Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Tudo pertence à magnifica J. K. Rowling.
A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.
Boa noite xD Eu quase não postei esse capitulo hoje, porque foi um dia corrido e eu não tive tempo de revê-lo. Mas achei que poderiam cometer assassinato contra a minha pessoa! Peço desculpas por possíveis erros e prometo que quando tiver tempo vou corrigir todos os capítulos.
Muitas pessoas parecem entender que eu tenho os capítulos prontos, vou explicar mais uma vez. Eu não tenho. Digitei esse capitulo todo hoje. Eu tenho pronto metade do epilogo porque eu sempre soube como terminaria a historia antes mesmo de começa-la. E algumas ideias anotadas para livros e capítulos posteriores. Só isso.
E outra coisa (estou "falante" hoje), muitas pessoas comentam sobre como todos vão reagir em determinadas cenas. Eu quero lembrar que são sete pessoas diferentes lendo os livros, então serão reações diferentes. E eu farei o possível para cada reação ser de acordo com o personagem. É só um comentário para ninguém me assassinar mais para frente.
Respondendo as reviews:
Thayanne: Vou pegar um ônibus só para escrever a fic xD. Brincadeira, eu pretendo postar nos fim de semanas também, embora seja mais difícil arrumar tempo e eu possa ter que postar em horários loucos. ;)
Ju: Para seguir a historia do livro, Peter é da Grifinória, mas eu não acho que ele se encaixe lá. Não consigo pensar em nada corajoso, ou nobre que ele tenha feito. Ele não é inteligente para ir para a Corvinal e muito menos leal para a Lufa-Lufa. Eu jogaria na Sonserina, mas na verdade ele não é astuto ou ambicioso. A principal característica dele é ser um traidor medroso. Então eu realmente não sei.
Peguem um lenço e Boa Leitura!
...
Snape finalmente se juntou aos outros, ainda pensando nas palavras da ruiva "não desista de si mesmo." O que ela queria dizer com isso? Que ele desistira de si mesmo na busca pelo poder? E se isso fosse verdade o futuro mostrado no livro era tudo que o esperava? Snape afastou esses pensamentos abrindo um livro e procurando o próximo capitulo cujo titulo era: Capítulo Doze: O Espelho de Ojesed.
...
— Desculpe, você pode repetir o nome do capítulo? — pediu Frank.
— "O Espelho de Ojesed" — disse Snape lentamente. Ele concordava que era um nome estranho.
— Já que ninguém parece saber o que é. — falou Remus ao ver todos com as expressões confusas. — Vamos ler e esperar o livro revelar.
O Natal se aproximava. Certa manhã em meados de dezembro, Hogwarts acordou coberta com mais de um metro de neve.
Frank sorriu, ele amava neve.
O lago congelou e os gêmeos Weasley receberam castigo por terem enfeitiçado várias bolas de neve fazendo-as seguir Quirrell aonde ele ia e quicarem na parte de trás do seu turbante.
— Isso é uma ideia incrível. — comentou James animado. — Pena que nenhum dos nossos professores usa turbante.
— Sempre podemos enfeitiçar as bolas para quicarem na barriga do velho Slughorn. — sugeriu Sirius e os marotos trocaram olhares maliciosos.
As poucas corujas que conseguiam se orientar no céu tempestuoso para entregar correspondência tinham de ser tratadas por Hagrid para recuperar a saúde antes de voltarem a voar.
Todos mal agüentavam esperar as férias de Natal.
— Eu sei como é isso. — interrompeu Sirius — Eu as espero desde primeiro de Setembro todos os anos.
E embora a sala comunal da Grifinória e o salão principal tivessem grandes fogos nas lareiras, os corredores varridos por correntes de ar tinham se tornado gélidos e um vento cortante sacudia as janelas das salas de aulas. As piores eram as aulas do Professor Snape nas masmorras, onde a respiração dos alunos virava uma névoa diante deles e eles procuravam ficar o mais próximo possível dos seus caldeirões.
— Você poderia fazer a sua sala mais agradável — comentou Lily olhando para Severus, ela tinha decidido apontar sutilmente tudo que o futuro Snape fazia de errado. — Faria os alunos sentirem mais prazer no preparo das poções. Você sabe como é horrível preparar poções num ambiente desagradável.
Sirius revirou os olhos. A ruiva não percebia que tentar salvar Snape era inútil.
— Tenho tanta pena — disse Draco Malfoy, na aula de Poções. — dessas pessoas que têm que passar o Natal em Hogwarts porque a família não as querem casa.
James olhou para o livro com raiva:
— É melhor passar o natal em Hogwarts que com uma família cheia de Comensais da Morte!
Sirius assentiu vigorosamente com a cabeça.
Olhou para Harry ao dizer isso. Crabbe e Goyle miraram Harry, que estava medindo pó de espinha de peixe-leão, e não lhes deu atenção.
— Nesses casos é melhor ignorar. — aprovou Lily.
Malfoy andava muito mais desagradável do que de costume desde a partida de Quadribol.
— E eu que achava que ele tinha atingido o limite do desagradável. — comentou Alice.
Aborrecido porque Sonserina perdera, tentara fazer as pessoas rirem dizendo que um sapo iria substituir Harry como apanhador no próximo jogo.
— Se for insultar alguém, ao menos honre sua casa e faça direito. — resmungou Severus.
Então percebeu que ninguém achara graça, porque estavam todos muito impressionados com a maneira com que Harry conseguira se segurar na vassoura corcoveante.
— Realmente impressionante. — concordou James.
Por isso Draco, invejoso e zangado, voltara a aperrear Harry dizendo que não tinha família como os outros...
Lily e James estavam lívidos. Era cruel pra uma criança de onze anos que nunca conheceu a família ter esse fato jogado na cara por um menino invejoso.
Era verdade que Harry não ia voltar à Rua dos Alfeneiros para o Natal.
Lily suspirou. Por um lado ela estava feliz por seu filho passar em Hogwarts, que era algo maravilhoso. Por outro era horrível lembrar que sua irmã era tão ruim que seu filho odiava voltar para lá.
A Professora Minerva passara a semana anterior fazendo uma lista dos alunos que iam ficar em Hogwarts no Natal e Harry assinara seu nome na mesma hora. Não sentia nenhuma pena de si mesmo, provavelmente aquele seria o melhor Natal que já tivera.
Foi a vez de James suspirar, era tão injusto que seu filho ficara dez anos sem ter um bom natal.
Rony e os irmãos também iam ficar, porque o Sr. e a Sra. Weasley iam à Romênia visitar Carlinhos.
Os pais de Harry se animaram um pouco, ao menos seu filho teria a companhia dos amigos.
Quando deixaram as masmorras ao final da aula de Poções, encontraram um grande tronco de pinheiro bloqueando o corredor à frente. Dois pés enormes que apareciam por baixo do tronco e alguém bufando alto denunciou a todos que Hagrid estava por trás dele.
— Oi, Rúbeo quer ajuda? — perguntou Rony, metendo a cabeça por entre os ramos.
— Eu tenho certeza que é mais fácil para Hagrid carregar a arvore sem alunos do primeiro ano pendurados nela. — sorriu Frank.
— Não, estou bem, obrigado, Rony.
— Você se importaria de sair do caminho? — ouviu-se a voz arrastada e seca de Draco atrás deles.
Todos grunhiram a menção do garoto. Ninguém simpatizava com Draco.
— Está tentando ganhar uns trocadinhos, Weasley? Vai ver quer virar guarda-caça quando terminar Hogwarts. A cabana de Rúbeo deve parecer um palácio comparada ao que sua família está acostumada.
— Eu preferia morar na cabana de Hagrid a dividir o mesmo teto que seus pais a qualquer momento. —respondeu Sirius revoltado.
Rony avançou para Draco justamente na hora em que Snape subia as escadas.
— E aposto que Snape vai favorecer o cara de fuinha Malfoy. — cuspiu Alice.
— WEASLEY!
Rony largou a frente das vestes de Draco.
— Ele foi provocado, Professor Snape — explicou Hagrid, deixando aparecer por trás da árvore a cara peluda. — Draco ofendeu a família dele.
— Como se Ranhoso se importasse com isso. — respondeu Sirius.
— Seja por que for, brigar é contra o regulamento de Hogwarts, Hagrid — disse Snape insinuante. — Cinco pontos a menos para Grifinória, Weasley, e dê graças a Deus por não ser mais. Agora, vamos andando, todos vocês.
— Isso foi injusto, e você sabe Sev. —Lily suspirou.
Severus não sabia o que pensar do seu eu futuro. Ele sempre desprezou os professores por proteger seus favoritos e ele mesmo parecia estar fazendo a mesma coisa.
Draco, Crabbe e Goyle passaram pela árvore com brutalidade, espalhando folhas para todo lado com sorrisos nos rostos.
— Esses meninos precisam de disciplina. — opinou Frank.
— Eu pego ele — prometeu Rony, rilhando os dentes as costas de Draco —, um dia desses, eu pego ele.
— Odeio os dois — disse Harry — Draco e Snape.
Lily se encolheu ao ouvir Harry dizer isso. Saber que seu filho odiava alguém que ela se importava era como uma facada no coração. E não ajudava saber que o futuro Snape fazia por onde cultivar esse ódio.
Severus levantou a sobrancelha ao ler isso. O filho de Lily, a única parte dela viva no futuro do livro o odiava. Não sabia por que esse pensamento o incomodava.
— Vamos, ânimo, o Natal está aí — disse Hagrid — Vou lhes dizer o que vamos fazer, venham comigo ver o salão principal, está lindo.
— Hagrid é bom para animar as pessoas. — sorriu Alice.
Então os três acompanharam Hagrid e sua árvore até o salão principal, onde a Professora Minerva e o Professor Flitwick estavam trabalhando na decoração para o Natal.
— Ah, Hagrid, a última árvore, ponha naquele canto ali, por favor.
O salão estava espetacular. Festões de azevinho e visco pendurados a toda à volta das paredes e nada menos que doze enormes árvores de Natal estavam dispostas pelo salão, umas cintilando com cristais de neve, outras iluminadas por centenas de velas.
Todos se perderam em suas próprias lembranças. Tendo passado ao menos um natal em Hogwarts.
Severus passava todos os anos, evitando voltar para casa o maior tempo possível. Lily o acompanhara no natal no castelo até o quarto ano, quando ele começou a evitar que eles fossem vistos juntos por muito tempo. Ele sabia o que o povo da Sonserina pensava de Lily, e sabia que seria ruim pra ambos caso um sonserino mais velho os visse conversando por muito tempo.
Alice e Frank tinham ficado no natal do quinto ano de ambos, pois tinha sido logo após o começo do namoro e eles queriam ficar juntos a maior quantidade de tempo possível. Ambos sorriram sabendo que o outro lembrava o mesmo.
James, Sirius e Remus juntamente com Peter haviam passado o natal do sexto ano em Hogwarts porque a lua cheia caíra na mesma semana. Nos outros anos todos costumavam ir para a casa de James. Mas o local não importava contando que todos ficassem juntos.
— Quantos dias ainda faltam até as férias? — perguntou Hagrid.
— Um — respondeu Hermione — Ah, isso me lembra: Harry, Rony, falta meia hora para o almoço, devíamos estar na biblioteca.
— Como pensar em almoço lembra biblioteca? — perguntou Sirius chocado.
— As pessoas normais associam biblioteca com leitura, e não como local do cochilo. — brincou Remus.
— Eles devem estar procurando sobre Nicolau Flamel. — opinou Frank.
— Ih, é mesmo — disse Rony, despregando os olhos do Professor Flitwick, que fazia sair bolhas azuis da ponta da varinha e as levava para cima dos galhos da árvore que acabara de chegar.
— Biblioteca? — espantou-se Hagrid, acompanhando-os para fora da sala — Na véspera das férias? Não estão estudando demais?
— Ah, não estamos estudando — respondeu Harry, animado. – Desde que você mencionou o Nicolau Flamel estamos tentando descobrir quem ele é.
— Vocês o quê? — Hagrid parecia chocado.
— Como você pode ficar chocado com isso após passar sete anos conosco? — perguntou James negando com a cabeça.
— Ouçam aqui: já disse a vocês, parem com isso. Não é da sua conta o que o cachorro está guardando.
— Só queremos saber quem é Nicolau Flamel, só isso — falou Hermione.
— Você não pode culpa-los por estarem curiosos. — comentou Frank
— A não ser que você queira nos dizer e nos poupar o trabalho? — acrescentou Harry. — Já devemos ter consultado uns cem livros e não o encontramos em lugar nenhum. Que tal nos dar uma pista? Sei que já li o nome dele em algum lugar.
— Eu não acho que ele vá ajudar, embora eles vão acabar descobrindo de qualquer jeito na biblioteca. — ponderou Alice.
— Não digo uma palavra — respondeu Hagrid decidido.
— Então vamos ter que descobrir sozinhos — disse Rony, e saíram depressa para a biblioteca, deixando Hagrid desapontado.
— Pobre Hagrid. Ele se sente culpado por deixar as crianças curiosas. — comentous Remus.
Andavam realmente procurando o nome de Flamel nos livros desde que Hagrid deixara escapá-lo, porque de que outra maneira iam descobrir o que Snape estava tentando roubar?
Snape suspirou, ele não se imaginava tentando roubar algo guardado por Dumbledore, seu eu futuro provavelmente tinha conservado algo de bom senso.
O problema é que era muito difícil saber por onde começar, sem saber o que Flamel poderia ter feito para aparecer em um livro. Não se encontrava em Grandes sábios do século, nem em Nomes notáveis da mágica do nosso tempo, não era encontrável tampouco em Importantes descobertas modernas da mata nem em Um estudo aos avanços recentes na magia.
— Isso deveria indicar para procurar num livro mais antigo. — resmungou Snape.
E, é claro, havia também o tamanho da biblioteca em si, dezenas de milhares de livros, milhares de prateleiras, centenas de corredores estreitos.
Hermione puxou uma lista de assuntos e títulos que decidira pesquisar enquanto Rony se dirigiu a uma carreira de livros e começou a tirá-los da prateleira aleatoriamente.
— Vamos torcer para que ele tenha sorte. — brincou Alice.
Harry vagou até a Seção Reservada. Vinha pensando há algum tempo se Flamel não estaria ali.
— Talvez haja algum livro mencionando Flamel na seção proibida. — concedeu Remus — Mas existem vários outros espalhados na parte da biblioteca que você tem acesso, então não arrume problemas por nada.
Infelizmente, o estudante precisava de um bilhete assinado por um professor para consultar qualquer livro reservado e ele sabia que nenhum jamais lhe daria o bilhete.
— É tudo questão de saber pedir. — comentou James trocando um sorriso com Sirius.
Eram livros que continham poderosa magia negra jamais ensinada em Hogwarts e somente lida por alunos mais velhos que estudavam no curso avançado de Defesa Contra a Magia Negra.
— Não apenas isso. — contradisse Severus. — Também tem livro com poções perigosas, assim como plantas e criaturas mágicas. Não é exclusivo de DCAT.
— O que é que você está procurando, menino?
— Nada — disse Harry.
— Harry precisa urgentemente aprender a inventar desculpas melhores. — disse Sirius desapontado.
— Eu prefiro que Harry não aprenda a mentir. — brigou Lily.
Madame Pince, a bibliotecária, apontou-lhe um espanador de penas.
— Então é melhor sair daqui. Vamos, fora!
Desejando ter sido um pouco mais rápido em inventar alguma história, Harry saiu da biblioteca.
— Harry concorda comigo. — disse Sirius para Lily.
Ele, Rony e Hermione já tinham concordado que era melhor não perguntar a Madame Pince onde poderiam encontrar Flamel.
— Ela com certeza poderia ajudar. — falou Frank.
— Mas se ela sabe que a pedra esta no castelo, vai achar suspeito três alunos do primeiro ano perguntando sobre isso e alertara a algum professor. — argumentou James
Tinham certeza de que ela saberia informar, mas não podiam arriscar que Snape ouvisse o que andavam tramando.
— Fico feliz que vocês pensem tanto em mim. — murmurou Snape sarcástico.
Harry esperou do lado de fora no corredor para saber se os outros dois tinham encontrado alguma coisa, mas não alimentava muitas esperanças. Afinal estavam procurando havia quinze dias, mas como só tinham breves momentos entre as aulas não era surpresa que não tivessem achado nada.
— O fato de estarem procurando em livros parecidos também contribui para o fracasso da busca. — opinou Remus.
O que realmente precisavam era de uma longa busca sem Madame Pince bafejar o pescoço deles.
"Minha capa da invisibilidade seria útil nesse momento." — pensou James. Ele estava triste por a relíquia familiar estar perdida. Tinha pertencido a sua família por muitos anos e deveria pertencer a Harry.
Cinco minutos depois, Rony e Hermione se reuniram a ele balançando negativamente a cabeça. E foram almoçar.
— Almoçar sempre ajuda. — Sirius sorriu.
— Vocês vão continuar procurando enquanto eu estiver fora, não vão? — recomendou Hermione. — E me mandem uma coruja se encontrarem alguma coisa.
— Eles são meninos. — Alice suspirou. — É claro que eles vão se distrair com outra coisa.
Todos os meninos da sala olharam indignados para ela.
— E você poderia perguntar aos seus pais se sabem quem é Flamel — disse Rony. — Não haveria perigo em perguntar a eles.
— Nenhum, visto que ela é nascida trouxa. — disse Lily sorrindo.
— Nenhum perigo, os dois são dentistas.
— O que é um dentista? — perguntou Frank.
— É como um curandeiro especializado em doenças que afetem os dentes. — respondeu Sirius.
Lily ainda não tinha se acostumado que James e ele realmente tivessem aprendido algo em Estudo dos Trouxas.
Uma vez começadas as férias, Rony e Harry estavam se divertindo à beça para se lembrar de Flamel.
— Eu disse, meninos. — Alice revirou os olhos.
Tinham o dormitório só para eles e a sala comunal estava muito mais vazia do que o normal, por isso podiam usar as poltronas confortáveis ao pé da lareira.
— Você pode usa-las a qualquer época é só expulsar as pessoas que estavam sentadas nelas. — comentou Sirius.
— Sirius isso é errado. — reclamou Lily.
— Ou colocar algum feitiço repelente para ninguém sentar nelas. —continuou James.
— Eu não acredito que você fez isso. — disse Lily indignada e Severus sentiu a pontinha de esperança voltar.
— Eu não, Remus que ama aquelas cadeiras. — James entregou o amigo.
— Remus! Você é monitor! — Alice se meteu na conversa ao ver a cara incrédula de Lily para Remus.
— Não foi nada demais! As pessoas só sentem vontade de ir a outro lugar quando os marotos entram na sala. — Remus falou envergonhado. — E aquelas são as melhores poltronas para beber chocolate quente. — O lobisomem fez beicinho.
Sentavam-se a toda hora para comer tudo que pudessem espetar em um garfo de assar: pão, bolinhos, marshmallows e tramavam maneiras de fazer Draco ser expulso, o que se divertiam em discutir mesmo que não fosse produzir resultados.
— Isso é muito divertido, passamos muito tempo assim. — disse Sirius olhando para Severus.
— Eu realmente serei mão de um maroto. — Lily deu um suspiro exagerado. E Severus cruzou os braços com essa lembrança.
Rony também começou a ensinar Harry a jogar xadrez de bruxo. Era exatamente igual a xadrez de trouxa exceto que as peças eram vivas, o que fazia parecer que a pessoa estava dirigindo tropas em uma batalha.
— Torna o jogo muito mais interessante. — concedeu Lily.
O jogo de Rony era muito velho e gasto como tudo o mais que possuía, pertencera em tempos a alguém da família, no caso, ao seu avô. No entanto, a velhice das peças não era um empecilho. Rony as conhecia tão bem que nunca tinha dificuldade de mandá-las fazer o que ele queria.
—Ele deve jogar bem, por isso as peças obedecem tão fácil. — comentou James — Peter tem um jogo a anos e as peças nunca obedeceram ele.
Harry jogava com peças que Simas Finnigan lhe emprestara e estas não confiavam nada nele. Ainda não era um bom jogador e elas não paravam de gritar conselhos variados, o que o confundia:
"Não me mande para lá, não está vendo o cavalo dele? Mande ele, podemos nos dar ao luxo de perder ele".
— Eu realmente odeio quando as peças começam a dar conselhos. — resmungou Sirius que não era bom no xadrez.
Na noite de Natal, Harry foi para a cama pensando com ansiedade na comida e na diversão do dia seguinte, mas sem esperar nenhum presente.
Lily se apoiou em James triste, não precisava olhar para o maroto para saber que ele sentia a mesma coisa. Harry não tinha pessoas para lhe dar presentes de natal. Isso era horrível para uma criança. Lily soltou um suspiro tremulo, se as coisas fossem diferentes Sev poderia dar um presente ao seu filho, ele sabia como era não receber nada no natal.
Severus olhou pra ruiva que suspirara e se encolheu, sabia que ela estava novamente imaginando porque ele não tinha uma boa relação com seu filho. E Snape sabia que mais uma vez era culpado pelo lamento de Lily. Porque mesmo seu eu presente tinha dificuldades de se imaginar dando um presente ao filho do Potter.
James apoiou a cabeça na cabeça de Lily que estava no seu ombro, tanta coisa que ele queria dar ao seu filho, mas era a capa que se destacava na sua mente. Não era apenas um presente de natal, era uma tradição. Harry era o ultimo Potter e não teria a capa. Um sentimento de perda tomou conta de James. Ele levou discretamente a mão oposta ao ombro que Lily descansava ao bolso. E sentiu o tecido suave da capa, segurando o tecido ele pediu a toda e qualquer divindade que existia que houvesse um jeito dele dar esse presente ao seu filho.
Sirius parecia um filhote de cachorro chutado. Ele só poderia estar morto nesse futuro que o livro mostrava, porque ele não conseguia imaginar algo suficientemente forte para impedir que o filho de seu melhor amigo, seu irmão. Passasse tanta dificuldade. Apertando suas mãos nos joelhos ele se prometeu que mudaria isso. Que Harry seria feliz com sua família.
Remus olhou para James e Sirius tristemente, eles só podiam imaginar como era para duas pessoas que sempre tiveram tudo que o dinheiro pode comprar ouvir sobre alguém da família passar esse tipo de necessidade. James sempre ganhara os melhores presentes de natal, ouvir que seu filho não tinha isso deveria causar uma dor horrível. E a senhora Potter sempre mandara presentes para todos. Remus não acreditava num futuro próximo que ele pudesse pagar um presente bom como Harry merecia, mas se ele estivesse vivo, mandaria ao menos uma carta. Ele não deixaria o filho do seu amigo que tanto tinha feito por ele sem nada no natal
Alice e Frank olhavam para seus amigos sem saber o que dizer para consola-los. Neville ao menos tinha a avó, que com todos seus defeitos com certeza daria presente para seu neto. Mas Harry não parecia ter ninguém. Seria um natal muito triste de ler.
Quando acordou cedo na manhã seguinte, porém, a primeira coisa que viu foi uma pequena pilha de embrulhos ao pé de sua cama.
Todos se animaram com isso.
— Feliz Natal — disse Rony sonolento quando Harry pulou da cama e vestiu o roupão.
— Para você também — falou Harry. — Olhe só isso! Ganhei presentes?
Lily entrelaçou dos dedos com o James, com a cabeça ainda encostada em seu ombro. Seu filho ficara surpreso por ganhar presentes de natal, quando era algo que a maioria das crianças davam por concedido.
— E o que é que você esperava, nabos? — respondeu Rony, virando-se para a sua pilha que era bem maior do que a de Harry.
— E ele tem a sensibilidade de Almofadinhas. — disse Remus aliviando um pouco o clima melancólico.
Harry apanhou o pacote de cima. Estava embrulhado em papel pardo grosso e trazia escrito em garranchos: Para o Harry, de Hagrid. Dentro havia uma flauta tosca de madeira. Era óbvio que Hagrid a entalhara pessoalmente. Harry soprou-a, parecia um pouco com um pio de coruja.
Uma onda de afeição por Hagrid tomou conta de James, ele sabia que seu filho não esperava receber nada e tinha dado algo. O meio-gigante era uma pessoa maravilhosa.
Um segundo embrulho, muito pequeno, continha um bilhete.
"Recebemos sua mensagem e estamos enviando o seu presente. Tio Válter e Tia Petúnia".
Presa com fita adesiva na nota havia uma moeda de cinqüenta pence.
— Eu estou chocada por eles sequer mandarem algo. — disse Lily, mas por dentro ela estava triste que seu distanciamento com a irmã tivesse feito a vida de Harry tão infeliz.
— Que simpático! — exclamou Harry.
Rony ficou fascinado pela moeda de cinqüenta pence.
— Que esquisito! — disse. — Que formato! Isso é dinheiro?
— Pode ficar com ela — disse Harry rindo-se ao ver a satisfação de Rony
— O pouco que ele ganha, ele divide. Harry é realmente uma criança extraordinária. — disse Frank olhando para os pais da criança. Ao invés de se sentir ressentido que Ron ganhara mais presentes, Harry estava disposto a compartilhar.
— Rúbeo, minha tia e meu tio. E quem mandou esses?
— Acho que sei quem mandou esse — disse Rony, ficando um pouco vermelho e apontando para um embrulho disforme. — Mamãe. Eu disse a ela que você não estava esperando receber presentes... Ah, não... — gemeu —, ela fez para você um suéter Weasley.
— Vamos ter que fazer algo para agradecer a senhora Weasley quando sairmos daqui. — cochichou Lily para James. Ela realmente se sentia agradecida a todos que mandaram algo para seu filho. Era bom saber que Harry não estava completamente sozinho.
Harry rasgou o papel e encontrou um suéter tricotado com linha grossa verde- clara e uma grande caixa de barras de chocolate feito em casa.
— É generoso da parte dela fazer isso, já que de acordo com o livro os recursos dos Weasley são limitados. — aprovou Alice.
— Todos os anos ela faz para nós um suéter — disse Rony, desembrulhando a dele —, e o meu é sempre cor de tijolo.
— Aposto que fica lindo com a cor de cabelo dele. — brincou Sirius.
— Foi realmente muita gentileza dela — disse Harry, experimentando as barrinhas de chocolate, que estavam muito gostosas.
O presente seguinte também continha doces, uma grande caixa de sapos de chocolate dados por Hermione.
James sorriu, seu filho tinha sorte de ter feito dois bons amigos.-
Restava apenas um embrulho. Harry apanhou-o e apalpou-o.
Era muito leve. Desembrulhou e uma coisa sedosa e prateada escorregou para o chão onde se acomodou em dobras refulgentes. Rony soltou uma exclamação:
James esqueceu de respirar, ele só conhecia uma coisa com essa descrição e não podia imaginar com isso seria possível, embora o pensamento de Harry ter a capa era algo maravilhoso.
Sirius arregalou os olhos, surpreso e Remus permitiu um pequeno sorriso começar a nascer.
Lily tinha notado a reação de James, estando encostada nele era difícil não perceber a tensão que o invadira com a descrição. Sirius parecia igualmente surpreso e Remus parecia feliz, Era obvio que seja lá o que for tinha reação com os marotos. Se isso fosse possível, ela só poderia imaginar como Harry seria feliz.
— Se for o que eu penso. — comentou Frank que estava olhando para o livro e não vira a reação dos marotos. — É algo realmente valioso, alguém gosta muito de Harry para deixar um presente desses.
— Você nem faz ideia de quanto. — disse James baixinho, confirmando a suspeita de Lily que era algo pertencente a James ou aos marotos.
— Já ouvi falar nisso — disse em voz baixa, deixando cair a caixa de feijõezinhos de todos os sabores que ganhara de Hermione. — Se isso é o que eu penso que é, é realmente raro e realmente valioso.
— E o que é?
Harry apanhou o pano brilhoso e prateado do chão. Tinha uma textura estranha, parecia tecida com fios de água.
— É uma capa da invisibilidade. — comentou Severus surpreso, era algo realmente raro e valioso para dar a um garoto de onze anos.
— Pontas, você acha que é? — pediu Sirius não querendo revelar muito.
— Qual a chance de não ser. — respondeu James lutando contra a excitação que o invadia. Ele precisava ter certeza. Deixar isso para o filho era o melhor presente que ele conseguia imaginar para si mesmo.
— É uma capa da invisibilidade — disse Rony, com uma expressão de assombro no tosto. — Tenho certeza de que é. Experimente.
Harry jogou a capa em volta dos ombros e Rony deu um berro.
— É, Sim! Olhe para baixo!
Harry olhou para os pés, mas eles tinham desaparecido. Correu então para o espelho. Não deu outra, o espelho refletiu sua imagem, só a cabeça suspensa no ar, o corpo completamente invisível. Ele cobriu a cabeça e a imagem desapareceu completamente.
— É um baita de um presente. — comentou Alice
— Tem um cartão! — disse Rony de repente. — Caiu um cartão!
Lily percebia James cada vez mais agitado, como se estivesse esperando algo muito bom acontecer.
Harry tirou a capa e apanhou o cartão. Escritas numa caligrafia fina e rebuscada que ele nunca vira antes estavam as seguintes palavras:
"Seu pai deixou isto comigo antes de morrer. Está na hora de devolvê-la a você.
Use-a bem.
Um Natal muito Feliz para você".
James sentiu algo subindo por seu corpo, parando na garganta e lutando para sair. De alguma forma Dumbledore, ele reconhecera a letra, havia conseguido a capa e dado para Harry. Seu filho não tinha apenas um presente vindo do seu pai, tinha uma herança que sua família passara por gerações. James tinha certeza que poderia fazer o melhor patrono no mundo esse momento.
Lily ouvira o bilhete e agora olhava para James cujos olhos pareciam brilhar, ele estava tomado pela emoção e ela não precisou perguntar para saber que a capa era realmente sua. Estava nítido na sua expressão. Contagiada pela felicidade de que seu filho tinha recebido um presente de natal realmente bom, não pelo valor material, mas finalmente um vinculo com sua família. A ruiva levantou sorrindo e puxou James para um abraço.
Ambos se abraçaram no espaço entre os sofás, gargalhando, tomados pela pura alegria de Harry ter pela primeira vez na vida algo pertencente a sua família. Sirius sentiu a mesma emoção pelo afilhado, e atraído pela felicidade do casal levantou e abraçou os dois. Remus olhou seus melhores amigos brilhando de felicidade. Havia algo neles que atraia como uma mariposa é atraída pela chama. Algo na pura alegria daquele momento. Remus se levantou se enfiar entre Sirius e Lily.
Alice viu os quatro amigos abraçados no meio da sala. E ela nem sequer pensou ao se levantar e unir-se a eles. Pulando entre Sirius e James, ela sorriu, mais feliz do que havia se sentindo desde o começo da leitura. Fran feliz por ver seus amigos e namorada feliz se levantou abraçando Alice com um braço enquanto colocava a outra mão no ombro de James.
O grupo formava um bolo muito confuso no meio da sala. Remus abraçava Sirius pelos ombros e a outra mão no ombro de Lily. Sirius tinha um braço em torno no ombro de Lily e outro em torno de James. Alice tinha os braços nas cinturas de Sirius e James, enquanto Frank a abraçava por trás e tinha uma mão nos ombros de James. Lily tinha as duas mãos na cintura de James, logo abaixo do braço de Alice.
Ainda sorrindo a ruiva tirou uma das mãos e ofereceu a única pessoa que não tinha participado do abraço.
Severus olhava para o grupo com uma inveja diferente de qualquer coisa que ele havia sentido. Eles mostravam a mais pura felicidade, sem esconder nada. Snape não lembrava a ultima vez que ele mesmo havia demostrado tão abertamente algum sentimento, aliás, ele achava que nunca havia feito. Ele viu Lily estender a mão sorrindo, mas ele sentia que não podia participar do abraço. Ele seria uma macha naquele grupo, não se sentindo feliz como eles.
Mesmo com a mão de Lily estendida ele nunca se sentira tão distante da ruiva na vida, ele nunca conseguira um sorriso daqueles no rosto dela. Sempre havia alguma mancha entre eles. Primeiro Tuney que odiara Lily por culpa da magia que ele havia apresentado a ruiva, depois as casas diferentes em Hogwarts e finalmente as suas próprias escolhas. Ele apertou a mão de Lily, porque não queria manchar a felicidade da amiga, mas não havia forma de participar do abraço.
Ele viu Black bagunçar o cabelo da ruiva fazendo Lily desviar o olhar. E viu como ela encaixava perfeitamente nessa felicidade. Severus teve um sentimento estranho sobre como Lily encaixava ali, ele nunca tinha sentido a ruiva tão feliz ou tão a vontade quando era apenas ele.
Soltando a mão dela ele voltou para o livro e todos começaram a se desfazer do abraço para voltar aos seus lugares. Lily e Potter demoraram um segundo a mais que os outros. E Severus viu ela dar um ultimo aperto antes de se soltar de vez, para sentar com as mãos entrelaçadas. Com uma dor no coração, pela primeira vez Severus percebeu que poderia ser tarde demais para ele. Que de alguma forma suas escolhas tinham sido erradas. Tentando enterrar esses sentimentos, voltou a ler.
Não havia assinatura. Harry ficou olhando o cartão. Rony admirava a capa.
— Eu daria qualquer coisa para ter uma dessas. Qualquer coisa... Que foi?
— Eu entendo a sensação. — disse Sirius sorrindo. Ele achava a capa de James algo incrível.
— Nada. — Harry estava se sentindo muito estranho. Quem mandara a capa? Será que pertencera mesmo ao seu pai?
— Harry é tão pouco acostumado que algo bom aconteça que desconfia quando realmente acontece. — Lily suspirou, mas dessa vez a tristeza foi diferente, era como se a capa fosse uma espécie de sinal que eles ainda estavam ali para Harry.
Antes que pudesse dizer ou pensar qualquer outra coisa, a porta do dormitório se escancarou e Fred e Jorge Weasley entraram aos pulos. Harry rapidamente deu um sumiço na capa.
Por ora não tinha vontade de compartilhá-la com mais ninguém.
Lily franziu o cenho, e Alice percebendo comentou?
— É a primeira vez que ele tem algo de seus pais. Ele quer apreciar sozinho antes de compartilhar.
— Feliz Natal!
— Ei, olhe só, o Harry ganhou um suéter Weasley também!
Fred e Jorge estavam usando suéteres azuis, um com um grande F, o outro com um J.
— Eu aposto que eles estão usando as suéteres com as iniciais trocadas. — disse James sorrindo.
— Ninguém é louco de tomar essa aposta. — respondeu Frank.
— Mas o do Harry é melhor do que o nosso — comentou Fred, erguendo o suéter de Harry — Ela com certeza capricha mais se a pessoa não é da família.
— Por que você não está usando o seu? — perguntou Jorge — Vamos, vista logo, eles são ótimos e quentes.
— Vista antes que eles decidam te ajudar a vestir. — aconselhou Remus.
— Detesto cor de tijolo — lamentou-se Rony, desanimado enquanto vestia o suéter.
— Pelo menos você não tem uma letra no seu — comentou Jorge. — Ela deve pensar que você não esquece o seu nome. Mas nós não somos burros, sabemos que nos chamamos Jred e Forge.
James e Sirius se entreolharam sorrindo. Todas as possibilidades de piadas que teriam se fossem gêmeos.
— Que barulheira é essa?
Percy Weasley meteu a cabeça para dentro da porta, com um olhar de censura.
— Estraga-Prazeres. — resmungou Sirius.
Era visível que já desembrulhara metade dos seus presentes porque trazia também um suéter grosso pendurado no braço, que Fred logo agarrou.
— M de monitor! Vista logo, Percy, todos estamos usando os nossos, até Harry ganhou um.
— Eu... Não... Quero — disse Percy com a voz embargada, enquanto os gêmeos forçavam o suéter por sua cabeça, entortando seus óculos.
— Eu disse que era melhor vestir por contra própria. — Remus sorriu.
— E você hoje não vai se sentar com os monitores — disse Jorge.
— Natal é uma festa da família.
E os dois carregaram Percy para fora do quarto, com os braços presos dos lados pelo suéter.
— Eles são exatamente como vocês. — Alice apontou para James e Sirius. — Apesar de todas as brincadeiras tem o coração no lugar certo.
Os dois marotos sorriram pra ela.
Snape estava num humor tão estranho que nem se deu ao trabalho de comentar isso.
Harry nunca tivera em toda a vida um almoço de Natal igual àquele. Cem perus gordos assados, montanhas de batatas assadas e cozidas, travessas de salsichas, terrinas de ervilhas passadas na manteiga, molheiras com uva-do-monte em molho espesso e bem temperado
Faltava muito pouco para Sirius babar, literalmente.
e, a pequenos intervalos sobre a mesa, pilhas de bombinhas de bruxo. Essas bombinhas fantásticas não se pareciam nada com as bombinhas fracas dos trouxas que os Dursley em geral compravam, cheias de brinquedinhos de plástico e chapéus de papel fino. Harry puxou a ponta de uma bombinha de bruxo com Fred e ela não deu apenas um estalinho, ela explodiu com o ruído de um canhão e envolveu-os em uma nuvem de fumaça azul, enquanto caiam de dentro um chapéu de almirante e vários camundongos brancos, vivos.
Os marotos aplaudiram.
Na mesa principal, Dumbledore tinha trocado o chapéu de bruxo por um toucado florido e ria alegremente da piada que o Professor Flitwick acabara de ler para ele.
A maioria da sala ria alegremente do chapéu de Dumbledore.
Pudins de Natal flamejantes seguiram-se ao peru. Percy quase quebrou os dentes em uma foice de prata que estava escondida em sua fatia.
— Provavelmente os gêmeos esconderam. — comentou Remus.
Harry observava o rosto de Hagrid ficar cada vez mais vermelho à medida que pedia mais vinho e acabou beijando a bochecha da Professora Minerva, e quase para espanto de Harry, rira e corara, o chapéu de bruxa enviesado na cabeça.
James e Sirius explodiram em gargalhadas.
— Você nunca teve uma chance com Minnie, está provado que ela prefere os homens grandes, você sempre foi baixinho e magrelo. — Sirius provocou o amigo.
James levou uma mão ao coração, fingindo estar ferido. Mas Lily reparou que James não era baixinho desde o começo do sexto ano, embora Sirius fosse mais alto. E os braços embora magros, eram definidos por todo o esforço de jogar a goles nos treinos e partidas.
Sirius viu o olhar da ruiva e sorriu malicioso vendo ela corar.
Snape olhou a interação com um sentimento de perda cada vez maior.
Quando Harry finalmente saiu da mesa estava levando uma montanha de brinquedos das bombinhas, inclusive uma embalagem de balões luminosos e não- explosivos, um kit para cultivar capixingui, a planta símbolo de Hogwarts, e um jogo de xadrez de bruxo. Os camundongos brancos tinham desaparecido e Harry teve a desagradável sensação de que eles iam acabar virando jantar de Natal para Madame Nor-r-ra.
— Harry precisa fazer um curso de pensamento positivo, nem você pode negar isso Lily. — Sirius brincou e Lily fez bico em resposta.
Harry e os Weasley passaram uma tarde muito alegre ocupados em uma furiosa guerra de bolas de neve.
A maioria da sala sorriu, era bom ver Harry se divertindo para variar.
Depois, frios, molhados e ofegantes, voltaram para junto da lareira na sala comunal de Grifinória, onde Harry estreou o seu novo jogo de xadrez perdendo espetacularmente para Rony. Suspeitou que não teria levado uma surra tão grande se Percy não tivesse tentado ajudá-lo tanto.
Todos riram menos Snape que estava perdido em seu humor estranho.
Depois de lancharem sanduíches de peru, bolinhos, gelatina e bolo de frutas,
Sirius gemeu. O livro não parava de falar em comida.
todos se sentiram demasiado fartos e sonolentos para fazer outra coisa senão sentar e assistir a Percy correr atrás de Fred e Jorge por toda a torre de Grifinória porque eles tinham furtado seu crachá de monitor.
— Nós fizemos isso com Remus. — disse James saudoso.
Fora o melhor Natal da vida de Harry. No entanto, no fundinho da cabeça alguma coisa o incomodara o dia inteiro. Somente quando finalmente se deitou é que teve tempo para pensar nela: a capa invisível e a pessoa que a mandara.
— Realmente é minha. E foi do meu pai antes de mim, e do meu avô e assim por diante, pode usar sem medo, filho. — James alentou.
Frank franziu o cenho. Era incomum uma capa de invisibilidade que durasse tanto tempo sem se desgastar. Severus finalmente saiu um pouco de seus pensamentos para pensar a mesma coisa.
Rony, cheio de peru e bolo e sem nenhum mistério para perturbá-lo, caiu no sono assim que puxou as cortinas de sua cama de dossel. Harry debruçou-se pela borda da cama e puxou a capa que escondera ali.
Do seu pai... Aquilo fora do seu pai. Ele deixou o tecido escorregar pelas mãos, mais macio do que seda, leve como o ar.
James sorriu.
"Use-a bem", dissera o cartão.
Tinha de experimentá-la agora. E saiu da cama e se enrolou na capa. Olhando para as pernas, viu apenas o luar e as sombras Era uma sensação muito engraçada.
"Use-a bem".
De repente, Harry se sentiu completamente acordado. Toda a Hogwarts se abria para ele com esta capa. Sentiu-se tomado de excitação em pé ali na escuridão silenciosa. Podia ir a qualquer lugar com a capa, qualquer lugar, e Filch jamais saberia.
James sorriu orgulhoso, como se Harry tivesse dito que fora aprovado no exame mais difícil. Lily sorriu, ela estava preocupada com ser mãe de um menino com dom para causar problemas. Mas havia uma sensação boa em ver as semelhanças entre pai e filho, mesmo que os dois tenham tido tão pouco tempo juntos.
Rony resmungou adormecido. Será que Harry devia acordá-lo?
— É mais divertido com os amigos. — incentivou James, mas no fundo ele sabia que Harry usaria sozinho essa primeira vez.
Alguma coisa o deteve, a capa era do seu pai, sentiu que desta vez, a primeira, queria usá-la sozinho.
E saiu sorrateiro do dormitório, desceu as escadas, atravessou a sala comunal e passou pelo buraco do retrato.
— Quem está aí? — perguntou esganiçada a Mulher Gorda. Harry não respondeu. Saiu depressa pelo corredor onde deveria ir? Parou, o coração acelerado, e pensou. E então lhe ocorreu. A seção reservada na biblioteca.
— Com toda Hogwarts aberta a ele, Harry vai para biblioteca. Acho que os genes de Lily mancharam o lado maroto de Harry. — disse Sirius.
Lily apenas sorriu em resposta.
Poderia ler o tempo que quisesse, o tempo que precisasse para descobrir quem era Flamel.
— Ao menos ele esta usando a biblioteca para descobrir algo que não deve. — James consolou.
Snape revirou os olhos. Potter nunca cresceria. Mas ao mesmo tempo viu que Lily não tinha olhado com desagrado ao comentário como era comum. Ela pareceu divertida com o pensamento. Suspirando Severus voltou a ler.
Foi, então, puxando a capa para bem junto do corpo ao andar.
A biblioteca estava escura como breu e muito estranha. Harry acendeu uma luz para enxergar o caminho entre as fileiras de livros. A lâmpada parecia que estava flutuando no ar, e embora Harry sentisse que seu braço a sustentava, aquela visão lhe deu arrepios.
— Você se acostuma com o tempo. — comentou Remus.
A seção reservada era bem no fundo da biblioteca. Saltando com cautela a corda que separava esses livros do resto da biblioteca, ele ergueu a lâmpada para ler os títulos.
Eles não lhe informavam muita coisa. Suas letras descascadas e esmaecidas formavam dizeres em línguas que Harry não entendia.
— Então esses não te ajudarão no que você procura. — concluiu Frank sensato.
Alguns sequer tinham titulo. Um livro tinha uma mancha escura que fazia lembrar horrivelmente de sangre.
— Fique longe desse livro. — aconselhou Alice.
Os pêlos na nuca de Harry ficaram em pé. Talvez fosse imaginação dele, talvez não, mas achou que ouvia um sussurro inaudível vindo dos livros, como se eles soubessem que havia alguém ali que não deveria estar.
— Ele pode sentir a magia vinda dos livros. — comentou Remus espantado. Era algo realmente difícil para um garoto de onze anos sentir, a maioria dos bruxos adultos não sentia.
Precisava começar por alguma parte. Pousando com cuidado a lâmpada no chão, ele procurou na prateleira mais baixa um livro que parecesse interessante. Um grande volume preto e prata chamou sua atenção. Puxou-o com esforço, porque era muito pesado, e equilibrando-o nos joelhos, deixou-o abrir ao acaso.
Todos tiveram um mau pressentimento.
Um grito agudo de coalhar o sangue cortou o silêncio, o livro estava gritando! Harry fechou-o depressa, mas o grito não parou, uma nota alta, continua, de furar os tímpanos.
— Largue o livro e saia daí. — aconselhou James preocupado.
Ele tropeçou para trás e derrubou a lâmpada, que se apagou na mesma hora. Em pânico, ouviu passos que vinham pelo corredor do lado de fora enfiando o livro gritador de qualquer jeito no lugar, ele correu para valer. Passou por Filch quase a porta. Os olhos claros e arregalados de Filch atravessaram-no, Harry escorregou por debaixo dos seus braços estendidos e saiu desabalado pelo corredor, os gritos do livro ainda ecoando em seus ouvidos.
— Volte para a torre, agora. — Sirius disse em direção ao livro.
Parou subitamente diante de uma alta armadura. Estivera tão ocupado em fugir da biblioteca que não prestara atenção onde estava indo. Talvez porque estivesse escuro, ele sequer reconheceu onde se encontrava. Havia uma armadura perto das cozinhas, ele sabia, mas ele devia estar uns cinco andares acima.
— Não pare, continue andado. — foi a vez de Remus aconselhar.
— O senhor me pediu para eu vir direto ao senhor, professor, se alguém estivesse perambulando durante a noite e alguém esteve na biblioteca, na seção reservada.
Harry sentiu o sangue se esvair do seu rosto. Onde quer que estivesse, Filch devia conhecer um atalho, porque sua voz baixa e untuosa estava se aproximando, e para seu horror, foi Snape quem respondeu:
— Porque esse maldito narigudo tem que estar sempre no lugar errado. — murmurou Sirius.
Severus pensou em responder, mas vendo que não sabia o que seu eu futuro poderia fazer resolveu continuar lendo.
— A seção reservada? Bom, eles não podem estar longe, vamos apanhá-los. Harry ficou imóvel no lugar em que estava quando Filch e Snape viraram o canto do corredor à frente. Eles não podiam vê-lo, é claro, mas era um corredor estreito e se chegassem mais perto esbarrariam nele, a capa não o impedia de ser sólido.
— Viu Sirius, essa é uma conclusão que qualquer pessoa normal chegaria sem testar. — brincou James tentando aliviar suas próprias preocupações.
— Eu só queria ter certeza. — disse Sirius fazendo beicinho. — Na primeira vez que ele usara a capa sozinho, ele derrubou a Minnie no chão.
Recuou o mais silenciosamente que pôde. Havia uma porta entreaberta à sua esquerda. Era sua única esperança. Esgueirou-se por ela, prendendo a respiração, tentando não empurrá-la e, para seu alívio, conseguiu entrar no aposento sem que percebessem nada.
— Bom garoto. —incentivou Remus.
Eles passaram direto e Harry apoiou-se na parede, respirando profundamente, ouvindo os passos dos dois morrerem a distância. Fora por pouco, por um triz.
Suspiros aliviados ecoaram na sala.
Passaram-se alguns segundos até ele reparar em alguma coisa no aposento em que se escondera.
Parecia uma sala de aula fechada. Os vultos escuros das mesas e cadeiras se amontoavam contra as paredes e havia uma cesta de papéis virada, mas escorada na parede à sua frente havia uma coisa que não parecia pertencer ao lugar, alguma coisa que parecia que alguém acabara de pôr ali para tirá-la do caminho.
Todos ficaram curiosos, prestando ainda mais atenção à leitura.
Era um magnífico espelho, da altura do teto, com uma moldura de talha dourada, aprumado sobre dois pés em garra. Havia uma inscrição entalhada no alto: Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn.
— Isso não parece ser um idioma. — comentou Frank. — Soa como se as letras estivessem embaralhadas.
Severus prestou mais atenção ao que estava escrito, e percebeu que estava ao contrario:
— Não mostro seu rosto, mas o desejo em seu coração. — Snape traduziu.
James e Lily se olharam preocupados com o que Harry veria no espelho.
Já livre do pânico, agora que não ouvia sinal de Filch e Snape, Harry aproximou- se do espelho querendo mostrar-se sem ver nenhuma imagem como antes. Adiantou-se para o espelho.
Lily apertou mais a mão de James.
Teve de levar as mãos à boca para não gritai, Virou-se. Seu coração batia com muito mais fúria do que quando o livro gritara, porque não vira somente a própria imagem no espelho, mas a de uma verdadeira multidão por trás dele.
O clima na sala ficou tenso de repente, todos tendo uma boa ideia do que Harry vira, mas precisando de confirmação para acreditar.
Mas o quarto estava vazio. Respirando muito depressa, ele se virou lentamente para o espelho.
Lá estava ele, refletido, parecendo branco e assustado, e lá estavam, refletidos às suas costas, pelo menos outras dez pessoas,
James passou o braço pelo ombro de Lily, e ela se aconchegou mais a ele.
Harry espiou por cima do ombro, mas continuava a não haver ninguém mais. Ou será que eram todos invisíveis também? Será que estava de fato em um aposento cheio de gente invisível e o truque desse espelho é que ele refletia tudo, invisível ou não?
— Não é isso Harry. — disse Remus com a voz triste.
Olhou para o espelho outra vez. Uma mulher parada logo atrás de sua imagem sorria e lhe acenava.
Lily virou o rosto para esconde-lo no ombro de James, ela tinha um bom palpite que ela seria essa mulher.
Ele esticou a mão e sentiu o ar atrás dele. Se ela estivesse realmente ali, ele a tocaria, pois suas imagens estavam muito próximas, mas ele pegou apenas ar, ela e os outros só existiam no espelho.
Era uma mulher muito bonita. Tinha cabelos acaju e os olhos... "Os olhos são igualzinhos aos meus",
Um soluço sacudiu Lily, James começou a passar as mãos pelos seus cabelos numa tentativa de consola-la, mas ele parecia tão triste como ela.
Harry pensou, acercando-se um pouco mais do espelho. "Verde- vivo... Exatamente do mesmo formato"...
Snape fez uma pausa imperceptível a menção dos olhos de Lily
Mas então reparou que ela estava chorando, sorrindo, mas chorando ao mesmo tempo. O homem alto, magro, de cabelos negros, parado ao lado dela abraçou-a. Usava óculos e seu cabelo era muito rebelde. Espetava na parte de trás, como o de Harry.
Lily apertou o braço de James. Nenhum dos dois conseguia falar.
Harry estava tão perto do espelho agora que seu nariz quase encostava em sua imagem.
— Mamãe? — murmurou — Papai?
James puxou Lily para um abraço completo, de forma que a ruiva soluçava no seu peito agora. Lily agarrava a camisa do moreno buscando algum apoio. Ela sentia as mãos de James nas suas costas reforçando o abraço, como se ele estivesse se apoiando nela assim como ela se apoiava nele.
— Harry não ganhar no quadribol, ou boas notas, ou as coisas normais da infância. — disse James mas parecia estar pensando em voz alta do que falando com alguém realmente. — Nem sequer se livrar dos Dursley o que seria compreensivo. Ele sequer viu a vida dela conosco. O maior desejo dele é nós conhecer. Somente conhecer.
James enterrou o rosto nos cabelos de Lily quando a realização disso o acertou. O maior desejo do seu filho era algo que toda criança deveria ter direito: Conhecer a própria família. A injustiça da guerra o atingiu como nunca antes. Harry era apenas uma criança, e sofria as consequências desses atos. Ele sentia Lily contra ele, o rosto enterrado na sua camisa mas seus pensamentos não tinham ligação com a proximidade física. Era a proximidade emocional nesse momento que eles compartilhavam. Ele podia dizer pelo modo que Lily o segurava que ela pensava a mesma coisa. E como se lendo seus pensamentos a ruiva levantou o olhar para ele.
Ambos se olharam por tempo indeterminado, como se estivessem tirando força do olhar do outro. Como se apenas pelo olhar eles pudessem compartilhar seus pensamentos mais profundos. Alice percebeu que eles estavam perto o suficiente para um beijo, embora nenhum dos dois parecessem se dar conta disso. Frank percebeu que eles pareciam ter esquecido todos na sala. Remus percebeu como o olhar de ambos eram iguais naquele momento, tanto o avelã quanto o verde mostravam a mesma coisa, a mesma dor e a mesma força. Sirius percebeu que eles consolavam um ao outro de uma forma que mais ninguém no mundo poderia naquele momento. Almofadinhas pensou que deveria se sentir excluído por seu melhor amigo, mas ele estava feliz que James pudesse achar uma fonte de consolo.
Severus viu tudo isso e mais, ele soube que isso levaria a morte de Lily. Esses sentimentos. Snape sabia que contrariamente a crença popular, o amor não resolvia tudo, só te enterrava num problema pior. Era uma dor como Severus nunca tinha sentido, ver Lily ter essa ligação com alguém que não era ele, eles nunca tiveram isso. Havia algo nessa fé absoluta que Snape nunca entendeu. Ele não sabia o que fazer dali em diante, então continou lendo.
Eles apenas olharam para ele, sorrindo, e lentamente Harry olhou para os rostos das outras pessoas no espelho e viu outros pares de olhos verdes iguais aos seus, outros narizes como o seu, até mesmo um velhote que parecia ter os mesmos joelhos ossudos que ele. Harry estava olhando para sua família, pela primeira vez na vida.
O estremecimento de Lily foi visível dessa vez. A ruiva não se lembrava de ter estado tão triste alguma vez na vida. Nem quando perdera a amizade de Tuney, ou de Severus. Era como se a dor de Harry cortasse algo diretamente dentro dela.
Os Potter sorriram e acenaram para Harry e ele retribuiu o olhar carente, as mãos comprimindo o espelho como se esperasse entrar por dentro dele e alcançá-los. Sentiu uma dor muito forte no peito, em que se misturavam a alegria e uma terrível tristeza.
James tinha enterrado o rosto completamente no cabelo de Lily. Sirius pensou que talvez o amigo estivesse escondendo as lagrimas. Ele mesmo sentia vontade de chorar Embora isso não fosse muito viril. Sirius sentia uma ligação com Harry, como ele só havia sentido com James. O sentimento que faria qualquer coisa para o outro. Uma ligação mais forte que amizade, como uma família verdadeira.
Quanto tempo esteve parado ali, ele não sabia. As imagens não esmaeceram e ele continuou mirando-as até que um ruído distante o trouxe de volta ao presente. Não podia ficar ali, tinha de encontrar o caminho de volta para a cama. Com esforço, desviou os olhos do rosto de sua mãe, sussurrando "Eu volto" e saiu depressa do aposento.
— Eu não acho que você deveria voltar. — disse Alice com a voz embargada. — Só vai avivar a dor cada vez que você olhar no espelho.
— Você podia ter me acordado — falou Rony, aborrecido.
— Você pode vir hoje à noite. Vou voltar, quero lhe mostrar o espelho.
— Eu gostaria de ver sua mãe e seu pai — disse Rony, animado.
— Eu não acho que seja possível ver o desejo da outra pessoa. — comentou Frank.
— E eu quero ver toda a sua família, todos os Weasley, você vai poder me mostrar os seus outros irmãos e todo o mundo.
— Eu não acho que esse seja o desejo de coração de Ron. — comentou Remus.
Sirius, Lily e James continuavam silenciosos.
— Você pode vê-los a qualquer hora. E só vir à minha casa neste verão. Em todo o caso, talvez o espelho só mostre gente morta.
— Esse garoto não tem um pingo de tato. — Snape finalmente comentou, aliviado por achar algo contra quem descarregar suas frustações.
Mas é uma pena você não ter achado o Flamel. Coma um pouco de bacon ou outra coisa qualquer, por que é que você não está comendo nada?
Sirius apertou os punhos. Por uma vez não fazendo o comentário sobre comida. Porque o filho de James tinha que passar por tamanha tristeza?
Harry não conseguia comer. Vira os pais e iria vê-los de novo à noite. Quase se esquecera de Flamel, já não lhe parecia tão importante.
Lily afundou mais o rosto no peito de James, os dois estavam tão próximos como era possível sentados no sofá. Ambos procurando um no outro consolo para a tristeza pelo futuro do seu filho.
Quem ligava para o que o cachorro de três cabeças estava guardando? Quem ligava realmente que Snape fosse roubar a coisa?
— E ainda nesse estado ele não consegue me esquecer. — Snape tentou fazer uma brincadeira deixando todos na sala chocados. Ele queria de alguma forma aliviar a dor de Lily.
— Você está bem? — perguntou Rony — Está com uma cara tão estranha.
O que Harry mais temia era não conseguir encontrar o aposento do espelho outra vez. Com Rony coberto pela capa também, eles tiveram de andar muito mais devagar na noite seguinte. Tentaram refazer o caminho de Harry ao sair da biblioteca, andando a esmo pelos corredores escuros durante quase uma hora.
— Estou falando — disse Rony, — Vamos esquecer tudo e voltar.
— O escute. — aconselhou Frank. Ele achava a aparente obsessão de Harry com o espelho perigosa
— Não! — sibilou Harry — Sei que é em algum lugar por aqui.
Passaram pelo fantasma de uma bruxa alta que deslizava na direção oposta, mas não viram mais ninguém. Na hora em que Rony começou a reclamar que seus pés estavam dormentes de frio, Harry identificou a armadura.
— É aqui... Logo aqui... É.
Lily com o rosto escondido mordeu os lábios, sabendo o que estava por vir.
Eles empurraram a porta. Harry deixou cair a capa dos ombros e correu para o espelho. Lá estavam eles. Sua mãe e seu pai sorriam ao vê-lo.
James respirava profundamente com o rosto enterrado no cabelo de Lily. Uma das suas mãos em torno dela e a outra jogando com seus cabelos. Ele só desejava que houvesse alguma coisa que pudesse fazer para aliviar a dor do filho.
— Está vendo? — Harry cochichou.
— Não consigo ver nada.
— Olhe! Olhe eles todos... Ali, montes deles...
— Só consigo ver você.
— Olhe direito, vamos, fique aqui onde eu estou.
Harry deu um passo para o lado, mas com Rony diante do espelho, não conseguiu mais ver sua família, apenas Rony como seu pijama de lã escocesa.
Rony, porém, estava mirando a própria imagem, petrificado.
— Olhe só para mim! — exclamou.
— Você está vendo toda a sua família à sua volta?
— Eu realmente duvido que seja isso. — comentou Frank.
— Não, estou sozinho, mas estou diferente... Pareço mais velho, e sou chefe dos monitores.
— Um desejo realmente profundo. — resmungou Severus.
— O quê?
— Estou... Estou usando um crachá igual ao do Gui... E estou segurando a taça das casas e a taça de Quadribol, sou capitão do time de Quadribol também!
Lily soluçou novamente. Esse era o desejo normal de uma criança. Se Harry pudesse desejar o mesmo.
Rony despregou os olhos dessa visão magnífica para olhar excitado para Harry.
— Você acha que esse espelho mostra o futuro?
— Estupido. — resmungou Severus descontando sua raiva nos comentários.
— Como pode mostrar? A minha família está toda morta. Deixe-me dar outra espiada.
— Você teve o espelho só para você a noite passada, me deixa olhar mais um pouco.
— Você só está segurando a taça de Quadribol, que interesse tem isso? Eu quero ver os meus pais.
— Esta fazendo eles brigarem, o espelho não é bom. — disse Remus preocupado com Harry.
— Não me empurre...
Um ruído repentino do lado de fora no corredor pós-fim à discussão dos dois. Não tinham se dado conta do como estavam falando alto.
— Depressa!
Rony atirou a capa de volta para cobri-los na hora que os olhos luminosos de Madame Nor-r-ra apareceram à porta. Rony e Harry ficaram imóveis, ambos pensando a mesma coisa, será que a capa fazia efeito para os gatos?
— Faz, mas eles ainda podem farejar. — comentou Remus.
Passado um tempo que pareceu uma eternidade, ela se virou e foi embora.
— Isto é perigoso. Ela pode ter ido buscar o Filch, aposto que nos ouviu. Vamos.
E Rony puxou Harry pata fora do quarto.
A neve ainda não derretera na manhã seguinte.
— Quer jogar xadrez, Harry? — convidou Rony.
— Não.
— Por que não descemos para visitar Rúbeo?
— Não... Vai você...
— Sei o que é que você está pensando, Harry, naquele espelho. Não volte lá hoje à noite.
— Não volte. — concordou Frank. — O espelho esta virando uma obsessão.
— Por que não?
— Não sei, estou com uma intuição ruim, e de qualquer forma você já escapou por um triz muitas vezes, demais. Filch, Snape e Madame Nor-r-ra estão andando por lá. E daí se eles não conseguem ver você? E se esbarrarem em você? E se você derrubar alguma coisa?
— É um excelente argumento. — disse Alice. Todos tinham um sentimento ruim sobre o espelho.
— Você está falando igual a Hermione.
— Estou falando sério. Harry, não vai não.
Mas Harry só tinha um pensamento na cabeça, voltar para frente do espelho, e Rony não ia detê-lo.
Lily percebeu que James murmurava algo muito baixo, mesmo tão próxima ela não conseguia ouvir. Ela imaginava que ele estava aconselhando Harry e não voltar para o espelho. A ruiva concordava que era ruim, mas eles entendiam melhor do que ninguém a fascinação do espelho em Harry. Ela tinha certeza do que veria se ela ou James olhassem no espelho agora.
Naquela terceira noite ele encontrou o caminho ainda mais rapidamente do que nas vezes anteriores. Andava tão depressa que sabia que estava fazendo mais barulho do que seria sensato, mas não encontrou ninguém.
Você esta se arriscando demais, filhote. — pensou Sirius.
E lá estavam sua mãe e seu pai sorrindo de novo para ele, e um dos seus avós acenava feliz com a cabeça. Harry se abaixou para sentar no chão diante do espelho. Não havia nada que pudesse impedi-lo de ficar ali a noite inteira com a família. Nada.
Lily sentiu as lagrimas subindo novamente. Não havia nada que ela queria mais do que estar com Harry ali. Ela percebeu que o murmuro de James continuava mais forte. E ele a abraçava mais apertado. Em outra situação seria incomodo, mas agora era reconfortante.
A não ser..
— Então, outra vez aqui, Harry?
Harry sentiu como se suas tripas tivessem congelado. Olhou para trás. Sentado em uma das mesas junto à parede estava ninguém menos que Alvo Dumbledore. Harry devia ter passado direto por ele, tão desesperado estava para chegar ao espelho, que nem reparara.
Remus suspirou aliviado. Dumbledore era a melhor pessoa para encontrar Harry. Não só ele não puniria Harry como também o impediria de continuar a obsessão com o espelho.
— Eu... Eu não vi o senhor.
— É estranho como você pode ficar míope quando está invisível — disse Dumbledore, e Harry sentiu alívio ao ver que ele sorria.
Severus levantou uma sobrancelha. Seria coincidência Dumbledore mandar a capa para Harry ao mesmo tempo que esse espelho estava no castelo. E depois encontrar Harry na mesma sala.
— Então — continuou Dumbledore, escorregando da cadeira até o chão para se sentar ao lado de Harry — você, como centenas antes de você, descobriu os prazeres do Espelho de Ojesed.
— Eu não sabia que se chamava assim, professor.
— Mas espero que a essa altura você já tenha percebido o que ele faz?
— Bom... Me mostra a minha família...
— E mostrou o seu amigo Rony como chefe dos monitores.
Foi a vez de Frank desconfiar. Se Dumbledore sabia que os meninos estavam lá. Porque não falou com Harry antes.
— Como é que o senhor soube?
— Eu não preciso de uma capa para me tornar invisível — disse Dumbledore com brandura. — Agora, você é capaz de concluir o que é que o Espelho de Ojesed mostra a nós todos?
Harry sacudiu negativamente a cabeça.
— Deixe-me explicar. O homem mais feliz do mundo poderia usar o Espelho de Ojesed como um espelho normal, ou seja, ele olharia e se veria exatamente como é. Isso o ajuda a pensar?
Harry pensou. Então respondeu lentamente:
— Ele nos mostra o que desejamos... Seja o que for que desejemos...
— Ele tem um raciocínio rápido, para um rapaz de onze anos. — comentou Remus.
— Sim e não — disse Dumbledore — Mostra-nos nada mais nem menos do que o desejo mais íntimo, mais desesperado de nossos corações.
James e Lily reforçaram o abraço.
Você, que nunca conheceu sua família, a vê de pé a sua volta. Ronald Weasley, que sempre teve os irmãos a lhe fazerem sombra, vê-se sozinho, melhor que todos os irmãos.
Snape se perguntou por um momento o que ele veria no espelho: Seria Lily ou ele se veria poderoso? Severus não teve certeza de querer saber essa resposta.
Porém, o espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade. Já houve homens que definharam diante dele, fascinados pelo que viam, ou enlouqueceram sem saber se o que o espelho mostrava era real ou sequer possível. O espelho vai ser levado para uma nova casa amanhã, Harry, e peço que você não volte a procurá-lo.
Uma onda de alivio correu pela sala.
Se algum dia o encontrar, estará preparado.
Severus teve novamente a sensação que isso acontecera de propósito.
Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver, lembre-se. E agora, por que você não põe essa capa admirável outra vez e vai dormir?
Harry se levantou.
— Senhor... Professor Dumbledore? Posso lhe perguntar uma coisa?
— Obviamente você acabou de me perguntar — sorriu Dumbledore. — Mas pode me perguntar mais uma coisa.
Frank balançou a cabeça, Dumbledore não mudara em nada todos esses anos.
— O que é que o senhor vê quando se olha no espelho?
— Por Merlin! — exclamou Alice. — O menino realmente tem coragem.
— Eu? Eu me vejo segurando um par de grossas meias de lã. Harry arregalou os olhos.
Assim como a maior parte da sala.
— As meias nunca são suficientes. Mais um Natal chegou e passou e não ganhei nem um par. As pessoas insistem em me dar livros.
— Se você tivesse nós dito antes Dumby, nós teríamos te mandado varias. Mas corrigiremos isso esse ano. — comentou Sirius finalmente falando algo.
Foi somente quando estava de volta à cama que ocorreu a Harry que talvez Dumbledore não tivesse dito a verdade. Mas, pensou, enquanto empurrava Perebas para longe do seu travesseiro, fizera uma pergunta muito pessoal.
— Eu imagino que a maioria das pessoas não goste de compartilhar o que viu no espelho. — comentou Alice. Ela sabia que se fosse neste momento. Ela e Frank se veriam criando Neville.
Remus concordou sombriamente, ele conhecia p desejo mais profundo de seu coração. Era não ser um lobisomem.
Severus não tinha certeza se veria Lily ou seu futuro poderoso no espelho. E isso o incomodava.
Sirius tinha certeza que antes do livro seu desejo seria algo bobo, mas agora era o mesmo de Lily e James. Fazer com que Harry cresça tendo sua família.
Lily finalmente entendeu o que James murmurara o tempo todo. "Não importa o que aconteça, nós estaremos sempre com você." E Lily acreditou. Não importava a morte, eles haviam amado Harry, e uma parte deles viveria em Harry para sempre.
Levando uma mão ao rosto de James, Lily disse:
— Nós estaremos sempre com Harry, não importa o que aconteça. — E da mesma força que ela acreditara nas palavras dele, James esboçou um sorriso quando Lily disse.
— Nós estaremos sempre com Harry. — ele acenou concordando e ambos sorriram, cientes que de alguma forma nem a morte os impediria de estar perto do seu filho.
— Nós vamos cuidar de Harry! — concordou Sirius.
— E nem assim eu me livro de você, Almofadinhas. — brincou James. E como se todos tivessem um acordo silencioso, o clima anterior foi ignorado.
Severus estendeu o livro para Frank pensando em como todos estavam iludidos. Eles estavam mortos e os mortos não podem fazer nada pelos vivos. E essa fé seria a morte de Lily. E ele não podia deixar isso para lá.
Frank pegou o livro, pensando em como apenas um livro tinha revelado tanto sobre eles mesmos. A leitura de sete livros assim seria um desafio. E disposto a acreditar que esse seria um capitulo mais alegre leu o titulo: Capítulo Treze: Nicolau Flamel.
