Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Tudo pertence à magnifica J. K. Rowling.
A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.
Mais de 100 reviews *.* nem tenho palavras para agradecer a todos que tem comentado. Obrigada.
E podem ficar tranquilos só porque eu postei o capitulo tarde ontem não quer dizer que eu desisti da fic, por favor, não se afoguem em um copo d'agua nem nada do estilo.
Respondendo as reviews:
Taciana: Infelizmente a única fic que eu conheço nesse estilo que não seja em inglês é En La Sala del Requerimientos. Que você já esta lendo. Uma das coisas que me motivou a escrever é que não tinha achado nenhuma assim em português.
Flah ': Olá xará. Eu vou escrever todos os livros sim. E eu também não posso esperar para chegar em Prisioneiro de Azkaban. São tantas ideias *.*. É uma pena que tenha Câmara Secreta antes, mas fazer o que.
Boa leitura!
...
Todos tiveram um calafrio ao pensar em quem poderia querer a pedra, e como seria ruim se isso acontecesse.
James se apressou a abrir o livro para afastar esses pensamentos, e se animou ao ler o titulo do próximo capitulo: Capítulo Dez – O Dia das Bruxas
...
— Eu amo o Dia das Bruxas. — comentou Lily feliz.
Draco não consegui acreditar em seus olhos quando viu que Harry e Rony continuavam em Hogwarts no dia seguinte, parecendo cansados, mas absolutamente felizes.
— Engula essa! — disse Sirius.
De fato, na manhã seguinte Harry e Rony começaram a achar que o encontro com o cachorro de três cabeças fora uma excelente aventura e estavam prontos para outra.
— Exatamente como o pai. — murmurou Severus.
Lily olhou para James.
— Sev tem razão, de todas as coisas boas você tinha que transmitir para Harry ele teve que herdar seu senso de aventura?
— Eu não posso escolher o que Harry vai herdar. — James bagunçou os cabelos. Lily estreitou os olhos para o gesto.
— Eu sei. — Lily suspirou — Eu só espero que sobreviva a ser mãe de um maroto.
Os três marotos na sala sorriram "inocentemente" para ela.
Entrementes Harry contou a Rony sobre o pacotinho que parecia ter sido levado de Gringotes para Hogwarts, e passaram muito tempo pensando no que poderia precisar de tanta proteção.
— Ou é uma coisa realmente valiosa ou realmente perigosa — falou Rony.
— São ambas as coisas. — disse Frank.
— Ou as duas — acrescentou Harry.
Mas como só o que sabiam com certeza sobre o misterioso objeto era que media uns cinco centímetros de comprimento, não tinham muita possibilidade de adivinhar o seu conteúdo sem outras pistas.
— Eu concordo que sem o titulo do livro seria difícil adivinhar. — concedeu Remus.
Nem Neville nem Hermione mostraram o menor interesse pelo que estava sob os pés do cachorro e do alçapão. Neville só estava interessado em quando iria chegar perto do cachorro outra vez.
— Me filho tem bom senso. — comentou Alice sorrindo.
— Herdou do pai. — respondeu James brincando. Fazendo a garota dar um olhar nada amigável.
Hermione agora se recusava a falar com Harry e Rony,
— Nenhuma perda. — comentou Sirius.
mas era uma menina tão mandona e metida a saber de tudo que eles encararam sua atitude como um prêmio.
— Os garotos concordam comigo. — Sirius sorriu.
— O que apenas prova que você tem a mente de uma criança de onze anos. — zombou Severus. Sirius segurou a varinha, mas Remus lembrou que só com um bom motivo ele poderia azarar Snape.
Agora só o que realmente queriam era descobrir um jeito de se vingar do Draco,
— Mais uma vez, exatamente como o pai. — murmurou Severus.
— Obrigado. — James respondeu deixando Snape sem ação. O maroto estava muito orgulhoso do seu filho e ser comparado a ele era um elogio.
e para sua grande satisfação, a oportunidade chegou pelo correio mais ou menos uma semana depois.
Os marotos e Alice se animaram com essa noticia.
Quando as corujas invadiram o salão como de costume, a atenção de todos foi atraída por um longo pacote carregado por seis corujonas.
— Porque ninguém pode cuidar de sua própria vida. — resmungou Snape.
— Estamos falantes agora. — brincou Lily.
— Se eu vou ter que ficar aqui durante sete livros ouvindo todos comentarem. Posso muito bem fazer meus próprios comentários. — Severus respondeu dando os ombros.
Lily sorriu feliz ao ver Sev participar da conversa.
Harry sentiu tanta curiosidade quanto os outros para ver o que havia no pacote e se surpreendeu quando as corujas desceram planando e o largaram bem diante dele, derrubando o seu bacon no chão. Mal tinham se afastado quando outra coruja deixou cair uma carta em cima do pacote.
Harry abriu a carta primeiro, o que foi uma sorte, porque ela dizia:
"NÃO ABRA O PACOTE À MESA.
Ele contem a sua nova Nimbus 2000,
— Isso! — gritou James antes de continuar lendo.
mas não quero que todo o mundo saiba que você ganhou uma vassoura ou todos vão querer uma.
— É claro que todos vão querer uma. É a melhor vassoura que existe. — comentou Sirius.
— Acho que o autor da carta quis dizer que todos os alunos do primeiro ano iriam querer uma vassoura. — disse Frank.
Sirius fez biquinho.
Olívio Wood vai esperá-lo hoje à noite às sete horas no campo de Quadribol para a sua primeira sessão de treinamento.
Professora Minerva McGonagall".
— Ah Minnie! Eu vou comprar a maior garrafa do mais puro whisky escocês assim que sairmos dessa sala.
James sabia que a prof.ª McGonagall gostava dele, ele era um de seus alunos preferidos sem sombra de duvidas. Mas a generosidade dela para Harry o surpreendera. E Minerva deveria querer muito essa taça de quadribol para dar a vassoura à Harry.
Harry teve dificuldade em esconder a alegria quando passou o bilhete para Rony ler.
Lily sorriu feliz ao ver seu filho feliz.
— Uma Nimbus 2000! — Rony gemeu de inveja. — Eu nunca nem pus a mão em uma.
— Tenho certeza que Harry ira emprestar a vassoura. — comentou Remus.
Os dois saíram depressa do salão, querendo desembrulhar a vassoura sozinhos antes da primeira aula, mas no meio do saguão de entrada encontraram o caminho barrado por Crabbe e Goyle.
Draco tirou o pacote de Harry e apalpou-o.
— É uma vassoura — falou,
— Não diga! — falou Remus sarcástico — Achei que fosse um espanador de pó aumentado para Harry limpar o castelo.
Todos sorriram e mesmo Snape se esforçou para não achar graça.
atirando-o de volta a Harry com uma expressão de inveja e despeito no rosto. — Você vai se ferrar desta vez, Potter, alunos do primeiro ano não podem ter vassouras.
— Mas Harry é uma exceção, graças a você. — comentou James.
Rony não conseguiu resistir.
— Não é uma vassoura velha qualquer, é uma Nimbus 2000. Que foi que você disse que tem em casa, Draco, uma Comet 260? — Rony riu para Harry — A Comet enche os olhos, mas não tem a mesma classe da Nimbus.
— Pela descrição eu diria que nenhuma vassoura chega perto da Nimbus 2000.
Severus revirou os olhos. Jogadores de quadribol e suas taras por vassouras.
— Que é que você entende disso Weasley? Você não poderia comprar nem a metade do cabo. Vai ver você e seus irmãos têm que economizar para comprar palha por palha.
Sirius rosnou e James grunhiu.
Severus não conseguia entender como este aluno que parecia tão detestável era seu aluno favorito no futuro.
Antes que Rony pudesse responder, o professor Flitwick apareceu ao lado de Draco.
— Não estão brigando, meninos, espero — falou com voz esganiçada.
— Apenas uma troca de opiniões amigável. — comentou Sirius.
— Potter recebeu uma vassoura, professor — disse Draco, depressa.
— Eu sei — respondeu o professor Flitwick, abrindo um grande sorriso para Harry.
Lily sorriu ao ver seu professor favorito tratar bem seu filho.
– A Professora Minerva me falou das circunstâncias especiais, Potter. E qual é o modelo?
— Uma Nimbus 2000, professor — informou Harry, lutando para não rir da expressão horrorizada no rosto de Draco. — E, para falar a verdade, foi graças ao Draco aqui que ganhei a vassoura — acrescentou.
— Muito bem dito Harry! — elogiou Alice.
— Eu não sei se elogio Lily ou James pelas respostas de Harry. Ambos são bons em uma discursão. — comentou Frank.
— Isso é porque eles tiveram anos de treinamento um com o outro. — disse Sirius sorrindo.
— Acho que Harry é a mistura perfeita da personalidade dos dois. — finalizou Remus olhando para os pais em questão.
Lily e James sorriram em resposta. James achava que Harry parecia com Lily. Já a ruiva achava Harry mais parecido com o pai.
Snape continuou sua negação silenciosa. Ele realmente não queria ver Lily naquela criança, mas ficava cada vez mais difícil ignorar as semelhanças.
Harry e Rony subiram as escadas sufocando o riso diante da raiva e confusões visíveis de Draco.
— É verdade — disse Harry, caindo na gargalhada, quando chegaram ao alto da escadaria de mármore. — Se ele não tivesse roubado o Lembrol do Neville eu não estaria no time.
— Fale em consequências indesejadas. — brincou Frank.
— Então suponho que você ache que ganhou um prêmio por desobedecer ao regulamento? — Ouviu-se uma voz zangada logo atrás deles. Hermione subia com passos decididos a escadaria, olhando com desaprovação para o pacote nas mãos de Harry.
— Você não estava ignorando-os. Por favor, continue. — comentou Sirius.
— Pensei que você não estava falando com a gente — comentou Harry.
— E, continue a não falar — falou Rony — está fazendo tanto bem a gente. Hermione se afastou com o nariz empinado.
— A pobre menina só quer fazer amigos, vocês deveriam dar uma chance a ela. — comentou Alice simpatizando com a menina solitária.
Harry teve muita dificuldade em se concentrar nas aulas daquele dia. Seus pensamentos não paravam de vagar até o dormitório onde guardara a vassoura debaixo da cama, ou de se desviarem para o campo de Quadribol onde iria aprender a jogar.
James sorriu, Ele sempre se sentia assim antes de um jogo de quadribol.
Snape revirou os olhos. Só na família Potter voar era mais importante que as aulas.
Jantou depressa à noite, sem ao menos reparar no que estava comendo
Sirius murmurou algo que soara como "desperdício."
e, em seguida, correu até o quarto com Rony para finalmente desembrulhar a Nimbus 2000.
— Uau! — suspirou Rony, quando a vassoura apareceu na cama de Harry.
Até Harry, que não entendia nada de vassouras e suas diferenças, achou que a Nimhus tinha uma aparência fantástica.
Aerodinâmica e reluzente com um cabo de mogno, a vassoura tinha uma longa cauda de palhas limpas e retas e a marca Nimbus 2000 escrita a ouro próximo ao punho.
James estava quase babando na descrição.
— Acho que você terá que competir com a vassoura. — disse Alice brincando.
Lily viu a cara de sonhador de James e decidiu testar a teoria de Alice.
— James. — Lily chamou suavemente.
No mesmo instante James virou o olhar para Lily parecendo ainda mais sonhador que há segundos atrás.
— Sim, Lily. — James respondeu sorrindo.
— Você tinha apenas parado de ler. — Lily comentou sorrindo fazendo todos rirem. E James olhar confuso. Alice atirou um olhar para a ruiva que concordava que Lily ganharia das vassouras a qualquer momento.
Snape já tinha revirado o cérebro do avesso e não tinha achado uma maneira de afastar Lily de Potter a menos que o rapaz fizesse algo. Mas por alguma ironia cruel do destino Potter não tinha feito nada de errado por um bom tempo.
James voltou a ler ainda confuso pelo sorriso de seus amigos.
Quando eram quase sete horas, Harry saiu do castelo e se dirigiu ao campo de Quadribol no lusco-fusco. Nunca estivera no estádio antes. Havia centenas de lugares em uma arquibancada em volta do campo de modo que os espectadores viam o que acontecia do alto. Em cada ponta do campo havia três balizas douradas com aros no topo lembraram a Harry os canudinhos de plástico que as crianças trouxas usavam para soprar bolinhas de sabão, só que tinham mais de 15 metros de altura.
— É uma boa comparação. — elogiou Lily.
Ansioso demais para esperar Olívio sem voar, Harry montou a vassoura e deu um impulso. Que sensação, ele mergulhou pelas balizas, subiu e desceu pelo campo. A Nimbus 2000 ia aonde ele queria ao menor toque.
Sirius se juntara a James na apreciação silenciosa pela vassoura.
— Ei, Potter, desça!
Olívio Wood chegara. Carregava uma grande caixa de madeira debaixo do braço. Harry pousou ao lado dele.
— Muito bom — comentou Olivio, os olhos brilhando. — Estou vendo o que foi que Minerva quis dizer... Você realmente tem um talento natural.
O sorriso de James aumentou. Ele nunca enjoaria de ouvir seu filho sendo elogiado no quadribol.
Hoje à noite só vou lhe ensinar as regras do jogo, depois você vem aos treinos do time três vezes por semana.
James levantou a sobrancelha. Ele treinava quatro vezes na semana. E só não treinava todas as noites porque Minnie se recusava a reservar o campo. Algo sobre os outros jogadores precisarem estudar.
Ele abriu a caixa. Dentro havia quatro bolas de tamanhos diferentes.
— Certo — disse Olívio. — O Quadribol é muito fácil de entender, mesmo que não seja fácil de jogar. Tem sete jogadores de cada lado. Três deles são artilheiros.
James sorriu ainda mais. Essa era sua posição.
— Três artilheiros — Harry repetiu, enquanto Olívio apanhava uma bola muito vermelha do tamanho aproximado de uma bola de futebol.
— Esta bola se chama goles — explicou Olívio. — Os artilheiros atiram a goles um para o outro e tentam metê-la em um dos aros para marcar um gol. Dez pontos todas as vezes que a goles passa por um dos arcos. Está me acompanhando?
— Tenho certeza que qualquer idiota entenderia essa explicação. — murmurou Snape.
James abriu a boca para responder mais mudou de ideia. Ranhoso não tinha ofendido Harry.
— Os artilheiros atiram a goles pelos aros para marcar pontos — repetiu Harry
— Então é como um basquete com seis cestas e vassouras, não é?
— Não exatamente. Basquete não tem goleiros. — comentou Remus, os marotos conheciam alguns esportes trouxas. Sirius e James aprenderam na aula de Estudo dos Trouxas e tentaram jogar algumas vezes nas férias.
— O que é basquete? — perguntou Olívio curioso.
— Deixa pra lá — disse Harry na mesma hora.
— Agora, tem outro jogador, um para cada lado, que é chamado goleiro. Eu sou o goleiro de Grifinória. Tenho que voar em volta dos aros para impedir que o outro time marque pontos.
— Três artilheiros, um goleiro — disse Harry, que estava decidido a decorar tudo — E jogam uma goles, OK entendi. E essas para que servem? — Apontou para as três bolas restantes na caixa.
— Vou lhe mostrar agora. Segure aqui.
Ele entregou um pequeno bastão a Harry, meio parecido com um bastão de beisebol.
— Vou lhe mostrar o que os balaços fazem. Essas duas aqui são os balaços.
— Ele deveria dizer a Harry que a bola tentaria ataca-lo. — comentou Alice e Lily acenou concordando.
— Acho que ele esta testando os reflexos de Harry. — James respondeu dando os ombros.
E mostrou a Harry duas bolas iguais, pretas e ligeiramente menores do que a goles vermelha. Harry reparou que elas pareciam estar fazendo força para se livrar das correntes que as prendiam na caixa.
Sirius suspirou saudoso, ele tinha sido batedor do terceiro ao quinto ano, até que o desagradável incidente com Snape aconteceu e uma das suas muitas punições foi a proibição de jogar quadribol.
— Fique longe — Olívio preveniu Harry. Ele se curvou e soltou um dos balaços. Na mesma hora, a bola preta saiu voando e em seguida desceu direto contra o rosto de Harry. Harry golpeou-a como bastão para impedi-la de quebrar o seu nariz e mandou-a ziguezagueando para longe,
— Seu filho tem bons reflexos. —elogiou Sirius e James sorriu para o amigo sabendo o quanto Almofadinhas sentia falta do quadribol embora fingisse não se importar.
ela passou veloz pelas cabeças deles e, em seguida, atirou-se contra Olívio, que mergulhou sobre ela e conseguiu imobilizá-la no chão.
— Está vendo? — Olívio ofegou, forçando o balaço indócil de volta à caixa e passando a correia para prendê-lo. — Os balaços voam pelo ar tentando derrubar os jogadores das vassouras. E por isso que tem dois batedores em cada time. Os gêmeos Weasley são os nossos. A função deles é proteger o time dos balaços e tentar rebatê-los para o outro time. Então, acha que guardou tudo?
— Três artilheiros tentam marcar pontos com a goles o goleiro guarda as balizas os batedores afastam os balaços do seu time — Harry repetiu como um gravador.
— Muito bem.
— Hum... Os balaços já mataram alguém? — perguntou Harry, esperando parecer displicente.
— Nunca em Hogwarts. — tranquilizou James. — A pior coisa que tivemos foram alguns crânios rachados.
— Nunca em Hogwarts. Já tivemos uns queixos quebrados, mas nada mais serio. Agora, o último membro da equipe é o apanhador: você. E você não tem que se preocupar com a goles nem com os balaços.
— Harry deve se preocupar com os balaços. — contradisse Sirius.
— A não ser que rachem a minha cabeça.
— Não se preocupe, os Weasley são uma parada para os balaços, quero dizer, eles parecem uns balaços humanos.
Os marotos sorriram a esse comentário.
Olívio meteu a mão no caixote e tirou a quarta e última bola.
Comparada com a goles e os balaços, era pequenininha, mais ou menos do tamanho de uma noz. Era de ouro polido e tinha asinhas de prata que se agitavam.
James enfiou a mão no bolso antes de se lembrar que ele não estava em aulas, portanto o pomo não estava no seu bolso.
— Este é o pomo de ouro, e é a bola mais importante de todas. É muito difícil de se apanhar porque é veloz e pouco visível. A função dos apanhadores é agarrá-la. Eles têm que se meter entre os artilheiros, batedores, balaços e a goles para agarrá-lo antes do apanhador do time contrário, porque o apanhador que agarra o pomo ganha para o seu time mais cento e cinqüenta pontos, o que praticamente lhe dá a vitória.
— Eu sempre me perguntei por que você não jogou de apanhador. — perguntou Lily a James — Já que ele sozinho consegue cento e cinquenta pontos.
— Justamente por isso. — respondeu James como se fosse obvio. Sirius e Remus suspiraram já tendo ouvido esse discursos varias vezes. — O apanhador só pode fazer cento e cinquenta pontos. Os artilheiros podem fazer muito mais. Eu sempre tive como meta fazer cento e sessenta pontos no mínimo por partida. Fora que jogar de apanhador não é tão divertido. Você passa a maior parte do tempo sem fazer nada. — James deu os ombros.
Snape usou toda sua força de vontade para não falar "exibido" em voz alta.
— Mas você anda com um pomo de ouro por ai. — continuou Lily curiosa.
James fez uma pausa antes de responder se perguntando se Lily estava curiosa ou lembrando alguma das vezes que ela havia reclamado dele "se exibir" com o pomo. Não vendo malicia no tom da pergunta ele respondeu.
— Eu sou o apanhador reserva do time no caso do apanhador oficial se machucar. É mais fácil jogar com um artilheiro a menos que com o apanhador. — James deu os ombros.
— E jogar uma goles para o alto não impressionaria as garotas. — Sirius piscou.
Lily olhou para James, mas ele parecia ter ignorado o comentário de Sirius e ela resolveu ignorar também.
Severus se perguntava quando acabaria a tortura de ouvir sobre quadribol.
É por isso que os apanhadores levam tantas faltas. Um jogo de Quadribol só termina quando o pomo é apanhado, o que pode demorar uma eternidade. Acho que o recorde é três meses e precisaram arranjar substitutos para os jogadores poderem dormir um pouco — explicou Olívio
— Deve ter sido um jogo maravilhoso. — comentou James. — O jogo mais longo em Hogwarts levou apenas alguns dias.
— É isso aí alguma pergunta?
Harry sacudiu a cabeça. Compreendeu muito bem o que tinha de fazer. Fazer é que ia ser o problema.
— Fazer é a parte divertida. — contradisse Sirius.
— Não vamos praticar com o pomo — disse Olívio, guardando- o cuidadosamente de volta na caixa. — Está escuro demais e poderíamos perdê-lo. Vamos experimentar com outras bolas.
E tirou do bolso um saco de bolas comuns de golfe e alguns minutos depois ele e Harry estavam no ar, Olívio atirando as bolas com toda a força para todos os lados e Harry apanhando-as.
— É um jeito razoável de treinar. — concedeu James. — Embora teria sido mais inteligente enfeitiçar as bolas para voarem aleatoriamente.
Harry não perdeu nenhuma, e Olívio ficou encantado. Passou-se meia hora, a noite chegou e eles não puderam continuar.
— Aquela taça de Quadribol terá o nosso nome este ano — disse Olívio feliz quando voltavam cansados ao castelo. — Eu não me espantaria se você se saísse melhor que Carlinhos, e ele poderia ter jogado na seleção da Inglaterra se não tivesse ido embora caçar dragões.
James sorriu novamente ao ouvir o filho sendo elogiado.
Talvez fosse porque agora andava muito ocupado com o treino de Quadribol três noites por semana além dos deveres de casa, mas Harry nem acreditou quando se deu conta de que já estava em Hogwarts havia dois meses. O castelo parecia mais sua casa do que a casa da tia na Rua dos Alfeneiros.
Sirius sorriu, conhecendo a sensação. Hogwarts foi um dos poucos lugares onde ele se sentira em casa. O outro foi a casa de James.
Severus fez uma careta para o livro. Parecia que o livro fazia questão de mostrar o que Snape e Harry tinham em comum.
As aulas, também, estavam se tornando cada dia mais interessantes, agora que dominara os conhecimentos básicos.
Lily sorriu animada por seu filho mostrar algum interesse nas aulas.
Na manhã do Dia das Bruxas eles acordaram com um delicioso cheiro de abóbora assada que se espalhava pelos corredores.
Sirius suspirou imaginando.
E, o que era ainda melhor, o Professor Flitwick anunciou na aula de Feitiços que, em sua opinião, os alunos estavam prontos para começar a fazer objetos voarem, uma coisa que andavam morrendo de vontade de experimentar desde que viram o professor fazer o sapo de Neville sair voando pela sala.
Alice sorriu se lembrando de quantas vezes o professor tinha feito isso com seu próprio sapo.
O Professor Flitwick dividiu a turma em pares para praticar O parceiro de Harry foi Simas Finnigan (um alívio, porque Neville tinha tentado atrair sua atenção).
— E qual seria o problema nisso. — perguntou Frank chateado fazendo Lily e James desviarem o olhar. Eles não podiam justificar essa atitude no seu filho.
Mas Rony teria que trabalhar com Hermione Granger.
— Pobre menino. — simpatizou Sirius.
Era difícil dizer se era Rony ou Hermione que estava mais aborrecido com isso. Ela não falava com nenhum dos dois desde o dia em que a vassoura de Harry chegara.
— O que foi a melhor coisa que ela poderia ter feito. — Sirius realmente não gostara da menina.
— Agora, não se esqueçam daquele movimento com o pulso que praticamos! — falou esganiçado o Professor Flitwick, como sempre empoleirado no alto da pilha de livros. — Gira e sacode, lembrem-se, gira e sacode. E digam as palavras mágicas corretamente, é muito importante, também, lembrem-se do bruxo Barrufo, que disse "s" em vez de "f" e quando viu estava no chão com um búfalo em cima do peito.
— Isso é uma grande mentira. — disse James.
— E como você sabe? — pediu Alice.
— Porque a primeira coisa que eles tentaram quando saíram dessa aula foi sumonar o búfalo. — respondeu Remus.
— Quem imaginaria isso. — murmurou Severus. Mas Sirius não ouvira e James se ouvira preferiu ignorar.
Era muito difícil. Harry e Simas giraram e sacudiram o pulso, mas a pena que deviam mandar para o alto continuava parada em cima da mesa.
Lily deu um suspiro triste. Harry não tinha herdado o talento dela nem em feitiços nem em poções. Nem o de James em transfiguração. A única coisa que ele havia herdado era o talento de James no quadribol. Ao menos seu filho teria algo para se divertir.
Simas ficou tão impaciente que a empurrou com a varinha e tocou fogo nela. Harry teve que apagar o fogo com o chapéu.
— O primeiro ano é o mais divertido. — sorriu Alice.
Rony na mesa ao lado, não estava tendo muita sorte.
— Vingardium leviosa — ordenou, sacudindo os braços compridos como pás de moinho.
— Você está dizendo o feitiço errado — Harry ouviu Hermione corrigir aborrecida. — É ving-gar-dium levi-o-sa é bem pronunciado e longo.
— Deixe ele em paz e cuide da sua própria vida. — reclamou Sirius.
— Diz você então, que é tão sabichona — retrucou Rony.
— Ela provavelmente vai conseguir fazer. — disse Severus mais para irritar Black que por qualquer outra coisa.
Hermione enrolou as mangas das vestes, bateu a varinha e disse:
— Vingardium leviosa.
A pena se ergueu da mesa e pairou a mais de um metro acima da cabeça deles.
— Ah, muito bem! — exclamou o professor Flitwich, batendo palmas. — Pessoal, olhe aqui, a Hermione Granger conseguiu!
Rony estava de muito mau humor na altura em que a aula terminou.
Sirius se sentia da mesma forma.
— Não admira que ninguém suporte ela — disse a Harry quando procuravam chegar ao corredor. — Francamente, ela é um pesadelo.
— Isso é algo realmente horrível de se dizer. — brigou Alice.
Alguém deu um esbarrão em Harry ao passar. Era Hermione.
Harry viu seu rosto de relance e ficou assustado ao ver que ela estava chorando.
— Ela ouviu. Pobre garota. — simpatizou Lily. — E não se atreva a falar que ela merecia. — A ruiva gritou com Sirius antes mesmo dele abrir a boca.
— Acho que ela ouviu o que você disse.
— E dai! — mas pareceu meio sem graça. — Ela já deve ter reparado que não tem amigos.
— Esse menino é completamente insensível — comentou Remus. — Quase me lembra Almofadinhas.
— Não exagere — negou James, ganhando um sorriso agradecido de Sirius. — Ron não é tão ruim.
Hermione não apareceu na aula seguinte e ninguém a viu a tarde inteira.
Ao descerem ao salão principal para a festa das bruxas, Harry e Rony ouviram Parvati contar à amiga Lilá que Hermione estava chorando no banheiro das meninas e queria que a deixassem em paz.
— Espero que alguém tente anima-la — comentou Frank que também estava chateado pela forma que Hermione fora tratada.
Rony ficou ainda mais sem graça ao ouvir isso, mas no momento seguinte entraram no salão principal, onde as decorações do Dia das Bruxas tiraram Hermione de suas cabeças.
— Harry Potter! — começou Lily
— Ele tem apenas onze. — cortou James — E nunca viu um Dia das Bruxas numa casa bruxa, muito menos em Hogwarts.
— Mas o outro garoto Ron vive numa família bruxa e esqueceu da mesma forma. — comentou Snape para irritar James. Mas o maroto apenas deu os ombros.
Mil morcegos vivos esvoaçavam nas paredes e no teto e outros mil mergulhavam sobre as mesas em nuvens negras e baixas, fazendo dançarem as velas dentro das abóboras. A comida apareceu de repente nos pratos de ouro, como acontecera no banquete de abertura das aulas.
Sirius começou a sentir fome. Parecia séculos desde o café da manha.
Harry estava se servindo de uma batata assada em casca quando o Professor Quirrell entrou correndo no salão, o turbante torto na cabeça e o terror estampado no rosto. Todos olharam quando ele se aproximou da cadeira de Dumbledore, escorou-se na mesa e ofegou.
— Trasgo.. Nas masmorras... Achei que devia lhe dizer.
— Um trasgo? — exclamou Alice surpresa.
— E nas masmorras, é um lugar estranho para um trasgo entrar. — comentou Frank.
— Talvez seja a ideia de alguém de uma peça de Dia das Bruxas. — falou Sirius.
— Me pergunto que tipo de pessoa teria essa brilhante ideia. — resmungou Snape.
— Em seguida desabou no chão desmaiado.
— Realmente um excelente professor de DCAT, desmaia ao contar sobre um trasgo. — zombou James.
Houve um alvoroço. Foi preciso explodirem várias bombinhas da ponta da varinha do Professor Dumbledore para as pessoas fazerem silêncio.
— Monitores — disse ele com voz grave e retumbante —, levem os alunos de suas casas de volta aos dormitórios, imediatamente!
Sirius sorriu malicioso.
— A Sala Comunal da Sonserina fica nas masmorras.
— Em caso que as Salas Comunais fiquem na rota do perigo, ou não possam ser acessadas por algum motivo, os monitores devem levar os alunos para um lugar com supervisão. Como a biblioteca ou a ala hospitalar. — para a surpresa de todos, James respondeu.
Ao ver todos olhando incrédulos para ele, explicou:
— Essas instruções estavam escritas na carta de Monitor-Chefe.
— E você realmente leu? — pediu Sirius surpreso.
— E memorizou cada palavra? — perguntou Alice.
— Era suposto que eu explicasse isso aos novos monitores no primeiro dia de aula. — James se sentia ligeiramente envergonhado. Por que todos pareciam tão surpreso por ele ter lido a carta? Não supunha que essa era uma obrigação dele? Ele voltou a ler sem ver o sorriso orgulhoso de Lily e a careta de Snape.
Era com Percy mesmo.
— Me acompanhem! Fiquem juntos, alunos do primeiro ano! Não precisam ter medo do trasgo se seguirem as minhas ordens! Agora fiquem bem atrás de mim. Abram caminho para os alunos do primeiro ano passarem! Com licença, sou o monitor!
— Tenho certeza que o trasgo lhe dará licença quando você mostrar o distintivo. — zombou Sirius.
— Como é que um trasgo pode entrar? — perguntou Harry enquanto subiam a escadaria.
— Não me pergunte, dizem que eles são bem burros — respondeu Rony — Vai ver o Pirraça deixou ele entrar para pregar uma peça no Dia das Bruxas.
— Nem mesmo Pirraça faria algo que irritasse Dumbledore. — contradisse Remus.
Eles passaram por diferentes grupos de pessoas que se apressavam em diferentes direções. Enquanto lutavam para passar por um bolinho de alunos de Lufa-Lufa, Harry de repente agarrou o braço de Rony.
— Acabei de me lembrar da Hermione.
— Verdade! Ela não sabe que tem um trasgo no castelo. — disse Alice olhando para Sirius como se o desafiasse a falar alguma coisa.
— O que tem ela?
— Ela não sabe que tem um trasgo aqui. Rony mordeu o lábio.
— Ah, está bem — falou ríspido. — Mas é melhor Percy não ver a gente.
— Isso mostra que eles são verdadeiros grifinórios. — comentou Sirius.
Sendo burros de irem sozinhos ao invés de avisarem um professor. Pensou Snape. Mas sendo o único sonserino contra quatro grifinórios achou melhor não expressar o pensamento em voz alta.
Abaixando-se, eles se misturaram aos alunos da Lufa-Lufa que iam à direção contrária, escapuliram por um lado deserto do corredor e correram para os banheiros das meninas. Tinham acabado de virar um canto quando ouviram passos apressados atrás deles.
— Percy! — sibilou Rony, puxando Harry para trás de um enorme grifo de pedra.
Espiando para os lados, no entanto, viram não Percy, mas Snape. Ele atravessou o corredor e desapareceu de vista.
— E o que esse Ranhoso nojento esta fazendo sozinho enquanto os outros professores estão cuidando dos alunos? — perguntou Sirius.
— Sirius Black! — começou Lily mas foi cortada por Alice:
— Você concordou que poderíamos xingar o Snape do livro a vontade, visto que não é a mesma pessoa que está aqui.
Lily cruzou os ombros, mas não podia rebater esse argumento.
Severus imaginou se deveria ficar agradecido por ter seu eu futuro sendo alvo dos xingamentos ao invés do eu presente.
— Que é que ele está fazendo? — cochichou Harry, — Por que não está lá embaixo com os outros professores?
— É algo que todos queremos saber. — falou James, e vendo o olhar de Lily acrescentou. — Você não quer saber por que ele está lá ao invés de com os outros professores.
Lily se afundou no sofá com os braços cruzados. Ela odiava não poder argumentar.
— Não me pergunte.
O mais silenciosamente possível, eles se esgueiraram pelo próximo corredor nas pegadas de Snape.
— Ele está indo para o terceiro andar — disse Harry, mas Rony levantou a mão.
— Interessado na pedra? — perguntou Alice e ao ver o olhar de Snape continuou — Estou falando com o livro.
— Porque isso é completamente normal. — murmurou Severus sarcástico.
— Disse algo? — pediu Alice segurando a varinha e Snape sabiamente fechou a boca.
— Você está sentindo um cheiro?
Harry fungou e um fedor horrível invadiu suas narinas, uma mistura de meias velhas e banheiro público que parece que nunca é limpo.
— Parece que o futuro Snape precisa de um banho. — comentou Sirius fazendo James e Alice caírem na gargalhada.
Agradeça que eles estejam falando com um livro ao invés de você. Pensava Severus como um mantra.
E em seguida ouviram um grunhido baixo e passadas de pés gigantescos. Rony apontou no fim do corredor, à esquerda, alguma coisa enorme estava vindo em sentido contrário. Eles se encolheram no escuro e procuraram ver o que era quando a coisa passou por um trecho iluminado pelo luar.
Era uma visão medonha. Quase quatro metros de altura, a pele cinzenta e baça, o corpanzil cheio de calombos como um pedregulho e uma cabecinha no alto, que mais parecia um coco.
Tinha pernas curtas, grossas como um tronco de árvore e pés chatos e calosos. Segurava um enorme bastão de madeira, que arrastava pelo chão, porque seus braços eram compridíssimos.
Lily descruzou os braços para apertar a mão de James. Parecia um gesto natural quando ela estava preocupada, já que o motivo de preocupação era ao filho de ambos.
O trasgo parou próximo a uma porta e espiou para dentro.
Abanou as longas orelhas, tentando fazer a cabeça minúscula pensar, depois entrou devagar na sala.
— A chave está na porta — murmurou Harry — Podíamos trancá-lo lá dentro.
— Faça isso e saia dai para chamar um professor. — murmurava Lily nervosamente.
— Boa idéia — concordou Rony, nervoso.
Eles se esgueiraram até a porta aberta, as bocas secas, rezando para o trasgo não resolver sair naquele instante. Com um grande salto, Harry conseguiu agarrar a chave, bater a porta e trancá-la seguramente.
— Pronto!
Todos suspiraram aliviados.
Afogueados com a vitória, começaram a correr de volta pelo corredor, mas ao chegarem num canto ouviram uma coisa que fez seus corações pararem, um grito alto e enregelante, e vinha da sala que tinham acabado de trancar.
— Merlin! Eles trancaram Hermione lá dentro com o trasgo. — disse Frank chocado.
— Ah, não — exclamou Rony, pálido como o barão Sangrento.
— Vêm do banheiro das meninas.
— Hermione!— disseram os dois juntos.
Era a última coisa que queriam fazer, mas que escolha tinham?
Todos os grifinórios na sala concordaram com isso. Alice pensou que era justo que eles a salvassem já que foi parcialmente culpa de Ron, Hermione estar lá em primeiro lugar. Frank admitia que seria mais sábio avisar um professor mas como eles não tinham tempo o jeito era tentar salva-la. E Severus achava muita idiotice ir atrás do trasgo sozinhos, ele chamaria um professor e torceria para dar tempo, no máximo.
Dando meia-volta, correram até a porta e giraram a chave, atrapalhados de tanto pânico. Harry escancarou aporta e entraram correndo.
Hermione estava encolhida contra a parede oposta, parecendo prestes a desmaiar. O trasgo avançava para ela, derrubando as pias que estavam na parede em seu caminho.
— Faça algo para distrai-lo. — falou James preocupado com a segurança da menina.
— Distraia ele!— Harry pediu desesperado a Rony, e, agarrando uma torneira, atirou-a com toda a força contra a parede.
Lily gemeu. Agora a atenção do trasgo estaria em Harry. James percebendo o nervosismo da ruiva, começou a acariciar a mão dela com o polegar numa tentativa de acalma-la.
O trasgo parou a um metro de Hermione. Virou-se com lentidão, piscando sem entender, procurou ver que barulho era aquele. Seus olhinhos malvados viram Harry. Ele hesitou, em seguida partiu para cima de Harry, erguendo o bastão.
James mordeu os lábios, preocupado. E todos os outros fizeram gestos de nervosismo pela segurança de Harry,
— Oi cabeça de ervilha! — berrou Rony do outro lado do banheiro, e atirou contra ele um cano de metal. O trasgo nem pareceu sentir o cano bater no seu ombro, mas ouviu o berro e parou outra vez, virando o focinho feio para Rony, e dando a Harry tempo para correr em volta dele.
— Merlin os proteja. — murmurava Lily baixinho.
Alice havia agarrado novamente a perna de Frank, mas o rapaz estava tão preocupado que nem sentiu. Remus estava pálido e Sirius mastigava a bochecha, ansioso. As sobrancelhas de Snape estavam levantadas ao máximo. Ele não queria que nada acontecesse ao garoto porque chatearia Lily. Apenas por isso.
— Vamos, corra, corra! — Harry gritou para Hermione, tentando puxá-la na direção da porta, mas ela não conseguia se mexer continuava achatada contra a parede, a boca aberta de terror.
— Cadê a coragem grifinória! Corra já daí! — gritou Sirius.
Snape achou que não era o melhor momento para discutir a contradição dessa frase.
Os gritos e os ecos pareciam estar deixando o trasgo enlouquecido. Ele rugiu de novo e avançou para Rony que estava mais perto e não tinha jeito de escapar.
Todos se remexeram preocupados com a segurança de Ron.
Harry então fez uma coisa que era ao mesmo tempo muito corajosa e muito idiota
— Parece algo que James faria. — comentou Remus conseguindo alguns sorrisos fracos.
tomou impulso e deu um salto conseguindo abraçar o pescoço do trasgo pelas costas.
— Definitivamente idiota. — murmurou Severus, mas todos estavam tão preocupados que o ignoraram.
O trasgo não sentiu Harry pendurar-se ali, mas até um trasgo percebe quando se espeta um pedaço comprido de pau dentro da narina, e a varinha de Harry ainda estava na mão quando ele saltou e entrou direto na narina do trasgo.
Todos ficaram tão surpresos com o trasgo tendo a varinha enfiada no nariz que ninguém soube o que comentar.
Urrando de dor, o trasgo se virou e brandiu o bastão, enquanto Harry continuava agarrado nele tentando escapar da morte, a qualquer instante, o trasgo ia arrancá-lo do pescoço ou dar-lhe uma tremenda porretada.
— Isso não é hora para ser pessimista, eu não preciso de mais ideias ruins fora as minhas. — reclamou Lily que já estava imaginado cenários horríveis sem a ajuda do filho.
Hermione afundara no chão de tanto medo, Rony puxou a própria varinha sem saber o que ia fazer, ouviu-se gritando o primeiro feitiço que e veio a cabeça: Vingardium leviosa!
— Porque o garoto tentaria um feitiço que ele não consegue fazer. — perguntou Severus que sem perceber havia sido absorvido pela historia.
— Foi o ultimo que ele ouviu, deve ter sido o primeiro que ele lembrou. — respondeu Remus.
Na mesma hora o bastão voou da mão do trasgo, ergueu-se no ar, foi subindo, subindo, virou-se lentamente e caiu, com um barulho feio, na cabeça do seu dono. O trasgo cambaleou e, em seguida, caiu de cara no chão, com um baque que fez o banheiro todo sacudir.
— Isso foi... — começou Sirius.
— Uma grande dose de sorte. — terminou Remus.
— Eu ia dizer brilhante.
Harry se levantou. Tremia sem fôlego. Rony continuava parado com a varinha no ar, espantado como que fizera.
Foi Hermione quem falou primeiro.
— Ele está... Morto?
— Precisa mais que uma pancada na cabeça para matar um troll. —comentou Severus.
— Acho que não — respondeu Harry. — Acho que só perdeu os sentidos.
Ele se abaixou e puxou a varinha da narina do trasgo. Estava suja de uma coisa que parecia uma cola grumosa.
— Eca... Meleca de trasgo.
As meninas fizeram caretas de nojo e os rapazes esconderam seu desagrado.
E limpou a varinha nas calças do trasgo.
De repente o barulho de portas batendo e passos pesados fizeram os três erguerem a cabeça. Não haviam percebido a confusão que tinham aprontado, mas com certeza alguém lá embaixo ouvira a pancadaria e os urros do trasgo.
— Precisa de uma dose de Felix Felicis. Para toda essa confusão acontecer sem ninguém notar. — disse Frank.
Um instante depois a Professora Minerva adentrou o banheiro, seguida de perto por Filch e Quirrell, que fechava a fila. Quirrell deu uma espiada no trasgo, soltou um gemidinho e sentou-se depressa em um vaso sanitário, apertando o peito.
— Esse professor consegue ser mais inútil? — perguntou Snape com tom de zombaria, mas como ninguém gostava do professor não teve resposta.
Filch debruçou-se sobre o trasgo. A Professora Minerva ficou olhando para Rony e Harry. Harry nunca a vira tão zangada. Seus lábios estavam brancos. A esperança de ganhar cinqüenta pontos para Grifinória desapareceu logo da cabeça de Harry.
— Precisa mais que um trasgo para ganhar cinquenta pontos. — brincou James.
— O que é que vocês estavam pensando? — perguntou a Professora Minerva, com uma fúria reprimida na voz, Harry olhou para Rony, que continuava parado com a varinha no ar. — Vocês tiveram sorte de não serem mortos. Por que é que não estão no dormitório?
— Eu não acho que exista uma desculpa suficientemente boa para acalmar Minnie neste momento. — opinou Sirius.
Filch lançou a Harry um olhar rápido e penetrante. Harry olhou para o chão. Desejou que Rony baixasse a varinha. Então se ouviu uma vozinha que veio das sombras.
— Por favor, Professora, Minerva, eles vieram me procurar.
— Senhorita Granger!
— Ela vai defendê-los. — comentou Lily admirada.
Hermione conseguira finalmente se levantar.
— Sai procurando o trasgo porque achei que podia enfrentá-lo sozinha. Sabe, já li tudo sobre trasgos.
— Parece que Hermione conseguiu uma desculpa suficientemente boa. — disse Remus fazendo Sirius olhar emburrado.
Rony deixou a varinha cair. Hermione Granger, contando uma mentira deslavada a um professor?
— Se eles não tivessem me encontrado eu estaria morta agora.
Todos tiveram um calafrio com o pensamento.
— Harry enfiou a varinha na narina do trasgo e Rony derrubou ele com o próprio bastão. Não tiveram tempo de chamar ninguém. O trasgo ia acabar comigo quando eles chegaram.
— Isso porque eles deveriam ter chamados antes de entrar. — murmurou Severus.
Harry e Rony tentaram fingir que a história não era novidade para eles.
— Bem... Nesse caso... — disse a Professora Minerva encarando os três —, senhorita Granger, que bobagem, como pôde pensar em enfrentar um trasgo montanhês sozinha?
Hermione baixou a cabeça. Harry perdera a fala. Hermione era a última pessoa do mundo que desobedeceria ao regulamento e ali estava fingindo que desobedecera, para tirá-los de uma enrascada.
— Realmente incrível. — concordou Frank.
Era o mesmo que o Snape começar a distribuir balinhas.
Todos explodiram em risadas. E Alice aproveitou a chance:
— Então, quando você começara a distribuir balinhas? — perguntou na direção de Snape.
Snape começou uma resposta que seria mal educada sem sombras de duvidas, mas se conteve ao ver o olhar de advertência de Lily.
— Hermione Granger, Grifinória vai perder cinco pontos por isso — disse a Professora Minerva. — Estou muito desapontada. Se não estiver machucada é melhor ir embora para a torre de Grifinória. Os alunos estão acabando de festejar o Dia das Bruxas em suas casas.
Hermione se retirou.
— Apenas cinco pontos? — comentou James — Acho que Minnie desconfia que haja mais na historia do que eles contaram.
A Professora Minerva virou-se para Harry e Rony.
— Bem, eu continuo achando que vocês tiveram sorte, mas não há muitos alunos do primeiro ano que pudessem enfrentar um trasgo montanhês adulto. Cada um de vocês ganha cinco pontos para Grifinória. O Professor Dumbledore será informado. Podem ir.
— Eles enfrentam um trasgo e ganham apenas cinco pontos? — perguntou Sirius indignado.
— Visto que eles desobedeceram varias regras ao ir atrás de Hermione acho que a professora McGonagall foi justa. — contrapôs Lily;
Eles saíram depressa do banheiro e não falaram nada até subirem dois andares. Foi um alivio se afastarem do fedor do trasgo, para não falar do resto.
— Devíamos ter ganho mais de dez pontos — resmungou Rony.
— Cinco, você quer dizer, depois de descontar os pontos que Hermione perdeu.
— Foi legal ela ter-nos tirado do aperto — admitiu Rony — Mas não se esqueça, salvamos a vida dela.
— Exatamente. — apoiou Sirius.
— Talvez ela não precisasse ser salva se não tivéssemos trancado a coisa com ela — lembrou Harry.
— Harry fez um excelente ponto. — concordou Lily.
Tinham chegado ao retrato da Mulher Gorda.
— Focinho de porco — disseram e entraram..
A sala comunal estava cheia e barulhenta. Todo o mundo estava comendo o jantar que fora mandado para lá. Hermione, porém, estava parada sozinha do lado da porta, esperando por eles.
— Espero que ela ao menos agradeça. — resmungou Sirius.
Houve um silêncio constrangido. Depois, sem se olharem, todos disseram "Obrigado" e correram para apanhar os pratos.
Mas daquele momento em diante, Hermione Granger tornou-se amiga dos dois. Há coisas que não se pode fazer junto sem acabar gostando um do outro, e derrubar um trasgo montanhês de quase quatro metros de altura é uma dessas coisas.
Sirius perdeu a fala.
— Mas o que? ... Como?
— Eles ficaram amigos. — disse Lily sorrindo, Hermione seria uma boa influencia para Harry.
— Admita Sirius, esse é um modo excelente de começar uma amizade. — brincou Remus.
Sirius olhou para James implorando ajuda.
— Eu gosto da ideia que Harry tenha mais amigos. — disse James sorrindo.
— Que seja, mas eu ainda não gosto dela. — reclamou Sirius querendo ter a ultima palavra.
— Eu acho que deveríamos comer agora. — disse Alice, ganhando um aceno entusiasta de Sirius em concordância.
Lily que havia pego o livro para ler o próximo capitulo disse sorrindo.
— Acho que vamos ter que esperar o próximo para comer ou James vai morrer de ansiedade. Vendo o olhar de todos continuou. — O próximo capitulo se chama: Capitulo Onze: Quadribol.
