Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.
You're all I have
Kaline Bogard
Capítulo 04
Você é tudo que eu tenho
Os irmãos saíram da cabine da rainha e seguiram pelo longo corredor de volta ao convés que agora estava vazio. Todos aqueles homens estranhos pareciam ter ficado invisíveis.
– Isso tudo é estranho. – Thor resmungou.
– Sim, meu irmão. E o Couraçado Desbravador tem uma energia que me intriga...
Caminharam mais um pouco até a proa do navio. Thor soltou o martelo ao seu lado no piso, inclinou-se um pouco e apoiou os braços na amurada, os olhos azuis perderam-se na imensidão da planice sobre a qual navegavam. Loki saltitou e sentou-se sobre a mureta, de costas para o caminho, observando atentamente a ponte de comando. Quase sentiu-se sendo observado de volta, como se o Desbravador fosse mais que uma grande estrutura móvel...
– Não podemos seguir viagem com Karnilla. – o deus do trovão soou aborrecido – Vamos demorar mais do que fossemos a pé.
Loki virou o rosto de leve e encarou o mais velho por alguns segundos. Se deixou hipnotizar pelos cabelos loiros embalados pela brisa morna de Muspelheim. O reino estava com um clima agradável.
– Se chegarmos aos Subterrâneos. – o moreno deu de ombros – Posso usar uma ou duas passagens.
Thor sorriu:
– Queria ver os demônios de fogo.
A afirmação surpreendeu o deus-mago:
– Porque?
– Ora, porque eles estão desaparecendo. Mamãe acha que logo deixarão de existir. Gostaria de vê-los novamente. Pode ser a última vez.
Loki observou o loiro em silêncio. Não conseguiu pensar em nada esperto pra dizer sobre aquele assunto. Era difícil acreditar que uma divindade podia simplesmente deixar de existir. Mas era o que se suspeitava ter acontecido com Surtur. E era o que os mais velhos sussurravam sobre os demônios de Muspelheim.
Desaparecer era algo assustador. O deus-mago fugira de Asgard e se escondera porque não tinha coragem de encarar as pessoas que amava e que se sentiam traídas. Mas sabia que sempre poderia voltar, eles sempre estariam lá.
Mas o que garantiria que algo terrível não acontecesse com eles? Talvez o mesmo que a Surtur...? Ou o mesmo que aos demônios de fogo?
Tais pensamentos deixavam Loki abalado. Ele balançou a cabeça de leve e decidiu mudar o foco da conversa. Mal percebeu a palavrinha até que ela escapou-lhe dos lábios:
– Porque...?
O deus do trovão ficou confuso:
– O que?
Por um infinitésimo de segundo Loki ficou sem jeito por ter dado aquela bobeira. Foi tão espontâneo que não tinha nenhuma pergunta alternativa para cobrir a gafe sem parecer ridículo, então resolveu ser sincero e perguntar algo que queria muito saber:
– Porque veio atrás de mim?
Thor não pareceu surpreso:
– Porque todos estavam preocupados com você.
O deus do fogo cravou o olhar esmeralda em seu irmão mais velho:
– Meu irmão... Bifroust está destruída. Pelo que entendi Heimdall possuía energia para mais uma viagem apenas, ou ele teria nos levado de volta. Então, porque escolheu a mim?
O loiro encarou a mirada intensa sem desviar as íris azuladas em momento algum:
– Onde quer chegar?
Aborrecido, o moreno acreditou que seu irmão estava tentando irritá-lo de propósito. Os lábios se apertaram em um bico enquanto o caçula cruzava os braços de forma turrona:
– Jane Frost. Porque não foi atrás dela? – o ciúme pingava de cada palavra.
O loiro fez uma expressão de "Ah, entendi tudo". E riu baixinho:
– Quer saber porque não fui atrás da mortal?
– É! – a diversão do deus do trovão só conseguiu deixar Loki mais emburrado. – Se você puder explicar.
Thor riu mais um pouco antes de explicar:
– Ela é importante pra mim, mas não como você. Você sempre foi o meu companheiro, sempre esteve ao meu lado. Nunca tive medo de nada, mas a idéia de nunca mais vê-lo apavorou-me, irmãozinho.
A medida que ia compreendendo aquelas palavras Loki sentia seu coração disparar. Sentiu uma felicidade crescente que ameaçava não caber em seu peito:
– Obrigado. – disse simplesmente.
– Não me agradeça. Comece a levar a culpa sozinho daqui pra frente.
– Isso não posso prometer! – o caçula riu largo.
– Então prometa que não vai sumir mais. – o tom de voz de Thor cortou o sorriso do moreno. Havia um quê de dor que causou um pequeno arrepio em Loki. – Você não sabe como foi...
Ao ver que o outro não completaria a frase, Loki hesitou antes de perguntar:
– Como foi...?
Thor desviou os olhos para o céu que estava num tom de vermelho mais escuro, anunciando a noite eminente. Os sóis haviam desaparecido, e estrelas pontilhavam aqui e ali.
– Achar que tinha te perdido.
A simplicidade do deus do trovão ao fazer a afirmação desarmou Loki. O moreno engoliu em seco e sentiu os olhos arderem. Não havia motivo para desconfiar da veracidade da informação ou da profundidade daquela verdade.
E Thor aumentou a confusão do deus-mago com a frase seguinte:
– Você é tudo o que eu tenho.
– Mas... a mãe... o pai... – era difícil ver o deus do fogo sem palavras, geralmente Loki tinha presença de espírito suficiente para sair das maiores enrascadas com o mínimo de prejuízo ou, pelo menos, dividindo a culpa com Thor.
O mais velho sorriu e voltou o olhar azul para seu irmão:
– É diferente. Eles me tem, mas eu não os tenho. Não da mesma forma como tenho você, irmãozinho.
O moreno silenciou. Pelo simples fato de não saber o que falar. Nunca pensara daquela maneira. Então era assim que Thor o via? Alguém que estava ao seu lado e lhe pertencia? Aquilo fez um calor agradável subir-lhe pelo rosto e as bochechas corarem. Por um segundo, um breve segundo imaginara que...
Balançou a cabeça. Claro que Thor estava falando de um sentimento fraterno. Nada mais. Aquilo bastava para Loki. Bastava saber que era importante para o deus do Trovão, que fazia falta a ponto de ser resgatado.
Aquilo devia bastar. Mas então... porque Loki sentia vontade de chorar.
– Aff. Como crianças são complicadas! – a voz de Karnilla cortou o diálogo entre os dois. Loki ergueu a cabeça e Thor virou o rosto de leve. Observaram a mulher se aproxima. Ela reduzira seu próprio tamanho, estando agora da mesma altura que Loki. – Muito complicadas.
Aproximou-se e também apoiou-se na amurada, imitando a pose de Thor, ficando do outro lado de modo que Loki ficasse entre ela e o deus do Trovão.
– Usa palavras misteriosas, Rainha Karnilla. – o mais velho afirmou.
– Nem tanto. – a ruiva sorriu – Acho que asgardianos tem coisas grandiosas que deixam os pequenos detalhes passarem.
– Pequenos detalhes? – Thor repetiu a pergunta.
A mulher olhou para Loki, que ainda estava um tanto corado, e sorriu ainda mais largo:
– É... pequenos detalhes. Será que eu devo ajudá-los? Ou não... – pareceu falar mais consigo mesmo do que com os rapazes. – Acho que vou dar um pequeno pontapé.
– Do que está falando? – Loki ficou meio irritado com as frases incompletas.
Mas a dona do Desbravador deu de ombros, os cabelos muito lisos esvoaçavam de leve com a brisa do navegar do couraçado. Um brilho animado refletiu-se nas íris negras como se Karnilla tivesse acabado de ter uma grande idéia:
– Ouvi dizer que o deus do trovão já se vestiu de noiva... é verdade?
A pergunta aparentemente fora de contexto pegou os deuses asgardianos de surpresa:
– Por uma boa causa. – Loki respondeu divertido – Precisávamos resgatar Mjölnir.
– Hum... vamos fazer um jogo parecido, com todos os elementos: Thor, Loki, o martelo, o vestido de noiva e um resgate. Quem sabe uma fita vermelha...
Os irmãos se entreolharam sem compreender. Estava demorando praquela mulher ter um de seus ataques de loucura.
– Não temos tempo pra isso. – Thor resmungou.
– Tempo não é o problema, crianças. Mas se quer usar esse argumento, colocamos um complicador. – ela estendeu uma das mãos e tocou suavemente o joelho de Loki que ergueu uma sobrancelha intrigado. – A regra é a seguinte, deus do trovão: você tem até a hora do jantar. Se passar da hora perde o jogo.
– Hora do jantar? Pra que? Que jogo?
Karnilla sorriu ainda mais:
– Para resgatar o que é importante.
Dizendo isso uma luz emanou de seu corpo, forte o bastante para obrigar Thor a fechar os olhos. Quando o asgardiano os reabriu tanto Karnilla quanto Loki haviam desaparecido.
Continua...
O que será que essa Rainha vai fazer hein...? Nem eu sei! #leva soco# Brincadeirinha, gente. Eu sei sim!
Mais um. Desculpas pela demora: entrei em reta final no semestre e tenho que entregar toda a papelada da faculdade e do estagio. Junte a isso semana de prova... snif...
Ah, esqueci de dizer: o título dessa fanfic saiu da música do Bruno Mars. Talking to the moon.
Até semana que vem!
