Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Tudo pertence à magnifica J. K. Rowling.
A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.
A fic passou das 200 reviews *.* Estou quase explodindo de felicidade. Vocês realmente fazem uma autora muito feliz xD
Um agradecimento especial a Mrs. Mandy Black pela ajuda que ela ofereceu *.*
Penúltimo capítulo. Eu não sei como será meu final de semana porque partirei a caça de um novo celular tão útil quanto o ultimo. Mas prometo que no mais tardar, segunda estarei postando o último capítulo da Pedra Filosofal (imagino que me dará mais trabalho porque eles tem assuntos pendentes do livro para discutir) e preparando as coisas para a Câmara Secreta.
Respondendo as Reviews:
Mrs. Mandy Black: Eu respondi a sua MP com outra MP e acho que fiz certo. Me confirma se você tiver recebido ;) E mais uma vez obrigada pela leitura.
AgathaClamy: Obrigada pelo oferecimento, mas a Mrs. Mandy Black se ofereceu para fazer isso também xD mas se você quiser apontar algo que eu tenha errado sinta-se a vontade. Tenho um enorme pressentimento que estou deixando algo passar. :X
E leitores queridos, podem fazer reviews enormes, eu gosto. E leio todas mais de uma vez, na verdade sempre que eu tenho bloqueio em alguma parte eu leio as reviews para me animar. Chega de enrolação e Boa Leitura. xD
...
Sirius pensou que isso era um bom motivo para aguentar a fome um pouco mais. Tomando o livro de Remus levantou a sobrancelha ao achar o capitulo. Parece que não comeriam tão cedo. Olhando para James e Lily disse o título em voz alta: Capítulo Dezesseis: No Alçapão.
...
James puxou Lily um pouco mais perto. Ele não tinha nenhuma ilusão que esse não seria um capitulo perigoso.
— Meu filho vai descer pelo alçapão onde os professores colocaram seus melhores esforços em impedir alguém de chegar a pedra? — Lily mordeu os lábios, olhando para o livro. — Pelas meias furadas de Merlin! Por que Harry faria algo tão irresponsável?
A ruiva de aconchegou no abraço de James, sabendo que precisaria do seu apoio nesse capitulo. Era uma benção que o moreno estivesse se comportando tão bem. Lily não achava que seria capaz de passar por tudo que os livros reservavam sem ajuda. E esse era somente o primeiro.
— Lembre-se que as pessoas que amamos nunca nos deixam completamente, de alguma forma estaremos sempre com Harry. —disse James baixinho. Era todo consolo que ele poderia dar sabendo que seu filho se meteria em mais situações perigosas.
Alice pensou que seus amigos estavam levando muito bem, se fosse Neville ela teria surtado a muito tempo atrás. Frank se perguntava como um garoto do primeiro ano iria entrar no alçapão atrás de uma pedra que suspostamente esta bem guardada. Remus se preocupava com a segurança de Harry, se Voldemort estava cobiçando a pedra. Severus tinha a sensação incomoda que algo estava errado. Ou Harry era o maior imã de problemas do mundo, ou alguém estava deliberadamente deixando os problemas chegarem a Harry.
Sirius se sentia quase tão preocupado como Lily e James. Entrar nesse alçapão era mais que uma travessura de colégio, principalmente por que Voldemort queria o que estava dentro do alçapão. Com um pedido silencioso para que Harry ficasse bem, Sirius começou a ler:
No futuro, Harry nunca conseguiria lembrar muito bem como conseguiu prestar seus exames enquanto esperava Voldemort irromper a qualquer instante pela porta.
Lily estremeceu. Os pensamentos de Harry realmente não ajudavam a acalma-la.
— Voldemort não fará isso enquanto Dumby estiver lá. — acalmou James. Lily assentiu se acalmando um pouco.
Severus se ressentiu de como James parecia saber o que dizer para acalmar Lily. Há um ano Potter não conseguiria falar uma frase sem que irritasse a ruiva de alguma maneira. O que tinha mudado e como Severus não tinha percebido.
Contudo os dias foram se passando lentamente e não havia duvidas de que Fofo continuava vivo e bem seguro atrás da porta trancada.
— Pena que algo vai acontecer para o capitulo se chamar "No Alçapão". — comentou Frank. Ganhando um olhar feio de James por perturbar a ruiva.
Fazia um calor de rachar, principalmente na sala das provas escritas. Os alunos tinham recebido penas novas e especiais para fazê-las, previamente encantadas com um feitiço anticola.
— Eu sempre quis saber o que aconteceria se alguém quebrasse o feitiço anticola. — comentou Frank.
— Não sei. — James deu os ombros — Mas é possível duplicar o pergaminho e usar o sobressalente para transfigurar em uma nova pena não enfeitiçada.
— Você realmente fez isso? — Alice perguntou sem acreditar.
— Sim, ele fez. E na frente da Profª Minnie. — contou Sirius.
Lily olhou para James chocada.
— E o que ela fez com você?
— Nada. Ela disse que se um aluno poderia fazer isso, obviamente ele não precisaria de cola. Mas imagino que devam ter feito algo com os pergaminhos depois disso. — Remus respondeu por James.
Severus sentiu a familiar pontada de raiva. Potter e Black escapavam sem punições de vários atos. O que só contribuía para piorar os garotos. Não que eles pudessem ser muito piores.
Houve exames práticos também. O Professor Flitwick os chamou à sala de aula, um a um, para verificar se conseguiam fazer um abacaxi sapatear na mesa.
— É uma prova realmente muito fácil. — comentou Lily.
— Sim, Almofadinhas inclusive achou que seria divertido fazer o professor Flitwick sapatear na mesa no lugar do abacaxi. — contou Remus.
A Professora Minerva observou-os transformarem um camundongo em uma caixa de rapé e conferiu pontos pela beleza da caixa, e os descontou quando a caixa tinha bigodes.
— Essa é uma tarefa fácil demais. — reclamou James.
— Deixe-me adivinhar você também achou que seria mais divertido transformar a professora numa caixa de rapé? — perguntou Frank sorrindo.
— Não, ele fez a caixa e entalhou uma imagem da professa Minnie montada no leão símbolo da grifinória. Recuperando os pontos que Almofadinhas tinha perdido em feitiços. — novamente Remus contou a historia.
Snape deixou-os nervosos, bafejando em seu pescoço enquanto tentavam se lembrar como fazer a poção do esquecimento.
— Essa é uma avaliação mais difícil. — comentou Lily — E você não deveria deixar os alunos nervosos! É chato fazer poções quando alguém fica incomodando você! — a ruiva estava decidida a mostrar ao seu amigo as falhas do seu eu futuro para que ele pudesse corrigi-las.
Severus não soube o que responder. Ele próprio não gostava quando faziam isso com ele.
— Mas você tem que apreciar a ironia de tentar lembrar sobre a poção do esquecimento.
Lily deu um pequeno sorriso em resposta.
Harry fez o melhor que pôde, tentando ignorar as dores lacinantes que sentia na testa e que o incomodavam desde a ida a floresta.
James não gostava se ouvir sobre a cicatriz de Harry incomodar. Ele poderia estar sendo paranoico. Mas não parecia um bom sinal ter começado a dor agora que Voldemort estava por perto.
Neville achou que Harry estava com uma crise de nervos provocada pelos exames,
— Seu filho parece ser um ótimo amigo. — elogiou Remus ganhando sorrisos dos pais do garoto em resposta.
porque Harry não conseguia dormir, mas a verdade é que seu antigo pesadelo o mantinha acordado, só que agora estava pior que nunca, pois havia nele uma figura encapuzada que pingava sangue.
Lily sentiu a dor no coração que estava se tornando muito conhecida conforme eles liam os livros. Já não bastavam todos os problemas que Harry tinha acordado, agora ele se preocupava enquanto estava dormindo também. Segurando a mão de James a ruiva se confortou no pensamento de que de alguma formas eles olhariam por Harry mesmo depois das suas mortes.
Talvez fosse porque eles não tinham visto o que Harry vira na floresta, ou porque não tinham cicatrizes que queimavam na testa, mas Rony e Hermione não pareciam tão preocupados com a Pedra quanto Harry.
— São crianças agindo de acordo com a sua idade. Harry que parece ser mais maduro devido a tudo que passou. — explicou Remus.
A lembrança de Voldemort sem dúvida os apavorava, mas não os visitava em sonhos, e estavam tão ocupados com as revisões que não tinham muito tempo para pensar no que Snape ou qualquer outro podia estar aprontando.
— Eu gostaria que as preocupações de Harry fossem as mesmas das outras crianças. — Lily se lamentou.
O último exame foi de História da Magia.
— O exame mais tedioso do mundo sempre é o ultimo. — reclamou Sirius que gostaria de faze-lo mais cedo para ficar livre desse tormento.
Uma hora respondendo a perguntas sobre velhos bruxos gagás que inventaram caldeirões automexíveis e estariam livres, livres por uma semana maravilhosa até saberem os resultados dos exames.
— Visto que vocês não podem fazer nada a respeito dos resultados até o próximo ano, você está livre por meses. — corrigiu Frank.
Quando o fantasma do Professor Binns mandou-os descansar as penas e enrolar os pergaminhos, Harry não pôde deixar de dar vivas com os colegas.
James e Lily trocaram um sorriso, Era bom ver Harry agindo como qualquer criança. Para variar.
— Foi muito mais fácil do que pensei — comentou Hermione, quando eles se reuniram aos numerosos alunos que saíam para os jardins ensolarados. — Eu nem precisava ter aprendido o Código de Conduta do lobisomem de 1637 nem a revolta de Elfric, o Ambicioso.
— Por que ela estudou isso para um exame do primeiro ano? — perguntou Frank assombrado.
Hermione sempre gostava de repassar as provas depois, mas Rony disse que isso o fazia se sentir mal.
— Veja Aluado, as pessoas normais não querem ser repassar os exames logo após eles acontecerem. — James implicou com o amigo.
Assim, caminharam ate o lago e se sentaram à sombra de uma árvore. Os gêmeos Weasley e Lino Jordan faziam cócegas nos tentáculos de uma lula gigantes, que tomava sol na água mais rasa.
— Mas essa é a melhor hora do ano para aprontar! Você não pode receber mais que uma semana de detenção. É perfeito. — disse Sirius.
Severus queria uma chance de fazer Black calar a boca.
— Acabaram-se as revisões — suspirou Rony, contente, esticando-se na grama.
— Você podia fazer uma cara mais alegre, Harry, temos uma semana inteira até descobrir se nos demos mal, não precisa se preocupar agora.
— Eu gosto da forma que ele pensa. — sorriu Alice.
Harry esfregava a testa.
— Eu gostaria de saber o que significa isso! — explodiu aborrecido. — Minha cicatriz não para de doer, já senti isso antes, mas nunca com tanta freqüência.
Todos se olharam preocupados. Ninguém entendia porque a cicatriz de Harry doía. E James pressentiu novamente que não doía agora por acaso.
— Procure Madame Pomfrey — sugeriu Hermione.
— Eu não acho que ela possa resolver, não é como se muita gente tivesse uma cicatriz desse tipo. — James disse algum de seus pensamentos em voz alta.
— Eu não estou doente — respondeu Harry. — Acho que é um aviso... Significa que o perigo está se aproximando...
Lily não gostou nada do comentário. Junte o titulo do capitulo a perigo se aproximando. Apenas digamos que ela ficaria feliz quando esse livro acabasse.
Rony não conseguiu se preocupar estava quente demais.
— Tenho certeza que o Lord das Trevas levará em conta a temperatura e mudará seus planos para um clima mais frio. — zombou Severus.
Os marotos e Alice se entreolharam. Snape tinha realmente tentado fazer uma piada?
— Harry, relaxe. Hermione tem razão, a Pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por aqui.
Severus achava que as crianças colocavam demasiada fé em Dumbledore, ele é apenas um homem. Mas concordava que a Pedra estava muito mais segura com Dumbledore perto do que com ele longe.
Em todo o caso, nunca encontramos nenhuma prova de que Snape tenha descoberto como passar por Fofo. Ele quase teve a perna arrancada uma vez, não vai tentar outra tão cedo.
Alice e Sirius olharam suspeitosamente para Snape. Frank e Remus ainda tentavam descobrir a peça que estava faltando para essa historia fazer sentido. James não queria que fosse Snape porque Lily ficaria devastada. Lily tinha fé que seu amigo não poderia fazer isso.
E Severus não entendia seu eu futuro completamente. Ele queria ser merecedor da fé de Lily, mas não tinha certeza se isso aconteceria no seu futuro, ou mesmo no presente. Harry ser filho de Potter tornava as coisas muito mais difíceis.
E Neville vai jogar Quadribol na equipe da Inglaterra antes que Hagrid traia Dumbledore.
— Qual o problema com Neville? — Alice reclamou.
— Parece que ele joga Quadribol tão bem quando você. — brincou Sirius e continuou lendo antes que Alice pudesse responder.
Harry concordou, mas não conseguiu se livrar da sensação que o atormentava de que esquecera de fazer alguma coisa, algo importante.
— Comer provavelmente. — murmurou Sirius interrompendo a leitura por um minuto.
Quando tentou explicar o que sentia, Hermione disse:
— Isso são os exames. Acordei a noite passada e já tinha lido metade dos meus apontamentos sobre Transfiguração quando me lembrei que já tínhamos feito a prova.
— Tenho certeza que o problema de Harry não tem nada a ver com os exames. — zombou Sirius.
Severus pensou que se Black continuasse falando tanto nunca terminariam de ler.
Harry tinha certeza de que a sensação de inquietude não tinha nada a ver com os estudos. Acompanhou com os olhos uma coruja planar pelo céu azul em direção à escola, uma carta no bico.
Hagrid era o único que lhe mandava cartas. Hagrid jamais trairia Dumbledore. Hagrid jamais contaria a ninguém como passar por Fofo... Jamais... Mas...
James ficou tenso ao lado de Lily.
— Não poder ser... — deixou escapar mas fez um gesto para Sirius continuar lendo.
Harry pôs-se de pé de um salto.
— Onde é que você está indo? — perguntou Rony sonolento.
— Acabei de me lembrar de uma coisa. — Estava branco — Temos que ver Rúbeo agora.
— Você acha que Hagrid contou a alguém como passar pelo Fofo? — perguntou Frank.
— Não de proposito, mas o ovo de dragão surgiu numa hora realmente suspeita. — respondeu James — Talvez Hagrid possa ter deixado algo escapar...
Todos olharam para Sirius, que entendeu o recado e voltou a ler rapidamente para saber o que aconteceria.
— Por quê? — ofegou Hermione, correndo para alcançá-lo.
— Vocês não acham um pouco estranho — disse Harry, subindo, às carreiras, a encosta gramada — que o que Rúbeo mais quer na vida é um dragão, e aparece um estranho que por acaso tem ovos de dragão no bolso, quando isso é contra as leis dos bruxos? Que sorte encontrar Rúbeo, não acham? Por que não percebi isto antes.
— O importante é que você percebeu a tempo. — consolou Lily. Ela queria manter a esperança que Hagrid não tinha dito nada, mas a sorte de Harry mostrava que as probabilidades eram contrarias a isso.
— Do que é que você está falando? — perguntou Rony, mas Harry correndo pelos jardins em direção à floresta, não respondeu.
— Ele não poderia explicar para Ron enquanto andava? — pediu Alice simpatizando com Ron.
Hagrid estava sentado em um cadeirão na frente da casa: tinha as pernas das calças e as mangas enroladas e descascava ervilhas em uma grande tigela.
— Olá — disse, sorrindo — Terminaram os exames? Têm tempo para um refresco?
— Temos, obrigado — disse Rony, mas Harry o interrompeu.
— Não seja rude, filho. — murmurou Lily tentando pensar em outra coisa que não fosse o perigo iminente.
— Não, estamos com pressa, Rúbeo, preciso lhe perguntar uma coisa. Sabe aquela noite que você ganhou o Norberto? Que cara tinha o estranho com quem você jogou cartas?
— Não lembro — respondeu Hagrid com displicência —, ele não quis tirar a capa...
— Deve ter sido no Cabeça de Javali. — comentou Sirius — É normal as pessoas não tirarem as capas.
— A pessoa que negociou o ovo deve ter escolhido esse local justamente para passar despercebida. — opinou Frank.
Sirius assentiu com a cabeça voltando a ler.
Viu os três fazerem cara de espanto e ergueu as sobrancelhas.
— Não é nada de mais, tem muita gente esquisita no Hog's Head, o pub do povoado. Podia ser um vendedor de dragões, não podia? Nunca vi a cara dele, ele não tirou o capuz.
— Poderia. — cedeu Remus — mas seria uma coincidência impressionante.
Harry se abaixou ao lado da tigela de ervilhas.
— O que foi que você conversou com ele, Rúbeo? Chegou a mencionar Hogwarts?
— Talvez — disse Hagrid, franzindo a testa, tentando se lembrar — E... Ele me perguntou o que eu fazia e eu respondi que era guarda-caça aqui... Depois perguntou de que tipo de bichos eu cuidava... Então eu disse... E disse também que o que sempre quis ter foi um dragão... Então... Não me lembro muito bem... Porque ele não parava de pagar bebidas para mim...
Os marotos, Lily e Alice gemeram. Hagrid costumava falar demais após uma certa dose de bebidas.
Deixa eu ver.. Ah, sim, então ele disse que tinha um ovo de dragão, e que podíamos disputá-lo num jogo de cartas se eu quisesse... Mas precisava ter certeza de que eu podia cuidar do bicho, não queria que ele fosse parar num asilo de velhos... Então respondi que depois do Fofo, um dragão seria moleza...
Lily encostou a cabeça no ombro de James, tentando se resignar ao fato de Harry realmente entrar no alçapão atrás da pedra.
— E ele pareceu interessado no Fofo? — perguntou Harry, tentando manter a voz calma.
— Bom... Pareceu... Quantos cachorros de três cabeças a pessoa encontra por ai, mesmo em Hogwarts?
— Graças a Merlin, não muitos. — gemeu Alice.
Então contei a ele que Fofo é uma doçura se a pessoa sabe como acalmá-lo, é só tocar um pouco de música e ele cai no sono...
Mesmo sabendo que isso estava para acontecer todos ficaram chocados por Hagrid revelar isso ao estranho, e repetir na frente de Harry.
Hagrid, de repente, fez cara de horrorizado.
— Eu não devia ter-lhe dito isto! — exclamou. — Esqueçam que eu disse isto! Ei, aonde é que vocês vão?
— Eles, com certeza, iram esquecer e ficar em alguma parte segura do castelo. Foi por isso que queriam essa informação. — zombou Severus.
Harry, Rony e Hermione não se falaram até parar no saguão de entrada, que parecia muito frio e sombrio depois da caminhada pelos jardins.
— Temos de procurar Dumbledore — falou Harry
— Ao menos ele pensou em procurar Dumbledore antes. — Lily tentou se consolar pensando que Harry tinha um pingo de bom senso, por menor que fosse.
— Rúbeo contou àquele estranho como passar por Fofo e quem estava debaixo daquela capa era ou o Snape ou o Voldemort,
Sirius fez uma pausa na leitura para atirar um olhar sujo para Snape.
deve ter sido fácil, depois que embebedou Rúbeo. Só espero que Dumbledore acredite na gente. Firenze talvez confirme, se Agouro não o impedir. Onde é a sala de Dumbledore?
— Harry vai terminar o primeiro ano e não sabe onde fica a sala do diretor! Uma vergonha para o herdeiro dos marotos. — dramatizou Sirius tentando empurrar a preocupação de todos.
— A maioria dos alunos passa os sete anos de Hogwarts sem saber onde fica a sala do diretor. — comentou Frank.
Os três marotos pareciam chocados com isso.
— Quando vocês foram a sala de Dumbledore pela primeira vez? — pediu Alice.
— No primeiro mês em Hogwarts, fomos pegos tentando lacrar a entrada da Sala Comunal da Sonserina. — James parecia orgulhoso desse feito.
Lily revirou os olhos, mas não estava com raiva. Ela podia imaginar Sirius e James de onze anos com as varinhas na mão tentando todos os feitiços que eles conseguiam fazer para tentar trancar a entrada da Sonserina. Ela sabia que para conviver com James precisava aceitar que uma parte dele sempre seria um maroto. E desde que ele não estivesse sendo cruel com ninguém, ela poderia chegar a um acordo com a parte marota dele.
Severus mordeu a língua para não comentar. É claro que eles fariam isso. A esperança de Snape era que o livro lhe desse armas para se vingar de todas essas provocações.
Eles olharam a toda volta, na esperança de ver uma placa apontando a direção certa. Nunca alguém lhes havia dito onde trabalhava Dumbledore, tampouco conheciam alguém que tivesse sido mandado à sala dele.
— Pergunte a Fred e Jorge. — sugeriu James — Tenho certeza que eles saberão o caminho e a senha para a sala do diretor.
— Acho que teremos de... — começou Harry, mas inesperadamente ouviram uma voz do outro lado do saguão.
— Que é que vocês estão fazendo aqui dentro?
Era a Professora Minerva McGonagall, carregando uma pilha de livros.
— Você pode perguntar a McGonagall — sugeriu Lily.
— Tenho certeza que ela acharia muito suspeito um filho de James querendo ir a sala do diretor. — brincou Remus.
— Queremos ver o Professor Dumbledore — disse Hermione enchendo-se de coragem, pensaram Harry e Rony.
— Ver o Professor Dumbledore? — a Professora Minerva repetiu, como se isso fosse uma coisa muito suspeita para alguém querer fazer
— Nós já fomos a sala do diretor por motivos inocentes. — contradisse James — Dumby conta as melhores piadas.
— Vocês foram a sala do diretor para ouvir Dumbledore contando piadas? — perguntou Frank surpreso.
Os três marotos concordaram com a cabeça.
— Dumby passa muito tempo sozinho com os quadros, nós achamos que faria bem um pouco de companhia. — respondeu Sirius voltando a ler.
— Por quê?
Harry engoliu em seco. "E agora?"
— É uma espécie de segredo — disse, mas desejou na mesma hora que não tivesse dito, porque as narinas da Professora Minerva se alargaram.
— Um filho de James querendo falar um segredo para o diretor. Eu vejo como a professora iria desconfiar disso. — Alice riu.
— O Professor Dumbledore saiu faz dez minutos — informou ela secamente — Recebeu uma coruja urgente do Ministro da Magia e partiu em seguida para Londres.
— Eu realmente não gosto do diretor ter saído agora. Cria uma situação ideal para alguém tentar pegar a pedra. — Frank falou em voz alta o que todos estavam pensando.
— Duvido muito que tenha sido coincidência. — Severus comentou.
— Soa como algo que você faria? — perguntou Sirius venenoso antes de voltar a ler.
— Ele saiu? — exclamou Harry frenético — Agora?
— O Professor Dumbledore é um grande mago, Potter, o tempo dele é muito solicitado.
— Mas é importante.
— Alguma coisa que você tenha a dizer é mais importante do que o Ministro da Magia, Potter?
— Com certeza. — Sirius fez uma pausa na leitura para comentar.
— Olhe — disse Harry, mandando a cautela às favas —, professora... É sobre a Pedra Filosofal...
— Vai assustar Minnie sendo direto assim. — murmurou James.
Seja o que for que a Professora Minerva esperava, certamente não era isso. Os livros que levava despencaram dos seus braços, mas ela não os apanhou.
Um aluno do primeiro ano perguntando sobre algo que é supostamente um segredo bem guardado pode ter esse efeito nas pessoas. — brincou Remus.
— Como é que vocês sabem? — deixou escapar.
— Professora, acho... Que Sn... Que alguém vai tentar roubar a pedra. Preciso falar com o Professor Dumbledore.
— Teria sido melhor sem a sugestão que um professor planeja roubar a pedra. — disse Lily.
Ela o olhou com uma mescla de choque e desconfiança.
— O Professor Dumbledore volta amanhã — disse finalmente. — Não sei como descobriu sobre a Pedra, mas fique tranqüilo, não é possível ninguém roubá-la, está muitíssimo bem protegida.
— E ainda assim três alunos do primeiro ano sabem sobre a pedra, e quem fez as proteções e como passar pela primeira delas. — desdenhou Snape.
— Mas, professora...
— Potter sei do que estou falando. — Curvou-se e recolheu os livros caídos — Sugiro que vocês voltem para fora e aproveitem o sol.
Mas eles não voltaram.
— É hoje à noite — disse Harry, quando teve certeza de que a Professora Minerva não podia mais ouvi-los. — Snape vai entrar no alçapão hoje à noite.
Severus estava incomodado por sempre ser associado ao roubo da pedra.
Ele já descobriu tudo o que precisa e agora tirou Dumbledore do caminho. Foi ele quem mandou aquela carta, aposto que o Ministro da Magia vai levar um choque quando Dumbledore aparecer.
— Harry tem razão quanto a segunda parte. — concedeu Frank — Mas ele deveria pensar em outras possibilidades que não fossem Snape.
Sirius deu um olhar que indicava claramente que isso seria perda de tempo.
— Mas o que é que podemos...
Hermione perdeu a fala. Harry e Rony se viraram, Snape estava parado ali.
Sirius estava fazendo seu melhor esforço para ler e encarar Snape ao mesmo tempo.
— Boa tarde — disse com suavidade. Eles o encararam.
Todos na sala também encaravam Severus que estava ficando desconfortável com esse nível de atenção.
— Vocês não deviam estar dentro do castelo num dia como este — falou com um sorriso estranho e torto.
— Feliz com a oportunidade para roubar a pedra? — sugeriu Sirius malicioso.
Lily olhou para Sev se perguntando se o Snape Futuro saberia que as crianças desconfiavam dele.
— Estávamos.. — começou Harry, sem fazer idéia do que ia dizer.
— Vocês precisam ter mais cuidado. Andando por aqui assim, as pessoas vão pensar que estão armando alguma coisa. E Grifinória realmente não pode se dar ao luxo de perder mais nenhum ponto, não é mesmo?
— Se você quer que as pessoas não desconfiem de você, deveria ser mais simpático. — disse Lily. Ela não gostava de como o Snape futuro tratava Harry.
Severus acenou distraidamente com a cabeça, seu Eu futuro estava tentando avisar as crianças que precisavam tomar mais cuidado ou estava atiçando-os para ir em busca da pedra?
James pensava a mesma coisa.. Mas tinha se comprometido a não julgar ate saber toda a historia.
Harry corou. Viraram-se para sair, mas Snape os chamou de volta.
— E fique avisado, Potter, se ficar perambulando outra vez à noite, vou providenciar pessoalmente para que seja expulso. Bom dia para vocês.
— Você poderia deixar as ameaças de lado quando falar com meu filho. — reclamou Lily. Ela não queria que seu amigo se transformasse nesse homem amargurado.
Severus se encolheu ao ver o olhar de Lily e pediu para que seu eu futuro nunca tentasse cumprir essa ameaça.
E saiu em direção à sala de professores. Lá fora, nos degraus de pedra, Harry virou-se para os outros.
— Certo isto é o que vamos fazer — cochichou com urgência.
— Um de nós tem que ficar de olho no Snape, esperar do lado de fora da sala de professores e segui-lo se ele sair. Hermione é melhor você fazer isso.
— Porque ela pode fingir estar puxando o saco de um professor que ninguém vai desconfiar de nada, já que esse é seu comportamento natural. — resmungou Sirius.
— Por que eu?
— É óbvio — disse Rony. — Você pode fingir que está esperando pelo Professor Flitwick sabe, como é, — E fazendo voz de falsete — "Ah, Professor Flitwick. Estou tão preocupada, acho que errei a questão catorze b..."
— Me lembrou um pouco do Aluado após a nossa primeira prova. — comentou James.
Remus conjurou uma almofada para atirar no amigo em resposta.
— Ah, cala a boca — disse Hermione, mas concordou em vigiar Snape.
— E é melhor ficarmos no corredor do terceiro andar — disse Harry a Rony
— Isso não vai funcionar a menos que você leve a capa. — James passou a mão pelo cabelo — E Minnie não vai gostar nada de ver vocês ali agora que ela sabe que vocês sabem sobre a pedra.
– Vamos, mas aquela parte do plano não funcionou. Assim que chegaram a porta que separava Fofo do resto da escola, a Professora Minerva apareceu de novo, e desta vez perdeu as estribeiras.
James fez um gesto de "eu disse".
— Suponho que você ache que é mais difícil alguém passar por você do que por um pacote de feitiços! — esbravejou. — Chega de bobagens! E se eu souber que você voltou aqui outra vez, vou descontar mais cinqüenta pontos de Grifinória! É, Weasley, da minha própria casa!
Severus teve que se esforçar para não pensar em como seria divertido ver a Grifinória perder mais cinquenta pontos.
Harry, e Rony voltaram à sala comunal. Harry acabara de dizer "pelo menos Hermione está na cola de Snape", quando o retrato da Mulher Gorda se abriu e Hermione entrou.
— Sinto muito, Harry — lamentou-se. — Snape saiu e me perguntou o que eu estava fazendo, então disse que estava esperando Flitwick, e Snape foi buscá-lo, e me mandei, não sei aonde ele foi.
James pensou em como seria mais fácil se Harry tivesse herdado o mapa do maroto junto com a capa.
— Bom, então acabou-se, não é? — disse Harry. Os outros dois olharam para ele. Estava pálido e seus olhos brilhavam.
— Vou sair daqui hoje à noite e vou tentar apanhar a Pedra primeiro.
Lily teve vontade de bater a cabeça contra a parede. Ela poderia entender o raciocínio por trás dessa ideia. Mas ele era um aluno do primeiro ano tentando ir contra as melhores proteções que os professores puderam pensar.
— Você ficou maluco! — exclamou Rony
— Você não pode! — disse Hermione
— Depois do que a Professora Minerva e Snape disseram? Vai ser expulso!
James mordeu os lábios. Se Harry tivesse herdado o temperamento da ruiva isso não seria nada bonito.
— E DAÍ? — gritou Harry — Vocês não percebem? Se Snape apanhar a pedra, Voldemort vai voltar! Vocês não ouviram contar como era quando ele estava tentando conquistar o poder? Não vai haver Hogwarts para nos expulsar! Ele vai arrasar Hogwarts, ou vai transformá-la numa escola de magia negra! Perder pontos não importa mais, vocês não entendem? Acham que ele vai deixar vocês e suas famílias em paz, e Grifinória ganhar o campeonato das casas? Se eu for pego antes de conseguir a pedra, bem, vou ter que voltar para os Dursley e esperar Voldemort me encontrar lá. E só uma questão de morrer um pouquinho depois do que teria morrido, porque eu nunca vou me aliar aos partidários da magia negra! Vou entrar naquele alçapão hoje à noite e nada que vocês dois disserem vai me impedir! Voldemort matou meus pais, estão lembrados?
Todos ficaram em silencio depois que Sirius, literalmente, gritara o discurso de Harry.
James ficou impressionado com a seriedade do seu filho sobre o assunto. Ele não queria a pedra para uso pessoal ou qualquer outro motivo. Ele queria impedir Voldemort de voltar. Era um pensamento surrealmente altruísta para um garoto de onze anos. O moreno não pode deixar de pensar que Harry encarava a guerra com até mesmo mais seriedade do que todos na sala.
Lily sentiu algo de orgulho por baixo de toda a preocupação. Com onze anos seu filho já tinha decidido que caminho seguir e iria lutar por isso. Claro que a ruiva preferia que Harry não tivesse que se preocupar com nada disso, mas não podia negar a verdade nas palavras do seu filho.
— Vocês percebem que ambos parecem orgulhosos do discurso que Harry acabou de fazer, ao invés de estarem comentando o quão insano ele é por pensar nisso. — pediu Alice. Se fosse Neville dando um discurso sobre entrar no alçapão a única coisa que ela sentiria seria preocupação pela sua segurança.
Lily olhou para James e mais uma vez sentiu que ele entendia exatamente como ela se sentia. Ambos preferiam que Harry continuasse na segurança da Sala Comunal ao invés de se aventurar no alçapão. Mas ao mesmo tempo ambos admiravam seu filho por se levantar pelo que ele achava que era certo.
— Eu não gosto da ideia de Harry se colocando em perigo. — explicou James — Mas eu posso entender que ele esta fazendo isso pelo motivo certo. Não é uma travessura ou a emoção pelo perigo. É para impedir Voldemort de recomeçar a guerra. E ele sabe os riscos e está disposto a corrê-los. Então sim. Eu me orgulho dele por isso.
Lily acenou concordando. E para a surpresa da ruiva. Sirius parecia pensar exatamente como James.
Frank e Alice se entreolharam. Obviamente ambos queriam acabar com a guerra tanto quanto os outros. Mas Harry tinha onze, era apenas uma criança. Ambos não conseguiam imaginar suas reações se fosse Neville no lugar de Harry. Ambos iriam querer que seu filho lutasse pelo que era certo. Só esperavam que ele fosse maior quando fizesse essa escolha.
Severus olhou para Potter como se ele fosse louco. Ele estava orgulhoso porque seu filho ia se aventurar atrás de Voldemort. Ele era louco? Foi por causa de pensamentos desse tipo que ele havia morrido. O que não seria uma perda se ele não tivesse levado Lily junto.
Remus olhou para os dois amigos e sorriu.
— Vocês têm mais em comum do que qualquer um de nós pode imaginar.
Lily abriu e fechou a boca sem saber o que responder. Ela não havia pensado nisso. Mas desde que esse livro começara ela mesma não tinha ficado impressionada com a forma que James parecia entendê-la? Decidindo que isso era algo bom. A ruiva sorriu para Remus em resposta.
Severus cruzou os braços. Potter estava contaminando Lily com suas ideias loucas.
E olhou zangado para eles.
— Você tem razão, Harry — disse Hermione com uma vozinha fraca.
— Vou usar a capa da invisibilidade, foi uma sorte tê-la recuperado.
"Finalmente ele lembra da capa." Pensou James.
— Mas ela dá para esconder nós três? — perguntou Rony.
— Nós... Nós três?
— É claro! Seus amigos não vão te abandonar só porque alguns problemas apareceram no caminho. — disse Sirius olhando para Remus.
Remus acenou com a cabeça entendendo o recado. Ele nunca deixaria de agradecer por ter amigos tão maravilhosos.
James olhou para seus dois amigos e sorriu. Ele estava realmente feliz por Harry encontrar amigos tão bons quanto ele próprio tinha encontrado. Pessoas que você poderia contar em qualquer situação.
Alice pediu silenciosamente que seu filho tivesse amigos tão bons quanto esses. Frank se perguntou se essa amizade tão forte era algo que vinha da grifinória ou fazia parte da genética dos Potters.
Severus sentiu um mal estar. Ele tinha certeza que nenhum dos seus amigos se arriscaria por ele. A única que faria isso seria Lily e ele não sabia mais se tinha isso.
Lily sentiu uma espécie de inveja pelos marotos nesse momento. Ela tinha amigos, é claro. Mas os quatro sempre pareceram mais que isso. O lema "um por todos e todos por um." Parecia descrever a amizade deles. A ruiva não pode deixar de se sentir feliz que Harry tivesse herdado o dom da amizade de James.
— Ah, corta essa, você não acha que vamos deixar você ir sozinho?
— Claro que não — disse Hermione com energia. — Como acha que vai chegar à Pedra sem nós? E melhor eu dar uma olhada nos meus livros, talvez encontre alguma coisa útil.
— Eu realmente fico feliz de Hermione está indo junto. Seus conhecimentos provavelmente ajudarão. — comentou James.
Sirius resmungou em voz baixa, embora a menina tivesse ganho pontos por não abandonar Harry, ela ainda era uma insuportal sabe-tudo.
— Mas se formos pegos, vocês dois vão ser expulsos também.
— Não se eu puder evitar — disse Hermione séria. — Flitwick me disse em segredo que tirei cento e vinte por cento no exame. Não vão me expulsar depois disso.
— Como se tira mais que cem por cento num exame? — pediu Alice. Ela era boa aluna mais suas notas se limitavam a nota máxima como o resto das pessoas normais.
— Quando você acrescenta coisas que não foram perguntadas, mas que são importantes para a questão formulada. Ou quando você corrige uma pergunta mal feita. Ou quando você acrescenta um ponto de vista novo a uma questão antiga... — James foi interrompido por Alice.
— Vou adivinhar que você tirou mais de cem por cento num exame, e vou chutar que foi transfiguração.
James assentiu com a cabeça.
Depois do jantar os três se sentaram, nervosos, a um canto do salão comunal. Ninguém os incomodou, afinal nenhum aluno de Grifinória tinha mais nada a dizer a Harry. Esta era a primeira noite que isto não o incomodava.
— Estou feliz que você possa ver algo de bom nisso. — reclamou Sirius que guardava rancor pela forma que Harry fora tratado.
Hermione folheava seus apontamentos, esperando encontrar um dos feitiços que queriam anular.
— É altamente improvável que tenha sido ensinado no primeiro ano. — comentou Remus.
— Improvável? Impossível. — resmungou Snape.
Harry e Rony não falavam muito. Pensavam no que estavam prestes a fazer.
A sala foi-se esvaziando, à medida que as pessoas iam se deitar.
— É melhor apanhar a capa – murmurou Rony, quando Lino Jordan finalmente saiu, se espreguiçando e bocejando. Harry correu até o dormitório às escuras. Puxou a capa e então seus olhos bateram na flauta que Hagrid lhe dera no Natal. Meteu-a no bolso para usá-la em Fofo, não se sentia muito animado a cantar.
— Ele devia ter pensado em um método de passar por Fofo nesse tempo que ficou sentado na sala comunal. — reclamou Lily. Seu filho tinha que ser mais cuidadoso.
E correu de volta ao salão comunal.
— É melhor vestirmos a capa aqui para ter certeza de que cobre nós três se Filch vir os pés da gente andando sozinhos.
— Isso também era algo que deviam ter se preocupado antes. — concedeu Remus.
— O que é que vocês estão fazendo? — perguntou uma voz a um canto da sala. Neville saiu de trás de uma poltrona, agarrando Trevo, o sapo, que parecia ter feito uma nova tentativa para ganhar a liberdade.
Alice se sentiu feliz pela aparição do filho, mas não pode deixar de sentir uma certa apreensão que Neville poderia estar querendo ir junto para o alçapão.
— Nada, Neville, nada — respondeu Harry, escondendo depressa a capa às costas.
Frank franziu o cenho. Ele não gostava de Harry ter mentido para seu filho, embora pudesse entender o motivo.
Neville olhou bem para aquelas caras cheias de culpa.
— Vocês precisam urgentemente a mentir. — reclamou Sirius e dessa vez Lily não contradisse.
— Vocês vão sair outra vez.
— Não, não, não — disse Hermione. — Não vamos, não. Por que você não vai se deitar, Neville?
— Muito convincente. — zombou Snape.
Harry olhou para o relógio de parede junto à porta. Não podiam se dar ao luxo de perder mais tempo, Snape talvez estivesse naquele instante mesmo tocando para adormecer Fofo.
Severus realmente queria que o livro não fizesse tantos comentários com seu nome. Ele segurou a varinha sabendo que Black poderia atacar a qualquer momento.
— Vocês não podem sair — disse Neville —, vocês vão ser pegos outra vez. Grifinória vai ficar ainda mais enrolada.
— Você não compreende — disse Harry — isto é importante.
— Visto que ninguém explicou nada a ele, é claro que ele não compreende. — reclamou Alice. Ela não queria que Neville fosse ao alçapão mas seu filho parecia continuamente sendo deixado de lado.
Mas Neville estava claramente tomando coragem para fazer alguma coisa desesperada.
— Não vou deixar vocês irem — disse, correndo a se postar diante do buraco do retrato. — Eu... Eu vou brigar com vocês.
Frank suspirou, seu filho era corajoso para enfrentar os amigos assim, mas tinha certeza que teria que acalmar Alice em breve por causa disso;
— Neville — explodiu Rony —, se afaste desse buraco e não banque o idiota...
— Meu filho não é idiota! Ele quer evitar que Grifinória perca mais pontos. — retrucou Alice.
— Não me chame de idiota! Acho que você não devia estar desrespeitando mais regulamentos! E foi você quem me disse para enfrentar as pessoas!
— Não era isso que Ron tinha em mente quando falou isso. — comentou Remus ganhando um olhar mortal de Alice.
— Foi, mas não nós — respondeu Rony exasperado. — Neville, você não sabe o que está fazendo.
— Porque ninguém explicou para ele! — Alice gritou dessa vez. Não gostando de agirem como se seu filho tivesse feito algo errado quando ninguém tinha explicado nada para Neville.
Ele deu um passo à frente e Neville largou Trevo, o sapo, que desapareceu de vista.
— Vem, então, tenta me bater! — disse Neville, erguendo os punhos. — Estou esperando!
Frank passou o braço em torno de Alice e torceu para que fosse algo leve.
Harry voltou-se para Hermione.
— Faz alguma coisa — pediu desesperado.
Hermione se adiantou,— Neville — disse ela —, eu realmente lamento muito. Ela ergueu a varinha.
— Não erga a varinha para meu filho!
— Petrificus Totalus!— falou, apontando para Neville.
— Como ela ousa! — Alice estava furiosa.
— Você realmente preferia que Neville fosse junto com eles pro Alçapão? — perguntou Frank
Alice mordeu os lábios e evitou olhar em direção aos pais de Harry. Ela realmente preferia que seu filho ficasse em segurança na sala comunal.
Lily viu a reação da amiga e não podia culpa-la. Ela também preferia que Harry tivesse ficado na sala comunal em segurança. Mas seu filho não via isso como opção.
Os braços de Neville grudaram dos lados do corpo. As pernas se juntaram. Com o corpo inteiro rígido, ele balançou no mesmo lugar e, em seguida, caiu de cara no chão, duro como uma pedra.
Alice resmungava em voz baixa. Mesmo que por uma boa causa ela não gostava que Neville tivesse sido enfeitiçado.
Hermione correu para desvirá-lo. Os maxilares de Neville estavam trancados de modo que ele não podia falar. Somente os olhos se moviam, mirando-os aterrorizados.
Alice resmungou um pouco mais.
— O que foi que você fez com ele? — sussurrou Harry.
— O Feitiço do Corpo Preso — respondeu Hermione infeliz. — Ah, Neville, me desculpe.
— Hunf! — resmungou Alice, sem saber como lidar com as desculpas.
— Tivemos de fazer isso, Neville, não temos tempo para explicar — disse Harry.
— Você vai entender mais tarde — disse Rony, enquanto passavam por cima dele e se envolviam na capa da invisibilidade.
Mas deixar Neville deitado imóvel no chão não parecia um bom presságio.
Todos se inclinaram em direção ao livro, preocupados. Sabendo que a partir de agora os problemas de verdade começariam.
No estado de nervosismo em que estavam, cada sombra de estátua lembrava Filch, cada sopro distante do vento parecia o Pirraça assombrando-os.
— Vocês estão embaixo da capa. Não precisam se preocupar com isso. — James falava com o livro tentando se acalmar com suas próprias palavras.
Ao pé do primeiro lance de escada, encontraram Madame Nor-r-ra, esquivando- se sorrateira quase no alto.
— Ah, vamos dar um pontapé nela, só desta vez — cochichou Rony no ouvido de Harry,
Sirius assentiu com a cabeça.
mas Harry balançou a cabeça. Enquanto subiam cautelosamente contornando a gata, Madame Nor-r-ra virou os olhos de lanterna para eles, mas não fez nada.
Não encontraram mais ninguém até chegarem à escada para o terceiro andar. O Pirraça se balançava a meio caminho, soltando a passadeira para as pessoas tropeçarem.
— Quem está aí — perguntou de repente quando se aproximaram. E apertou os olhos negros e malvados. — Sei que está ai, mesmo que não consiga vê-lo. Você é um vampiro, um fantasma ou um estudante nojento?
— Eles devem ter mais cuidado com o barulho dos passos. Estar sob a capa não impede que você faça barulho. — comentou Remus.
E ergueu-se no ar e flutuou, tentando ver alguém.
— Eu devia chamar o Filch, eu devia, se alguma coisa está andando por aí invisível.
— A única pessoa que poderia imaginar que são alunos embaixo de uma capa é Dumbledore e todos nós agradeceríamos se ele estivesse no castelo e pudesse ser chamado. — falou Sirius.
Harry teve uma idéia repentina.
— Pirraça — disse num sussurro rouco —, o barão Sangrento tem suas razões para andar invisível.
Pirraça quase caiu, em choque. Recuperou-se a tempo e saiu planando a trinta centímetros dos degraus.
— Oh! Brilhante! Precisamos tentar isso um dia. — Sirius disse antes de voltar a ler.
— Desculpe, Sua Sangüinidade, Sr. Barão, cavalheiro — disse untuoso. — Falha minha, falha minha, não o vi, claro que não, o senhor está invisível. Perdoe o velho Pirraça essa piadinha, cavalheiro.
— Tenho negócios a tratar aqui, Pirraça — cochichou Harry — Fique longe deste lugar hoje à noite.
— Vou ficar, cavalheiro, pode ter certeza de que vou ficar — prometeu o Pirraça, erguendo-se no ar outra vez. — Espero que os seus negócios corram bem, Barão, não vou perturbá-lo.
E, partiu ligeirinho.
— Eu acho que Harry herdou alguns genes marotos, afinal — elogiou Sirius.
— Genial Harry! — cochichou Rony.
Alguns segundos depois estavam lá, no corredor do terceiro andar e a porta já fora aberta.
Lily estremeceu, eles não só enfrentariam os obstáculos como quem quer que esteja lá dentro. A ruiva escondeu o rosto no ombro de James pedindo que Harry ficasse bem. E sentia pela tensão no corpo do moreno que ele fazia a mesma coisa.
Sirius mandou outro olhar para Snape. Ele seria um Ranhoso morto que fizesse algo para machucar Harry.
— Bom, aqui estamos — disse Harry baixinho. — Snape já passou por Fofo.
"Não traga meu nome a tona nesses momentos de tensão". — pensou Severus.
A visão da porta aberta por alguma razão parecia causar neles a impressão do que os aguardava.
Um calafrio atingiu todos na sala. Esse era um pensamento inquietante.
Debaixo da capa, Harry se virou para os outros dois.
— Se vocês quiserem voltar, não vou culpá-los. Podem levar a capa, não vou precisar dela agora.
— Eles vão com você até o final. — disse Remus sabendo que seus amigos fariam isso por ele.
— Não seja burro — respondeu Rony.
— Vamos com você — disse Hermione. Harry empurrou a porta.
Quando a porta rangeu baixinho, chegaram aos seus ouvidos rosnados surdos. Os três focinhos do cachorro farejaram furiosamente em sua direção ainda que o bicho não pudesse vê-los.
James foi realmente grato por Harry ter lembrado da capa dessa vez.
— O que é isso nos pés dele? — sussurrou Hermione.
— Parece uma harpa — respondeu Rony. — Snape deve tê-la deixado ai.
— Nunca tive o menor gosto por harpas. — comentou Severus antes que Black fizesse algum comentário.
— Ele acorda no momento que se deixa de tocar — disse Harry. —Bom, aqui vai...
— Enfeitice a flauta para tocar sozinha. — aconselhou Frank.
Levou a flauta de Hagrid aos lábios e soprou. Não era realmente uma música, mas as primeiras notas os olhos da fera começaram a se fechar. Harry nem chegou a tomar fôlego.
— Eu concordo com Frank. Hermione deve saber como enfeitiçar a flauta pra tocar sozinha. — disse Lily.
Lentamente, os rosnados do cachorro cessaram, ele balançou nas patas e caiu de joelhos, depois se estirou no chão, completamente adormecido.
— Continue tocando — Rony preveniu a Harry enquanto saiam de baixo da capa e deslizavam para o alçapão. Sentiram o bafo quente e fedorento do cachorro ao se aproximarem de suas cabeçorras.
Lily sentiu seu coração apertar sabendo que seu filho estava tão próximo das bocas desse cachorro.
— Acho que vamos conseguir abrir a porta — disse Rony, espiando por cima do dorso do cachorro. — Quer entrar primeiro, Hermione?
— O cavalheirismo da Grifinória brilha nesse momento. — zombou Severus mas todos estavam preocupados demais para responder.
— Não, eu não!
— E a coragem também. — Severus aproveitou a chance de extravasar um pouco.
— Tudo bem — Rony cerrou os dentes e passou com cautela pelas pernas do cachorro. E abaixando-se puxou o anel do alçapão, que se abriu.
— O que é que você está vendo? — perguntou Hermione, ansiosa.
— Nada... Só escuridão... Não tem como descer, teremos que nos jogar.
— Mas pode ter qualquer coisa... — Alice se interrompeu ao ver o olhar preocupado de Lily.
Harry, que continuava a tocar a flauta, fez sinal para atrair a atenção de Rony e apontou para si mesmo.
— É claro que Harry iria querer ir primeiro. — A ruiva resmungou. "Seu filho tinha que ser o perfeito exemplo de grifinório, tudo que ela queria nesse momento". Pensou Lily com sarcasmo.
— Você quer ir primeiro? Tem certeza? — disse Rony, — Não sei qual é a profundidade dessa coisa. Dá a flauta para Hermione manter Fofo adormecido.
Harry passou a flauta a ela. Naqueles minutinhos de silêncio, o cachorro rosnou e se mexeu, mas no instante que Hermione começou a tocar, ele tornou a cair em sono profundo.
— Ao menos o cachorro não é mais uma preocupação. — Sirius tentou ser positivo
Harry passou por cima de Fofo e espiou pelo alçapão. Não viu nem sinal de fundo..
Baixou o corpo pelo buraco até ficar pendurado pelas pontas dos dedos, Então olhou para Rony no alto e disse:
— Se alguma coisa acontecer comigo, não me siga. Vá direto ao corujal e mande Edwiges ao Dumbledore, certo?
— Não imagino que alguém seria burro o suficiente para te seguir se alguma coisa desse errado. — resmungou Severus. E viu pelo olhar no rosto dos grifinórios que eles seguiriam da mesma forma.
— Certo.
— Vejo você daqui a pouco, espero...
E Harry soltou os dedos. Um vento frio e úmido passou rápido por ele, que foi caindo, caindo, caindo e..
Pam.
— Não grite! — Lily reclamou com Sirius que havia gritado "Pam" como uma enorme explosão. — Eu não preciso ficar mais nervosa do que já estou.
Sirius fingiu um olhar arrependido.
Com um baque engraçado e surdo ele bateu em alguma coisa macia. Sentou-se e apalpou à volta, os olhos desacostumados à escuridão. Parecia que estava sentado em uma espécie de planta.
James passou a mão que não estava nos ombros de Lily pelos cabelos. Essa planta não estava ai por um motivo inocente.
— Tudo bem! — gritou para a claridade do tamanho de um selo lá no alto, que era o alçapão aberto. — A queda é macia pode pular!
— Isso me parece uma sensação falsa de segurança. — comentou Frank.
Lily apertou os dentes. Sabia que não podia impedir seus amigos de comentar. Mas isso só a deixava mais nervosa.
Rony seguiu-o imediatamente. Caiu esparramado ao lado de Harry.
— O que é isso? — foram suas primeiras palavras.
— Sei lá, uma espécie de planta. Suponho que esteja aqui para amortecer a queda. Venha, Hermione!
— Tenho certeza que deixaram a planta ai para que o ladrão não se machucasse. — Disse Severus com sarcasmo.
A música distante parou. Ouviu-se um latido alto do cachorro, mas Hermione já pulara. Ela caiu do outro lado de Harry.
— Devemos estar a quilômetros abaixo da escola — comentou.
— É realmente uma sorte que esta planta esteja aqui — disse Rony.
— Sorte! — gritou Hermione. — Olhem só para vocês dois.
Lily respirou fundo se preparando para o que estava por vir.
Ela se levantou de um salto e lutou para chegar à parede úmida. Teve de lutar porque, no momento em que chegou ao fundo, a planta começou a se enroscar como as gavinhas de uma trepadeira em volta dos seus tornozelos. Quanto a Harry e Rony, suas pernas já tinham sido bem atadas por longos galhos sem que eles notassem.
— Visgo do diabo. — comentou Remus mas todos já tinham chegado a mesma conclusão.
Hermione conseguira se desvencilhar antes que a planta a agarrasse para valer. Agora observava horrorizada os dois meninos lutarem para se livrar da planta, mas quanto mais se esforçavam, mais depressa e mais firme a planta se enrolava neles.
— Apenas faça uma fogueira e os tire disso. — pediu Lily.
— Parem de se mexer! — mandou Hermione. – Sei o que é isso. É visgo do diabo!
— Tenho certeza que eles estão preocupados em saber como se chama. Agora podem bater um papo educado e pedir para o Sr. Visgo do Diabo se afastar delicadamente. — zombou Sirius.
— Ah fico tão contente que você saiba como se chama, é uma grande ajuda — resmungou Rony, tentando impedir que a planta se enroscasse em seu pescoço.
— Cala a boca, estou tentando me lembrar como matá-la! — disse Hermione.
— Bom, anda logo, não consigo respirar! — ofegava Harry, lutando com a planta que se enroscava em torno de seu peito.
Lily segurou a camisa de James com as mãos. Ela não acreditava que algo realmente aconteceria a Harry agora, afinal como Sev falara ainda tinham mais livros. Mas a sensação de agonia por seu filho estar em perigo não atendia as razões. Tudo que ela poderia pensar era em ajudar seu filho.
— Visgo do diabo, visgo do diabo... O que foi que a Professora Sprout disse? Gosta da umidade e da escuridão...
— Ascenda uma fogueira. — pediu James agoniado.
— Então acenda um fogo! — engasgou-se Harry.
— É... É claro... Mas não tem madeira... — lamentou-se Hermione, torcendo as mãos.
— E pra que que serve sua varinha afinal de contas! — gritou Sirius.
— VOCÊ ENLOUQUECEU? — berrou Rony, — VOCÊ É UMA BRUXA OU NÃO É?
— Ah, certo! — disse Hermione e, puxando a varinha, sacudiu-a, murmurou alguma coisa e despachou um jato daquelas chamas azuis que usara em Snape contra as plantas.
Severus cruzou os braços. Quem escreveu o livro deveria ama-lo pois não parava de menciona-lo;
Em questão de segundos, os dois meninos sentiram a planta afrouxar e se encolher para longe da luz e do calor. Torcendo-se, ela se desenrolou dos corpos dos meninos, que puderam se levantar.
Lily soltou uma respiração aliviada. Um perigo a menos.
— Que sorte que você presta atenção às aulas de Herbologia, Hermione — disse Harry, quando se juntou a ela ao pé da parede, enxugando o suor do rosto.
— É estranho que a primeira proteção seja algo que foi comentado numa aula de primeiro ano. — comentou Frank fazendo todos pensarem sobre isso.
— Talvez eles esperassem que ninguém mais se lembrasse de algo que aprendeu faz tanto tempo. — tentou Alice.
Mas todos tiveram uma sensação incomoda sobre isso. Existiam plantas mais perigosas que poderiam ter protegido a pedra melhor.
— É — comentou Rony —, e que sorte que Harry não perde a cabeça numa crise, "não tem madeira", francamente.
— Por ali — disse Harry, apontando um corredor de pedra que era o único caminho que havia.
Só o que podiam ouvir além de seus passos eram os pingos abafados da água que escorria pela parede. O corredor começou a descer e Harry se lembrou de Gringotes. Com um sobressalto, lembrou-se dos dragões que, segundo diziam, guardavam os cofres-fortes no banco dos bruxos. Se topassem com um dragão, um dragão adulto... Norberto já fora bastante ruim.
— Eu não acho que Dumbledore permitiria um dragão adulto vivendo dentro de Hogwarts. — James se apressou em acalmar Lily.
— Você está ouvindo alguma coisa? Rony cochichou.
Harry apurou os ouvidos. Um farfalhar acompanhado de ruído metálico parecia vir de um ponto mais adiante.
James estreitou os olhos. Um pomo ali embaixo?
— Você acha que é um fantasma?
— Não sei.. Para mim parecem asas.
— Harry pode distinguir o som de asas? — perguntou Frank incrédulo.
— Ele é um apanhador. É a função dele. — respondeu James fazendo sinal para Sirius voltar a ler. Se realmente fossem asas então ou Harry era muito sortudo ou os obstáculos estavam muito fáceis.
— Há luz à frente, estou vendo alguma coisa se mexendo.
Chegaram ao fim do corredor e depararam com uma câmara muito iluminada, o teto abobadado no alto. Era cheia de passarinhos, brilhantes como jóias, que esvoaçavam e colidiam pelo aposento. Do lado oposto da câmara havia uma pesada porta de madeira.
Remus trocou um olhar com James. Algo estava estranho com essa proteção.
— Você acha que nos atacarão se atravessarmos a câmara? — perguntou Rony.
— Não. — murmurou James baixinho. Mas Lily ouviu e ficou curiosa prestando mais atenção as reações do moreno.
— Provavelmente — respondeu Harry, — Eles não parecem muito bravos, mas suponho que se todos mergulhassem ao mesmo tempo... Bom, não tem remédio... Vou correr.
— E mais uma vez Harry vai na frente. — Lily teve a desagradável certeza que Harry sempre seria o primeiro a encarar o perigo desconhecido.
Tomou fôlego, cobriu o rosto com os braços e atravessou a câmara correndo. Esperava sentir bicos afiados e garras atacando-o a qualquer minuto, mas nada aconteceu. Alcançou a porta incólume. Baixou a maçaneta, mas a porta estava trancada.
"Os objetos voando seriam chaves?" pensou Frank. Parecia um obstáculo estranho.
Os outros dois o seguiram. Fizeram força para abrir a porta, mas ela nem sequer se moveu, nem mesmo quando Hermione experimentou o seu feitiço Alorromora.
— Seria uma idiotice sem tamanho a porta poder ser destrancada por um simples Alorromora. — comentou Severus.
— E agora? — perguntou Rony.
— Esses pássaros... Não podem estar aqui só para enfeitar — disse Hermione. Eles observaram os pássaros voando no alto, brilhando.
— Brilhando?
— São chaves. Uma delas é a chave da porta as outras estão ali somente para atrapalhar. — deduziu Remus.
— Eles não são pássaros! — Harry exclamou de repente. — São chaves! Chaves aladas, olhe com atenção. Então isso deve querer dizer... — e olhou à volta da câmara enquanto os outros dois apertavam os olhos para enxergar o bando de chaves no alto — olhe! Vassouras! Temos que apanhar a chave da porta.
Mas eram centenas!
Rony examinou a fechadura.
— Estamos procurando uma chave bem grande e antiga, provavelmente de prata, como a maçaneta.
— Boa observação. — aprovou Sirius.
Cada um apanhou uma vassoura e deu impulso no ar, mirando o meio da nuvem de chaves.
"Por que teria mais de uma vassoura guardada ali embaixo" pensou Severus. Se alguém quisesse checar a segurança da pedra só precisaria de uma vassoura.
Tentaram agarrá-las, mas as chaves encantadas fugiam e mergulhavam tão rápido que era quase impossível apanhar uma.
Mas não era à toa que Harry era o mais jovem apanhador do século. Tinha um jeito para localizar coisas que os outros não tinham.
Esse comentário fez James ter certeza que esse obstáculo não tinha sido escolhido ao acaso. Era quase feito sob medida para Harry. Mas por que alguém varia isso era uma pergunta para qual o moreno não conseguia uma resposta.
Depois de um minuto trançando pelo redemoinho de pernas, ele notou uma chave grande de prata que tinha uma asa dobrada, como se já tivesse sido apanhada e enfiada de qualquer jeito na fechadura.
— Aquela ali! — gritou para os outros — Aquela grandona... Ali... Não... Lá... Com as asas azul-forte. As penas estão todas amassadas de um lado.
— Então alguém já esta ali. — Alice disse os temores de todos na sala em voz alta.
Lily não queria sequer pensar nisso. Não antes que fosse absolutamente necessário. Uma preocupação de cada vez.
Rony precipitou-se na direção que Harry apontava, bateu no teto e quase caiu da vassoura.
— Vocês precisam de uma estratégia. — aconselhou James
— Temos que cercá-la! — gritou Harry, sem tirar os olhos da chave com a asa danificada. — Rony, você cerca por cima. Hermione, fica embaixo e não deixa ela descer, e eu vou tentar pegar. Certo, AGORA!
— Harry seria um bom capitão. — comentou Sirius. E James não pode deixar de sorrir um pouco ao pensar no seu filho seguindo seus passos como capitão do time de Quadribol da grifinória.
Rony mergulhou, Hermione disparou para o alto, a chave desviou-se dos dois e Harry partiu atrás dela, a chave correu para a parede, Harry se curvou para frente e, com uma pancada feia, prendeu-a contra a pedra com a mão. Os vivas de Rony e Hermione ecoaram pela câmara.
— É uma sorte que Harry seja tão bom. — disse Alice.
Mas James tinha uma estranha certeza que não era sorte esse obstáculo estar ali.
Eles pousaram em seguida e Harry correu para a porta, a chave a se debater em sua mão. Enfiou-a na fechadura e virou-a, deu certo. No instante em que ouviram o barulho da lingueta se abrindo, a chave tornou a alçar vôo, parecendo agora muito maltratada depois de ter sido apanhada duas vezes.
— Estão prontos? — Harry perguntou aos dois, a mão na maçaneta da porta. Eles fizeram um sinal afirmativo com a cabeça.
Ele escancarou a porta.
Todos respiraram fundo se preparando para o próximo perigo.
A câmara seguinte era tão escura que não dava para ver absolutamente nada. Mas, ao entrarem nela, a luz inesperadamente inundou o aposento, revelando uma cena surpreendente.
Estavam parados na borda de um enorme tabuleiro de xadrez atrás das peças pretas, que eram todas mais altas do que eles e talhadas em um material que parecia pedra. De frente para eles, do outro lado da câmara, estavam dispostas as peças brancas. Harry, Rony e Hermione sentiram um leve arrepio, as peças brancas e altas não tinham feições.
— Agora o que vamos fazer? — sussurrou Harry.
— É óbvio, não é? — falou Rony. — Temos que jogar para chegar ao outro lado da câmara.
Lily sentiu James se tensar de novo e não aguentou.
— O que você está pensando?
James levou a mão aos cabelos antes de responder.
— Tudo parece muito fácil. O Visgo do Diabo é uma planta ensinada no primeiro ano. O obstáculo com chaves parece ser algo sob medida para um apanhador passar. E Ron é bom no xadrez.
— E Fofo? — Alice questionou.
— Harry é amigo de Hagrid, poderia deixar escapar como aconteceu. — disse Lily entendendo onde os pensamentos de James estavam indo e não gostando nenhum pouco.
— Por que alguém faria os obstáculos pensando em Harry? — perguntou Remus. Isso não fazia sentido.
— Não sei. James tem uma certa razão. Parecem feitiços muito simples para proteger algo tão poderoso. — concedeu Frank — Mas não consigo pensar em nenhuma razão para os professores fazerem isso tendo em mente Harry e seus amigos indo atrás da pedra.
Mas James pensava na mensagem de Dumbledore ao devolver a capa "Por via das dúvidas.". Porém porque Dumby colocaria Harry em perigo dessa forma ele não poderia imaginar.
— Os próximos obstáculos confirmaram ou negaram isso. — respondeu Severus sendo absorvido pelo enigma junto com os outros. Muitas coisas não faziam sentido na opinião nele.
Por trás das peças brancas eles podiam ver outra porta.
— Como? — perguntou Hermione, nervosa.
— Acho que vamos ter que virar peças.
— Eu não gosto de como isso soa. — comentou Alice.
Ele se dirigiu a um cavalo preto e esticou a mão para tocar seu cavaleiro. No mesmo instante, a pedra ganhou vida. O cavalo pateou o tabuleiro e seu cavaleiro virou a cabeça protegida por um elmo pata olhar Rony.
— Temos que nos unir a vocês para chegar ao outro lado? — O cavaleiro preto confirmou com a cabeça. Rony virou-se para os outros dois.
— É a proteção da Minnie. — declarou James tardiamente.
— E a anterior foi a do Flitwick. — acrescentou Lily.
— Então já passamos feitiços, transfiguração, herbologia e a proteção de Hagrid. Faltam as de Quirrell, Snape e Dumbledore. — disse Remus fazendo as contas.
Severus se perguntou o que seu eu futuro tinha feito como proteção.
— Isto exige reflexão disse. — Suponho que a gente tenha que tomar o lugar de três peças pretas...
Harry e Hermione ficaram quietos, observando Rony refletir. Finalmente ele disse:
— Agora não vão se ofender, mas nenhum dos dois é tão bom assim em xadrez...
— Eu não acho que eles estejam preocupados com isso nesse momento. — Remus sorriu.
— Não estamos ofendidos — interrompeu Harry depressa — Diga o que vamos fazer.
— Bom, Harry, você toma o lugar daquele Bispo e, Hermione, você fica ao lado dele substituindo a Torre.
— E você?
— Vou ser o cavaleiro.
— É uma boa escolha de peças. — disse Frank.
As peças pareciam estar escutando, porque ao ouvir isso um cavaleiro, um bispo e uma torre deram as costas às peças brancas e saíram do tabuleiro, deixando três casas vazias, que Harry, Rony e Hermione ocuparam.
— No xadrez as brancas sempre jogam primeiro — explicou Rony, observando o tabuleiro. — É... Olhem...
Um Peão branco avançara duas casas.
James interrompeu a leitura para criar uma miniatura do tabuleiro da mesma forma que tinha feito no jogo de quadribol. De forma que todos pudessem estudar as jogadas.
Rony começou a comandar as peças pretas. Elas se mexiam em silêncio indo aonde eram mandadas. Os joelhos de Harry tremiam. E se perdessem?
— Harry pare com esses pensamentos negativos! — reclamou Sirius. Ninguem precisava de mais tensão do que estavam sentindo agora.
— Harry, ande quatro casas para a direita em diagonal.
O primeiro choque de verdade que levaram foi quando o outro Cavalo foi comido. A Rainha branca esmagou-o no chão e arrastou-o para fora do tabuleiro, onde ele ficou deitado imóvel, de borco no chão.
— É um xadrez bruxo real. — gemeu Lily.
— Acho que todos devemos agradecer que Ron é um bom jogador. — Remus disse tentando acalmar a todos.
E as suspeitas de James sobre os obstáculos serem feito sob medidas ecoou na mente de todos.
— Eu tinha que deixar isso acontecer — disse Rony, parecendo abalado. — Assim você fica livre para comer aquele Bispo, Hermione, ande.
Todas as vezes que eles perdiam uma peça, as peças brancas não mostravam piedade. Dali a pouco havia uma coleção de peças pretas inertes encostadas à parede. Duas vezes, Rony reparou, em cima do lance, que Harry e Hermione estavam em perigo. Ele próprio disparou pelo tabuleiro comendo quase tantas peças brancas quanto as pretas que haviam perdido.
Lily gemeu. Isso não parecia que ia acabar bem.
— Estamos quase chegando — murmurou de repente. — Me deixem pensar... Deixe-me pensar...
A Rainha branca virou o rosto vazio para ele.
O silencio foi tão denso que poderia ser cortado com uma faca. Todos olharam fixamente para o tabuleiro. Deveria ter outra solução. Mas não tinha.
— Ele vai s... sacrificar o cavaleiro. — disse Lily lutando para verbalizar o pensamento horrível. Ela não poderia falar se sacrificar. Soava fatal demais.
O silencio foi sua resposta. Sirius achou melhor ler e passar por cima disso de uma vez. Como tirar um band-aid.
— E... — continuou ele baixinho —, é o jeito... Preciso me sacrificar.
— Não! — Harry e Hermione gritaram.
— Isto é xadrez! — retorquiu Rony. — A pessoa tem que fazer alguns sacrifícios! Dou um passo à frente e ela me come, isso deixa você livre para dar o xeque- mate no Rei, Harry!
Alice abriu a boca para comentar. Mas não havia nada a ser dito. Algumas vezes sacríficos eram necessários. Ela não pode reprimir o pensamento egoísta por estar feliz por Neville estar protegido na torre.
— Mas...
— Você quer deter Snape ou não?
— Isso é tudo culpa sua! — gritou Sirius fazendo menção de se levantar. E apontando a varinha para Severus.
— Por favor, continue lendo, Almofadinhas. — pediu James — Se for provado que Snape é culpado não faltara tempo para se vingar deles depois que nós soubermos que as crianças estão a salvo.
Snape segurava firmemente sua própria varinha mas Black voltara a ler.
— Rony..
— Olhe, se você não se apressar, ele já terá apanhado a Pedra! Não havia opção.
— Parece que a determinação de Harry é contagiosa. — Alice tentou aliviar o clima tenso da sala.
— Pronto? — perguntou Rony, o rosto pálido, mas decidido. — Então vamos, agora, não se demore depois de ganhar a partida.
Ele avançou e a rainha branca o atacou. Golpeou Rony com força na cabeça com o braço de pedra e ele caiu com estrondo no chão.
Todos empalideceram um pouco.
— Tenho certeza que ele ficara bem. — disse Remus com mais certeza do que ele sentia verdadeiramente.
Hermione gritou, mas continuou parada em sua casa. A rainha branca arrastou Rony para um lado. Ele parecia ter sido nocauteado.
Trêmulo, Harry se deslocou três casas para a esquerda.
O Rei branco tirou a coroa e jogou-a aos pés dele. Os meninos tinham ganhado o jogo. As peças se afastaram para os lados e se curvaram, deixando o caminho livre para a porta em frente. Com um último olhar desesperado para Rony, Harry e Hermione se precipitaram para a porta e para o corredor seguinte.
— E se ele...?
— Ele fez isso para que vocês pudessem ir adiante. — disse James.
— E é isso que vocês devem fazer. — concluiu Sirius voltando a ler.
— Ele vai ficar bem — disse Harry, tentando convencer a si mesmo.
— Ele tem que ficar bem. — corrigiu Lily preocupada com o menino que eles deixavam para trás e com o que esperaria seu filho mais adiante.
— Que é que você acha que vai acontecer agora?
— Tivemos o feitiço da Sprout, o Visgo do Diabo. Flitwick deve ter encantado as chaves. McGonagall transfigurou as peças de xadrez para lhes dar vida. Faltam o feitiço de Quirrell e o de Snape.
Tinham chegado à outra porta.
Lily apertou mais a mão de James e ambos respiraram fundo se preparando para o que poderia acontecer.
— Tudo bem? — cochichou Harry.
— Vamos.
Harry empurrou a porta para abri-la.
Um fedor horrível entrou por suas narinas, fazendo os dois puxarem as vestes para cobrir o nariz. Com os olhos lacrimejando, eles viram, deitado no chão diante deles, um trasgo ainda maior do que o que tinham enfrentado, desacordado e com um calombo ensangüentado na cabeça.
— Um trasgo, uma criatura que eles haviam enfrentado e vencido. — comentou Frank. A teoria de James parecia encaixar cada vez mês. Exceto que ninguém poderia pensar num motivo para isso ter sido feito propositalmente.
— Que bom que não precisamos lutar contra este aí — sussurrou Harry, enquanto, cautelosamente, saltavam por cima da perna maciça do trasgo. — Vamos, não estou conseguindo respirar.
Harry abriu a porta seguinte, os dois mal se atreviam a olhar o que vinha a seguir, mas não havia nada muito assustador ali, apenas uma mesa e sobre ela sete garrafas de formatos diferentes.
— É o de Snape — disse Harry. — O que temos de fazer?
Severus sentiu todos os olhares sobre ele. E implorou que fosse algo que não deixasse nenhuma das crianças no mesmo estado que Ron. Ele não sairia inteiro se isso acontece. Tinha certeza.
Ao cruzarem a soleira da porta, imediatamente irromperam chamas atrás deles. E não eram chamas comuns tampouco, eram roxa. Ao mesmo tempo, surgiam chamas pretas na porta adiante.
Estavam encurralados.
— Olhe! — Hermione apanhou um rolo de papel que havia ao lado das garrafas. Harry espiou por cima do seu ombro para ler o papel:
O perigo o aguarda à frente, a segurança ficou atrás,
Duas de nós o ajudaremos no que quer encontrar,
Uma dos sete o deixará prosseguir,
A outra levará de volta quem a beber,
Duas de nós conterão vinho de urtigas,
Três de nós aguardam em fria para o matar,
Escolha, ou, ficará aqui para sempre,
E para ajudá-lo, lhe damos quatro pistas:
Primeira, por mais dissimulado que esteja o veneno,
Você sempre encontrará um à esquerda do vinho de urtigas,
Segunda, são diferentes as garrafas de cada lado,
Aliás, se você quiser avançar nenhuma é sua amiga,
Terceira, é visível que temos tamanhos diferentes,
Nem a anã nem a gigante leva a morte no bojo,
Quarta, a segunda à esquerda e a segunda a direita
São gêmeas ao paladar, embora diferentes a vista.
— Três contem veneno! — acusou Sirius.
— Visto que eu quero proteger a pedra, se supõe que eu preciso neutralizar quem tente rouba-la. — retrucou Snape.
— Como eles vão saber qual a correta? — perguntou Alice preocupada com o que aconteceria caso eles bebessem da garrafa errada. Venenos poderiam não simplesmente matar como causar dor alucinante ou largo sofrimento.
— Hermione vai resolver o enigma. É lógica. — respondeu Lily aceitando por vez que James tinha razão. Mas por que no mundo Dumbledore faria algo assim ela não saberia responder.
Severus assentiu com a cabeça. Dando razão a Lily. Seria apenas uma questão de lógica escolher as garrafas certas e parecia algo feito sob medida para a inteligência de Hermione.
Hermione deixou escapar um grande suspiro e Harry, perplexo, viu que ela sorria, a última coisa que ele tinha vontade de fazer.
— Elá é louca. — resmungou Sirius.
— Genial — disse — Isto não é mágica, é lógica, uma charada, a maioria dos grandes bruxos não tem um pingo de lógica, ficariam presos aqui para sempre.
— E nós também, não?
— Claro que não. Tudo o que precisamos está aqui neste papel. Sete garrafas: três contêm veneno, duas, vinho, uma nos ajudará a passar a salvo pelas chamas negras, e uma nos levará de volta através das chamas roxas.
— Três chances em sete de ser envenenado. Não me parece motivo para sorrir.
— Mas como vamos saber qual delas beber?
— Me dê um minuto.
Hermione leu o papel diversas vezes. Depois passou em revista a fila de garrafas, para cima e para baixo, resmungando de si para si e apontando para as garrafas. Finalmente, bateu palmas.
— Já sei. A garrafa menor nos fará atravessar as chamas negras, rumo à pedra. Harry mirou a garrafinha.
— Ali só tem o suficiente para um de nós. Não chega a ter um gole. Eles se entreolharam..
Severus se perguntou se tinha tão pouco por que outra pessoa bebera antes. Mas não quis preocupar Lily ainda mais falando em voz alta.
— Qual é a que a fará voltar pelas chamas roxas?
Hermione apontou para uma garrafa arredondada na ponta direita da fila.
— Você bebe essa — disse Harry — Agora, escute, volte e recolha o Rony, apanhe vassouras na câmara das chaves aladas, elas levarão vocês para fora do alçapão e por cima de Fofo. Vão direto ao corujal e mandem Edwiges a Dumbledore, precisamos dele.
— E por que infernos não mandaram Edwiges a Dumbledore antes de começar toda essa loucura! — reclamou Alice.
Mas Lily tinha outra coisa em mente. Seu filho iria encarar o desconhecido sozinho. Como se James pudesse saber o que ela pensava apertou suavemente sua mão neste exato momento. E a ruiva se forçou a pensar que Harrry nunca estaria sozinho. Que eles sempre o vigiariam.
Talvez eu possa segurar Snape por algum tempo, mas não sou páreo para ele.
Severus realmente temeu pela sua segurança se ele estivesse atrás da próxima porta. Ele teve certeza que iriam impedir seu eu futuro de fazer isso aniquilando seu eu presente.
— Mas Harry, e se Você-Sabe-Quem estiver com ele?
Lily sentiu os olhos encherem d'agua. "Por favor, não" ela pedia.
— Bom... Tive sorte uma vez, não tive? — falou Harry indicando a cicatriz. — Talvez tenha sorte outra vez.
— Finalmente um pensamento positivo. — aprovou Sirius. E justamente quando todos precisavam de algo positivo para se agarrar.
A boca de Hermione estremeceu e ela correu de repente para Harry e o abraçou.
— Hermione.
— Harry você é um grande bruxo, sabe?
— Não sou tão bom quanto você — disse Harry, muito sem graça, quando ela o largou.
— Eu! livros! E inteligência! Há coisas mais importantes, amizade e bravura e, ah, Harry tenha cuidado!
— Ela é uma excelente garota. — disse Remus olhando para Sirius que fingiu não escutar e continuou lendo.
— Você bebe primeiro — disse Harry, — Você tem certeza de qual é qual, não tem?
— Uma verdadeira mostra de confiança. — zombou Severus.
— Positivo.
Ela tomou um demorado gole da garrafa arredondada na ponta e estremeceu.
— Não é veneno? — perguntou Harry ansioso.
— Não... Mas parece gelo.
— Vai logo antes que o efeito passe.
— Boa sorte... Cuide-se...
— VAI!
Hermione virou-se e passou direto pelas chamas roxas. Harry tomou fôlego e apanhou a garrafa menor de todas. Virou-se para encarar as chamas negras.
James segurou a respiração. Ele não achava que Hermione tivesse errada. Mas ele só se sentiria seguro quando tudo acabasse.
— Aqui vou eu — disse e esvaziou a garrafinha de um gole só.
Era na verdade como se o gelo estivesse invadindo seu corpo.
— Você percebe que sem Hermione, Harry não teria passado esse obstáculo. — comentou Remus olhando novamente para Sirius.
— Visto que todos estão preocupados com o que vai acontecer, não é hora de discutir isso. — Sirius mudou de assunto.
— Considere um lembrete para quando for a hora de discutir isso. — disse Remus fazendo um gesto para que Sirius voltasse a ler.
Ele deixou a garrafa na mesa e avançou, enchendo-se de coragem, viu as chamas negras lamberem seu corpo, mas não as sentiu, por um instante não viu nada a não ser as chamas negras, então viu que estava do outro lado, na última câmara.
Havia alguém lá, mas não era Snape. Tampouco Voldemort.
— Não era Snape! Agora você pode deixar Sev em paz. — disse Lily soando triunfante.
Severus agradeceu mentalmente que não fosse ele. Agora poderia revidar todos os comentários de Black sem correr o risco de ser assassinado.
— Só porque ele não está ai não significa que ele é inocente. — respondeu Sirius se recusando a ceder.
James que não se importava com quem não era e sim com quem era. Tinha pego o livro durante a discursão. Achando o capitulo começou a ler o titulo interrompendo, sem cerimonias, a conversa: Capítulo Dezessete: O Homem de Duas Caras.
