Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Tudo pertence à magnifica J. K. Rowling.

A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.

Obrigada as reviews. *.* Vocês me animam xD Estou fazendo o possível para digitar rapidamente mesmo seu meu amado cel. Espero ter resolvido isso até domingo, minha vida não é a mesma sem ele ;)

Faltam só mais dois capítulos e acaba o primeiro livro 0/ Embora esses sejam mais difíceis de escrever. Eu me sinto quase na obrigação de interromper a leitura a cada frase ;)

Respondendo as reviews:

Mylle Malfoy P.W: Estou escrevendo somente no PC até comprar um novo, por isso estou levando mais tempo para postar os capítulos =( Mas eu espero resolver isso em breve, de modo a começar a Câmara Secreta já com um cel novo.

Lalaias: Eu tenho o texto do livro digitado, mas o que eu achei esta uma bagunça. É texto corrido sem formatação nenhuma. Tenho que ficar olhando pro livro para arrumar os parágrafos e tudo mais =(

Mrs. Mandy Black: Na verdade eu não tenho no PC. Somente até o final da Pedra Filosofal porque eu formatei hoje. O que eu tenho aqui é somente texto. Eu arrumo capitulo por capitulo em doc antes de começar a escrever a leitura. Se você quiser me ajudar a formatar os capítulos eu só vou te agradecer. E se quiser me ajudar a rever a historia só vou te agradecer mais ainda. E quando aos nomes. Bem eu sou acostumada a chamar tudo pelo nome em inglês, um dos motivos que eu tenho que rever a historia é pra ver se não deixei algum "Gryffindor" ou "snitch" escapar. Na verdade quando eu comecei a escrever ia manter os nomes todos em inglês, mas nem todos saberiam e poderia ficar confuso, mas os nomes próprios eu me recuso a deixar em português. Quando eu leio Tiago Potter eu levo vários segundos para associar a James. Mas eu não queria mexer na tradução oficial do livro. Se estiver causando confusão me avisem que eu tentarei arrumar.

Desculpem por falar pouco hoje e porque quaisquer erros, eu estou tentando começar a digitar o próximo capitulo ainda hoje para posta-lo amanha de noite ou sábado de manhã. Boa Leitura!


...


Remus entendendo que devia começar a ler antes que irritasse ainda mais a ruiva, procurou rapidamente o próximo capitulo. Mordendo os lábios e preocupado com a reação de Lily leu: Capítulo Quinze: A Floresta Proibida.


...


Lily fechou os olhos como se pedisse paciência.

— Meu filho enfrentou um trasgo, quase caiu da vassoura por causa de uma azaração, ajudou a cuidar de um filhote de dragão e agora vai para a Floresta Proibida! Isso apenas no primeiro ano!

— Tão injusto. — suspirou Sirius — Nós não tivemos essas coisas legais no nosso primeiro ano.

James resolveu falar algo antes que a ruiva matasse Sirius como ela parecia estar pensando em fazer.

— Nada disso foi culpa de Harry, e a Floresta Proibida provavelmente faz parte da punição por estarem até tarde fora da Sala Comunal. — James torceu para que fosse isso. Se Harry entrasse na Floresta por mera curiosidade Lily provavelmente o culparia.

Remus decidiu ler para acalmar as preocupações da ruiva:

As coisas não poderiam estar piores.

— Não diga isso! — Alice gemeu — Toda vez que alguém diz essa frase, as coisas parecem piorar só para mostrar que podem.

James deu um olhar feio para Alice por preocupar ainda mais a ruiva. Remus achou melhor voltar a ler.

Filch levou-os à sala da Professora Minerva no primeiro andar, onde eles ficaram sentados esperando, sem trocar uma palavra entre si. Hermione tremia. Desculpas, álibis e justificativas fantásticas substituíam-se umas as outras na cabeça de Harry, cada qual mais capenga do que a anterior.

— Por que ele apenas não diz a verdade? — pediu Lily.

Os marotos e Alice sorriram.

— Se o filho de James, um que se parece com ele te diz que estava fora da Sala Comunal para enviar um dragão ilegal para fora de Hogwarts com ajuda de uma capa da invisibilidade o que você pensaria? — perguntou Sirius ainda sorrindo.

— Que era mentira ou algum truque. — respondeu Frank porque Lily apenas olhava para James como se tentasse ver Harry.

— Minnie ouviu as desculpas mais fantásticas de James durante seis anos, ela vai simplesmente pensar que Harry esta seguindo os passos do pai. — Explicou Remus antes de voltar a ler.

Ele não conseguia ver como iam se livrar desta encrenca. Estavam encurralados. Como podiam ter sido burros a ponto de se esquecerem da capa?

James bagunçou os cabelos, preocupado com a capa.

Não havia nenhuma razão no mundo para a Professora Minerva aceitar que estivessem fora da cama, esgueirando-se pela escola a altas horas da noite, e muito menos que estivessem na alta torre de astronomia, que era proibida aos alunos a não ser durante as aulas.

— Você pode dizer que Hermione é sonambula e você a seguiu para garantir que ela não se machucaria. — sugeriu Sirius.

— Ou que você foi amaldiçoado e não lembra como foi parar na torre. — acrescentou James.

— Agora eu entendo porque McGonagall não iria acreditar na verdade. — disse Lily fazendo James e Sirius olharem indignados para ela.

Some-se a isso Norberto e a capa da invisibilidade e seria melhor começarem a fazer as malas.

— A capa da invisibilidade não é proibida e Noberto não é responsabilidade de vocês. — contradisse Frank.

Harry achou que as coisas não poderiam ficar piores. Estava enganado.

Alice deu um olhar de "eu bem que avisei."

Quando a Professora Minerva apareceu, vinha trazendo Neville.

— O que meu filho fazia tão tarde fora da cama? — perguntou Frank surpreso.

— Harry! — exclamou ele, no instante em que viu os outros dois. — Eu estava tentando encontrar vocês para avisar que ouvi Malfoy dizer que ia pegar vocês, disse que vocês tinham um drag...

— Ele estava tentando avisar, um bom amigo seu filho. — disse James para Alice que sorriu em resposta.

Severus pensou que era burisse se arriscar a ser pego apenas para dar um aviso desses, mas achou melhor guardar esse comentário pra si mesmo.

Harry sacudiu com força a cabeça para fazer Neville calar a boca, mas a Professora Minerva viu. Parecia mais provável que ela cuspisse fogo pelas narinas do que Norberto, ali a olhar os três de cima para baixo.

— Ela não é má, vocês só perderam pontos e cumpriram uma detenção. Moleza. — Sirius estalou os dedos.

— Eu jamais teria acreditado que vocês fossem capazes disso. O Sr. Filch diz que vocês estavam no alto da torre de astronomia. É uma hora da madrugada. Expliquem-se...

— Um garoto e uma menina, torre de astronomia, madrugada... Junte os pontos Minnie. — brincou Sirius.

— Eles tem onze! Sua mente é muito poluída. — reclamou Lily. Sirius apenas sorriu.

Era a primeira vez que Hermione deixava de responder à uma pergunta de uma professora. Olhava para os sapatos, imóvel como uma estátua.

— Acho que tenho uma boa idéia do que anda acontecendo — disse a Professora Minerva. — Não é preciso ser gênio para somar dois mais dois. Vocês contaram a Draco Malfoy uma história da carochinha sobre um dragão, tentando tirá-lo da cama e metê-lo em apuros.

— Ela realmente está pensando em James para montar essa historia. — Remus sorriu.

James bagunçou novamente os cabelos, Minnie e Snape tratavam Harry como se fosse James. Será que seu filho estava sendo prejudicado pela forma com que ele se comportara na escola? Pontas sentiu algo estranho, vergonha provavelmente de que seus atos na escola parecessem dificultar a vida já difícil de seu filho. Talvez ele devesse fazer algo para mudar isso.

Eu já o apanhei. Suponho que achem engraçado que o Neville tenha ouvido a história e acreditado nela também.

— Meu pobre bebê, ele vai se sentir enganado agora. — Alice suspirou.

Harry surpreendeu o olhar de Neville e tentou lhe dizer, sem falar, que aquilo não era verdade, porque Neville tinha uma expressão de espanto e mágoa.

Frank abraçou Alice, seu filho também não parecia ter sorte.

Pobre Neville trapalhão. Harry sabia o que deveria ter-lhe custado tentar encontrá-los no escuro para avisar.

Alice estava tão preocupada pensando em como Neville deveria estar se sentindo que não reclamou por Harry ter chamado seu filho de trapalhão,

— Estou desapontada — disse a Professora Minerva. — Quatro alunos fora da cama em uma noite! Nunca ouvi falar numa coisa dessas antes!

— Ah Minnie! Isso não por verdade! Você ouve falar de uma coisa dessas ao menos uma vez por mês nos últimos seis anos. — Sirius se gabou.

— Porque isso é realmente algo para se ficar orgulhoso. — zombou Severus, segurando a varinha dentro das vestes sabendo que teria retaliação.

Mas a reação dos marotos não foi o que ele esperava. Potter o ignorou o que parecia ser sua nova forma de trata-lo, Black sorriu malicioso, prometendo vingança num momento oportuno e Remus apenas voltou a ler.

Você, Hermione Granger, achei que tinha mais juízo. Quanto a você, Harry Potter, achei que Grifinória significava mais para você do que parece. Os três vão pegar uma detenção, sim e você também, Neville Longbottom, não há nada que lhe dê o direito de andar pela escola à noite, principalmente nos dias que correm, é muito perigoso, e vou descontar cinqüenta pontos da Grifinória.

Todos os grifinórios da sala abaixarama cabeça mas estranhamente ninguém reclamou dos pontos perdidos.

Cinqüenta?— Harry ofegou. Perderiam a dianteira, a dianteira que ele conquistara na última partida de Quadribol.

— Não reclame! — gritaram Sirius e James ao mesmo tempo que Remus levava uma mão a testa.

— O que? — perguntou Frank surpreso com essa reação, o restante da sala também olhava com curiosidade para os marotos.

— Nunca conteste Minnie quando ela está tirando pontos, só piora a situação — se lamentou Sirius e Remus voltou a ler sabendo o que viria a seguir.

— Cinqüenta pontos de cada um — acrescentou a Professora Minerva, respirando com esforço pelo nariz longo e pontudo.

— Mas é completamente injusto! Malfoy perdeu antes vinte pontos pelo mesmo delito — reclamou Alice indignada.

— Minnie é mais rígida com os alunos da própria casa, como se fosse a missão dela fazer os alunos se comportarem. — disse James abatido pela perda de pontos.

— Professora... Por favor... A senhora não pode...

— Ela pode. — suspirou Remus voltando a ler.

— Não venha me dizer o que eu posso e o que eu não posso, Harry Potter. Agora voltem para a cama, todos vocês. Nunca senti tanta vergonha de alunos da Grifinória antes.

— Isso também não é verdade. — disse Sirius em voz baixa.

Severus levantou uma sobrancelha se perguntando se a McGonagall soube da infame "brincadeira" dos marotos.

Cento e cinqüenta pontos perdidos. Isto deixava a Grifinória em último lugar.

Todos os grifinórios da sala suspiraram tristemente a isso.

Em uma noite, tinham estragado as chances de Grifinória conquistar a taça das casas. Harry teve a sensação de que o fundo do seu estômago se soltara. Como iriam poder compensar a perda?

— Bem, você sempre pode estudar para recuperar os pontos impressionando os professores. Pontas e Almofadinhas sempre conseguiram compensar tudo que haviam perdido. — comentou Remus balançando a cabeça, nem ele mesmo entendia completamente como Sirius e James poderiam realmente aprender as coisas quando queriam.

— Eu não os vejo fazendo isso. — respondeu Frank.

— Hermione poderia. — disse Snape para irritar Black mas que qualquer outra coisa.

E como ele imaginara, Sirius bufou a menção de Hermione.

— Ela sozinha não vai recuperar os cento e cinquenta pontos. — se lamentou Remus voltando a ler.

Harry não dormiu a noite inteira.

Lily apertou mais a mão de James. Se sentindo mal por seu filho estar triste e preocupado e eles não estarem lá para dar conselhos de como recuperar os pontos e dizer que tudo ficará bem.

Ouviu Neville soluçar com a cara no travesseiro durante o que lhe pareceram horas.

Alice mordeu os lábios, se aproximando mais de Frank. Ambos ainda achavam muito injusto a forma que a professora punira seu filho.

Harry não conseguia pensar em nenhuma palavra para consolá-lo. Sabia que Neville, como ele mesmo, estava com medo do amanhecer.

James se remexeu em seu lugar no sofá se sentindo inútil por não estar para ajudar Harry.

O que aconteceria quando o resto de Grifinória descobrisse o que tinham feito?

Os quatro grifinórios trocaram um olhar preocupado, sabendo que seus companheiros de casa reagiriam realmente mal a uma noticia dessas.

A princípio, os alunos de Grifinória que passavam pelas gigantescas ampulhetas que marcavam o placar das casas, no dia seguinte, acharam que tinha havido um engano. Como podiam de repente ter cento e cinqüenta pontos menos . do que no dia anterior?

— Eles realmente não conheceram os marotos. — brincou Sirius tentando aliviar o clima.

Snape sentiu a palavra idiota pronta para deslizar fora da sua língua, mas Lily reclamaria se ele arrumasse uma confusão sem razão.

E então a história começou a se espalhar. Harry Potter, o famoso Harry Potter, seu herói dos jogos de Quadribol, fora o responsável pela perda de todos aqueles pontos,

James se sentia chateado demais pra comentar. Lily mordia os lábios querendo ajudar seu filho sem poder.

ele e mais uns dois panacas do primeiro ano.

— Meu filho não é um panaca. — resmungou Alice chateada com o tratamento dado a Neville.

Da posição de aluno mais popular e admirado na escola, Harry passou a de mais odiado.

James abaixou a cabeça, seu filho passava por tanta coisa sozinho, como ele queria poder falar para Harry que tudo terminaria bem. Mas tudo que podia fazer era ouviu e pensar num modo de ter certeza que seu filho fosse feliz.

Até os alunos da Corvinal e Lufa-Lufa se voltaram contra ele, porque todos desejavam há muito tempo ver a Sonserina perder a Taça das Casas.

Snape cruzou os braços, "todos sempre unidos contra a Sonserina." Ele pensava.

Para todo lado que Harry ia, as pessoas o apontavam e não se davam ao trabalho de baixar as vozes para xingá-lo.

Sirius parecia ponto para matar alguém. James só ficou ainda mais chateado. Ele sabia que seria uma das pessoas a agir assim caso algo parecido acontecesse.

Os de Sonserina, por outro lado, batiam palmas quando ele passava, assobiavam e davam vivas.

"Obrigado, Potter, ficamos lhe devendo essa!"

Severus segurou a varinha, era o único sonserino na sala caso alguém quisesse se vingar pelos comentários.

Somente Rony continuou do seu lado.

James abriu um sorriso fraco. Ao menos Harry tinha bons amigos que estariam sempre ao lado dele.

— Eles vão esquecer dentro de umas semanas. Fred e Jorge já perderam montes de pontos desde que chegaram aqui e as pessoas continuam a gostar deles.

— Mas cento e cinquenta de uma vez é um pouco mais difícil de esquecer. — comentou Frank.

— Eles nunca perderam cento e cinqüenta pontos de uma tacada, ou perderam? — retrucou Harry, infeliz.

Lily apertou mais a mão de James, nenhum dos dois gostava de ouvir sobre seu filho estando infeliz.

— Bom... Não — admitiu Rony.

Era um pouco tarde para consertar o estrago, mas Harry jurou nunca mais se meter em coisas que não eram de sua conta.

— Me pergunto quanto tempo vai durar essa resolução — riu Alice.

Bastava de espiar e espionar. Sentia tanta vergonha que foi procurar Olívio para oferecer sua demissão do time de Quadribol.

— Como você pretende recuperar os pontos sem vencer no quadribol? — perguntou James passando a mão pelo cabelo, Harry não podia desistir de uma coisa que ele gostava.

Severus pensava que tantos comentários sobre Quadribol eram apenas para tortura-lo psicologicamente.

— Se demitir? — trovejou Olívio. — Que bem faria isso? Como vamos poder recuperar os pontos se não conseguirmos vencer no Quadribol?

Mas até mesmo o Quadribol perdera a graça.

James abaixou a cabeça em frustração, Harry não teria nem o Quadribol para se distrair. As coisas só pioravam.

O resto do time não queria falar com Harry durante os treinos e quando precisavam se referir a ele chamavam-no de "o apanhador".

Lily pousou novamente a cabeça no ombro de James, era difícil ver Harry sendo tratado assim e devia ser ainda pior para o moreno que amava o esporte.

Hermione e Neville estavam sofrendo também.

Alice estreitou os olhos. Quem fizesse seu filho sofrer iria pagar.

Não estavam apanhando tanto quanto Harry, porque não eram tão conhecidos, mas ninguém falava com eles, tampouco.

Alice começou a resmungar baixinho coisas como grifinórios e seu orgulho idiota.

Hermione parara de chamar atenção nas aulas, mantinha a cabeça baixa e trabalhava em silêncio.

— Agora quando precisa, ela deixa de ser uma sabe-tudo. — reclamou Sirius com raiva ficando com mais raiva da menina.

Harry quase se alegrava que os exames não estivessem muito distantes.

Sirius se engasgou e James arregalou os olhos.

— Harry quer fazer os exames? — perguntou Alice que também estava chocada com o comportamento do garoto.

— Provavelmente ele só quer que o ano letivo acabe logo. — Frank deu os ombros.

— E voltar pra minha adorada irmã? — Lily estava incrédula que Harry poderia preferir isso.

Severus engoliu em seco, desde que Lily terminara a amizade deles, ele se sentia assim. Queria que o ano passasse rápido para não ter que vê-la sabendo que já não eram amigos. E quando estava de férias queria que passasse rápido para se livrar daquela casa.

Todas as revisões que precisava fazer o distraiam de sua infelicidade. Ele, Rony e Hermione ficavam sozinhos, trabalhavam até tarde da noite, tentando lembrar os ingredientes das complicadas poções, aprender os feitiços e encantamentos de cor, decorar as datas das descobertas mágicas e das revoltas dos duendes...

Sirius fingiu roncar no sofá mas parou ao ver o olhar nada amigável da ruiva.

Então, uma semana antes de começarem os exames, a nova resolução de Harry de não se meter em nada que não fosse de sua conta, foi submetida a um teste inesperado.

Lily apenas suspirou, ela imaginava que essa resolução não duraria muito. Harry tinha herdado a curiosidade de ambos os pais.

Ao voltar da biblioteca, sozinho certa tarde, ouviu alguém choramingando numa sala de aulas mais à frente. Ao se aproximar, ouviu a voz de Quirrell.

— Não... Não... Outra vez não, por favor..

Todos ficarem em silencio dando a máxima atenção a leitura.

Parecia que alguém o estava ameaçando. Harry se aproximou um pouco mais.

— Está bem... Está bem — ouviu Quirrell soluçar.

Suspiros pesados foram ouvidos, mas estavam todos muito preocupados para interromper.

No segundo seguinte, Quirrell saiu correndo da sala de aulas ajeitando o turbante. Estava pálido e parecia prestes a chorar

Severus bufou. "Grande professor de DCAT."

E desapareceu de vista, Harry achou que Quirrell nem sequer reparara nele. Esperou até que o ruído dos passos de Quirrell desaparecesse e, então, espiou para dentro da sala. Estava vazia, mas havia uma porta entreaberta na outra extremidade.

Sirius estreitou os olhos na direção de Snape.

Harry já ia em direção à porta, quando se lembrou de que prometera a si mesmo não se meter em nada.

— Ao menos ele esta tentando. — comentou Remus tentando aliviar o clima na sala.

Assim mesmo, teria apostado doze pedras Filosofais que Snape acabara de deixar a sala, e pelo que Harry acabara de ouvir ganhara uma nova agilidade nos passos. Quirrell parecia ter finalmente cedido.

— Assim você finalmente dobrou Quirrell e vai atrás da pedra. — acusou Sirius.

— Harry não viu Sev. Você esta acusando sem provas. — reclamou Lily.

Pelo olhar que Sirius lhe dera tinha certeza que o moreno nunca acreditaria na inocência de Severus.

Snape torcia pro seu eu futuro realmente não estar envolvido com a pedra. Ele sabia que não sairia dessa sala inteiro se isso acontecesse.

Harry voltou à biblioteca, onde Hermione estava tomando os pontos de astronomia de Rony. Contou-lhes o que ouvira.

— Snape então conseguiu — exclamou Rony, — Se Quirrell contou a ele como quebrar o feitiço antimagia negra...

James e Remus trocaram um olhar. Essa parte realmente não encaixava na historia.

— Mas ainda temos Fofo — lembrou Hermione.

— Talvez Snape tenha descoberto como passar pelo cachorro sem perguntar ao Rúbeo — disse Rony, correndo os olhos pelos milhares de livros que os rodeavam — Aposto como tem um livro por aqui que ensina como se passar por um cachorrão de três cabeças.

— Se tivesse acredito que Dumbledore teria retirado todos quando pegou Fofo emprestado. — comentou Frank.

Então, o que vamos fazer Harry?

O brilho de aventura voltava a iluminar os olhos de Rony, mas Hermione respondeu, antes que Harry pudesse fazê-lo.

— Intrometida. — resmungou Sirius.

— Vamos procurar Dumbledore. Isto é o que deveríamos ter feito há séculos. Se tentarmos alguma coisa por conta própria, com certeza vamos ser expulsos.

— Ir até Dumbledore é uma boa ideia, ele pode acalmar as preocupações de Harry. — aprovou Remus voltando a ler.

— Mas não temos provas — disse Harry. — Quirrell está apavorado demais para nos apoiar. Snape só precisa dizer que não sabe como foi que o trasgo entrou no Dia das Bruxas e que nem chegou perto do terceiro andar. Em quem vocês acham que eles vão acreditar, nele ou em nós? Não é bem segredo que nós o detestamos,

Lily segurou um suspiro triste, ainda a incomodava que seu filho odiasse o seu melhor amigo, e era pior já que Snape do futuro fazia por onde ser odiado.

Dumbledore vai pensar que inventamos isso para ele ser despedido. Filch não nos ajudaria nem que a vida dele dependesse disso, é muito amigo de Snape, e quanto mais alunos forem expulsos, tanto melhor, é o que ele pensa. E não se esqueçam nós nem devíamos saber da Pedra nem de Fofo. O que vai exigir muita explicação.

— Eu não acho que Dumby iria pensar que vocês inventaram isso se contassem a historia toda. — comentou James.

Hermione pareceu convencida, mas não Rony.

— Se déssemos só uma espiadinha...

Sirius se animou.

— Não — respondeu Harry decidido —, já demos muitas espiadinhas.

— Seu filho não é um maroto. — Sirius fez bico.

James bagunçou o cabelo em resposta, sem saber como responder algo que deixasse Lily e Sirius satisfeito.

E, dizendo isso, puxou um mapa de júpiter para perto e começou a aprender os nomes das luas.

Na manhã seguinte, Harry Hermione e Neville receberam bilhetes à mesa do café da manhã. Diziam a mesma coisa:

"Sua detenção começará às vinte e três horas. Aguardem o Sr. Filch no saguão de entrada. Professora Minerva".

— Vinte e três horas é meio tarde. — Lily mordeu os lábios. —e saguão de entrada significa que eles realmente vão sair do castelo. — Mesmo após ler o nome do capitulo a ruiva tinha esperanças que seu filho não entrasse realmente na floresta.

— McGonagall aprovou a detenção, e eles não estraram lá sem um adulto. — James tentou acalmar a ruiva.

No furor provocado pela perda de pontos, Harry esquecera que ainda tinham detenções a cumprir. Esperou que Hermione reclamasse que aquilo representava perder uma noite inteira de revisões, mas não disse uma palavra. Achava, como Harry, que teriam o que tinham merecido.

Sirius cruzou os braços, bufando.

Ás onze horas da noite eles se despediram de Rony na sala comunal e desceram com Neville para o saguão de entrada.

Alice agarrou o braço de Frank. Tinha esquecido que Neville tinha sido punido também. Frank franziu o cenho, não gostando de crianças de onze anos na floresta mesmo que fosse acompanhados de um adulto.

Filch já se encontrava lá e também Malfoy. Harry esquecera que Malfoy pegara uma detenção também.

— Ao menos isso. — reclamou Alice que ainda não se conformara em Draco perder vinte pontos enquanto os outros perderam cinquenta.

— Sigam-me — disse Filch, acendendo uma lanterna e levando-os para fora.

— Aposto que vão pensar duas vezes antes de desobedecer novamente ao regulamento da escola, não é mesmo? — disse caçoando — Ah, sim, trabalho pesado e dor são os melhores mestres, se querem saber. É uma pena que tenham suspendido os castigos antigos, pendurar o aluno no teto pelos pulsos durante alguns dias, ainda tenho as correntes na minha sala, conservo-as azeitadas para o caso de precisarem. Muito bem, lá vamos nós, e nem pensem em fugir agora, será pior para vocês se fizerem isso.

Sentindo Lily cada vez mais nervosa James falou baixinho para ela:

— É apenas um idiota amargurado, ele fala isso apenas para por medo nos alunos. Nenhum professor o deixaria fazer essas coisas. O moreno fazia círculos com o polegar em sua mão enquanto falava.

Severus via a cena, estando próximo o suficiente para ouvir as palavras e sentimentos contraditórios tomavam conta dele. Sentia raiva de Potter pela proximidade com Lily, ao mesmo tempo estava feliz pela ruiva estar se acalmando. A outra mão de Lily descansava livre ao seu lado, mas ele sabia que não teria coragem de segura-la .Principalmente quando sua Lily estava praticamente abraçada a Potter.

A ruiva devia ter sentido seu olhar, porque mudou a cabeça para olha-lo ainda encostada em Potter. E Severus para seu próprio espanto deu uma tentativa de sorriso tranquilizador para Lily que retribuiu com um sorriso bonito em resposta.

Severus finalmente achara algo em comum com Potter. Ambos não pareciam resistir consolar Lily. "Realmente ótimo" Snape zombou de si mesmo.

Eles caminharam pela propriedade às escuras. Neville não parava de fungar. Harry ficou imaginando qual seria o castigo.

Alice se aconchegou mais a Frank. Ambos preocupados com Neville.

Devia ser alguma coisa realmente horrível, ou Filch não pareceria tão contente.

— Filch é um idiota, Minnie não permitiria nada horrível como punição. — James voltou a sussurrar para Lily.

A lua brilhava, mas as nuvens que passavam por ela lançava-os na escuridão. À frente, Harry via as janelas iluminadas da cabana de Hagrid. Então, ouviram um grito distante.

Alice enfiou as unhas no braço de Frank.

— É você, Filch? Ande logo, quero começar de uma vez.

— Não faça suspense quando tiver lendo. — reclamou Alice.

Remus sorriu inocentemente antes de continuar.

O ânimo de Harry melhorou, se eles iam trabalhar com Hagrid então não seria tão ruim.

Lily sentiu um pouco da sua preocupação melhorar. Hagrid cuidaria de seu filho.

Seu alivio deve ter transparecido no rosto, porque Filch falou:

— Acho que você está pensando que vai se divertir com aquele panaca? Pois pode pensar outra vez, menino. É para a floresta que você vai e estarei muito enganado se voltar inteiro.

Sirius rosnou antes de voltar aos pergaminhos de vingança e começar a tramar contra Filch.

Ao ouvir isso, Neville deixou escapar um gemido e Malfoy ficou paralisado.

— Pare de assustar meu filho! — gritou Alice. Frank estava olhando feio para o livro também.

— A floresta? — repetiu e não pareceu tão tranqüilo como de costume. — Não podemos entrar lá à noite... Tem todo tipo de coisa lá... Lobisomens, ouvi falar.

Remus reprimiu uma careta. Não tinha lobisomens na floresta desde que ele saíra de Hogwarts.

— McGonagall não iria aprovar essa detenção se corresse o risco de crianças de onze anos encontrarem lobisomens. — comentou Frank olhando para o livro e perdendo o olhar assassino de dois marotos morenos em sua direção.

Neville agarrou a manga das vestes de Harry e pareceu se engasgar.

— Isto é o que pensa, não é? — disse Filch, a voz esganiçando-se de satisfação. — Devia ter pensado nos lobisomens antes de se meterem encrencas, não acha?

— Deixem os lobisomens em paz! — reclamou Sirius sabendo que isso estava incomodando Remus e ignorando os olhares estranhos que recebera.

Hagrid saiu do escuro caminhando em direção a eles, com Canino nos calcanhares. Carregava um grande arco e uma aljava com flechas pendurada ao ombro.

— Se não é perigoso, porque Hagrid está armado? — pediu Lily sentindo a preocupação voltando com força total.

— Apenas por precaução. — respondeu James, mas a ruiva notou a tensão em seu corpo e percebeu que ele também estava preocupado por Hagrid ter q ir armado.

— Até que enfim. Já estou esperando há meia hora. Tudo bem, Harry, Hermione?

— Eu não seria tão simpático com eles, Hagrid — disse Filch com frieza — afinal eles estão aqui para serem castigados.

— Ele não tem que ser estupido com as crianças por isso. — reclamou Frank.

— E por isso que você está atrasado, não é? — disse Hagrid, amarrando a cara.

— Andou passando carão neles, não é? Isso não e sua função. Você fez a sua parte, eu pego daqui para frente.

Os marotos acenaram com a cabeça, aprovando a atitude de Hagrid.

— Volto ao amanhecer para recolher o que sobrar deles — disse Filch maldoso, deu meia-volta e retornou ao castelo, balançando a lanterna na escuridão.

Alice convocou o pergaminho que Sirius escrevia vinganças sobre Filch e começou a rabiscar suas ideias furiosamente.

Malfoy virou-se então para Hagrid.

— Não vou entrar nessa floresta — disse, e Harry ficou contente de ouvir a nota de pânico em sua voz.

Severus cruzou os braços, apenas grifinórios estúpidos não se sentiam preocupados em entrar na floresta proibida.

— Vai, sim, se quiser continuar em Hogwarts — disse Hagrid com ferocidade. — Você agiu mal e agora tem de pagar pelo que fez...

— Mas isso é coisa para empregados e não para estudantes. Achei que íamos fazer uma cópia ou outra coisa do gênero, se meu pai souber que eu estou fazendo isso, ele...

— Seu pai estará com muita raiva de você ter sido pego para ajuda-lo — disse Sirius venenoso.

— ... Lhe dirá que em Hogwarts é assim — rosnou Hagrid. — Fazer cópia! Para que serve? Você vai fazer uma coisa útil ou vai sair da escola. E se pensa que seu pai vai preferir que você seja expulso, então volte para o castelo e faça suas malas. Vamos!

Todos tiveram que sorrir pelo prazer de ver Draco em um aperto. O garoto merecia uma lição.

Malfoy não se mexeu. Encarou Hagrid furioso e em seguida baixou os olhos.

— Muito bem, então — disse Hagrid — agora prestem atenção, porque é perigoso o que vamos fazer hoje à noite e não quero ninguém se arriscando. Venham até aqui comigo.

James voltou a passar o braço em torno de Lily. Tanto para o conforto dela como para o dele. Essas palavras de Hagrid não pressagiavam nada bom.

Lily se aconchegou mais perto, depois ela se preocuparia se James estava interprendo isso errado ou se eles estavam indo rápido demais. Neste momento ela ia aproveitar o consolo da proximidade tanto quanto possível. Um sentimento horrível tinha tomado conta dela depois das palavras de Hagrid.

Severus olhou para ambos com os mesmos pensamentos conflituosos tomando conta de sua cabeça. Ele sabia que Lily ficara preocupada om as palavras do gigante e não podia culpa-la. Mas não gostava que Potter fosse quem a consolava. "E quem seria se não ele? Você não teve coragem nem para segurar sua mão." Pensou Severus com raiva de si mesmo.

Sirius olhava seus amigos preocupados e começou a se sentir inquieto. Eles entraram na floresta varias vezes e saíram ilesos, ou tão ilesos como você pode sair após passar um tempo com um lobisomem. Mas um sentimento ruim tomava conta dele dessa vez.

Alice e Frank seguravam um ao outro, ambos pedindo silenciosamente que seu filho saísse ileso da floresta.

Remus torcia para tudo ficar bem enquanto voltava a ler.

Ele os conduziu à orla da floresta. Erguendo a lanterna bem alto, apontou para uma trilha serpeante de terra batida que desaparecia por entre árvores escuras. Uma brisa leve levantou os cabelos dos meninos, quando eles se viraram para a floresta.

— Olhem ali, estão vendo aquela coisa brilhando no chão? Prateada? Aquilo é sangue de unicórnio. Tem um unicórnio ali que foi ferido gravemente por alguma coisa.

James apertou o abraço em torno de Lily. Tinha algo que matava unicórnios na mesma floresta que seu filho.

É a segunda vez esta semana. Encontrei um morto na quarta-feira passada. Vamos tentar encontrar o pobrezinho. Talvez a gente precise pôr fim ao sofrimento dele.

Alice mordia os lábios, quanto enfiava as unhas no braço de Frank. Ambos queriam que as crianças saíssem dai.

— E se a coisa que feriu o unicórnio nos encontrar primeiro? — perguntou Malfoy, incapaz de conter o medo na voz.

Severus acenou com a cabeça. Era uma boa pergunta.

— Nada vai fazer mal as crianças enquanto elas estiverem com Harry. — acalmou Sirius, mas estava tendo o mesmo pensamento que todos. Algo teria que ser muito rápido para matar um unicórnio.

— Não há nenhuma criatura viva na floresta que vá machucá-lo se você estiver comigo e com o Canino. E siga a trilha. Muito bem, agora, vamos nos separar em dois grupos e seguir a trilha em direções opostas. Tem sangue por toda parte, ele deve estar cambaleando pelo menos desde a noite passada.

Lily escondeu o rosto no ombro de James, ela não queria que sua expressão de nervosismo deixasse os outros ainda mais preocupados.

— Eu quero Canino — disse Malfoy depressa, olhando para as presas de Canino.

— Muito bem, mas vou-lhe avisando, ele é covarde. Então eu, Harry e Hermione vamos por aqui e Draco, Neville e Canino por ali.

Alice gemeu. Seu filho sozinho com Draco e um cachorro inútil andando pela floresta proibida que tinha algo que matava unicórnios. Frank a puxou para si, ainda mais preocupado. Ele queria Neville de volta a segurança do castelo rápido.

Lily queria acalmar a amiga, mas estaria sendo hipócrita se fingisse que não estava mais tranquila por Harry estar com Hagrid ao invés de sozinho com Draco.

Agora, se algum de nós achar o unicórnio, disparamos centelhas verdes para o alto, 0K? Peguem as varinhas e comecem a praticar agora, assim. E se alguém se enrolar, dispare centelhas vermelhas, e vamos todos procurá-lo, então, cuidado. Vamos.

Severus quis perguntar o que aconteceria se estivessem tão enrolados que não pudessem usar a varinha, mas não teve coragem de deixar Lily ainda mais nervosa.

A floresta estava escura e silenciosa. Entrando por ela, chegaram a uma bifurcação, e Harry, Hermione e Hagrid tomaram o caminho da esquerda enquanto Malfoy, Neville e Canino tomaram o da direita.

Alice enterrou o rosto no peito de Frank, implorando para que nada acontecesse com seu filho.

Caminharam em silêncio, com os olhos no chão. Aqui e ali um raio de luar penetrava por entre os galhos e iluminava uma mancha de sangue prateado nas folhas caídas.

Sirius nem conseguia pensar numa brincadeira para aliviar o clima pesado na sala.

Harry viu que Hagrid parecia muito preocupado.

— É possível um lobisomem estar matando os unicórnios? – Perguntou.

— Lobisomens não são rápidos o suficiente para matar um unicórnio saudável, muito menos dois. — comentou Remus antes de voltar a ler.

— Não com essa rapidez, não é fácil matar um unicórnio, eles são criaturas mágicas poderosas. Nunca soube de nenhum ter sido ferido antes.

A tensão na sala era palpável. O pensamento de todos era que tinha algo rápido o suficiente para matar os unicórnios rondando as crianças nesse momento.

Passaram por um toco de árvore coberto de musgo. Harry ouviu água correndo, devia haver um riacho por perto. Ainda viam manchas de sangue de unicórnio aqui e ali pela trilha serpeante.

— Você está bem, Hermione? — sussurrou Hagrid — Não se preocupe, ele não pode ter ido longe se está tão ferido e então poderemos... PARA TRÁS DAQUELA ÁRVORE!

James puxou Lily ainda mais próximo, virando-se mais em direção a ela. Corria as mãos pelos cabelos vermelhos enquanto murmurava palavras calmantes. Ele parecia estar tentando se convencer tanto quanto tentava convence-la que tudo ficaria bem.

Snape viu quando Lily usou as duas mãos para se agarrar a camisa de James, enterrando o rosto marcado pela preocupação. Se ele não fosse tão inseguro poderia ter ajudado a consolar a ruiva. Agora era tarde demais.

Hagrid agarrou Harry e Hermione e guindou-os para fora da trilha e para trás de um enorme carvalho. Puxou uma flecha e encaixou-a no arco, e ergueu-o, pronto para atirar.

Remus lia ainda mais rápido, querendo passar logo por isso.

Os três apuraram os ouvidos. Alguma coisa deslizava pelas folhas mortas ali perto, parecia uma capa arrastando no chão. Hagrid apertava os olhos para enxergar a trilha escura à frente, mas, passados alguns segundos, o ruído desapareceu.

Daria para ouvir uma agulha caindo na sala tamanho o silencio que se seguiu. Ninguém queria perguntar o que era aquela coisa.

— Eu sabia — murmurou ele. — Tem alguma coisa aqui que está fora de lugar.

— Um lobisomem? — sugeriu Harry.

A amargura na voz de Remus era nítida quando ele continuou lendo, por que não podiam deixar os lobisomens em paz.

— Isso não era um lobisomem e não era um unicórnio, tão pouco — disse Hagrid sério. — Muito bem, me sigam, mas tenham cuidado, agora.

"Me sigam?" pensava Severus, o prudente seria tirar as crianças da floresta agora mesmo.

Continuaram a caminhar mais devagar, os ouvidos à escuta do menor ruído. De repente, alguma coisa na clareira adiante, alguma coisa sem dúvida se mexia.

— Quem está ai? — chamou Hagrid. — Apareça. Estou armado! E na clareira apareceu um vulto — era um homem, ou um cavalo? Até a cintura, um homem, com cabelos e barba vermelhos, mas da cintura para baixo era um luzidio cavalo castanho com uma cauda longa e avermelhada. Os queixos de Harry e Hermione caíram.

Lily afrouxou o aperto em James, centauros não faziam mal aos inocentes.

— Ah! É você, Ronan — exclamou Hagrid aliviado. — Como vai? Ele se adiantou e apertou a mão do centauro.

— Boa noite para você, Hagrid — disse Ronan. Tinha uma voz grave e triste. — Você ia atirar em mim?

— Cautela nunca é demais, Ronan — disse Hagrid, dando uma palmadinha no arco. — Tem alguma coisa à solta nesta floresta. Ah, sim, estes são Harry Potter e Hermione Granger. Alunos lá da escola. E este é Ronan. É um centauro.

— Tenho certeza que eles já perceberam. — resmungou Sirius ainda preocupado.

— Já percebi — disse Hermione coma voz fraca.

— Boa noite — cumprimentou Ronan — São alunos, é? E aprendem muita coisa na escola?

— Hum.

— Um pouquinho — respondeu Hermione tímida.

— Eufemismo do ano. — James tentou aliviar o clima. Lily percebeu que ele ainda estava tenso e como ela só melhoria quando Harry saísse da floresta.

— Um pouquinho. Bom, já é alguma coisa — suspirou Ronan. Depois, jogou a cabeça para trás e contemplou o céu.

— Marte está brilhante hoje.

James ficou ainda mais tenso e Lily não se conteve.

— O que foi?

James mordeu os lábios antes de responder.

— Marte representa a guerra e os conflitos, se marte está brilhante no céu... — James não terminou a frase.

— Achei que você não tinha tomado adivinhação. — perguntou Frank tentando distrair sua mente dessas palavras.

Todos olhavam para James, ninguém na sala tinha tomado adivinhação.

— Eu li a matéria de Peter para ajuda-lo a estudar para os NOM's. — James respondeu.

Remus voltou a ler ainda mais preocupado.

— É — disse Hagrid, mirando o céu também. — Olhe, foi bom termos nos encontrado, Ronan, porque tem um unicórnio ferido. Você viu alguma coisa?

Ronan não respondeu imediatamente. Continuou a olhar para o alto sem piscar e então suspirou outra vez.

— Os inocentes são sempre as primeiras vitimas. Foi assim no passado, é assim agora.

Ninguém precisou da ajuda de James para entender a frase dessa vez. O planeta que simbolizava conflitos se destacava no céu. Os inocentes sempre eram as primeiras vitimas na guerra. Todos na sala conseguiam somar dois e dois. E o pensamento era horrível demais pra por em palavras.

— É, mas você viu alguma coisa, Ronan? Alguma coisa anormal?

— Marte está brilhante hoje — repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impaciente. — Um brilho anormal.

O olhar no rosto de James foi o suficiente para todos saberem que anormal significava algo terrível.

James sufocou um gemido. Algo que poderia trazer uma guerra estava acontecendo. Ele realmente queria que Harry saísse logo da floresta.

— Sim, mas estou me referindo a alguma coisa mais perto da terra. Você não notou nada estranho?

Mais uma vez, Ronan levou algum tempo para responder. Por fim disse:

— A floresta esconde muitos segredos.

— Tire as crianças dai! — berrou Frank. Seu filho estava sozinho com Draco e um centauro acabava de falar sobre guerras, inocentes sendo vitimas e segredos na floresta. Ele não precisava saber adivinhação pra entender quer isso era um aviso de perigo.

Um movimento nas árvores atrás de Ronan fez Hagrid erguer o arco outra vez, mas era apenas um segundo centauro, de cabelos e corpo negros e de aspecto mais selvagem do que Ronan.

— Olá, Agouro — cumprimentou Hagrid. — Tudo bem?

— Boa noite, Hagrid, você vai bem, espero.

— Bastante bem. Olhe, eu estava mesmo perguntando a Ronan, você viu alguma coisa estranha por aqui ultimamente? É que um unicórnio foi ferido. Você sabe alguma coisa?

Agouro foi se postar ao lado de Ronan. Olhou para o céu.

— Marte está brilhante hoje — disse simplesmente.

Todos queriam que a conversa acabasse logo para que as crianças saíssem da floresta.

— Já sabemos — respondeu Hagrid agastado. — Bom, se um de vocês vir alguma coisa, me avise, por favor. Vamos indo, então.

— Peguem Neville e Malfoy e leve as crianças para o castelo. — implorou Alice.

Harry e Hermione saíram com ele da clareira, espiando Ronan e Agouro por cima dos ombros até as árvores tamparem sua visão.

— Nunca — disse Hagrid irritado — tentem obter uma resposta direta de um centauro. Vivem contemplando as estrelas. Não estão interessados em nada que esteja mais perto do que a lua.

— Eu acho que eles deram muitos conselhos sobre algo que estava realmente próximo a Terra. — zombou Severus mas todos estavam preocupados demais para comentar.

— E têm muitos deles aqui? — perguntou Hermione.

— Ah, um bom numero... Vivem isolados na maior parte do tempo, mas tem a bondade de aparecer quando preciso dar uma palavrinha. São inteligentes, veja bem, os centauros... Sabem das coisas... Só não falam muito.

— Se todas as conversas são nesse estilo não me admira que não falem muito. — Sirius tentou fazer graça.

— Você acha que foi um centauro que ouvimos antes? — disse Harry..

— Não parecia cascos, ou pegadas ou qualquer coisa que eu possa pensar no momento. — disse Remus antes de voltar a ler.

— Você achou que era barulho de cascos? Não, se quer saber, aquilo é o que anda matando os unicórnios. Nunca ouvi nada parecido antes.

— E isso é uma boa razão parar tirar as crianças da Floresta! — gritou James. A tensão chegando ao seu limite.

E continuaram a caminhar pela floresta densa e escura. Harry não parava de espiar, nervoso, por cima do ombro. Tinha a sensação ruim de que alguém os observava. Estava contente que tivessem Hagrid e seu arco com eles.

Alice gemeu novamente ao imaginar seu filho sozinho com Draco e essa coisa rondando a floresta.

Acabavam de passar uma curva na trilha quando Hermione agarrou o braço de Hagrid.

— Rúbeo! Olhe! centelhas vermelhas, os outros estão em apuros!

Frank apertou ainda mais Alice, ambos implorando para que nada tivesse acontecido com Neville.

— Vocês dois esperem aqui! — gritou Hagrid — Fiquem na trilha, volto para apanhá-los!

Foi a vez de Lily gemer, Hagrid tinha deixado dois alunos do primeiro ano sozinhos na floresta.

Severus não podia deixar de pensar em como Hagrid fora irresponsável desde o começo desse capitulo, mas não era hora de comentar.

Eles o ouviram romper o mato e ficaram parados se entreolhando, muito assustados, até não conseguirem ouvir mais nada a volta exceto o farfalhar das árvores.

— Você acha que eles estão machucados? — sussurrou Hermione.

— Não me importo com Malfoy, mas se alguma coisa pegou Neville... É culpa nossa que ele esteja aqui.

— A culpa é de Minnie e Hagrid que aprovaram essa detenção. — reclamou Sirius com raiva pelo perigo que as crianças estavam correndo.

Os minutos se arrastaram. Seus ouvidos pareciam mais aguçados do que o normal. Harry parecia estar registrando cada suspiro do vento, cada graveto que quebrava. O que estava acontecendo? Onde estavam os outros?

Lily estava tão próxima a James que podia ouvir seu coração acelerado. E ela sabia que o seu estava no mesmo estado. E não melhoraria até Harry estar seguro.

Finalmente, um grande barulho de mato pisado anunciou a volta de Hagrid. Malfoy, Neville e Canino o acompanhavam.

Um suspiro mútuo de alivio foi ouvido na sala.

Hagrid vinha danado da vida. Malfoy, ao que parecia, se atrasara e agarrara Neville por trás para lhe dar um susto Neville se assustara e mandara o sinal.

— Imbecil! Tem algo perigoso na floresta e você resolve fazer brincadeiras. — rosnou Frank.

— Teremos sorte se apanharmos alguma coisa agora, com a barulheira que vocês aprontaram. Muito bem, vamos trocar os grupos: Neville, você e Hermione ficam comigo, Harry, você com o Canino e esse idiota.

Lily gemeu sentindo os braços de James se tesarem. Agora Harry estaria praticamente sozinho na floresta.

Sinto muito — acrescentou Hagrid para Harry num cochicho — mas vai ser mais difícil ele assustar você e precisamos acabar o nosso serviço.

— Você precisa acabar seu serviço, os alunos deviam voltar para o castelo. — resmungou Severus. Hagrid não via o quanto isso era perigoso? Lily parecia que iria começar a chorar a qualquer momento. E a ruiva não chorava fácil.

Então Harry entrou pelo coração da floresta com Malfoy e Canino. Andaram quase meia hora, embrenhando-se cada vez mais, até que a trilha se tornou impraticável porque as árvores cresciam demasiado juntas. Havia salpicos nas raízes de uma árvore, como se o pobre bicho tivesse se debatido de dor por ali.

Sirius se remexeu na cadeira, sabendo que a coragem grifinória faria Harry ir a diante procurando o unicórnio, mas não podia deixar de se preocupar que a coisa que feriu o animal estivesse junto.

Harry viu uma clareira adiante, através dos galhos emaranhados de um velho carvalho.

— Olhe... — murmurou, erguendo o braço para deter Malfoy.

Alguma coisa muito branca brilhava no chão. Eles se aproximaram aos poucos. Era o unicórnio, sim, e estava morto. Harry nunca vira nada tão bonito nem tão triste. As pernas longas e finas estavam esticadas em ângulos estranhos onde ele caíra e sua crina espalhava-se nacarada sobre as folhas escuras.

Lagrimas se derramaram pelo rosto de Alice. Um unicórnio tinha sido assassinado. Alguém tinha matado um símbolo de pureza.

Harry dera um passo à frente, mas um som de algo que deslizava o fez congelar onde estava.

Lily estremeceu. Ela e James estavam num abraço apertado como se pudesse proteger Harry caso ficassem juntos.

Uma moita na orla da clareira estremeceu... Então, do meio das sombras saiu um vulto encapuzado que se arrastava de gatas pelo chão como uma fera à caça. Harry, Malfoy e Canino ficaram paralisados. O vulto encapuzado aproximou-se do unicórnio, abaixou a cabeça sobre ferimento no flanco do animal e começou a beber o seu sangue.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Lily soluçou, uma lagrima finalmente escapara. James tinha congelado em sua posição. O rosto tomado pela preocupação. Sirius não parava de ser mexer no sofá agoniado de ler Harry em perigo e ficar parado.

Severus empalideceu. Sangue de unicórnio condenava a pessoa a uma vida maldita. E ele só podia pensar em uma pessoa que poderia desejar vida a esse preço.

Malfoy soltou um grito terrível e fugiu, seguido por Canino. A figura encapuzada ergueu a cabeça e olhou diretamente para Harry. O sangue do unicórnio escorrendo pelo peito. Ficou de pé e avançou rápido para Harry, que não conseguiu se mexer de medo.

O rosto de Lily estava enterrado na camisa de James, tomado pelas lagrimas. James tinha escondido o rosto no cabelo de Lily e parecia tomado pela angustia. E ninguém da sala poderia pensar em uma palavra para acalma-los.

Remus voltou a ler pedindo que algo ajudasse Harry.

Então uma dor, como ele nunca sentira antes, varou sua cabeça, como se a sua cicatriz estivesse em fogo, meio cego, ele recuou cambaleando. Ouviu cascos as suas costas, galopando, e aí alguma coisa saltou por cima dele, e atacou o vulto.

A dor na cabeça de Harry foi tão forte que ele caiu de joelhos.

— Por favor, deixe que Harry saia ileso. — Lily repetia como uma reza. Ela sentia os lábios de James se mexendo em seu cabelo e imaginou que ele estivesse pedindo algo parecido.

Levou uns dois minutos para passar. Quando ergueu os olhos, o vulto desaparecera. Um centauro avultava-se sobre ele, mas não era Ronan nem Agouro, este parecia mais novo, tinha cabelos louros prateados e o corpo baio.

Lily sentiu uma onda de alivio que quase a fez chorar mais. O perigo imediato tinha passado. James voltou a acariciar seus cabelos pensando a mesma coisa.

Snape ainda estava tão preocupado com quem poderia beber o sangue de unicórnio que não teve tempo para invejar o casal.

— Você está bem? — perguntou o centauro, ajudando Harry a se levantar.

— Estou, obrigado, o que foi aquilo?

O centauro não respondeu. Tinha espantosos olhos azuis, como safiras muito claras. Mirou Harry com atenção, demorando o olhar na cicatriz que se sobressaia, lívida, em sua testa.

Sirius estreitou os olhos a isso.

— Você é o menino Potter. É melhor voltar para a companhia de Hagrid. A floresta não é segura à estas horas, principalmente para você.

Severus gemeu tendo suas suspeitas confirmadas, e olhou de soslaio para Lily se perguntando como a ruiva reagiria ao saber quem seu filho tinha enfrentado.

Sabe montar? Será mais rápido. Meu nome é Firenze — acrescentou ao dobrar as patas dianteiras para Harry poder subir no seu lombo.

Frank encarou seus amigos, preocupado por Harry e Neville. Se um centauro tinha deixado Harry monta-lo o que quer que estivesse na floresta era muito ruim.

Ouviram repentinamente o ruído de galopes vindo do outro lado da clareira.

Ronan e Agouro irromperam do meio das árvores, os flancos arfantes e suados.

— Firenze! — Agouro trovejou. — O que é que você está fazendo? Está carregando um humano! Não tem vergonha? Você é uma mula?

— Ele esta ajudando ao contrario de vocês. — rosnou Sirius.

— Você sabe quem ele é? — retrucou Firenze — É o menino Potter. Quanto mais rápido ele sair da floresta, melhor.

James sentia a injustiça disso chegar até seus ossos. Por que Harry tinha que estar em mais perigo que os demais? Seu filho não sofrerá o bastante?

— O que é que você andou contando a ele? — rosnou Agouro. — Lembre-se, Firenze, juramos nunca nos indispor com os céus. Você não leu o que vai acontecer nos movimentos dos planetas?

O clima de tensão só aumentava e Remus lia cada vez mais rapidamente querendo que as crianças saíssem logo da floresta.

Ronan pateou o chão, nervoso.

— Tenho certeza de que Firenze achou que estava fazendo o melhor — falou em tom sombrio.

Agouro escoiceou com raiva.

— Fazendo o melhor! O que tem isso a ver conosco? Os centauros se preocupam com o que foi previsto! Não é nossa função ficar correndo por aí como jumentos recolhendo humanos perdidos na nossa floresta!

— Cuidar da floresta é sua responsabilidade! — cuspiu Remus antes de continuar lendo.

Firenze de repente empinou-se nas patas traseiras com raiva, de modo que Harry teve de se agarrar nos seus ombros para não cair.

— Você não viu o unicórnio! — Firenze berrou para Agouro. — Você não percebe por que foi morto? Ou será que os planetas não lhe contaram esse segredo? Tomei posição contra o que está rondando a floresta, Agouro, tomei, sim, ao lado dos humanos se for preciso.

Lily só queria que Harry saísse logo da floresta. Depois ela pensaria nas palavras do centauro.

E Firenze virou-se depressa para partir, com Harry agarrando-se o melhor que podia, eles mergulharam entre as árvores, deixando Ronan e Agouro para trás.

E Harry não fazia a menor idéia do que estava acontecendo.

— Por que Agouro está tão zangado? — perguntou. — O que era aquela coisa de que você me livrou?

Os pais de Harry estremeceram a lembrança da "coisa".

Firenze abrandou a marcha, alertou Harry para manter a cabeça abaixada a fim de evitar os galhos baixos, mas não respondeu à pergunta. Continuaram por entre as árvores em silêncio por tanto tempo que Harry achou que Firenze não queria mais falar com ele.

— A prioridade dele é por distancia entre você e o perigo. — comentou Frank aprovando a atitude do centauro.

Estavam passando por um trecho particularmente denso da floresta, quando Firenze parou de repente.

— Harry Potter, você sabe para que se usa o sangue de unicórnio?

Todos na sala sabiam, mas o pensamento por si só era tão terrível que ninguém queria pensar até ter sido confirmado. Apenas Snape mordia os lábios já imaginando como seria a conversa a seguir.

— Não — disse Harry surpreendido pela estranha pergunta. — Só usamos o chifre e a cauda na aula de Poções.

— Porque é uma coisa monstruosa matar um unicórnio. Só alguém que não tem nada a perder e tudo a ganhar cometeria um crime desses. O sangue do unicórnio mantém a pessoa viva, mesmo quando ela está à beira da morte, mas a um preço terrível. Ela matou algo puro e indefeso para se salvar e só terá uma semivida, uma vida amaldiçoada, do momento que o sangue lhe tocar os lábios.

"Por favor, que não seja isso, por favor." Implorava James em pensamento. Uma ideia realmente terrível de quem poderia ser passou pela sua mente.

Harry ficou olhando para a nuca de Firenze, que estava prateada de luar.

— Mas quem estaria tão desesperado? — pensou em voz alta — Se a pessoa vai ser amaldiçoada para sempre, é preferível morrer, não é?

Lily se agarrou mais a James, ela tinha que estar errada. Não podia ser quem ela pensou.

— É — concordou Firenze —, a não ser que ela precise se manter viva o tempo suficiente para beber outra coisa, algo que vai lhe devolver a força e o poder totais, algo que significa que jamais poderá morrer. Sr. Potter, o senhor sabe o que é que está escondido na sua escola neste momento?

Remus empalideceu entendendo as implicações. Sirius soltou um gemido que parecia um cão machucado.

— A Pedra Filosofal! É claro, o elixir da vida! Mas não percebo quem...

Frank se preparou para ouvir o inevitável.

— Não consegue pensar em ninguém que tenha esperado muitos anos para retomar o poder, que se apegou à vida, esperando uma chance?

Lily soluçou alto dessa vez. Voldemort estava procurando uma chance de voltar ao poder e Harry estaria em perigo se isso acontecesse. James estava preocupado demais para pensa em algo que pudesse consolar Lily. Todos seus pensamentos eram para a segurança de Harry.

Severus olhou pra Lily se perguntando se teria coragem de falar algo para acalma-la quando Sirius se levantou.

— Pensando em entregar a pedra para seu mestre? — perguntou o moreno com a varinha apontada na direção de Snape.

Severus ficou de pé segurando sua varinha também. Black lhe faria um favor permitindo extravasar toda a frustação acumulada.

Ambos se olhavam com puro ódio nas feições.

— Seus amigos estão quase doentes de preocupação com o filho deles, não é disso que eles precisam agora. — rosnou Remus olhando para onde James e Lily pareciam devastados de preocupação.

Sirius demorou alguns segundos antes de baixar a varinha, nunca tirando os olhos de Severus e dar um tapa amigável nas costas de James, se abaixando para sussurrar algo que fez o moreno finalmente olhar para cima e dar um sorriso fraco.

Severus hesitou. Lily estava tão próximo a Potter quanto o sofá permitia. E nenhum dos dois parecia que ia se afastar tão cedo. Fazendo gala de uma coragem que não sabia que possuía ele apertou o braço dela, logo acima do cotovelo e sussurrou que tudo ficaria bem, que ainda faltavam muitos livros para ler.

Lily lhe deu uma tentativa de sorriso. Era obvio que ela não se acalmaria até Harry sair dessa floresta, mas Snape sentiu que ao menos ele tinha feito algo por sua amiga. Ele lançou um olhar desafiador para Potter que com certeza teria visto a cena. Mas James havia enterrado novamente o rosto no cabelo da ruiva.

Severus voltou ao seu lugar encarando Sirius que parecia desafia-lo a algo. Remus voltou a ler esperando que isso acalmasse seus amigos.

Foi como se uma mão de ferro de repente apertasse o coração de Harry. Acima do farfalhar das árvores, ele parecia ouvir mais uma vez o que Hagrid lhe contara na noite que se conheceram:

"Uns dizem que ele morreu. Bobagem, na minha opinião. Não sei se ele ainda teria bastante humanidade para morrer".

— Você está dizendo — Harry falou rouco — que aquele era o Vol..

— Estamos sempre com Harry? — pediu Lily olhando para James. O pensamento de Voldemort estar de volta e Harry sozinho a aterrava.

— Todo o tempo. — confirmou James. E novamente eles tinham tirado forças um do outro que não conseguiriam encontrar de outra forma. Lily se ajeitou voltando a sentar com a cabeça no ombro de James e as mãos entrelaçadas. Ela notou que a camisa do moreno tinha rastros das suas lagrimas, mas ele não fez nenhum comentário. Ambos sabiam que de alguma forma eles passariam por isso juntos, e nenhum dos dois jamais deixaria Harry sozinho. Nem mesmo após a morte.

A mudança de comportamento tomou todos de surpresa. Sirius pensou que se a ruiva poderia acalmar James dessa maneira, ele poderia perdoa-la por todo sofrimento que causou ao seu amigo ao longo dos anos. Remus estava surpreso. Ele sabia o quanto Pontas gostava de Lily e esperava que ela desse uma chance ao seu amigo. Mas isso que ele tinha visto agora era... ele não tinha palavras. Alice e Frank tomaram o casal de amigos como exemplo. Se eles poderiam achar força um no outro para seguir por isso, Ela e Frank também fariam. Severus se perguntou novamente como Potter e Lily poderiam ter essa irracional que de alguma forma eles poderiam estar lá para Harry. Eles estavam mortos! E enquanto Lily pensasse assim Snape sabia que não tinha nenhuma chance de convence-la a mudar seu pensamento com relação a guerra.

— Harry! Harry, você está bem?

Hermione vinha correndo ao encontro deles pela trilha, Hagrid a acompanhava arfando.

Todos esperavam que Hagrid ter chegado era o sinal que o perigo havia passado. Ao menos por enquanto.

— Estou bem — disse Harry, sem nem saber o que estava dizendo. — O unicórnio morreu, Rúbeo, está naquela clareira lá atrás.

— É aqui que eu o deixo — murmurou Firenze enquanto Hagrid corria para examinar o unicórnio. — Está seguro agora.

— Tire-os da floresta. — pedia Alice.

Severus não conseguia acreditar que depois de tudo isso Hagrid ainda se preocupasse com um unicórnio morto.

Harry escorregou de suas costas.

— Boa sorte, Harry Potter — disse Firenze. — Os planetas já foram mal interpretados antes, até mesmo pelos centauros. Espero que seja o que está ocorrendo agora.

Lily também torcia de coração para isso ter acontecido.

Virou-se e entrou a trote pela floresta, deixando para trás um Harry cheio de tremores.

Rony adormecera no salão comunal às escuras, esperando os amigos voltarem. Gritou alguma coisa sobre faltas no Quadribol, quando Harry o sacudiu com força para acordá-lo.

Lily e James se olharam aliviados de que Harry estivesse dentro do castelo, finalmente.

Em questão de segundos, porém, seus olhos se arregalaram quando Harry começou a contar a ele e a Hermione o que acontecera na floresta.

Harry nem conseguia se sentar. Andava para cima e para baixo na frente da lareira. Continuava a tremer.

Snape quer a pedra para Voldemort... E Voldemort está esperando na floresta... E todo esse tempo pensamos que Snape só queria ficar rico.

Sirius parecia a ponto de se levantar novamente.

— Nós combinamos de esperar provas antes de fazer algo. — disse James vendo que Lily tinha se preocupado novamente.

Severus lançou um olhar raivoso para Potter por defendê-lo, mas novamente encontrou Potter olhando para Lily e o ignorando. Começara a achar que Potter estava fazendo isso de proposito.

— Pare de repetir esse nome! — disse Rony num sussurro de terror como se Voldemort pudesse ouvi-los.

Harry nem o escutou.

— Firenze me salvou, mas não devia ter feito isso. Agouro ficou furioso... Falou de interferência naquilo que os planetas anunciaram que ia acontecer. Eles devem estar indicando que Voldemort vai voltar. Agouro acha que Firenze devia ter deixado Voldemort me matar. Imagino que isso também esteja escrito nas estrelas.

— Pare de pensar assim! — reclamou Alice. Todos na sala estavam preocupados o suficiente sem precisar do pessimismo de Harry.

Quer parar de dizer esse nome!sibilou Rony.

— Portanto só preciso esperar que Snape roube a pedra — continuou Harry febril —, então Voldemort vai poder voltar e acabar comigo. Bem, quem sabe Agouro vai ficar feliz.

Severus pedia silenciosamente que Harry parasse de acusar seu eu futuro, ou algo ruim aconteceria com seu eu presente em breve.

Hermione parecia muito assustada, mas teve uma palavra de consolo.

— Harry, todo mundo diz que Dumbledore é a única pessoa de quem Você- Sabe-Quem já teve medo. Com Dumbledore por perto Você-Sabe-Quem não vai tocar em você. Em todo o caso, quem disse que os centauros tem razão? Isso está me parecendo adivinhação, e a Professora Minerva diz que adivinhar o futuro é um ramo muito inexato da magia.

— Na verdade adivinhação só é considerado inexato porque somente as pessoas com o dom da visão podem compreender verdadeiramente. — explicou Frank — Mas Dumbledore é realmente um consolo.

O céu havia clareado antes de terminarem de conversar. Foram se deitar exaustos, com as gargantas ardendo. Mas as surpresas da noite não tinham terminado.

Quando Harry puxou os lençóis da cama, encontrou a capa da invisibilidade cuidadosamente dobrada sobre o forro. Tinha um bilhete espetado nela: "Por via das dúvidas".

James se sentiu feliz por Harry ter a capa de volta, mas o bilhete de Dumbledore era intrigante. Se ele tinha dúvidas que seu filho poderia estar em perigo, então porque não protegê-lo melhor?

Sem saber Severus tinha pensamentos semelhantes aos de James. Dumbledore parecia acreditar que Harry precisaria usar a capa, e soava como se estivesse o incentivando a fazer. Isso não parecia bom.

— Eu sei que todos devem estar com fome. — disse Lily olhando para Sirius que assentiu vigorosamente. — Mas eu não consigo pensar em comer nada até ter certeza que Harry esta fora de perigo.

Sirius pensou que isso era um bom motivo para aguentar a fome um pouco mais. Tomando o livro de Remus levantou a sobrancelha ao achar o capitulo. Parece que não comeriam tão cedo. Olhando para James e Lily disse o título em voz alta: Capítulo Dezesseis: No Alçapão.