Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero:
romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.

You're all I have
Kaline Bogard

Capítulo 03
Pegando uma carona

Os filhos de Odin mal tiveram tempo de se recuperar. Uma escada gigantesca foi arremessada do navio, num claro convite para que subissem a bordo. O problema estava no fato de que, entre um degrau e outro, havia uma distância de três pessoas do tamanho de Thor. Nem se o loiro se esticasse ao máximo conseguiria escalar.

– Essa mulher não tem noção. – Loki reclamou aborrecido.

O deus do Trovão concordou com um aceno de cabeça. No entanto, como se tivesse ouvido tal reclamação, a escada encolheu magicamente até chegar num tamanho apropriado.

– Seu pedido é uma ordem, irmão. – o loiro gracejou. Tomou a iniciativa de subir primeiro. Talvez conseguissem mais informações a bordo.

– Tem certeza que é seguro? – o deus-mago segurou na capa do outro, impedindo-lhe o avanço.

O mais velho observou a face preocupada de Loki. O moreno parecia realmente apreensivo.

– Eu te defendo, irmãozinho. Não tenha medo. – Thor afirmou com um sorriso enorme. Isso lhe valeu um soquinho irritado no braço.

Rindo, mas decidido, o deus do Trovão tomou novo impulso e começou a subir com certa dificuldade, Mjölnir atrapalhava um pouco os movimentos fluídos. Loki respirou pesadamente tentando demonstrar toda sua insatisfação. Mas Thor não pareceu notar o gesto.

Sem outra opção o moreno deu de ombros e seguiu seu imprudente irmão.

Em alguns minutos subiram os degraus de corda e saltaram num convés de tamanho considerável, bem de acordo com as proporções do famoso Desbravador.

Mas a situação se complicou um pouco. Havia, tranquilamente, dezenas de seres estranhos espalhados pelo local. Talvez centenas.

Todos tinham a altura parecida com a de Thor, usavam os cabelos pretos cortados estilo moicano um tanto longo. A pele deles era revestida com escamas prateadas, os olhos negros muito grandes faziam contraste com a boca de lábios finos. As criaturas eram delgadas, tendo os corpos magros cobertos por uma túnica rústica em tom de cinza desbotado. Eram incrivelmente parecidos, como um pequeno exército de irmãos.

Um deles deu dois passos largos e ficou um tanto próximo dos filhos de Odin, examinando-os detalhadamente de maneira quase ofensiva. Então fez uma leve vênia e disse:

– Bem vindosss, filhosss de Odin. É uma honra receber a bordo o deusss do Trovão e o deusss do Fogo. – voz levemente silibante soava estranha.

Thor e Loki se entreolharam. O mais jovem agradeceu:

– É igualmente uma honra estar nos domínios da Rainha Karnilla.

A criatura voltou os olhos grandes para Loki e sorriu:

– A Rainha pede pra lembrar que a viagem não é gratuita... existe um certo preço a se pagar.

Thor ficou tão tenso quanto Loki. Foi o loiro que perguntou:

– Qual preço? – se fosse algo impossível ou muito alto teriam que considerar saltar da embarcação.

A criatura sorriu sugestiva mantendo os olhos arredondados fixos em Loki:

– A Rainha acha que esssse jovem paga o valor dasss duass passsagenss. – insinuou sem qualquer receio.

A única coisa que Loki fez foi erguer uma sobrancelha, indeciso entre ficar extremamente lisonjeado ou completamente ofendido. Mas não teve tempo de decidir, pois Thor fez o que sabia fazer de melhor: agiu daquela forma tão Thor de agir, erguendo Mjölnir e acertando um golpe fulminante na cabeça do ser atrevido.

A criatura transformou-se em fumaça e desapareceu no ar.

– Não aceitarei esse tipo de insulto, Karnilla! – o loiro ofegava tamanha a raiva que o dominara.

– Thor... – Loki sussurrou tocando de leve no braço do irmão. Agradecia o gesto protetor, mas não achava sábio provocar a fúria de Karnilla e todos aqueles marujos.

Mas ao invés de reagirem ao gesto de Thor, os outros homens começaram a rir, como se tudo não passasse de uma grande piada. Confusos, os irmãos não souberam como reagir.

Outro dos homens da Rainha, terrivelmente parecido com o que fora destruído por Thor, avançou alguns passos:

– Não devem levar tudo a sssério. Nosssssa rainha não cobra nada pela hosssspedagem no Dessssbravador.

– Tem sorte de não ter nos ofendido mais. – Thor ainda estava perturbado pelo acontecido. Só de pensar numa mínima possibilidade de perder Loki outra vez se transtornava. Quase saía de si, descontrolado.

O homem de Karnilla reverenciou num mudo pedido de desculpas:

– Nem todossss tem o sssenso de humor refinado dosss assssgardianosss. – olhou de esguelha para Loki. Muitos conheciam a fama do deus-mago, mas poucos podiam aprovar seu gosto para brincadeiras. Sem dar chance de resposta, o marujo continuou – Venham comigo. Nosssssa rainha irá recebê-lossss agora.

Por um segundo Thor pareceu disposto a dar meia volta e saltar da amurada do convés. Mas relevou. Nem mesmo Karnilla seria imprudente a ponto de inflar a ira do deus do Trovão. Ou seria...?

Loki acabou com a hesitação do mais velho, empurrando-o para que seguisse com o marujo em direção ao deque de comando. Os outros servos da rainha apenas olharam, ficando para trás.

– Deixa que eu banco o diplomata, irmão. – Loki afirmou com certa arrogância.

– Mas...

– Nada de "mas". – Loki cortou – Esmagar cabeças não é uma política muito boa. – o moreno não queria fazer um paralelo, mas toda aquela história começara com Thor querendo esmagar uns gigantes de gelo por aí.

A conversa entre os irmãos cessou com a aceitação do deus Trovão. Ele resolveu confiar na diplomacia do caçula pra variar um pouco.

Os três seguiram por um corredor longo e estreito, iluminado por lamparinas de fogo mágico. Ao chegar a uma grande porta, o homem prateado inclinou-se e fez um gesto para que os asgardianos avançassem sozinhos.

Thor não esperou nova ordem. Abriu a porta e entrou altivo na cabine principal que tinha o tamanho de um grande salão de festa, completamente despido de mobiliário, exceto por um trono digno de um gigante, bem no meio do piso, próximo à uma grande janela.

Sentada sobre ele estava a Rainha Karnilla. A mulher tinha pelo menos cinco vezes o tamanho de Thor. O cabelo era extremamente liso e ruivo como cobre. Os olhos negros e ofídios brilhavam de forma intensa. Os lábios eram finos, rasgando a face magra de forma quase exagerada. Ela tinha a pele tão pálida quanto de alguém que nunca viu a luz do sol. A aparência, no geral, era atraente, exótica.

Karnilla permanecia sentada displicente sobre o trono, o cotovelo apoiado num dos descansos e o rosto sobre a mão espalmada. A impressão que passava era de alguém extremamente entediado.

– Vejam bem vindos, deus do Trovão e deus do Fogo. –olhou detidamente cada um deles, então esticou a boca em um sorriso distorcido – Você é impulsivo, Thor Odinson. E você é ardiloso, Loki Odinson.

O moreno adiantou um passo e começou solene:

– Gostaríamos de nos desculpar pelo marujo que meu irmão... – mas a rainha fez uma careta que revelava seu pouco caso:

– Aquele monte de fumaça? – agitou a mão e dezenas iguais apareceram dentro da sala, surpreendendo os asgardianos. A novo gesto as criaturas desapareceram igualmente rápido, voltando a ficar apenas os três no grande deque. – Posso ter quantos daqueles quiser, a hora que eu quiser. Mas, no momento, estou mais interessada em vocês. A que devo tal honra?

A voz era surpreendentemente macia e calorosa para alguém que parecia fria e distante.

– Rainha Karnilla... – Loki a contemplou com uma breve vênia, o que a agradou. – Viemos ter a seu reino por um pequeno acidente.

A dona da embarcação fez um novo movimento de enfado:

– Este buraco horroroso não é Norheim. Estamos passando por Muspelheim. – nesse ponto Thor lançou seu melhor olhar de "eu disse, não disse" para Loki, que elegantemente ignorou – Vou para os Subterrâneos, participar de um jantar de gala. Isso se essa canoa velha colaborar.

– Está indo para a terra dos Trolls... – Loki ficou pensativo. Se seguissem com Karnilla até o subterrâneo poderia usar uma das passagens secretas que conhecia e já usara antes. – Podemos aproveitar sua companhia até o mesmo destino?

A rainha suspirou:

– Evidentemente. Mas aviso que o Couraçado Desbravador é um barco muito temperamental. Ele decidiu seguir feito uma tartaruga. Acho que sai de Norheim tem uns cinqüenta anos. – ela suspirou de forma exagerada e resmungou: – Quando chegar lá a comida já esfriou... isso se aqueles Trolls não comerem tudo.

Aquilo desanimou os irmãos. Se ela demorava tanto navegando no barco não interessava seguir com ela. Talvez descansassem por aquela noite e seguissem por conta própria então.

– Agradecemos a hospitalidade. – Loki afirmou sem se comprometer com alguma decisão.

– Estejam a vontade, filhos de Odin. Façam do Desbravador seu lar, por quanto tempo acharem necessário. Podem andar por aí bisbilhotando as coisas. De qualquer jeito não tem nada que crianças possam quebrar. Vou me arrumar e encontro com vocês para o jantar. – acenou indicando que saíssem da cabine.

Loki concordou com um sorriso e obedeceu puxando Thor pelo braço. Por um lado estava feliz, seu irmão mais velho não se precipitara. Ou melhor, ele nem chegara a abrir a boca. Porém, por outro lado estava preocupado. Não se lembrava de Karnilla ser tão boazinha assim...

Era melhor manter os dois olhos bem abertos.

Continua...

NA – Man... essa história de ficar colocando "sss" pros caras foi um saco. Eu sempre esquecia! 8) #EpicFail... eu sei.

Enfim... maisss sssegunda que vem... ops... #TrollFace

Ah, esse lance do Courçado Desbravador e da Rainha Karnilla voando por aí que nem uma brabuleta saiu da minha cabeça! XD Me gusta ser bizarra!