Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.
You're all I have
Kaline Bogard
Capítulo 02
O couraçado desbravador
Thor era um guerreiro treinado e experiente. Depois do período que passara em Midgard sua técnica se aprimorara, pois aprendera o respeito por uma raça diferente da sua.
Isso apenas o deixara ainda mais preparado para enfrentar as situações adversas.
De onde viera se estendia um campo a perder de vista, andaria por horas, talvez dias até encontrar algo. Por outro lado, seriam alvos fáceis naquele descampado, caso os moradores de tal reino fossem hostis.
O deus do trovão não temia por si. Se estivesse sozinho enfrentaria o que quer que encontrasse pela frente. Mas com Loki ali, sob seus cuidados, se tornava precavido. Não queria expor o irmão a algum perigo, ou arriscar-se a perdê-lo novamente.
– Vamos pela floresta. – disse ao coelho. A resposta do fujão foi sacudir as orelhas. – Oferece abrigo seguro e camuflagem. Talvez alguém habite essa região.
Começou a andar, embrenhando-se entre as árvores gigantes.
Enquanto se embalava pelo passo firme e compassado, Loki considerou seriamente a possibilidade de se transmutar em um passarinho e bater asas para longe. Mas adoravelmente afastou essa idéia de sua mente. Sentia-se tão aconchegado ali... talvez não fosse tão ruim aproveitar um pouco mais.
E Thor fora em seu resgate. Como e porque, Loki ainda não sabia. Mas isso o deixava feliz, quase emocionado. Quase...?
Pelo visto eles ainda se importavam. Se preocupavam com ele. Depois de tudo o que fizera...
– Sif me disse para levá-lo em segurança, irmão. Ela está muito preocupada com você.
Os pelos brancos do coelho se eriçaram. Loki ergueu a cabecinha e esticou o pescoço até conseguir dar uma mordidinha dolorida no queixo do deus do Trovão, fazendo-o rir alto:
– Você venceu, estou mentindo. – riu mais um pouco e recebeu outra mordiscada – Ela disse que "se colocar as mãos em você vai chutar suas bolas até você falar fino como a mulherzinha traiçoeira que é"... palavras dela, irmão.
O deus-mago ficou indignado. Como assim Thor ainda queria obrigá-lo a voltar para as garras daquele abutre em forma de gente? Era o cúmulo.
– Estou falando sério, Loki. Todos sentem sua falta, irmãozinho. A mãe não é mais a mesma. Ela sofre e chora todas as noites desde que você se foi.
A revelação fez Loki se aquietar. As orelhas se esticaram ao máximo, ouvindo cada palavra. Culpou-se por fazer as pessoas queridas passarem por aquilo.
– O pai tenta esconder e ficar firme. Mas posso ver que ele clama a volta de seu filho caçula. – e com voz grave completou – Já o vi observando os destroços de Bifrost, como se pudesse enxergá-lo em algum ponto.
Enquanto falava, Thor diminuiu o passo até parar de andar:
– Mas o único capaz de te ver era Heimdall. Ele guardou energia na espada, a chave da Ponte Arco-Íris, e me mandou até você. Asgard não é a mesma sem o deus mestre em traquinagem. Imagina o tédio que aquilo se tornou?
Loki riu interiormente. Então as pequenas trapaças tinham lá o seu valor?
– Volte a sua forma humana, Loki. Eu preciso falar com você. Preciso convencê-lo da minha sinceridade e da verdade sobre o que todos sentimos a seu respeito.
O coelho estremeceu. A forma como aquelas palavras foram ditas mexeu em algo dentro do seu coração. O asgardiano moreno finalmente se transmutou em um pequeno e frágil pássaro, escapando da armadura do mais velho.
Surpreso, Thor chegou a pensar que Loki fugiria. Ledo engano. O deus-mago planou por breves segundo a frente do loiro e então seu corpo voltou a mudar: assumiu a forma humana e os dois irmãos puderam, finalmente, se encarar.
Ambos os deuses se entreolharam em silêncio por alguns segundos. Pouco a pouco a face do loiro foi se iluminando e ele sorriu daquela forma tão Thor de sorrir. Quase sem perceber Loki se viu retribuindo com um sorriso menos contido, mas igualmente bonito.
Porém o sorriso morreu quando o deus do Trovão avançou e envolveu o moreno num abraço cheio de saudades, daquele jeito tão Thor de abraçar.
– Ir...irmão... menos... – Loki reclamou sentindo seus ossos estalarem doloridos.
– Senti tanto a sua falta. – o loiro confessou calando as reclamações do mais jovem.
Loki deu alguns tapinhas de leve nas costas largas do outro. Ele também sentira falta de todos em Asgard, e isso incluía Sif, a insuportável (não que admitissem voz alta, que fique bem claro). Mas, sobretudo, percebia agora o quanto sentira falta de Thor, de sua presença forte e inconfundível.
– Também senti saudades. – o deus-mago murmurou e respirou fundo quando Thor o libertou – Mas não sei se posso encarar papai e mamãe, e todos outra vez. O que eu fiz...
– O que você fez, – Thor cortou – está no mesmo patamar do que eu fiz. Eu invadi Jotunhein; obriguei você, Sif e os outros a me seguirem. Desacatei um rei e tentei começar uma guerra entre dois grandes reinos. O pai ficou furioso.
– Mas eu...
– Você tentou vencer a guerra que eu comecei. Honrou a mãe e protegeu o sono do pai. Se preocupou com todos os asgardianos e pensou numa forma de vencer um conflito com o menor prejuízo possível. O problema foi fazer isso contra as ordens do grande e poderoso Odin.
– Ou seja: estou encrencado. – e suspirou de forma tremendamente dramática.
– Sim. Vai ficar uns séculos de castigo. Mas tudo se resolve.
Loki olhou extremamente ofendido para Thor:
– Uns séculos? Você não ficou nem uma semana!
– Mas eu sou mais velho e super responsável. – ao ouvir a afirmação Loki ergueu uma sobrancelha e fez Thor voltar um pouco atrás – Tá... não tão responsável assim...
O moreno emburrou e cruzou os braços:
– E Sif? Vai deixar ela cumprir a ameaça e chutar, céus que palavreado baixo para uma dama, minhas bolas?
Thor fingiu pensar na questão, ato que lhe fez ganhar um soquinho no braço:
– Claro que não, irmãozinho. Eu o defenderei de todo o mal! Até dos chutes de Sif... – e o deus do trovão riu alto e forte.
O mais jovem riu contido. Fora um tolo por achar que poderia viver longe de Asgard e das pessoas que amava. Por acreditar, mesmo por pouco tempo, que podia viver longe de Thor.
Amava aquela família complicada e estranha. A família que o acolhera quando seu pai biológico o abandonara para morrer, pois não passava de um bebê inocente e indefeso.
Ao lembrar disso Loki ficou um tanto pálido e desviou os olhos. Thor parou de rir diante da atitude. Apertou os lábios quando o caçula começou a falar:
– Você não se importa...?
– Com o que?
Ainda sem encarar o irmão mais velho, Loki começou a falar:
– Por eu ser filho de...
Imediatamente Thor colocou as duas mãos sobre os ombros do moreno e falou com muita gravidade:
– Você é Loki Odinson. O grande Odin é seu pai. E Frigg sua mãe. Eu sou seu irmão mais velho. Isso é tudo o que me importa, irmãzinho. Se é bom o bastante para você, eu não sei. Mas terá que se contentar com isso. Por que nós o amamos, e não vamos desistir de você, mesmo que desista de nós.
Ao final do pequeno discurso Loki ainda mantinha os olhos baixos, incapaz de encarar o deus do trovão, simplesmente envergonhado das lágrimas emocionadas que embaçaram sua visão.
Apesar de seu jeito intempestivo Thor compreendeu os sentimentos do mais jovem. Cruzou as mãos atrás da cabeça e lançou:
– Agora nosso problema maior: descobrir que raio de lugar é esse. E como faremos para voltar para casa.
– Eu... hn... não me lembro dessa paisagem. – Loki afirmou se recuperando um pouco.
– Nem eu. – Thor olhou em volta preocupado. – Talvez seja Muspelheim.
O moreno franziu as sobrancelhas prestando muita atenção às árvores de tamanho anormal:
– Reino dos demônios de fogo? Você diz isso por causa do céu avermelhado? – pensou por alguns instantes – Não sei... não tenho nenhuma sintonia com esse lugar.
O loiro fez um gesto de cabeça e ambos começaram caminhar.
– De lá, – Thor apontou de onde vieram – só é possível ver uma grande campina. Nada mais em milhas e milhas. Se estivermos em Muspelheim será uma sorte. O pai tem um acordo com eles desde que Sutur desapareceu.
Concordando com um aceno, o deus-mago lamentou:
– Mas nunca estive aqui. Se houver passagens secretas eu as desconheço.
– Passagens secretas. Como a que ligava Asgard a Jotunhein? Por isso você vive sumindo. Pra visitar outros reinos!
Loki sorriu largo do tom indignado do deus do Trovão:
– Sinto por isso, irmão. Juro que nunca fui muito longe. Nunca visitei reinos cuja curiosidade despertada era apenas menor que o receio pelo que ouvia falar.
– Cauteloso como sempre, hein? – o loiro alto provocou – Mas aposto que estamos em Muspelheim.
Loki parou de andar, subitamente pálido e com os olhos arregalados.
– Estamos em Norheim... – a voz quase falhou no final.
Ao ouvir aquilo Thor parou de andar também voltou-se para o mais baixo e o repreendeu:
– Não diga isso, irmão. Nunca iríamos tão longe quanto o reino da Rainha Karnilla.
Loki deu de ombros, e olhou para cima apontando algo com o dedo magro:
– Então olhe e me diga se aquilo ali não é o Couraçado Desbravador...
O deus do Trovão obedeceu. Virou-se rápido e notou o navio gigantesco navegando por entre as copas das árvores, flutuando como se não pesasse mais que uma pluma. De repente uma ancora que tinha dez vezes o tamanho de Thor foi arremessada e seu peso fez a embarcação parar.
– Grande Odin! – Thor se impressionou com o navio de guerra. Nunca tinha visto algo assim em toda a sua vida. Nem mesmo em Asgard algo tão impressionante planava pelos céus.
– Pois é. – foi a vez de Loki cruzar as mãos atrás da cabeça – Com tanto lugar pra ir parar, a gente tinha que fazer uma visita pra parte insana da divindade. Maravilha.
Thor não respondeu. Por precaução apertou o martelo entre os dedos fortes. Não sabia o que esperar de tão exótica criatura...
Continua...
Okkei. Criei vergonha na cara e procurei algo. Mas pouquíssimo sobre essa rainha e esse reino, por isso minha imaginação vai fluir livre!
Atualização na segunda, se a faculdade não me matar!
Bai bai!
