Título: You're all I have
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: romance, aventura, yaoi, mitologia
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Usarei elementos da mitologia, dos quadrinhos; mas, sobretudo, do filme. Por que aquele Loki me ganhou facinho, facinho.
Observação: não vou me ater a detalhes, apenas ao fato de que rolou tanta química entre esses dois que eles merecem uma fanfic. Ou melhor: muitas!
Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simples assim.
You're all I have
Kaline Bogard
Capítulo 04
Fim do jogo
– Karnilla! – a voz de Thor ressoou pela proa como um trovão. O céu enegreceu e rajadas luminosas cortaram as nuvens como feridas recém abertas.
Mjölnir saltou para os dedos fortes. Num movimento mais intuitivo que racional Thor acertou a mureta de madeira, fazendo lascas voarem em muitas direções. O Desbravador estremeceu um pouco, mas seguiu em frente.
Uma risada sem humor soou.
– A regra é muito simples deus do Trovão: nos encontre antes do jantar. Eu não vou esperá-lo para começar minha... saborosa refeição... ahahahahahaha!
Ao lado do asgardiano uma pequena ampulheta surgiu, flutuando no ar. Era semi transparente, como se fosse um fantasma. O tempo corria através dos pequenos grãos de areia.
Ignorando o objeto Thor avançou para o deque, abrindo a porta com um solavanco.
Não podia acreditar que perdera seu irmão outra vez, bem diante de seus olhos! Sentia-se estúpido e algo mais... como se fracassasse com Loki. Tinha que encontrá-lo antes que aquela rainha insana fizesse algo contra o deus-mago.
– Ouse machucá-lo, Karnilla e eu não respondo por mim. – a voz soou baixa e ameaçadora. Thor sabia que ela poderia escutá-lo. A prova disso foi a risada debochada que soou pelo corredor.
Um trovão ecoou alto refletindo a ira do filho mais velho de Odin.
Os olhos azuis escanearam o longo corredor. Quando passara antes ali não parecia tão grande e com tantas portas! Desesperado avançou para a primeira. Quando percebeu que estava trancada não hesitou em abri-la com um forte pontapé. Lascas de madeira voaram enquanto um longo e tenebroso rangido se fez ouvir. O Couraçado Desbravador reclamava da violência sentida.
Thor não tinha tempo ou desejo de se compadecer. Sua raiva piorou ao analisar o cômodo vazio. Não havia ninguém, nem mesmo móveis. Ao abrir a segunda e terceira porta e deparar-se com novos cômodos vazios compreendeu: Karnilla brincava com ele.
Flutuando ao seu lado a ampulheta registrava quase metade do tempo passado.
Thor não soube o que fazer.
Era bom em agir sem pensar. Mas não podia simplesmente ir derrubando as portas que invariavelmente davam para salas vazias. Por outro lado não conseguiria simplesmente passar direto. E se Loki estivesse em um dos quartos...?
"Pense, estúpido. Pense".
Karnilla dissera algo sobre jantar. E a lembrança fez o loiro estremecer. Talvez devesse ir para a cozinha ou o salão de festas.
Decidido abandonou o corredor e voltou para a proa. Seguiu para as escadas que imaginava levariam para a parte inferior, onde provavelmente estava a cozinha e a sala de máquinas.
Enquanto corria tentava não olhar para a ampulheta flutuante e não pensar na sensação que o sufocava. Nunca se perdoaria se falhasse outra vez. Jurara proteger Loki e levá-lo em segurança para casa.
– Espere, irmãozinho. Não vou decepcioná-lo outra vez. Karnilla que ouse colocar um dedo em você...
Desceu os degraus de dois em dois. Saiu num local escuro e silencioso. Todos os homens ofídios haviam simplesmente desaparecido. O Couraçado Desbravador parecia um barco fantasma. Onde estavam todos?
E se a rainha pretendesse abandonar tudo e fugir com Loki?
"Não seja idiota". Recriminou-se.
Mas no fundo sabia que não estava sendo idiota. Karnilla tinha fama de ser insana e imprevisível. E por que resistiria a seqüestrar Loki? Quem resistiria aos encantos do deus-mago...?
Estacou. Como assim "resistir a Loki"? Que tipo de pensamento era aquele? Protetor? Possessivo...? Ciumento?
Ao seu lado a ampulheta apitou.
– Cinco minutos para começar minha saborosa refeição. – a voz de Karnilla só fez aumentar a raiva do loiro – Vou ter que começar sozinha...?
– KARNILLA! – Thor apertou Mjölnir nas mãos. – ONDE VOCÊ ESTÁ? DEVOLVA MEU IRMÃO!
O silêncio foi tudo que obteve como resposta.
Confusão. Era tudo confuso.
Ao seu lado a ampulheta continuava marcando a passagem do tempo.
Pressão. Muita pressão.
O que mais ele podia fazer além de procurar a esmo? Até ser tarde demais? Thor estava cansado de sempre chegar tarde demais...
– Ora, ora, ora... parece que nosso jovem e intrépido deus do trovão desistiu... então é melhor me fazer companhia. Já tenho me alimentado sozinha por muito, muito tempo...
Thor bufou diante da ousadia, como Karnilla podia ser tão atrevida a ponto de...
Nem completou o pensamento. Teve uma sensação estranha, e num piscar de olhos estava de volta ao grande salão do trono. Arregalou os olhos azuis para a mesa ricamente servida. Haviam variadas guloseimas, algumas até desconhecidas para o filho mais velho de Odin.
Karnilla estava refestelada a cabeceira, em seu tamanho reduzido, mordiscando um generoso pedaço de carne assada que segurava com as mãos nuas. Sorriu displicente para o loiro e, apontando com o pedaço de carne, indicou que Thor devia se sentar e partilhar a comida:
– Esteja a vontade, Odinson.
Thor rosnou. E precipitou-se empunhando Mjölnir rumo a Karnilla, pronto para dilacerar-lhe o crânio com um golpe fulminante. A mulher nem se abalou. Usou a mão limpa para indicar o trono:
– Demorastes tanto que não teve outro jeito...
Pelo canto dos olhos Thor registrou a cena. E ficou tão surpreso que desistiu do ataque. Na verdade acabou derrubando Mjölnir no chão e entreabrindo os lábios de puro espanto.
Sobre o trono enorme estava Loki, deitado num amontoado de pano branco.
Intrigado, o deus do trovão desviou a rota e avançou até o irmão caçula, mal ouvindo a risadinha divertida da rainha Karnilla. Não pode acreditar no que seus olhos viam. Loki estava adormecido e ressonando calmamente, envolto num mar de tule e organza, trajando um vestido de noiva no melhor estilo de Midgar.
Os cabelos negros perfeitamente alinhados brilhavam de leve. E, para incredulidade de Thor, o caçula levava um laço vermelho no pescoço.
– Ei... irmãozinho. – cutucou de leve tentando despertá-lo.
– Espero que goste do meu presente. – a rainha debochou com a boca cheia.
Como se passasse o efeito de uma magia, o moreno despertou devagar. Esfregou os olhos preguiçoso e observou o mais velho:
– Thor...
A voz rouca de quem dormia a muito tempo, apesar de ter passado apenas poucos minutos, causou arrepios no loiro:
– Você está bem? – sondou a expressão sonolenta.
– E por não estaria? – o rapaz soou aborrecido até se dar conta das roupas que vestia. – Mas o que é isso?
O rubor que coloriu as bochechas de Loki foi tão adorável que Thor quase soltou um "ownnn". Quase. Só não o fez por que não era algo que combinasse com o poderoso deus do trovão. Mas, principalmente, porque o caçula arrancaria seu pescoço a dentadas.
– Pode beijar a noiva agora. – Karnilla incentivou antes de encher a boca com carne novamente.
Thor sorriu. Não se fez de rogado: segurou no rosto de Loki. O moreno arregalou os olhos ao compreender a intenção do irmão. Fechou os olhos sentindo o rosto esquentar ainda mais e o coração disparar.
Então sentiu um beijo suave sendo depositado em sua testa. A decepção não foi apenas sua. Karnilla resmungou incrédula:
– Mas que droga de beijo sem graça foi esse? Eu devia ter deixado a noiva só de lingerie pra esquentar o clima.
– Não se atreveria a fazer isso. – Thor bufou deixando Loki ainda mais constrangido.
– Chega, irmão.
Karnilla olhou pasma para o mais velho, depois voltou-se para o moreno:
– Como Odin pode ter um filho tão idiota? Talvez você esteja sendo sutil demais, deus do fogo.
– Sutil? – foi a vez de Loki se irritar – Eu destruí Bifrost. É a sutileza de um Troll bêbado dançando num salão vazio.
A dona do Couraçado mordiscou o pedaço de carne e deu um longo gole no vinho, analisando o que fora dito. Thor acabou se apontando:
– Eu destruí a Ponte Arco-Íris.
Desdenhando da afirmação Karnilla resmungou:
– Porque ele disse que atacaria Jotunhein, bla, bla, bla. E de quebra você fica longe de Midgard. Isso é astúcia, caro Thor. Exagerada, mas ainda assim astúcia.
O loiro franziu as sobrancelhas incomodado com a conversa. Continuava aborrecido pelo susto de achar que perdera Loki. Tê-lo a salvo ao seu lado era tudo o que queria. Tudo o que precisava.
– Irmão... – Loki começou num tom de voz estranho. O mais velho voltou-se para encará-lo, quando o navio estremeceu violentamente, quase jogando o loiro ao assoalho. Loki, que não foi tão sortudo, escorregou no trono enorme e ia cair no chão, mas foi salvo no último segundo pelos braços fortes de Thor. Karnilla apenas praguejou ao ver refeição tombar e se esparramar.
Antes que dissessem qualquer coisa mais a embarcação embicou e ascendeu em queda livre.
A rainha esticou o braço e encheu a mão com algumas tâmaras frescas que conseguiu pegar:
– É, filhos de Odin. Parece que vamos sofrer um pequeno naufrágio. – inabalável jogou as frutas na boca e sorriu para os irmãos com a boca cheia.
Continua...
AFF
Super corri com esse capítulo. E tenho duas boas notícias... primeiro: a fanfic ganhou uma madrinha! A Agnostic Joker Manson. Nós conversamos em PVT e chegamos a um acordo sobre esse capítulo! Um acordo que me deixou feliz, feliz. Aguardem... pela segunda boa notícia bem em breve.
Também beijo pra Nieryka, que ta off... T.T E me deixou sem o alimento espiritual de suas fics. Vou morder o dedão de quem agora...?
