Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem Harry?
O rosto grande e peludo de Rúbeo Hagrid sorria por cima de um mar de cabeças.
— Você tem que amar Hagrid. — comentou Alice.
— Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?
Aos escorregões e tropeços, eles seguiram Hagrid por um caminho de aparência íngreme e estreita. Estava tão escuro em volta que Harry achou que devia haver grandes árvores ali.
Ninguém falou muito. Neville, o menino que vivia perdendo o sapo, fungou umas duas vezes.
Alice simpatizou com o menino.
— Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo. — Hagrid gritou por cima do ombro —, logo depois dessa curva.
Ouviu-se um ooooh muito alto.
— Todos tem a mesma reação. — comentou Frank sorrindo.
— Esses dois não. — disse Remus apontando para os amigos morenos. — Eles provavelmente pensaram em como explodir algo tão grande ou qualquer coisa nessa linha.
Os morenos em questão sorriram.
O caminho estreito se abrira de repente ate a margem de um grande lago escuro. Encarrapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas.
— Só quatro em cada barco! — gritou Hagrid, apontando para uma flotilha de barquinhos parados na água junto à margem. Harry e Rony foram seguidos até o barco por Neville e Hermione.
— Essa menina está em todo lugar. — reclamou Sirius.
— Todos acomodados? — gritou Hagrid, que tinha um barco só para si. — Então... VAMOS!
E a flotilha de barquinhos largou toda ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro. Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que se aproximavam do penhasco em que estava situado.
— Abaixem as cabeças! — berrou Hagrid
— Eu gostaria de ter ouvido esse aviso. — resmungou James.
quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco, todos abaixaram as cabeças e os barquinhos atravessaram uma cortina de hera que ocultava uma larga abertura na face do penhasco. Foram impelidos por um túnel escuro, que parecia levá-los para debaixo do castelo, até uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcaram subindo em pedras e seixos.
— Ei, você ai! É o seu sapo? — perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.
— Trevo! — gritou Neville feliz, estendendo as mãos.
Alice sorriu feliz por Neville achar o sapo, ela não sabia porque mas gostava desse menino.
Então eles subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna de Hagrid e desembocaram finalmente em um gramado fofinho e úmido à sombra do castelo.
Galgaram uma escada de pedra e se aglomeraram em torno da enorme porta de carvalho.
— Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu sapo?
Hagrid ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.
— Vou beber um pouco de agua antes de ler. — anunciou Alice se levantando.
Lily aproveitou a oportunidade de falar com Severus que havia ficado em silencio na maior parte do capitulo.
— O que esta te incomodando? — pediu a ruiva.
Severus pareceu pensar um pouco antes de responder:
— Eu não entendo porque estou lendo esse livro junto com vocês. — Snape tinha um sentimento incomodo que algo ruim aconteceria, ele não podia explicar. Quanto mais ele pensava em Harry e o comparava com o pai, pior ficava o sentimento.
— É sobre a vida do meu filho, Sev — Severus achou que não era hora de comentar que Harry talvez nem nascesse, mas Lily deve ter percebido algo já que continuou falando. — Eu sei que ele não nasceu ainda, mas eu amo essa criança.
Lily pareceu pensar as palavras, mas não tinha um jeito mais fácil de falar isso. — É uma parte de mim, e eu a amo mais do que posso explicar. E mesmo que nada disso tenha acontecido ainda, eu me sentiria melhor sabendo que se algo me acontecer você estará lá para meu filho. — Lily suspirou — Eu sei que você e James não se dão bem — Severus bufou, eufemismo do século — Mas eu quero que você esteja lá para o meu filho, que conte a ele sobre a infância da mãe que gostava de balanços, — Lily sorriu — e o ensine todos os truques de poções que aprendemos juntos. — A ruiva encarou Severus, e por um momento ele se perdeu no mar verde os olhos de Lily. — James tem Sirius e Remus para contar sobre todas as confusões que ele aprontou em Hogwarts — E Snape percebeu o tom carinhoso de Lily. — E Alice contaria sobre as brigas épicas que eu e James tivermos, mas nenhum deles foi meu melhor amigo durante anos.
— Você quer ter esse filho com Potter? — Severus estava com medo dessa resposta, mas ele precisava saber.
Lily olhou para James que estava numa conversa animada com o resto dos meninos e pensou um pouco antes de voltar para Severus e responder:
— É estranho sabe, neste momento eu não me imagino com uma criança. — Lily sorriu e Severus sentiu uma minúscula esperança — Mas eu me sinto feliz por ter tido Harry, e eu posso ver James como pai. — A ruiva mordeu os lábios e Severus sabia que ela estava nervosa sobre o que dizer a seguir — Eu não sei como me sinto sobre James nesse momento. Mas eu estou começando a entender o que meu eu futuro viu nele. — Duas manchas rosadas apareceram nas bochechas da ruiva.
— E o fato de você sempre ter dito que ele era um babaca arrogante? — Severus fez uma última tentativa. — Você esqueceu tudo que ele fez?
— As coisas não são simplesmente pretas e brancas. — disse Lily com um sorriso triste se lembrando da carta. — E ele esta se crescendo. — o sorriso de Lily se tornou feliz agora.
Snape lutou para não deixar transparecer o que ele estava sentido. Sempre fora o seu maior medo. Potter era o garoto de ouro de todo mundo, jogador de Quadribol, popular, rico, queridinho dos professores. Teve tudo que Snape sempre quis, e o mais importante, parecia que ele teria Lily também.
— Pense no que eu disse. Eu realmente gostaria que você estivesse lá para meu filho. — Lily sorriu e Severus se sentiu pior, ele queria ser o homem que Lily pensava que ele era, mas o custo era muito alto. Ele sequer conseguia se imaginar sendo bom com um filho de Potter. Ele conseguiria ser amigo de Lily se ela realmente ficasse com Potter? Ele poderia não odiar uma criança que era um lembrete vivo dele ter perdido Lily?
Neste momento Alice voltou interrompendo os meninos que conversavam sobre ser ou não possível enviar um assento de privada para fora de Hogwarts. A menina abriu o livro rindo e leu o próximo titulo: Capítulo Sete: O Chapéu Seletor.
